Postagem em destaque

Senegal: Mimi Toure and Companhia - "Khalifa Sall é um beneficiário do dinheiro do doping"

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... Aminata Touré : ex-PM do Senegal "Depois que o presidente...

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Morreu o homem que salvou o mundo.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...


O ex-militar sovitético Stanislav Petrov, em 2013


O ex-militar sovitético Stanislav Petrov, em 2013 OLIVER KILLIG/EPA

Em 1983, um militar soviético ignorou um alerta de ataque nuclear norte-americano, acreditando que se tratava de um falso alarme. A decisão evitou um conflito que poderia ter custado milhões de vidas. 

Stanislav Petrov, um antigo militar soviético que terá evitado o início de uma guerra nuclear entre Moscovo e Washington em 1983, morreu aos 77 anos. 

Petrov estava aos comandos de um centro soviético de detecção de lançamento de mísseis balísticos quando, na madrugada de 26 de Setembro de 1983, viu num ecrã um aviso do disparo de vários projécteis norte-americanos. 

O ex-militar recusou passar a informação aos seus superiores, o que teria desencadeado um ataque nuclear em resposta. Petrov, como disse anos depois em várias entrevistas, estava convicto de que o alerta tinha sido gerado por engano. 

“Tinha toda a informação [a sugerir que se estava perante um ataque norte-americano]. Se tivesse enviado a informação pela cadeia de comando acima, ninguém a teria posto em causa”, disse à BBC em 2013. 

“Tudo o que tinha a fazer era pegar no telefone, accionar a linha directa para os nossos mais altos comandantes, mas não consegui mexer-me. Senti-me sentado numa frigideira a ferver”, contou. 

Petrov estava certo, como percebeu minutos depois. Os Estados Unidos não tinham lançado qualquer míssil nuclear, e o alerta automático tinha sido emitido por engano depois de um satélite espião ter confundido um reflexo do sol nas nuvens com o brilho do disparo de um projéctil. 

Apesar de ter sido alvo de uma reprimenda, o antigo oficial acabaria por ser elogiado e distinguido por Moscovo, recebendo ainda vários prémios internacionais, incluindo das Nações Unidas. 

Petrov morreu a 19 de Maio, em Moscovo. A morte só foi divulgada esta segunda-feira, depois de o realizador alemão Karl Schumacher ter telefonado à família por ocasião do seu aniversário.

fonte: publico.pt

Adão Minjy, o cantor angolano das vinte línguas.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

O jovem define-se como a voz da versatilidade africana. O amor, a solidariedade e a firmeza são os seus temas preferidos. Adão Minjy quer contribuir para o resgate dos valores africanos através da música.
fonte: DW ÁFRICA
default
Adão Minjy
Foi no "Largo do Amor", no centro da cidade de Luanda, onde conversámos com Adão Minjy. Vestido com a tradicional camisa africana, calças de ganga e calçado preto, o jovem músico estava acompanhado da sua guitarra. "Definiria-me como a voz da versatilidade linguística em África", identificou-se Adão Minjy.
A sua versatilidade manifesta-se em mais de 20 línguas nacionais, africanas e internacionais, como o kimbundo, kikongo, ubundo, swahili, lingala, zulo, inglês, francês, espanhol, entre outros idiomas. A versatilidade de Minjy também se manifesta em mais de 10 estilos musicais: "canto afro-jazz, zouk, reggae, semba, kilapanga, rumba, entre outros estilos", explica o cantor.
Como muitas estrelas da música internacional, Adão Minjy também descobriu o seu talento na igreja. Aos cinco anos, os seus pais levavam-no à congregação religiosa onde começou a dar os primeiros passos no mundo da música.
"Sempre se acostumaram a levar-me à igreja, onde aprendi a cantar. Quando tinha cinco anos de idade, conforme eles contam, já fazia parte de grupos corais infantis e cresci a cantar na igreja. E estou aqui a desenvolver a minha veia artística", lembra o músico.
O trabalho de Adão Minjy tem ganho dimensão nacional e internacional. Com 15 anos de experiência, o músico diz que tem mais de 200 composições. Muitas delas já foram apresentadas em palcos angolanos e estrangeiros.
"Um dos palcos de referência que pisei foi na trienal de Luanda, o Palácio de Ferro, organizada pela Fundação Sindika Dokolo. Ao nível de África, já cantei também em Joanesburgo e estamos a conquistar outros países”, assegura Adão Minjy.
Um disco para breve
Na música, Adão Minjy também tem como objetivo "o resgate da cultura angolana e africana". Isto porque atualmente "poucos fazem músicas para preservar a cultura, mas sim com fins comerciais", explica o artista.
O seu primeiro trabalho discográfico deve ser lançado em breve, mais ainda "está no segredo dos deuses", sublinha.
Adão Minjy diz que, quando o disco estiver pronto, os amantes da música poderão ouvir sobretudo uma mensagem de "amor ao próximo, solidariedade, confiança e determinação naquilo que fazemos".

