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BAMAKO E IYAD ENGAJADOS NA MESMA LUTA CONTRA EIGS NO MALI: Cuidado com o efeito bumerangue!

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... Há poucos dias, foi em Menaka que foi visto ao lado de notáveis ​​tu...

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

PALOP podem esperar "muitos benefícios" da presidência portuguesa da UE.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Em entrevista exclusiva à DW em Berlim, o ministro português dos Negócios Estrangeiros falou sobre agenda à frente da União Europeia, em 2021, das relações bilaterais com Moçambique e Angola e do racismo em Portugal.


O ministro português dos Negócios estrangeiros, Augusto Santos Silva, esteve em Berlim nesta terça-feira (24.11) a preparar a transição da presidência do Conselho da União Europeia, atualmente ocupada pela Alemanha e que Portugal assume a partir de janeiro próximo.

Na capital alemã, o diplomata reuniu-se com dois de seus homólogos: o alemão Heiko Maas e o esloveno Anže Logar. Em 2021, a Eslovênia sucederá Portugal na presidência da UE.

Santos Silva elogiou a "eficácia" alemã "em condições extremamente difíceis", destacando como "vitória alcançada" a assinatura por todos os estados-membro do acordo para aprovação do próximo orçamento plurianual e do fundo de recuperação económica pós-pandemia, que espera vir a ser ratificado ainda durante a liderança alemã.

Deutschland Berlin | Treffen EU-Außenminister | Maas & Santos Silva

Heiko Maas (à esq.) e Augusto Santos Silva (à dir.)

O ministro Santos Silva explicou ainda que a presidência portuguesa terá foco na ação, porque Portugal estará encarregado de "implementar as decisões que tomamos em 2020". Neste contexto, o pilar social da União Europeia será reforçado para que a transição ecológica e a transição digital "sejam feitas sem deixar ninguém para trás".

Continuidade na agenda comum EU-África

"Mais uma vez, vamos dar continuidade no que é feito este ano", que termina com uma cimeira em Bruxelas, que irá reunir um número de líderes europeus e africanos em dezembro.

"Cooperação no combate à pandemia [da Covid-19]" bem como temas importantes da agenda comum - como "migração, emprego, empoderamento das mulheres, saídas para os jovens, educação e tecnologia" - estarão na pauta.

"A presidência portuguesa vai pôr em prática essa agenda", garante o ministro que afirma ainda que a entrada em vigor do novo acordo de cooperação entre a União Europeia, a África Subsaariana, as Caraíbas e o Pacífico, em 2021, será levada em conta.

"Portugal está numa posição única de facilitar este diálogo europeu-africano", afirma.

fonte: DW África



Falece Diego Armando Maradona, a lenda do fútbol

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A causa da morte, segundo as primeiras informacións, foi un paro cardíaco durante a mañá deste mércores. Numerosos vínculos uníano con Galicia.

O lexendario astro arxentino, Diego Armando Maradona, faleceu este mércores ao sufrir un paro cardiorrespiratorio na casa de Tigre na que estaba instalado nestes últimos tempos. Así avanzou do pasamento o Diario Clarín, que lembra que o ex-xogador de 60 anos de idade fora intervido nunha clínica de Buenos Aires hai unhas semanas por un hematoma no cerebro. 

                                                                      Diego Armando Maradona | Fonte: arquivo

Considerado uma das maiores lendas do futebol mundial, Diego Maradona faleceu nesta quarta-feira.


Atravessando graves problemas de saúde nos últimos dias, encontrando-se hospitalizado desde o início de novembro devido a uma anemia e desidratação, associado a um profundo estado depressivo, Diego Maradona faleceu nesta quarta-feira, tendo sido a morte já confirmada pelo Governo Argentino, que decretou três dias de luto nacional.

Apesar de todos os problemas e vícios onde se viu envolvido ao longo da sua vida, que contribuíram para a degradação da sua vida após abandonar a vida profissional, Diego Maradona ficou mundialmente conhecido pela sua carreira no mundo do futebol, conquistando o Campeonato do Mundo através da Argentina, além de ter feito também parte da equipa do Nápoles, conquistando os melhores resultados da história do clube, a par de outras feitos do futebol mundial.

Diego Maradona tinha 60 anos.

fonte: https://quinto-canal.com/

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

[Série] De Gaulle e a África (2/4): Quando Senghor o chamou de "o pai da independência do Senegal".

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Com a morte do General De Gaulle, falecido na noite de 9 de novembro de 1970, o primeiro Presidente da República do Senegal, Léopold Sédar Senghor, decretou uma semana de luto nacional (ver documento). Como os presidentes Bokassa, Pompidou e Nixon, o poeta presidente expressou sua tristeza nas colunas da edição de 11 de novembro do jornal Le Soleil. Em editorial, L. S. Senghor lamentou o desaparecimento do que considerava "o pai da independência do Senegal". Depois do primeiro episódio de nossa série dedicado à relação ambígua entre De Gaulle e a África, lesoleil.sn oferece a você, na íntegra, o editorial de Senghor.
“Serei breve. Como você, estou cheio de tristeza.
Junto com todos os senegaleses, fiquei arrasado esta manhã quando soube da morte do general De Gaulle. Era como algo não natural, como se sua poderosa vitalidade há muito desafiasse a morte. Com todos os senegaleses, portanto, soube desta morte, como se fosse um cidadão senegalês, um dos responsáveis ​​por este país, ou melhor, um familiar. E aqueles sentimentos que eu estava tendo, que ainda tenho, tenho certeza que todos os senegaleses sentem por mim.
Claro, para um francês, o general De Gaulle é quem salvou a França da provação mais terrível de sua história, ainda mais terrível do que a ocupação do país durante a Guerra dos Cem Anos. Mas, para nós, o general De Gaulle era tanto, senão mais. Porque sem ele não seríamos independentes hoje. 


