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PRESIDENCIAL NO SENEGAL: Macky Sall tranquiliza mas não convence.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... Tal como prometido durante o diálogo nacional realizado nos dias 26 ...

quinta-feira, 21 de março de 2013

Angola: Alexandrina Batalha ‘Ambiente é questão de sobrevivência da geografia humana e política do continente africano’

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Como é que se faz carreira na área da administração hospitalar em Portugal? Fale-me um pouco da sua história.
Fazer esta carreira na administração hospitalar em Portugal não é fácil para uma mulher africana, aliás, acho que sou a única africana que é administradora hospitalar. Sou administradora hospitalar de concurso, por curso, fiz uma formação académica, fiz uma especialização na Escola nacional de Saúde Pública, que pertence à Universidade Nova de Lisboa. Fui escolhida pelo professor Queiroz e Melo, que na altura era o director do Hospital de Santa Cruz, um hospital de elite, um hospital em que… eu achava que tinha hipóteses porque acreditava em mim, mas uma hipótese remota porque usava umas tranças tipo africanas… o professor Queiroz e Melo, a esposa do Dr. Lobo Antunes, Dr. Dias Costa… lá fui. Aliás, quando concorri à administração hospitalar, várias provas… e eu pensei: isso é tão elitista, não tenho cunhas, isto é para uma camada social à qual eu não pertenço, porque não tinha protecção do pai nem da mãe, nem de primo nem de ninguém, era eu e as minhas circunstâncias e pensei: não me querem. Um dia telefonaram-me para iniciar o curso. Lá fui.
Quando fui concorrer para o hospital Sta. Cruz fui entrevistada. No dia seguinte o senhor Queiroz e Melo, nas escadas, diz: quero-a cá amanhã.
Eu ainda disse que não podia, só daí a um ano, porque ainda queria fazer um curso que me vinculasse à função pública. E um ano depois voltei. Fiz amigos maravilhosos. Tive a sorte de começar num hospital de elite, numa grande equipa. Ainda hoje é o meu hospital do coração. Há dias fui lá e o pessoal lembrava-se que o quadro esteve dezassete anos parado e fui eu que consegui com que trabalhadores entrassem para o quadro de forma administrativa… tive a felicidade de trabalhar com o Prof. Jacinto Simões, que fez o primeiro transplante de coração em Portugal, o Professor Seabra Gomes… trabalhei com a nata da saúde em Portugal. O que me deu uma confiança muito grande e, afinal de contas, não tinha nada com o ser africana. Mas nós, sendo africanos, sendo imigrantes, temos de ser muito, muito, mas muito empenhados.

Então o sucesso cobra mais trabalho de um africano?

Eu costumo dar um exemplo que é o seguinte: Portugal é um país onde não se vê muitos africanos nos bancos, na televisão… ainda não se vê muitos africanos em lugares de destaque, penso que existe apenas um deputado, do CDS, africano, enfim, apesar de ter estado quinhentos anos em África, nós, os africanos, cá, não temos protagonismo, ao contrário daquilo que está a acontecer em Angola, em que os portugueses têm grande protagonismo, quer na economia, quer, de forma mitigada, politicamente…

Mas perdeu também o protagonismo em Angola?

Um dia, estava a trabalhar já no Hospital Sta. Maria, como administradora da área materno-infantil, um dia, ao ver a televisão, com imagens de guerra no meu país, vi, no Kuito, aquelas imagens horríveis e pensava: eu sou uma felizarda, não estou doente, estudei, aprendi, então vou fazer qualquer coisa. Criei uma ONGD (Organização Não Governamental para o desenvolvimento), fiz um projecto, fui à embaixada, tive a felicidade de encontrar os nossos irmãos receptivos, mesmo não conhecendo ninguém… convidei o Dr. Rui Xavier, da embaixada, a conhecer o meu serviço, ele achou piada, tudo limpo, e eu tratava as pessoas com muito carinho, porque acho que é assim que se deve tratar as pessoas… e o meu projecto foi enviado ao Conselho Científico da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto, que o aprovou. Com pessoal dos hospitais da Estefânia, Sta. Cruz, S.
José, etc. lá fomos nós dar uma formação na área da Medicina Transfusional, porque achava que o problema do SIDA, das doenças ligadas ao sangue, eram problemas muito graves. Fomos dar o nosso contributo. Na ocasião, comprei cinco cadeiras de rodas que levei ao Bié. Falei com o governador Amaro Tati, ele achou piada e lá fui eu.
Num encontro com uma comunidade, estava uma mulher sem as duas pernas, tinha-as perdido numa mina.
Peguei nela, sentei-a numa cadeira de rodas, e ela disse: agora já posso arranjar o meu namorado, o meu negócio…

