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quinta-feira, 10 de novembro de 2022

ANGOLA: MEIO SÉCULO DE GOVERNOS INCAPAZES E CRIMINOSOS.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...
Ao ler o artigo “ANTI-PORTUGUESISMO PRIMATOLÓGICO DO MPLA” do Folha 8 lembrei-me que tinha, esta manhã, acabado de ler o primeiro e até à data, que eu saiba, o único livro escrito por José Severino (Pacaça) e intitulado “Batalhas, Peripécias e Economia Num Recanto de Angola”, edição portuguesa da Guerra & Paz, Fevereiro de 2022. Por Carlos Pinho (*) Esta combinação de eventos e de mais algumas notícias sobre Angola que li nos últimos dias merecem-me algumas reflexões. O autor acima citado, José Severino (Pacaça), discorre sobre alguns assuntos, à laia de pequenas crónicas, sobre eventos ocorridos entre 1961 e 1975. Embora, dando ênfase principalmente às lutas entre as FAPLA de um lado e as FALA mais os sul-africanos, do outro, mormente no trio composto pelas províncias de Benguela, Huíla e Namibe. No decorrer de algumas, senão de muitas das crónicas, refere inúmeras fazendas e indústrias daquelas regiões de Angola, salientando o seu peso e relevância da economia da então Colónia/Província Ultramarina Portuguesa e depois Estado de Angola, e indica claramente a actividade destruidora e de pilhagem desenfreada que nos anos de 1974-1975 arrasou todo aquele potencial económico. O autor lá vai comentando, através da sua escrita, do enorme dano que se estava a criar para a Angola futura e igualmente na estratégia errada de se despachar os portugueses para fora de Angola com o fito de se ficar com as suas propriedades e haveres. Também refere a opção então tomada de recusar o retorno a Angola daqueles que fugiram nos períodos em que a guerra civil foi mais acesa, no referido intervalo de tempo 1974-1975, quando muitos dos fugitivos, após a independência, mostraram intenções de regressar e retomar as respectivas actividades profissionais. Vai dando, se bem que de um modo ligeiro, indicações claras da sua discordância quanto ao que se passou e enfatiza reiteradas vezes que Angola iria e está a pagar um preço elevado por tais acções. Eu diria mais, Angola continuará a pagar por muitas décadas por tais dislates. E verdade verdadinha, quase meio século depois daqueles eventos, não vejo em Angola governantes com capacidades intelectuais e cognitivas para corrigir tal estado de coisas. No fundo é o continuado anti-portuguesismo primário tão querido do MPLA, e dos outros Movimentos Ditos de Libertação (MDL). MDL como eu gosto de os chamar! É que de boas intenções está o inferno cheio e a evidência experimental tem-me levado a olhar para o tal conceito “de Libertação” de soslaio. Libertação de quê? Só para uns quantos, os ditadores, os donos do poder. O resto de povo, a grande maioria, continua a levar porrada quer refile ou não. É por isso bem mais de que “porrada se refilar”. Libertação de quê, pergunto mais uma vez? Independência em relação a quê? Se não fosse o petróleo iram os angolanos comer o quê? Mas não pensem que resolvi pegar de ponta o livro do José Severino (Pacaça), longe disso. Achei-o muito interessante. Mas, vejam por exemplo o livro de Manuel Videira, “Um Intelectual na Rebelião” edição portuguesa da Guerra & Paz, Outubro de 2021. Nele o autor fala do espanto do pessoal quando voltaram, a Luanda em 1974. Refere o desenvolvimento da cidade, do seu comércio e indústria e da vivacidade dos seus habitantes. Assim, pé ante pé, vão começando a aparecer textos, nos quais lá pelo meio, se começa a contestar a bondade de muitos eventos de antanho. É pouco, mas é um princípio. Só reconhecendo os erros do passado poderemos criar um futuro melhor. Já escrevi por várias vezes que o regime colonial no afã de se perpetuar foi obrigado a desenvolver Angola e tal aconteceu entre 1961 e 1974. Para eles antes que fosse tarde, para a história, já ia tarde! E no caso dos governos actuais? Um aspecto relevante da acção dos portugueses foi a de que ao contrário