Postagem em destaque

Costa do Marfim: Indivíduo detido em Bouaké após roubar 10 milhões de francos CFA de uma empresa.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... De acordo com informações da Direção-Geral da Polícia Nacional (DGPN...

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

ANGOLA: Detenções em Cabinda: Ativista diz que João Lourenço é "cúmplice da degradação social".

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Aarão Bula Tempo diz que detenções de manifestantes são "gratuitas, arbitrárias e violam direitos fundamentais" e, perante as mudanças no país, diz que o Governo continua a discriminar a província.
fonte: DW África
default
Cabinda
29 pessoas foram detidas no sábado, em Cabinda, quando se mobilizavam para realizar uma marcha de protesto contra a violação dos direitos humanos no enclave. Entretanto, foram postas em liberdade, mas terão de se apresentar esta segunda-feira (18.12) na polícia, segundo o ativista Aarão Bula Tempo, que promete anunciar novas ações de protesto.
Em entrevista à DW África, o ativista de Cabinda denuncia a violência da polícia contra os manifestantes e dá conta da mobilização de comandos do Exército, agentes da Polícia de Intervenção Rápida e da Polícia Nacional numa "caça ao homem” para travar os ativistas. 
Aarão Bula Tempo acusa João Lourenço de ser "cúmplice da degradação social” e diz que o Governo continua a discriminar Cabinda, enquanto as restantes províncias podem manifestar-se. 
DW África: Em que circunstâncias foram detidos os 29 manifestantes em Cabinda, este sábado?
Aarão Bula Tempo (ABT): Quando se dirigiam ao local onde deveriam concentrar-se antes da marcha, passando por uma esquadra policial, os ativistas dos direitos humanos foram interpelados, detidos e espancados. Foram levados diretamente à investigação criminal. Outros ativistas foram apanhados no local da concentração, no Chiloango.
DW África: O que é que os agentes da polícia alegaram para deter os ativistas?
ABT: Até hoje, não conseguem alegar nada. No dia 21 de novembro, os ativistas enviaram uma carta ao governador, informando-o da marcha. No dia 2 de dezembro, quando já se iam colando os panfletos, alguns ativistas foram detidos e fomos convidados para uma reunião com o vice-governador. Realizou-se o encontro e estávamos convencidos de que não havia qualquer proibição. A própria lei diz que, quando se informa o governador, este dá um documento de recepção – e eles deram. No prazo de 24 horas, se pretenderem proibir, devem pronunciar-se sobre a sua decisão, fundamentando-a – o que não aconteceu. Ontem [sábado, 16 de dezembro], surpreendentemente, acontecem as detenções. Eu, pessoalmente, fui-me entregar, porque eu é que sou o coordenador da marcha. Disse ‘vim-me entregar e, se houver razões, entrego-me para que me prendam'. Disseram que não podiam e eu fui para casa. Houve muita movimentação, até dos boinas vermelhas, os comandos, da Polícia de Intervenção Rápida e da Polícia Nacional, que começaram a caça ao homem para deter os ativistas.
Angola Arao Bula Tempo Aktivist in Cabinda (DW/N. Sul de Angola)
Aarão Bula Tempo
DW África: Os manifestantes continuam detidos?
ABT: Não, às 23 horas deste sábado libertaram alguns e outros saíram mais tarde. Alguns terão de se apresentar na esquadra esta segunda-feira (18.01), para responder. Quer dizer que isto continua.
DW África: Muitas pessoas esperavam que a repressão dos protestos e situações deste género terminariam com uma mudança de poder em Angola. Acha que o que aconteceu este sábado deita por terra estas expetativas de mudança que muitos viram na Presidência de João Lourenço?
ABT: Não há expetativa de mudança em Cabinda. Os problemas que existem em Cabinda não são os mesmos de outras províncias de Angola. Cá, até nos proíbem de nos manifestarmos, enquanto que Luanda e outras províncias continuam a manifestar-se. Há razões. E essas razões devem ser expostas para que toda a gente compreenda. O Governo angolano tem medo duma manifestação, por causa da situação política em Cabinda, que prevalece. Não se pode entender que um cidadão de Cabinda seja discriminado da cidadania. Quando somos detidos chamam-nos FLEC (Frente de Libertação do Estado de Cabinda), chamam-nos independentistas e só depois cabindas. Não temos identidade. Não deve haver mudanças, porque João Lourenço trabalhou com José Eduardo dos Santos e é cúmplice do subdesenvolvimento e da degradação social. Disse claramente que não podiam construir o porto em Cabinda porque dariam a independência à província. Para desenvolver Cabinda, para que os cabindas sintam a sua liberdade, deve-se resolver inequivocamente a problemática de Cabinda. O povo exige a sua autodeterminação.
DW África: Depois da manifestação frustrada deste sábado, há ações de protesto planeadas?
ABT: Sim. Esta segunda-feira, damos uma conferência de imprensa para explicar o que aconteceu no sábado e vamos demonstrar o nosso protesto ao Governo angolano. O Governo provincial não está organizado. Não escreveram o documento de proibição da marcha. Estas detenções são gratuitas, arbitrárias e violam os direitos fundamentais dos cidadãos de Cabinda.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Guiné-Bissau: Reunião de José Mário Vaz (Presidente da República) sem adesão.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

media




José Mário Vaz, presidente da Guiné-Bissau. 10 de Abril de 2017. Abidjan, Costa do Marfim.Sia KAMBOU / AFP
O chefe do Estado guineense, José Mário Vaz, contava juntar à volta da mesma mesa representantes de todos os partidos com assento parlamentar, o líder do Parlamento, o grupo dos 15 deputados expulsos do PAIGC e a sociedade civil. Quatro dos cinco partidos representados no Parlamento não compareceram, nomeadamente o PAIGC.




