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NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... De acordo com informações da Direção-Geral da Polícia Nacional (DGPN...

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Coreia do Norte: potência de ensaio nuclear revista para 16 vezes a da bomba de Hiroxima.

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Pyongyang considera sanções “provocação atroz”.

Kim Jong-un, líder norte-coreano
Kim Jong-un, líder norte-coreano REUTERS/KCNA

O sexto ensaio nuclear da Coreia do Norte teve uma potência de 250 quilotoneladas, 16 vezes superior à da bomba lançada sobre a cidade japonesa de Hiroxima, afirmaram nesta quarta-feira especialistas, revendo em alta estimativas anteriores. Pyongyang afirmou ter testado com sucesso uma bomba de hidrogénio, conhecida como ‘bomba H’, miniaturizada o suficiente para poder ser colocada num míssil. Este sexto ensaio nuclear, realizado há dez dias pela Coreia do Norte, valeu-lhe, esta semana, um oitavo pacote de sanções por parte do Conselho de Segurança da ONU. 

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que monitoriza a actividade sísmica mundial, registou, aquando do ensaio, um abalo telúrico de magnitude 6,3 de magnitude na escala de Richter. A Organização do Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares e a agência norueguesa Norsar reviram em alta os dados anteriores para 6,1, após uma estimativa inicial de 5,8. 

Também o portal especializado na Coreia do Norte 38 North, associado ao Instituto EUA-Coreia da Universidade Johns Hopkins, anunciou ter revisto em alta a anterior estimativa relativamente à potência da explosão, falando em “aproximadamente 250 quilotoneladas”, em vez dos 120 toneladas iniciais. 

Tal significa que a bomba testada pela Coreia do Norte seria 16 vezes mais potente do que a bomba, de 15 quilotoneladas, que os Estados Unidos lançaram sobre a cidade japonesa de Hiroxima em 1945. “Esta elevada potência explosiva é igualmente próxima daquela que o 38 North tinha referido anteriormente como sendo a capacidade máxima da base de testes de Punggye-ri”, de acordo com o site, que antes indicou que a potência tinha superado as 100 quilotoneladas. 

As estimativas oficiais da potência da explosão ocorrida em 3 de Setembro variam significativamente: Seul fala em 50 quilotoneladas, enquanto o Japão em 160. 
Os responsáveis norte-americanos, por seu turno, indicaram que vão continuar a tentar verificar se foi efextivamente uma bomba H que foi testada, detalhando que, neste momento, a afirmação por parte da Coreia do Norte – que assim o garantiu – “não é incoerente”. 

“Provocação atroz” 
A Coreia do Norte classificou também nesta quarta-feira como uma "provocação atroz" e "bloqueio económico de grande escala" o programa de sanções imposto por unanimidade pelo Conselho de Segurança da ONU sobre o regime de Pyongyang, pelo seu mais recente teste nuclear. 

O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte referiu, em comunicado publicado pela agência estatal KCNA, que as sanções são o "resultado de uma provocação atroz destinada a privar a República Popular Democrática da Coreia do seu legítimo direito de autodefesa e para sufocar completamente o seu estado e as suas pessoas através de um bloqueio económico em larga escala". 

A declaração acrescenta que as sanções propostas servem para Pyongyang verificar que "o caminho que adoptou é absolutamente correcto". 
O Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade um novo conjunto de sanções à Coreia do Norte pelo seu programa nuclear, interditando as exportações têxteis e reduzindo o seu abastecimento em petróleo e gás. 

As sanções são menos drásticas do que o previsto inicialmente pelos Estados Unidos, que exigia uma proibição total dos países membros da ONU venderem à Coreia do Norte gás, petróleo e produtos petrolíferos. 
A Rússia e a China, com direitos de veto sobre as resoluções do Conselho de Segurança, manifestaram a sua opinião em relação a alguns pontos, pelo que se abriu uma ronda negocial que permitiu suavizar as medidas. 
O Conselho de Segurança da ONU aprovou a resolução depois de a Coreia do Norte ter realizado a 3 de Setembro o sexto e mais potente ensaio nuclear com o que o regime descreveu como uma bomba de hidrogénio.

fonte: publico.pt

Portugal: Opinião - Os vizinhos de Fernando Medina --> "Leia - muito interessante!"

