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segunda-feira, 25 de julho de 2022

[Para trás] PROS: Thomas Sankara ou Donald Trump? (Por Adama NDIAYE)

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Em sua conta no Instagram, Ousmane Sonko, ou melhor, o presidente Ousmane Sonko (PROS), como seus apoiadores mais obstinados o chamam, postou uma foto do que parece ser uma entrevista na televisão. Foto em que o homem cultiva o mistério com a palavra “cozinhar” como legenda simples. Na foto, vemos um troféu, mas sobretudo um retrato de Thomas Sankara, figura tutelar de qualquer militante anti-imperialista africano que se preze. Há um pouco de Sankara em Sonko, em particular a denúncia do domínio francês sobre a economia nacional. Os dois homens também são muito populares entre os jovens. Há, no entanto, uma dimensão na personalidade de Sankara que dificilmente encontramos em Ousmane Sonko: leveza, humor. Joagni Pare no livro “Thomas Sankara- o humor da verdade: A arte de desarmar e convencer um público hostil a priori” destacou admiravelmente essa faceta do capitão revolucionário que se tornou presidente efêmero de Burkina entre 1983 e 1987. Ele observa que há que o escárnio, a ironia e o sarcasmo eram as armas oratórias privilegiadas de Sankara. Nenhum vestígio dessas figuras retóricas em Ousmane Sonko. Além de sua iniciativa original de um concerto de maconha, o líder do Pastef muitas vezes se mostra indignado por motivos mais ou menos legítimos. O tom é sério, irritante, irritante, às vezes ameaçador com o índice muitas vezes levantado. Além do campo das ideias, Sankara foi profundamente progressista enquanto em muitos aspectos, Ousmane Sonko promove ideias retrógradas que flertam com a franja mais conservadora dos grupos militantes. Se ele tem um pouco de Sankara nele, Ousmane Sonko é, em última análise, muito mais como populistas modernos, como ilustram suas críticas a certos meios de comunicação. Não vou me deter no episódio do microfone RTS que é um epifenômeno. Muitos opositores, Abdoulaye Wade na liderança, criticaram o funcionamento do RTS, que longe de ser um canal de serviço público nos moldes da France Television ou da BBC, parece mais um meio de propaganda estatal muito desconectado da vida cotidiana. Muitas vezes por culpa de gerentes cujo objetivo principal é agradar o príncipe. O que é embaraçoso, por outro lado, é que, como Trump, Sonko joga jornalistas em campo e vaia repórteres e cinegrafistas do canal público. Esta não é a primeira vez que ele condena qualquer mídia que não estende o tapete vermelho para ele e o critica um pouco. Como o ex-presidente dos EUA, ele gosta de descrever a mídia como “corrupta” ou “a soldo de Macky Sall. Não precisamos ir muito longe para descobrir a origem do mal-estar entre o PROS e os órgãos de imprensa: o tratamento midiático do caso Adji Sarr. Ele nunca digeriu a entrevista em vários meios de comunicação daquele que o acusa de “tê-la estuprado várias vezes”. Como Trump, depois que alguns meios de comunicação americanos divulgaram alegações de mulheres o acusando de comportamento inadequado ou até de agressão sexual. A coisa mais perturbadora sobre Sonko, como Trump, é, em última análise, alguns de seus apoiadores da teoria da conspiração e do cyberbullying. E podem ir muito à deriva: lembre-se que jornalistas de Leral receberam insultos e ameaças de morte em março de 2021. Manifestantes também atacaram a sede da rádio e o diário do Future Media Group (GFM) e o diário Le Soleil, considerados próximos ao governo. Além disso, em um comunicado de imprensa, publicado em 5 de julho de 2022, no Senegal, Repórter Sem Fronteiras, observou “que um aumento de ataques verbais e físicos contra jornalistas é notável desde fevereiro e março de 2021”. Embora não seja o responsável direto por esses fatos, Ousmane Sonko contribuiu muito para criar um clima de desconfiança contra a imprensa em geral. E o homem não se importa, pois promete publicar uma lista vermelha de "mídia corrompida por Macky Sall". fonte: seneweb.com

SENEGAL: Presidente Macky Sall disse - Energia e clima: a besteira das potências ocidentais.

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Sete meses atrás, o presidente Macky Sall estava particularmente irritado com as potências europeias. Mas a guerra entre a Ucrânia e a Rússia oferece-lhe uma bela vingança. O recém-chegado de Glasgow caiu na cabeça de Macky Sall como um golpe de martelo no final da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (Cop 26) em novembro de 2021. As grandes potências, em particular a Europa, decidiram não mais financiar combustíveis fósseis, como petróleo e gás. Presidente de um país às portas do círculo restrito dos países produtores de gás, Macky Sall deve ter acreditado em um pesadelo nas primeiras horas do anúncio. Ele então deixará sua raiva explodir. Mas 7 meses depois, a curva se inverteu completamente. As grandes potências estão voltando com força para o petróleo, o gás, a energia nuclear e até mesmo o carvão. De fato, a fuga da Rússia da Ucrânia revelará aos europeus o quanto eles dependem do gás russo para seu suprimento de energia. Para reduzir essa dependência, eles decidem queimar toda a lenha. Assim, as ambições de baixar a temperatura para 1,5° até 2050 acabaram. Ao contrário, todas as medidas atualmente tomadas contribuem não só para manter o atual nível de aquecimento, mas para aumentá-lo. A prioridade dada às mudanças climáticas desapareceu como por mágica, diante do desejo dos ocidentais de se libertarem da Rússia. Esta é de fato uma preocupação climática com geometria variável. Com efeito, são estes mesmos países que, a pretexto de limitar a temperatura, decidiram deixar de financiar o gás, colocando o chefe de Estado senegalês em todos os seus estados. Ele que pretende não só produzir a electricidade do país a partir do gás (gás para electricidade), mas também encher os cofres do Estado a partir de 2023, início da produção. Durante meses, Macky Sall usou todas as plataformas que lhe foram oferecidas para defender a causa da África, a do Senegal em particular. Macky em todas as frentes Primeiro no Fórum de Paris em novembro. “É inconcebível e incompreensível dizermos que não vamos financiar o gás, impedindo assim o BAD, o banco islâmico de desenvolvimento, o banco mundial, de financiar o gás. É assinar a sentença de morte do continente africano. O que não vamos conseguir aceitar”, amaldiçoou. No mesmo mês, por ocasião da cúpula econômica China-África realizada virtualmente em Dakar, Macky Sall voltou ao cargo para castigar ainda mais o egoísmo das potências ocidentais. “Numa altura em que vários países africanos se preparam para explorar os seus importantes recursos de gás, interromper o financiamento do setor do gás, sob o pretexto de que o gás é um combustível fóssil, seria um golpe fatal para as nossas economias emergentes. O bloqueio do financiamento aumentará a injustiça climática que a África já sofre”, disse Macky Sall. fonte: seneweb.com

ELEIÇÕES EM ANGOLA: “A HORA É AGORA”

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A UNITA apresentou hoje o seu manifesto eleitoral em Benguela, com o líder do maior partido da oposição (que o MPLA ainda permite em Angola), Adalberto da Costa Júnior, a apelar ao voto na alternância, prometendo “um governo de competentes, e não de partidários, para servir Angola”. A UNITA apresentou o manifesto na presença do número 1 da lista e candidato a Presidente da República, Adalberto da Costa Júnior, e do número 2 e candidato a vice-presidente, o coordenador do projecto político PRA-JA Servir Angola, Abel Chivukuvuku, no dia que marca o início da campanha. O popular cantor angolano Bonga é o interprete da música oficial da campanha, que foi hoje também apresentada e que “já viralizou”, segundo o director da campanha e dirigente do partido do “Galo Negro”, Paulo Lukamba Gato. Antes da apresentação do manifesto, Adalberto da Costa Júnior voltou a insistir na “visão plural” que o partido, apoiado por uma “ampla frente patriótica para a alternância” tem para Angola, prometendo “um diálogo entre diferentes, para além dos muros partidários”. “O nosso projecto é a construção tão adiada de Angola, um país que não é sequer capaz de dar cidadania aos seus filhos”, salientou o presidente da UNITA, mostrando-se confiante nas “demonstrações diárias de apoio” e no lema escolhido para a campanha, “A hora é agora”. “Não são títulos de jornais encomendados e sondagens que pretendem enganar os angolanos”, disse o líder da UNITA, que foi recebido com um banho de multidão na véspera em Benguela, segunda maior cidade angolana, criticando os meios de comunicação social públicos. Adalberto da Costa Júnior promete “um Governo de competentes e não de partidários para servir Angola”, para resgatar o que foi posto em causa durante os cinco anos de governação de João Lourenço, Presidente de Angola e do MPLA o partido que governa Angola há 46 anos e seu principal adversário. “Os partidos não são mais importantes do que o país, é Angola que conta”, disse o dirigente da UNITA, assumindo compromissos como a reforma do Estado e da administração partidária e a concretização do poder local no prazo de um ano. O manifesto foi apresentado pelo primeiro-ministro do governo sombra, João Vahekeni, e compõe-se de uma parte elencando os desafios prioritários e outra em que são definidos os eixos estratégicos da governação. Entre os desafios estão o combate à pobreza, saúde, fomento à habitação, desenvolvimento rural e urbano educação e cultura, família, igualdade de género e criança, juventude e desportos, mulher e inserção social para antigos combatentes. Definem-se quatro eixos estratégicos de governação: emergência nacional, reforma do Estado, responsabilidade e solidariedade social e desenvolvimento económico e sustentável. A UNITA apresenta-se às eleições gerais marcadas para 24 de Agosto com um programa eleitoral de Governo inclusivo e participativo, apoiado pela Frente Patriótica Unida que inclui membros da sociedade civil e de outras forças partidárias. Na sessão, que antecedeu o lançamento da campanha eleitoral, estiveram também presentes membros do Bloco Democrático, que integram as listas da UNITA, como Justino Pinto de Andrade, dirigentes da UNITA, entre os quais o secretário provincial, Adriano Sapiñala, e elementos da sociedade civil como o empresário Francisco Viana, candidato a deputado, recentemente desvinculado do MPLA. Folha 8 com Lusa