Foi ele quem nos permitiu finalmente realizar nosso ideal de independência nacional e cooperação amigável com a França.
Não seria extraordinário se fosse só o Senegal, se fosse só a África negra, mas isso é todo o continente, é o terceiro mundo. Com efeito, no rescaldo da Segunda Guerra Mundial, onde fomos usados, na melhor das hipóteses, como meios e não como fins, o General De Gaulle lutou, arriscando várias vezes a vida para defender, especialmente para conseguir , a favor do Terceiro Mundo, ou seja, dois bilhões de pessoas, a ideia de independência nacional para todos: de igualdade entre os povos, grandes e pequenos, desenvolvidos e subdesenvolvidos, em o concerto das nações, que é a melhor forma de conseguir uma cooperação organizada.
Acrescentaria que o general De Gaulle foi um dos mais constantes opositores do racismo, desta moderna doença dos povos. Ele afirmou na conferência de Brazzaville, o espírito anti-racista da França: "pela razão e pelo sentimento". Ele previu, a um governador-geral, que lhe expressou seu medo de ver o sangue africano invadir o sangue francês com a ascensão dos indígenas da África à cidadania, que o futuro estava na miscigenação.
É, pois, natural, senegalês e senegalês, que choremos, hoje, na pessoa do general De Gaulle, com o libertador, o pai e o amigo da nossa independência. Léopold Sédar Senghor ”.

fonte: lesoleil.sn


ANGOLA: PAPAGAIA AMBULANTE

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Alguma daquelas crianças que morreram, devido à fome, no Cunene, Cuando Cubango, Huíla, Bié, Huambo… era filha, filho, neta, neto ou familiar directo da Luísa Damião? Alguma daquelas muitíssimos milhares de crianças que ficaram fora do sistema escolar, por falta de escolas e de professores, é filha, filho, neta, neto ou familiar directo da Luísa Damião?

Por Domingos Kambunji

ALuísa Damião, a vice-presidente do MPLA que dá carinho e solidariedade aos familiares das zungueiras que a polícia do MPLA mata, à semelhança de muitos outros dirigentes do MPLA, está a transformar-se numa caricatura patética demasiado macabra e matumba.

Há quem pense que ficaria mais barato ao Departamento de Informação e Propaganda do Bureau Político do Comité Central do MPLA contratar um papagaio para ecolaliar ambiguidades e falácias do que sustentar a Luísa Damião a vender banha da cobra. Também há quem pense que a Luísa Damião não tem capacidade para pensar porque a única coisa que faz é vomitar verborreias, preparadas pelos sobas da Matilha de Predadores Ladrões de Angola, vulgarmente designada por MPLA. Um papagaio faria o mesmo papel, com um menor custo de manutenção alimentar e em despesas de representação.

Quem tem acompanhado o percurso político da Luísa percebe facilmente que ela é capaz de dizer algo e o seu contrário, nas suas apresentações públicas em defesa da matilha de predadores.

Já era assim no tempo do José Eduardo dos Santos, quando a Luísa ia para os comícios do Partido Comunista de Portugal dizer que a MPLA, o Zécutivo, “estava fortemente empenhado na resolução dos principais problemas da população, em particular na criação de oportunidades para a realização dos sonhos e aspirações da juventude angolana”… Nesse tempo o MPLA estava fortemente empenhado em enriquecer os seus dirigentes através da roubalheira!

Agora, como vice-kapanga da matilha, diz que o Joãocutivo “está fortemente empenhado na resolução dos principais problemas da população, em particular na criação de oportunidades para a realização dos sonhos e aspirações da juventude angolana”…

Quando o João se reformar, devido à grande invalidez que está a demonstrar, a Luísa irá dizer que o próximo MPLAcutivo “estará fortemente empenhado na resolução dos principais problemas da população, em particular na criação de oportunidades para a realização dos sonhos e aspirações da juventude angolana”?

O que os angolanos têm a certeza é de que o Joãocutivo, tal como o Zécutivo, está fortemente empenhado devido ao fiado que andou a pedir no estrangeiro. Não se vislumbra a possibilidade de honrar os compromissos que assumiu sem aumentar a miséria entre os 20 milhões de pobres no nosso país, porque falta o kumbu.

As aberrações são tão gigantescamente estúpidas que, ainda há poucos dias, o Joãocutivo culpava um partido da oposição e deu ordem para espancar e matar jovens por se manifestarem contra a incompetência da governação da Matilha dos Predadores Ladrões de Angola. Passados poucos dias esse tipo de manifestação passou a ser legal e a polícia até protegeu o direito à Liberdade de Expressão de jovens angolanos.

É hora de apresentar queixa em tribunais internacionais, que defendem os direitos humanos a sério, e exigir a responsabilização criminal e civil, a título individual e colectivo, dos membros da Matilha dos Predadores Ladrões de Angola pelas mortes e feridos provocados pela polícia obediente às ordens superiores baixadas pelos membros da matilha. Não adiantará muito apresentar queixa nos tribunais obedientes à matilha porque, ainda há poucos anos, assistimos à condenação a penas de prisão dos 15+2, por se manifestarem contra a corrupção e em defesa da democracia e dos direitos humanos no nosso país.

O Laborinho dos Rebuçados e Chocolates tem dinheiro para pagar essas indemnizações, porque não lhe falta kumbu. Até tem uma filha, segundo dizem, a estudar, não na Universidade Assassino Agostinho Neto, mas numa daquelas universidades muito caras do estrangeiro!…

Esperar discursos inteligentes da Luísa Damião é o mesmo que aguardar que o nosso país abandone rapidamente a posição 156 a nível mundial, em qualidade de vida em geral, graças à governação de Netocutivos, Zécutivos e Joãocutivos, entre os países mais atrasados do mundo, e se aproxime dos primeiros lugares a nível mundial, ocupados pela Dinamarca, Noruega, Suécia, Suíça…

A grande diferença entre esses países e a Re(i)pública da Angola do MPLA está no facto de os dirigentes políticos desses países não terem estado envolvidos directa ou indirectamente na fundação de uma guerra civil, no fuzilamento de muitas dezenas de milhar de cidadãos nacionais e na Acumulação Primária de Riqueza através da roubalheira, como a matilha que nomeou a Luísa Damião para exercer as funções de papagaia.

Nota. Todos os artigos de opinião responsabilizam apenas e só o seu autor, não vinculando o Folha 8.





PRESIDENTE DE ANGOLA: JOÃO LOURENÇO INVERTE PODER DE BOBBIO

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O tempo é um bom conselheiro e, por vezes, o tempo a seu tempo, leva-nos a rememorar, não só princípios como o de “o poder corrompe e o excesso do poder corrompe muito mais”, como a tese de algumas figuras importantes do mundo das ciências e da política mundial, como o italiano Norberto Bobbio, pela ousadia da sua tríade: poder económico, poder ideológico e poder político, em contraste com a tese de Aristóteles e John Locke, defensores do poder paternal; poder despótico; poder político, para o alcance do poder.

