Postagem em destaque

Costa do Marfim: Indivíduo detido em Bouaké após roubar 10 milhões de francos CFA de uma empresa.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... De acordo com informações da Direção-Geral da Polícia Nacional (DGPN...

quinta-feira, 11 de maio de 2017

A GUINÉ-BISSAU PODE ESTAR "NA IMINÊNCIA DE UM GOLPE DE ESTADO".

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Todos nós acompanhamos a par e passo as vossas manobras, contactos, planos e reuniões secretas para um levantamento militar no nosso país, mas podem ter a certeza de uma coisa, desta vez nem uma formiga escapará, os vossos aliados e mentores que ainda não digeriram o afastamento do marioneta DSP do cargo de Primeiro-ministro por razões óbvias,  não conseguirão conter os patriotas. Dizem que a Guiné-Bissau é pobre, é isto, é aquilo,  fazem campanhas negativas nos meios de comunicação social sobejamente conhecidos, mas  se realmente é  pobre, o porquê de tanto interesse, disputa e ingerência ixterna? A Guiné-Bissau, jamais será governada e controlada a partir do exterior pelos mafiosos e fascistas ávidos pelas nossas riquezas.

Entrevista a Manecas dos Santos, comandante histórico? do PAIGC, na sua casa de Bissau

Caboverdiano, Manecas dos Santos, 74 anos, juntou-se ainda estudante à luta de libertação liderada por Amílcar Cabral, o fundador do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Cercou Salgueiro Maia em Guidage, batalha decisiva da guerra na Guiné. "Não se esqueça de que o 25 de Abril também é nosso", sublinha. "O movimento dos capitães nasceu cá. Foi onde o exército português foi confrontado com enormes dificuldades." Nesta entrevista, a 27 de Abril na sua casa de Bissau, diz que a PIDE é responsável pela morte de Cabral, que o actual presidente é "um traidor", e que a Guiné-Bissau espera por um golpe "bom", para que haja eleições rapidamente. Há dois anos que o parlamento não funciona.

Como foi o cerco de Guidage?

Eu e o Lúcio Soares comandávamos toda a Frente Norte. Somos os dois únicos comandantes principais que ainda estão vivos, aqui na Guiné. E ele tinha saído para uma formação, eu era o número 2, ia comandar. Nessa altura decide-se fazer o ataque a Guilege, uma pedra no sapato que tínhamos na Frente Sul, precisávamos de a libertar. Para impedir a concentração das tropas especiais portuguesas em Guilege, fizemos ataques a Guidage, criando uma situação extremamente má para o exército colonial. E as tropas especiais portuguesas acabaram por se concentrar em Guidage em vez de Guilege. De facto, combateu-se muito mais em Guidage do que em Guilege.

Impressiona a descrição que Salgueiro Maia faz desses 50 dias de cerco.

A situação deteriorou-se muito para o exército colonial. Tiveram de tentar intervir. Houve uma altura em que mandaram um batalhão de comandos inteirinho mais uma companhia de paraquedistas tentar desbloquear Guidage e não conseguiram. Nós estávamos em vantagem, obviamente.

Quantos homens estavam lá?

Eu tinha entre 800 e 900.

Com que armas?

Tudo o que pode imaginar. Sobretudo Kalashnikovs, a arma de infantaria por excelência. RPG"s, canhões ligeiros. Uma arma pesada, o Morteiro 120. Era uma combinação disso tudo com o cerco. Cortar a estrada que ligava Guidage a Binta, Binta-Farim, cordão umbilical da Guiné, não deixar passar nada. A situação tornou-se... Eu, francamente, admiro o Salgueiro Maia. Ele aguentou o inaguentável. Sofreu muito lá dentro.

O senhor leu o livro com as descrições dele.

Hum, hum.

Foi assim como ele conta?

[Acena com a cabeça].

E vocês tinham o apoio da população.

Naquela zona praticamente não havia população. Guidage está mesmo em cima da fronteira com o Senegal. É óbvio que utilizávamos o território senegalês também. Foram combates extremamente renhidos.

Há uns três anos fui a Lisboa assistir ao lançamento de um livro, "A Última Missão", de um coronel, na altura capitão-paraquedista. Ele combateu em Guidage, num dos combates perdeu vários homens e não conseguiu levar os restos mortais, teve de os enterrar no local. Então, a última missão é que ele veio cá muitos anos depois do fim da guerra retirar os restos desses soldados para os levar.

E encontrou-os?

Encontrou. Ajudámo-lo em tudo o que pudemos.

Ele contactou-vos para pedir ajuda?

Sim.

[Levanta-se, sai da sala, volta com a "Última Missão", de José de Moura Calheiros]
Isto é um livro que vale a pena ler.

Ele estava com Salgueiro Maia?

Não. Era comandante de uma companhia que foi chamada para tentar desbloquear o Salgueiro Maia. Não conseguiram. Encontrei-o já várias vezes em Lisboa.

Salgueiro Maia aprendeu a respeitar quem combatia. A respeitar a causa que os levava a combater.

E os homens que tinha à frente.

Vocês também os respeitavam?

[pausa] Pode parecer um endeusamento de Cabral, não se trata disso. Mas Cabral nos anos 1960, quando uma boa parte dos movimentos de libertação era um bocado racista também, foi capaz de dizer: nós não estamos a lutar contra os portugueses, estamos a lutar contra um sistema, que é o colonialismo português. Eu diria que fomos educados nisso. A tal ponto que 45 dias depois do 25 de Abril os soldados do PAIGC e do exército português já estavam a beber juntos.

Onde?

Em Farim, por exemplo. E menos de um mês depois já nos tínhamos encontrado na mata. Encontrámo-nos e decidimos que não valia a pena estarmos aos tiros, mais. Na Guiné o cessar-fogo foi negociado muito depois de haver um cessar-fogo real, sem violações.

O cessar-fogo real acontece quando?

Acho que um mês depois do 25 de Abril não houve mais combates.

E entre a declaração de Independência a 24 de Setembro de 1973 e o 25 de Abril de 1974 o que é que aconteceu?

Foi a parte mais violenta da guerra. Melhor, entre Março de 1973 até ao fim da guerra. Conseguimos armas anti-aéreas eficazes. A aviação deixou de contar.

Armas de onde?

Russas. Portáteis, atirava-se do ombro, uma arma extremamente eficiente para aviões a relativamente baixa altitude. E, ao darmos cabo da supremacia aérea do exército colonial, eles ficaram em maus lençóis. Tenho no meu computador a acta da última reunião do Spínola com o seu estado-maior aqui em Bissau, em Maio de 1973. Dá para avaliar a desorientação que se tinha apoderado de Spínola e do seu exército.

Spínola tinha perfeita consciência de que a guerra não estava nada ganha, como se dizia em Lisboa.

