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segunda-feira, 26 de julho de 2021

Por que e como a Rússia foi desconectada da Internet.

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Exercícios regulares para garantir a estabilidade do Runet ocorreram na Rússia.



A última tentativa de desconectar temporariamente a rede da Internet global teve menos sucesso - como escreve The Bell, "então a rede simplesmente caiu."

Desta vez, os testes para transferir Runet para Cheburnet, ou "uma ilha de estabilidade", foram bem-sucedidos, de acordo com fontes da RBC.

Este projecto está actualmente a ser executado pelo grupo de Segurança da Informação da Economia Digital ANO - a implementação do programa nacional relacionado com a garantia do funcionamento estável e seguro da Internet é da sua competência.

Relatórios no fim de agosto

Os exercícios foram realizados de 15 de junho a 15 de julho. Os relatórios estarão prontos e aprovados até 31 de agosto.

Ainda não se sabe o que eram, mas todas as operadoras das Big Four, assim como Rostelecom, Transtelecom e ER-Telecom Holding, tornaram-se participantes.

Segundo a fonte, especialistas russos tentaram determinar a possibilidade de operação do Runet em caso de distorções externas, bloqueio e outras ameaças.

Foi afirmado que durante o exercício "foi testada a possibilidade de desligar fisicamente a parte russa da Internet", ou seja, a notória "mudança".

De acordo com reportagens da mídia, a assessoria de imprensa do Ministério da Indústria Digital encaminhou o pedido da agência à Roskomnadzor, onde afirmou que “de acordo com a legislação, os exercícios são realizados anualmente, têm como objetivo aumentar a integridade, estabilidade e segurança do infra-estrutura do segmento russo da Internet. "

Até agora, comentários de empresas como

Rostelecom,

MTS,

"Megafone",

VimpelCom (marca Beeline),

ER-Telecom Holding

e "Transtelecom"

para a mídia não seguiu. Aparentemente, as operadoras concordam com o texto para não assustar os usuários?

Em relação aos exercícios mal-sucedidos em 2019, foi afirmado uma vez que Runet não percebeu isso fora do "local de teste". A mesma coisa aconteceu desta vez.

Conforme explicado por uma fonte do Ministério das Comunicações, os operadores russos "em geral" concordam em responder aos riscos e ameaças.

"Em geral, tanto as autoridades quanto as operadoras de telecomunicações estão prontas para responder com eficácia aos riscos e ameaças emergentes, garantindo a operação estável da Internet e da rede unificada de telecomunicações na Rússia", disse o Ministério das Comunicações.

Um pormenor interessante

Um ponto interessante sobre o Telegram - desde que a conexão com servidores externos (estrangeiros) fosse mantida, funcionava, apesar de qualquer filtragem de tráfego. E apenas em um aterro isolado de todo o mundo, isso não pode funcionar, observaram os autores do projeto.

Ao mesmo tempo, as pessoas próximas funcionam, oficiosamente e fora do protocolo verificado pelos participantes, funcionaram - na verdade, isso só pode ser prejudicado pela inclusão de uma ou outra espécie de guerra eletrônica.

Por meio dele, aliás, se pelo menos um assinante estiver conectado a servidores remotos, o uso do Telegram é possível.

Pravda.Ru

Contacto: jornalpravda@gmail.com


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Chade: reunião política acalorada em torno do Ministro da Reconciliação

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O Ministro responsável pela Reconciliação Nacional consulta as várias empresas para se preparar para o diálogo nacional. Todos os componentes da sociedade são convidados a nomear seus representantes dentro do comitê organizador desta grande reunião que deve considerar o futuro do Chade. Na quinta-feira, 22 de julho de 2021, o ministro se reuniu com os partidos políticos para acertar com eles a forma de nomear seus 15 representantes, mas a reunião quase se transformou em tumulto.

Os presidentes e secretários-gerais dos 200 partidos políticos chegaram animados na quinta-feira, 22 de julho. Enquanto alguns atacam o método de trabalho do ministério encarregado da Reconciliação, outros denunciam uma manobra para designar pessoas já identificadas. Houve um rebuliço, um líder do partido quase deu um soco em um de seus colegas.

No final da reunião, foi decidido que os diferentes grupos partidários nomearão os seus representantes. Os partidos políticos não pertencentes a nenhum agrupamento também podem nomear representantes. Mas, alerta o ministro responsável pela Reconciliação, na hora da escolha serão levados em consideração os critérios de competência e experiência. Critérios que também serão aplicados a outros componentes da sociedade chadiana abordados pelo comitê organizador do diálogo nacional.
No entanto, nem todos os partidos políticos e associações subscrevem a abordagem do governo e anunciam que não participarão nos preparativos para o diálogo até que haja abertura política suficiente.

fonte: seneweb.com

Nyusi diz que tropas estrangeiras não pediram recompensa por intervenção

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Presidente salienta que não há motivos para temer tropas as estrangeiras em Cabo Delgado. Filipe Nyusi diz que nenhum país pediu recompensa para contribuir no combate ao terrorismo. Crise já causou mais de 2 mil mortes.

O Presidente Filipe Nyusi afirmou este domingo (26.07) que nenhum país exigiu recompensa para participar no combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado. O chefe de Estado moçambicano reiterou, numa comunicação à nação, que o terrorismo é um fenómeno global e não pode ser combatido por um país de forma isolada. 