Por William Tonet

Ojurisconsulto nascido no coração da Itália, considerou, em pleno século XX, que o eixo tradicional do poder, não descurando as teses anteriores, apresenta novas fórmulas para a sua afirmação, ascensão, manutenção e controlo de um país, inspirando um seu conterrâneo, o empresário Sílvio Berlusconi, a chegar ao poder, fundamentalmente, através da construção de um forte e amplo império económico: clube de futebol, AC Milan, cadeias de televisão, rádio e jornal, todas empresas, com forte influência no pensamento decisório do cidadão/eleitor, que o catapultaram, por várias vezes, ao cadeirão de primeiro-ministro.

Ao que parece, este político terá inspirado, a “contrarium sensu”, João Lourenço, na afirmação do seu poder unipessoal, elegendo a lógica de esvaziamento do capital económico, dos seus antigos companheiros de rota, arrestando-lhes ou confiscando o património imóvel, móvel e financeiro, para, reduzidos a zero, afastarem a veleidade de ousar ou atentarem uma concorrência ao seu consulado.

Tendo os tribunais, magistrados judiciais e do Ministério Público do seu lado, a coragem de ser o primeiro no regime (depois da sociedade civil e dos partidos políticos da oposição) a hastear mais alto, o combate aos crimes contra a corrupção, por falta de outra estratégia começa a ser perniciosa, por, na morte económica de um corrupto do MPLA, mil trabalhadores inocentes irem para o desemprego.

Logo, o que poderia ser uma alavanca para a moralização do agente público, distante das vaidades umbilicais, converteu-se, em três anos, numa âncora perniciosa, que se alimenta da desgraça dos povos, na explícita demonstração de ser impossível regenerar um regime, cujas linhas programáticas jamais se afastarão da abjecta lógica de “os fins justificam os meios”, para a manutenção do poder, logo, indiferentes, ao aumento da pobreza e miséria geral.

Hoje, o cenário de 5, 10, 15 ou 50 corruptos na cadeia, despidos de capital económico e bens patrimoniais, confiscados e a definhar, por falta de capacidade de gestão do raivoso executivo é menos importantes, para o cidadão comum, quando na outra margem, se avoluma um exército com mais de 30 mil desempregados.

A incompetência, ao inverter a tese de Norberto Bobbio, não conseguiu separar as águas, quando poderia fazê-lo, racionalmente, por duas vias:

a) Responsabilização criminal do empresário, face ao comprovado cometimento de ilícitos públicos; peculato, nepotismo, branqueamento de capitais, etc.;

b) Separação das empresas, os empregados e a livre circulação do capital.

Com esta visão, estando o povo carente de comida, poderia, eventualmente, repito, eventualmente, sendo a corrupção, também, um “crime de esponja”, converter-se o encarceramento prisional (face os nefastos exemplos de outros países: Itália; Espanha; Argentina; Brasil), resultante de uma pena de 8, 12 ou 16 anos, na obrigatoriedade de:

a) Pagamento mensal de 1 milhão de dólares, ao Tesouro nacional;

b) Construção de um empreendimento comercial, industrial ou agro -industrial, em igual número de províncias (por exemplo, se condenado em 8 anos, um em cada uma das 8 províncias);

c) Criação de emprego e manutenção de 85% da força de trabalho, com contratos por tempo indeterminado;

d) Construção, apetrechamento de uma escola pública, com laboratório e biblioteca, incluindo o pagamento da manutenção mensal e o salário dos professores;

e) Construção de um centro médico, equipado com laboratório de análises clínicas e uma sala de operações, com a obrigatoriedade de remunerar o corpo administrativo e clínico;

f) Agravar em 5% o pagamento do imposto em vigor, no país;

g) Reduzir, depois de 6 a 12 meses, a força de trabalho estrangeira, a uma cota entre 2,5 a 5%.

Isso permitiria, na actual crise económica interna e internacional, agravada pela inesperada pandemia do COVID-19, a estabilidade social, manutenção de empregos, rotação de capitais, aumento de depósitos bancários, recuperação de capitais, imprescindíveis para alavancar as empresas angolanas.

Infelizmente, opções raivosas geram recuperações pífias e resultados obtusos, que agravam a situação das populações, que não comem corrupção mas comida. E, sem comida à mesa, por falta de trabalho dos pais, despedidos das empresas dos eventuais corruptos, refira-se, todos, do partido do Presidente da República, os jovens, legitimamente, no ganho de consciência têm de se manifestar, para que o país não se mantenha no futuro indefinido, refém, exclusivamente, de uma força política.

Falta um pouco de posicionamento mental abrangente de João Lourenço, patamar exigível para quem exerce a função, temporária, de Presidente da República deveria almejar ser considerado como Presidente de todos angolanos, com um coração aberto e plural, para acolher todas as franjas e sensibilidades nacionais.

A sua insensibilidade em relação ao bem maior: a vida dos cidadãos é assustadora, basta rememorar a indiferença, aquando da tentativa de suicídio de uma ministra do seu gabinete, pela forma abjecta como foi demitida; na comunicação social. Durante o período, em que a senhora, esteve internada, não se dignou em visitá-la.

Depois, o mutismo, quanto ao assassinato do jovem médico Sílvio Dala e, mais recentemente (11.11.20), do estudante de engenharia Inocêncio N’landu atemorizam, porque esperava-se um pronunciamento apaziguador do mais alto magistrado do país.

Daí que esperar uma grandeza comportamental na qualidade de Chefe de Estado, pai de todos, independentemente, das desavenças políticas, uma mensagem de condolências a Isabel dos Santos era pedir demais. Não foi bom, demonstrando um certo rancor. Se as desavenças da Isabel dos Santos são com a justiça, o Presidente da República deve colocar-se acima das baixas querelas, para dar lustro à sua governação, como sendo imparcial e, não carimbá-la com raiva e ódio.

BATEU NO FUNDO

Apolítica do Titular do Poder Executivo levou o país a bater no fundo. Inegavelmente! Nada dá certo. Nada deu certo. Dificilmente, na obtusa visão, “entregacionista” da riqueza nacional, ao capital estrangeiro, alguma coisa dará certo.