Tinha consciência de que não podia ganhar. Podiam aguentar-se ainda muitos anos, à custa de sacrifícios enormes e de perdas crescentes. Mas era óbvio que a vitória não estava no horizonte. Nessa altura começámos a usar carros blindados.

Também russos?

Todas as armas que tínhamos eram de origem russa. Muito provavelmente em breve iríamos usar aviões, já tínhamos pilotos em formação na União Soviética. Há uma entrevista que na altura deu o major Monge, agora general, em que ele diz que não era o PAIGC que estava a construir defesas anti-aéreas, era o exército português. Efectivamente, o exército colonial tinha muito mais homens do que nós...

Quantos tinha o PAIGC?

Operacionais, à volta de 7000. O exército colonial tinha muita tropa a ocupar quartéis mas que não saía, e tinha muito menos tropas que fazia intervenções, comandos, fuzileiros e paraquedistas. De forma que, em termos de gente operacional, nós tínhamos muito mais. Esses 7000 eram todos operacionais. Bons soldados. Não só porque eram formados mas também porque tinham sete, oito anos de experiência de guerra. Um soldado desses é muito difícil de matar.

Os soldados portugueses ficavam aqui menos tempo.

Os desgraçados vinham e ao fim de dois anos, quando começavam a estar aptos para o combate, iam-se embora. Havia uma diferença de qualidade enorme. Não porque o nosso soldado fosse melhor do que o  soldado português em termos anímicos ou outros. É uma questão de experiência.

E de estarem motivadíssimos para uma causa, não?

Também. Isso na guerra conta muito.

Esses 7000 tinham sido treinados fora?

Eram todos daqui. Todos guineenses, e alguns caboverdianos, uma percentagem pequena.
Havia mulheres?

Havia. Mas em unidades militares não. Estavam mais nas forças de auto-defesa. Milícias, como lhes chamávamos. Houve algumas mulheres, uma delas ainda está viva, vi-a há dias. Era enfermeira numa unidade, ia aos combates e, quando havia um ferido retirava-o da frente. Uma mulher extremamente corajosa: Cadi.

Quando se dá a morte de Cabral, o senhor está onde?

Na Rússia. Melhor, na Crimeia. A preparar a questão dos mísseis anti-aéreos.

Fala russo?

Falava um bocadinho. Ainda entendo muita coisa.

Como lhe chegou a notícia da morte de Cabral?

Pela rádio, pela BBC. Fui ter com o comandante russo e pedi-lhe que confirmasse. Ele confirmou uma hora depois. Nessa escola [da Crimeia] encontrávamos formandos do PAIGC, da Frelimo, do MPLA, do ANC. Éramos 200 [do PAIGC] nessa altura. Reuni-os no anfiteatro e dei a notícia. É das cenas mais pungentes a que assisti. Ver soldados que enfrentavam a morte todos os dias a chorar, porque Cabral tinha morrido.

Porque é que Cabral foi morto?

[sorriso] Isso é uma pergunta que toda a gente faz e para a qual ninguém tem resposta. Cada um vem com as suas elocubrações, mas Cabral foi morto pelo colonialismo, isso não tenha dúvidas. Por pessoa interposta ou não. O braço que atirou em Cabral sabemos quem foi, agora quem mandou... Não tenho dúvidas de que foi o colonialismo. E a PIDE em particular.

Porque é que isso não é um facto assente?

Porque não pode ser. Cometeu-se um erro diabólico, que foi ter-se liquidado a maior parte da gente que participou. Sem termos declarações fidedignas deles. A partir daí, torna-se tudo muito nebuloso. A PIDE e o regime colonial terão feito um mau cálculo, que matando Cabral tudo se desmoronava. É falso, não se desmoronou, pelo contrário. Nós perdemos um líder extraordinário. E Portugal também perdeu um líder que podia ter dado uma contribuição decisiva para a descolonização. Perdemos todos. Inclusive quem mandou matar.

Cabral teria feito uma diferença decisiva na descolonização?

Penso que sim.

O que é que ele tinha?

Antes de mais a inteligência. Era um génio. Tudo quanto fez, fez bem. Cursou agronomia, foi um excelente agrónomo, ganhou rios de dinheiro a fazer consultoria, depois foi um excelente político, um excelente diplomata, um excelente chefe de guerrilha. Releio muitas vezes o que escreveu e sempre descubro algo.

Porque é que a Guiné é o primeiro país a declarar independência?

Era na Guiné que a luta de libertação se tinha desenvolvido mais. Tínhamos aquele homem, Cabral. E não foi o PAIGC que proclamou o estado. Cabral sempre quis fazer as coisas com alto grau de legitimidade. O que ele faz? Eleições nas regiões libertadas. Elege os conselheiros regionais e deputados, constitui a Assembleia, e é a Assembleia, os representantes do povo que proclamam a existência do Estado. Não é o PAIGC. Uma démarche única nos movimentos de libertação nacional. Mesmo depois da independência: você olha para a declaração de independência de Angola e foi o MPLA que a proclamou.

Quando é que o senhor conhece Salgueiro Maia?

Pessoalmente, em Portugal, depois da independência. Provavelmente em 1975. Encontrei-me com outros, Carlos Fabião, já aqui na Guiné, Hugo dos Santos, Otelo Saraiva de Carvalho, Vasco Lourenço. As pessoas não imaginam que assim fosse, mas nós tínhamos relações cordiais.

Como se partilhassem uma coisa.

Partilhamos uma história, de facto. Melhor ou pior, de um lado ou de outro.

Encontrou Salgueiro Maia em que circunstâncias?

Não me lembro bem, penso que terá sido um encontro com outras pessoas. Um encontro fortuito.

Não tem memória de uma conversa longa com ele?
Não.

Não conversaram sobre o que aconteceu em Guidage?

Não. Eu não quis tomar a iniciativa. E muito provavelmente ele não sabia que eu estava do outro lado. Penso que era um homem de grande verticalidade e grande coragem. Isso, ele demonstrou na prática. E a gente respeita isso, sempre. Nós, que fomos combatentes, respeitamos o adversário corajoso. Tínhamos um grande respeito pelo Carlos Fabião, um operacional de grande nível. Para ver a que ponto chegam as coisas: o Fabião é que apadrinha a minha entrada para a maçonaria. Não se alongue muito nisto [risos], como deve imaginar. Mas dá-lhe uma ideia do relacionamento.

O que faz hoje no PAIGC?

Tenho uma voz que foi sempre independente, não me coíbo de dizer o que penso. As pessoas respeitam isso. Sou membro do bureau político.

Portanto é ouvido para as decisões. Como olha para este momento, agora?

Não estou pessimista em relação ao futuro. A Guiné tem coisas boas na sua história, quando estabilizar vai tirar proveito delas. Mudou muito de 1974 para aqui, Mesmo que a gente não queira ver. Em 1974, tinha 97 ou 98% de analfabetos. Agora tem 40%. É uma mudança significativa. Para você avaliar os recursos humanos que tínhamos, em 1978 nomearam-me para ministro dos Transportes: eu era a única pessoa em todo o ministério com formação universitária.