"Não existe razão para se recear a presença e a intervenção das forças da SADC nem do Ruanda. Ninguém pediu uma recompensa a Moçambique por apoiar a salvar vidas dos moçambicanos. Pelo menos eu e o meu Governo não temos nenhum conhecimento [disto]", salientou. 

Uma força do Ruanda, constituída por cerca de mil homens, já se encontra no terreno. Aguardava-se a chegada ao país de tropas da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) a partir do dia 15 de julho. 

Desde outubro de 2017, a crise de segurança em Cabo Delgado resultou em mais de 2 mil mortos e 817 mil deslocados, para além da destruição de várias infraestruturas.

 

Symbolbild Ruanda Militär Karenzi Karake verhaftet

Tropas ruandesas já estão em Cabo Delgado - imagem de arquivo

Data de chegada não divulgada

O chefe de Estado minimizou as informações de que a chegada de tropas ruandesas antes da força da SADC teria criado um desconforto nos países da África Austral, afirmando que o assunto tinha sido decido na cimeira extraordinária do bloco em junho. 

"Os países da região   já estão a mobilizar-se nesse sentido, tanto que o comandante dessas forças já está em Moçambique. Na mesma cimeira extraordinária da SADC, decidiu-se que, além do apoio regional, Moçambique tinha a prerrogativa de solicitar apoio de qualquer parceiro bilateral fora da região, com primazia para os países africanos", disse o Presidente moçambicano.  

Nyusi não avançou novas datas para a chegada a Moçambique da força da SADC. 

O Presidente, que é igualmente Comandante em Chefe das Forças de Defesa e Segurança, indicou que a atuação  das forças no terreno obedecerá a uma estrutura de comando previamente aprovada. 

"A referida estrutura de comando garante que não   haja confrontos, atritos nem desarticulação entre as nossas forças e forças estrangeiras. Salvaguarda, igualmente, que não haja atritos entre as diversas forças internacionais que possam vir a ser empenhadas no nosso país", explicou Nyusi.

Mosambik | Palma Cabo Delgado | Kommando Spezialkräfte

"Liderança" das operações será de moçambicanos

  

Lacunas no discurso?

Filipe Nyusi disse que os moçambicanos estarão na vanguarda e na direção estratégica das operações por conhecerem melhor o terreno e o contexto, e serem os mais interessados na restauração da paz no país. 

Comentando a comunicação do chefe de Estado, o analista Dercio Alfazema considerou que, nas "entrelinhas, ficou claro que ainda não há um total conforto sobre os passos seguintes em relação à vinda das tropas da SADC".

Para Alfazema, a comunicação foi abrangente. No entanto, "pode ter ficado de fora nesta comunicação casos muito específicos que foram levantados sobre a violação dos direitos humanos". O analista citou, por exemplo, o assassinato de uma mulher, que veio a público em setembro de 2020 pelas redes sociais. Nunca ficou claro se os autores deste ato teriam sido os terroristas ou elementos das forças governamentais. 

lfazema considera importante que o Presidente tenha vindo esclarecer aos moçambicanos que a intervenção se realiza no âmbito de um apoio com base em normas internacionais, mas alertou que "em diplomacia não há almoços grátis". 

"Moçambique também tem estado a apoiar a esses países. Eu penso que esta vinda pode também ser um pouco resultado desta contrapartida pelo apoio que Moçambique tem dado a outros países", explica. 

fonte: DW África

Otelo pediu a Fidel para salvar o MPLA.

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Em 1975, MPLA, UNITA e FNLA estavam em guerra pelo poder em Angola. Na disputa participaram várias forças internacionais, em apoio do MPLA. Otelo Saraiva de Carvalho ajudou a convencer Fidel Castro a enviar tropas para a ex-colónia para apoiar o MPLA.

O assunto era secreto. Por isso, era necessária máxima discrição. Enquanto uma delegação de portugueses e cubanos almoçava no restaurante “Los Canaviales”, perto da capital cubana, Havana, o militar da revolução portuguesa Otelo Saraiva de Carvalho, Raúl e Fidel Castro foram para uma sala mais isolada. Em cima da mesa, o possível envio de tropas cubanas para Angola.

“E o Fidel disse-me: ‘Eu recebi há uma semana uma delegação angolana do MPLA, que me trouxe uma carta dramática de Agostinho Neto. É que estão tropas sul-africanas, em apoio da UNITA, a entrar em Angola pelo rio Cunene, pela fronteira sul com a Namíbia”, recordou Otelo. “Por outro lado”, continuou, “a FNLA, apoiado por forças do Mobutu [Sese Seko], do Congo, estão a entrar pelo norte e o MPLA está numa situação enfraquecida. Está em Luanda, mas vai ter grande dificuldade em resistir a este cerco. E pede-me apoio militar.”

Era o mês de Julho de 1975. Depois da revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal que derrubou a ditadura fascista, os novos governantes portugueses apressaram-se a acabar com a guerra colonial e a encetar diálogos com os movimentos de libertação.

Em Janeiro de 1975, Portugal reconheceu a independência de Angola no Alvor. No acordo então assinado, previa-se (em teoria) que o poder fosse distribuído por três movimentos de libertação angolanos: MPLA, UNITA e FNLA. E ficou ainda decidido que a proclamação oficial da independência de Angola seria a 11 de Novembro de 1975.