GUINÉ-BISSAU: LILICA BOAL, A ETERNA DIRETORA DA ESCOLA-PILOTO DO PAIGC.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...
default
Escolhida por Amílcar Cabral para dirigir, em Conacri, a escola que preparava os filhos dos combatentes para a independência, Maria da Luz "Lilica" Boal agradece hoje "a sorte" de ter participado na luta de libertação.
 
Maria da Luz "Lilica" Boal nasceu em 1934 no Tarrafal de Santiago, dois anos antes de o Governo português criar a Colónia Penal naquele concelho cabo-verdiano para encarcerar os presos políticos que se opunham ao regime.
 
Foi durante os tempos de aluna universitária na capital portuguesa, Lisboa, onde frequentava a Casa dos Estudantes do Império, que passou a identificar-se cada vez mais com os ideais da libertação.
 
Em 1961, ano em que começou o conflito armado em Angola, um grupo de estudantes africanos das então colónias portuguesas fugiu de Portugal, rumo à luta pela independência. Entre eles estava Lilica Boal, então com 26 anos e mãe de uma bebé de 17 meses.
 
Depois de passar pelo Gana e pelo Senegal, onde tratava os feridos de guerra que aí chegavam por Ziguinchor, na fronteira, Lilica Boal assumiu a direção da Escola-Piloto do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), inaugurada em 1965, em Conacri, para acolher os filhos combatentes e os órfãos de guerra. A professora era também responsável pela elaboração dos manuais escolares.
 
DW África: Em junho de 1961, ano do início do conflito armado em Angola, integrou um grupo de estudantes africanos que fugiu de Portugal para continuar a luta pela independência noutros destinos. Recorda-se dessa travessia?
 
Lilica Boal (LB): Recordo-me muito bem. Nessa altura estava a preparar a minha tese para a licenciatura em História e Filosofia. Frequentava muito a Casa dos Estudantes do Império e, a partir daí, organizou-se essa saída de um grupo de estudantes dos diferentes países, mas mais de Angola, que se queriam juntar aos movimentos de libertação.
 
Saímos de Lisboa para o Porto e, no dia seguinte, muito cedo, partimos em direção à fronteira espanhola. Mas, em Espanha, a polícia já estava à nossa espera. Fomos chamados para a polícia e cada um ia fazendo a sua declaração. Entretanto, terá havido uma intervenção da Igreja Protestante, porque depois ficámos instalados numa igreja do Conselho Ecuménico das Igrejas. Portugal já tinha pedido a Espanha para nos mandar de volta. [Mas] fomos libertados em Espanha e seguimos para Paris.
 
Entretanto, houve comunicação com outros países de África, com o Gana. E aí [o Presidente] Kwame Nkrumah prontificou-se a mandar um avião para nos ir buscar à Alemanha. Chegados ao Gana fomos alojados num liceu. Era um grupo de cerca de 50 jovens estudantes. Tivemos oportunidade de contactar vários dirigentes dos outros países [como os angolanos Viriato Cruz e Lúcio Lara]. Foi aí que eu me encontrei, pela primeira vez, com Amílcar Cabral que, por acaso, conhecia muito bem a minha família do Tarrafal.
 
DW África: Como foi esse primeiro encontro com Amílcar Cabral?
 
LB: Foi muito bom. Ele era uma pessoa de uma simplicidade extraordinária, um grande pedagogo. Falando com ele uma pessoa sentia-se muito mais livre e convicta daquilo que poderíamos fazer. Ele perguntava a cada um o que é que queria fazer a partir daí. Eu estava casada com um estudante angolano de medicina, o Manuel Boal, que foi no grupo de angolanos que foram para a frente no Congo-Kinshasa, para a criação de uma frente de saúde para apoiar os feridos de guerra de Angola.
 
Eu tinha um bebé de 17 meses. Naquele contexto, não quisemos trazer a bebé. Não sabíamos para onde íamos, o que é que ia acontecer. Foi realmente o momento mais duro, ter que separar-me da bebé. Então mandei a minha filha para a minha mãe, que vivia no Tarrafal, e nós fomos.
 
Do Gana fomos para Conacri, onde estava a base do PAIGC. E de lá eu preferi ir para o Senegal para poder ter contacto com a família. Fiquei integrada no PAIGC, a trabalhar no "bureau" do partido.
 
Lilica Boal
Lilica Boal fala com saudades dos tempos em que era diretora da Escola-Piloto em Conacri
 
DW África: E no Senegal trabalhava na mobilização de cabo-verdianos para o PAIGC?
 
LB: Sim. Muitas vezes, o Pedro Pires e eu saíamos naqueles autocarros para contactar a comunidade cabo-verdiana. Não falávamos com muitas pessoas, mas, mesmo assim, discutíamos a situação do país naquele momento e aquela onda de independências que estávamos a viver - no Senegal, na Guiné-Conacri, no Gana, na Costa do Marfim. Discutíamos a possibilidade de também nós conseguirmos lutar para conseguir a independência de Cabo Verde.
 