A ideia era ouvir de todos quais os entraves à aplicação do tão falado Acordo de Conacri, o instrumento político patrocinado pela CEDEAO, do qual se espera uma saída para a crise política que abala a Guiné-Bissau há três anos.
Quatro dos cinco partidos representados no Parlamento não compareceram à audiência: o PAIGC, o PCD, o PND e a União para Mudança. O líder do Parlamento, Cipriano Cassamá também faltou ao encontro.
José Mário Vaz acabou por se reunir com o Partido da Renovação Social (PRS) e com o coordenador do grupo dos 15 deputados dissidentes do PAIGC, na presença de representantes da comunidade internacional e da sociedade civil guineense.
Certorio Biote (PRS), Braima Camará (grupo dos 15 deputados expulsos) e Jorge Gomes (presidente do movimento da sociedade civil) consideraram que a saída para a crise política passa primeiramente pela reintegração plena dos 15 parlamentares no PAIGC.
Reportagem de Mussá Baldé
fonte: RFI

FAZ SEXO COM MÃE DA NAMORADA NO DIA EM QUE A CONHECE - " ESSE MUNDO, VÊ SE DÁ PARA ENTENDER!!!!"

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...



Traição aconteceu na casa do casal, enquanto a jovem estava a dormir.

Um jovem, de 27 anos, fez sexo com a mãe da namorada no dia em que a conheceu. A traição aconteceu na casa do casal, enquanto a companheira estava a dormir. Os jovens estão juntos há três anos.

Segundo uma carta escrita ao jornal britânico The Sun, a jovem, de 25 anos, não mantinha contacto com a mãe desde a separação dos pais, que aconteceu quando ela tinha 5 anos. A menina ficou a viver com o pai e só quando ele morreu, o ano passado, é que voltou a falar com a progenitora.

A namorada do jovem começou a ficar muito chegada à mãe, de 42 anos, e decidiu apresentá-la ao namorado num jantar. O encontro estava a correr muito bem, até que a sogra começou a seduzir o jovem.


O casal voltou para casa e a jovem, que parecia um pouco embriagada, foi para o primeiro andar dormir. O namorado voltou para a cozinha e começou a beber whisky com a sogra, o que originou uma bebedeira e, posteriormente, uma noite de sexo.

"Nós ficámos presos à bebida e envolvemo-nos, fizemos sexo enquanto a minha namorada estava a dormir no andar de cima", escreveu o rapaz.

Na manhã seguinte, o jovem falou com a sogra e decidiram ficar calados e não comentar com ninguém o que se passou. No entanto, o rapaz está preocupado com o assunto e não consegue parar de pensar no que fez.

Fonte: cm

“Novo Cangaço” aterroriza brasileiros.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...



Grupos organizados impõem terror nas cidades pequenas
O medo tomou conta de milhares de brasileiros nos últimos meses por causada actuação de quadrilhas organizadas em assaltos a bancos no interior do país, principalmente nas pequenas cidades.
É o “Novo Cangaço”, remetendo à famosa quadrilha de Lampião, em meados do século 18.
O modus operandi dos “novos cangaceiros” tem semelhança com o velho cangaço, que, não raro, fazia uso de reféns.
O bando também era grande, de 10 a 15 membros e preferia atacar pequenas cidades.
Motorizados, armados de fuzis e pistolas, os “cangaceiros” modernos sitiam os municípios.
A acção acontece sempre da mesma forma, durante a madrugada.
Um grupo segue até ao destacamento da Polícia Militar e atira com balas de grosso calibre para intimidar os militares.
Enquanto isso, outra parte da quadrilha explode a agência bancária.
Em menos de 30 minutos, o banco fica completamente destruído e sem dinheiro e os bandidos fogem.
Policias e civis já foram assassinados em confrontos com os marginais.
A falta de segurança no Brasil tem contribuindo cada vez mais para essas ocorrências acontecerem.
O especialista em segurança pública, Luis Flávio Sapori, ressalta que estes crimes são na actualidade um dos mais graves problemas que país precisa resolver rápido.
“Essa questão dos roubos a bancos praticados por essas quadrilhas organizadas no interior do país e muito bem armadas constituem um dos mais graves problemas da segurança pública. Essas novas quadrilhas que a gente chama de “novo cangaço” estão atuando no interior de vários estados brasileiros. Boa parte da responsabilidade desses crimes vem das fronteiras,dos contrabandos das armas de fogo de grosso calibre. Não há dúvidas de que há uma facilidade enorme desse contrabando de armas ilegais e que está alimentando a actuação dessas quadrilhas. Nesse sentido a responsabilidade do Governo Federal”, disse.
Sapori destaca também que não adianta os governantes colocarem apenas a culpa na Presidência.
Cada um precisa fazer a sua parte para que juntos consigam desarticular essas quadrilhas.

fonte: DW África

    Governo moçambicano criticado por adquirir avião em tempo de crise.

    NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

     PR Filipe Nyusi ao centro, PM Carlos Agostinho do Rosário, esq, Min Econ Adriano Maleiane.