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OPINIÃO

João Miguel Tavares

        João Miguel Tavares

Acho notável como certos construtores conseguem transformar prédios inteiros em pequenas representações da Assembleia da República. 
os períodos eleitorais são sempre férteis em casos – é quando as denúncias anónimas chegam ao Ministério Público e as fontes interessadas telefonam para as redacções dos jornais. Se o denunciado é alguém do PS, a esquerda diz que se trata de uma tentativa reles de influenciar o resultado eleitoral; se o denunciado é alguém do PSD, a direita assegura que se trata de uma reles tentativa de influenciar o resultado eleitoral. Fora isso, ninguém precisa de se preocupar demasiado. Ainda que as notícias tenham fundamento e mereçam ser investigadas, a verdade é que não costumam influenciar grande coisa. De Isaltino Morais a Fátima Felgueiras, passando por José Sócrates, o que não falta são exemplos de políticos alegremente eleitos no meio das mais terríveis suspeitas.  
A fava desta semana saiu a Fernando Medina, devido à compra de um luxuoso duplex nas Avenidas Novas, no ano passado. Do que li até agora, o caso não parece grave, tal como não foi grave a notícia de 2015 de que António Costa tinha alugado por 1100 euros mensais um luxuoso duplex na Avenida da Liberdade, novinho em folha, num prédio que nem sequer se encontrava em propriedade horizontal (era detido pela Holding Violas Ferreira). Sim, há um curioso fascínio dos edis de Lisboa por apartamentos de dois pisos nos últimos andares de imóveis reconstruídos em boas avenidas. Sim, o valor pago por António Costa era uma pechincha, tal como o preço que Fernando Medina pagou pelo novo apartamento parece um bom negócio. Como bem resumiu José António Cerejo no seu artigo de ontem, Medina “conseguiu vender por 490 mil euros um apartamento T3 que comprara por 360 mil [em 2006, com 120 m2, sem garagem] e adquiriu por 645 mil um duplex T4 [180 m2, com dois lugares de garagem], cuja proprietária havia pago por ele 843 mil”, também em 2006. 
Uma proprietária perder 200 mil euros num apartamento de luxo em Lisboa que foi comprado em 2006 e revendido em 2016 faz dela uma das piores negociantes do país. Quando a proprietária se chama Isabel Teixeira Duarte e é herdeira de uma das maiores construtoras de Portugal, com obras de milhões contratualizadas pela câmara em ajuste directo, é natural que alguns torçam o nariz. Mas não será por causa de 200 mil euros que Medina vai perder as eleições, até porque a compra de 2006 de Isabel Teixeira Duarte parece sobrevalorizada. 
Aliás, aquilo que mais me chamou a atenção no artigo de José António Cerejo foi menos o preço do apartamento e mais a descrição dos vizinhos de Fernando Medina: além do seu sogro, Jaime Silva (antigo ministro de José Sócrates), consta que também moram no prédio nomes como Ricardo Bayão Horta (ministro da Indústria do CDS em 1981) ou Celeste Cardona (ministra da Justiça do CDS no governo de Durão Barroso). Acho notável como certos construtores conseguem transformar prédios inteiros em pequenas representações da Assembleia da República. Já na polémica Aldeia da Coelha, Cavaco Silva tinha como vizinhos Fernando Fantasia, Oliveira e Costa (ambos SLN/BPN), e, mais tarde, Eduardo Catroga. E no famoso edifício Heron Castilho, José Sócrates partilhava o elevador com Paulo Lalanda e Castro (Octapharma), Luís Cunha Ribeiro (ex-presidente do INEM), o inesquecível Vale e Azevedo, além da sua própria mãe e da mãe de Herman José. Como é que se junta tanta gente conhecida num só edifício? Se alguém conseguir explicar, agradeço muito, até porque eu também gostava de ter mais amigos no meu prédio.
fonte: publico.pt

Conselho de Segurança pede implementação de Acordo de Conacri na Guiné-Bissau.