Transformou-lhe a vida…

Transformei-lhe a vida. Fiquei felicíssima, porque foi uma coisa pequenina, mas dei o meu contributo para o meu país.

Para a administração hospitalar é preciso uma formação específica, no nosso país, a maioria dos dirigentes hospitalares são médicos de “produção”, que olham mais para o doente que para a gestão. Quando se encontram pode haver choques?

Tem de haver uma postura de inclusão. Os médicos estão na área produtiva, eu estou na área organizativa, tem de haver noção de que fazemos parte da mesma família, do mesmo interesse, do mesmo projecto. Por incrível que pareça, os meus amigos na saúde são quase todos médicos e fico muito feliz quando, como aconteceu há dias no Sta. Cruz, encontro o director dos serviços de cirurgia que diz: a Dra. Alexandrina foi uma brilhante administradora neste hospital . Eu não gosto de conflitualidade. Tento envolver as pessoas nos projecto, nunca numa forma impositiva… respeitando os mais velhos, como se faz na minha terra… Esta filosofia de proximidade e fazendo perceber que na gestão de um hospital todos somos importantes. Os recursos humanos, os equipamentos, as infraestruturas, têm de ter um retorno, tal como numa fábrica de salsichas, o produto final tem de beneficiar o cliente, neste caso o utente, o doente. Esta perspectiva permite um olhar na horizontal, nada de vertical, com o eu sou chefe e tal.
Eu tenho de acarinhar os empregados de base, porque são eles que dão a sopa ao doente, por exemplo. Eles é que mantêm o hospital limpo. E isso vai com o pessoal administrativo, com os técnicos, etc.. É a minha forma de fazer gestão hospitalar.
Há outros aspectos com influência clínica, como o projecto que criei no Sta. Maria que dizia que o acompanhante é um utente. Quando as senhoras vão ter os seus bebés, quem as acompanha está numa ansiedade muito grande, naturalmente. Nos últimos trinta anos o Sta. Maria recebia os acompanhantes cá fora, numa cadeira num vão de escada. Eu inverti as coisas, os acompanhantes ficavam numa sala, bem instalado e a mulher, quando fosse à sala de parto dizia se queria o marido por perto ou não.
Gerir hospitais requer amor, pensar nos profissionais, pensar nos utentes, pensar no dinheiro que é do Estado…

Há alguma ordem para se pensar primeiro no utente ou no profissional para garantir um bom serviço? Primeiro pensa-se no utente, e todos os profissionais são levados para esta missão, vamos todos em cadeia, cada um dando o seu contributo para que o utente como pessoa humana seja bem servido. A política de qualquer Estado passa por satisfazer as suas populações e como sabemos que os recursos são escassos temos de os gerir bem. Eu não posso comprar um equipamento muito dispendioso sem fazer as contas para saber quantos utentes ele irá beneficiar, tal como não posso construir infraestruturas sem ter consciência se tenho recursos humanos para as utilizar ou aos equipamentos que lá serão colocados.
Não se pode fazer gestão por vaidade ou modismos, o retorno tem de ser para a comunidade, não vale a pena a minha vaidade, que vai diluir-se com o tempo. Eu tive a sorte de ter feito um estágio na Clínica Mayo, um dos melhores hospitais do mundo, nos Estado Unidos da América, em Rochester, onde eu aprendi imenso, sobretudo a simplicidade dos dirigentes, nada de eu estou cá em cima e os mortais lá em baixo… somos todos importantes para dirigir uma clínica, quer seja em cuidados primários, quer nos cuidados continuados, que seja num centro de saúde, que seja num hospital, nós precisamos muito uns dos outros e, sobretudo, precisamos do poder local.
Porque as políticas são implementadas com a aceitação de toda a comunidade, que pode perceber que, muitas vezes, fechar uma maternidade, por exemplo, pode ser impopular mas necessário.
‘Temos a obrigação de criar um stock de saúde’

Não é contraditório?