    O jornal britânico Daily Mail diz que o Chefe de Estado moçambicano gastou 9.2 milhões de dólares na compra de um avião de 14 lugares.
    Alguns analistas criticam a política de austeridade do governo moçambicano, que numa situação de crise económico-financeira, agravada pelas chamadas dívidas ocultas, adquire um avião para o Presidente da República.
    O jornal britânico Daily Mail diz que o Chefe de Estado moçambicano gastou 9.2 milhões de dólares na compra de um avião de 14 lugares, que foi usado por Filipe Nyusi na sua recente deslocação ao Zimbabué, para a investidura do Presidente Emmerson Mnangagwa.
    O Governo confirmou a compra do avião pela companhia Linhas Aéreas de Moçambique-LAM, mas diz que o mesmo se destina ao segmento executivo da sua subsidiária, a Mex.
    O sociólogo Francisco Matsinhe diz que a posição do Governo não é convicente, porque "a percepção dos cidadãos é que o avião foi comprado para o Presidente da República".
    Matsinhe afirmou ainda que "existe um avião que foi adquirido há cerca de cinco anos, destinado ao Ministério da Defesa Nacional e que o Presidente Nyusi tem usado nas suas deslocações, pelo que comprar um segundo avião é um absurdo".
    Para o académico, o país tem outras prioridades, afirmando não perceber porque comprar esse avião agora, "se em 2018, por falta de recursos financeiros, o Governo vai recrutar apenas 5.000 professores, quando em média são contratados entre 8.000 e 10.000 professores/ano".
    Para o director executivo da Associação do Jornalismo Judiciário, o jurista Armando Nenane, comprar um avião de luxo num momento de crise, "é exemplo da má governação".
    Entretanto, o ministro moçambicano dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, confirmou a compra do avião, mas esclareceu que o mesmo tem propósito específico em voos executivos, "cujo segmento se está a mostrar bastante atractivo".
    O governante disse que a aeronave foi adquirida para fins comerciais, "pelo que a Presidência da República pode ser um cliente atractivo para o segmento de negócios da subsidiária da LAM".
    Mesquita afirmou ainda que o avião foi adquirido com o objectivo de "minimizar o défice na frota da LAM, para atender à crescente demanda e a estratégia operacional, bem como para a empresa se posicionar num mercado cada vez mais competitivo, em um espaço aéreo liberalizado".
    fonte: VOA

      Angola: Qual deve ser o perfil do novo Procurador-Geral da República?

      NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

      Analistas afirmam que o próximo Procurador-Geral da República, a ser nomeado em breve por João Lourenço, deve ser “isento” e não deverá ter cor política. Politólogo afirma que João Maria de Sousa “não deixará saudades”.
      fonte: DW África
      Angola Luanda Justizpalast (DW/C.V. Teixeira)
      Palácio da Justiça, Angola
      O Presidente angolano, João Lourenço, deverá nomear nos próximos dias, e como manda a Constituição, um novo Procurador-Geral da República, uma vez que o mandato de João Maria de Sousa, atualmente no cargo, expirou no passado dia 3 de dezembro.
      Portugal Lissabon João Maria de Sousa, angolanischer Staatsanwaltschaft (DW/João Carlos)
      João Maria de Sousa, atual Procurador-Geral da República de Angola
      Marcolino Moco, antigo Primeiro-ministro e Secretário-geral do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), é apontado como potencial candidato.  Enquanto se espera por esta nomeação, debate-se em Angola o perfil do substituto de João Maria de Sousa.
      PGR: Isento, idóneo e sem "cores partidárias”
      Rui Malopa, secretário-geral do Partido de Renovação Social (PRS), espera que o cargo seja ocupado por uma figura que defenda os interesses do Estado como são a paz, a justiça e o bem estar social e económico.  Em entrevista à DW África, afirma que a seu ver "um Procurador-Geral da República deve ser uma figura consensual, idónea e responsável”. "Queremos uma figura que vá defender a vontade, as instituições, o cidadão. Uma figura que vá velar pelos interesses de todos”, acrescenta.
      A Constituição angolana de 2010 prevê os requisitos que um Procurador-Geral da República deve preencher. Mas, o analista político Osvaldo Mboco, dá conta do que são as "qualidades mais importantes” de um procurador. A seu ver o Procurador-geral da República deve ser um "indivíduo isento e ao mesmo tempo imparcial e sem compromissos políticos”, ou seja, "sem cores partidárias”.
      Realidade africana pede outro modelo
      Angola Wahlkampf Joao Lourenco MPLA
      João Lourenço
      Apesar da lei prever que cabe ao Presidente da República nomear o novo procurador, como acontece em muitos países do mundo, Osvaldo Mbonco entende que, nas democracias africanas, o modelo devia ser outro. "Para os países como são os africanos em que as instituições são fracas, esta não será uma das melhores opções, porque muitas vezes o poder político controla e instrumentaliza o poder judicial”, explica.
      Durante a campanha eleitoral, o atual Presidente angolano apontou o combate à corrupção como o seu cavalo de batalha. João Lourenço reiterou esta luta no discurso sobre o Estado da Nação na sessão solene de abertura do ano legislativo do Parlamento angolano. O chefe de Estado reiterou a sua intenção de  "atualizar a legislação sobre controlo e prevenção e combate à corrupção”.
      Para Osvaldo Mboco, se o "procurador não é isento nem imparcial”, "dificultará os desideratos traçados pelo próprio Presidente da República, João Lourenço, no que respeita ao combate à corrupção”.
      João Maria de Sousa "não deixará saudades”
      Muitas denúncias apontam para envolvimento do atual Procurador-Geral em casos de ilegalidade. Agostinho Sicatu, politólogo afirma que o novo Procurador-Geral da República deve "começar pelo seu antecessor, instaurando processos judiciais para poder esclarecer estes casos”.
      Licenciado em Direito pela Universidade Militar de Moscovo, o general João Maria de Sousa, de 66 anos, foi nomeado a 3 de dezembro de 2007 e empossado Procurador-Geral da República de Angola pelo então chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, dois dias depois.
      Para Agostinho Sicatu, o atual homem forte da PGR não vai "deixar saudades”."Acho que prestou um péssimo serviço à nação. Não vai deixar saudades, absolutamente nenhumas”, conclui.