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O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma declaração presidencial a pedir o cumprimento do Acordo de Conacri e a nomeação de um novo primeiro-ministro na Guiné-Bissau.
New York UN Sicherheitsrat Nordkorea Sitzung (Getty Images/AFP/K. Betancur)
Foto ilustrativa: Reunião do Conselho de Segurança da ONU
A declaração diz que o Acordo de Conacri, que prevê a formação de um governo consensual integrado por todos os partidos representados no parlamento e a nomeação de um primeiro-ministro de consenso e de confiança do chefe de Estado, é "a ferramenta principal para uma resolução pacifica da crise política" e diz que o documento oferece uma "oportunidade histórica".
 "O Conselho de Segurança expressa preocupação profunda com o impasse político na Guiné-Bissau, devido à incapacidade dos seus líderes atingirem uma solução consensual e duradoura, como fica demonstrado com o falhanço da Assembleia Nacional em realizar sessões plenárias desde janeiro de 2016 e com o falhanço de quatro governos consecutivos em aprovar um programa de governo e um orçamento nacional", lê-se na declaração.
Os membros do Conselho de Segurança lembram "os efeitos negativos da crise política na população civil" e pedem "a todos os atores políticos que coloquem os interesses do povo da Guiné-Bissau acima de quaisquer outras considerações".
"O Conselho de Segurança sublinha a importância de preparar as eleições legislativas e presidenciais, calendarizadas para 2018 e 2019, sobretudo atualizando o registo de eleitores", defende a organização.
Elogios à missão da CEDEAO 
ECOWAS-Soldaten Guinea-Bissau (AFP/Getty Images)
Soldados da CEDEAO no aeroporto da Guiné-Bissau
A declaração do presidente do Conselho de Segurança elogia a extensão por três meses da missão Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) no país, sublinhando o seu "papel positivo na estabilização do país."
 As notícias do crescimento económico são bem recebidas, mas os Estados membros dizem que "com as causas da instabilidade por resolver", estes ganhos "podem não ser sustentáveis."O organismo volta a pedir uma reforma do setor da segurança, um combate à corrupção reforçando o sistema judicial e uma melhoria da administração pública da Guiné-Bissau.
 "O Conselho de Segurança mostra preocupação para com os desafios colocados pelas ameaças terroristas e outras ameaças, como o extremismo violento, que podem conduzir a terrorismo e crime organizado internacional, como tráfico de drogas e pessoas", lê-se no documento. 
 A declaração não se refere à revisão das sanções impostas a 10 militares da Guiné-Bissau, algo que foi defendido pelo presidente do Comité de Sanções para o país, Elbio Rosselli, embaixador permanente do Uruguai na ONU.
Segundo o "What's in Blue", uma publicação do Conselho de Segurança, "vários Estados membros parecem estar contra a retirada de indivíduos da lista" porque "acreditam que manter essa designação cria um desincentivo a possíveis interferências pelos militares numa situação que ainda é muito frágil."
Força militar da CEDEAO na Guiné-Bissau pode sair dia 30
A força de interposição militar da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) na Guiné-Bissau, Ecomib, termina o seu mandato a 30 de setembro, mas a ONU e a União Africana defendem a sua continuidade. A duas semanas e meia do final do mandato, nem a CEDEAO, nem as autoridades guineenses indicaram ainda se aquela força vai continuar ou não no país.
Guinea-Bissau Jose Mario Vaz (Getty Images/AFP/S. Kambou)
Em declarações aos jornalistas no aeroporto esta quarta-feira (13.09.), depois de uma viagem de 48 horas à República do Congo, o Presidente guineense, José Mário Vaz, afirmou que a continuidade ou não da Ecomib não depende só dele."Depois de golpe de Estado de abril de 2012 estive fora e quando cheguei encontrei a força da Ecomib na Guiné-Bissau. Esta força tem a sua importância, mas para lhe dizer a verdade, só o Presidente da República não pode decidir sobre este assunto", afirmou José Mário Vaz. 
Segundo o Presidente guineense, a questão da presença daquela força de interposição no país é um assunto "normalmente discutido" na conferência de chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). "A decisão é tomada a esse nível", disse, remetendo para mais tarde uma opinião mais concreta.
A Ecomib foi enviada para a Guiné-Bissau para garantir a segurança dos titulares dos órgãos de soberania, na sequência do último golpe militar ocorrido no país lusófono, em abril de 2012. A CEDEAO tem destacado em Bissau uma força militar composta por militares provenientes do Senegal, Togo, Burkina Faso e Nigéria.
Cimeira extraordinária da CEDEAO?
O acordo entre a CEDEAO e a Guiné-Bissau para o envio daquela força foi assinado em novembro de 2012 com um mandato de seis meses, que tem sido consecutivamente renovado por igual período de tempo nas cimeiras de chefes de Estado e de Governo daquela organização da África Ocidental. 
Bissau – Zentral Markt (DW)
Trecho da cidade de Bissau, capital da Guiné-Bissau
Mas, na última reunião dos chefes de Estado e de Governo da CEDEAO, realizada em junho na Libéria, a presença da Ecomib na Guiné-Bissau só foi prolongada por três meses, até setembro, e até ao momento a organização ainda não anunciou qualquer tomada de posição sobre o assunto.
A próxima cimeira de chefes de Estado e de Governo da organização deverá realizar-se apenas em dezembro, mas a CEDEAO pode convocar uma cimeira extraordinária para debater a continuidade da Ecomib no país.
Em causa poderá estar o financiamento da força de interposição, já que em julho a União Africana manifestou preocupação com uma eventual saída da Ecomib do país e pediu à comunidade internacional para conjugar esforços para "mobilizar recursos financeiros" para apoiar a sua continuação na Guiné-Bissau.

MINISTÉRIO PÚBLICO GUINEENSE RECUSA CUMPRIR UM ACÓRDÃO DO SUPREMO TRIBUNAL.

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De recordar que os realizadores, atores e encenadores do PAIGCWOOD(ALA DSP), coadjuvados por  Jiló Cipriano Cassamá e gangue da comissão permanente da ANP afeto ao DSP e máfia lusófona, rejeitaram liminarmente o acórdão do STJ que legitimou o governo liderado por Dr. Baciro Djá, e bloquearam a ANP.
 
O Ministério Público da Guiné-Bissau anunciou hoje que não vai cumprir o acórdão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), produzido em agosto, que considera inconstitucionais medidas de coação aplicadas a um ex-governante.
 
Em comunicado a que a Lusa teve acesso, o Ministério Público afirma que não concorda com o acórdão, que considera inconstitucionais as medidas de coação, nomeadamente a restrição de liberdade, aplicadas ao antigo secretário de Estado dos Transportes e Comunicações João Bernardo Vieira.
 
Aquele ex-governante está a ser investigado pelo Ministério Público por suspeitas de corrupção.
 
