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sexta-feira, 13 de março de 2020

Moçambique: Ataques em Cabo Delgado ameaçam exploração de gás.

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A “Economist Intelligence Unit” (EIU) considerou, ontem, que o desenvolvimento do gás natural em Cabo Delgado, Norte de Moçambique, está ameaçado devido à crescente presença militar de grupos islamitas, considerando “provável” que os ataques continuem.


Peritos alertam para a crescente presença de grupos armados com ligações ao Estado Islâmico

“O desenvolvimento das fábricas para a exploração de gás na província nortenha de Cabo Delgado é ameaçado pela crescente presença militar de grupos islamitas, incluindo o movimento local Ansar al-Sunna e, cada vez mais, afiliados locais do Estado Islâmico”, escrevem peritos da unidade de análise da revista britânica “The Economist”.
Num comentário à assinatura de um acordo entre os Governos da Noruega e de Moçambique para o desenvolvimento da sustentabilidade da exploração de gás no país, enviado aos clientes e a que a Lusa teve acesso, os analistas dizem que “os ataques militares aumentaram em severidade e frequência” no ano passado e é provável que continuem, mesmo com as forças de segurança estatais a tentarem contê-los”.
A EIU salienta que “as causas subjacentes da insurgência são multifacetadas, mas as limitadas oportunidades económicas e a frustração popular sobre o alto nível de corrupção, assim como a fraca gestão orçamental, a nível estatal, lançaram as sementes para o descontentamento generalizado”. Sobre o acordo assinado entre Moçambique e Noruega, a EIU comenta que “serve para facilitar a exploração sustentável dos recursos de petróleo e gás” do país africano sem colocar o ambiente em perigo e aumentar as oportunidades económicas dos moçambicanos”.
O Fundo Soberano, que Moçambique anunciou, no ano passado, ser uma iniciativa sobre a qual tem interesse, “pode ajudar o país a gerir melhor as enormes receitas de gás que vão, em breve, ser uma realidade”.
“Usar essas receitas para angariar poupanças vai funcionar como “almofada orçamental” em caso de descida dos preços, permitindo ao Governo manter os programas de despesa pública, mesmo que eles caiam e a receita diminua”, refere o texto.
Acordo com a Noruega
Há uma semana, os Governos moçambicano e norueguês assinaram um acordo que prevê que o país nórdico fortaleça Moçambique ao nível da gestão das futuras receitas de gás natural. “Foi assinado um acordo que se destina ao fortalecimento da gestão petrolífera que é sensível e precisa de ser gerida correctamente”, disse Verónica Macamo, ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, salientando que “vai ser muito importante para a gestão de recursos e receitas, bem como das expectativas”.
Moçambique vai começar a exportar gás natural em 2022 graças aos projectos de extracção na bacia do Rovuma que, ao longo da próxima década, deverá colocar o país na lista dos dez primeiros produtores mundiais.
O acordo de capacitação foi assinado no quadro da visita do príncipe Haakon Magno da Noruega a Maputo.
A assinatura do acordo acontece numa altura em que Moçambique discute a criação de um fundo soberano para gestão das receitas petrolíferas, sendo que a nação escandinava tem o maior fundo soberano do mundo.
O ministro para o Desenvolvimento Internacional norueguês, Dag Inge Ulstein, que integrou a comitiva de Haakon Magno, disse que o acordo prevê um programa de capacitação de modo a garantir que os recursos beneficiem as gerações vindouras e a salvaguarda do ambiente.
O diplomata explicou que é necessário que haja uma sociedade civil muito forte, pois os países com recursos têm de se concentrar nas melhores práticas de gestão.
A Noruega apoia o país há mais de 40 anos, numa cooperação virada, sobretudo, para as áreas de energia, saúde, igualdade de género e apoio ao sector privado. Na região austral, Moçambique é o terceiro país que mais fundos recebeu da Noruega em 2018, cerca de 35 milhões de euros, segundo dados oficiais daquele país.
fonte: jornaldeangola

Fotografia: DR

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Samuel

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