      MOÇAMBIQUE: RENAMO - "Remodelação de gabinete pode revelar desarticulação na FRELIMO".

      NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

      O maior partido da oposição em Moçambique avalia as alterações ministeriais anunciadas pelo Presidente Filipe Nyusi nesta quarta-feira (13.12). Nomeações ocorrem menos de 24 horas depois de remodelação no Executivo.
      fonte: DW África
      default
      A Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) comentou nesta quarta-feira (13.12) as nomeações ministeriais anunciadas pelo Presidente Filipe Nyusi, menos de 24 horas depois de realizar uma remodelação no Executivo.
      Para o maior partido da oposição em Moçambique, esta remodelação pode "revelar alguma desarticulação interna no partido FRELIMO [Frente de Libertação de Moçambique], o partido no poder".
      O porta-voz do partido da oposição, José Manteigas, acrescenta que, apesar da remodelação no Governo, o partido da oposição não acredita que haverá mudanças nas políticas de gestão do país.
      "Mudaram as pessoas de um ministério para outro e sabemos como é que o Governo está a gerir o país, de forma calamitosa. Acreditamos que isso não vai mudar o rumo calamitoso em que o país está a caminhar", afirma Manteigas.
      José Pacheco
      José Pacheco assume a pasta dos Negócios Estrangeiros e Cooperação
      Remodelação do gabiente
      Filipe Nyusi nomeou nesta quarta-feira três novos ministros para as pastas dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Agricultura e Segurança Alimentar, Recursos Minerais e Energia. As nomeações ocorrem menos de 24 horas depois de o chefe do Executivo ter feito alterações no seu gabinete.
      Nyusi apontou José Pacheco como ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Max Tonela, titular da pasta dos Recursos Minerais e Energia, e Higino Marrule, para o cargo de ministro da Agricultura e Segurança Alimentar. Não foi indicado o novo titular da pasta da Indústria e Comércio.
      Na terça-feira, Nyusi exonerou os responsáveis por esses ministérios, mas, entretanto, a Presidência da República não indicou as razões para esta remodelação do Governo.
      Mosambikanische Minister für Industrie und Handel Max Tonela
      Max Tonella, novo titular dos Recursos Minerais e Energia
      Para o analista Fernando Lima, as atuais exonerações "enquadram-se numa série de mudanças que tinham que acontecer por força do xadrez político que foi encontrado no último congresso da FRELIMO [Frente de Libertação de Moçambique] de setembro".
      Por seu turno, a RENAMO considera que a remodelação governamental levada a cabo pelo Presidente faz parte das suas competências, mas observa que alguns ministros afastados tinham sido nomeados recentemente para tais funções.
      O porta-voz da RENAMO, José Manteigas, cita os casos de Lectícia Klemens, que ocupava o cargo desde outubro do ano passado, e Max Tonela, no Governo desde janeiro de 2015.
      Desempenho dos ministros
      O analista Fernando Lima, comentando a troca da ministra dos Recursos Minerais e Energia, acredita numa nova fase naquela pasta, dizendo que "há uma série de assuntos pendentes que não foram decididos". "A fase em que a ministra esteve no Governo correspondeu ao fechar de uma série de dossiers, sobretudo na bacia do Rovuma [para a exploração do gás]", acrescentou.
      Sobre o afastamento de Oldemiro Balói, do cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Lima disse que "o titular daquele cargo há muito que gostaria de sair".
      Baloi é substituído como chefe da diplomacia moçambicana por José Pacheco, que era ministro da Agricultura e Segurança Alimentar e já desempenhou outras funções, nomeadamente titular da pasta do Interior e chefe da delegação do Governo nas negociações de paz com a RENAMO.
      De acordo com José Manteigas, a nomeação de Pacheco para a diplomacia "deixa-nos sem perceber como é que um indivíduo que nunca marcou um golo num grande ministério vai para outro superministério". "As pessoas devem ser nomeadas por competência e não por ‘amiguismo’, por nepotismo, por ligação político-partidária", critica José Manteigas.

      ANGOLA: NÃO BASTA MUDAR O EMBRULHO.

      NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...



      O maior partido da oposição angolana, UNITA, quer ver mudanças na prática que tem caracterizado os debates do Orçamento Geral do Estado (OGE), com várias propostas de melhoria apresentadas, mas nenhuma delas acolhidas. A tradição continuará a ser o que sempre foi? Isto é, o que o MPLA quer que seja?