Para o Ministério Público, o acórdão do STJ "é uma usurpação de competências" da Assembleia Nacional Popular, o parlamento guineense, que teria sido ultrapassado "numa tentativa de revisão intercalar do Código do Processo Penal".
 
"Em nenhum momento, quer no âmbito da Constituição, quer das leis ordinárias, se atribui ao plenário do Supremo Tribunal de Justiça competências em proceder à revisão das leis da República ou de legislar", refere o comunicado.
 
O documento sublinha ainda ser "impossível a observância do acórdão" uma vez que retira ao próprio Ministério Público as competências de aplicar medidas de coação em fase de inquérito.
 
Destaca ainda que o acórdão "coloca em causa" a justiça criminal na Guiné-Bissau, "põe em crise a segurança jurídica dos cidadãos" e ainda viola a separação dos poderes do Estado.
 
O Ministério Público conclui que o referido acórdão para além de inconstitucional "não dispõe de suporte legal para o seu cumprimento, sendo, portando, inócuo".
 
Fonte: Lusa, em DN

GUINÉ-BISSAU CONDECORA PR DA REPÚBLICA DO CONGO COM MEDALHA AMÍLCAR CABRAL.

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O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, anunciou hoje que condecorou o seu homólogo da República do Congo, Denis Sassou Nguesso, com a Medalha Amílcar Cabral, a mais alta condecoração do Estado guineense.


"O Presidente é um grande amigo da Guiné-Bissau e um dos grandes admiradores de Amílcar Cabral. Acompanhou a situação da Guiné-Bissau muito antes da independência e continuou a acompanhar a seguir à independência", afirmou José Mário Vaz ao explicar a atribuição da condecoração.

"É um pan-africanista por excelência e é um homem que tem contribuído para que haja paz no continente africano", acrescentou o chefe de Estado.

O Presidente guineense falava aos jornalistas no aeroporto internacional Osvaldo Vieira, em Bissau, após ter regressado de uma visita de 48 horas à República do Congo.

Para José Mário Vaz, Denis Sassou Nguesso é hoje "um dos pais do continente", contribuindo para que "haja paz e sossego" em África.

"Para mim é um homem muito importante para a Guiné-Bissau e tem contribuído para que haja paz e estabilidade na nossa terra e essa é a razão que nos levou a condecorá-lo", acrescentou.

Conosaba/Lusa

Coletas para o XI Congresso da FRELIMO são legais?

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À beira do XI Congresso, a FRELIMO recolhe fundos para o evento. Ninguém escapa e todos os contextos são válidos. Para uns isso demonstra falta de ética, enquanto para outros não há ilegalidades, à partida.
fonte: DW ÁFRICA
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Esta não é uma prática nova na Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). A DW África tem reportado casos como o de diretores de escolas que tiveram de descontar parte dos seus salários coercivamente. E nas redes sociais circulam supostas listas de contribuições de funcionários públicos para eventos do partido no poder.
Há quem não veja isso com bons olhos, como é o caso do analista e também deputado do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), segundo maior partido da oposição, Venâncio Mondlane: "É anti-ético, é totalmente ilegítimo, é ilegal e até imoral. Não tenho outra forma de classificar isso, acho que é criminalidade continuada." 
Mondlane defende fóruns próprios para fazer coletas, como por exemplo eventos do partido FRELIMO.
Contribuições são dever dos militantes e simpatizantes
Bildergalerie Wahlkampf 2014 Mosambik
Panfletos da campanha eleitoral da FRELIMO em Nampula, 2014
O jurista Filipe Sitói afirma que "do ponto de vista dos estatutos do partido FRELIMO, todos os militantes e simpatizantes têm este dever de contribuir para o seu partido, principalmente para um grande evento que é o congresso." Neste caso, o especialista não distingue o espaço de coletas, que pode ser privado ou público. 
Entretanto, Sitói lembra que "não há nenhuma obrigatoriedade de todos os funcionários públicos descontarem valores dos seus salários. Se o funcionário é membro, militante ou simpatizante ele tem esse dever estatutário da sua agremiação de contribuir."
E sob o ponto de vista de lei não há nenhuma ilegalidade na contribuição dos funcionários públicos, como diz Filipe Sitói. "Não existe nenhuma base legal e nem a lei dos partidos políticos prevê e nem pune este tipo de situações. Portanto, onde a lei não proíbe não vai o intérprete ou aplicador da lei extrair um sentido que não é legal. É um direito subjetivo."
Contribuições controversas vs. despartidarização do Estado
Há muito que a oposição reivindica a despartidarização do aparelho do Estado - esse é, aliás, um ponto controverso nas negociações de paz entre o Governo da FRELIMO e a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), o maior partido da oposição.
Venâncio Mondlane considera, assim, que há margem para interpretar as alegadas coletas coercivas como "má vontade" do Governo para se ultrapassar este ponto crítico nas negociações.
"Não há dúvidas quanto a isso. Mas, acima da má vontade, há arrogância. É que agora o descaramento é tão grande... Publicitam isso! Não há um mínimo de pudor, sobretudo num momento em que o país está cheio de escândalos."
Justiça moçambicana descredibilizada
O facto de supostamente haver magistrados a fazerem contribuições leva ainda o deputado do MDM a questionar a imparcialidade e independência destes profissionais. Venâncio Mondlane também não confia na Justiça: "Depois como praticamente nunca houve um posicionamento da Procuradoria Geral da República ao longo da história, mesmo havendo denúncias, ao longo da história então essa impunidade continua."
Mas Filipe Sitói não vê a situação da mesma forma. Segundo ele, "havendo violação das leis as pessoas ofendidas devem atuar juntos dos conselhos superiores, junto da Função Pública e junto do Tribunal Administrativo."
E o jurista finaliza: "É fácil usar os meios de contencioso administrativo e de impugnação porque a Constituição é clara: ninguém é obrigado a acatar ordens ilegais ou inconstitucionais e, se houve violação de direitos subjetivos os ofendidos, à luz da lei e do Código Cvil, podem deitar mão aos meios de tutela, que são os tribunais.
O XI Congresso da FRELIMO realiza-se entre 26 de setembro e 1 de outubro.