Mas, logo após o Acordo de Alvor, estalou a guerra. Na altura, o MPLA controlava Luanda – uma posição vantajosa que o movimento queria manter. Face à perspectiva de um cerco à capital angolana, na conversa com Fidel Castro, o militar português Otelo Saraiva de Carvalho foi claro: era fundamental apoiar o MPLA.

“Perguntava-me o Fidel: ‘Vocês vão mandar tropas para lá para poderem apoiar o MPLA?’ E eu disse-lhe: ‘Nem penses nisso! Numa situação como esta, com três movimentos de libertação em jogo, no terreno, o Governo português actual não vai tomar posição por nenhum dos partidos.’ ‘Então o que achas que eu faça?’ Disse: ‘Eu se estivesse no teu lugar, fazia o seguinte: começava já a mandar tropas cubanas, se possível negras, para Angola, já. Desembarcam ali em Luanda e ficam em apoio do MPLA.”

Segundo Otelo Saraiva de Carvalho, essa era a possibilidade que o MPLA tinha de sobreviver. Os homens do MPLA estavam apenas habituados à “guerrilha” e, na altura, a guerra tomava outras feições.

A visita de Otelo Saraiva de Carvalho a Cuba terá certamente ajudado a convencer Fidel Castro a enviar tropas para Angola, refere o historiador português José Milhazes. “Não só Otelo, mas também o almirante Rosa Coutinho e outros portugueses que, naquele momento, estavam a dirigir Angola no período de transição tudo fizeram para que o poder fosse entregue ao MPLA”, esclarece.

Os primeiros militares cubanos chegaram a Luanda em Outubro de 1975. Estava-se nas vésperas da independência. Eles eram tantos que, segundo o escritor colombiano Gabriel García Marquez, nem o próprio líder do MPLA, Agostinho Neto, queria acreditar. “Por este andar, Cuba vai arruinar-se”, terá dito Neto na altura.

De repente, o xadrez político-militar no terreno mudava completamente, a favor do MPLA, afirma José Milhazes. “Se as tropas não tivessem sido enviadas para Angola, se Fidel Castro tivesse consultado primeiro os soviéticos antes de enviar as tropas, é muito provável que os soviéticos lhe tivessem dito para esperar, e nesse caso sem tropas soviéticas, é claro que o MPLA não aguentaria o poder depois do dia 11 de Novembro.”

Nesse dia, Agostinho Neto proclamou a independência em Luanda. A UNITA e a FNLA aliaram-se contra o MPLA e declararam a independência no Huambo. A guerra civil em Angola só terminaria 27 anos depois, muito após a saída dos cubanos do país em Maio de 1991.

Otelo, o MPLA e a UNITA

Artigo de Eugénio Costa Almeida publicado no Notícias Lusófonas em 7 de Maio de 2009:

«Desde há muito que ouvia e lia que Jonas Savimbi teria tido negociações não só com os madeireiros que trabalhavam na zona controlada pela UNITA antes do 25 de Abril como havia contactado e celebrado acordos com o exército português para deixar de atacar este e se limitar a fazer o que todos os movimentos sempre fizeram: atacarem-se mutuamente.

A UNITA sempre negou, e continua a negar, estas afirmações, mesmo tendo em conta certas declarações do Mais Velho a um jornalista e investigador, creio que Freire Antunes, que sem o confirmar também não deixou de manter no ar, implicitamente, a dúvida.

E isso parece ter sido um facto indesmentível, pelo menos a fazer fé nas declarações dos responsáveis militares, na época, da Região Leste e em documentos apresentados – mas não fotos confirmadoras – que, em 1972, teria havido o tal acordo de não hostilidades tão amplamente divulgados quer na televisão que emitiu o programa, Guerra Colonial – excelente, diga-se em abono da verdade –, como por outros órgãos dos Média que dele fizeram a devida publicidade e propaganda. Teriam sido intervenientes, por parte de Portugal, o general Bethencourt Rodrigues, que liderou a chamada “Operação Madeira”, sob instrução directa do então general Costa Gomes, à época comandante-geral de Angola e em ligação o, nesse tempo, governador de Angola, Rebocho Vaz, e sob o natural conhecimento da DGS. Por parte da UNITA responsáveis político-militares da altura.

Mas também ficou claro, e ao contrário do que reafirmou o actual tenente-coronel (?) Otelo Saraiva de Carvalho, que não foi a DGS que criou a UNITA – basta recordar o ataque a então Teixeira de Sousa (actual Luau) em vésperas de um Natal – como pouco tempo depois as tréguas morreram e os ataques entre ambos foram bem mortíferos por vontade do novo comandante da região e por haver militares que nunca teriam aceite o referido acordo dado que teriam sido alvo, anteriormente, de ataques da UNITA.

E se este assunto merece relevo por ser propalado, não merece menos relevo, embora pareça que ande meio-mundo português distraído, as declarações do considerado cérebro do 25 de Abril, Otelo Saraiva de Carvalho quanto às preferências políticas dos militares do Movimento das Forças Armadas (MFA) português relativamente a Angola.

Segundo Otelo Saraiva de Carvalho, em declarações ao semanário angolano O País e citadas no portal Angola24Horas.com, os militares preferiam que o poder, em Angola, fosse entregue ao MPLA por considerarem – e nisso creio que todos, mesmos os que não pontuamos pela mesma ideologia e cartilha, estaremos de acordo – como melhor preparados e com mais condições para gerir e governar a Angola independente.