      Aposição foi expressa pelo líder da bancada parlamentar da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, na abertura de um seminário de capacitação para deputados da maior força política da oposição angolana sobre o OGE.
      Adalberto da Costa Júnior lamentou o facto de o seminário decorrer sem que estejam em posse da proposta do OGE para 2018, “aguardado com grande expectativa”, e cujo limite de entrega à Assembleia Nacional termina sexta-feira.
      O dirigente da UNITA criticou o facto de, na anterior liderança política, a proposta de OGE ter “retornado sempre à sessão de aprovação, sem conter alterações, conferindo a todo o exercício de auscultação da sociedade e ao debate, um mero cumprimento de calendário e um desperdício de tempo e de tantos esforços”.
      Segundo o político, as referidas contribuições e recomendações “muito valorosas”, nunca foram “acatadas, nem no documento em aprovação, nem no modelo e no processo de apresentação dos orçamentos dos anos subsequentes”.
      “É altura de questionar: a actual liderança política conferirá uma nova postura? Teremos alguma melhoria das más práticas anteriores? Virá este OGE com um conteúdo e uma visão capazes de responder às expectativas dos angolanos, capaz de responder aos enormes desafios da crise económica do país, ou manteremos o paradigma, já que no jogo de cadeiras não ocorreu grande novidade”, questionou.
      Outra questão que Adalberto da Costa colocou é se vão registar-se mudanças nas “más práticas na governação”, sublinhando que Angola possui instrumentos jurídico-legais suficientes para o exercício da boa governação, colocando-se o problema “na falta de empenho político, no facto de as leis não serem respeitadas, por quem tem a responsabilidade de liderar e dar o exemplo”.
      Para o líder da bancada parlamentar da UNITA, “é ridículo os autores da corrupção realizarem o debate público sobre este grande mal, a corrupção, mas as reais medidas para extirpar esta doença não passarem do marketing político”.
      Adalberto da Costa Júnior referia-se ao seminário, que hoje se encerrou, organizado pelo grupo parlamentar do MPLA, partido no poder desde 1975, sobre os tipos de crimes a que estão sujeitos os titulares de cargos públicos, que levou a debate, durante três dias, o assunto sobre a corrupção.
      “O país carece de medidas de governação, reais, efectivas e eficazes, que tardam a chegar”, frisou.
      Ainda sobre o OGE, ficaram as questões sobre se no exercício económico de 2018 vão ser reforçadas as verbas para os sectores sociais, nomeadamente educação, saúde, e para o sector produtivo e ainda para a realização de eleições autárquicas, “prometida na campanha eleitoral aos angolanos”.
      “O país não quer ver adiadas as autarquias. Nem muito menos quer ver confundir o poder autónomo, o poder dos cidadãos com a transferência de alguns poderes dos órgãos centrais para órgãos locais representantes do poder central, isto é, em vez de poder local, teremos alguma desconcentração e descentralização dos órgãos do poder central”, referiu.
      O questionamento estendeu-se ainda a uma reclamação de há vários anos, sobre o poder de fiscalização da Assembleia Nacional às acções do executivo, que considerou uma contribuição para “o bom o exercício da governação”.
      “Não existe o ‘bom governo’ lá onde não se exerça plenamente a fiscalização à governação”, atestou.
      O seminário de capacitação dos deputados da UNITA tem como objectivo melhorar o conhecimento e manuseio do OGE, bem como a acção fiscalizadora de cada um dos seus membros.
      Folha 8 com Lusa

      quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

      MOÇAMBIQUE: PR Moçambique nomeia três novos ministros após exonerações de terça-feira.

      NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

      Presidente moçambicano Filipe Nyusi, nomeou três novos ministros, na sequência das exonerações de terça-feira (12.12.), anunciou em comunicado.
      Mosambik Präsident Filipe Jacinto Nyusi (Imago/Christian Thiel)
      Presidente Filipe Nyusi
      José Pacheco, que tinha sido afastado do cargo de ministro da Agricultura, viu-lhe atribuída a pasta dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, a terceira depois de ter sido nomeado Ministro do Interior em 2005 e após ter sido designado em 2010 para a Agricultura.
      Ernesto Max Tonela, que na terça-feira foi exonerado das funções de ministro do Comércio e Indústria, foi escolhido para liderar os Recursos Minerais e Energia.
      Como novo nome no Governo surge Higino Francisco Marrule, nomeado ministro da Agricultura e Segurança Alimentar.
      Analista opina sobre as nomeações
      Fernando Lima Journalist in Mosambik (Fernando Lima)
      Fernando Lima
      O analista Fernando Lima, comentador político e presidente do grupo de comunicação social Mediacoop, disse à Lusa que a escolha de Marrule "é claramente uma boa surpresa, porque é um quadro da agricultura com muita experiência prática e teórica e uma das suas qualidades é pensar fora da caixa", ou seja, ir além das ideias convencionais.
      A nomeação de Max Tonela para os Recursos Minerais e Energia "já se esperava anteriormente", tendo em conta que é "um quadro muito próximo do Presidente Nyusi e que esta é uma área muito sensível", referiu.
      Por outro lado, Tonela "está à vontade" com os dossiês de Energia, tendo em conta que já liderou a Hidroelétrica de Cahora Bassa e a empresa Eletricidade de Moçambique.
      Fernando Lima considera ainda que a nomeação de José Pacheco para o MNEC terá sido decidida por Nyusi tendo em conta "respeito por lealdades políticas recentes".
      "É uma aposta política temerária do PR e vamos ver se José Pacheco tem a flexibilidade que se espera de um diplomata", qualidade que segundo Fernando Lima "não mostrou ter noutras pastas" que já teve em seu poder.
      Das três áreas em que houve exonerações na terça-feira (12.12.), fica por nomear um ministro do Comércio e Indústria.


      terça-feira, 12 de dezembro de 2017

      ANGOLA: ARMAS NÃO FALTAM. FALTAM É MAIS GUERRAS…

      NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...



