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domingo, 4 de outubro de 2026
Ex-Presidente defende papel das Forças Especiais e apela à reconciliação nacional.
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O antigo Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, rejeitou as acusações de que as Forças Especiais de Defesa e Segurança tenham sido criadas para atuar contra a população ou para servir interesses políticos.
Numa publicação consultada por O Democrata, Embaló, atualmente exilado em Marrocos na sequência do golpe de Estado que interrompeu o processo eleitoral de 23 de novembro de 2025, afirmou que a criação daquela força teve como único objetivo a defesa do Estado, da população e da ordem constitucional.
“Em nenhuma circunstância criámos as Forças Especiais de Defesa e Segurança para se voltarem contra o nosso povo ou contra a sociedade guineense”, escreveu.
O antigo Chefe de Estado sustenta que a missão das Forças Especiais estava orientada para a prevenção de ameaças à segurança nacional e para a proteção do bem-estar coletivo, rejeitando as narrativas que, segundo afirma, procuram associar a estrutura a ações contra cidadãos.
De acordo com Embaló, algumas declarações difundidas por antigos opositores políticos contribuem para aumentar as tensões e a divisão na sociedade guineense. Por essa razão, apelou ao sentido de responsabilidade, à moderação e ao respeito mútuo entre os diferentes atores políticos.
Segundo o ex-Presidente, a força especial acabou por se transformar numa parte do problema político e, consequentemente, foi afastada das responsabilidades que lhe estavam atribuídas pelo Estado.
“Ainda assim, por amor à Guiné-Bissau e pelo bem-estar do nosso povo, optámos pela serenidade, evitando qualquer palavra ou atitude que pudesse contribuir para a instabilidade, a divisão ou a turbulência social”, afirmou.
Embalo recordou que deixou o país na expectativa de que as autoridades competentes esclarecessem as causas e as responsabilidades associadas à crise política. Contudo, manifestou preocupação com aquilo que considera serem tentativas de atingir pessoas a si próximas e de desvalorizar realizações alcançadas durante o seu mandato.
“Se servir o povo, trabalhar pelo desenvolvimento nacional e procurar retirar a Guiné-Bissau das dificuldades forem considerados erros, então aceitaremos ser julgados pela História por essas escolhas”, declarou.
O antigo Presidente defendeu, no entanto, que, caso as suas políticas tenham contribuído para o desenvolvimento do país e para a melhoria das condições de vida da população, deverão ser avaliadas e reconhecidas com justiça.
Ao longo da mensagem, reiterou vários apelos à tolerância, à serenidade e ao respeito pela ordem social, sublinhando que os guineenses devem colocar o interesse nacional acima das divergências políticas.
“Somos todos guineenses e estamos condenados a viver juntos. Por isso, devemos colocar a paz, a estabilidade, a reconciliação nacional e o interesse da Guiné-Bissau acima das nossas diferenças políticas”, escreveu.
Dirigindo-se aos seus apoiantes, Embaló pediu contenção e aconselhou-os a evitarem qualquer comportamento suscetível de comprometer a paz, a tranquilidade e a segurança do país. Defendeu ainda que as novas autoridades devem poder exercer as suas funções com serenidade, permitindo que a população forme livremente a sua avaliação sobre a atual conjuntura política.
Por fim, afirmou que continuará apostado na reorganização e fortalecimento da sua base política, privilegiando a mobilização cívica e a preparação para futuras disputas eleitorais através dos meios democráticos e no respeito pelas instituições.
“Estamos perante uma nova etapa da nossa democracia. Não podemos desperdiçar tempo nem energia com provocações, conflitos ou situações alheias ao verdadeiro interesse nacional”, concluiu.
fonte: odemocratagb.com
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Samuel