domingo, 24 de julho de 2022

Guerra na Ucrânia: os novos planos da Rússia para o conflito.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... Ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, diz que armas ocidentais de longo alcance mudaram geografia da guerra.
Armas de longo alcance fornecidas pelos EUA mudaram o cálculo de Moscou, diz Lavrov — Foto: Getty Images via BBC O foco militar da Rússia na Ucrânia não é mais "apenas" o leste, disse o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov. Em entrevista à mídia estatal russa, ele indicou que a estratégia de Moscou mudou depois que países aliados forneceram à Ucrânia armas de longo alcance. A Rússia agora teria que empurrar as forças ucranianas ainda mais longe da linha de frente para garantir sua própria segurança, argumentou. Seus comentários foram feitos após os Estados Unidos anunciarem que forneceriam à Ucrânia mais armas de longo alcance. A Ucrânia receberá outros quatro sistemas avançados de foguetes Himars para conter o avanço das tropas russas, elevando o número total para 16, disse o chefe do Pentágono, Lloyd Austin. Enquanto isso, a primeira-dama ucraniana Olena Zelenska dirigiu-se ao Congresso dos EUA nesta semana pedindo mais sistemas de defesa aérea para "nos ajudar a parar esse terror contra os ucranianos". A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro, alegando falsamente que os falantes de russo na região de Donbas, no leste da Ucrânia, sofreram um genocídio e precisavam ser libertados. Cinco meses depois, a Rússia ocupou partes do leste e do sul do país, mas falhou em seu objetivo original de capturar a capital ucraniana, Kiev, e desde então afirmou que seu principal objetivo era a libertação de Donbas. Os EUA acusaram a Rússia de se preparar para anexar partes da Ucrânia. Desde fevereiro, países ocidentais fornecem à Ucrânia armas cada vez mais poderosas para usar em sua defesa contra as forças russas. Lavrov diz que isso forçou a Rússia a expandir ainda mais seus objetivos. "Não podemos permitir que a parte da Ucrânia controlada pelo [presidente ucraniano Volodymyr] Zelensky... possua armas que representem uma ameaça direta ao nosso território", disse Lavrov em entrevista à jornalista Margarita Simonyan, conhecida comentarista da TV e editora-chefe da emissora estatal russa RT. "A geografia é diferente agora", disse ele, citando as regiões do sul de Kherson e Zaporizhzhia como os mais recentes objetivos da Rússia. As forças de Moscou já ocupam partes de ambas as regiões. Estima-se que Rússia tenha perdido 700 tanques neste ano — Foto: Getty Images via BBC Estima-se que Rússia tenha perdido 700 tanques neste ano — Foto: Getty Images via BBC Lavrov se referiu especificamente ao sistema de foguetes de longo alcance Himars (fornecido apenas recentemente pelos EUA) com o qual a Ucrânia teve algum sucesso. Por dois dias consecutivos, as forças ucranianas usaram os Himars para atingir uma ponte estratégica em Kherson (cidade ocupada). A ponte Antonivskyi é uma das duas pontes das quais a Rússia depende para abastecer as áreas que capturou na margem oeste do rio Dnipro, incluindo a cidade de Kherson. O chanceler russo descreveu as ações de fornecimento de armas à Ucrânia como uma "raiva impotente" e um "desejo de piorar as coisas". Mas Austin, do Pentágono, disse que foi a "invasão cruel e não provocada" da Rússia que estimulou a comunidade internacional a agir. Os planos russos de anexação A aparente expansão dos objetivos russos também foi assinalada nesta semana pelo porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, John Kirby, que disse que a Rússia já está fazendo planos para anexar grandes áreas do território ucraniano. Ele acusou Moscou de usar um "manual" semelhante à tomada da Crimeia, quando anexou a península ucraniana organizando um referendo simulado em 2014. Kirby disse que a Rússia está instalando funcionários pró-russos ilegítimos para administrar regiões ocupadas da Ucrânia. Essas novas "administrações" então organizariam referendos locais para se tornar parte da Rússia, possivelmente já em setembro. Os resultados das votações seriam usados ​​pela Rússia "para tentar reivindicar a anexação do território ucraniano soberano", disse Kirby. A Crimeia foi anexada pela Rússia em 2014 após um referendo organizado às pressas — visto como ilegal pela comunidade internacional, no qual os eleitores optaram por se juntar à Rússia. Muitos apoiadores de Kiev boicotaram a votação e a campanha não foi livre nem justa. Votações semelhantes realizadas em outras partes da Ucrânia quase certamente passariam por uma situação semelhante, com qualquer oposição à adesão à Rússia amplamente suprimida. Kirby disse que estava "expondo" os planos russos "para que o mundo saiba que qualquer suposta anexação é premeditada, ilegal e ilegítima", e prometeu que haverá uma resposta rápida dos EUA e seus aliados. As áreas visadas para anexação incluíam Kherson, Zaporizhzhia, Donetsk e Luhansk, disse ele — as mesmas regiões que Lavrov diz serem agora objetivos russos. g1.globo.com

A curiosa ilha que 'muda de país' duas vezes por ano.

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A ilha dos Faisões, na fronteira entre a França e a Espanha, muda de país duas vezes por ano. É inusitado – mas por que isso acontece? Dos elevados mirantes sobre a cidade de San Sebastián, no País Basco (Espanha), os visitantes podem ver um dos caminhos bíblicos mais antigos e românticos do mundo: o Caminho de Santiago de Compostela. O trajeto epopeico até o túmulo de São Tiago, no extremo noroeste da Espanha, é bastante frequentado. Ele atrai e desperta o interesse das pessoas há séculos. Todos os anos, centenas de milhares de andarilhos e peregrinos vêm de longe até aqui, mas eu não sou um deles. Em vez dos vales profundos que serpenteiam em direção às igrejas, meu destino é outro, completamente diferente: um local estranho e desabitado chamado Ilha dos Faisões. Tentando entender melhor o País Basco Espanhol, encontrei por acaso esta faixa de terra com menos de um hectare enquanto pesquisava os mapas ilustrados dos Pirineus Ocidentais. Ela fica no Rio Bidasoa (perto da foz, no Golfo de Biscaia), entre as cidades fronteiriças de Hendaye, na França, e Irun, na Espanha. A intrigante Ilha dos Faisões é governada por cada uma das nações vizinhas a cada seis meses, de forma alternada. É um registro histórico da rivalidade entre os dois países. Irregularidades fronteiriças podem ser encontradas em toda a Europa — e em outras partes do mundo. Mas uma ilha com 200 metros de comprimento que troca de país duas vezes por ano é algo profundamente estranho. E, curiosamente, poucas pessoas sabem alguma coisa sobre a Ilha dos Faisões. História por toda parte Aprendi sobre esta ilha misteriosa antes de chegar para vê-la de perto. Eu estava na companhia de Pía Alkain Sorondo, arqueóloga que promove tours a pé pela região. Como a maioria das pessoas nesta parte da Espanha, ela se sente na obrigação de manter as histórias do País Basco vivas — não importa o quão inusitadas possam ser. "Adoro contar a história do nosso patrimônio", conta Sorondo, enquanto caminhamos pela fronteira franco-espanhola a leste de San Sebastián. De certa forma, estamos voltando no tempo. Deixamos para trás diversos terrenos industriais, prédios de apartamentos e bares de pintxos — um tipo de aperitivo servido no pão, típico do País Basco. À nossa frente estão os restos arqueológicos de uma antiga ponte construída pelos romanos e a ilha propriamente dita. "A história está escondida ao longo das margens deste rio, mas a maioria das pessoas anda por aqui sem saber de nada. É isso que estou tentando mudar", afirma ela. Ao chegar ao nosso destino (um parque em frente à ilha, nas margens do rio), nos deparamos com uma vista especial. A Ilha dos Faisões, com formato elíptico e coberta de árvores, fica a apenas 10 metros do lado espanhol do rio, e a 20 metros do lado francês. Sua importância histórica é tão grande que raramente ela é aberta aos visitantes. No centro, há um enorme monumento, parecido com uma lápide, com inscrições. Ele dá uma ideia do peso dos séculos de história do local. Imponente, o monumento celebra a reunião onde foi negociado o Tratado dos Pireneus, que selou a paz entre a Espanha e a França em 1659. "Aprender a história por trás deste local é como uma descoberta", conta Sorondo. "É quase uma ilha-fantasma." Ao longo da história, a Ilha dos Faisões recebeu uma série de nomes diferentes. Para começar, o nome atual — Isla de los Faisanes em espanhol, Faisai Uhartea em basco ou Île des Faisans, em francês — é um erro. "Não existem faisões na Ilha dos Faisões", reclamou o romancista francês Victor Hugo ao visitar o local, em 1843. E, de fato, só há patos-reais, com suas cristas verdes, e aves migratórias. No centro da ilha, um monumento celebra o local onde foi negociado o Tratado dos Pireneus, entre a França e a Espanha, em 1659 — Foto: Foto: Mike Maceacheran via BBC No centro da ilha, um monumento celebra o local onde foi negociado o Tratado dos Pireneus, entre a França e a Espanha, em 1659 — Foto: Foto: Mike Maceacheran via BBC Nos tempos dos romanos, a ilha era conhecida como "Pausoa" — palavra basca que significa "passagem" ou "passo". Os franceses traduziram para "Paysans" (camponeses), que depois virou "Faisans" (faisões). Com o passar do tempo, o nome Ilha dos Faisões permaneceu. A modesta ilha finalmente ganhou importância em 1648, após um cessar-fogo no final da Guerra dos Trinta Anos, entre a França e a Espanha. Ela foi escolhida como um espaço neutro para demarcar as novas fronteiras entre os dois países. Ao todo, foram realizadas 24 reuniões de cúpula, com escoltas militares de prontidão para o caso das conversações fracassarem. Apenas 11 anos mais tarde foi celebrado o acordo de paz, chamado Tratado dos Pireneus. Para marcar a ocasião, foi organizado um casamento real. Em 1660, o rei Luís 14, da França, se casou com Maria Teresa, filha do rei da Espanha, Filipe 4°, no local da declaração de paz. Pontes de madeira foram construídas para facilitar a passagem, e os membros da realeza chegaram em carruagens e barcos do Estado. Foram encomendados tapetes e pinturas. Diego Velázquez, pintor da corte de Filipe 4° e autor da obra-prima As Meninas (um retrato de Margarita Teresa, outra filha do rei Filipe, com suas damas de honra), foi encarregado de organizar boa parte das festividades. A Ilha dos Faisões acabou sendo tão simbólica como metáfora de paz que os dois países decidiram que a custódia do território seria conjunta. A Espanha seria responsável por ele entre 1° de fevereiro e 31 de julho, e a França assumiria o comando nos seis meses restantes de cada ano. Surgia naquele momento o menor condomínio do mundo. Os condomínios, no direito internacional Por definição, os condomínios são locais determinados pela existência de mais de um Estado soberano. O termo é derivado do latim condominium: "com" significa "conjunto", e "dominium" quer dizer "direito de propriedade". Ao longo dos séculos, diversos países se envolveram em disputas geográficas sobre condomínios. Governos passaram décadas argumentando sobre detalhes de quem é dono do quê e por qual razão. Normalmente, os condomínios não são centros de impérios, mas sim anexos geopolíticos experimentais. O Tratado dos Pireneus — acordo de paz entre a Espanha e a França, assinado em 1659, foi negociado na Ilha dos Faisões e definiu as fronteiras entre os dois países — Foto: Foto: Prima Archivo/Alamy via BBC O Tratado dos Pireneus — acordo de paz entre a Espanha e a França, assinado em 1659, foi negociado na Ilha dos Faisões e definiu as fronteiras entre os dois países — Foto: Foto: Prima Archivo/Alamy via BBC Atualmente, há oito condomínios destes pelo mundo. Eles incluem o Lago de Constança, um condomínio tripartite entre a Áustria, a Alemanha e a Suíça; além do distrito de Brčko e do território em disputa da República Sérvia, ambos na Bósnia-Herzegovina. Existem também a Área de Regime Comum, que é uma região marítima compartilhada pela Colômbia e pela Jamaica, e a região de Abyei, reivindicada pelo Sudão e pelo Sudão do Sul. O Rio Mosel e seus afluentes Sauer e Our formam um condomínio fluvial compartilhado entre a Alemanha e Luxemburgo. Já o Golfo de Fonseca é um condomínio tripartite entre Honduras, El Salvador e Nicarágua. Por fim, a Antártida é o maior e mais importante condomínio, teoricamente continental, governado pelos 29 signatários do Tratado da Antártida, que possui status consultivo. No dia da minha visita à Ilha dos Faisões, o território estava sob administração espanhola. Um grupo de pessoas explorava os recantos da ilha de caiaque e, em terra, apenas uma pessoa parava para tirar fotografias. Além de administrar o jardim, fazer a manutenção do atracadouro dos barcos, discutir direitos de pesca e monitorar a qualidade da água, não há muito para os espanhóis fazerem. Visitantes só são autorizados na ilha em raras ocasiões, como nos dias de transferência semestral de poder, quando a ilha fica repleta de atividades com a cerimônia oficial, bandeiras, delegados, diplomatas e toda a pompa oficial; ou em tours ocasionais específicos para visita ao patrimônio local. Mas um fenômeno alarmante que reverbera entre as comunidades fronteiriças é a quantidade de imigrantes tentando cruzar ilegalmente o rio da Espanha para a França. No dia anterior à minha chegada, um cidadão estrangeiro havia se afogado ao tentar atravessar o rio a nado. E, enquanto Sorondo e eu conversávamos sobre a história e a política do País Basco, um barco da polícia vasculhava as águas em busca do corpo. A Ilha dos Faisões só é aberta ao público nos dias da transferência semestral de poder ou para tours pelo seu patrimônio histórico — Foto: Foto: Eqroy/Alamy via BBC A Ilha dos Faisões só é aberta ao público nos dias da transferência semestral de poder ou para tours pelo seu patrimônio histórico — Foto: Foto: Eqroy/Alamy via BBC Dados atuais da ONG Irungo Harrera Sarea, com sede em Irun, no lado espanhol, estimam que até 30 migrantes cheguem todos os dias buscando uma passagem segura para o norte, até a França. Como um canal de maré, o Rio Bidasoa tem uma diferença de altura brutal de 3 a 4 metros, fluindo para um lado e para o outro da fronteira oficial, na ponte da rodovia nacional, como um ataque direto. "Este ainda é um lugar de renovação da esperança para muitas pessoas", observa Sorondo, "mas também é uma armadilha mortal." Com estas palavras dolorosas pairando no ar, apenas um pensamento passa pela minha cabeça enquanto deixo o local. A Ilha dos Faisões pode ser uma nota de rodapé histórica esquecida. Mas, no nosso mundo matizado e imprevisível de disputas por fronteiras e apropriações de terras, é um símbolo de paz que precisa ser sempre lembrado. g1.globo.com