Mas, no "bureau", eu também trabalhava na administração de finanças e contactava com os feridos de guerra que vinham do norte da Guiné-Bissau, através de Ziguinchor. Tínhamos um lar dos combatentes, onde eles ficavam alojados. E, estando aí, em contacto com a minha filha - porque mais tarde a minha mãe conseguiu ir até ao Senegal levar-ma, mas nessa altura ela já tinha cinco anos – eu fazia esse trabalho de educação no Senegal e em Conacri.
 
A Escola-Piloto foi criada depois do Congresso de Cassacá [em 1964]. No entanto, como eu estava preocupada com o problema da minha filha, só em 1969 assumi a direção da Escola-Piloto em Conacri.
 
DW África: Que era uma escola fundada por Amílcar Cabral a pensar na formação de quadros que viriam a conduzir os destinos da Guiné-Bissau e de Cabo Verde quando estes fossem independentes.
 
Bildergalerie 40 Jahre Nelkenrevolution 40 Jahre UnabhängigkeitLilica Boal recorda Amílcar Cabral como "um grande pedagogo"
 
LB: Uma das grandes decisões desse congresso foi realmente a criação de uma escola que pudesse receber os órfãos de guerra e os filhos dos combatentes com o objetivo de dar uma formação já virada para a criação do tal "homem novo" de que falava Amílcar Cabral.
 
DW África: E o que era mais importante ensinar aos alunos?
 
LB: Ensinávamos Português e depois introduzimos também o Francês e o Inglês. Íamos até à sexta classe, mas os alunos mais avançados tiveram realmente muitas facilidades quando foram estudar para o estrangeiro. Porque nós conseguimos bolsas para a formação deles a partir da sexta classe. Mandámos alunos para Cuba, para a então União Soviética, para a Alemanha Democrática, para a Checoslováquia. E dávamos também História, a nossa História. Os manuais que nós elaborávamos eram virados para a Geografia e a História da Guiné e Cabo Verde.
 
DW África: Em apenas dez anos, o PAIGC formou mais quadros do que o regime colonial em 500 anos. A "arma da teoria" era tão ou mais importante que a luta armada?
 
LB: Sim, a preocupação de Cabral era essa. Ele dizia-me mesmo: "Se eu pudesse, fazia uma luta só com livros, sem armas." Era a melhor maneira de preparar os quadros para o futuro. E, dentro da escola, havia realmente uma relação estreita entre professores e alunos, de respeito mútuo. Isso continuou até hoje. Quando encontro um antigo aluno da Escola-Piloto é sempre um momento gratificante.
 
DW África: As zonas libertadas foram visitadas por vários grupos, por exemplo de jovens. Como foram as reações a esta sociedade sui generis, a este modelo único que encontraram na Guiné?
 
LB: Ficavam encantadas. Nas zonas libertadas, a comunidade era unida e recebia bem os visitantes. As pessoas eram de uma gentileza fora de série. Quando eu me levantava de manhã já havia um balde de água ao sol para aquecer para eu não tomar banho com água fria. Foram coisas que me marcaram.
 
Lilica Boal
Lilica Boal durante a visita de uma delegação soviética à Escola-Piloto do PAIGC em Conacri, em 1965
 
DW África: Há algum episódio durante a luta de libertação nacional que a tenha marcado em especial?
 
LB: Há um que conto sempre porque me marcou. Naquela saída de Paris para a Alemanha íamos em autocarros. E nós saímos de Portugal apenas com um saquinho de cinco quilos. Na altura, como era uma saída clandestina, não tínhamos a hora exata da saída de autocarro. Então, eu saí para ver umas montras. Quando voltei, os camaradas já estavam no autocarro. E eu procuro o meu saco. "Onde é que está o meu saco?" Disseram-me: "O Pedro [Pires] é que levou". Porque o camarada Pires, pensando que uma senhora precisa mais de um saco do que um homem, deixou o saco dele e levou o meu. Para mim, isso é a prova do altruísmo do Pires que me marcou.
 
DW África: E como foi o dia em que soube da Revolução dos Cravos em Portugal, a 25 de Abril de 1974? Como é que recebeu essa notícia?
LB: Foi uma coisa que parecia pólvora. Quando soubemos dessa revolução, eu entrava numa sala de aula e dizia: "revolução em Portugal!" Era como se tivéssemos acendido um fósforo. Toda a sala se levantava! Passei de turma em turma a informar dessa revolução. Eu sinceramente não estava à espera daquilo naquele momento e certamente os alunos também não.
 
Isso foi uma das coisas que me marcou. Outra foi quando, após esse período, os militares começaram a deitar abaixo aviões portugueses. Cada vez que tínhamos informação de aviões que tinham ido abaixo, eu ia também às salas de aula e os alunos pintavam logo um avião e uma maca com feridos de guerra a serem transportados.
 