Não basta uma simples maquilhagem, numa poção venenosa, para se acreditar ter ela perdido propriedades perversas, principalmente, quando estas são a identidade de um sistema laboratorial, comprometido com a intolerância, discriminação, incompetência, má-gestão da coisa pública e corrupção qualificada.

Nenhum clone supera a matriz, ao ponto de desmoronar os caboucos fundantes, por mais que seja apurada a pirotecnia da transição e a beleza do fogo-de-artifício, para iludir a maioria.

E, se dúvidas houvesse, basta rememorar a indignação emotiva e comovente de dois prelados católicos, nomeadamente, o bispo do Bengo, Dom Camuto e Frei Joaquim José Hangalo, veja vídeo (*), expressando o sentir e gemer de milhões de fiéis impotentes face à selvajaria com que a Polícia, no afã de proteger, exclusivamente, o Executivo e não o Estado, arremessa bastões, cães, gás lacrimogénio e balas, contra corpos de indefesos manifestantes.

Oremos, todos, TODOS, enquanto cristãos, a favor destes servos do Senhor, que de forma destemida, dando nome aos bois, entregaram os seus corpos, a sua segurança, as suas vidas, em prol da(s) flor(es), covardemente, arrancada do NOSSO JARDIM!

Se, a maioria, com sensibilidade humana, não se indignar, não continuar a indignar-se, amanhã, eles, os algozes, voltarão, impunemente, em função da colectiva omissão, para destruir as restantes flores e assassinar, com as balas dos arsenais, o que resta do jardim de todos…

Não podemos esperar, por mudanças de quem não muda, em nome da manutenção do sádico poder, por esta razão, a hora é esta, porque a fome, deixou de ser futuro. Ela mata, miseravelmente, no presente, o sonho de milhões, duplicadamente, mil milhões desprotegidos, que um dia, ingenuamente, acreditaram, no senso de justiça de quem levantou o cajado da boa governação.

Debalde!

Por isso, hoje, estamos proibidos de abdicar da fé, da força da moral, que banha os angolanos, cujo compromisso é o cartão de cidadania, com estatuto de EQUIDADE!

Não basta falar, falar, falar, triplamente, fazê-lo para gáudio do FMI e Banco Mundial, de combate aos crimes de corrupção, arremessando, selectivamente, contra antigos camaradas de rota, armas da raiva, do ódio, da exibição afirmativa, para consolidação do poder absoluto de um homem, quando os cidadãos definham a fome, engrossando os exércitos do desemprego, prostituição e delinquência, por inexistência de um projecto – país, um projecto – sociedade.

Um órgão de magistratura do país, comprometido com a cidadania e os Direitos Humanos, não pode, orgulhar-se em partilhar o mesmo pedestal, onde desfilam as corjas de assassinos, homicidas e intolerantes, sob pena de, confundindo-se os papéis, a delinquência ter estatuto institucional.

Senhor Presidente da República, ao refugiar-se nas vestes de presidente do MPLA, para atirar farpas em seara alheia, quando o escrutínio popular o desafia a mostrar competência na gestão do país, da coisa pública e não na manutenção do fracasso, não lhe fica bem. Assumir erros é, também, sinal de grandeza, o inverso é sinal de pequenez.

A UNITA não pode ser o eterno bode expiatório, uma vez, não ter responsabilidade, na manutenção de uma incompetente e complexada equipa económica, que raciocina com as piores normas do Fundo Monetário Internacional, utilizadas em países, cuja liderança não tem sentido e orgulho nacionalista.

As medidas paliativas, entre as quais a absurda, de a miséria, entranhada no dorso dos famintos e miseráveis, pagar impostos, contribuem, apenas e só, para afundar a esperança dos empresários, dos cidadãos e de uma juventude, cada vez mais sedenta de um futuro, cujo alcance acredita, hoje e agora, estar na força da rua.

Nas manifestações. Persistentes, até que a bússola da esperança devolva, não o diálogo desigual, mas a equidade legal.

O que as gentes, os jovens reclamam é a gritante falta de capacidade governativa, cuja (in)competência é avaliada, pelo aumento vertiginoso da fome, miséria e desemprego, sem que a resolução, possa ser alimentada, através da porrada e do assassinato.

A juventude patriótica, está cada vez mais ávida de uma oportunidade, um país plural, uma democracia participativa, com eleições regulares e autárquicas obrigatórias, livres da fraude e batota, capazes de melhorarem, por exemplo, o saneamento básico, o asfalto das ruas, a iluminação pública, o fornecimento de água, o emprego, as escolas, os postos médicos, que o Bairro São Pedro da Barra, cuja degradação é o pico da crónica incompetência de um governo que não se regenera.

E (foi), o centro deste vulcão de pobreza, que inspirou, o jovem, Inocêncio Matos Nlandu, no terceiro ano de engenharia a denunciar, em manifestação constitucional, também, o estado calamitoso do bairro, que o viu nascer, crescer e morrer, assassinado, com um covarde e institucional tiro na testa, no dia 11.11.20, na Av. Brasil, em plena luz do dia.

E, assim, ASSASSINARAM, o sonho de um futuro engenheiro, menino de 26 anos, desarmado, erguendo, apenas o inofensivo esquadro do saber, que atemoriza os ditadores. Por esta razão, sem razão, quais vampiros, destroçaram, o outro sonho, o sonho maior, de um pai e uma mãe, pobres, verem gorado o fruto do seu apertar de cinto, para verem gorada a batalha do juntar das migalhas, para, enfim, num dia, lagrimarem de alegria, com o filho, a hastear o canudo de licenciado em engenharia. Um curso que poderia ajudar a revolucionar a degradação do Bairro São Pedro da Barra, onde inexiste, a raiz “quadrada comida”.

Por isso de nada vale, acreditar, ter sido o seu ASSASSINATO, um acto isolado. Não! Ele é fruto do “modus operandi” do regime: FORÇA E VIOLÊNCIA, contra os pobres, os excluídos, os discriminados.

Não haja, nenhuma dúvida, pois, basta, cada um de nós, interpretar, o deprimente e ditatorial aparato policial, montado na Faculdade de Engenharia, quando alunos e professores queriam, vestidos de roupas pretas (cor de luto), apenas manifestar, ao colega “Nlandu”, abruptamente afastado do convívio dos vivos, sentimentos de pesar.