MINISTÉRIO PÚBLICO GUINEENSE RECUSA CUMPRIR UM ACÓRDÃO DO SUPREMO TRIBUNAL.

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Em comunicado a que a Lusa teve acesso, o Ministério Público afirma que não concorda com o acórdão, que considera inconstitucionais as medidas de coação, nomeadamente a restrição de liberdade, aplicadas ao antigo secretário de Estado dos Transportes e Comunicações João Bernardo Vieira.

Aquele ex-governante está a ser investigado pelo Ministério Público por suspeitas de corrupção.

Para o Ministério Público, o acórdão do STJ "é uma usurpação de competências" da Assembleia Nacional Popular, o parlamento guineense, que teria sido ultrapassado "numa tentativa de revisão intercalar do Código do Processo Penal".

"Em nenhum momento, quer no âmbito da Constituição, quer das leis ordinárias, se atribui ao plenário do Supremo Tribunal de Justiça competências em proceder à revisão das leis da República ou de legislar", refere o comunicado.

O documento sublinha ainda ser "impossível a observância do acórdão" uma vez que retira ao próprio Ministério Público as competências de aplicar medidas de coação em fase de inquérito.

Destaca ainda que o acórdão "coloca em causa" a justiça criminal na Guiné-Bissau, "põe em crise a segurança jurídica dos cidadãos" e ainda viola a separação dos poderes do Estado.

O Ministério Público conclui que o referido acórdão para além de inconstitucional "não dispõe de suporte legal para o seu cumprimento, sendo, portando, inócuo".

Conosaba/Lusa

NOVO REPRESENTANTE PERMANENTE DA GUINÉ-BISSAU APRESENTA CREDENCIAS.

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O novo Representante Permanente da Guiné-Bissau para as Nações Unidas, Fernando Delfim da Silva, apresentou suas credenciais ao secretário-geral da ONU, António Guterres, hoje.

Antes da sua nomeação, o Sr. Delfim da Silva foi professor de filosofia e história na Escola Portuguesa de Bissau e no Liceu João XXIII desde 2015, tendo sido anteriormente Ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e Comunidades de 2013 a 2014, cargo que ele também realizada de 1996 a 1998.

Foi conselheiro do Presidente da República sobre assuntos políticos e diplomáticos entre 2002 e 2005, Secretário de Estado dos Transportes e Comunicação em 1994 e Ministro da Educação Nacional em 1993. Foi simultaneamente Secretário de Estado da Cultura, Desportos e Juventude, uma posição que ele ocupou pela primeira vez em 1991. Em 1990, foi Director Geral de Administração e Finanças para a Presidência do Conselho de Estado.

O Sr. Delfim da Silva obteve um diploma de bacharel em filosofia pela Universidade Estadual de Leningrado na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em 1990 e estudou economia e relações internacionais na Universidade Lusíadas de Lisboa, em 2002, em 2002.

Nascido em Bissau em 13 de maio de 1956, o Sr. Delfim da Silva é casado e tem quatro filhos.


Conosaba/http://faladepapagaio.blogspot.pt/

terça-feira, 12 de setembro de 2017

"Teremos de novo nazistas no Reichstag", afirma ministro alemão do Exterior.