Burkina: Embalo congratula-se com "progressos" na segurança.

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O presidente da Guiné-Bissau, recentemente escolhido para chefiar a CEDEAO, "louvou o governo" do Burkina pelos "avanços no terreno", considerando que os ataques diminuíram "ligeiramente". "A questão da segurança não é apenas uma questão de Burkina Faso, é uma questão sub-regional", acrescentou ele durante uma coletiva de imprensa após uma reunião com o presidente de transição de Burkina Faso, Paul-Henri Sandaogo Damiba. Desde 2015, como seus vizinhos Níger e Mali, Burkina Faso está em uma espiral de violência, atribuída a movimentos jihadistas armados afiliados à Al-Qaeda e ao grupo Estado Islâmico, que causaram milhares de mortes e quase dois milhões de deslocados. No final de janeiro, o tenente-coronel Paul-Henri Sandaogo Damiba derrubou o presidente Roch Marc Christian Kaboré, acusado de não ter conseguido conter a violência jihadista, e fez da restauração da segurança sua "prioridade". Mas o país continua sendo alvo de ataques mortais, como o massacre de Seytenga (norte) em junho, onde 86 civis foram mortos. O Sr. Embalo também abordou a questão do momento da transição no país, uma questão "muito importante" segundo ele. A CEDEAO e as autoridades de Burkinabè concordaram no início de julho com uma transição de 24 meses, antes que os civis retornem ao poder. “As áreas que consideramos as mais importantes e nas quais o governo de transição deve (focar) são o desafio de segurança, questões humanitárias, o retorno à ordem constitucional”, resumiu Embalo. Sua visita ao Burkina Faso deve terminar na segunda-feira. fonte: https://seneweb.com/

Rússia vive êxodo de profissionais críticos à guerra.

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As últimas correções feitas antes das férias escolares na Rússia podem ser as últimas da vida profissional da professora de matemática Tatiana Chervenko. Ela espera manter o emprego no próximo ano letivo, mas ainda está incerto. A docente se tornou um incômodo para a direção da escola em Moscou devido a seu posicionamento decidido contra a guerra na Ucrânia. "Estão me pressionando, devagar mas com constantemente, mesmo envolvendo coisas que parecem triviais", conta, em entrevista à DW. Como exemplo, Chervenko mostra um caderno de exercícios com a margem rabiscada de caneta. Um rabisco realmente inofensivo feito por um aluno. "Não tinha prestado atenção, é claro, mas a diretora me repreendeu por isso. Eu não teria cumprido meu dever. Eu deveria ter chamado os pais do aluno na escola. Só por esses rabiscos!" Quando a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro, centenas de russos saíram às ruas contra a "operação militar especial" ordenada pelo presidente Vladimir Putin. Chervenko era uma deles. Embora o protesto tenha sido pacífico, foi presa e teve que pagar uma multa equivalente a cerca de 300 euros. Em seguida, foi chamada pela diretora da escola para uma conversa sobre suas opiniões políticas: "Sabemos da sua ação. É inadmissível." Chervenko perguntou por que, já que fora ao protesto em seu tempo livre. "Ela respondeu: sim, mas os pais de seus alunos podem ser contra." Desde então, a administração da escola a em na mira. "Simplesmente vão embora" A história de Tatiana Chervenko não é única: funcionários públicos estão sendo intimidados em toda a Rússia. Eles ouvem que quem é contra a guerra é contra o Estado, e por isso deveriam abandonar seus cargos voluntariamente. Ameaças dirigidas a reitores de universidades russas partiram recentemente da Duma, a câmara baixa do parlamento russo. O presidente da Casa, Vyacheslav Volodin, do mesmo partido de Putin, o Rússia Unida, declarou: "É uma questão de segurança do nosso Estado. Trata-se do futuro do nosso país. É por isso que vocês, queridos reitores, devem estar cientes de sua responsabilidade, com toda tolerância. Se não, simplesmente vão embora. Levantem-se e vão embora." Estima-se que mais de 100 mil profissionais russos já deixaram país por medo de perseguição. Os que ficam, arriscam seus empregos e liberdade. "Há uma espécie de guerra fria civil acontecendo na Rússia", diz professora. As últimas correções feitas antes das férias escolares na Rússia podem ser as últimas da vida profissional da professora de matemática Tatiana Chervenko. Ela espera manter o emprego no próximo ano letivo, mas ainda está incerto. A docente se tornou um incômodo para a direção da escola em Moscou devido a seu posicionamento decidido contra a guerra na Ucrânia. "Estão me pressionando, devagar mas com constantemente, mesmo envolvendo coisas que parecem triviais", conta, em entrevista à DW. Como exemplo, Chervenko mostra um caderno de exercícios com a margem rabiscada de caneta. Um rabisco realmente inofensivo feito por um aluno. "Não tinha prestado atenção, é claro, mas a diretora me repreendeu por isso. Eu não teria cumprido meu dever. Eu deveria ter chamado os pais do aluno na escola. Só por esses rabiscos!" Quando a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro, centenas de russos saíram às ruas contra a "operação militar especial" ordenada pelo presidente Vladimir Putin. Chervenko era uma deles. Embora o protesto tenha sido pacífico, foi presa e teve que pagar uma multa equivalente a cerca de 300 euros. Em seguida, foi chamada pela diretora da escola para uma conversa sobre suas opiniões políticas: "Sabemos da sua ação. É inadmissível." Chervenko perguntou por que, já que fora ao protesto em seu tempo livre. "Ela respondeu: sim, mas os pais de seus alunos podem ser contra." Desde então, a administração da escola a em na mira. "Simplesmente vão embora" A história de Tatiana Chervenko não é única: funcionários públicos estão sendo intimidados em toda a Rússia. Eles ouvem que quem é contra a guerra é contra o Estado, e por isso deveriam abandonar seus cargos voluntariamente. Ameaças dirigidas a reitores de universidades russas partiram recentemente da Duma, a câmara baixa do parlamento russo. O presidente da Casa, Vyacheslav Volodin, do mesmo partido de Putin, o Rússia Unida, declarou: "É uma questão de segurança do nosso Estado. Trata-se do futuro do nosso país. É por isso que vocês, queridos reitores, devem estar cientes de sua responsabilidade, com toda tolerância. Se não, simplesmente vão embora. Levantem-se e vão embora."

Angola: Partidos debatem como acabar com "intolerância política", mas MPLA faltou.