Havia 14 licenciados quando foi o 25 de Abril?

Não sei quantos, mas poucos.

E o primeiro liceu foi em...

1958. E com acesso muito limitado.

Ou seja não só os licenciados não chegariam a duas dezenas como as pessoas com ensino secundário eram apenas algumas centenas.

Poucas centenas.

Mas há grande angústia dos jovens agora em relação à promessa que não veem cumprida.

Compreendo. Não há jovem que não queira progredir rapidamente. É salutar.

Como descreveria a actual situação política?

O presidente [José Mário Vaz, conhecido como Jomav] utiliza a Constituição a seu bel prazer. Quando demite o Domingos Simões Pereira - o melhor primeiro-ministro que a Guiné-Bissau já teve -, a única razão que encontrou foi incompatibilidade. Ora, o primeiro-ministro não tem de ser amigo do presidente. Isto não é um regime presidencialista. Depois vem com acusações de corrupção, tudo mentira. Aliás, o Domingos pediu uma comissão de inquérito, que trabalhou, já tem os resultados. Este presidente resolveu assenhorear-se do país. Quer ser primeiro-ministro e não presidente. Quer governar. Donde os problemas que teve com os dois governos do PAIGC. Nenhum aceitou isso.

Como se sai desta situação?

Difícil de dizer. Não acredito muito que se vão cumprir os acordos de Conacri [assinados em 2016 para tentar desbloquear o impasse político], não são fáceis de cumprir. Não acredito também que o presidente vá recuar.

Quando acha realista pensar em eleições?

Se cumprirmos a Constituição, devem realizar-se em Outubro-Novembro de 2018. É claro que há sempre hipótese de haver eleições antecipadas, mas o presidente não quer porque vai perder. Ele tem estado a manobrar no sentido de dominar o PAIGC. Não conseguiu nem vai conseguir.

Há uma pressão internacional para haver eleições na primavera do próximo ano.

Se houver, estamos disponíveis. Mas estou a falar do que diz a Constituição. E como é o presidente que marca as eleições, e ele não quer, seguramente não as vai marcar para a primavera.

Então a Guiné vai ficar um ano e meio...

Penso que antes disso há um golpe de estado [pausa]. Esta situação está-se a tornar insustentável para a maioria.

Estamos na iminência de um golpe de estado?

Sim. Veja, o primeiro-ministro entra na questão tribal e religiosa, o presidente acompanha de certa forma... É o pior que se pode fazer.

Isso é uma questão?

Transformaram isso numa questão. Quando o primeiro-ministro vem dizer que é fula, e agora os fulas é que têm de mandar, os balantas ficam todos com as unhas de fora, e eles são a maioria do exército. É um bocado simplista, mas é isso. No gabinete do primeiro-ministro actualmente só há fulas. Isso é uma coisa que nunca aconteceu na Guiné. É uma coisa, diria mesmo, contranatura, porque a miscigenação interétnica neste pastyssau no bolso. cial do poder para ele. O tipo estum golpe de estadom mas foi um golpe de estado bom. Serviua smociedade portuís é enorme, então em Bissau é quase 100 por cento. É difícil prever conflitos de ordem tribal porque as etnias estão todas misturadas.

Há sinais concretos desse mal estar?

Há. Inclusive nas Forças Armadas.

Da parte dos balantas nas Forças Armadas?

Não só. As Forças Armadas têm bons oficiais e eles eststyssau no bolso. cial do poder para ele. O tipo estum golpe de estadom mas foi um golpe de estado bom. Serviua smociedade portuão conscientes desta situação. Para dizer a verdade, não acredito que haja um golpe para os militares tomarem o poder. Estamos na iminência de haver um golpe de estado, e eventualmente violento, para tirar o presidente, o primeiro-ministro, e provocar eleições rapidamente. Não creio que os militares façam um golpe para se apoderarem do poder.

Diria que esse golpe de estado é necessário?

Um pouco como o 25 de Abril [ri]. O 25 de Abril foi um golpe de estado mas foi um golpe de estado bom. Serviu a sociedade portuguesa.

Está a dizer que estamos na iminência de um golpe de estado bom.

Pode ser.

Esse golpe contaria com o apoio da maioria da população?

Seguramente.

E quem podia assumir o poder até às eleições?

O presidente da Assembleia. É o que está na Constituição.

O presidente não tem noção disso?

Deve ter, mas está perfeitamente obcecado pelo poder. Pelo poder e pelo dinheiro, que para ele é complemento essencial do poder. O tipo está a meter a Guiné-Bissau no bolso. Antes de ele ser eleito, eu já tinha dito aos camaradas do partido: esse tipo vai nos criar grandes dores de cabeça. Ele é um traidor. Claro que o presidente sabe disso e não me pode ver nem com molho de tomate.


De Cabo Verde à Guiné: o percurso de Manecas dos Santos

Este comandante histórico do PAIGC era estudante de engenharia quando Amílcar Cabral lhe disse que precisava mais de soldados do que de engenheiros.

Como se juntou ao PAIGC?

O PAIGC mandou um dos seus militantes, Abílio Duarte, que depois veio a ser presidente da Assembleia, organizar o partido em Cabo Verde. Ele foi estudar no liceu onde eu estava, em São Vicente. Era um bocado fraco em matemática, matemática sempre foi o meu forte. e eu dava-lhe uma ajuda. Então, é da boca do Abílio que ouço as primeiras coisas sobre nacionalismo, colonialismo, etc.

Conte-me um pouco sobre a sua família.

Sou de uma família de classe média. O meu pai era comandante da marinha mercante portuguesa. Caboverdiano.

No Mindelo?

Sim. Tirou o curso de piloto na escola náutica do Mindelo, bem antiga. Depois fez o curso de comandante em Portugal. Tenho um tio que também era comandante.

E a sua mãe?

Caboverdiana de São Vicente com pais de São Nicolau. Assim como o meu pai era de São Vicente mas o pai da Boavista. E o meu avô, pai do meu pai, esteve preso em Portugal por ser republicano no tempo da monarquia. Foi preso em Cabo Verde e levado para Lisboa. Por ser republicano e nativista. O advogado de defesa dele foi o Trindade Coelho [risos]. Eu não sabia, o meu irmão é que foi à Torre do Tombo investigar.

Portanto, uma família com consciência política antiga.

Quando saio de Lisboa em fins de 1964 [a caminho da luta do PAIGC], o meu pai é que me foi levar à estação. E ele sabia ao que eu vinha. Não se opôs de maneira nenhuma. Nem a minha mãe, o que ainda é mais estranho [sorri].

Voltando ao liceu no Mindelo...