E por esse facto, algo que todos os que estiveram nessa altura em Angola e, diariamente, conviveram com os problemas políticos, sociais e militares por que passava Angola por inépcia de quem deveria ter procedido à descolonização de outra forma, já sabíamos, o senhor almirante Rosa Coutinho foi para Angola, como Alto-comissário incumbido de entregar o poder ao MPLA.

Além do mais, segundo Otelo Saraiva Carvalho, os militares portugueses não gostavam da FNLA – particularmente um, que ele não cita, mas que era voz corrente, dizerem ter sido passeado nu, dentro de uma jaula, na então Leopoldville – por causa dos massacres da UPA, no início da guerra de libertação, nem da UNITA por causa, e voltamos à estaca zero que parece ter sido, e bem, desmentida da sua formação ter sido feita pela PIDE/DGS.

Otelo Saraiva de Carvalho fala também do facto de saber que cubanos foram para Angola ajudar o MPLA na sua luta fratricida contra os outros dois movimentos irmãos depois de uma conversa havida entre ele e Fidel Castro, em Julho de 1975, que lhe terá pedido opinião.

Segundo o artigo, Otelo Saraiva de Carvalho terá aconselhado essa ida mas que fossem militares negros o que veio a acontecer uma semana depois da conversa e depois de verificar que o então conselho de revolução liderado pelo general Costa Gomes não lhe ter dado qualquer resposta.

Isto vem confirmar um facto, por mim presenciado no Lobito, em meados de Agosto, quando uma zona do porto desta cidade maravilhosa foi interdita, pelo MPLA, a toda a gente, incluindo forças militares portuguesas que estavam a “proteger” o embarque de passageiros com destino a Portugal e que ia provocando um confronto directo entre as duas forças militarizadas não fosse o bom senso e calma, reconheçamos, de um oficial português que se interpôs entre os dois quase contendores.

Na altura falava-se que eram militares estrangeiros, nomeadamente cubanos, que estavam a desembarcar como se pode, agora, conferir pelas palavras do tenente-coronel (?) Otelo Saraiva de Carvalho.

E eu estava lá e assisti calmamente, na natural inacção dos meus então 18 anos em que tudo só pode acontecer aos outros, este desembarque no molhe norte da bela cidade portuária do Lobito.

De notar que, na altura, era o MPLA que dominava a cidade depois de ter expulso a UNITA e a FNLA, com quem, diga-se, se dava sem problemas, apesar de já dominar Benguela, mas que atitudes demasiado prepotentes de uma pessoa, então responsável de um partido com sede na Caponte e que hoje anda de partido em partido sem conseguir se afirmar, provocaram a guerra entre os três e consequente vitória do movimento negro-rubro.

Aos poucos a história de Angola vai sendo escrita. Pena é que continuem a ser externos a fazê-lo enquanto – é que já passaram 35 anos, uma geração, – nós vamos continuando a negar evidências e esquecendo a História, por conveniência!…»

Folha 8 com DW (Guilherme Correia da Silva)
Foto: Arquivo de Luísa Marques Júnior

LUSOFONIA: Na história de Portugal (e do MPLA)

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Otelo Saraiva de Carvalho, militar e estratega do 25 de Abril de 1974, morreu hoje de madrugada aos 84 anos, em Lisboa. Foi um dos obreiros do 25 de Abril, sendo considerado o cérebro da revolução. Era o responsável pelo sector operacional da Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas (MFA), dirigindo as operações da revolução a partir do posto de comando no quartel de operações no Regimento de Engenharia n.º 1, na Pontinha, nos arredores de Lisboa.

No Movimento das Forças das Forças Armadas (MFA), que derrubou a ditadura de Salazar e Caetano, foi ele o encarregado de elaborar o plano de operações militares e, daí, ser conhecido como estratego do 25 de Abril.

No pós-revolução, foi comandante-adjunto do COPCON (Comando Operacional do Continente), passando a comandante efectivo em Março de 1975. Fez ainda parte do Conselho da Revolução durante o Processo Revolucionário em Curso (PREC), chegando à capa da revista norte-americana Time com o triunvirato formado com Francisco Costa Gomes e Vasco Gonçalves.

Após o 25 de Novembro de 1975, foi afastado de todos os cargos e chegou a estar preso. Foi ainda candidato às eleições presidenciais de 1976 e 1980, tendo perdido em ambas para Ramalho Eanes.

Nas presidenciais de 1976, a escolha no Conselho da Revolução recaiu sobre Ramalho Eanes, então Chefe do Estado-Maior do Exército, que logo recebeu o apoio do PSD, e em seguida do PS, CDS, MSD, PSDI, MRPP, da AOC e ainda organizações como a SEDES ou a CAP.

O ex-primeiro-ministro, almirante Pinheiro de Azevedo, que obteve 14,3% dos votos, e Otelo Saraiva de Carvalho, que estava em liberdade provisória depois de ter estado preso pelo seu envolvimento no 25 de Novembro, com 16,46%, foram os outros candidatos militares nas primeiras eleições presidenciais por sufrágio directo em democracia.

O PCP decidiu apresentar um civil, Octávio Pato, cuja votação, de 7,5%, o remeteu para o último lugar na corrida presidencial, que Ramalho Eanes ganhou com 61,59% dos votos.