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O período eleitoral em Angola decorre num clima de "intolerância política", lamentaram os participantes partidários no debate sobre "eleições transparentes com tolerância", este sábado (23.07), em Luanda. O debate pré-eleitoral seria entre representantes das três principais forças políticas, mas o membro do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Domingos Betico, não compareceu. Apenas a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e a Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE) se fizeram representar. A má gestão do processo angolano de reconciliação nacional e a partidarização da imprensa pública foram apontadas como as principais razões que põem em causa a tolerância no país. O partido no poder é várias vezes acusado de destruir as bandeiras dos seus concorrentes. Mas o MPLA nega as acusações. O caso mais recente registou-se no último fim de semana, quando na noite de sábado (16.07) um grupo de jovens retirou todas as bandeiras da UNITA que estavam hasteadas no Largo da Independência em Luanda, deixando apenas as do MPLA. No debate deste sábado (23.07), o deputado e secretário da UNITA em Luanda, Nelito Ekuikui, diz que o seu partido pretende fazer uma campanha eleitoral com base no respeito e na tolerância. Angola Wahlen l Nelito Ekuikui Nelito Ekuikui, deputado e secretário da UNITA em Luanda Esta é a razão que levou o partido do galo negro a transferir o ato de abertura da campanha eleitoral para Luanda, para que o seu principal rival, o MPLA, fizesse o seu ato político na capital angolana, segundo Ekuikui. "Faremos noutra altura. Isso é para não criar climas que depois nos culpem de aspetos que não agradam a nenhum de nós. Por isso, queremos que não haja diferenças profundas que nos levam a ambientes menos bons. Estou certo de que vamos conseguir", disse à DW. Nelito Ekuikui apela ao partido no poder a optar por discursos de tolerância. "Hoje os angolanos querem é um discurso que visa buscar a unidade, pacificar os espíritos para levar Angola ao desenvolvimento. Para existir uma luta devem existir duas vontades", defendeu. "Angola precisa avançar” A tolerância política deve ser uma tarefa de todos os angolanos, diz o jurista Hélder Chihuto, candidato a deputado da CASA-CE pelo círculo eleitoral na província de Luanda. Nesta luta contra a intolerância, os partidos têm uma "missão especial", afirma Chiuto. "Não podemos endossar a responsabilidade de moralizar a sociedade aos partidos políticos. É um problema de âmbito coletivo. É uma missão coletiva da sociedade. Do ponto de vista institucional, os partidos têm uma missão especial, que é promover dentro da organização que os seus militantes se pautem pelo respeito pela diferença", sublinhou. Angola Wahlen l Hélder Chihuto Hélder Chihuto, candidato a deputado da CASA-CE pelo círculo eleitoral na província de Luanda "Se continuarmos com os discursos beligerantes que frustra àquilo que é o processo de harmonia de reconciliação efetiva do ponto de vista político interpartidário entre as lideranças políticas, isso não é saudável para a nação. Nesta fase das quintas eleições gerais, Angola precisa avançar", frisou. Benvinda Aguiar, diretora executiva da Associação para Cidadania e Ensino de Qualidade (ACQUA), que promoveu o debate, entende que a mobilização dos meios do Estado ao serviço do partido no poder representa um ato de falta de tolerância. "O partido no poder ocupou praticamente os bens do Estado para a sua atividade. Quando o partido tem uma atividade, todo o país para. Para nós, isso é falta de tolerância. Se há abertura para todos, então todos devem ter espaço", considera. Com este debate, a ACQUA pretende incutir na sociedade angolana que há intolerância no país e que esta deve ser combatida, explica a diretora executiva. "Temos acompanhado a intolerância. Quando chega este período, os partidos e principalmente a juventude acham que todos devem apenas pertencer a um partido. A competição parece ser mais imposição que outra coisa", concluiu. fonte: DW Africa

ANGOLA: PERDER UM OLHO OU OS DOIS?

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O presidente da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, evoca os “pais da nação”, prometendo cumprir o ideal de construir a pátria angolana e pediu um debate entre os candidatos presidenciais. Se estivéssemos num Estado de Direito Democrático… Adalberto da Costa Júnior, que marcou o arranque da campanha eleitoral em Benguela, ladeado dos nº2 e nº3 das listas da UNITA, Abel Chivukuvuku e Justino Pinto de Andrade, respectivamente. Cantando e entoando “gatunos fora” e “MPLA caiu”, os militantes e simpatizantes da UNITA seguiram os três políticos numa caminhada festiva, em tons de verde e vermelho – as cores da UNITA -, que encheu as ruas de Benguela com uma enorme massa humana e terminou no campo adjacente ao aeroporto. Mostrando a diferença entre um Estadista e um ditador, Adalberto da Costa Júnior recordou o fundador da UNITA, Jonas Savimbi, e o seu sonho de realizar a pátria angolana, mas destacou que este era também um projecto de Holden Roberto, fundador da FNLA, e do primeiro presidente de Angola, Agostinho Neto, do MPLA, partido que governa o país desde a independência. “Três pais da nação” que, sublinhou, “pensaram numa Angola para os seus filhos, uma Angola de dignidade, de riquezas e de oportunidades”, prometendo resgatar os ideais que “foram esquecidos e perdidos”, assumindo a “missão de realizar a pátria mãe de todos os angolanos”. No discurso repetiu as críticas à comunicação social pública (sumptuosamente sustentada pelo dinheiro roubado ao Povo) devido à parcialidade na cobertura eleitoral, salientando que “há um partido que teve transmissão directa dos seus comícios”, ao contrário dos outros partidos. “Esperei que não houvesse mais diferenciação com o início da campanha, mas afinal enganei-me, afinal há partidos que são mais do que outros?”, questionou o dirigente do “Galo Negro”. Vincando os apelos à alternância, o presidente da UNITA disse que “já não é tempo de promessas, é tempo de balanços”, tendo em conta que o país é independente há 46 anos, e lamentou a degradação do estado democrático e de direito e a diminuição das liberdades, nos últimos cinco anos, coincidindo com o mandato de João Lourenço, que se recandidata ao cargo. O líder da UNITA apontou também os “parentes e amigos mortos” que estão na lista para votar, avisando que o partido está atento e estimando que há mais de 2,5 milhões de pessoas falecidas que constam como eleitores. “Desde 1996 que não se faz a depuração dos mortos nas listas. Querem enganar quem? Vão aceitar ir às eleições com essas listas?”, perguntou Adalberto da Costa Júnior, pedindo aos milhares de militantes e simpatizantes que ajudem nesta verificação e tomem conta da segurança do voto, “organizadamente”. Frisando a necessidade “de um país diferente com uma liderança comprometida em servir o país”, Adalberto da Costa Júnior ironizou com a construção da Basílica da Muxima, anunciada esta semana pelo presidente angolano e recandidato, que acusou de estar a tentar “comprar” a igreja. Alertou ainda para o facto de o governo estar em gestão, uma vez que, com o início da campanha eleitoral para as eleições marcadas para 24 de Agosto, o Presidente “não pode assinar nada”, nem fazer “os contratos simplificados que financiam o seu partido”. Apontou também a necessidade de assegurar que a campanha decorre em ambiente pacífico, de tolerância e de harmonia, insistindo em que se ignorem as provocações. “Onde te provocarem, vai embora, onde virem uma emboscada, vai embora, não é atitude de cobardia, é de inteligência”, salientou Adalberto da Costa Júnior, insistindo nos apelos à não violência. Adalberto da Costa Júnior repetiu as ideias de que vai “governar para todos, os que votaram e não votaram”, saudando “todos os partidos e lideranças” deixando o convite à realização de debates entre todos os candidatos, que considerou um dever. “Os cobardes fogem, vamos punir os cobardes, não estão à altura do seu povo maravilhoso. Nós não temos medo, nós estamos seguros do apoio do povo”, disse Adalberto da Costa Júnior. A IMPORTÂNCIA DE TER MEMÓRIA Adalberto da Costa Júnior apela, e bem, à não violência. No entanto, todos sabemos do que o MPLA é capaz. Todos sabemos que o MPLA não sabe viver sem ser no Poder. O regime do MPLA está morto, só ainda não sabe. E, convenhamos, como ainda não sabe não terá problemas em completar o que deixou a meio em 1992: o massacre de cidadãos Ovimbundus e Bakongos, onde morreram 50 mil angolanos, entre os quais o vice-presidente da UNITA, Jeremias Kalandula Chitunda, o secretário-geral, Adolosi Paulo Mango Alicerces, o representante na CCPM, Elias Salupeto Pena, e o chefe dos Serviços Administrativos em Luanda, Eliseu Sapitango Chimbili. O massacre ocorreu depois de uma fase de paz que se seguiu aos acordos do Alto Kauango e de Bicesse, celebrados em Maio de 1991. A guerra civil entrou então numa nova fase e prolongou-se por mais dez anos. “Foi naturalmente um dia horrível. Estava-se a discutir a paz”, recordou em Outubro de 2012 à DW Filomeno Vieira Lopes, líder do Bloco Democrático. Ele lembrava-se bem da data que interrompeu o processo de paz em Angola. Filomeno Vieira Lopes estava fora de casa quando começaram os bombardeamentos. Foi apanhado de surpresa, sobretudo numa altura em que se tentava encontrar soluções políticas para o problema. “Matava-se tudo. Matavam-se todos os que tivessem alguma ligação com a oposição.” Milhares de apoiantes e até dirigentes da UNITA foram assassinados em Luanda e em outras localidades do país, mas a sanha do MPLA, cujo ADN assassino já mostrara todo o seu potencial em 1977 (nos massacres de 27 de Maio), também não poupou a FNLA. “Foi a primeira vez, na história da guerra civil angolana, que políticos morrem em combate”, escreveu o jornalista Emídio Fernando no livro “Jonas Savimbi: No lado errado da História”. Até hoje, permanece por esclarecer quem ordenou o massacre. O número de vítimas também nunca foi confirmado, mas estima-se que tenham morrido cerca 50 mil pessoas. Números que os sipaios do MPLA, contestam: “Acho que, às vezes, a comunidade internacional empola. Houve uma manipulação desses resultados. Eventualmente fala-se das pessoas que morreram pela UNITA, mas também morreu muita gente pelo lado do governo. A UNITA quando ocupou o Uíge matou muita gente do MPLA e quando ocupou o Huambo, fez o mesmo,” justifica Mário Pinto de Andrade. Os assassinatos ocorreram após as eleições presidenciais e legislativas de 1992, as primeiras na história do país. Nem o candidato do MPLA, José Eduardo dos Santos (que esteve no Poder durante 38 anos), nem o seu adversário, Jonas Savimbi, da UNITA, conseguiram maioria absoluta nas presidenciais. Mas a segunda volta nunca se realizou. A guerra civil reacendeu-se com o massacre e prolonga-se até 4 de Abril de 2002. O massacre também dizimou muitos membros dos grupos étnicos Ovimbundu e Bakongo, historicamente tidos como adversários do MPLA. De facto, como antes, como agora, como no futuro, o MPLA quis neutralizar todos os que pensavam de maneira diferente do regime. Foi uma tentativa de decapitar a UNITA. Tanto que fala-se em milhares de mortos, eventualmente até em cerca de 50 mil. É certo que também o próprio vice-presidente da UNITA, Jeremias Chitunda, tal como Mango Alicerces [secretário-geral da UNITA] e Elias Salupeto Pena [sobrinho do líder do partido, Jonas Savimbi] foram mortos nesse massacre. Na história do MPLA, os massacres, ou as purgas, ou o que se lhe quiser chamar, são uma regra estratégica do regime, mesmo até para os próprios simpatizantes do MPLA que, eventualmente, se atrevam a pensar de forma diferente dos líderes. O tema, como outros, ainda é tabu em Angola e desconhecido pelas novas gerações, embrutecidas, formatadas e manipuladas pelo MPLA. Estes massacres, quer o de 27 de Maio de 1977, quer o de 1992, são os mais visíveis pelo número de vítimas, mas o MPLA tem muitas outras histórias porque ao longo da guerra – embora a UNITA obviamente também tenha cometido grandes erros – o MPLA, até pelo poder militar que tinha, massacrou muita gente inocente. A paz e reconciliação em Angola nunca se conseguirá com base na mentira ou com a construção de memoriais. Um dia destes o MPLA vai provar que o massacre do Pica-Pau em que, no dia 4 de Junho de 1975, perto de 300 crianças e jovens, na maioria órfãos, foram assassinados e os seus corpos mutilados no Comité de Paz da UNITA em Luanda… foram obra da UNITA. Como irá provar que o massacre da Ponte do rio Kwanza, em que no dia 12 de Julho de 1975, 700 militantes da UNITA foram barbaramente assassinados, perto do Dondo (Província do Kwanza Norte), perante a passividade das forças militares portuguesas que garantiam a sua protecção, foi obra da UNITA. Ou de, entre 1978 e 1986, centenas de angolanos terem sido fuzilados publicamente, nas praças e estádios das cidades de Angola, uma prática iniciada no dia 3 de Dezembro de 1978 na Praça da Revolução no Lobito, com o fuzilamento de 5 patriotas e que teve o seu auge a 25 de Agosto de 1980, com o fuzilamento de 15 angolanos no Campo da Revolução em Luanda. Ou de, em Junho de 1994, a Força Aérea ter bombardeado a Escola de Waku Kungo (Província do Cuanza Sul), tendo morto mais de 150 crianças e professores, bem como entre Janeiro de 1993 e Novembro de 1994 ter bombardeado indiscriminadamente a cidade do Huambo, a Missão Evangélica do Caluquembe e a Missão Católica do Kuvango, tendo morto mais de 3.000 civis. É verdade, reconhecemos, que tudo o que de mal se passou, passa ou passará em Angola é sempre culpa da UNITA. Desde logo porque as balas das FALA matavam apenas civis e as das FAPLA/FAA só acertavam nos militares inimigos. Além disso, como também é sabido, as bombas lançadas pela Força Aérea do MPLA só atingiam alvos inimigos e nunca estruturas civis. Como dizia um outro sipaio do MPLA, que para ser director do Pravda do regime (Jornal de Angola) teve de ser operado e passar a ter o cérebro para o intestino, de seu nome José Ribeiro, “quem viveu tantos anos sob o regime de Jonas Savimbi e agora prospera à sombra do mundo da mentira elevada ao nível mundial, jamais consegue perceber o sentido da liberdade nem respeitar os direitos dos outros”. Terá sido, aliás, por influência desta tese de José Ribeiro que o actual ministro da Defesa de Portugal, João Gomes Cravinho, disse, em entrevista ao jornal português Expresso, que Jonas Savimbi era um “Hitler africano”. Em síntese, quem estiver sempre a recordar o passado deve perder um olho. fonte: folha8 Mas quem o esquecer deve perder… os dois. Folha 8 com Lusa