Quando as faculdades, centros do saber, são selvaticamente, policiadas, para impedir a expressão de solidariedade humana, estamos diante do precipício, comandado por gente, mentalmente, comprometida com o sadismo, quais “vampiros-robotizados”, programados para a gestão única do poder, alimentado com sangue humano.

Assim nada poderá travar a força da revolução social. Uma REVOLUÇÃO SOCIAL, que se augura, sem violência, sem armas e sem movimentos guerrilheiros, em respeito a Constituição atípica e, agora, irreversivelmente, iniciada pela força de uma juventude, cada vez mais comprometida com o futuro do país, das liberdades e da democracia.

Na próxima edição, a história de Abimeleque

(*) https://www.facebook.com/jornalfolha8/posts/2996963130404096






domingo, 8 de novembro de 2020

SITUAÇÃO EM ANGOLA PREOCUPA EMBAIXADOR DA PAZ

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O Embaixador para a Paz Mundial, João Kanda Bernardo, manifesta-se preocupado com os acontecimentos que têm marcado a sociedade angolana nos últimos tempos e toma medidas de prevenção de conflitos. Para além de contactos feitos recentemente junto de gabinetes de chefes de governos de três potências mundiais, o Embaixador Kanda foi também recebido nesta terça-feira 03.11.2020, pelo Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, apesar de o país ter entrado outra vez em quarentena.

Durante a audiência ocorrida no Ministério alemão, o “Pacificador Universal” e o seu homólogo abordaram também a Campanha “Peaceful Society” que visa formar jovens angolanos na Alemanha como “Mediadores de Conflitos” e realizar audiências semestrais entre actores relevantes da sociedade civil angolana e da comunidade internacional, onde serão abordadas questões tangentes a direitos humanos em Angola, para permitir que a comunidade internacional compreenda melhor os problemas de Angola e tome posições mais eficazes, com a finalidade de buscar soluções, que possam contribuir para uma melhor interpretação e aplicação do “ius Regni” e “ius Maestatis” neste país que celebra o calar das armas desde 2002.

Ambas as partes consideram a audiência da terça-feira muito produtiva. A informação sobre este importante encontro também foi tornada pública através de um Post no twitter do Embaixador Robert Dölger, Director-Geral do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha para a África subsahariana e Médio Oriente (na foto com o Embaixador Kanda).

Finalmente, Angola será o terceiro país africano, onde o Embaixador Kanda poderá aplicar a Campanha “Peaceful Society“ que só termina em Maio de 2023, pois o Diplomata da Paz considera preocupante o nível de saturação do povo angolano diante a actual realidade social que o país atravessa, cuja a génese é conhecida por todos os cidadãos lúcidos.

A data para a formação dos jovens angolanos na Alemanha está prevista para o primeiro Semestre de 2021, mas ainda não foi definida tendo em conta as actuais restrições impostas pela Covid-19, que também limitam o número de pessoas em reuniões. Porém as audiências para a auscultação da sociedade civil angolana junto da comunidade internacional já estão marcadas.

O Pacificador diz também que o clima prevalecente no seio da sociedade angolana, demonstra que o Povo não está preparado para aceitar uma eventual nova vitória nas eleições de 2022 do partido que governa Angola desde 1975, mesmo que este venha a ganhar sem fraudes, assim como o partido que governa Angola há quase meio século também não está preparado para uma derrota eleitoral contra os seus adversários políticos. Razão pela qual há necessidade de se encontrar medidas inteligentes de compreensão fácil para todos, a fim de se evitar situações menos bons durante e depois das eleições gerais previstas para 2022 e continuar-se com o bom trabalho da manutenção da Paz alcançada em 2002.


fonte: folha8


O que dizem os PALOP sobre a vitória de Joe Biden?

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Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique já felicitaram o Presidente eleito dos Estados Unidos. Líderes africanos lembram que os EUA são um importante parceiro e esperam que as relações sejam reforçadas com Joe Biden.



Cabo Verde foi o primeiro dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) a reagir aos resultados das presidenciais norte-americanas. O Presidente e o primeiro-ministro cabo-verdianos felicitaram ainda no sábado (07.11) Joe Biden e Kamala Harris pela anunciada vitória nos Estados Unidos, onde reside a maior comunidade cabo-verdiana na diáspora.  

"Felicito Joe Biden e Kamala Harris pela sua anunciada vitória na eleição presidencial americana e auguro o reforço das relações históricas e culturais entre americanos e cabo-verdianos e da cooperação entre os dois países", escreveu o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, numa mensagem divulgada na sua conta oficial na rede social Facebook.

Estima-se que vivam nos Estados Unidos da América mais de 300 mil cabo-verdianos e descendentes, a maior comunidade fora do arquipélago. O chefe de Estado exortou que esta eleição "possa vir a atingir um nível que corresponda ao do relacionamento humano entre os dois povos".

Deutschland Berlin US Wahl 2020

Também o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, usou a rede social Facebook para dar os "parabéns" a Biden e Kamala Harris, pela eleição: "Cabo Verde conta com a nova Administração Americana no reforço das relações diplomáticas, económicas e de parceria para o desenvolvimento com os EUA, país que alberga a maior comunidade cabo-verdiana no exterior e com o qual Cabo Verde tem uma relação de mais de 200 anos", recordou o primeiro-ministro.

"Parceiros estratégicos"

Por seu turno, o chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, felicitou este domingo (08.11) o Presidente eleito dos Estados Unidos, destacando os norte-americanos  como  "parceiros estratégicos" para Moçambique.

Numa mensagem divulgada na sua página do Facebook, Filipe Nyusi saudou também Kamala Harris, a vice-presidente eleita, destacando o "facto histórico que reforça a necessidade da aposta na promoção da mulher".

"Os Estados Unidos da América são parceiros estratégicos de Moçambique e temos certeza de que a nossa cooperação continuará firme e, como sempre, em prol do bem-estar dos nossos dois povos", declarou o chefe de Estado moçambicano.

USA I Menschen feiern Joe Bidens Wahlsieg in Oakland

Apoaidores de Biden celebram a vitória nas ruas da Califórnia

"Livre e transparente" 

Assim como Nyusi, o Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, também felicitou este domingo a vitória de Joe Biden nas presidenciais norte-americanas num processo de contagem de votos que descreveu como "livre e transparente".