Outro momento que me marcou foi quando a Titina Silá [guerrilheira do PAIGC], que vinha de Ziguinchor para vir assistir às cerimónias fúnebres de Amílcar Cabral, morreu ao atravessar o rio. Quando me contaram que a Titina tinha morrido eu não queria acreditar.
 
DW África: E quase 40 anos depois da proclamação da independência de Cabo Verde a luta valeu a pena?
 
LB: Se valeu! Porque eu que conheci um Cabo Verde em que eu, para fazer o liceu, tive de ir a São Vicente, porque não havia um único liceu em Santiago. Agora eu vou ao Tarrafal e vejo o liceu com todas as condições que tem agora, vejo os jovens frequentando o liceu, com uniforme, com uma cantina.
 
Tive muita sorte. Primeiro, pela oportunidade de ter participado nessa caminhada. E, segundo, por ter chegado ao fim com vida para ver o que estou a ver agora. Valeu a pena.
 
Fonte: DW África

MNE DA GUINÉ-BISSAU ACUSA PORTUGAL DE "DESPREZO QUASE CANINO" SOBRE SITUAÇÃO DA RTP.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...


Por nós o governo da Guiné-Bissau deve pôr um ponto final nessa palhaçada, ou seja, cortar definitivamente as emissões desses órgãos de manipulação e desinformação sobre a realidade do nosso país. Os fascistas ainda não perceberam que a Guiné-Bissau mudou, ainda acham que são donos dos nossos destinos, enfim.
 
Noutro dia ouvimos o MNE de Portugal a condicionar as negociações  com o governo da Guiné-Bissau, disse que o governo de Portugal só sentaria a mesa de negociações se as emissões da RDP-África e RTP África fossem retomadas no nosso país. Mas que falta de respeito! Isso é inadmissível, trata-se de um insulto à nação guineense, por outro lado a Guiné-Bissau, não é obrigada ter emissões de RDP-África e RTP-África no seu território e  consumir constantemente  informações nojentas e tóxicas. Chega! Esses órgãos não fazem falta nenhuma na Guiné-Bissau, o governo deve manter-se firme e não ceder as chantagens e pressões da máfia lusófona e fascistas que a todo custo querem nos impor emissões nocivas para seus próprios proveitos. 
 
Se os tugas fascistas não ganhassem nada com RDP África e RTP África na Guiné-Bissau, não estaria stressados com a suspensão das emissões desses órgãos no território nacional, ficaram desesperados e pediram a ONU, UE, UA, CPLP e alguns bajuladores nacionais e estrangeiros para convencerem o governo liderado por Umaro Embaló para reatar as emissões desses órgãos, mas não tiveram sucesso, esse nega causa a ira nos sectores conservadores lusos, razão pela qual, adotaram a postura acima referida. Tugas fascistas foronta ohhh, tugas fascistas forontaaaa, toki é pidi ONU, UE, CPLP, e utrus sufas e bariduris di padja pa é papia ku guvernu di nô terra pa i tem pacensa é liga RDP i RTP África pa i bata ôbido na nô terra, ma bons fidjus di terra maça lata. Assim propi, Viva JOMAV! Viva governo da Guiné-Bissau! Abaixo bajuladores e alienados,
 
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau acusou hoje as autoridades de Portugal de "um desprezo quase canino" face à ausência de respostas a propostas para negociar o protocolo de transmissão da RTP e RDP naquele país.
 
"O que há é apenas a suspensão das emissões no quadro da ausência de resposta a várias e várias iniciativas para o diálogo e para a revisão do acordo" que regula a transmissão da RTP e RDP usando os meios das estações públicas da Guiné-Bissau, disse o ministro Hélder Vaz Lopes, à margem de uma cerimónia, em Lisboa, para assinalar os 44 anos da independência.
 
"Houve um desprezo quase canino, permitam-me a expressão. Nós somos um Estado, não somos outra coisa qualquer", acrescentou, dizendo também que "quando se pretende espezinhar o Estado da Guiné-Bissau e colocar o país na situação de ter de ceder por ser país mais pobre, estamos a afrontar o povo da Guiné-Bissau".

Em causa está a suspensão das emissões da rádio e televisão públicas portuguesas usando as antenas da rádio e televisão públicas da Guiné-Bissau, uma situação regulamentada por um protocolo entre os dois governos, que a Guiné-Bissau quer rever.
 
"As emissões [da RTP e RDP] não estão cortadas, estão acessíveis às pessoas, como outros canais, estamos a falar das emissões emitidas pelas antenas nacionais", disse o MNE guineense, salientando que em Portugal a estação pública de rádio e televisão também não passa as emissões das suas congéneres guineenses e que "as emissões em território nacional são uma questão de soberania".
 
Questionado sobre onde está o impasse que tem arrastado esta situação, Hélder Vaz Lopes resumiu: "nós enviámos cartas, estamos a aguardar resposta, não sabemos onde está o impasse, terão de ser os senhores [jornalistas] a avaliar. Na primeira carta propusemos uma data e um local, na segunda disponibilizámo-nos para ser em qualquer lado, portanto digam-me os senhores onde está o impasse".
 