Já em 1980, Otelo Saraiva de Carvalho criou o partido Força de Unidade Popular (FUP). Já em 1985, foi acusado de liderar as FP-25, organização armada responsável por vários atentados mortais, tendo sido condenado, em 1986, a 15 anos de prisão por associação terrorista. Esteve cinco anos preso e, em 1991, recebeu um indulto, tendo sido amnistiado anos depois, em 1996. No decorrer do processo das FP-25, foi também despromovido de brigadeiro a tenente-coronel.

Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho nasceu em 31 de Agosto de 1936 em Lourenço Marques, Moçambique, e teve uma carreira militar desde os anos 1960, fez uma comissão durante a guerra colonial na Guiné-Bissau, onde se cruzou com o general António de Spínola, até ao pós-25 de Abril de 1974.

O antifascista e antigo membro do comité central do PCP Raimundo Narciso evocou hoje Otelo Saraiva de Carvalho como a “principal figura da revolução do 25 de Abril pelo seu papel na coordenação do movimento das Forças Armadas”.

Em declarações à agência Lusa, Raimundo Narciso, que já foi membro da direcção da Associação do 25 de Abril, lembrou ainda o papel desempenhado por Otelo Saraiva durante o “período revolucionário”, logo a seguir ao 25 de Abril, admitindo que, mais tarde, o ora falecido se tenha tornado posteriormente numa “figura controversa”.

“É contudo do ponto de vista político uma figura controversa, mas teve o apoio da esquerda e dos populares e nunca deixou de ser uma figura carismática”, observou.

Segundo Raimundo Narciso, a participação de Otelo no caso das FP-25 de Abril acabou por prejudicar a sua imagem, mas isso “não pode fazer esquecer o seu papel na organização”.

“Otelo nunca deixou de ser uma figura simbólica do 25 de Abril e que tem a simpatia do povo português”, conclui Raimundo Narciso.

Antigo membro do PCP e um dos maiores activistas da ARA (Acção Revolucionária Armada), criada pelo PCP na clandestinidade para lutar contra as guerras coloniais que envolviam Portugal e impulsionar o derrube do regime e da ditadura implantada em 1926, Narciso Raimundo foi expulso do PCP em Novembro de 1991, por contestar a posição da direcção do PCP, de apoio ao “fracassado golpe de Moscovo para afastar Gorbatchev”, Raimundo Narciso foi um dos fundadores da Plataforma de Esquerda (1992/95).

Em 1995, em representação da Plataforma de Esquerda, no âmbito de um acordo com Jorge Sampaio e depois com António Guterres, integrou, como independente, a lista de deputados do PS, por Lisboa. Em 1998 filiou-se no PS.

O grande amigo do MPLA

Otelo Saraiva de Carvalho, um dos mais determinantes amigalhaços do regime angolano do MPLA, no poder desde 1975, dizia que o atraso de Portugal a reconhecer independência de Angola foi “muito grave”. A reconhecer o governo do MPLA, queria ele dizer.

“Não há dúvidas de que o reconhecimento tardio da independência de Angola levou a que nem sempre as relações com Portugal sejam boas. Há coisas que deixam marcas para sempre”, salientou.

O “capitão de Abril” Otelo Saraiva de Carvalho considerou “muito grave” que Portugal tenha sido o 83º país a reconhecer a independência de Angola, algo que considerou ainda interferir nas relações entre os dois Estados. Sobretudo porque, acrescente-se, os militares portugueses já tinham dado o poder a quem queriam, ou seja ao MPLA, em detrimento dos acordos estabelecidos que o colocavam em pé de igualdade com a FNLA e a UNITA.

A posição de Otelo Saraiva de Carvalho foi defendida em entrevista à agência noticiosa oficial do regime, Angop, em Lisboa, a propósito dos 40 anos de independência de Angola. Nela o ex-líder das FP-25 (Forças Populares 25 de Abril foram uma organização armada clandestina de extrema-esquerda que operou em Portugal entre 1980 e 1987) assumiu que “tardou demais” o reconhecimento, não havendo dúvidas de se ter tratado de um “tremendo erro” de Portugal.

“Não há dúvidas de que o reconhecimento tardio da independência de Angola levou a que nem sempre, ainda hoje, as relações com Portugal sejam boas. Há coisas que deixam marcas para sempre. Isso tudo custou caro para as relações entre Angola e Portugal”, sublinhou Otelo Saraiva de Carvalho.

O antigo militar adiantou, numa tentativa de reescrever a história, que foi “tentada uma plataforma mínima de acordo entre os três movimentos de libertação”. Trata-se de uma mentira pois essa plataforma só seria implementada se acaso o MPLA não tivesse – com a ajuda militar de Cuba – tomado o poder em Luanda.

“Tínhamos mais preferência pelo MPLA, porque era o único movimento, por razões ideológicas e capacidade de gestão política, do qual tínhamos contacto e diálogo”, reconheceu também o líder das FP-25, uma organização terrorista portuguesa responsável por 13 mortes – às quais acrescem ainda as mortes de 4 dos seus operacionais – dezenas de atentados a tiro e com explosivos e de assaltos a bancos, viaturas de transporte de valores, tesourarias da fazenda pública e empresas.

Otelo Saraiva de Carvalho disse ainda que António Spínola, político conservador, tinha uma ideia completamente diferente de autodeterminação e de independência.