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Social-democrata Sigmar Gabriel afirma que, com provável ingresso do partido populista de direita AfD, haverá "verdadeiros nazistas no Parlamento alemão pela primeira vez desde a Segunda Guerra".
Sigmar Gabriel
Gabriel afirmou que muitos eleitores sentem que suas preocupações sobre migração, segurança e emprego não são atendidas
Social-democrata Sigmar Gabriel afirma que, com provável ingresso do partido populista de direita AfD, haverá "verdadeiros nazistas no Parlamento alemão pela primeira vez desde a Segunda Guerra".
fonte: DW ÁFRICA
Sigmar Gabriel
Gabriel afirmou que muitos eleitores sentem que suas preocupações sobre migração, segurança e emprego não são atendidas
O ministro do Exterior da Alemanha, Sigmar Gabriel, comparou nesta segunda-feira (11/09) o partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão) aos nazistas, que estiveram no poder de 1933 a 1945. Trata-se de um insulto raramente proferido na política nacional.
Em entrevista ao portal T-Online, Gabriel disse que muitos eleitores estão considerando votar na AfD nas eleições parlamentares de 24 de setembro porque sentem que suas preocupações sobre migração, segurança e emprego não estão sendo abordadas nesta campanha eleitoral.
"Se tivermos azar, essas pessoas enviarão um sinal de insatisfação. Aí teremos, pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial, de novo verdadeiros nazistas no Reichstag [prédio do Parlamento alemão]", disse Gabriel, que é social-democrata.
Não é a primeira vez que Gabriel compara a sigla aos partidários do regime nazista, mas o insulto raramente é usado por políticos alemães para se referir a adversários de campanha.
Em outra entrevista, publicada em junho de 2016, ele havia traçado um paralelo entre o programa e as declarações da AfD com a ideologia nazista. "Tudo que eles estão dizendo eu já ouvi antes, especificamente do meu próprio pai, que foi um nazista até o último suspiro", disse ele na ocasião. 
Fundada em 2013 como um partido eurocético, a AfD mudou seu foco depois que a crise da zona do euro arrefeceu, passando a fazer campanha contra a imigração, especialmente depois da decisão da chanceler federal, Angela Merkel, de abrir as fronteiras da Alemanha para mais de um milhão de imigrantes e refugiados em 2015.
O partido tem assentos em 13 das 16 dos parlamentos estaduais da Alemanha e deve ingressar no Parlamento nacional na eleição do dia 24 de setembro. De acordo com pesquisas, a AfD deve conquistar de 8% a 11% dos votos, acima da cláusula de barreira de 5%.
Gabriel, que liderou até o início do ano os social-democratas, que fazem parte da "grande coalizão" de Merkel, disse ainda que a AfD está ganhando força nas comunidades e cidades negligenciadas da antiga Alemanha Oriental.
"Devemos mudar o rumo e não apenas reembolsar o custo do acolhimento de imigrantes, mas também dar às comunidades locais o mesmo montante para que elas possam fazer mais por seus cidadãos", disse.

Eleições em Angola: manifestação não está fora de questão para UNITA.

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UNITA não descarta outras medidas caso a Constituição e Lei não sejam respeitadas na avaliação das suas queixas eleitorais. Entretanto, o resultado da contagem paralela dos votos do partido ficou por ser publicada.
fonte: DW ÁFRICA
default
Raúl Danda, vice-presidente da UNITA, maior partido da oposição em Angola
Na última semana o maior partido da oposição em Angola, a UNITA, declarou que não vai legitimar instituições resultantes de atos "que violam flagrantemente a Constituição e a lei", mas apenas dentro "dos marcos da lei". A UNITA, CASA-CE, PRS e FNLA pediram na sexta-feira (08.09.) ao Tribunal Constitucional a impugnação dos resultados das eleições gerais de 23 de agosto, das quais foi vencedor o MPLA, com 61,07% dos votos, de acordo com a Comissão Nacional Eleitoral (CNE). 
Mas por outro lado, o partido não confia em quem faz cumprir a lei. Que saída restará a UNITA? Conversamos com Raúl Danda,vice-presidente deste partido, que nos falou ainda sobre o estágio da contagem paralela de votos que está a ser feita pela UNITA.
DW África: Para quando o anúncio dos resultados finais da contagem paralela?
Raúl Danda (RD): Julgamos que quem tem a incumbência de publicar os resultados é a Comissão Nacional de Eleitoral (CNE). Nós fizemos uma contagem, para tentarmos controlar o processo. Como devem perceber houve diversas irregularidades e houve muitas assembleias de voto onde não tivemos delegados de lista, o que faz com que não tenhamos uma boa parte da informação.
DW África: Mas a UNITA estava a fazer uma contagem paralela, não estava?
Angola Luanda Präsidentschaftswaahlen Wähler Wahllokal
Eleições gerais de 23 de agosto de 2017 em Angola
RD: Estávamos, sim. O trabalho ficou inconclusivo, porque não tínhamos delegados de lista apesar de os termos preparado para todas as mesas do país. A CNE decidiu propositadamente dificultar o credenciamento dos nossos delegados de lista. Logo, isso tudo fez com que não pudéssemos fazer uma contagem conclusiva. Mesmo assim, a contagem que estamos a fazer levava a resultados diferentes dos publicados, pelo menos provisoriamente, pela CNE.
DW África: A UNITA estava na frente?
RD: Sim, sim. Posso dar-lhe o exemplo de Luanda e Benguela, onde um mínimo de vinte mil votos não foram contabilizados a favor da UNITA. Posso dar-lhe o exemplo do Bié, estamos a falar sobretudo das principais praças eleitorais. E por alguma razão a CNE não aceitou que se fizesse o apuramento provincial nos termos da lei. Não temos um resultado conclusivo e nós não quisemos publicar justamente por não ser conclusivo.
DW África: Até onde está o partido disposto a ir nas suas reivindicações?
RD: Estamos dispostos a ir a todo o sítio até onde a Constituição e a lei nos permitem. Ou seja, não temos confiança nenhuma no Tribunal Constitucional. Por exemplo, temos juízes que antes da contestação chegar ao tribunal já andavam a escrever nas redes sociais a sua preferência pelo MPLA. Portanto, não nos transmitem credibilidade, mas nós fomos lá, vamos esperar a resposta do Tribunal Constitucional. A Constituição e a Lei são claras, vamos ver se têm coragem, pelo menos uma vez na vida, de defender verdadeiramente a Constituição e as leis, ao invés de defenderem o chefe e o patrão, vamos ver. Mas depois disso não descartamos outras medidas, há quem fale de manifestação, ela está perfeitamente prevista na Constituição, porque não? Também é um meio de reivindicar. Nós da UNITA é que temos estado a travar o povo, porque o povo já queria saltar para a rua há muito tempo. E aliás, vê-se um paradoxo... se ganhou com uma maioria qualificada porque anda a por na rua tropas  e polícias armados até aos dentes com as armas voltadas para a população. Vão apontar as armas a população que votou neles? Não faz sentido. Só essa atitude já mostra que os resultados estão muito trocados.
DW África: Um candidato único da oposição no futuro é uma utopia ou algo próximo da realidade?
RD: A Constituição que temos hoje não permite isso. Repare que o Presidente José Eduardo dos Santos preferiu assim porque sempre teve medo de se posicionar perante os angolanos, se os angolanos decidissem o que queriam ou não numa eleição, resolveu fazer esta Constituição atípica, onde até deputado se transforma em Presidente da República e outro em vice-presidente. Nesse modelo é difícil haver um candidato da oposição, porque a única forma de haver um candidato da oposição é ela concorrer só numa lista para que o primeiro dessa lista seja Presidente e o segundo o vice-presidente da República. Tem de se deixar os partidos manter a sua identidade, têm de se transformar numa coligação que vai concorrer numa eleição, é a única forma. Logo, a vossa pergunta tem razão de ser, Angola, se calhar, precisa de uma coisa dessas, mas precisamos de mudar a Constituição.