Numa mensagem endereçada a Joe Biden, em nome do povo guineense e em nome pessoal, Umaro Sissoco Embalo formula "votos de sucesso" pela "ampla vitória" nas eleições de 03 de novembro, confirmada no sábado, "por meio de um processo de contagem de votos livre e transparente".

Na mensagem, divulgada à imprensa, o chefe de Estado guineense salienta que Joe Biden merece aquela "importante designação democrática decidida pelo povo", que teve em conta uma "nova abordagem diplomática nos acordos internacionais para resgatar os valores e princípios do multilateralismo" para fortalecer as "ferramentas necessárias para se manter a paz e a segurança" no mundo.

"Espera-se que os Estados Unidos da América sejam um parceiro fundamental na estratégia de segurança e desenvolvimento da República da Guiné-Bissau", refere Umaro Sissoco Embaló.

O Presidente guineense espera igualmente um reforço da cooperação, bem como "um mercado aberto para as exportações de matérias-primas da Guiné-Bissau nos próximos cinco anos no âmbito da Lei do Crescimento e Oportunidades para a África".

fonte: DW África


Sob Biden, alinhamento do Brasil aos EUA dará lugar a relação mais fria.

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Estratégia de Bolsonaro na política externa com Washington, definida por analistas como "alinhamento automático", não tem precedentes na história da diplomacia brasileira. Com a vitória de Biden, cobrará seu preço.


Nas semanas anteriores à eleição, Bolsonaro e seu entorno manifestaram diversas vezes apoio a Trump

"Eu te amo", disse Jair Bolsonaro a Donald Trump em setembro de 2019, em Nova York, para receber de volta um "é bom revê-lo". O diálogo ocorreu na Assembleia Geral da ONU, quando o presidente brasileiro se empenhava em se aproximar do americano oferecendo concessões sem receber contrapartidas objetivas.

A estratégia de Bolsonaro na política externa com os Estados Unidos, definida por alguns analistas como "alinhamento automático", não tem precedentes na história da diplomacia brasileira. E, com a vitória do democrata Joe Biden, cobrará seu preço: esfriamento na relação bilateral com a nação mais rica do mundo e maior isolamento de Brasília no cenário internacional, segundo especialistas ouvidos pela DW Brasil.

A vitória de Biden, porém, não deve num primeiro momento trazer grandes prejuízos econômicos ao Brasil e tende a resguardar cooperações nas áreas de comércio e investimentos já em andamento, dado o pragmatismo do presidente americano eleito.

Nas últimas semanas, Bolsonaro e seu entorno manifestaram por diversas vezes apoio a Trump. No início de novembro, o presidente brasileiro disse à CNN Brasil estar confiante na reeleição. Antes, em 20 de outubro, ele havia declarado que esperava comparecer à posse do republicano: "Espero, se essa for a vontade de Deus, comparecer à posse do presidente brevemente reeleito nos EUA. Não podia esconder isso. Não interfiro, é do coração”.

Um dia depois, Carlos Bolsonaro, filho do presidente e vereador pelo Rio de Janeiro, divulgou no seu Twitter uma foto se ajoelhando, usando boné com a bandeira dos Estados Unidos e portando um fuzil, com a mensagem "'MERICA #freedom". A exibição de armas de fogo é uma marca dos apoiadores mais radicais de Trump.

Além do presidente, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, era outro apoiador do americano. Em 2017, antes de virar chanceler, ele escreveu num artigo que Trump poderia "salvar o Ocidente". No cargo, evitou confrontar a Casa Branca mesmo quando havia interesses brasileiros em jogo, como quando o governo americano estabeleceu restrições à importação de aço do Brasil ou derrubou a candidatura de um brasileiro ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A relação bilateral Brasil-EUA

Os dois países têm um histórico de proximidade diplomática que começa já em 1822, quando os Estados Unidos foram a primeira nação a reconhecer a independência do Brasil. Sob Bolsonaro, porém, a natureza e a intensidade desse alinhamento foram inéditas, afirma Fernanda Magnotta, senior fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e coordenadora do curso de Relações Internacionais da FAAP.

Uma das novidades da política externa bolsonarista foi incorporar um forte teor "ideológico e identitário" à aliança com os americanos, jogando por terra algumas tradições da diplomacia brasileira. "Não se tratou de olhar para os Estados Unidos como um parceiro prioritário e aliado necessário, mas como fonte de um exemplo ou modelo que a gente deveria mimetizar abaixo da linha do Equador."

Além desse componente identitário, o governo Bolsonaro optou por permitir avanços dos interesses americanos em pautas diversas, como comércio, defesa e energia, em troca de buscar o comprometimento da Casa Branca com temas mais complexos e de menor impacto imediato, como o processo para o Brasil se tornar um membro da Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE), ainda incerto e sem prazo para ser concluído.

"Embora esses assuntos não sejam uma novidade, o jeito de negociar mudou. O Brasil se tornou mais permissivo, e os americanos, que têm sido mais duros ao estabelecer as barganhas, usaram uma estratégia conhecida como 'issue linked', uma barganha condicionada: 'Se vocês [Brasil] toparem fazer tal coisa, talvez nós apoiemos vocês nessa terceira coisa.'" O problema desse tipo de negociação, explica Magnotta, é que o Brasil acabou cedendo em diversas demandas estratégicas, obtendo de volta apenas promessas retóricas.

Em junho último, por exemplo, o Palácio do Planalto desistiu de indicar o brasileiro Rodrigo Xavier ao cargo do presidente do BID, tradicionalmente ocupado por um latino-americano, para apoiar o nome do americano Mauricio Claver-Carone, que acabou efetivado.

Em setembro, o governo brasileiro zerou o imposto de importação sobre 187,5 milhões de litros de etanol americano, pelo prazo de 90 dias, num gesto para agradar a Casa Branca e contra os interesses da bancada do agronegócio brasileiro. O Planalto também não reagiu a decisões dos EUA para restringir a importação do aço brasileiro.

"Se olharmos para os números do comércio, o Brasil não está usufruindo dessa aproximação. Nunca tivemos uma balança comercial com os Estados Unidos tão desequilibrada como a que temos agora. Essa aproximação valoriza muito mais elementos retóricos, que energizam algumas bases políticas, do que interesses estratégicos”, diz Magnotta. "Isso nos faz lembrar aquela frase clássica de que países têm interesses, não amigos. Quando o governo Trump tinha interesse em escantear o Brasil, o fez sem pensar duas vezes".