Terminei e matriculei-me na Faculdade de Ciências com 16 anos. Vou para Lisboa, para um ambiente estudantil de esquerda. O meu irmão já lá estava, a estudar engenharia também. As nossas leituras eram "Os Subterrâneos da Liberdade", de Jorge Amado, coisas desse calibre.

Em 1962 fundámos um comité do partido em Lisboa. E o nosso contacto era um estudante que estava a fazer um doutoramento em matemáticas na Sorbonne. Era um elo entre nós e o secretariado [do PAIGC] em Conacri, veio a ser professor catedrático em Portugal, chamava-se António Saint-Aubin, neto de um inglês que passou por Cabo Verde e ficou. Apesar de a avó ser quase preta, ele era branco, louro, de olhos azuis - acontece muito em Cabo Verde. Então, através dele contactávamos Conacri, e as instruções que recebemos é que aqueles que terminassem os estudos e não tivessem problemas de serviço militar que regressassem ao país de origem. Aqueles que tivessem problemas de serviço militar que saíssem de Lisboa. Quando chego a Paris em 1964, [Amílcar] Cabral passa por lá.

Já o tinha encontrado?

Não.

Como foi?

Bom, era o encontro entre um jovem estudante e o líder confirmado [ri].

Uma figura já lendária para si.

Não propriamente lendária mas era uma figura que considerávamos muito. E eu em particular. É por causa dele que venho parar às Forças Armadas. Eu estava quase a acabar engenharia e Cabral diz-me que precisa mais de soldados do que de engenheiros. De facto, com o desenvolvimento da luta armada aqui na Guiné precisava de gente com alguma capacidade técnica. Então, fomos a Cuba...

De Paris para Cuba?

Paris-Algiers [Argel], Algiers-Cuba. Havia uma velha ideia de desembarcar em Cabo Verde, ainda bem que não levámos isso a cabo, se não era suicídio. Cabral desistiu da ideia. Viemos todos, um grupo de 30 e tal caboverdianos, para a Guiné-Conacri.

Onde já tinha estado?

Nunca. Viemos já integrados em unidades do PAIGC. E com os vários episódios da luta as pessoas foram divergindo, alguns para a esquerda, outros para a direita. Fiz uma carreira militar, entre aspas, até 1974.
Em Bissau

Fonte: DN
NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

DSP ESTÁ LIVRE DE QUALQUER ATO SUSCEPTÍVEL DE PRÁTICA DE CRIME-Diz ANP


“Domingos Simões Pereira (DSP), enquanto Primeiro-ministro não cometeu nenhum acto susceptível de prática de crime”.


Revela o relatório da Comissão de Inquérito Parlamentar criada para investigar as denúncias de corrupção feitas pelo Presidente da República, José Mário Vaz no início da legislatura, que culminou com a queda do Governo de DSP. 

O documento aprovado ontem pela Comissão Permanente da ANP constata claramente, por outro lado que, em algumas instituições de Estado foram cometidas irregularidades, ligada a corrupção, cujo processo será remetido ao Ministério Público e Tribunal de Contas para os devidos efeitos. 

Entretanto, a Comissão Permanente da ANP repudia a posição assumida pelo Primeiro-ministro por ter negado a comparência de qualquer ministro às Comissões Especializadas do Parlamento, para o efeito de fiscalização. 

Perante o facto, o órgão da ANP garante avançar com uma denúncia de crime de desobediência contra Umaro Sissoko Embaló a Procuradoria-geral da República.

Conosaba/Notabanca

quarta-feira, 10 de maio de 2017

ANGOLA: SENHORES DA OPOSIÇÃO. E AGORA? MAIS DO MESMO?

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

sama-chivu

Os quatro partidos da oposição, com assento parlamentar, nomeadamente, UNITA, CASA-CE, PRS e FNLA vieram a terreiro e bem, pela primeira vez, em tempo recorde e antecipadamente, no dia 6 de Maio (um sábado) denunciar, reconheça-se a honestidade da CNE (Comissão Nacional Eleitoral), face à postura “parcial/partidocrata”, na defesa da lei da batota, na lógica da batata, para manutenção do MPLA, no poder.

Estes partidos, questionam e denunciam a monstruosa mentira, mais uma, da CNE (superior e macabramente, dirigida pelo juiz Silva Neto, acusado de ser militante confesso do MPLA), de ter realizado uma sessão plenária do órgão no dia 5.5 (sexta-feira) que aprovou “as empresas INDRA e SINFIC para prestação de serviços eleitorais”.
Ora, nessa data não houve plenária, pelo menos com a presença dos comissários nacionais dos partidos políticos da oposição, com assento parlamentar, capaz de lhe dar credibilidade.
As duas empresas, INDRA e SINFIC são suspeitas, quanto à isenção de procedimentos, como dizem os partidos da oposição: “Recordemos que as empresas que estão a ser escolhidas são as mesmas que participaram nas fraudes de 2008 e 2012. Em 200, por exemplo, a INDRA produziu mais boletins de voto do que aqueles que a CNE disse ter recebido, e forneceu um sistema tecnológico que não estava em conformidade com a lei. A SINFIC por seu turno, foi a empresa que assessorou o Ministério da Administração do Território e a CNE na produção de cadernos eleitorais incorrectos”, denunciam UNITA, CASA CE, PRS e FNLA, mas mantém-se impávidos e serenos a assistir e fazer estas pequenas reclamações.
A oposição deveria condicionar a sua participação a uma revisão das negociações e a participação de outras empresas, sob pena de se retirar dos órgãos eleitorais e parlamento, com os seus deputados, comissários e militantes a sentarem-se diante da Assembleia Nacional, até haver maior lisura e transparência.
Sendo positiva a reclamação, ela é insuficiente para parar a fraude. É preciso mais do que um simples, arreganho, tal como: “Assim em nome das formações políticas que representamos, lançamos um apelo veemente para a correcção imediata de mais esta situação que, em lesando a Lei, está a lançar bases para um processo não transparente nem democrático , que visa unicamente a manipulação dos resultados eleitorais”.
Mas quantos apelos de “correcção imediata” a oposição já lançou e o partido no poder os mandou bugiar, no muro da lamentação? Muitos, pois nada levará a acreditar que desta vez seja diferente. Nada!
“A UNITA, a CASA-CE, o PRS e a FNLA declaram que irão responsabilizar essas empresas, junto das autoridades reguladoras competentes, dos seus países, caso assinem, com a CNE, contratos que visem defraudar o povo angolano e provocar a instabilidade em Angola”.
Esta forma contundente de terminar, o comunicado, por si só não basta, pois o regime, astutamente, vai hastear com a bandeira da alegada paz, e a oposição, nunca vai sair do texto, face à cobardia de uns poucos perderem as mordomias e tudo vai continuar na mesma.
A inversão da batota em Angola só vai ocorrer com actores partidários mais ousados, capazes de agir e não reagir, como tem sido até aqui, a prática da oposição, numa clara defraudação dos mais legítimos anseios dos povos angolanos.
O MPLA está no poder e defende-se com a legitimidade que se conferiu, para lá permanecer eternamente, logo se não houver ousadia da oposição, não adianta reunir para fazer comunicados bonitos, nos hotéis, que o regabofe vai continuar.