Isso tem a ver com o stock de saúde, nós temos a obrigação de criar um stock de saúde, cada vez mais saudáveis. Porque temos de ter comportamentos saudáveis, ambientes saudáveis…

Portanto a administração hospitalar não se confina ao espaço hospital, pode ter influência no meio?

Se eu tiver stockes de saúde baixos não adianta ter muitos hospitais, muitas infraestruturas, adianta ter, quer a montante, quer a jusante, condições de saneamento básico, água potável, diminuição da pobreza. Estes são os índices de desenvolvimento humano que compõem o stock de saúde.

E o ambiente… pesa?

E o ambiente entra aqui de uma forma perfeitamente prioritária. Eu posso ter muito bons hospitais, mas se a minha população não tiver água potável não vale a pena, vou ter gente doente. Posso ter bons hospitais, mas se tiver uma população analfabeta eu continuo na mesma. Posso ter um muito bom hospital, mas se a população não tiver hábitos de sanitarismo continuamos doentes. Posso ter bons hospitais, mas se tiver lagoas a céu aberto e lá proliferar a anófeles eu continuo a gastar dinheiro com infraestruturas mas não estou a tratar daquilo que é essencial.
O essencial é criar condições para que as pessoas sejam saudáveis, para que o stock de saúde seja crescente e não vá diminuindo.
Veja que a esperança média de vida dos africanos anda pelos cinquenta e poucos anos, os europeus já estão nos oitenta e cinco a noventa anos. Temos uma perda de trinta anos. Temos de recuperar estes trinta anos.

Esta diferença resolve-se agindo concretamente no ambiente, na melhoria da assistência médica, ou na medicina preventiva?

Estão interligados, mas está muito focalizado no ambiente, porque não há medicina preventiva com águas paradas onde prolifera o dengue, onde prolifera a malária. Não há medicina preventiva quando temos crianças a tomar banho em rios, em ribeiras, em fossas, em lagoas infectadas. Há todo um processo ambiental que vai levar a condições mais saudáveis. Depois as condições ambientais, de forma interligada, levam à saúde, à medicina preventiva.
Quando falamos de países em desenvolvimento, como nós, com doenças endémicas, estarmos a fazer uma aposta em medicina muito especializada, cuidados de saúde com grande tecnologias é salutar, mas, quanto a mim, os cuidados primários, os preventivos, são a prioridade, ou estamos tapar o sol com a peneira. Estamos numa verdadeira fogueira de vaidades. É muito bonito falar de medicina nuclear, mas quando eu tenho ao lado crianças a morrer de malária porque tenho fossas abertas, porque não tenho água potável, porque o ambiente não é saudável. Logo, estamos a delapidar o nosso stock de saúde. Porque todas estas doenças infecto-contagiosas, o SIDA, tuberculose, doenças oportunistas, estão a delapidar o nosso stock de saúde colectivo. E as sequelas irão manter-se por muitas dezenas de anos. Portanto, o investimento tem de ser feito não a pensar que estamos a diminuir hoje, que estamos a resolver, o que temos é de saber que estão a ficar muitas sequelas para as gerações futuras. Mesmo controlando a transmissão vertical do VIH, mãe para filho, mesmo assim há outras sequelas que vão ficar.
Ainda que diminuamos a prevalência ou a incidência o problema não está resolvido se persistir a malnutrição, se não tivermos água potável, se continuarmos sem saneamento básico.

Vamos falar dos resíduos hospitalares, é assunto de saúde pública, administrativo, ou é para a gestão hospitalar?