Sobre os profissionais da RTP e RDP no país, o MNE garantiu que "não estão impedidos de trabalhar", uma vez que isso teria de ser feito através de um ato legal do qual não tem conhecimento.
 
Para Hélder Vaz Lopes, a questão resume-se à vontade do país progredir.
 
"Desejamos migrar para Televisão Digital Terrestre, temos uma estratégia, queremos dar passos em frente, queremos implementar uma estratégia sem sermos cerceados em nome da liberdade de imprensa, de maldades... não há maldades nenhumas, queremos é progredir enquanto país, como todos os outros", concluiu o diplomata.
 
A 30 de junho, o ministro da Comunicação Social guineense anunciou a suspensão das atividades da RTP na Guiné-Bissau, alegando a caducidade do acordo de cooperação no setor da comunicação social assinado entre Lisboa e Bissau.
 
O ministro justificou a decisão da suspensão das atividades da rádio e televisão portuguesas no país com questões técnicas.
 
Na semana passada, o primeiro-ministro guineense mostrou-se convicto de que a situação estaria ultrapassada até ao fim do ano.
 
Lusa, em http://www.dn.pt

Dissidente do PAIGC quer enterrar machado de guerra.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

media
Imagem de Arquivo.

SEYLLOU SEYLLOU / AFP

O grupo dos 15 deputados expulsos do PAIGC organizou um encontro para pensar o futuro do partido histórico da Guiné-Bissau. Rui Diã de Sousa, antigo ministro e um dos 15 deputados dissidentes, defende que é altura de “enterrar o machado de guerra” e unir o partido.




O grupo dos 15 deputados expulsos do PAIGC organizou um encontro, que começou no domingo e termina esta terça-feira, sob o lema "reflexão para salvação do PAIGC de Amílcar Cabral", o fundador do partido e pai das independências da Guiné-Bissau e Cabo Verde.
O encontro acontece depois de o PAIGC ter organizado a sua Universidade de Verão e de estar a preparar as comemorações de mais um aniversário do partido em Gabu, esta terça-feira.
A reunião, numa unidade hoteleira de Bissau, é palco para uma discussão dos estatutos do PAIGC e também uma ocasião para os militantes, de costas voltadas com a atual direcção, esgrimirem argumentos.
Exprimindo-se em crioulo, Rui Diã de Sousa, antigo ministro e um dos 15 deputados dissidentes, disse que o momento não é mais de troca de acusações sobre quem realmente fomentou a crise no seio do PAIGC: se os 15 deputados ou se a direcção liderada por Domingos Simões Pereira.
Diã de Sousa afirmou que a hora é de reunificar o partido e de prepará-lo para os próximos embates eleitorais.
O responsável disse, ainda, que o melhor a ser feito neste momento é que as duas partes em disputa enterrem o machado de guerra, promovam um diálogo franco, com paciência e tolerância.
Rui Diã de Sousa sublinhou que se persistir a guerra no seio do PAIGC, o mais certo é o partido ir irremediavelmente parar à oposição nas próximas eleições de 2018.
Oiça aqui a reportagem de Mussá Baldé, correspondente em Bissau.
Correspondência da Guiné-Bissau
fonte: RFI

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Coreia do Norte quer um "equilíbrio de forças" com os EUA.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Imagem distribuída pela Coreia do Norte do momento do lançamento do míssil de sexta-feira
Imagem distribuída pela Coreia do Norte do momento do lançamento do míssil de sexta-feira. REUTERS



Embaixador chinês diz que EUA têm que deixar de fazer ameaças e dar início a negociações. 
O objectivo da Coreia do Norte é chegar a um "equilíbrio de força" militar com os Estados Unidos, disse o líder Kim Jong-un, citado pela agência noticiosa oficial KCNA. Já os EUA voltam a ameaçar com uma intervenção militar e advertem que a sua paciência perante os lançamentos de mísseis norte-coreanos está a chegar ao fim. 

"O nosso objectivo final é estabelecer um real equilíbrio de forças com os EUA e fazer com que os dirigentes americanos deixem de falar na opção militar", escreveu a agência noticiosa oficial norte-coreana, atribuindo a frase a Kim Jong-un. 

Durante a liderança de Kim, que chegou ao poder em Dezembro de 2011, a Coreia do Norte lançou uma dezena de mísseis — o programa de armamento foi acelerado para que o país tenha capacidades para atingir os EUA com um míssil potente e nuclear. Na sexta-feira fizeram sobrevoar mais um míssil sobre o Japão e já fizeram um ensaio com uma bomba de hidrogéneo. 