São fortes os cúmplices do poder

indra-1

Aempresa SINFIC de Portugal ligada à gestão do processo informático, software e materiais é capitaneada por Fernando José H. Femenim dos Santos, Eurico Manuel Robim Santos e Luís Filipe da Conceição Nobre, todos licenciados em Engenharia Electrotécnica e com MBA em Gestão de Informação, têm excelentes relações com o Palácio Presidencial.
Esta é, por muitos, considerada uma relação espúria, que envolve, também, segundo fonte do F8, uma empresa ligada ao presidente do Tribunal Constitucional, daí a acusação de corrupção, face à sucessão de negócios milionários, superiormente ordenados pelo presidente José Eduardo dos Santos, que num Despacho Presidencial, autoriza o Ministério da Administração do Território a contratar os serviços da SINFIC, sem especificar e pormenorizar os serviços e meios a fornecer, por 50,7 mil milhões de kwanzas, equivalente a 275 milhões de euros, totalmente pagos.
O contrato de fornecimento de equipamento técnico para o registo eleitoral (que decorreu de Agosto de 2016 à Março de 2017), foi uma autêntica engenharia, sem concurso público transparente, que custou aos cofres do Estado, uma montanha, para enriquecer alguns dirigentes e governantes do partido no poder.
Fontes do F8 nos corredores do regime, dizem ter havido sobre facturação de mais de 80 milhões de dólares, a favor de pessoas alojadas no palácio, numa clara demonstração de corrupção activa, com respaldo institucional.
“Os serviços de assistência técnica e equipamentos fornecidos ao Ministério da Administração do Território para o processo do registo eleitoral 2016-2017, não justifica estes elevados montantes, mas como nada é escrutinado e não há independência dos órgãos de soberania, rouba-se ao Estado escandalosamente e o grave é de tudo contar, voluntária ou involuntariamente, com o beneplácito do próprio presidente José Eduardo dos Santos”, esclareceu a nossa fonte.
Estranhamente, a SINFIC, não forneceu mais e novo material, uma vez ter aproveitado o banco de dados de 2012, em 2016/17, dos 9,7 milhões de eleitores registados (em 2012), que agora, simplesmente fizeram prova de vida, para eliminar dos registos os falecidos, nos últimos quatro anos, pelo que se estranha o montante solicitado (275 milhões de euros), mesmo tendo havido a inscrição de cerca de 1, 200 mil novos eleitores, que completaram 18 anos.
A INDRA é uma empresa espanhola fundada em 1993, está cotada na bolsa de valor e tem como pessoas chaves, o seu presidente Fernando Abril-Martorell, o conselheiro delegado, Javier de Andrés e o CEO, Indra no Brasil (uma espécie de coordenador da América Latina), Jorge Arduh e conta actualmente com 34.000 trabalhadores espalhados pelo mundo, sendo considerada uma empresa líder em soluções e serviços de alto valor agregado para os sectores da Segurança e Defesa, Transportes e Tráfego, Energia e Indústria, Serviços Financeiros, Saúde e Administração Pública, Telecomunicações, Mídia e, nos últimos anos, apostou forte na gestão eleitoral.
A sua facturação no ano de 2016 ascendeu a cerca de 2 biliões e 709 milhões de Euros.
No Brasil, onde em 2011, adquiriu a empresa de tecnologia Politec por 100 milhões de euros, tem sido referenciada, como tendo dado propina em alguns Estados, para a obtenção de contratos, logo é parte, ainda que residual, na famosa operação Lava Jacto. Por outro lado, alguns países da América Latina têm alertado os seus métodos, pese serem tecnicamente inquestionáveis, regra geral, são sensíveis aos apelos e orientações, para omissões informáticas a favor dos regimes no poder. Recentemente, face ao clamor dos partidos da oposição, a Organização dos Estados Americanos recomendou a sua isenção total nas eleições da República do Peru.
Em 2009 a INDRA tinha parcerias ou desenvolvido projectos em mais de 100 países, tendo filiais em 46, sendo quatro no continente africano, nomeadamente, na África do Sul, Argélia, Kénia e Marrocos, na sua posição de líder global no controlo do tráfego aéreo, para além da sua tecnologia para processos eleitorais lhe ter permitido a gestão de mais de 300 eleições em 18 países.
Artigos relacionados publicados recentemente pelo Folha 8: “À medida e por medida” (Indra, Sinfic e CNE) – ontem, 8 de Maio; e “Oposição unida contra escolha da Indra e Sinfic”, dia 7 de Maio.
Fonte: http://jornalf8.net

BRASIL: Juiz suspende Instituto Lula.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Lula da Silva fala a apoiantes

Lula da Silva fala a apoiantes

Despacho fala em indícios "veementes" de "delitos criminais"
O juiz substituto Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal Criminal de Brasília, determinou, a pedido do Ministério Público Federal, a suspensão das actividades do Instituto Lula, entidade comandada pelo antigo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No despacho, assinado no último dia 5 e publicado nesta terça-feira, 9, o magistrado justificou que, mesmo que o Instituto Lula desenvolva projectos de cunho social, há indícios “veementes” de “delitos criminais” que podem ter sido iniciados ou instigados na sede do instituto, localizada em São Paulo.
Em nota, o Instituto Lula afirmou que não foi notificado oficialmente da decisão do juiz e que "os seus advogados averiguarão as medidas cabíveis assim que tiverem o teor da decisão".
“Como o próprio acusado [Lula] mencionou que no local [sede do Instituto Lula] se discutia vários assuntos, e há vários depoimentos que imputam pelo menos a instigação de desvios de comportamentos que violam a lei penal, a prudência e a cautela recomendam a paralisação de suas actividades. Há indícios abundantes de que se tratava de local com grande influência no cenário político do país, e que possíveis tratativas ali entabuladas fizeram eclodir várias linhas investigativas”, escreveu o juiz de Brasília no despacho.
O magistrado relata ao longo do despacho que, ao depor à Justiça Federal, o próprio Lula comentou que o instituto já foi alvo de fiscalização da Receita Federal.
Soares Leite destaca, entretanto, que, no mesmo depoimento, o antigo Presidente não comentou que teria ocorrido, pelo menos, uma operação atípica que levou o Fisco a suspender a isenção fiscal da entidade referente ao ano de 2011 por suspeita de desvio de finalidade.
O Instituto Lula afirmou que “funciona buma casa adquirida em 1991, onde antes funcionava o Instituto da Cidadania. Não existe 'novo Instituto Lula'. Todas as doações ao Instituto Lula, fundado em Agosto de 2011, são legais e registradas com notas fiscais”.