É uma questão de saúde pública mas também uma questão hospitalar e de saúde ambiental. Tem de existir um quadro jurídico muito coeso, muito integrado e, sobretudo para nós, africanos, que temos um continente de risco, temos de perceber que o prioritário é salvar as nossas comunidades, a nossa população, o nosso continente. Não podemos estar a degladiarmo-nos à procura de protagonismo.
O problema dos resíduos tóxicos, hospitalares, há regulamentos como os que existem na Europa e em todo o mundo ocidental, até mesmo na Ásia meridional, há regulamentos que têm de ser aplicados pelas unidades de saúde e aos níveis local e global. O ambiente tem de ter uma interacção muito grande com os outros ministérios, ou com os outros departamentos, ou com outros sectores, o que não é muito difícil.
Independentemente das nossas orientações ideológicas, todos nós queremos o melhor para a nossa Pátria e se queremos o melhor para a nossa Pátria, quando as coisas são entendidas, explicadas que o fim último é o benefício para todos, Angola, obviamente que não devemos perder tempo e saber quem vai liderar, quem vai ter protagonismo,
Ambiente é questão de soberania
E digo mais: é uma questão de sobrevivência da geografia humana e política do continente africano. O novo paradigma subsaariano passa pela conservação do ambiente, nós não podemos tapar o sol com a peneira, nem nos podemos enganar. As geografias humana e política da África subsaariana estão dependentes do ambiente.

É uma questão de soberania?

É uma questão de soberania.
E digo mais: é uma questão de sobrevivência da geografia humana e política do continente africano. O novo paradigma subsaariano passa pela conservação do ambiente, nós não podemos tapar o sol com a peneira, nem nos podemos enganar.
As geografias humana e política da África subsaariana estão dependentes do ambiente.
Absolutamente prioritário, portanto?
Absolutamente prioritário. É convicção minha. A sobrevivência do nosso continente passa pelas políticas ambientais.

Porquê?
Os Estados Unidos, que não subscreveram Kioto, têm agora numa das prioridades do Presidente Obama o ambiente, porque o ambiente é já uma ameaça global. O ambiente e a saúde são já bens comuns a toda a humanidade, sem fronteiras.
Quando bens comuns são postos em causa temos um problema global que tem de ser gerido de acordo com as directrizes globais que se adaptam em cada um dos países, em cada uma das regiões. Temos contextos políticos, sociais, culturais, antropológicos muito específicos, portanto, vamos adaptar as experiências produtivas ou profícuas de outros continentes. Em África, entendo que isto é muito sério e ligado à nossa sobrevivência. Veja-se o que acontece na África Oriental, com as secas, com as enchentes. Olhando para o Sudão sabemos que a África se está a transformar na lixeira dos países ricos, temos que ter cuidados e preservar o nosso continente, não só das mudanças climáticas, mas também com as inclusões que estamos a suportar dos países ricos. Se copiarmos modelos habitacionais, se copiarmos modelos alimentares, e vejo os nossos jovens a comer muitos hambúrgueres que depois derivam, e diabetes, obesidade, etc., tudo isso tem a ver com questões ambientais. Temos de nos defender sensibilizando os jovens e crianças que não temos de copiar modelos que são modelos, na verdade, de subdesenvolvimento. Para os outros já está provado que é mau. Porque que temos de viver como que em capoeiras? Naqueles prédios tão altos… estamos a copiar um modelo…

Lá vamos nós gastar mais energia e viver confinados

Isso tem a ver também com a nossa saúde mental. Há estudos específicos sobre isso, há países a demolir arranha-céus. Nós temos a tendência de copiar tudo o que vem do ocidente como se fossem modelos bons, isso não é sinal de desenvolvimento. Nós queremos ser uma potência emergente e estar entre os estados directores em África, temos de encontrar políticas que permitam que sejamos respeitados no sistema internacional. E não seremos respeitados a copiar o mal que os outros fizeram, seremos respeitados se fizermos bem aquilo que os outros fizeram mal.