De janeiro a setembro de 2020, o Brasil registrou um déficit na balança comercial com os Estados Unidos de 3,1 bilhões de dólares, contra um déficit de 374 milhões de dólares em todo o 2019, e de 271 milhões de dólares no ano anterior, segundo dados do Ministério da Economia.

Dawisson Belém Lopes, professor de política internacional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), cita que Brasil e Estados Unidos também foram muito próximos em outros três momentos históricos, mas sempre acompanhado de uma pretensão dos brasileiros em auferir algo concreto. Após a Segunda Guerra Mundial, havia a expectativa de o Brasil se beneficiar de um tipo de Plano Marshall para a América do Sul, durante a ditadura buscou-se o estreitamento da cooperação militar, e no governo Fernando Collor, aproveitar a promessa de crescimento econômico durante a ascensão do neoliberalismo.

Com Bolsonaro, Lopes afirma que o alinhamento ocorreu sem a expectativa de reciprocidade, e se baseou muito mais numa relação entre pessoas do que entre países. "O grau de assimetria e desinstitucionalização é inédito", afirma.

Enquanto se sintonizava ao presidente dos Estados Unidos, Bolsonaro foi "queimando pontes" com países da Europa, com seus vizinhos da América Latina e com a China. À medida que Trump sair de cena e Biden buscar o realinhamento com a Europa, o Brasil tende a ficar mais isolado, avalia o professor da UFMG.

A relação entre os dois países nos próximos anos pode vir a lembrar o período em que Jimmy Carter era presidente dos EUA, de 1977 a 1981, compara Lopes. Nessa época, o governo ditatorial brasileiro, sob o comando dos militares, perdeu margem de manobra na arena internacional e "havia hostilidade da Casa Branca aos regimes que desrespeitavam os direitos humanos".

Pragmatismo evita prejuízo maior

Apesar do isolamento maior do Brasil, a vitória de Biden, conhecido por ser pragmático, não deve em si gerar consequências econômicas graves para o país, pois seu governo vai priorizar a agenda interna, em meio à pandemia de covid-19 e a recuperação econômica. Lopes aposta na manutenção da cooperação em áreas como investimento e comércio, ressalvadas possíveis sanções em produtos ligados ao agronegócio, caso o Palácio do Planalto não demonstre empenho em combater o desmatamento e as queimadas.

Magnotta, do Cebri, tampouco projeta uma grande ruptura entre os dois países, mas uma reorientação, pois haverá forças e interesses comerciais se mobilizando para evitar perdas significativas. Do lado brasileiro, isso pode passar pela readequação das frentes de contato no Itamaraty com os Estados Unidos, já que Araújo é muito associado ao trumpismo, e a um incremento na pressão para que o governo tenha um olhar mais atento a pautas ambientais e sociais – tema sensível para os democratas e para a plataforma de Biden.

"Não é só uma questão moral, mas de competitividade no ambiente de negócios. Se o Brasil não atentar a esse tipo de pauta, ficará isolado. O Trump dava alguma abertura para o Brasil pensar diferente. Mas, com o alinhamento entre europeus e americanos, será difícil seguirmos da mesma forma", diz.

Uma oportunidade para o Palácio do Planalto, seria aproveitar que Biden deverá dar continuidade à política de guerra comercial com a China, e buscar obter vantagens para o Brasil dessa disputa entre as duas potências.

Ela também vê um impacto simbólico da eleição de Biden que pode vir a afetar a tentativa de reeleição de Bolsonaro em 2022. "Tudo o que acontece nos Estados Unidos, sobretudo na política, repercute como ondas que chegam atrasadas no mundo e geram ciclos de legitimação. Assim como a vitória de Trump em 2016 gerou lideranças análogas em outros lugares, talvez uma derrota em 2020 possa também fortalecer grupos de oposição e empurrar mais para o canto da cena política as figuras populistas", estima Fernanda Magnotta.

fonte: DW África






Joe Biden: "Vamos ser uma nação unida, uma nação sarada"

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PR eleito dos EUA defende que é tempo de unir a América. A vice Kamala Harris faz história e diz: é a primeira mulher no cargo, mas não será a última. Americanos celebram e líderes do mundo inteiro parabenizam Joe Biden.



O Presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, defendeu na noite de sábado (07.11) que é tempo de sarar e unir a América e de fazer com que o país volte a ser respeitado no mundo. No seu primeiro discurso após o anúncio no sábado da vitória nas eleições presidenciais de terça-feira, Biden prometeu ser o Presidente de todos os americanos, os que votaram nele e os que votaram contra.

Dirigindo-se aos eleitores que votaram no Presidente e candidato republicano, Biden disse: "compreendo a vossa desilusão esta noite. Eu também já perdi um par de vezes, mas agora vamos dar uma oportunidade uns aos outros".

Afirmando que esta noite "todo o mundo está a olhar para a América", o Presidente eleito dos Estados Unidos disse que o seu país "é um farol para o mundo".

"Restaurar a alma da América"

"Concorri a este cargo para restaurar a alma da América, para reconstruir a espinha dorsal desta nação, a classe média, para fazer a América respeitada no mundo outra vez, e para nos unir aqui em casa", afirmou perante uma multidão em Wilmington, no estado de Delaware.

USA Wilmington | Rede Joe Biden und Kamala Harris nach dem Wahlsieg

Biden: "É tempo de pôr a retórica dura de lado. (...) Não são nossos inimigos, são americanos"

Após ser apresentado pela vice-Presidente eleita, Kamala Harris, que disse que Biden seria "Presidente de todos os americanos", o Presidente eleito reclamou uma "vitória clara, uma vitória convincente".

Lembrou que, com 74 milhões de votos contados, é o Presidente eleito com mais votos na história dos Estados Unidos. Prometeu ser um chefe de Estado "que não procura dividir, mas sim unir, que não vê estados vermelhos ou azuis, mas apenas os Estados Unidos". "Vou trabalhar tanto para os que não votaram em mim como nos para os que votaram", garantiu.

O democrata disse ser tempo de os dois lados "se ouvirem outra vez". "É tempo de pôr a retórica dura de lado, baixar a temperatura, olharmos uns para os outros outra vez e fazer progressos. Temos de parar de tratar os nossos opositores como inimigos. Não são nossos inimigos, são americanos", afirmou.