Fonte: voaportugues.com

    Angola: Oposição reafirma "ilegalidades" na escolha de empresas para serviços eleitorais.

    NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

    Em Angola, os partidos da oposição voltam a dizer que houve "ilegalidades" na contratação de duas empresas para a prestação de "serviços" nas eleições de agosto. Oposição reitera hipótese de processar as empresas.

    Fonte: DW ÁFRICA
    Angola Treffen Wahlkomission und Politik (DW/Nelson Sul de Angola)
    Reunião entre a CNE e os partidos da oposição em Luanda (09.05.)
    Persiste o braço de ferro entre a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) e os partidos políticos na oposição. Em causa, a contratação das empresas Sinfic e a Indra, duas empresas que poderão prestar serviços no fornecimento do material de votação, solução tecnológica e gestão do ficheiro informático de cidadãos eleitores, nas eleições gerais desde ano em Angola.
    Para dissipar as duvidas e suspeições à volta do processo, a CNE congregou esta terça-feira (09.05) à volta da mesma mesa, os partidos políticos com e sem assento parlamentar, num encontro em que a oposição insistiu nos argumentos de que não houve transparência na contratação das duas empresas a quem acusam de ter participado nas fraudes das eleições de 2008 e 2012.
    Violação da lei
    No encontro, o vice-presidente da UNITA Raúl Danda, voltou a frisar que a lei foi violada.
    Angola Raúl Danda (DW/Nelson Sul de Angola)
    Raúl Danda, vice-Presidente da UNITA na reunião com a CNE
    "Ficou aqui provado que temos aqui os cadernos de encargos que não respeitam a lei, que violam de forma grave a lei, com interpretações da lei completamente enviesadas. Temos aqui um sistema de contratação que deveria passar pelo plenário e foi aqui que nós todos ouvimos da voz de alguém que está na Comissão de Avaliação que isso não passou por lá. Viemos aqui convidados para uma sessão de esclarecimento mas tivemos tudo menos esclarecimentos. Gostamos de ouvir o presidente da CNE no fim admitir que de facto existem erros que devem ser corrigidos”
    O presidente da CASA-CE em declarações prestadas à imprensa sublinhou que ficou provada que não houve lisura na elaboração dos cadernos de encargos para o o processo de contratação. Abel Chivukuvuku não descartou ainda a possibilidade de processar as duas empresas nos seus países de origem caso as mesmas venham insistir na assinatura do contrato com a CNE.
    "Ficou provado que o processo de contratação das duas empresas foi ilegal, ficou provado que a feitura dos cadernos de encargos foi também elaborada de forma ilegal, sem transparência, também os termos constantes dentro dos próprios cadernos de contratação também contém normas ilegais. Pelo menos ficou provado e é bom que o presidente da CNE tenha compreendido isso. Tudo deve ser corrigido. Por outro lado,não pomos de parte a ideia de processar em Portugal e Espanha essas empresas."
    Angola Abel Chivukuvuku (DW/Nelson Sul de Angola)
    Abel Chivukuvuku líder da CASA-CE na reunião com a CNE
    MPLA diz que não há ilegalidade
    Opinião contrária tem o partido que sustenta o Governo. António Paulo Kassoma, secretário-geral do MPLA, disse não haver nenhuma ilegalidade, mas acrescentou que, o MPLA por ser o principal interessado nessas eleições no sentido de garantir a sua legitimidade de governação, espera que a CNE conduza esse processo com rigor.
    Angola ntonio Paulo Kassoma (DW/Nelson Sul de Angola)
    António Paulo Kassoma, secretário-geral do MPLA na reunião com a CNE
    "Não há dificuldade na questão da seleção das empresas, não há dificuldade em termos de cumprimento e a intenção de todas as partes de que a lei deve ser rigorosamente cumprida e estamos aqui para cumprirmos toda a legislação que produzimos para que tenhamos eleições livres e justas. Mas a CNE pode ultrapassar essas dificuldades, entre aspas, reafirmando a sua posição no plenário de amanhã (10.05.)".
    Lei não aprovada pelo plenário
    Mas a ideia de ilegalidade na contratação dessas duas empresas, ficou ainda mais reforçada quando um dos membros da Comissão Nacional Eleitoral, Isaías Chitombe, pediu a palavra, para revelar que a contratação das empresas foi aprovada pelo presidente da instituição, quando, a lei recomenda que seja aprovada pelo plenário.
    Diante das declarações da oposição e da intervenção de um dos membros da comissão eleitoral, o presidente da CNE André da Silva Neto prometeu a correção de eventuais irregularidades detetadas e garantiu um processo eleitoral justo e transparente.
    "Tomei boa nota das  recomendações positivas feitas por grande parte dos senhores representantes dos partidos políticos no sentido do processo ser  conduzido de forma transparente, clarividente e sem margem para dúvidas quando chegar a hora de serem anunciados os resultados  finais do pleito que vamos ter a 23 de agosto", concluiu o presidente da CNE.

    TRÊS GENERAIS PROMOVIDOS NO DIA QUE ECOMIB INICIA A RETIRADA DA GUINÉ-BISSAU.

    NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...



    O Presidente da República, José Mário Vaz anunciou hoje, ao Conselho Superior de Defesa Nacional, a promoção de três oficiais a generais de uma e duas estrelas.

    Tratam-se do Chefe de Estado-maior do Exército e o seu vice, bem como o Chefe da Casa Militar da Presidência da República, nomeadamente Lassana Mansal, Sumbonhe Na Tchongo e António Abel.

    A promoção dos generais pelo Presidente da República, na qualidade de Comandante Supremo da Forças Armadas guineense, reuniu o consenso dos membros do Conselho Nacional da Defesa, durante um encontro extraordinário no Palácio da República.

    A promoção não contempla as forças para-militares, assunto sobre o qual, o ministro da Defesa Nacional, Eduardo Costa Sanhá, admite poderá acontecer numa eventual ocasião.

    A promoção anunciada acontece no dia em que a Força de Alerta da CEDEAO para Bissau – ECOMIB, inicia a sua retirada do país.

    Sobre este fato, o Ministro da Defesa disse que o Governo ainda não recebeu a confirmação oficial da retirada, mesmo assim afiança que está garantida a segurança interna do país.

    O responsável pela pasta da Defesa guineense reafirmou a submissão dos militares ao poder político, como tem vivido até aqui.

    Adão Ramalho
    Conosaba/© e-Global Notícias

    «OPINIÃO» "AS LÁGRIMAS DE UM POVO SOFREDOR CAUSADA PELO PAIGC" - TEDSE SILVA DA GAMA.

    NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

    «OPINIÃO» "AS LÁGRIMAS DE UM POVO SOFREDOR CAUSADA PELO PAIGC" - TEDSE SILVA DA GAMA


    Me refúgio sempre a ideia da luta, pois entendo, a que foi desencadeada na Guiné-Bissau pelos combatentes não foi uma simples disputa, mas sim uma prática revolucionária com intuito de libertar o povo oprimido. Após essa brilhante atitude deu-se por entender que o futuro da nossa terra dependerá do seu povo, no entanto tudo virou ao contrário e nisso refiro-me a uma das ideologias do PAIGC que segundo Piter Karibe Mendy, o objetivo de Amílcar Cabral era a eliminação da exploração de homem pelo homem do e construir a própria economia. O momento de planejamento das ideias que garantiriam rumo ao caminho da execução das ideologias se transformou numa guerrilha entre os próprios combates, por questões dos cargos políticos, mulher, bens..., a sociedade, ou seja, o povo que era elemento primordial foi esquecido em detrimento dos caros de luxo e ainda continua sendo esquecido.

    Optei por começar nessa direção fazendo uma breve retrospectiva daquilo que foram os primeiros momentos da entrada do PAIGC na cidade para que se possa enquadrar o sofrimento do povo guineense onde se derramou muitas lágrimas e ainda continua a derramar por legado dos “paigcistas” que não souberam dar continuidade ao processo vitorioso vindo da luta de libertação nacional contra os imperialistas.

    Vangloriamos da tremenda luta do PAIGC para a libertação do país, mas hoje em dia, o desespero que floresce na face deste povo é causado por este partido, senão vejamos- a era do partido único que foi governado 18 anos por Nino Vieira não trouxe melhorias desejadas, no multipartidarismo onde maior parte da governação se fez por eles seguiu-se na linha dos bárbaros assassinatos com justificativas não cabíveis.

    A minha infância foi marcada pela seguinte frase, “Guiné-Bissau na sabi um dia e tudo na passa” talvez tudo pode passar se o estado vê na população como um mar de rosas, e por outro lado, como o país pode alcançar o nível de desenvolvimento almejado se é que as pessoas têm a “cultura de sabotagem”, ou seja, a Guiné só pode desenvolver quando os ”djintons” fazem parte.

    O momento esse é de mudarmos o paradigma e construindo novos desafios que garantem a menos pequenas condições básicas, “garandis kuma kil ku bu ka odja didia i ka dinoite ku bu na odjal”, pois o que PAIGC não nos deu há mais de quarenta anos, não será num simples dia, o mais incrível é estar perante um discurso paranoico, “anós ku danal ma anós tambi ku na kumpul”, a política não pode ser sociedade hereditária.

    Por enquanto se vê no PAIGC como um único partido que pode mudar o destino deste povo, por que lutaram há mais de dez (10) anos, a esperança sempre nos fará a vista de curto prazo como afirma Mc Mario. É preciso estar atento aos malabarismos dos “paigcistas” no

    aproximar dos escrutínios, pois sempre apresentam uma figura nova que desperte atenção na população para uma esperança renovada, e uma falsa união entre os dirigentes.

    Partilho a ideia com os demais que afirmam que este partido deve ser um museu a fim de conhecermos suas equivocadas histórias, por que já nos mostraram as suas incapacidades governativas, o problema interno de um partido não pode estagnar o avanço de país, mas os nossos sonhos já foram adiados inúmeras vezes por este motivo.

    Faço das minhas palavras o discurso do presidente da Guiné-Equatorial, Teodoro Obiang a margem de uma visita em Maputo no dia 06 de abril do ano em curso, onde frisou que a África deve procurar a sua independência econômica e parar de enriquecer os outros, e a Guiné-Bissau como um dos país desse continente que ainda não construiu a sua economia não deve fugir desse parâmetro.

    Pensar a guiné para um futuro melhor exige uma reflexão profunda de todos com sentindo de coletivismo como fundamenta um dos princípios da filosofia “Ubuntu” e construindo um homem novo com ideias inovadoras que visam uma mudança de mentalidade, para tal é necessário um forte investimento no setor educativo.

    PAIGC é um grande perigo para o futuro da Guiné-Bissau!

    Tedse Silva Sores da Gama

    Estudante de ciências humanas

    Unilab/Brasil/Ceará- 2017

    PESCAS: BISSAU E UNIÃO EUROPEIA NEGOCIAM NOVO ACORDO.

    NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...


    Esperemos que o novo acordo das pescas seja benéfico para o país, visto que os anteriores só beneficiavam a UE. Até quando vamos continuar a  ser sugados por esses vampiros? Não se compreende a politica desses exploradores, ou seja, defendem transparência e boa governação, mas quando um governo não satisfaz os seus interesses fazem qualquer coisa para o derrubar, o mesmo acontece aos governantes que não representam os seus interesses, são afastados ou simplesmente são alvos de campanhas negativas. De recordar que no governo de Carlos Gomes Júnior, o ex-secretário de Estado das pescas, Mário Dias Sami, foi afastado do cargo por não ter concordado com a compensação oferecida pela UE para o acordo de pesca que estava em negociações, o homem era visto como um grande obstáculo as negociatas e era urgente correr com ele.

    Bissau,09 Mai 17(ANG) - O Governo da Guiné-Bissau e a União Europeia realizaram segunda-feira, em Bissau, a segunda ronda de negociações para um novo acordo de pesca, que deverá entrar em vigor em novembro.
    Vista do Porto de Pesca de Bissau
    Henrique Silva, do Ministério das Pescas da Guiné-Bissau, disse aos jornalistas que as duas partes estão a trabalhar para que o novo acordo entre em vigor a 24 de novembro.

    Caso haja um entendimento, o novo acordo de pesca entre a Guiné-Bissau e a União Europeia passará a ter uma validade de cinco anos, contra os três atualmente previstos, e o Governo guineenses deverá receber uma maior compensação financeira que os atuais 9,5 milhões de euros, explicou Henrique Silva.

    Segundo a Lusa, fonte ligada ao setor das pescas guineenses disse  que as autoridades guineenses esperam receber um valor superior a 10 milhões de euros.

    As duas partes devem voltar a reunir-se em Lisboa entre 22 e 24 de maio, altura em que Henrique Silva espera ver alcançado um acordo que possa ser assinado.

    "Há necessidade de continuarmos a discutir para que o acordo possa entrar em vigor a 24 de novembro. Há procedimentos complexos por parte da União Europeia até o acordo entrar em vigor", salientou Henrique Silva.

    Emanuel Berke, representante da União Europeia ligado ao gabinete que trata dos acordos de pesca, sublinhou que as negociações com o Governo guineense atingiram uma "fase crucial", mas disse que é importante prosseguir com as negociações.

    Segundo o responsável europeu, é importante que seja esclarecida a quantidade de biomassa da Guiné-Bissau para se estabelecer a quantidade das espécies que podem ser capturadas.

