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segunda-feira, 20 de abril de 2026
SERMÃO DO PAPA LEÃO XIV EM ANGOLA: Uma cauterização em uma perna de pau?
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Após João Paulo II em 1992 e Bento XVI em 2009, o Papa Leão XIV chegou a Angola em 18 de abril de 2026, a terceira etapa de sua intensa viagem apostólica pela África. Ao sair do Aeroporto Internacional António Agostinho Neto, em Luanda, o pontífice saudou a multidão no papamóvel, compartilhando sua alegria por encontrar um povo profundamente religioso, mas ainda marcado pelas cicatrizes de uma guerra civil particularmente sangrenta. Dirigindo-se aos seus fiéis e ao Presidente João Lourenço, Leão XIV evitou a tentação de um discurso convencional. Ele falou diretamente sobre os males que impedem o desenvolvimento econômico e social do país: a injustiça social, a corrupção sistêmica e a vergonhosa apropriação indevida da riqueza nacional por uma minoria predatória, enquanto um terço da população vive abaixo da linha da pobreza.
O Papa Leão XIV propõe uma abordagem simples, porém exigente, em três frentes.
Foi, portanto, um diagnóstico inequívoco, abordando diretamente aquilo sobre o qual muitos angolanos se calam por medo da repressão, que o Papa ousou articular diante de uma multidão numerosa, atenta e que aplaudia. Apesar do fim da guerra civil, Angola permanece presa às suas divisões, marcadas por desigualdades gritantes, o desvio persistente de recursos e a desilusão de uma juventude que anseia por um futuro melhor. Soma-se a isso a proliferação de movimentos religiosos concorrentes, revelando um vazio que as instituições ainda lutam para preencher. Diante desses males, o Papa Leão XIV propõe uma abordagem simples, porém exigente, em três frentes, fundada na justiça, na reconciliação e na coragem política. Ele apela para que não se tema a dissidência, para que se ouça os jovens, para que se honre os mais velhos — em suma, para que se governe de forma diferente. A mensagem é clara, mas essas palavras ainda precisam encontrar ouvidos receptivos e, sobretudo, uma vontade política pronta para agir. Contudo, a reação do governo angolano, quase caricaturalmente dissonante com as preocupações populares, lança uma sombra sobre o verdadeiro impacto das palavras do Papa. Essas palavras correm o risco de simplesmente deslizar pelas paredes lisas de um sistema político em grande parte imune a qualquer questionamento. Diante dos apelos por boa governança dirigidos aos líderes angolanos, o presidente João Lourenço respondeu com um discurso abstrato, esquivando-se de questões substantivas em favor de uma retórica de soberania e manobras diplomáticas, muito distantes das preocupações imediatas de seus concidadãos. Deveríamos, portanto, concluir que esta viagem apostólica foi inútil? A tentação existe, dado o contraste entre a franqueza do Papa e a reação decididamente distante do presidente Lourenço. Poderíamos até nos perguntar se os pronunciamentos papais, feitos no sábado em Luanda, depois em Muxima e Saurimo, são apenas um paliativo para um problema maior. As sementes da justiça social semeadas por Leão XIV dificilmente encontrarão terreno fértil em um sistema governado por um partido ultradominante que não se mostra inclinado à introspecção.
O Papa pode não ter falado aos líderes de hoje, mas sim aos cidadãos de amanhã.
Contudo, seria prematuro descartar a importância desses apelos. A história demonstra que palavras proféticas nem sempre produzem efeitos imediatos, especialmente sob regimes acostumados à inércia e à opacidade, e que seu impacto é duradouro. Assim, o Papa pode não ter falado aos líderes de hoje, mas sim aos cidadãos de amanhã. É com essa esperança que ele partirá de Luanda em 21 de abril para continuar sua jornada na Guiné Equatorial. Lá, mais uma vez, para além dos rituais e das multidões, será posta à prova a capacidade dos pronunciamentos papais de alterar o status quo neste país fechado, impermeável a qualquer pressão externa e profundamente resistente a qualquer ruptura da ordem estabelecida.
fonte: O País
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Samuel