Supremo Tribunal mantém proibição de entrada de refugiados nos EUA.

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Tribunal dá razão a Trump

Juiz suspende decisão do Tribunal de Apelações de São Francisco que permitia a entrada de alguns estrangeiros de seis países muçulmanos
O Supremo Tribunal (ST) dos Estados Unidos manteve nesta segunda-feira, 11, a proibição de entrada de refugiados no país decretada pelo Presidente Donald Trump.
A decisão do ST representa um revés para cerca de 24 mil pessoas cuja solicitação foi aprovada no longo processo de pedido de asilo e que confiavam em poder viajar aos Estados Unidos.
O Tribunal de Apelações de San Francisco havia decidido, na quinta-feira passada, que os refugiados com solicitação já aprovada não estavam incluídos no decreto de Trump, em vigor desde Junho passado.
O decreto de Trump proibiu a entrada nos Estados Unidos de viajantes de seis países de maioria muçulmana - Síria, Líbia, Irã, Sudão, Somália e Iêmen - durante 90 dias, e de refugiados de todo o mundo durante 120 dias.
Mas isentou da medida qualquer um que possa justificar uma "relação válida com pessoa ou entidade nos Estados Unidos".
O tribunal de San Francisco considerou que as relações entre os refugiados e as organizações não governamentais americanas envolvidas na sua instalação nos Estados Unidos se enquadravam dentro desta "relação válida".
Os refugiados são acompanhados individualmente por estas organizações que os ajudam a encontrar alojamento, aprender inglês e encontrar trabalho.
O ST acatou os argumentos do Departamento de Justiça e suspendeu a decisão do tribunal de San Francisco, à espera de uma análise mais profunda por parte dos magistrados, prevista para 10 de Outubro.

fonte: VOA

ONU decreta o reforço de sanções à Coreia do Norte.

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O Conselho de Segurança impôs um bloqueio às exportações de têxteis norte-coreanos e limitou as suas importações de crude
O Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) decretou esta segunda-feira um reforço das sanções contra a Coreia do Norte devido ao sexto ensaio nuclear feito a 3 de setembro pelo regime de Kim Jong-un, que foi considerado o teste mais poderoso.
Na prática, foi importo uma proibição às exportações de têxteis norte-coreanos, ao mesmo tempo que limitou as importações de crude daquele país.
Esta foi a nona resolução de sanções decretadas pela ONU desde 2006 contra os programas nucleares e balísticos da Coreia do Norte, tendo sido aprovada por todos os quinze membros do Conselho de Segurança.
Refira-se que os têxteis representam para a Coreia do Norte a segunda maior exportação, depois do carvão e outros minerais. 80% dessas exportações de têxteis têm como destino a China.
fonte: dn.pt

14 mil enfermeiros saíram de Portugal desde 2010.