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Analistas: Sissoco Embaló "preocupa-se mais com a CEDEAO" e esquece a Guiné-Bissau.

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Após assumir a presidência do bloco regional, o comportamento do Presidente guineense tem sido alvo de críticas: Umaro Sissoco Embaló ausenta-se de compromissos governamentais, marcando presença nas agendas da CEDEAO. Presidente da Guiné-Bissau é acusado de usar presidência da CEDEAO para fins eleitoralistas Desde que assumiu a presidência da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a 3 de julho de 2022, o Presidente da República da Guiné-Bissau tem-se desdobrado em viagens para participar em reuniões da organização regional, mas "esquece-se dos problemas reais das pessoas reais", afirma Guerry Gomes Lopes, Coordenador Nacional do "FOSCAO", o Fórum das Organizações da Sociedade Civil da África Ocidental, em entrevista à DW África. E explica: "O Presidente da República não dá relevância aos problemas da Guine-Bissau, preocupa-se mais com a questão da CEDEAO, preocupa-se mais com as suas representações internacionais. Não quer dizer que não sejam importantes essas representações. Ele é atualmente presidente CEDEAO, e portanto cabe a ele representar o pais nessa organização. Mas - mais do que isso - ele deve representar os interesses dos seus cidadãos e por isso ele deveria zelar melhor pelo normal funcionamento das instituições na Guiné-Bissau". Guinea-Bissau Gesamtaufnahme der Stadt Bissau "Problemas reais de guineenses reais são menosprezados", afirmam alguns observadores Analista acusa Presidente de "comportamento eleitoralista" Rui Jorge Semedo, sociólogo e analista político guineense, também lança severas críticas a Umaro Sissoco Embaló, pela maneira como - na sua opinião - tem tentado tirar proveito e dividendos políticos da presidência da CEDEAO, a cinco meses das eleições antecipadas por ele convocadas. Nas palavras do analista Rui Jorge Semedo, "a Guiné-Bissau caminha em direcão a um processo eleitoral e certamente que esta presidência da CEDEAO é mais um trunfo para o Presidente da República para conduzir o processo a seu favor". Rui Jorge Semedo vai mais longe, afirmando que os interesses e as ambições pessoais do Presidente guineense raramente coincidem com os interesses do país e do povo que o elegeu: "Penso que quem tem a ganhar mais com esta ascensão é o Presidente da República e não a própria Guiné-Bissau. Esta presidência visa apenas reforçar a influência do Senhor Presidente da República, quer a nível interno na Guiné-Bissau, quer no seio da própria organização". Guinea-Bissaus I Guerry Gomes Lopes I FOSCAO Guerry Gomes Lopes, Coordenador Nacional das "Organizações da Sociedade Civil da África Ocidental“ critica Presidente da Guiné-Bissau Primeira presidência da CEDEAO para um PALOP A CEDEAO é composta por 15 países, na sua maioria francófonos e anglófonos. Apenas dois países da região - Cabo Verde e a Guiné-Bissau - têm o português como língua oficial, mas nem um nem o outro tinham até à data sido escolhidos para a presidência da conferência dos chefes de Estado da organização. O analista guineense Rui Jorge Semedo saúda o facto de a escolha ter finalmente recaído sobre um PALOP, mas é da opinião de que Cabo Verde teria sido uma escolha melhor: "Esta presidência da Guiné-Bissau não é uma presidência que realmente pode contribuir para a democratização da comunidade oeste-africana e para a boa governação e o respeito pelos direitos fundamentais nos países que a integram. O país indicado para lidar com esses dossiês seria sem duvida Cabo Verde e não a Guiné-Bissau". Guinea-Bissau Rui Jorge Semedo, Politologe Sociólogo Rui Jorge Semedo: "CEDEAO teria feito melhor em escolher Cabo Verde para a presidência" Opinião partilhada por Guerry Gomes Lopes, Coordenador Nacional do "FOSCAO". Ao escolher um país com graves défices democráticos para presidir à organização, a CEDEAO prova que não está verdadeiramente interessada nos cidadãos, mas sim nas elites politicas que os governam: "Isto é uma CEDEAO que não se preocupa com as populações, é uma CEDEAO dos chefes de Estado", critica. "Para nós, não há grande expetativa com essa presidência da Guiné-Bissau na CEDEAO, porque temos um Presidente que está a fazer tudo para implementar um regime ditatorial, um regime em que o poder se está a concentrar na figura do próprio Presidente; e isso afeta o funcionamento das instituições da própria CEDEAO", afirma Gomes Lopes. fonte: DW Africa

ANGOLA: FUNERAL (DIGNO) SIM… DEPOIS DAS ELEIÇÕES.

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Os filhos mais velhos do ex-Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, comprometem-se a colaborar na realização de um funeral nacional, mas só após as eleições de 24 de Agosto e pedem um mausoléu para acolher os restos mortais. Numa carta subscrita por cinco dos seus descendentes (Isabel, José Filomeno “Zenu”, Welwitschea “Tchizé”, Joess e José Eduardo Paulino “Coreon Dú”), os filhos do antigo Presidente da República expressam “profunda gratidão ao povo de Angola” e a todos os que partilham a sua tristeza, pedindo respeito pelo luto. “Seja qual for o resultado das próximas eleições, no futuro, nós, a família, junto das instituições e do Presidente eleito, colaboraremos na união da Nação e a organizar com tempo necessário as condições para homenagem e o funeral nacional do Pai da Nação, o nosso pai, Eng. José Eduardo dos Santos, para que um dia este em dignidade e respeito descanse em paz na terra dos seus antepassados”, prometem os filhos mais velhos, na carta. “Nós, os filhos do Eng. José Eduardo dos Santos, apelamos a todos a respeitarem os nossos costumes, os nossos valores ancestrais e as nossas crenças religiosas. O nosso pai tem esse direito e ninguém o pode contestar”, apelam, salientando que na tradição africana o tempo de luto é “um tempo de reflexão e reconciliação”. A família de José Eduardo dos Santos, que faleceu no passado dia 8 de Julho em Barcelona, e o Governo angolano estão envolvidos numa disputa judicial quanto à entrega e trasladação do corpo de ex-chefe de Estado, que tem oito filhos, de cinco mulheres. De um lado, estão os cinco irmãos mais velhos que, nesta carta, rejeitam celebrar as exéquias antes das eleições em Angola, onde correm processos judiciais contra Isabel dos Santos; do outro, está a formalmente viúva e mãe de três outros filhos de José Eduardo dos Santos, Ana Paula dos Santos, que estava afastada do marido há alguns anos, ressurgindo a seu lado nos últimos meses. Ana Paula dos Santos foi a interlocutora do Governo angolano quando o marido se encontrava internado na clínica de Barcelona, onde acabou por falecer, e é apoiada pelo Governo que pretende fazer um funeral de Estado em Luanda, mas viu chegar ao fim os sete dias que decretou para o luto nacional sem a presença do corpo no velório, estando dependente da decisão dos tribunais espanhóis. OS (SENSATOS) CONSELHOS DA UNITA Recorde-se que o presidente da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, aconselhou o Governo do MPLA a tirar do plano público a “má imagem de conflitualidade” devido às divergências sobre o funeral de José Eduardo dos Santos, que são consequência da perseguição que moveu contra o ex-presidente de Angola. Adalberto da Costa Júnior disse, num encontro com jornalistas, que, enquanto presidente da UNITA, desde o início chamou a atenção para as “perseguições e protecções”, numa alusão à perseguição selectiva da família de Eduardo dos Santos pela justiça do MPLA. “No meu primeiro discurso público chamei a atenção para os riscos da perseguição ao ex-presidente da República, indicando que esta postura não traria resultados positivos para o país e nem para ele próprio [João Lourenço, Presidente da República, do MPLA, recandidato, e Titular do Poder Executivo, no poder há 46 anos]”, afirmou. Esta posição, continuou, mereceu-lhe acusações de “ter sido comprado pela Isabel [dos Santos]”, empresária e filha mais velha sobre a qual recaem processos judiciais em vários países. “E é assim que a imaturidade de quem governa se tem manifestado. Não ouvem os bons conselhos e o que hoje o Governo está a colher são as consequências de uma atitude de perseguição”, frisou Adalberto da Costa Júnior. O líder da UNITA lembrou ainda que quando o ex-presidente se deslocou a Angola, no final do ano passado, foi recebido de forma discreta e sem qualquer cobertura noticiosa por parte da imprensa pública que, aliás, disse que a presença de José Eduardo dos Santos no país “não era notícia”. “Mereceu absoluta ignorância, total, absoluto maltrato. Hoje está-se a chorar no molhado, com a imprudência de estar a gerir mal este dossiê, enviando para Espanha uma equipa para negociar perdões, para negociar aquilo que vem deitar por terra o que se fez de bandeira, que é o combate à corrupção”, criticou Adalberto da Costa Júnior. Questionado sobre a sua ausência no “velório” público que decorreu no Memorial Dr. António Agostinho Neto, com um momento consagrado aos partidos, Adalberto da Costa Júnior criticou os serviços do cerimonial de Estado pela falta de aviso formal e atempado, apelando a que “tratem dos actos de Estado com mais dignidade”. Por outro lado, descreveu as homenagens que decorrem em Angola como um acto de campanha eleitoral: “Então o Estado organiza uma cerimónia de exéquias e tem lá a figura do candidato do MPLA em grande exposição? Eu acho inadmissível este tipo de falta de respeito. Foi uma cerimónia de propaganda do candidato do MPLA ou foi uma homenagem ao ex-presidente da República?”, criticou, referindo-se à presença de fotos de João Lourenço e à bandeira do MPLA. “Afinal a bandeira do país é a bandeira do MPLA e os líderes que foram lá chamados foram prestar um acto de campanha eleitoral do MPLA”, denunciou o líder da UNITA, justificando assim a sua ausência. “Não pode ser assim, o ex-presidente merece as honras e as homenagens, nós achamos que devemos prestá-las, mas não em actos de campanha eleitoral mal preparados”, reforçou. Adalberto da Costa Júnior. Recorde-se (em abono da verdade) que o Presidente João Lourenço, admitiu no dia 22 de Novembro de 2018, em Lisboa, que já sentia “as picadelas” dos afectados pelo combate à corrupção, mas garantiu que “isso não nos vai matar” e vincou que “somos milhões e contra milhões ninguém combate”. [Enquanto vice-presidente do MPLA e ministro da Defesa dormia na ignorância? Pelos vistos, sim. Acordou quando chegou a Presidente da República…] “Quando nos propusemos a combater a corrupção em Angola, tínhamos noção de que precisávamos de ter muita coragem, sabíamos que estávamos a mexer no ninho do marimbondo, que é a designação, numa das nossas línguas nacionais, do terminal da vespa”, disse João Lourenço, respondendo a uma pergunta, no Palácio de Belém, em Lisboa, sobre se a questão do repatriamento de capitais – ilicitamente transferidos para o exterior – não se assemelha a `brincar com o fogo`. “Tínhamos noção de que estávamos a mexer no marimbondo e que podíamos ser picados, já começámos a sentir as picadelas, mas isso não nos vai matar, não é por isso que vamos recuar, é preciso destruir o ninho do marimbondo”, vincou o governante, depois de se ter escusado a comentar as críticas do antigo Presidente e seu mentor político e partidário, José Eduardo dos Santos, e da empresária Isabel dos Santos. Os marimbondos continuam. Só mudaram de lado. Entretanto, João Lourenço conseguiu “matar” o marimbondo-chefe e, agora, até promete “imunidade” temporária às rebeldes e, quiçá, arruaceiras filhas do marimbondo-chefe. É certo que enquanto vice-presidente do MPLA e, entre muitos outros cargos de relevo, ministro da Defesa, João Lourenço comandava o exército de marimbondos e não deixava que ninguém se aproximasse do chefe. Mas, como tudo na vida, mudam-se os tempos, mudam-se os interesses. Daí a “matar” o seu criador foi um passo. Passo corajoso? Nem por isso. Até porque apunhalar pelas costas é a mais completa prova de cobardia. Folha 8 com Lusa