      Relatório do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri) mostra que o principal beneficiário do aumento do comércio de armas em todo o mundo é a indústria bélica nos EUA e Europa Ocidental. Estes beneficiam e os que morrem são outros, provavelmente – de acordo com norte-americanos e europeus – gente menor, pessoas inferiores.

      Pela primeira vez, nos últimos cinco anos, o comércio global de armas e serviços militares voltou a aumentar em 2016. Segundo o relatório sobre a indústria internacional de armamentos divulgado pelo Sipri, o aumento foi de 1,9% em relação a 2015 e 38% em relação a 2002.
      De acordo com o instituto, em 2016, os 100 maiores conglomerados venderam 374,8 bilhões de dólares em armamentos e sistemas de armas.
      Particularmente nos Estados Unidos da América, estão a ser produzidas e vendidas mais armas. De acordo com o relatório, as vendas de empresas dos EUA aumentaram 4% em 2016, totalizando 217,2 bilhões de dólares. Isso não foi apenas devido às mobilizações militares dos EUA no exterior: os números também foram impulsionados pelas compras de grandes sistemas de defesa por outros países.
      O grupo americano Lockheed Martin – maior produtor mundial de armas – fez negócios lucrativos vendendo o novo caça F-35 para países como Reino Unido, Itália ou Noruega. Seu maior cliente, porém, é a Força Aérea americana.
      Grandes empresas americanas como a Lockheed Martin respondem pela maior parcela da lista dos 100 maiores grupos armamentistas pesquisados pelos especialistas do Sipri. Mais uma vez, o relatório mostra claramente que a maioria das armas vem de empresas dos EUA – elas respondem por 57,9% das vendas globais de armas. A Europa Ocidental ocupa o segundo lugar na lista dos fornecedores mais importantes, seguida pela Rússia, com 7,1% das vendas de armas em todo o mundo.
      O quadro é mais complexo entre os países da Europa Ocidental. Enquanto empresas francesas e italianas estão a vender menos armas, grupos alemães e britânicos – apesar do Brexit – aumentaram o volume de negócios. O fabricante alemão de tanques Krauss-Maffei, por exemplo, como também o Rheinmetall, que produz veículos militares, beneficiaram com a procura dos seus produtos na Europa, Oriente Médio e Sudeste Asiático.
      “No entanto, é muito difícil estabelecer uma conexão directa entre as grandes compras de armas e as guerras em curso. Mas é claro que existem correlações: há uma maior procura por certos tipos de armas – munições, mísseis ou veículos terrestres, por exemplo”, afirmou Aude Fleurant, directora do Programa de Armas e Despesas Militares no Sipri.
      O aumento das vendas de armas em todo o mundo também é uma resposta a conflitos latentes, diz Fleurant, acrescentando que “observamos que em algumas regiões a percepção de ameaça está a aumentar”.
      A Coreia do Sul é um exemplo disso. Em 2016, firmas sul-coreanas registraram um aumento de 20,6% nas vendas de armas. “Isso tem claramente a ver com a situação de segurança na região”, explicou Fleurant. A Coreia do Sul sente-se seriamente ameaçada pelas provocações nucleares de seu vizinho Coreia do Norte – e está a aumentar as suas despesas militares. Fabricantes de armas sul-coreanos, que vendem principalmente para o Ministério da Defesa do país, estão a lucrar com isso.
      Os pesquisadores do Sipri acreditam que a China também possa ser um grande fabricante de armas. No entanto, o país não aparece nas estatísticas, porque os especialistas não possuem dados confiáveis sobre o comércio chinês de armas. “Mas nós acreditamos que os grupos chineses de armamentos estejam entre as 20 maiores empresas do mundo”, diz Aude Fleurant.
      Os especialistas, no entanto, observaram que alguns dos tradicionais importadores de armas ficaram, aparentemente, sem dinheiro em 2016. “A queda dos preços do petróleo e gás fez tal pressão sobre as finanças de muitos países africanos e sul-americanos, que eles compraram menos armas que o planeado”, disse a pesquisadora do Sipri.
      Os grupos de armamentos da Rússia também foram afectados pela crise. As vendas de armas russas continuaram a aumentar, mas a uma taxa mais lenta do que no passado. As razões para isso estão na queda dos preços do petróleo e do gás, por um lado, mas também nas sanções da União Europeia e dos EUA.
      Não há dúvida de que as guerras induzem os países a adquirir armas. Diante da ameaça de crises, os Estados gastam mais dinheiro em armamentos mais modernos: compram novos navios de guerra, aviões de combate e tanques. Como resultado, os fabricantes de armamentos facturam mais. Mas, de acordo com a especialista Fleurant, a maioria das armas é vendida pelos fabricantes aos ministérios da Defesa dos próprios países, não para o exterior.