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Especialidade vale mais 12 mil euros por ano em Inglaterra
Um enfermeiro especialista em Portugal ganha 1200 euros brutos por mês, tanto como um enfermeiro de cuidados gerais, mas a partir do momento em que emigra para Inglaterra - um dos principais destinos - passa a ganhar mais 12 mil euros anuais. Com o reconhecimento da especialidade, passa também a prestar cuidados que lhe estão vedados no nosso país, como a prescrição de exames e alguns medicamentos, no caso da saúde materna, e tem a possibilidade de progressão na carreira. Desde 2010, foram mais de 14 mil os enfermeiros que optaram por sair de Portugal, um tema que volta a ganhar relevância quando decorre uma greve de cinco dias contra a recusa do Ministério da Saúde em aceitar a integração da categoria de especialidade na carreira.
Em Portugal, os enfermeiros têm rendimento anual bruto de aproximadamente 16.800 euros, menos cerca de 12.000 do que um enfermeiro especialista em Inglaterra, que recebe pelo menos 28.965 por ano, um valor que aumenta consoante os anos de experiência.
O boom de emigração de enfermeiros ocorreu entre 2011 (1175 profissionais) e 2015 (2717), mas a saída do país continua a ser uma opção para milhares de profissionais. Em 2016, mais de 1600 enfermeiros pediram os papéis para emigrar, de acordo com os cedidos ao DN pela Ordem dos Enfermeiros, a quem aqueles profissionais de saúde têm de pedir o certificado de equivalência para poderem exercer noutro país. Além de Inglaterra, países como Espanha, França ou Itália, onde a carreira dos enfermeiros é semelhante à nossa, aparecem também entre as preferências.
"Em Inglaterra a enfermagem não é um curso superior, mas sim profissional. Na Alemanha é a mesma coisa. Portugal, Espanha, França e Itália sim, são países onde a carreira de enfermeiro implica uma licenciatura. Existe ainda uma aposta na investigação e formação, paga pelos hospitais e com redução de horário para a frequência, o que não acontece cá", explicou a recém-licenciada, Ana Ribeiro. A jovem, de 22 anos, terminou o curso este mês e chegou a ponderar fazer as malas. Contudo, decidiu investir ainda numa pós-graduação para depois se aventurar no estrangeiro. "Fiz Erasmus em Barcelona, já a pensar na emigração futura, não por querer, mas porque acredito que o caminho seja por aí".
Ana Ribeiro sublinhou ainda que o seu primeiro contacto com uma eventual emigração surgiu "logo no primeiro ano do curso, incentivada pelos professores. "Os professores e a própria faculdade mostram-nos os benefícios em sair do país e dizem-nos que iremos ganhar mais e ter um futuro melhor", referiu.
Ana Cláudia Silva, natural de Cinfães, está a trabalhar na Irlanda há pouco mais de sete meses. Portugal ficou para trás apenas meio ano depois de terminar a licenciatura. Uma decisão "ponderada, mas dura", que lhe permitiu "um emprego estável e um nível de vida impossível em Portugal". Apesar de estar "feliz com a carreira e o país", pensa regressar um dia, tal como Patrícia de Almeida Santos, a sua colega de casa. "Estou segura onde estou agora, com um emprego que adoro, conta bancária a aumentar, e com desafios e experiências novas todos os dias. Mas sinto que Portugal vai ser sempre a minha casa". A jovem de 23 anos, natural do Porto, disse acreditar que o eventual regresso "será difícil", pois encontrou na Irlanda tudo o que procurou em Portugal e não encontrou: um emprego sem precariedade e um salário condizente com a função que exerce.
Apesar de 2016 ter sido um ano de desaceleração de emigração de enfermeiros, os recentes protestos daqueles profissionais e o braço de ferro entre a tutela e os sindicatos poderão ser mais um incentivo para os jovens recém-licenciados. Recorde-se que aqueles profissionais exigem, há oito anos, ver reconhecido o título de especialista, com o devido ajuste financeiro.
"Inglaterra é um mercado muito grande, sobretudo para recém licenciados, mas temos países como a Arábia Saudita e o Dubai que procuram muito enfermeiros especialistas, mais até do que os países da Europa, porque estão a abrir muitos hospitais novos", adiantou ao DN a bastonária da Ordem dos Enfermeiros. Ana Rita Cavaco questiona "como é que Portugal gasta tantos milhões a formar enfermeiros, porque a maioria vem do ensino público, e não os contrata". Enfermagem será um dos cursos mais caros do ensino superior público, mas desde que tomou posse que a bastonária aguarda uma audiência com o ministro do Ensino Superior para saber quanto custa formar um enfermeiro.
Além da remuneração e progressão na carreira, lá fora, os enfermeiros de saúde materna e obstetrícia têm competências diferenciadas, que, segundo a bastonária, não são reconhecidas em Portugal. Bruno Reis, porta-voz do movimento de enfermeiros especialistas, explicou que, no nosso País, "o parteiro não faz prescrição de medicamentos e exames, nem vigilância de baixo risco". Competências que lhes são "vedadas" em Portugal, mas que podem colocar em prática em Inglaterra, por exemplo.
fonte: dn.pt

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