Então um Estado com uma política e com uma prática ambiental boas é um Estado forte?
É um Estado forte. Kleine diz que população é poder. Se não tivermos massa crítica somos pobres. Só temos capacidade de intervenção na política internacional se tivermos população. Mas se temos maus índices de desenvolvimento humano, com taxas de mortalidade infaltuil elevadas, com muitas mortes no parto… todos os indicadores que nos envergonham, mesmo que eles estejam a ser corrigidos, isso leva algum tempo… quem é que nos vai querer com assento no Conselho de Segurança permanente das Nações Unidas com esses indicadores?

Interessa termos um exército forte, a economia a crescer?

Pode ser, mas para sermos respeitados não devemos apresentar-nos com crianças a morrer de cólera, de diarreias, com problemas respiratórios de fácil tratamento. São doenças antropogénicas, reversíveis, que dependem única e simplesmente da vontade do homem. Vou citar uma endemia circunscrita ao continente africano, a tripanossomíase, considerada uma doença negligenciada.
Se os europeus e os americanos não têm a doença do sono, porque irão eles fazer investimentos para tratar esta doença? Se para eles o que interessa de África são as matériasprimas? Nós, os africanos, temos de começar a investir na investigação para colmatar as nossas falhas, que estão agarradas à dependência económica, que está ligada ao conhecimento e à tecnologia, temos de começar a lidar, nós próprios, com as epidemias que estão circunscritas ao nosso continente.
Temos, então, o comportamento e o avanço científico como problemas, tudo uma questão de atitude?
Temos de trabalhar para a paz, lado a lado, porque o avanço científico obriga a recursos humanos especializados. Nós estamos numa dependência, quanto a mim bastante psicológica, porque nós temos quadros muito bons, somos um povo inteligente, vigoroso, que acredita, que tem um sonho… é só preciso agarrar e dar as condições necessárias. Eu acredito no povo angolano, podemos trabalhar, investigar e avançar. Somos um povo unido, temos a nossa angolanidade, temos orgulho nisso, temos potencialidades e virtudes que devemos acarinhar. Os outros não são mais que nós. Temos de investir nas universidades, com professores angolanos, para que a nossa cultura seja transmitida, porque continuamos a beber dos livros escritos no Ocidente, de professores do Ocidente, então, as nossas elites, obviamente que terão práticas do Ocidente. São evidências.

Ambiente é cultura também?

É cultura, que deve ser transmitida desde as cadeiras da escola, nas universidades, pelas autoridades tradicionais, pelas nossas zungueiras… é preciso saber que com ambiente saudável a vida dura.

Fala da zungueira, mas para ela é importante encher a barriga e pensar no ambiente depois...

Se encher a barriga de hambúrguer não está a fazer bem. Se temos tantos produtos bons, como a mandiocas… e há a questão das culturas, do que cultivar e comer, para as mamãs e para os bebés. O orgulho de sermos africanos, o orgulho nos nossos produtos… quando vou à Ilha pergunto sempre onde está a mandioca frita ou assada, para picar … os donos lá dizem, porque nem são angolanos: nós cá não temos estas coisas! E eu digo que deveriam ter. Se vou a Espanha tenho as tapas, em Portugal tenho o choco frito, etc. Nos nossos restaurantes não há um kitute angolano, que brincadeira é essa? Aparentemente é uma questão comercial, mas não é, é uma questão ambiental de cultura, porque quando interiorizarmos que a nossa mandioca é boa para a nossa alimentação nós vamos cultivar mais mandioca, vamos dar mais banana aos nossos filhos, as nossas frutas. E o próprio agricultor não se vai ver infestado com culturas com mutações genéticas, etc. posso ser uma sonhadora, mas o meu sonho é o sonho de todos os africanos.
O nosso continente afirmado, é a única forma de sermos respeitados.
Veja que Portugal não tem um único apresentador, ou locutor africano (negro) na televisão, não tem. São factos. E porquê?
Porque nós não temos ainda um lugar de peso no sistema mundial. Parece desfasado, mas está tudo incluído.

Porque fala de ambiente de saúde e não de saúde e ambiente?

Porque o ambiente atinge todos os sectores, e a saúde faz parte da condição saudável que irá beneficiar a nossa população.