Após o lançamento de sexta-feira, o conselheiro de Segurança da Casa Branca, H.R. McMaster, disse que a paciência dos EUA em relação ao programa de mísseis e ao programa nuclear dos norte-coreanos está a esgotar. "Eles têm estado a esticar a corda e a corda está quase a partir", disse McMaster. "E aos que têm dito que não há opção militar, digo que há opção militar." 

O embaixador chinês nos EUA, Cui Tiankai, pediu na sexta-feira a Washington contenção e acção. Disse que os EUA devem parar com as ameaças e olhar para Kim Jong-un como um parceiro, abrindo o diálogo. 

"Honestamente, os EUA deviam fazer mais... para que exista uma verdadeira cooperação internacional sobre este assunto", disse Tiankai. "Deviam deixar de fazer ameaças. Deviam fazer mais para encontrar uma forma efectiva de retomar o diálogo e a negociação". O embaixador, também citado pela Reuters, disse que a China nunca aceitará que a Coreia do Norte se torne um Estado nuclear.
fonte: publico.pt

General sugere intervenção militar no Brasil e é alvo de críticas no Exército.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

General sugere intervenção militar no Brasil e é alvo de críticas no Exército. 27329.jpeg

Sempre polêmico, o general do Exército Antônio Hamilton Martins Mourão afirmou na última sexta-feira que é possível uma intervenção militar no Brasil, caso a crise política que o país atravessa não seja solucionada pelas próprias instituições.
As afirmações de Mourão foram feitas em uma palestra realizada na Loja Maçônica Grande Oriente, em Brasília, horas após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciar o presidente Michel Temer (PMDB) pela segunda vez, por obstrução de Justiça e organização criminosa.
"Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso", disse Mourão. "Desde o começo da crise o nosso comandante definiu um tripé para a atuação do Exército: legalidade, legitimidade e que o Exército não seja um fator de instabilidade".
O general destacou que a necessidade de "impor uma solução" poderia trazer "problemas", mas que os militares possuem "compromisso com a Pátria, independente de sermos aplaudidos ou não". "O que interessa é termos a consciência tranquila de que fizemos o melhor e que buscamos, de qualquer maneira, atingir esse objetivo. Então, se tiver que haver haverá", destacou.
Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, a fala de Mourão causou desconforto em oficiais-generais do Exército.
Ouvido pela publicação, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, voltou a dizer que "não há qualquer possibilidade" de intervenção militar. "Desde 1985 não somos responsáveis por turbulência na vida nacional e assim vai prosseguir. Além disso, o emprego nosso será sempre por iniciativa de um dos Poderes", avaliou.
Ele ainda revelou que teve uma conversa com Mourão e que o problema já estaria "superado". O próprio general, diante da repercussão, negou que estivesse "pregando intervenção militar", dizendo que a interpretação das suas palavras "é livre", já que falava em seu nome, e não no do Exército.
Em 2015, Mourão se envolveu em outra polêmica. Ele perdeu o posto do Comando Militar Sul depois de atacar a então presidente Dilma Rousseff (PT), afirmando que o impeachment dela não traria mudança significativa e que "a vantagem da mudança seria o descarte da incompetência, má gestão e corrupção".
Desde então, Mourão responde como secretário de economia e finanças do Exército
fonte: pravda.ru

Plano Rússia-China para RPDC: estabilidade, conectividade.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Plano Rússia-China para RPDC: estabilidade, conectividade. 27313.jpeg



Moscou trabalhou incansavelmente construindo acordos que expandam a para o oriente a conectividade eurasiana. A questão é como convencer a RPDC a jogar o jogo.

O resultado de 15x0 no Conselho de Segurança da ONU para impor novo conjunto de sanções à Coreia do Norte de algum modo obscurece o papel crítico desempenhado pela parceria estratégica Rússia-China, a "RC", no núcleo duro do grupo BRICS.*

As novas sanções são duríssimas. Incluem redução de 30% nas exportações de petróleo cru e refinado para a RPDC; ficam proibidas as exportações de gás natural; exportações de tecidos produzidos na Coreia do Norte (que valeram ao país US$760 milhões, em média, ao longo dos últimos três anos); e todo o planeta fica proibido de conceder vistos para trabalhar a cidadãos da RPDC (atualmente, há mais de 90 mil deles trabalhando no exterior).

Mas está longe do que desejava o presidente Trump dos EUA, segundo um rascunho de resolução do Conselho de Segurança vazado semana passada. Lá se incluía congelamento de todos os bens e proibição de deixar o país para Kim Jong-un e outros oficiais da RPDC listados, e "itens relacionados a Armas de Destruição em Massa", à moda das sanções aplicadas ao Iraque. A resolução autorizaria estados membros da ONU a interditar, abordar e inspecionar navios norte-coreanos em águas internacionais (o que equivale a uma declaração de guerra); e por fim, mas não menos importante, total embargo ao petróleo.