    O acordo é "extremamente importante", mas é preciso que "tudo seja tratado com transparência", disse.

    Além do prolongamento do prazo de acordo para cinco anos e da compensação financeira, as duas partes discutem também o número de marinheiros guineenses a serem admitidos nos barcos de pescas europeus, que vierem a pescar nas águas guineenses.

    O acordo de parceria no setor da pesca entre a União Europeia e a Guiné-Bissau foi concluído em junho de 2007, prevendo a sua renovação por períodos de quatro anos.

    O acordo permite que navios de Espanha, Portugal, Itália, Grécia e França pesquem nas águas guineenses e inclui a pesca de atum, cefalópodes (polvos, lulas, chocos), camarão e espécies demersais (linguados e garoupas).

    Com o golpe militar de 12 de abril de 2012, a União Europeia suspendeu o acordo, voltando a aplicá-lo em 2014, com a restauração da ordem constitucional na Guiné-Bissau, mas só até novembro de 2017.


    ANG/Lusa

    QUEM É BRIGITTE TROGNEUX, A EX-PROFESSORA DE EMMANUEL MACRON QUE SERÁ A PRÓXIMA PRIMEIRA-DAMA DA FRANÇA.

    NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...


    Da história de amor pouco comum ao Élysée Palace - o que está à espera da esposa do novo líder, eleito no último domingo.

    "Brigitte! Brigitte! Brigitte!", entoava a multidão quando ela subiu ao palco com seu marido, o recém-eleito presidente da França, Emmanuel Macron.

    Quem é ela?

    Em sua cerimônia de casamento, o próprio Macron comentou que eles não formam "um casal muito comum, muito normal - não que eu goste muito deste adjetivo - mas é um casal que existe".

    Existe uma diferença de 24 anos entre eles - a mesmo que há entre Donald e Melania Trump. O casal - ele hoje com 39 anos e ela com 64 - se conheceu quando Brigitte era sua professora de teatro.

    Emmanuel era um jovem de uma escola privada jesuíta em Amiens onde, Brigitte depois disse, ele mantinha "um relacionamento de igual para igual com adultos" em vez de falar como um adolescente.

    "Fiquei totalmente contagiada pela inteligência daquele garoto".

    Na época que se conheceram, Brigitte Trogneux, herdeira de uma empresa de chocolates conhecida por seus macarons, era casada com o banqueiro André Auzière e já tinha três filhos.

    Os pais de Emmanuel perceberam que seu filho estava apaixonado, mas não suspeitaram quem era o alvo de seu afeto. A biógrafa Anne Fulda escreveu que eles pensavam que Macron tinha uma queda por uma das filhas de Brigitte, Laurence Auzière, colega de turma na escola. Mas, na verdade, ele estava se apaixonando pela mãe dela.

    Segundo a biógrafa, os pais de Macron descobriram o que estava acontecendo e pediram que ela ficasse longe do filho até que ele completasse 18 anos.

    "Eu não posso prometer nada", a futura primeira-dama teria respondido.

    RELAÇÃO FAMILIAR

    Aos 17, Emmanuel disse à atual esposa que iria casar-se com ela algum dia. Em 2007, ele cumpriu a promessa.

    Agora, a mãe de Macron diz que enxerga Brigitte "mais como uma amiga" do que uma nora.

    Laurence se tornou uma das principais apoiadoras do padrasto e apareceu no último comício de Macron em Paris, por exemplo.

    Outra enteada, Tiphaine, de 32 anos, é uma advogada que trabalhou em sua campanha.
    Membros da família de Brigitte estavam no palco com os Macron quando eles celebraram os resultados da votação no domingo no Museu do Louvre, em Paris.

    O presidente eleito tem três enteados e, pela parte deles, sete netos.

    Brigitte demitiu-se do emprego como professora após o marido assumir como ministro da Economia, em 2014 e tornou-se sua conselheira.

    'QUANDO FORMOS ELEITOS'

    Ela tem o crédito de ter influenciado a visão do marido sobre mulheres na política - Macron prometeu que metade dos candidatos concorrendo pelo seu partido, o En Marche (Em marcha), nas eleições da Assembleia Nacional, em junho, será de mulheres.

    E o novo presidente quer formalizar o papel da primeira-dama. Em uma entrevista à revista "Vanity Fair", no mês passado, ele disse: "Se eu for eleito - não, desculpe, quando nós formos eleitos - ela vai estar lá, com um papel e um lugar para ocupar".

    Como uma ex-professora, é possível que a atual primeira-dama se envolva em ajudar os jovens, mas ainda não está claro o que ela fará.

    Macron propôs que o cargo não tenha salário e que ela vá moldando sua atividade: "Ela terá uma presença, ela terá voz, uma visão das coisas. Ela estará do meu lado, como sempre esteve, mas ela também terá um papel público".

    Algumas caricaturas francesas fizeram piada às custas do casal, mostrando Macron como um estudante que recebe instruções de sua mulher.

    E sua rival nas eleições, Marine Le Pen, também fez provocações sobre a origem do relacionamento do casal durante um debate na TV pouco antes da eleição de domingo passado.

    Olhando para suas anotações, sorriu sarcasticamente e disse: "Sr. Macron, vejo que está tentando jogar professor e aluno comigo, mas esta não é a minha".

    Até Brigitte já mostrou que pode rir sobre a diferença de idade dos dois. Ela é citada em livro como tendo dito: "Ele precisa concorrer em 2017 porque em 2022 o problema dele será o meu rosto".

    MILITARES ESTÃO TRANQUILOS NAS CASERNAS, SEGUNDO MINISTRO DEFESA DA GUINÉ-BISSAU.

    NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!..



    O ministro da Defesa da Guiné-Bissau, Eduardo Sanhá, defendeu hoje que os militares do país "estão tranquilos nas suas casernas", subordinados às ordens do poder político civil.

    Segundo Sanhá, o comportamento dos militares pode ser testemunhado pelos guineenses e pelo mundo.

    O governante falava aos jornalistas à saída de uma reunião do Conselho Superior de Defesa da Guiné-Bissau, durante a qual o chefe de Estado guineense, José Mário Vaz, confirmou as promoções de três oficiais das Forças Armadas do país.

    As promoções foram atribuídas a Lassana Mansaly, chefe do Estado-Maior do Exército, que passou de brigadeiro-general para general de duas estrelas e o seu vice, coronel Sumbonhe Nantchongo, que foi promovido a brigadeiro-general.

    O chefe de Estado promoveu também a brigadeiro-general, o coronel Fabien Sagna, chefe da sua Casa Militar.

    O ministro da Defesa disse terem sido "promoções normais" confirmadas pelo Presidente guineense "na sua qualidade de comandante em chefe das Forças Armadas", após ouvir propostas das chefias militares.

    MB // EL

    Total de visualizações de página