de colónias de outras nações europeias, em Angola e Moçambique, o diferencial entre as dimensões das respectivas capitais e algumas das outras cidades não era tão elevado. No caso de Angola, que é o que interessa para o caso, as cidades de Nova Lisboa (Huambo), Sá da Bandeira (Lubango) e o binómio Benguela-Lobito, ombreavam facilmente com Luanda. Esta logicamente era maior, mas o contraste não era assustador. No seu livro o José Severino (Pacaça) refere o que então se dizia, Lobito, a sala de visitas de Angola. Hoje em dia o contraste é brutal, o governo só tem olhos para a capital. Não que esta seja actualmente a beleza que foi até 1974, nada disso. Beleza aqui pelos meus olhos de menino e moço, daquele tempo. Havia, contudo, a mancha dos musseques, bem menor do que hoje em dia, e quanto a isso já lá vamos. Neste quase meio século passado, Luanda tornou-se o refúgio de milhões fugidos à guerra civil, e para mim a grande obra do MPLA nesta cidade foi precisamente o crescimento brutal da mancha de musseques que envolve a cidade de alcatrão. De tal modo que, para que a cidade pudesse crescer de um modo organizado, foi preciso construir para além dessa mancha de musseques, Belas, Morro Bento, Talatona, etc.. Isto mostra claramente a incapacidade do MPLA para resolver os problemas dos mais necessitados e que vivem na dita mancha de musseques, sejam tais problemas, sociais, económicos, de saúde pública, escolaridade, no fundo cobrindo todos os aspectos que rodeiam as necessidades e aspirações daquelas gentes, e não só, de todos nós. Não! Preferiram uma fuga para a frente, construindo novas zonas de alcatrão para fora dos musseques ao mesmo tempo que descaracterizaram a baixa da cidade com edifícios monumentais, não havendo estruturas viárias, de água, rede eléctrica e saneamento que pudessem suportar a ocupação humana que tais monstros iriam acarretar na referida baixa. Digo iriam, porque muitos deles estão minimamente ocupados. Mas é imponente quando vista da Ilha do Cabo. É assim uma espécie de Manhattan dos pobrezinhos! A Nova Marginal é outro exemplo, criaram uma avenida fantástica, para estrangeiro e turista ver, com um sistema de iluminação pública autónomo, suportado por geradores dedicados. Como há tempos alguém roubou alguns cabos eléctricos, barraca! E ainda falta a parte até à Corimba. Dinheiro para exibicionismo e farra há sempre, agora para dar uma volta à vida do pessoal dos musseques é que não há. Tal como no tempo colonial, que se lixem, são pretos! No tempo colonial a afirmação “são pretos” tinha um conceito rácico pejorativo, como é do conhecimento geral, mas também um conceito social. Gente de baixa extracção. Agora ficou apenas o segundo conceito, mas usando o termo chique tão ao gosto do Presidente da República, lúmpenes. É espantoso como os governos dos países independentes de África fazem gala em copiar o que de pior tinham os respectivos regimes coloniais! Agora consta que se vão investir 11 milhões de euros num novo centro de exposições em Luanda. Muito bem, sem dúvida que vai garantir empregos e incentivar a actividade económica da cidade capital. E as outras cidades? Porque é que o governo não obrigou a contrapartidas que deveriam ser investimentos noutras cidades do país? Porque não colocar esse tal centro de congressos, por exemplo em Benguela? Estou à vontade para referir isto, não há aqui bairrismo serôdio, eu até sou calcinhas! E, para quando um programa orientado para se tentar levar as pessoas para as cidades do interior do país, no sentido de diminuir ao máximo a macrocefalia de Luanda? Certamente que havendo oportunidades de trabalho noutras regiões do país, muito boa gente iria abandonar Luanda à procura de melhor vida. Porque raio é que os governantes de Angola não seguem aquilo que os títulos das respectivas funções a tal os deviam obrigar. Governar! (*) Aposentado. Ex docente universitário

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Samuel

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