"RC" deixaram claro que vetariam qualquer resolução vazada nesses termos. O ministro Sergey Lavrov, de Relações Exteriores da Rússia, disse ao evanescente secretário de Estado dos EUA Rex Tillerson que Moscou não aceitaria na Resolução nada menos que linguagem relacionada a "ferramentas políticas e diplomáticas para buscar vias pacíficas para resolver conflitos." Quanto ao embargo do petróleo, o presidente Vladimir Putin disse que "cortar o suprimento de petróleo para a Coreia do Norte pode causar danos a pessoas hospitalizadas e outros cidadãos comuns."

As prioridades da parceria estratégica "RC" são claras: "estabilidade" em Pyongyang; nada de 'mudança de regime'; nada de alteração drástica no tabuleiro de xadrez geopolítico; nada de crise monstro de refugiados.

Nada disso impede que Pequim pressione Pyongyang. Sucursais do Banco da China, China Construction Bank e do Agricultural Bank of China na cidade de Yanji na fronteira nordeste proibiu cidadãos da RPDC de abrirem novas contas. As contas existentes ainda não foram congeladas, mas depósitos e remessas de dinheiro foram suspensos.

Para ir logo ao coração da matéria, porém, é preciso examinar o que aconteceu semana passada no Fórum Econômico Oriental em Vladivostok - cidade localizada a meros pouco mais de 300 km da área de testes de mísseis da RPDC, em Punggye-ri.

Tudo tem a ver com a Ferrovia Trans-Coreana 

Em marcado contraste com a retórica belicosa do governo Trump e do Departamento de Estado, o que "RC" propõe são essencialmente conversações de 5+1 (Coreia do Norte, China, Rússia, Japão e Coreia do Sul, plus EUA) em território neutro, como diplomatas russos já confirmaram. Em Vladivostok, Putin fez esforço gigante para dispersar a histeria militar e alertar para a evidência de que qualquer passo além de sanções seria "convite para o túmulo". Em vez disso, propôs acordos/negociações comerciais.

Praticamente sem qualquer notícia na mídia-empresa ocidental, o que aconteceu em Vladivostok é realmente e radicalmente novo. Moscou e Seul concordaram quanto a uma plataforma comercial trilateral, que envolveria crucialmente Pyongyang, para investir em conectividade entre toda a península coreana e o Extremo Oriente da Rússia.

O primeiro-ministro Moon Jae-in da Coreia do Sul propôs a Moscou construir nada menos que "nove pontes" de cooperação: "Nove pontes significam as pontes de gás, ferrovias, a Rota do Mar do Norte, estaleiros (construção de navios).criação de grupos de trabalho, agricultura e outros tipos de cooperação."

Crucialmente decisivo, Moon acrescentou que a cooperação trilateral visará a projetos conjuntos no Extremo Oriente da Rússia. Ele sabe que "o desenvolvimento daquela área promoverá a prosperidade de nossos dois países e também ajudará a mudar a Coreia do Norte, e a criar a base para a implementação dos acordos trilaterais."

Contribuindo também para a entente, os ministros de Relações Exteriores do Japão Taro Kono e da Coreia do Sul Kang Kyung-wha, ambos, destacaram a "cooperação estratégica" com "RC".

A geoeconomia complementa a geopolítica. Moscou também se aproximou de Tóquio com a ideia de construir uma ponte entre as nações. Com isso, o Japão ficaria fisicamente ligado à Eurásia - e ao vasto carrossel de comércio e investimento oferecido pelas Novas Rotas da Seda, também conhecidas como Iniciativa Cinturão e Estrada e pela União Econômica Eurasiana (UEE). E complementaria o acalentado plano de conectar a Ferrovia Trans-Coreana à Trans-Siberiana

Seul quer uma rede ferroviária que a conecte fisicamente à vasta ponte de terra eurasiana, o que faz perfeito sentido comercial para a 5ª maior economia exportadora mundial. Prejudicada pelo isolamento da Coreia do Norte, a Coreia do Sul está efetivamente sem contato, por terra, com a Eurásia. A resposta aí é a Ferrovia Trans-Coreana.

Moscou é fortemente favorável a esse plano, e Putin já observou que "podemos entregar gás pelo gasoduto russo à Coreia e integrar as linhas de transmissão de energia e ferrovias da Rússia, da Coreia do Sul e da Coreia do Norte. A implementação dessas iniciativas não será apenas economicamente benéfica, mas também ajudará a construir confiança e estabilidade na Península Coreana."

A estratégia de Moscou, como a de Pequim, é conectividade:
Desde o golpe, o Brasil deixou de poder ser legitimamente descrito como parceiro comercial confiável de quem quer que seja e voltou à condição degradada de estado-vassalo dos EUA. Por isso, doravante, esse Coletivo de Tradutores não mais escreverá "BRICS", que já não existem; escreveremos "RICS", que é a forma correta, até que o Brasil volte à ordem nas nações democráticas civilizadas. [NTs]
Pepe Escobar, Asia Times


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Brasil: Presidente Temer novamente constituído arguido.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...