Controlar a pandemia

Sublinhando que a sua primeira tarefa será controlar a pandemia do novo coronavírus, Biden disse que essa é a única forma de voltar a uma vida normal e anunciou a criação de um grupo de cientistas de topo e especialistas para ajudarem a definir o plano de ação que entrará em vigor em 20 de janeiro, quando Biden e Harris tomam posse.

Ainda se referindo à pandemia, o Presidente eleito, que é católico, citou o hino católico preferido do seu filho Beau, que morreu de cancro em 2015, desejando que essas palavras reconfortassem todos os norte-americanos que choram a morte de entes queridos devido ao novo coronavírus.

No final do seu discurso, Biden apelou novamente ao espírito de união: "Vamos ser a nação que sabemos que podemos ser. Uma nação unida, uma nação reforçada, uma nação sarada. (...) Nunca houve nada que tivéssemos tentado e não tivéssemos conseguido quando o fazemos juntos".

USA Wilmington | Rede Joe Biden und Kamala Harris nach dem Wahlsieg

Joe Biden foi anunciado no sábado (07.11) como vencedor das eleições presidenciais de 3 de novembro, segundo projeções dos 'media' norte-americanos. Segundo as projeções, Biden totaliza 290 "grandes eleitores" do Colégio Eleitoral, derrotando o candidato republicano e atual Presidente Donald Trump. A posse de Biden como 46.º Presidente dos Estados Unidos está marcada para 20 de janeiro de 2021.

"Sou a primeira mulher no cargo, mas não serei a única"

Entretanto, a vice-Presidente eleita dos Estados Unidos, Kamala Harris, afirmou no discurso da vitória que, sendo a primeira mulher a aceder ao cargo, não será a última. Harris agradeceu aos norte-americanos por terem votado pela "esperança, unidade, decência, ciência e verdade" para iniciar "um novo dia" no país. 

"Embora possa ser a primeira mulher neste cargo, não serei a última. Porque cada menina que nos vê esta noite, vê que este é um país de possibilidades", disse, em Wilmington, no estado do Delaware. 

Vestida de branco como as sufragistas, no mesmo ano em que se comemorou o centenário do direito das mulheres a votar nos Estados Unidos, Harris garantiu que não teria chegado a este momento sem aquelas ativistas e sem os milhões de norte-americanas que votaram nas presidenciais de 3 de novembro. 

A vice-Presidente eleita prestou também homenagem a "gerações de mulheres, negras, asiáticas, brancas, latinas e nativas norte-americanas que, ao longo de toda a história, abriram caminho para o momento desta noite". 

USA Wilmington | Rede Joe Biden und Kamala Harris nach dem Wahlsieg

A ainda senadora democrata pelo estado da Califórnia proferiu o discurso antes da intervenção do Presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, a quem agradeceu por ter "tido a audácia" de "escolher uma mulher como vice-Presidente". 

Harris comprometeu-se a trabalhar "para salvar vidas e derrotar a pandemia" de Covid-19, para reconstruir a economia e combater a crise climática e para "eliminar a raiz do racismo sistémico no sistema de Justiça e na sociedade" norte-americana, razão dos protestos deste ano nos Estados Unidos. 

No início da intervenção, Kamala Harris citou o líder do movimento dos direitos cívicos John Lewis, que morreu este ano: "A democracia não é um estado, é um ato", usando esta citação para refletir sobre "a luta e o sacrifício" que implicam proteger esta forma de Governo. 

Festa nas ruas dos EUA

Milhares de pessoas foram para as ruas de várias cidades norte-americanas, incluindo Los Angeles, Nova Iorque, Filadélfia, Atlanta e Washington, D.C., para festejarem a eleição de Joe Biden como próximo Presidente dos Estados Unidos da América.

As celebrações incluíram música, danças, champanhe e multidões reunidas em locais que até há pouco tempo estavam vazios por causa da pandemia de Covid-19, tal como e baixa de Los Angeles. 

Em Nova Iorque, viveu-se um ambiente de festa que não se via na cidade há muito tempo, principalmente depois de esta ter sido uma das cidades mais afetadas pela primeira vaga da pandemia de Covid-19. 

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Norte-americanos celebram vitória de Biden

O bastião democrata da costa leste foi palco de diretos sucessivos nas televisões, que mostravam muitas pessoas com máscaras, bandeiras, cartazes pró-Biden e Harris, com expressões de grande euforia e esperança no futuro. 

Em Washington, D.C., as pessoas manifestaram a sua alegria na praça Black Lives Matter, onde houve festa rija, e junto à Casa Branca, que continuará a ser ocupada por Donald Trump até 20 de janeiro. O Presidente ainda não fez qualquer declaração de derrota ou concessão.

Líderes parabenizam Biden

No exterior, o resultado das eleições norte-americanas também suscitou reações entusiásticas. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, felicitou Joe Biden "calorosamente" e garantiu que Bruxelas está "pronta a intensificar a cooperação com a nova administração", enquanto o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, disse ser "um grande dia para os Estados Unidos e a Europa".

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Jens Stoltenberg, saudou a eleição de Biden, que classificou como um "forte apoiante das relações transatlânticas", recordando que "a liderança dos EUA é tão importante como sempre num mundo imprevisível".

USA I Menschen feiern den Wahlausgang in Washington

Cidadãos celebram em frente à Casa Branca

O Presidente francês, Emmanuel Macron, e os chefes dos Governos do Canadá, Justin Trudeau, do Reino Unido, Boris Johnson, de Itália, Giuseppe Conte, foram outros líderes mundiais que já saudaram a vitória de Biden nas eleições norte-americanas.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, também felicitou a vitória de Biden, salientando a importância da "amizade transatlântica" entre Washington e Berlim para ultrapassar os "grandes desafios atuais".

Em África, as felicitações foram acompanhadas de anseios para o futuro: "Também chegou a hora de dar às nossas mulheres a chance de ocupar um cargo tão alto no nosso país e até mesmo a posição de número um", disse o ministro do Gabinete da Nigéria, Festus Keyamo, no Twitter, referindo-se à Kamala Harris.

"Kamala Harris ilumina o túnel para muitas mulheres que continuam a defender a igualdade de gênero e inclusão na liderança", escrever no Twitter Anne Waiguru, uma das duas governadoras do Quénia, onde o presidente da Suprema Corte aconselhou o Presidente do país a dissolver o Parlamento por não ter deputadas suficientes.

fonte: DW África


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