“Spínola tinha uma ideia de criar uma ‘Commonwealth’ à portuguesa, em que ele seria o Presidente da República e de todas as províncias ultramarinas. A perspectiva dele era gizar uma cultura ultramarina que conduzisse à paz e mais nada. Isso era completamente ridículo”, disse.

Segundo Otelo Saraiva de Carvalho, a visão do Movimento das Forças Armadas (MFA) passava por medidas para elevar o nível económico, cultural e social do povo português, sobretudo das classes sociais mais desfavorecidas.

“Para nós, o Governo saído do da revolução de 25 de Abril deveria, imediatamente, também, reconhecer o direito dos povos à autodeterminação, com todas as consequências que daí adviriam, mesmo a independência”, frisou.

Numa mensagem a propósito dos 40 anos de independência, Otelo Saraiva de Carvalho considerou “extremamente aliciante (re)construir um país”.

“É satisfatório sentirmos, eu e os meus camaradas, o sonho dos nacionalistas africanos em tornar rapidamente possível o alcance da liberdade, da dignidade e da soberania dos seus países”, destacou.

Folha 8 com Lusa

ANGOLA: “Casamento” com a Turquia só depende do alambamento.

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O Presidente de Angola, João Lourenço, inicia na terça-feira uma visita de Estado à Turquia, a convite do seu homólogo Recep Tayyip Erdogan, levando na pasta vários acordos, entre os quais a ligação aérea entre os dois países. Lembram-se do “Colégio Turco”? Da “troca” de curdos residentes em Angola por… arroz?

O Chefe de Estado, também presidente do MPLA e Titular do Poder Executivo lidera uma delegação que integra vários ministros e tem chegada à capital, Ancara, prevista para hoje à tarde, segundo uma nota dos serviços de imprensa do Presidente.

Na capital turca, João Lourenço vai encontrar-se com Erdogan na terça-feira à tarde, enquanto as delegações ministeriais recíprocas vão analisar questões essenciais da relação entre Angola e a Turquia.

Na sequência destas acções, vão ser assinados vários acordos no domínio dos transportes (ligação aérea entre os dois países), a cooperação militar, o comércio, economia e recursos minerais.

Vão também passar em revista aspectos consulares e diplomáticos, designadamente a eliminação de vistos em passaportes de serviço, diplomáticos e especiais.

A missão do Presidente angolana na Turquia fica também marcada pela realização de um fórum económico empresarial na quarta-feira, onde irão participar dezenas de homens de negócios dos dois países.

“Neste fórum, o estadista angolano vai dirigir-se ao empresariado turco, para sublinhar o potencial económico de Angola e as múltiplas iniciativas tendentes a melhorar progressivamente o ambiente de negócios”, acrescenta o comunicado.

O director regional da Turkish Airlines, Alp Yavuzenser, disse hoje à Rádio Nacional de Angola, que a companhia turca vai operar duas vezes por semana na rota Ancara-Luanda-Ancara, quando for concretizado o acordo de ligação aérea com vista a aumentar o volume de investimentos e as trocas comerciais entre os dois países.

Em 2017, as autoridades angolanos alegar que o encerramento do Colégio Esperança Internacional (COESPI) – também conhecido por Colégio Turco – se deveu à necessidade de “assegurar a paz e a segurança nacional”. Foi uma explicação que só lembraria ao Diabo. E foi mesmo isso que aconteceu. O Diabo lembrou-se e mandou encerrar.

“Havendo necessidade de se garantir o bem-estar e a segurança dos cidadãos num clima de paz e harmonia social, sem quaisquer divisionismos susceptíveis de atentar contra a unidade e integridade territorial, arduamente alcançadas com o sacrifício do Povo angolano”, disse o Presidente da República quando autorizou o encerramento do Colégio.

Repita-se, para que não restem dúvidas, que tudo isto se passou com o aval do então Presidente da República, José Eduardo dos Santos e, ainda, com a conivência da comunidade internacional e das instituições internas que, em teoria, deveriam zelar pela legalidade e pelo primado de que ninguém (nem mesmo, é claro, o Presidente da República) está acima da lei.

No caso, como não se estava a falar de uma democracia e de um Estado de Direito, mas apenas de uma ditadura maquilhada com ténues indícios de democracia, valeu mesmo tudo. Tudo mesmo.

Assim, com a cobertura despótica do mais alto magistrado do reino (falar de Nação é um atentado contra a verdade), o ministro do Interior, Ângelo da Veiga Tavares, não teve dúvidas – perante ordens superiores nenhum sipaio tem dúvidas – em dizer que lhe mandaram dizer, ou seja, que o encerramento do Colégio Esperança Internacional, no dia 7 de Fevereiro de 2017, foi uma “questão de Estado e de soberania”.

Visivelmente embaraçado por não saber o que estava a dizer, o ministro tentou explicar que a decisão do Governo teve a ver com questões graves que lesavam o Estado.

“A questão que fez com que o Governo tomasse a decisão de encerramento do colégio é de bastante gravidade. Não tem nada a ver com quaisquer pressões que o Governo angolano vem sofrendo de qualquer país, mas por questões de natureza factual que nós não vamos pormenorizar, porquanto existe outra estrutura que está também a dar tratamento a esta questão”, disse o ministro, tentando explicar o inexplicável e que se poderia resumir numa palavra: nepotismo.

