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sexta-feira, 13 de março de 2020

Covid-19: Como vivem os africanos no país europeu mais afetado pelo coronavírus?

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Angolanos, moçambicanos e cabo-verdianos a viver em Roma aplaudem a quarentena imposta pelo Governo italiano. Otimistas, falam em esperança, confiança e sacrifício e vão-se ocupando com outras coisas em casa.

Vorsichtsmaßnahmen wegen des Coronavirus in Italien (Reuters/G. Mangiapane)

Desde a manhã de quinta-feira (12.03), todos os deslocamentos não justificados estão proibidos em Itália. A fiscalização é intensa e muitas pessoas já foram detidas ou multadas por não respeitar o decreto "Eu fico em casa". Somente supermercados e farmácias estão abertos, sempre com longas filas em que a distância mínima entre as pessoas deve ser de um metro.
Todas as atividades não essenciais estão proibidas até 25 de março. Creches, escolas e universidades ficam suspensas até 4 de abril. As medidas são severas, mas necessárias, segundo o primeiro-ministro Giuseppe Conte.
Italienische Supermarkt-Kassiererin mit Schutzmaske, Italien
Vendedora de supemercado com máscara
"Poderemos sentir o efeito deste nosso grande esforço somente dentro de duas semanas. Temos que ser lúcidos, comedidos, rigorosos e responsáveis", afirmou Conte esta semana.
Telma Chimuco, de Luanda e a viver em Roma desde 1999, concorda com a quarentena imposta pelo Governo: "Eu acredito que tenha sido a melhor escolha que o Governo pudesse ter feito para evitar a propagação do coronavírus. É um sacrifício, mas mil vezes estar em casa protegidos do que andar por aí. A minha esperança é que tudo passe e que a Itália volte a ser o que era antes e que a economia também possa se recuperar".
Como passar o tempo na quarentena
Neste momento, a maior preocupação da estudante da Universidade La Sapienza de Roma são os estudos. 
"Tivemos somente três aulas na universidade", diz Telma. "Nesse tempo de quarentena, estou em casa, obviamente, a tentar acompanhar os professores à distância, para que não venhamos a perder o semestre".
 
Ouvir o áudio03:24

Covid-19: Como vivem os africanos no país europeu mais afetado pelo coronavírus?

Dulce Manuela Nguenha, que estudou moda em Maputo e vive em Roma há 15 anos, conta que passa o tempo a trabalhar em novas criações. 
"Estamos em casa, em quarentena, a tentar fazer as coisas que o Governo diz. Passo o tempo a tentar criar coisas, como brincos, e também cozinhando pratos típicos de Moçambique, como o caril de amendoim", conta a moçambicana.
Apesar de tudo, Dulce está otimista: "Esperamos que este período acabe o mais rápido possível e tenho a certeza que vai acabar. A coisa a se fazer é respeitar, estando em casa, não sair, lavar sempre as mãos. Ao seguir essas pequenas regras, tenho a certeza que vamos ultrapassar esse período". 
Consciência e responsabilidade
Kim Daniel Bengui, de Luanda, está em Roma desde 2011. Disse à DW que a embaixada angolana criou um grupo para orientar os cidadãos durante este período de emergência.
"No início, senti medo de contrair o vírus, de ficar resfriado. Mas depois, de cabeça erguida, decidi seguir seriamente os métodos de prevenção das autoridades, porque cada um de nós é responsável por conter esta situação", diz Bengui, que estuda administração na Universidade Roma Tre.
Vorsichtsmaßnahmen wegen des Coronavirus in Italien
"Vamos todos juntos parar o coronavírus", lê-se numa das ruas de Itália
Para Jorge Canifa, de Mindelo, Cabo Verde, e há 40 anos a viver na capital italiana, é preciso "consciência e responsabilidade" para "parar esse monstro invisível que vagueia pelo mundo devorando a nossa humanidade".
"O que fazemos na prática? A verdade é que tudo foi tão repentino que não tivemos tempo de nos organizar, então improvisamos dia após dia", afirma em entrevista à DW. "A situação é difícil, mas não vamos desesperar, é preciso um pequeno sacrifício. Estamos confiantes e otimistas, não nos desmoralizamos. Pelo contrário, dedicamos um tempo a algo especial que esquecemos demais: dedicar tempo a nós mesmos e às nossas famílias".
Em Itália, o novo coronavírus já causou mais de mil mortos, e há mais de 15.000 pessoas infetadas.
fonte: DW África

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Samuel

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