ANGOLA: FILHOS DE ZEDU DEFENDEM UMA AMNISTIA

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Os filhos mais velhos do ex-Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, alguns dos quais na mira da selectiva justiça imposta por João Lourenço, defendem uma lei de amnistia geral e o “fim dos processos judiciais e institucionais contra muitos angolanos”. Numa carta em que expõem a sua posição quanto à celebração de um funeral nacional para o pai, que propõem que se realize só depois das eleições (ver texto do Folha 8 “FUNERAL (DIGNO) SIM… DEPOIS DAS ELEIÇÕES”), os cinco filhos mais velhos do ex-Presidente dizem também que “chegou o momento de pedir desculpa” e pôr fim aos processos judiciais. Alguns dos filhos de José Eduardo dos Santos, nomeadamente a mais velha, a empresária Isabel dos Santos e o seu irmão José Filomeno dos Santos “Zenu”, bem como colaboradores próximos do ex-Presidente (como o foi na mesma altura o próprio general João Lourenço), como os generais “Dino” e “Kopelipa” enfrentam processos nos tribunais angolanos, o que é visto como uma justiça selectiva e, igualmente, acerto de contas propriamente ditas. O Presidente João Lourenço, que recebeu o poder das mãos de Eduardo dos Santos e tomou posse em Setembro de 2017, elegeu como escudo de protecção do seu próprio passado a luta contra a corrupção, pondo os tribunais a neutralizar todos aqueles seus colegas, e respectivos familiares, que beneficiaram mais do que ele na ladroagem levada a cabo durante os 38 anos de cleptocracia de Eduardo dos Santos. Na carta assinada por Isabel, José Filomeno “Zenu”, Welwitschea “Tchizé”, Joess e José Eduardo Paulino “Coreon Dú”, os filhos salientam que José Eduardo dos Santos se retirou voluntariamente dos assuntos públicos, implementando os “mecanismos para uma mudança democrática e pacífica de liderança” mas essa transição foi assassinada por João Lourenço que, aproveitando a inicial popularidade que conseguiu e o apoio internacional, tratou de apunhalar pelas costas o seu patrono e mentor. No entanto, escrevem, “em vez de uma reforma pacífica e merecida, enfrentou silenciosamente ataques que visavam destruir a sua imagem e o seu trabalho político e social”, uma injustiça que “levou à divisão da sociedade e ao enfraquecimento do país”. “Para restaurar a unidade e a harmonia nacional, chegou o momento de pedir desculpa e de reparar os danos causados ao incansável Arquitecto da Paz [José Eduardo dos Santos]”, sugerem os cinco subscritores da carta em que mostram e demonstram quão vil é a estratégia, igualmente cleptocrática e esclavagista, de João Lourenço. Aferem, por isso, que a consolidação do legado político do que apelidam de “Pai da Nação” exige a adopção de uma lei de amnistia geral e o fim dos processos judiciais e institucionais contra muitos angolanos. “Todos devem ser convidados a participar activamente e a dar o seu melhor para a construção do seu país, Angola”, escrevem os cinco filhos mais velhos, apelando ao respeito pelo luto e comprometendo-se a colaborar na realização de um funeral nacional após as eleições. Actualmente, Isabel dos Santos enfrenta processos cíveis e criminais em Angola onde em Dezembro de 2019, o Tribunal Provincial de Luanda decretou o arresto preventivo de contas bancárias suas, do seu marido, o congolês Sindika Dokolo (entretanto falecido), e do português Mário da Silva, e de várias empresas nas quais detém participações sociais, por alegados negócios que terão lesado o Estado angolano em valores superiores a cinco mil milhões de dólares (4,87 mil milhões de euros). Recorde-se que muitos dos negócios de Isabel dos Santos tiveram a cobertura legal do Governo angolano, presidido pelo seu pai, merecendo a servil e canina concordância dos ministros em funções, entre os quais figurava o da Defesa, de seu nome João Lourenço. A empresária vive fora de Angola há vários anos, tal como a sua irmã Tchizé, ex-deputada do MPLA (partido no poder há 46 anos) e detentora de vários negócios em Luanda, cujo mandato foi suspenso em 2019, devido a ausências prolongadas e reiteradas nas reuniões plenárias, que justificou com o facto de ser vítima de perseguição e ameaças de morte. Foi expulsa do MPLA sem ter direito a defesa. Parafraseando João Lourenço, se “haver” necessidade, use-se a tese do assassino Agostinho Neto que, em Maio de 1977, aconselhava a não se perder tempo com julgamentos. “Zenu”, ex-presidente do Fundo Soberano de Angola, aguarda em liberdade a decisão sobre o recurso que interpôs para se livrar da sentença de cinco anos de prisão a que foi condenado, em 2020, por burla e defraudação, peculato e tráfico de influências, no âmbito do caso conhecido como “500 milhões de dólares”. Mais recentemente, foram notificados, no mesmo dia em que José Eduardo dos Santos morreu, dia 8 de Julho, numa clínica em Barcelona, os generais “Dino” e “Kopelipa” acusados de vários crimes entre os quais os de peculato, associação criminosa e branqueamento de capitais, num processo que envolve várias empresas, entre as quais a petrolífera Sonangol, empresa criada pelo MPLA e cuja missão foi transformar (o que fez com êxito) o MPLA num dos partidos mais ricos do mundo. Na sua última deslocação a Angola, o ex-Presidente José Eduardo dos Santos pediu à Procuradoria-Geral da República para ser ouvido no âmbito deste processo, sem obter resposta das autoridades. Recorde-se que o Presidente da República, também presidente do MPLA e Titular do Poder Executivo, desafiou, numa entrevista ao jornal português Expresso, o seu ex-patrono e mentor, José Eduardo dos Santos, a denunciar os corruptos. Para João Lourenço, são esses os traidores da pátria. E esses são apenas os que não estão ainda rendidos aos encantos do novo “querido líder”… É claro que João Lourenço é, também no contexto angolano mas sobretudo do MPLA, uma figura impoluta, íntegra e honorável que nada tem a ver com traidores ou corruptos. Desde logo porque é um general e um político que chegou a Angola há meia dúzia de dias. Há até quem diga que, afinal, ainda não chegou… Daí para cá a história deste impoluto, íntegro e honorável general é bem mais conhecida. Importa, contudo, reter a comprovação factual de que João Lourenço nunca ouvira falar de corrupção, mesmo sendo ministro da Defesa de José Eduardo dos Santos desde 2014 e vice-presidente do MPLA. Está, por isso, acima de qualquer suspeita. Na verdade, como é que alguém que aos 20 anos de idade (1974) entrou para o MPLA e fez toda a sua vida nas fileiras do partido poderia ter notado, constatado, verificado ou comprovado que existia corrupção no seio do MPLA e do Governo? Não podia… João Lourenço diz esperar que a impunidade “tenha os dias contados” em Angola. Insiste na “moralização” da sociedade angolana. Estará a ser ingénuo, imprudente, suicida, estratega ou traidor? Se calhar, fazendo a simbiose de tudo isto, está apenas a gozar com a nossa chipala e fazer de todos nós… matumbos. O Presidente diz ser necessária a “moralização” da sociedade, com um “combate sério” a práticas que “lesam o interesse público” para garantir que a impunidade “tenha os dias contados”. É verdade. Mas é verdade há muitos anos e a responsabilidade é do MPLA, partido no qual João Lourenço “nasceu”, cresceu, foi e é dirigente. Então, durante todos esses anos (46), o que fez João Lourenço para combater as práticas que “lesam o interesse público”? “No quadro da necessidade de moralização da nossa sociedade, importa que levemos a cabo um combate sério contra certas práticas, levadas a cabo quer por gestores quer por funcionários públicos. Práticas que, em princípio, lesam o interesse público, o interesse do Estado, o interesse dos cidadãos que recorrem aos serviços públicos”, disse João Lourenço. Sendo uma verdade de La Palice, como tantas outras que constituem o ADN do partido do qual é presidente, é caso para perguntar se só agora é que João Lourenço descobriu a pólvora? Ou será que só agora é que João Lourenço descobriu que Angola é um dos países mais corruptos do mundo? Que é um dos líderes mundiais da mortalidade infantil? Que tem 20 milhões de pobres? Folha 8 com Lusa