      O epicentro iraquiano

      Décadas de fluxos de armamento para o Iraque parcamente regulados, a par da falta de controlo sobre as armas no terreno, deixaram nas mãos do grupo armado auto-intitulado Estado Islâmico (Daesh) um vasto e letal arsenal que usado para cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade a uma escala maciça, tanto no Iraque como na Síria.
      Assente em análises de peritos a milhares de imagens e vídeos confirmados como fidedignos, “Taking Stock: The arming of Islamic State” (Inventário: o armamento do Estado Islâmico) – publicado no dia 8 de Dezembro de 2015 – faz a catalogação de como os combatentes do grupo jihadista estão a usar as armas que obtiveram, na maioria, pilhando os arsenais militares iraquianos, e as quais foram desenhadas e fabricadas em mais de duas dezenas de países, incluindo a Rússia, a China, os Estados Unidos da América e vários países da União Europeia.
      “O imenso e variado armamento na posse do grupo armado auto intitulado Estado Islâmico é um caso clássico de como o comércio irresponsável de armas alimenta atrocidades a uma escala maciça”, aponta o investigador da Amnistia Internacional Patrick Wilcken, perito em Controlo de Armas, Comércio de Segurança e Direitos Humanos.
      “A parca regulação e a ausência de fiscalização dos enormes fluxos de armamento para o Iraque, que datam de há décadas, deram ao Estado Islâmico e a outros grupos armados uma bonança de acesso a armas sem precedentes”, prossegue.
      Após a tomada de Mossul, a segunda maior cidade iraquiana, em Junho de 2014, os combatentes do Estado Islâmico obtiveram controlo de um enorme volume de armas de fabrico internacional que se encontravam nos arsenais iraquianos. Aqui se incluem armas e veículos militares de fabrico norte-americano, de que o grupo jihadista fez uso para conquistar outras partes do país, com consequências devastadoras para as populações civis residentes nessas áreas.
      A grande diversidade de tipos de armas capturadas e ilicitamente obtidas permitiram que o Estado islâmico levasse a cabo uma campanha horrível de abusos. Execuções sumárias, violações, tortura, raptos e tomada de reféns – frequentemente cometidas sob a ameaça de armas – forçaram centenas de milhares de pessoas a fugirem das suas casas e a tornarem-se deslocados internos ou refugiados.

      Variedade preocupante de armamento

      Esta diversidade do arsenal que está nas mãos do Estado Islâmico, tanto no seu alcance como nos seus propósitos, reflecte os fornecimentos irresponsáveis de armas que ao longo de décadas foram feitos para o Iraque. Isto foi agravado pelos múltiplos falhanços, durante a ocupação do país liderada pelos EUA, na gestão das importações de armas feitas pelo Iraque assim como na activação de mecanismos de monitorização que impedissem utilizações finais impróprias desse armamento. Da mesma forma, a ausência de controlos sobre os arsenais militares e a corrupção endémica no país em sucessivos governos iraquianos agravaram ainda mais este problema.
      O relatório “Taking Stock” documentava o uso que o Estado Islâmico tem feito das armas e munições que foram fabricadas em pelo menos 25 países diferentes, cuja vasta parte foi originalmente fornecida ao Exército iraquiano pelos Estados Unidos e por países do antigo bloco soviético. Estes fluxos de armas foram financiados em negócios de troca de armas por petróleo, através de contratos firmados com o Pentágono e de doações da NATO. A maior proporção das armas nas mãos do Estado Islâmico foi obtida com a tomada de controlo ou através de desvios de armamento dos arsenais militares iraquianos.
      O arsenal do Estado Islâmico contou com armamento extremamente sofisticado como sistemas portáteis de defesa antiaérea (MANPADS), mísseis guiados antitanque e veículos armados de combate, assim como espingardas de assalto como as russas AK e as norte-americanas M16 e Bushmaster.
      A maior parte das armas convencionais usadas pelos combatentes jihadistas são de fabrico que data dos anos de 1970 a 1990, incluindo pistolas, revólveres e outras armas de pequeno calibre, metralhadoras, armas antitanque, morteiros e artilharia. Espingardas de tipo Kalashnikov, da era soviética, são também comuns, oriundas maioritariamente de fabricantes russos e chineses.
      “Isto demonstra uma vez mais que a avaliação e a adopção de medidas de mitigação dos riscos nas exportações de armas para regiões instáveis têm de ser feitas com uma análise a longo prazo, e que tenha em conta toda a complexidade do processo. Tal inclui avaliar se as unidades militares e de segurança [do país de destino dos fornecimentos] são ou não capazes de efectivamente controlarem os arsenais e cumprirem os padrões internacionais humanitários e de direitos humanos”, sustenta Patrick Wilcken.
      Os combatentes do Estado Islâmico e de outros grupos armados têm também vindo a fabricar as suas próprias armas improvisadas em oficinas muito rudimentares. Entre estas armas há morteiros e rockets, granadas de mão improvisadas, engenhos explosivos improvisados como carros-bomba e explosivos armadilhados, e até mesmo munições de fragmentação reutilizadas que são armas internacionalmente banidas. Em alguns casos, os engenhos explosivos improvisados são, na prática, minas, que estão expressamente banidas pela Convenção sobre a Proibição do Uso, Armazenamento, Produção e Transferência de Minas Antipessoais e sobre a sua Destruição (o Tratado de Ottawa, de 1997).

