Djemberém é um blog que aborda temas de carácter social, cultural e educativo; colabore com os seus arquivos, imagens, vídeos, para divulgação. O objectivo principal de sua criação é de divulgar informações privilegiadas sobre a África e o seu povo, assim como outras notícias interessantes. Envie para - vsamuel2003@gmail.com
Postagem em destaque
Parceria para o Governo Aberto: O Benim prepara o seu primeiro Plano de Acção Nacional.
NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... Como membro da Parceria para o Governo Aberto (OGP) desde janeiro de...
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Acordo sobre um roteiro entre Kinshasa e o M23: Pequenos passos para a paz?
NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...
Sob os auspícios da Suíça e a pedido dos facilitadores Qatar e Estados Unidos, foram realizadas negociações entre 17 e 21 de agosto em Montreux, na Suíça, entre o governo da República Democrática do Congo (RDC) e os rebeldes do M23. Estas negociações fazem parte da implementação do Processo de Doha, lançado em outubro de 2025, e visam encontrar um terreno comum para a reconciliação e o regresso de uma paz duradoura à RDC, onde as partes em conflito permanecem firmemente entrincheiradas, sem uma solução credível para a crise à vista.
Estas negociações em Montreux representam um passo significativo na busca da paz na RDC.
Estas negociações também aumentam as esperanças, tanto mais que, segundo a diplomacia suíça — cuja participação, juntamente com os esforços de mediação do Togo e da União Africana, ambos intervenientes nestas negociações, merece reconhecimento — as partes acordaram um roteiro para a continuação das negociações. Estaremos, então, a caminhar, ainda que lentamente, para a paz na RDC? Esta questão torna-se ainda mais pertinente dado que, nesta crise intercongolesa, tudo indica que a sinceridade é o elemento que mais falta entre as partes em conflito, que permanecem em desacordo, acusando-se mutuamente pelas diversas violações da trégua que deveriam respeitar, de acordo com os acordos de paz assinados em outubro de 2025 em Doha, no Qatar. Não obstante, na sequência destas discussões realizadas na Suíça, foi agendada uma missão de avaliação e verificação do cessar-fogo para 24 de agosto nas terras altas de Kivu do Sul. Esta região é conhecida por ser uma das mais perigosas do leste da RDC, onde, em meio a tensões intercomunitárias e confrontos armados, as acusações mútuas de violações dos compromissos são frequentes. Isto sublinha o progresso significativo alcançado na busca da paz na RDC em Montreux. É já um passo positivo que as partes tenham concordado em reunir-se e chegar a acordo sobre um roteiro que ofereça perspetivas para o sucesso destas negociações de paz. Contudo, o caminho a percorrer continua longo e repleto de obstáculos. Assumir compromissos é uma coisa; ser capaz de os honrar é outra bem diferente. E é aqui que os protagonistas estão sob intenso escrutínio por parte de observadores e parceiros internacionais, que multiplicam as suas iniciativas com o objectivo de aproximar as facções congolesas em guerra. Para além das discussões, os riscos são ainda maiores, pois passam pelo estabelecimento de um clima de confiança em torno do cessar-fogo acordado nos Acordos de Doha, cuja implementação enfrenta dificuldades no terreno. Em suma, ainda há muito trabalho a ser feito.
Com empenho e vontade, o diálogo pode mudar a dinâmica deste conflito fratricida.
A abordagem que levou a este acordo sobre um guião comum é ainda mais louvável por ser uma prova tangível de que, com empenho e vontade, o diálogo pode mudar a dinâmica deste conflito fratricida que se arrasta há quase cinco anos. Este conflito tem devastado o leste da RDC desde que o M23 voltou a pegar em armas em Novembro de 2021 contra o governo de Kinshasa. A questão que se coloca, no entanto, é se os protagonistas estão genuinamente empenhados no processo ou se estão a ser pressionados pelos mediadores. Esta distinção é ainda mais importante dado que este conflito no leste da RDC está longe de revelar todas as suas causas subjacentes. Quando não são os rebeldes do M23 a fazer exigências maximalistas, é Kinshasa que parece estar a protelar, secretamente à espera de obter alguma vantagem, para grande desgosto dos rebeldes apoiados pelo vizinho Ruanda. Entretanto, é o povo congolês empobrecido que está a pagar o alto preço de uma guerra que não pediu. E está longe de poder beneficiar dos imensos recursos naturais que são objecto de tanta cobiça e que parecem ser a ruína deste vasto país da África Central, assolado por uma guerra interminável há mais de três décadas.
"Le Pays"
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Seu comentário é sempre bem vindo desde que contribua para melhorar este trabalho que é de todos nós.
Um abraço!
Samuel