Líder do Partido Comunista do Vietnã reafirma apoio a Cuba

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Com informações da Prensa Latina via Pátria Latina. O secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã, Nguyen Phu Trong, reiterou o apoio e a solidariedade de seu país a Cuba ao receber o embaixador da ilha na nação indochinesa, Orlando Hernández Guillén. O líder do partido reafirmou a rejeição do povo vietnamita ao bloqueio dos Estados Unidos e a vontade de apoiar os esforços dos cubanos em favor do desenvolvimento apesar de todos os contratempos, gesto que o diplomata agradeceu. Apreciando muito a oferta ao Vietnã de 5 milhões de vacinas Abdala, anti-Covid-19, e a tecnologia para produzi-las, Phu Trong descreveu como uma nova expressão que, mesmo em meio a suas dificuldades, Cuba é sempre solidária com a nação indochinesa. Recordou as cinco visitas que fez à ilha, especialmente aquelas em que manteve longas conversas com Fidel Castro, e com especial carinho recordou a de 2018, quando recebeu a Ordem José Martí e viajou com Raúl Castro a Santiago de Cuba para prestar homenagem ao líder histórico da Revolução Cubana. Hernández Guillén destacou a importância da visita do presidente vietnamita Nguyen Xuan Phuc a Havana em setembro e suas declarações contra o bloqueio dos Estados Unidos durante o 76º Período de Sessões da Assembleia Geral da ONU. Da mesma forma, agradeceu as recentes doações de arroz do Vietnã à Cuba e seu apoio aos programas nacionais de alimentação. Ambos lembraram que há 55 anos, em uma data como esta, aconteceu em Hanói um encontro entre o general do Exército Raúl Castro e o presidente Ho Chi Minh. Phu Trong relembrou suas conversas telefônicas este ano com Raúl e com o presidente e primeiro secretário do Partido Comunista de Cuba, Miguel Díaz-Canel, e convidou ambos a visitar o Vietnã. O secretário geral do PCV e o embaixador concordaram em fortalecer a cooperação abrangente entre os dois países com base no trabalho estreito entre agências, ministérios e outras instituições. fonte: cubahoje.com

Presidentes da Rússia, Turquia e Irã reúnem-se em Teerã

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Líderes das três potências regionais discutiram conflito na Síria, guerra na Ucrânia e exportação de grãos. Irã expressa apoio a Moscou sobre invasão da Ucrânia. Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e do Irã, Ebrahim Raisi, reuniram-se nesta terça-feira (19/07) em Teerã para discutir questões comuns aos três países, como o conflito na Síria, a guerra na Ucrânia e a exportação de grãos. Putin recebeu um sinal claro de apoio de Teerã em sua guerra contra a Ucrânia. O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, disse que o Ocidente se opunha a uma Rússia "independente e forte" e que, se Moscou não tivesse invadido a Ucrânia, acabaria sofrendo um ataque da Otan no futuro – um dos argumentos usados pelo Kremlin para justificar a guerra. Na semana passada, o governo dos Estados Unidos afirmou que o Irã se prepara para fornecer à Rússia centenas de drones, incluindo aqueles com capacidade de portar armas, para serem usados na guerra na Ucrânia. Durante o encontro bilateral com a Turquia, Putin agradeceu os esforços de mediação de Ancara para liberar as exportações de grãos da Ucrânia através do Mar Negro, que estão retidos nos portos ucranianos. "Nem todas as questões foram resolvidas ainda, mas é bom que tenha havido algum progresso", disse. Foi a segunda viagem de Putin para fora da Rússia desde o início da guerra na Ucrânia. Ele afirmou que as conversas haviam sido "úteis e bastante substanciais" e que os líderes haviam adotado uma declaração conjunta, comprometendo-se a reforçar a cooperação sobre a situação na Síria. O encontro ocorreu dias após o presidente americano, Joe Biden, também visitar os principais aliados de Washington na região – Arábia Saudita e Israel – assim como os territórios palestinos. Questão Síria No discurso de abertura da cúpula, Erdogan insistiu no apoio da Rússia e do Irã na luta da Turquia contra o que chama de "terrorismo" na Síria. Mais cedo, durante uma entrevista coletiva, Erdogan falou que as milícias curdas provocavam "grandes problemas" para o Irã e para a Turquia. Antes da reunião trilateral, o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, advertiu Erdogan contra novas agressões na Síria. Tanto o Irã quanto a Rússia apoiam o regime do presidente Bashar Assad, enquanto a Turquia dá suporte a alguns grupos de oposição a Assad. "Manter a integridade territorial da Síria é muito importante, e qualquer ataque militar no norte da Síria definitivamente prejudicará a Turquia, a Síria e toda a região, e beneficiará os terroristas", disse Khamenei a Erdogan. A Turquia ameaçou lançar uma operação militar no norte da Síria, particularmente em regiões controladas por grupos curdos, para estender o que chama de "zona segura". Conversas entre Ancara e Moscou Erdogan elogiou a "abordagem muito, muito positiva" da Rússia durante as conversas na semana passada, em Istambul, sobre a exportação de grãos da Ucrânia, e expressou otimismo de que um acordo será feito e que "o resultado que surgirá terá um impacto positivo em todo o mundo". O papel da Turquia como um membro da Otan que não impôs sanções contra Moscou faz de Ancara um parceiro necessário para a Rússia. Erdogan também provou ser um entrave aos planos da Otan de aceitar rapidamente a adesão da Suécia e da Finlândia à aliança. Por outro lado, Ancara esteve do lado oposto de Moscou em conflitos no Azerbaijão e na Líbia, e até vendeu drones para a Ucrânia, que depois foram utilizados para combater as tropas russas. Teerã e Moscou têm concorrência e cooperação O Irã e a Rússia compartilham no momento a dificuldade de estarem sob severas sanções econômicas do Ocidente, que já causaram um grande impacto na economia iraniana e também vêm afetando a economia russa. Os dois países são também concorrentes como grandes exportadores de petróleo e gás. Isso ficou ainda mais claro depois que a Rússia redirecionou seu foco de exportação para a China, que é um mercado importante para a compra de petróleo iraniano. Entretanto, na terça-feira, pouco antes da chegada de Putin, a National Iranian Oil Company (NIOC) e a gigante estatal russa de gás Gazprom assinaram um acordo no valor de 40 bilhões de dólares para buscar opções de cooperação. Ao mesmo tempo, o Irã enfrenta um bloco regional cada vez mais unido, constituído pelos países do golfo árabe sunita e Israel, cujo interesse compartilhado é combater a influência de Teerã e sua tentativa de desenvolver seu programa nuclear. O Irã provavelmente espera pressionar os EUA a aceitar concessões para reavivar o acordo nuclear de 2015, que perdeu efeito após a retirada unilateral de Washington em 2018, no governo de Donald Trump – as sanções subsequentes paralisaram a economia do país. bl (AP, Reuters)

domingo, 17 de julho de 2022

Rússia anuncia novo míssil 'eliminador de porta avions'

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... No meio da guerra ucraniana, a Rússia continua a desenvolver suas armas estratégicas. Se mísseis hipersônicos entraram em um campo de batalha, outros em breve poderão inflar o arsenal russo. Segundo a agência de notícias russa, a Rússia desenvolverá um míssil "matador de porta-aviões" equipado com uma ogiva supersônica, o míssil balístico Zmeevik. Outro míssil supersônico, mas com um propósito muito específico. Deve-se lembrar que a Rússia tem apenas um porta-aviões, enquanto os Estados Unidos e seus aliados juntos têm um grande número. O Zmeevik é, portanto, particularmente importante para Moscou, pois permite que ele tenha um equilíbrio com a capacidade de destruir os porta-aviões de inimigos em potencial. Este novo míssil destinado à Marinha Russa teria um alcance de até 4.000 km, segundo a imprensa russa. Uma notícia que pode ser um divisor de águas duradouro em termos de guerra marítima. No terreno a guerra continua. Os dois inimigos escolheram por alguns dias atacar suas respectivas reservas de munição para enfraquecer e desacelerar o oponente. Para evitar a destruição de sua munição, a Rússia teria movido uma de suas bases para perto de uma usina nuclear. Durante os combates, a Rússia assumiu o controle de uma usina nuclear no sudoeste da Ucrânia. Ontem sexta-feira, as autoridades ucranianas anunciaram que a Rússia está armazenando armas lá. Uma tentativa de bombardeio seria, portanto, muito arriscada para a Ucrânia neste caso específico. Em outro nível, a Rússia perdeu vantagem contra a Ucrânia com o uso de drones turcos. Para alcançar os ucranianos, o país estaria em plena negociação com os iranianos também reconhecidos por seus drones. A informação foi inclusive confirmada pelas autoridades americanas. De fato, Jake Sullivan, conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, revelou em um comunicado à imprensa que o governo americano tinha “informações de que o governo iraniano está se preparando para fornecer à Rússia várias centenas de drones”. Autoridades russas até visitaram o Irã para ver a "mercadoria".

Senegal-Gâmbia: o dia em que Yaya Jammeh se recusou a entregar Ino a Abdou Diouf.