O ministro Ângelo da Veiga Tavares, numa vã tentativa de tentar tapar o sol com uma peneira, veio decorar a aberrante e despótica decisão com as supostas garantias de que houve “lisura” no processo de encerramento, e que os pais e encarregados de educação podiam estar descansados que o Governo iria minimizar os estragos.

Recorde-se que o despacho do Ministério da Educação, datado de 7 de Fevereiro, assinado pelo ministro Pinda Simão, ordenava o encerramento e determinou a entrega de toda a documentação fundamental, como documentos legais da instituição, processos individuais dos alunos, contratos e cadastros do corpo docente e administrativo ao Gabinete Provincial de Educação de Luanda.

Claramente todos estes documentos vão desaparecer “em combate” pois, a fazer fé nas metodologias da ditadura do MPLA, há sempre uma patriótica queima de arquivos.

Mostrando que sabe ser muito forte com os fracos e muitíssimo fraco com os fortes, José Eduardo dos Santos limitou-se a ceder em toda a linha às “ordens superiores” do camarada Recep Tayyip Erdogan. A troco de quê? De arroz para encher as barrigas famintas dos angolanos, mas também a algo muito mais valioso que passa por certos paraísos fiscais.

Onde irá parar a documentação que comprova a ligação do Colégio a um antigo ministro das Finanças e a Manuel Vicente, através de uma fictícia alteração do pacto social, onde entraram sem um tostão?

Do ponto de vista do regime, até por se tratar da necessidade de “assegurar a paz e a segurança nacional”, esse acervo será incinerado. Esquecem os ideólogos desta e de outras teses conspirativas que há cópias de todo esse acervo do Colégio Turco espalhadas por diversas partes do mundo e, inclusive, nas mãos de jornalistas.

O despacho do ministro da Educação (ou seja, de sua majestade o rei José Eduardo dos Santos) garantia que os pais e encarregados de educação seriam informados de todo o processo. Trata-se, é claro, de uma treta formal que, na prática, quer dizer: ou se calam ou… vejam o que acontece a quem contesta as nossas ordens.

Mais uma vez o regime matava primeiro e interrogava depois, primeiro lavra a sentença e depois faz o julgamento, garantindo assim que, em Angola, até prova em contrário todos somos… culpados.

Ao estilo dos carrascos que cortam o pescoço ao suposto culpado e, depois (sempre depois) aparecem a pedir desculpa, também Ângelo da Veiga Tavares, reconheceu “alguma irregularidade” no encerramento do colégio e afastou “quaisquer pressões” do Presidente turco. Tudo não terá passado, afinal e segundo a tese de Eduardo dos Santos, de uma infeliz coincidência.

Folha 8 revelou em primeira-mão

No dia 13 de Outubro de 2016, o Folha 8 escreveu que o presidente da Turquia, Recep Tayip Erdogan, estava a estabelecer contactos com as autoridades angolanas tendo em vista a extradição dos cidadãos turcos em troca do fornecimento de diversos produtos, sobretudo alimentares, visando encontrar mais uns tantos suspeitos para o suposto golpe de Estado da noite de 15 para 16 de Julho.

Em termos lineares, a ideia de Erdrogam foi trocar comida por pessoas que, supostamente, tiveram a ver (nem que seja só em pensamento) com a tentativa de golpe de Estado. Ao que parece, basta ser turco e, neste caso, estar fora do país para ser culpado até prova (que nunca existirá) em contrário.

Continuemos a relembrar o que nós escrevemos nesse dia. O alvo era África, mais concretamente, Angola. Tanto quanto o Folha 8 apurou, o Presidente José Eduardo dos Santos não estava convencido da validade dos argumentos das autoridades turcas, desde logo porque os cidadãos turcos estavam em situação legal, integravam uma comunidade pacífica e socialmente integrada e constituíam um importante motor do desenvolvimento económico e social do país.

No entanto, existia uma corrente de falcões no seio de altos dignitários do regime que, por mera ambição financeira, tentava convencer José Eduardo dos Santos. Nesse sentido, jogava a argumentação das relações bilaterais, dos investimentos oficiais turcos, pouco se importando que essa troca de comida por pessoas ponha em perigo a vida de inocentes, incluindo mulheres e crianças, legalmente estabelecidos no nosso país.

Aliás, sendo a extradição solicitada no âmbito da acusação de participação, directa ou indirecta, na tentativa de golpe de Estado, sabia-se que essas pessoas (inclusive mulheres grávidas) seriam condenadas e que a pena de morte era um dos cenários mais credíveis.

Neste momento, escrevia o Folha 8, os turcos que vivem em Angola onde, repita-se, constituem uma valiosa e importante comunidade para o nosso país, vivem apavorados por temerem que as garras de Erdogan consigam convencer as autoridades angolanas de que são aquilo que não são: golpistas.

Grave é, igualmente, o facto de que vários dirigentes do MPLA se perfilaram para corroborar as teses turcas, visando apenas apoderar-se do património desses cidadãos que, se forem deportados, verão os seus bens, investimentos, negócios confiscados pelos canibais do regime.