Os médicos queixam-se de receber as consequências de outros problemas. Como é que eles e os gestores hospitalares podem influenciar a gestão ambiental para não receber mais gente com malária, por exemplo, que ele não quer?
Recebe gente com malária, explica ao doente infectado as causas.
Pode-se até ter folhetos dentro da instituição. Basta mostrar uns slides sobre como actua o mosquito a uma pessoa que tem malária… se perceber como é que mosquito actua e o deixa naquele estado, de certeza que o seu registo mental vai levá-lo a ter mais cuidado com os mosquito e com as fontes que alimentam o vector. Se as pessoas não perceberem que elas próprias contribuem para a sua doença não se tornam responsáveis. Essa ligação deve ser feita dentro da unidade de saúde.
Deve-se explicar-lhe como é que o seu comportamento influencia o seu estado de saúde. Há uma grande ignorância sanitária, temos a obrigação de explicar, com humildade e com amor. É a melhor forma de medicina preventiva, esta ligação entre o funcionário de saúde, o posto de atendimento, o doente e o ambiente.
Os postos de ambiente devem incorporar uma função pedagógica.

E o vigilante sanitário?
Isso funcionou no outro tempo, deve haver um acompanhamento e participação da comunidade. Nada de julgamento. As medidas não devem ser coercivas. Deve haver medidas de coacção. Com mecanismos que levem as mulheres à consulta, aos testes, etc. porque se o não fizer depois tem dificuldades para marcar o parto, para ter lugar e acompanhamento, etc.
José Kaliengue, em Lisboa

fonte: opais.net

O ex-ministro da Educação anunciou ao PDS sua fidelidade ao Presidente: O protocolo Kalidou-Macky - Ele disse que recebeu a bênção de Wade - A escolha do portfolio 1 e 2 postos de ministro conselheiro.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...



Macky Sall decidiu convencer Diallo Kalidou a participar de sua equipe, oferecendo uma gama de posições. Depois de uma primeira recusa de "educado" por motivos de saúde, o ex-ministro da Educação formalizou sua fidelidade em sua base para o presidente e seus companheiros do PDS.
Isto não é uma brincadeira. Kalidou Diallo, último Ministro da Educação e defensor ferrenho do liberal e da Geração de concreto, vai se juntar ao Presidente da República para trazer sua expertise e experiência no campo da educação. Sua comitiva confirmou a informação revelada
ontem pelo jornal diário Rewmi, mas também tendo uma precisão semântica e de suma importância. "Eu não migrei para a Aliança da República, mas eu respondi à chamada do Chefe de Estado", explicou o ex-ministro da Educação, cuja entrada no estabelecimento presidencial foi quase que eminente. Ele fez estas confidências ao Partido Democrático Senegalês (PDS) em uma reunião solene e também a seus ativistas Fouta onde vai formalizar "o acordo alcançado" com Macky Sall.Em Matam, a silhueta do antigo sindicalista deve fazer parte do Conselho de decoro dos Ministros descentralizados em uma região onde as apostas são da rivalidade política e eleitoral enorme entre os ex-chefes liberais, que se juntaram ao presidencial. Por agora, Kalidou Diallo consegue deslizar entre as contradições de um retorno bem sucedido.Em qualquer caso, ele explicou todos os contornos de seu novo compromisso para com o ex-chefe de Estado que deu sua "benção" e "autorização" para ir se juntar ao presidente para "o bom interesse do Senegal ".Zeloso e defensor do filho do Chefe de Ministro de Estado, da Educação e métodos controversos considerados marciais dos seus colegas da  ex-União, Kalidou Diallo concordou em participar do campo presidencial após insistência constantemente renovada pelo Chefe de Estado . Apesar de greves repetidas e clima social tenso e de trabalho, ele manteve uma certa reputação entre os doadores graças ao seu conhecimento escolar "fino" e questões educacionais. Ultimamente, Macky Sall especialmente acelerou o processo de fazê-lo chegar em sua comitiva por confiar em sua experiência. Ele tem um relacionamento com Macky Sall que não é pesado e para baixo pelos encargos de protocolo pela presença ou muitas vezes por "intermediários incômodos".Em "contato constante", os dois homens encontraram também um memorando de entendimento para realizar suas vontades de trabalhar em conjunto. Depois de uma "recusa" inicial por razões de saúde, Kalidou Diallo finalmente aceitou os termos do acordo que o trouxe de volta ao governo depois de garantias do Chefe de Estado. Porque o presidente ofereceu-lhe o cargo de Ministro Conselheiro para a reforma e modernização de Daara ou considerado como o de línguas nacionais e alfabetização. Por último, mas não menos importante, Kalidou Diallo poderia encontrar o seu último amor, se a situação atual da escola persistir na direção desejada pela autoridade suprema. De acordo com a sua comitiva, este item é prometido se o corpo docente continua a ampliar seus ataques, quando ele não tinha conseguido restabelecer a calma em educação no ano passado. Em outras palavras, esta promessa significa que Serigne Mbaye Thiam continua suspenso, se não puder reduzir a ameaça da escola o "mais breve possível".