      As cadeias de fornecimentos

      Ainvestigação contida no relatório “Taking Stock” abrange o longo historial do Iraque no que toca à proliferação de armas e as complexas cadeias de fornecimentos que mais provavelmente permitiram fazer chegar às mãos do Estado Islâmico algumas das mais recentes armas que estão na posse do grupo.
      O arsenal do Exército iraquiano cresceu substancialmente nos finais dos anos de 1970 e no início da década de 1980, especialmente no contexto da guerra entre o Iraque e o Irão. Este foi um momento prolífico no desenvolvimento do mercado moderno global de armamento, altura em que pelo menos 34 países diferentes forneceram armas ao Iraque – e 28 desses mesmos países estavam também, ao mesmo tempo, a exportar armamento para o Irão.
      Entretanto, o então Presidente do Iraque, Saddam Hussein, supervisionou o desenvolvimento de uma robusta indústria nacional de armamento, tendo sido fabricadas no próprio país armas de pequeno calibre, morteiros e bombas de artilharia.
      Depois de o Iraque ter invadido o Kuwait em 1990, um embargo às armas aprovado pelas Nações Unidas fez diminuir as importações de armamento pelo Iraque até 2003, mas durante e após a invasão liderada pelos EUA uma vez mais o país foi inundado com fornecimentos de armas. Muitos destes fluxos tão pouco foram devidamente monitorizados e auditados pela coligação liderada pelos Estados Unidos, nem pelas reconstituídas forças armadas iraquianas. Perdeu-se o rasto a centenas de milhares dessas armas, que continuam desaparecidas.
      Os esforços para reconstruir e reequipar o Exército iraquiano e forças associadas voltaram a resultar num fluxo maciço de armas para o país. Entre 2011 e 2013, os EUA assinaram contratos no valor de milhares de milhões de dólares de fornecimentos de tanques 140-M1A1 Abrams, jactos de combate F16, unidades portáteis de mísseis antiaéreos 681 Stinger, baterias antiaéreas Hawk, e outro equipamento de elevado grau de sofisticação. Em 2014, os EUA tinham entregado já armamento de pequeno calibre e munições ao Governo iraquiano no valor de mais de 500 milhões de dólares.
      A corrupção endémica nas forças armadas do Iraque, a par dos fracos controlos feitos aos arsenais militares e o débil rastreio das armas, traduzem-se na existência de um continuado alto nível de risco de estas armas serem desviadas por grupos armados, incluindo o Estado Islâmico.

      Julgar os fabricantes

      OTribunal Penal Internacional (TPI) julga (alguns) criminosos de guerra que, embora não sendo fabricantes de armas, lhe dão o uso para que elas foram feitas.
      E se os maiores exportadores mundiais são os EUA, a Rússia, a Alemanha, a França e Grã-Bretanha, não deveriam estes países serem igualmente julgados pelo TPI?
      O coronel Theoneste Bagosora, acusado de ser o “cérebro” do genocídio ruandês de 1994, que causou mais de 800.000 mortos, foi condenado no dia 18 de Dezembro de 2008 a prisão perpétua pelo TPI para o Ruanda.
      Achamos muito bem, apesar de a justiça teimar (quando teima, e teima poucas vezes) em actuar à posteriori e não como meio profiláctico. É que, pensamos, para os milhares de mortos já nada adianta a prisão de Theoneste Bagosora ou de Charles Taylor.
      Nenhum destes (e de muitos outros) criminosos fabrica armas. Elas vão lá parar, a troco de petróleo ou de diamantes, enviadas pelo Ocidente que é onde elas se fabricam. Aliás, se Omar al-Bashir ou Thomas Lubanga, por exemplo, não existissem teriam de ser “fabricados” para que a indústria de armamento, que não é africana, pudesse continuar a ter lucros fabulosos.
      O TPI considerou que Theoneste Bagosora foi o principal instigador do genocídio ruandês que, em 100 dias, vitimou mais de 800.000 pessoas. E, enquanto o TPI se entretém a fazer esta justiça (sem dúvida importante), outros genocídios continuam a acontecer, sem que se tomem medidas profilácticas.
      Por cada genocídio que acabe, outro tem necessariamente de nascer. É disso, ou também disso, que vivem os países mais ricos do mundo. Com a diferença de que os criminosos dão a cara, enquanto os instigadores e municiadores se acobardam nos areópagos da alta política ocidental.
      Outros dois oficiais do exército ruandês foram condenados à mesma pena, igualmente por genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade. “O tribunal condena Bagosora, Aloys Ntabakuze, Anatole Nsengiyumva a prisão perpétua”, afirmou na altura o presidente norueguês do tribunal, Erik Mose.
      E então os outros? Os europeus, os norte-americanos e os russos não deveriam também ser condenados?
      Foi feita justiça? Foi, com certeza. E, portanto, todos podem dormir descansados até aos próximos julgamentos. É que, com tanta hipocrisia internacional, não vão faltar casos para julgar e – é claro – milhões de vítimas para somar ao rol dos que não contam para nada.
      De acordo com a acusação, Bogosora anunciou em 1993, ao fechar a porta a negociações com os rebeldes tutsis da Frente Patriótica ruandesa, que ia regressar ao país para “preparar o apocalipse”, ou seja, o genocídio.
      Hoje todos sabem que há outros generais a “preparar o apocalipse” mas, apesar disso, estão caladinhos. Lá vão vendendo as armas, trazendo petróleo e diamantes e depois reclamam justiça e decretam umas prisões perpétuas.
      Enquanto existir carne negra para morrer e riquezas para roubar, os países ditos civilizados lá estarão prontos para vender arsenais em nome da… justiça.
      Folha 8 com DW

      Total de visualizações de página