“Os turcos são empresários e nunca fizeram política nem na Turquia nem Angola. Agora que lhes cai em cima a possibilidade de serem, como outros, bodes expiatórios dos nefastos e opacos desígnios de Erdogan, ainda acreditam que Angola não se perfilará ao lado dos piores de África, nomeadamente Sudão e Somália, únicos países que aceitaram essa negociata de trocar seres humanos inocentes por dinheiro e arroz”. Isto foi escrito em 13 de Outubro de 2016.

Perante este cataclismo que podia, a todo o momento, bater-lhes à porta, os turcos apelaram à União Europeia, Estados Unidos da América e União Africana para poderem estar solidários com a sua situação enquanto inocentes que, caso o arroz valha mais do que eles na balança do Governo angolano, terão como destino a morte.

Na altura o Folha 8 recordou que Recep Tayyip Erdogan foi “vítima” de uma tentativa de golpe militar feito por medida e à medida de Recep Tayyip Erdogan. Esta foi, aliás, a melhor maneira para Recep Tayyip Erdogan fazer ele próprio um golpe militar para permitir a Recep Tayyip Erdogan instituir a pena de morte, fazer todas as purgas que entender, ficar com todos e mais alguns poderes e, ainda por cima, garantir a solidariedade e o apoio da Europa, EUA e Rússia.

Em todo este macabro jogo geo-estratégico em que as pessoas foram (são) meras peças de um xadrez canibalesco, relembremos que o islâmico-conservador Recep Tayyip Erdogan afirmou ter provas do envolvimento da Rússia no tráfico de petróleo do grupo extremista Estado Islâmico na Síria. Ao que a Rússia diz ter provas do envolvimento de Recep Tayyip Erdogan no mesmo tráfico. O Presidente turco mandou igualmente os EUA e a União Europeia darem uma volta ao bilhar grande ao dizer para americanos e europeus se meterem nos seus assuntos, depois das críticas dos ocidentais sobre a repressão sobre as pessoas suspeitas de envolvimento no suposto golpe de Estado falhado.

A Turquia procura apresentar-se perante os países africanos como o seu grande porta-voz junto das instituições internacionais, além dos seus papéis económico e humanitário. Há mais de uma década que a Turquia tem negócios a sul do Saara, recorda o Le Monde. Entre o domínio chinês e a presença brasileira e russa, há ainda espaço para os turcos multiplicarem contactos, entre ajudas humanitárias e lucros próprios.

Depois de uma história que liga a Turquia a África há muitos séculos, a entrada na União Europeia, em 2008, levou o país a reorientar a sua política internacional. Com a liderança do ministro das Relações Exteriores da época, Ahmet Dutoglu, a rede turca de representações diplomáticas em África expandiu-se muito. De 12 embaixadores, passaram a ser 39. E hoje há também 32 embaixadas africanas na Turquia.

E a diplomacia é também, se assim se pode dizer, “aérea”: em 2008, a Turkish Airlines voava para apenas quatro destinos na África subsaariana. Hoje são 26 voos diferentes. E o objectivo é claro: destronar a Ethiopian Airlines, a maior companhia africana, e também a Air France-KLM.

Os novos mercados

Escrevia o Le Monde que, nos últimos anos, as guerras na Síria e no Iraque e o afastamento entre Turquia e Egipto, Rússia ou UE levaram o país a ter de se reposicionar em termos diplomáticos. Para isto, a ASKON (a federação turca dos empresários e dos industriais) desempenhou um papel-chave, avançando para África. Os investimentos turcos no continente eram de 500 milhões de dólares em 2008, mas hoje ultrapassam os 10 mil milhões – estando sobretudo na Etiópia, na África do Sul, no Sudão e na Nigéria.

O grande papel da Turquia em África aos olhos do mundo foi o seu trabalho humanitário na Somália. O país participou na missão da ONU em território somali em 1991 e dois anos depois foi um turco, Çevic Bir, que passou a liderar essa força internacional. Em 2011, a 19 de Agosto, Recep Tayyip Erdogan surpreendia o mundo ao visitar a Somália, onde a seca e a fome deixavam um rasto de devastação. Viajou com a mulher, a filha, quatro ministros e outros membros do seu gabinete. A visita teve uma carga simbólica muito elevada – Erdogan era o primeiro chefe de Estado não-africano a visitar o país em 20 anos.

Ankara abriu depois uma embaixada em Mogadíscio, abriu poços de água, construiu uma estrada que liga a capital somali ao aeroporto e ergueu um hospital com 200 camas, que é o maior do país. E foi uma empresa turca que venceu o contrato para reconstrução e manutenção do porto de Mogadíscio. Em termos diplomáticos, a Turquia mediu as conversações entre a Somália e a Somalilândia, em 2015.

O AKP (o partido no poder na Turquia) afirmava o papel do Islão como instrumento político na cena internacional. Através das escolas da confraria Gülen e da IHH (a fundação turca para ajuda humanitária) levam essa mensagem mais longe. Há mais de uma centena de estabelecimentos ligados a estas redes turcas na África subsaariana.

Num registo mais laico, a TIKA (a agência turca de desenvolvimento) leva numerosos programas a cabo no continente, onde tem vários escritórios (na Etiópia, no Sudão, no Senegal, na Somália, no Quénia e na Tunísia).

E como é que os países africanos vêem estes avanços turcos? Cada um terá a sua ideia. Mas o investigador turco Mehmet Özgan resumiu ao Le Monde o estado de espírito das nações de África em traços gerais: “Uma mistura de embaraço e de esperança”.

fonte: folha8

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