Presidente do Brasil é desta vez acusado de praticar os crimes de obstrução à justiça e participação em organização criminosa. Processo segue novamente para o Congresso.
Reuters/ADRIANO MACHADO

Pelo segunda vez em um mês, Michel Temer, foi constituído arguido. Desta vez, a denúncia apresentada pelo procurador-geral Rodrigo Janot acusa o Presidente brasileiro dos crimes de obstrução à justiça e participação em organização criminosa.
Em comunicado, citado pela comunicação social brasileira, Temer diz que Janot "continua a sua marcha irresponsável para encobrir as suas próprias falhas", acrescentando que a nova denúncia está "recheada de absurdos".
De acordo com a acusação de Janot, Michel Temer e alguns responsáveis do Partido Movimento Democrático Brasil (PMDB) montaram um esquema de corrupção para obterem vantagens junto de empresas públicas, o Congresso e ministérios.
A poucos dias de deixar o cargo de procurador-geral da República — sendo substituído por Raquel Dodge, nomeada por Temer —, Janot entregou a segunda denúncia contra o Presidente brasileiro. São ainda acusados no mesmo processo outros seis responsáveis do PMDB e dois empresários.
Segundo a acusação entregue pelo procurador, a suposta organização criminosa, que seria liderada por Temer desde Maio de 2016, actuou de forma ilícita junto de diversos órgãos públicos – entre as quais a Petrobras, a Furnas, a Caixa Económica, o Ministério da Integração Nacional e da Agricultura e a Câmara dos Deputados – em troca de subornos que poderão ter ultrapassado os 587 milhões de reais (quase 157 milhões de euros).
Pelos mesmos crimes de Temer estão acusados Eduardo Cunha, antigo deputado, Henrique Alves, ex-deputado e ex-ministro, Geddel Vieira Lima, antigo ministro, Rodrigo Roucha Loures, antigo deputado e ex-assessor de Temer, Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil, e Moreira Franco, ministro da Secretaria-Geral. Estes seriam os elementos que compunham a organização criminosa no seio da esfera política.
Além destes, também os empresários Joesley Batista e Ricardo Saud foram denunciados por Janot junto do Supremo, mas são apenas acusados por obstrução à justiça. Ambos estão envolvidos na Operação Lava-Jato, sendo que negociaram já acordos de "delação premiada" (figura jurídica que permite aos arguidos negociar a redução de uma eventual pena através da denúncia de outros suspeitos). Porém, Edson Fachin, juiz encarregue do caso, cancelou este acordo argumentando que Batista e Saud desrespeitaram os termos negociados, ressalvando que os seus depoimentos continuam a servir de prova. Ambos foram detidos na semana passada.
Em relação ao crime de obstrução à justiça, os arguidos são acusados de realizar pagamentos ao gestor Lúcio Funaro, que se encontra detido também no âmbito da Lava-Jato, para comprar o seu silêncio evitando que negociasse igualmente um acordo de delação com a justiça. Concretamente, Temer é suspeito de pedir a Joesley Batista que transferisse os montantes, através de Saud, para a irmã de Lúcio Funaro. Apesar disso, o executivo assinou o acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República, tendo já realizado o seu depoimento.
Segundo a acusação, os factos relativos à Petrobras remontam a 2006, numa altura em que Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), ocupava a presidência. Nessa altura, Temer, juntamente com Henrique Alves e Eduardo Cunha, começou a actuar junto do Governo do PT para a obtenção de cargos na Directoria Internacional da Petrobras. Janot alega que Temer tinha “papel central” neste esquema e que, “ao entrar na base do Governo de Lula, mapeou, de pronto, as oportunidades na Petrobras”, cita a Globo. Estas suspeitas foram obtidas através das denúncias de Nestor Cerveró, antigo director da área internacional da empresa.
Ou seja, o procurador-geral inclui neste núcleo político da organização criminosa elementos do PT e do Partido Progressista (PP). No entanto, a partir de Maio de 2016, esta configuração foi reformulada, com a subida do PMDB ao poder, tendo Temer e os seus colegas de partido substituído o PT na liderança da organização. Este grupo é chamado pelos investigadores de “PMDB da Câmara”, por ser constituído, à época, por deputados; é também referido o “PMDB do Senado”.
Mas esta busca por cargos empresariais englobava outras empresas públicas. Além disso, os subornos alegadamente recebidos, e pagos por Batista, dono da empresa de carnes JBS, terão servido também, entre outras coisas, para pagar decisões favoráveis junto do Ministério da Agricultura ou para comprar decisões favoráveis no Congresso, esquema este que, "possivelmente, ainda funciona", alega Janot. 
Para que Temer seja julgado pelo Supremo, a bola passa agora para o Congresso brasileiro, que terá de decidir se o processo avança – o que implicaria que o Presidente deixasse o Palácio do Planalto até, pelo menos, ao fim do julgamento – ou arquiva, para já, as acusações mantendo Michel Temer no Palácio do Planalto, tal como aconteceu em Agosto.
fonte: publico.pt

Total de visualizações de página