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A gendarmaria estava prestes a acabar com a corrida das pessoas mais procuradas do país na época. O presidente da Gâmbia derrotará a missão ao estabelecer seu veto. Flashback. Um dia, em fevereiro de 1999, Abatalib Samb, aliás Ino, Boy Nar e Pape Ndiaye, escaparam da prisão de Rebeuss. Eles nocautearam um guarda, pegaram sua arma e seu uniforme antes de deter qualquer um que estivesse em seu caminho para a liberdade. A caça ao homem Durante um Conselho de Defesa, no Palácio, o Chefe de Estado faz ressoar os ouvidos dos chefes das Forças de Defesa e Segurança. “O presidente Abdou Diouf deu instruções firmes à polícia e à gendarmaria para pôr fim às suas atividades. Caso contrário, ele ia tomar medidas”, rebobina o major aposentado Aliou Kandji, questionado pelo jornal Le Quotidien, que voltou em grande parte, em sua edição de ontem, sábado, à fuga da banda em Ino. A caça ao homem começou. A polícia e os gendarmes estão mobilizados. Na época, o major Kandji chefiava uma célula de investigação aninhada no Estado-Maior da Gendarmaria Nacional. No encalço dos formidáveis ​​criminosos, ele tinha veículos, 2.000 litros de combustível e dois milhões de francos CFA. Après d’intenses recherches et des filatures, la bande est repérée à Banjul, en Gambie. Ils fréquentaient, selon major Kandji, «de riches et puissants dealers qui s’appelaient Thioukel et El Ticko». La gendarmerie met en place son dispositif pour arrêter Ino et Cie. Le quartier où ils se terraient est bouclé. L’assaut est imminent. Mais le Président gambien, Yaya Jammeh, pose son véto. Il craignait, dit-on, des troubles. Major Kandji et ses hommes remballent leurs affaires. Dakar est informé du refus de Banjul de leurs permettre d’arrêter les membres du gang. La consolation Pape Ndiaye Grosse consolation pour les enquêteurs : major Kandji, qui s’est présenté à lui comme un «humanitaire sénégalais», réussit à recueillir de Pape Ndiaye «toutes les bonnes informations, sur tout». Ce dernier était hospitalisé dans une structure sanitaire gambienne pour avoir pris une balle à la suite d’une dispute avec des policiers gambiens «pour une affaire de femmes». Aquele que na época era o caçula da quadrilha será extraditado para o Senegal. O tempo passa, Ino e sua gangue cometem a imprudência de pisar em solo senegalês. Uma noite, eles atacam a Cidade dos Professores e Grand-Yoff antes de se retirarem para o receptor em Yarakh. Um gendarme disfarçado alerta a brigada local, que se desloca para a área. Azar, os criminosos conseguem escapar. A caça ao homem continua. Ino e Cie, por sua vez, continuam seu ataque. Eles atacam um gendarme em Popenguine de surpresa e pegam sua arma. Em outra localidade, ele rouba a nova L200 de um subprefeito. O motorista amarrado e jogado no mato será encontrado pelos gendarmes. Ele confidencia que um cerca de nacionalidade mauritana aguardava a quadrilha na fronteira entre Senegal e Mauritânia para comprar o carro roubado. Fim da corrida O alerta é dado à legião da gendarmaria do Norte, que abrange nomeadamente Dagana, Richard-Toll e Rosse Béthio. Ino e sua turma pegam a mensagem de alerta, voltam e correm para o Diéry. Eles serão fixados em Ross Senegal após 48 horas de pesquisa. Eles foram surpreendidos em torno de uma carne de cabra grelhada por elementos do Grupo Nacional de Intervenção da Gendarmaria (GIGN). Durante suas viagens, os temíveis caïds mataram uma criada e jogaram seu corpo em uma fossa séptica. “Eles eram perigosos e violentos. Com seus facões, eles poderiam devastar uma cidade inteira”, disse o major Aliou Kandji. Presos e apresentados com grande alarde ao público senegalês, os membros da quadrilha sanguinária mais uma vez conseguirão escapar. Sua corrida não vai durar muito desta vez. Ino e Abdou Konteh morrerão antes de serem julgados. Eles foram internados no pavilhão especial do hospital Aristide Le Dantec. O primeiro para insuficiência renal e o segundo para problemas cardíacos. Alex e Pape Ndiaye se beneficiarão de um perdão presidencial em 2021, após mais de 20 anos de prisão. fonte: seneweb.com

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A gendarmaria estava prestes a acabar com a corrida das pessoas mais procuradas do país na época. O presidente da Gâmbia derrotará a missão ao estabelecer seu veto. Flashback. Um dia, em fevereiro de 1999, Abatalib Samb, aliás Ino, Boy Nar e Pape Ndiaye, escaparam da prisão de Rebeuss. Eles nocautearam um guarda, pegaram sua arma e seu uniforme antes de deter qualquer um que estivesse em seu caminho para a liberdade. fonte: seneweb.com

VELÓRIO (E FUNERAL) ELEITORAL DO MPLA

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O presidente da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, aconselhou o Governo do MPLA a tirar do plano público a “má imagem de conflitualidade” devido às divergências sobre o funeral de José Eduardo dos Santos, que são consequência da perseguição que moveu contra o ex-presidente de Angola. Angola observa hoje o último dos sete dias de luto nacional em homenagem ao antigo chefe de Estado, que morreu na passada sexta-feira em Barcelona, permanecendo a incerteza sobre a trasladação do corpo, uma vez que alguns dos seus filhos se opõem a um funeral em Luanda antes das eleições. Adalberto da Costa Júnior disse hoje, num encontro com jornalistas, que, enquanto presidente da UNITA, desde o início chamou a atenção para as “perseguições e protecções”, numa alusão à suposta perseguição da família de Eduardo dos Santos pela justiça em Angola. “No meu primeiro discurso público chamei a atenção para os riscos da perseguição ao ex-presidente da República, indicando que esta postura não traria resultados positivos para o país e nem para ele próprio [João Lourenço, Presidente da República, do MPLA, recandidato, e Titular do Poder Executivo, no poder há 46 anos]”, afirmou. Esta posição, continuou, mereceu-lhe acusações de “ter sido comprado pela Isabel [dos Santos]”, empresária e filha mais velha sobre a qual recaem processos judiciais em vários países. “E é assim que a imaturidade de quem governa se tem manifestado. Não ouvem os bons conselhos e o que hoje o Governo está a colher são as consequências de uma atitude de perseguição”, frisou Adalberto da Costa Júnior. O líder da UNITA lembrou ainda que quando o ex-presidente se deslocou a Angola, no final do ano passado, foi recebido de forma discreta e sem qualquer cobertura noticiosa por parte da imprensa pública que, aliás, disse que a presença de José Eduardo dos Santos no país “não era notícia”. “Mereceu absoluta ignorância, total, absoluto maltrato. Hoje está-se a chorar no molhado, com a imprudência de estar a gerir mal este dossiê, enviando para Espanha uma equipa para negociar perdões, para negociar aquilo que vem deitar por terra o que se fez de bandeira, que é o combate à corrupção”, criticou Adalberto da Costa Júnior. Questionado sobre a sua ausência no velório público que decorre desde segunda-feira no Memorial Dr. António Agostinho Neto, com um momento consagrado aos partidos, Adalberto da Costa Júnior criticou os serviços do cerimonial de Estado pela falta de aviso formal e atempado, apelando a que “tratem dos actos de Estado com mais dignidade”. Por outro lado, descreveu as homenagens que decorrem em Angola como um acto de campanha eleitoral: “Então o Estado organiza uma cerimónia de exéquias e tem lá a figura do candidato do MPLA em grande exposição? Eu acho inadmissível este tipo de falta de respeito. Foi uma cerimónia de propaganda do candidato do MPLA ou foi uma homenagem ao ex-presidente da República?”, criticou, referindo-se à presença de fotos de João Lourenço e à bandeira do MPLA. “Afinal a bandeira do país é a bandeira do MPLA e os líderes que foram lá chamados foram prestar um acto de campanha eleitoral do MPLA”, denunciou o líder da UNITA, justificando assim a sua ausência. “Não pode ser assim, o ex-presidente merece as honras e as homenagens, nós achamos que devemos prestá-las, mas não em actos de campanha eleitoral mal preparados”, reforçou. Adalberto da Costa Júnior. José Eduardo dos Santos morreu em 8 de Julho, aos 79 anos, numa clínica em Barcelona, Espanha, após semanas de internamento e o Governo angolano decretou sete dias de luto nacional. Eduardo dos Santos sucedeu a Agostinho Neto como Presidente de Angola, em 1979, e deixou o cargo em 2017, cumprindo uma das mais longas presidências no mundo, pontuada por acusações de corrupção e nepotismo. Em 2017, renunciou a recandidatar-se e apesentou como o seu candidato pessoal o actual Presidente, João Lourenço. Recorde-se (em abono da verdade) que o Presidente João Lourenço, admitiu no dia 22 de Novembro de 2018, em Lisboa, que já sentia “as picadelas” dos afectados pelo combate à corrupção, mas garantiu que “isso não nos vai matar” e vincou que “somos milhões e contra milhões ninguém combate”. [Enquanto vice-presidente do MPLA e ministro da Defesa dormia na ignorância? Pelos vistos, sim. Acordou quando chegou a Presidente da República…] “Quando nos propusemos a combater a corrupção em Angola, tínhamos noção de que precisávamos de ter muita coragem, sabíamos que estávamos a mexer no ninho do marimbondo, que é a designação, numa das nossas línguas nacionais, do terminal da vespa”, disse João Lourenço, respondendo a uma pergunta, no Palácio de Belém, em Lisboa, sobre se a questão do repatriamento de capitais – ilicitamente transferidos para o exterior – não se assemelha a `brincar com o fogo`. “Tínhamos noção de que estávamos a mexer no marimbondo e que podíamos ser picados, já começámos a sentir as picadelas, mas isso não nos vai matar, não é por isso que vamos recuar, é preciso destruir o ninho do marimbondo”, vincou o governante, depois de se ter escusado a comentar as críticas do antigo Presidente e seu mentor político e partidário, José Eduardo dos Santos, e da empresária Isabel dos Santos. Os marimbondos continuam. Só mudaram de lado. Entretanto, João Lourenço conseguiu “matar” o marimbondo-chefe e, agora, até promete “imunidade” temporária às rebeldes e, quiçá, arruaceiras filhas do marimbondo-chefe. É certo que enquanto vice-presidente do MPLA e, entre muitos outros cargos de relevo, ministro da Defesa, João Lourenço comandava o exército de marimbondos e não deixava que ninguém se aproximasse do chefe. Mas, como tudo na vida, mudam-se os tempos, mudam-se os interesses. Daí a “matar” o seu criador foi um passo. Passo corajoso? Nem por isso. Até porque apunhalar pelas costas é a mais completa prova de cobardia. Na resposta à questão sobre a tentativa de repatriar os capitais ilegalmente retirados de Angola, João Lourenço afirmou: “Quantos marimbondos existem nesse ninho, não são muitos, devo dizer; Angola tem 28 milhões de pessoas, mas não há 28 milhões de corruptos, o número é bastante reduzido e há uma expressão na política angolana que diz que `somos milhões e contra milhões ninguém combate`”. Tentando mostrar que tinha o povo ao seu lado na luta contra a corrupção, João Lourenço terminou a resposta dizendo: “Ninguém pense que, por muitos recursos que tenha, de todo o tipo, consegue enfrentar os milhões que somos, portanto não temos medo de brincar com o fogo, vamos continuar a brincar com ele, com a noção de que vamos mantê-lo sempre sob controlo”. A expressão “brincar com o fogo” foi colocada pelo jornalista português que fez a pergunta sobre as consequências do repatriamento de capitais, mas foi largamente aproveitada por João Lourenço, que iniciou a resposta dizendo: “Se estamos a brincar com o fogo, temos noção das consequências desta brincadeira; o fogo queima, importante é mantê-lo sob controlo, não deixar que ele se alastre e acabe por se transformar num grande incêndio”. E se em 2017, mesmo antes de serem conhecidos os resultados oficiais das eleições, Marcelo Rebelo de Sousa felicitou João Lourenço pela vitória, este ano, segundo revelou o próprio candidato do MPLA, o Presidente português já lhe disse para não se cansar muito porque o MPLA já tinha ganho… Folha 8 com Lusa

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