bsakho@lequotidien.sn


fonte: lequotidien.sn


Angola: Romper o preconceito ao volante de um táxi.

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As mulheres que abraçam a profissão de taxista são admiradas pela coragem de enfrentar o preconceito e fazem o trabalho com prazer.
Fotografia: Eduardo Pedro



O serviço de táxi individual em Luanda, como em qualquer parte do mundo, é, na sua maioria, realizado por homens. As mulheres que abraçam esta profissão, por opção ou contingência, são geralmente admiradas pela coragem de enfrentar o preconceito e pela habilidade para realizar tarefas que exigem esforço físico, como trocar um pneu ou fazer manobras. Para elas, no entanto, trata-se de uma actividade que desempenham com prazer e muita paciência.
Francisca Sebastião, de 45 anos, começou a trabalhar como motorista em Portugal, onde viveu durante dez anos. De regresso ao país, em 2006, trouxe consigo uma Toyota Hiace para continuar a actividade, que lhe dá sustento e muito prazer. “Gosto de conduzir. Ajuda-me a relaxar. É um trabalho divertido”, referiu.
Durante ano e meio, trabalhou como motorista de candongueiro em várias rotas da cidade de Luanda, entre as 5h00 e as 19h00. “Mas, durante o tempo em que prestei trabalho de táxi com o meu carro, fui forçada, muitas vezes, a ser mal-educada com alguns clientes pelo mau comportamento deles”. Estas situações, aliadas à vontade de ter mais tempo para se dedicar à família, levaram-na a arranjar um motorista e a suspender a actividade. No entanto, não gostou do trabalho dele, nem dos outros que vieram a seguir, por não cuidarem bem da viatura. Acabou por decidir vendê-la e fazer uma pausa, enquanto ponderava que rumo dar à vida.
Passado um tempo, soube que a empresa Afritáxi tinha vagas para motoristas e candidatou-se. Foi seleccionada, e três meses depois, em Agosto de 2010, começou a trabalhar. Devido à sua longa experiência, não teve dificuldade em se adaptar. Já sabia trabalhar com o taxímetro e ser cordial com os clientes.
“Geralmente fazem elogios, incentivam-nos a continuar e até há quem prefira ser transportado por mulheres. Dizem que somos mais prudentes”, explicou, para acrescentar que na empresa onde trabalha há 13 mulheres motoristas.
Francisca trabalha das 15h00 às 22h00 e tem folga uma vez por semana. Prefere este horário, porque lhe permite aproveitar a manhã para os afazeres domésticos. O marido e os filhos aceitam e apoiam a sua actividade, mas ela, apesar de gostar, sempre sonhou com uma outra: ser cozinheira. O gosto por esta profissão é maior do que a de taxista e, enquanto não o concretiza, faz comida por encomenda. Em Portugal, já trabalhava como cozinheira e, nos tempos livres, prestava serviço de táxi. “Faço estes trabalhos com o maior prazer, sem vergonha ou receio de ser discriminada, como acontece com muitas mulheres”. Pela sobrevivência da família, Francisca diz que aceitava trabalhar em qualquer área, desde que digna.
fonte: jornaldeangola

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