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quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Jovens moçambicanos descontentes com falta de oportunidades.

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No Dia Mundial da Juventude, jovens da província moçambicana de Nampula queixam-se da falta de emprego, de habitação e de acesso ao crédito financeiro. O novo coronavírus também é um dos maiores problemas atualmente.
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Ser jovem continua a ser um desafio em Moçambique, principalmente na província nortenha de Nampula. Manuel Pita, de 30 anos, está desempregado e já tentou várias vezes concorrer a vagas de emprego, tanto nas empresas governamentais quanto nas privadas, mas sem sucesso.

Manuel Pita lamenta a falta de políticas concretas de emprego por parte das autoridades governamentais. "É uma situação triste em que em 45 anos [de independência do país] nós tínhamos de evoluir, mas infelizmente não é o que está a acontecer. Muitos jovens estão sentados [desempregados] mesmo com formações não têm oportunidades", conta.

Além do desemprego, a falta de acesso à habitação e de financiamento de iniciativas juvenis é outro problema. Manuel Pita diz que os poucos que beneficiam dessas iniciativas são jovens que com alguma influência junto das elites governamentais.

"As oportunidades podem existir, mas o problema é como aceder. Temos problemas de apoio. Eu posso querer criar um negócio, mas se não tenho apoio vai ser difícil [progredir], por isso precisamos de uma alavanca", sublinha.

Apesar de todos os constrangimentos, o jovem conforta os seus pares: "Não podemos cansar, vamos continuar a lutar, porque eu acredito que dias melhores virão. No entanto, não podemos ficar de braços cruzados esperando que as autoridades governamentais façam alguma coisa."

Apostar mais na formação e em negócios

Mateus Razão Ali é formador de hotelaria e turismo em Nampula. O jovem reconhece o elevado índice de desemprego no país e na província e, para ultrapassar esse problema, desafia os outros jovens a apostarem mais na formação técnico-profissional e no empreendedorismo.

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Nampula: Jovens escultores procuram alternativas às madeiras protegidas

"Para o jovem lamentar a falta de emprego tem de estar formado. Um jovem não pode reclamar sobre emprego enquanto não está formado. Essa é a primeira condição. Não é só emprego formal que dá pão, também o negócio lícito dá. Se o jovem não vai à luta para ganhar o pão, a lamentação nunca para", explica.

Já o Conselho Nacional da Juventude, no distrito de Nampula, reconhece os problemas, mas aconselha aos jovens a apostarem na criação de negócios para o seu sustento, aproveitando os poucos apoios que as autoridades governamentais disponibilizam.

Pandemia piorou o cenário

Milagres Zacarias, primeiro vice-presidente do Conselho Distrital da Juventude no distrito de Nampula, diz que todos os esforços das autoridades visando o apoio a iniciativas juvenis, entre eles o emprego, estão a redundar em fracassos por causa da pandemia de Covid-19.

"Em relação ao financiamento de projetos, nós sabemos que desde 2019 enfrentamos várias dificuldades para acesso ao financiamento. Infelizmente, este ano tivemos esta situação adversa que é da Covid-19, em que muitas fontes que serviriam para financiar iniciativas juvenis não foram abertas", disse.

A DW África tentou obter esclarecimentos sobre a política do Executivo moçambicano face ao apoio da juventude, através do Governo do distrito de Nampula, mas até ao momento não obteve resposta.

Na manhã desta quarta-feira (12.08), a Praça dos Heróis na cidade de Nampula vai acolher as cerimónias do Dia da Juventude na província, um evento a ser orientado pelo secretário de Estado de Nampula, com a presença do administrador do distrito.

Na capital, Maputo, o Parlamento Juvenil, um movimento de advocacia dos direitos e prioridades da juventude moçambicana, promove um debate sobre os desafios e perspetivas da camada mais jovem face à pandemia de Covid-19. A reflexão visa debater políticas e o papel das instituições face aos novos desafios.

fonte: DW África

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Samuel

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