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NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... O resultado das eleições presidenciais no Congo-Brazzaville não deve...

sábado, 13 de abril de 2013

Senegal: O Chefe de Estado Macky Sall nomeou os membros do Conselho Económico, Social e Ambiental.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...




Foi ontem à noite que o Presidente da República, Macky Sall, assinou dois decretos que nomeiam os membros associados ao Conselho Económico, Social e Ambiental. Em Exclusivo "The Sun" oferece aos seus leitores a integridade dos dois decretos.

DECRETO N º 2013-479 nomeação dos membros do Conselho Económico, Social e Ambiental
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Ciente da Constituição;
Dado Lei Orgânica n ° 2.012-28, de 28 de Dezembro de 2012 sobre a organização e o funcionamento do Conselho Económico, Social e Ambiental;
Tendo em conta o Decreto n º 2012-427 de 03 de abril de 2012, que nomeia o Primeiro-Ministro;
Tendo em conta o Decreto n º 2.013-52 de 11 de janeiro de 2013 que determina a sede e as condições de instalação do Conselho Económico, Social e Ambiental;
Tendo em conta o Decreto n º 2.013-53, de 11 de janeiro 2013 alocação de fixação dos membros do Conselho Económico, Social e Ambiental alterado pelo Decreto 2013-308 de 27 de Fevereiro de 2013;
Tendo em conta o Decreto n º 2.013-54 de 11 de janeiro de 2013, que estabelece as condições de nomeação dos membros do Conselho Económico, Social e Ambiental, na redacção dada pelo Decreto n º 2013-309 de 27 de Fevereiro de 2013;
Tendo em conta o Decreto n º 2.013-57 de 11 de janeiro de 2013, que estabelece a remuneração e benefícios dos membros do Conselho Económico, Social e Ambiental;
Tendo em conta o Decreto n º 2.013-94 de 14 de janeiro de 2013 que nomeia o Presidente do Conselho Económico, Social e Ambiental;

Decreta

Artigo primeiro: são nomeados membros do Espaço Económico, Social e Ambiental em organizações socioprofissionais:


1.    M. Mody GUIRO ; 
2.    M. Mohamadou Lamine FALL ;  
3.    M. Mademba SOCK ;  
4.    M. Mamadou DIOUF ; 
5.    M. Cheikh DIOP ; 
6.    M. Sidya NDIAYE ; 
7.    M. Baïdy AGNE ; 
8.    M. Ibou NDIAYE ; 
9.    M. Mbagnick DIOP ; 
10.    M.Serigne Ndia NDONGO ;
11.    M. Ismaïla SOW ; 
12.    M. Samba GUEYE, 
13.    M. Lamine NDIAYE, 
14.    M.Serigne Ousmane SECK, 
15.    Dr Alpha Boubacar SY ; 
16.    Me Bocar NIANE ; 
17.    M. Idrissa NDIAYE ; 
18.    Me Amadou Moustapha NDIAYE ;
19.    M. Abdou Aziz DIEYE ; 
20.    M.Sara Sall ;
21.    M. Alé LO;
22.    M.Mouhamadou Habib NIASSE ; 
23.    M. Ngaïdo BA ; 
24.    Professeur Pape Demba SY ; 
25.    Mme Maïmouna Isabelle DIENG ; 
26.    Mme Abibatou NDIAYE ; 
27.    Mme Tiné NDOYE ;
28.    Mme Sokhna Aminata Fall 
    MBACKE;
29.    M. Birahim SECK;
30.    M. Amacodou DIOUF ;
31.    M. Amadou KANE ;
32.    Imam Mouhamadou Bamba 
    SALL;
33.    Imam Alioune SALL ;
34.    Mme Madeleine Pinto SENE ;
35.    Mme Aïda SOUGOU ;
36.    M. Amadou Moustapha DIOP ; 
37.    Mme Awa Cheikh MBENGUE ; 
38.    M. Lamine DIOUF ; 
39.    M. Alassane THIMBO ; 
40.    Mouhamet SOUGOU ; 
41.    Mme Diari BA ; 
42.    M. Vieux Seynou NDIAYE ;
43.    M. Ibrahima DIAGNE ;
44.    M. Seyni SECK ;
45.    Colonel Mame Balla GUEYE ;
46.    M.Emile WARDINI ;
47.    Mme Voré Gana SECK ;
48.    M. Gade SALL.
Artigo 2 º serão nomeados os membros do Conselho Económico, Social e Ambiental a título de personalidades qualificadas e designadas por causa de sua experiência na vida económica, social e ambiental:
1.    M. Woula NDIAYE ;
2.    Mme Marième HANN ;     
3.    Mme Fatoumata Moctar NDIAYE ; 
4.    M. Baïdy BA ;
5.    M. Abdou Salam GUEYE ;
6.    M. Serigne Moustapha MBACKE;
7.    M. Bassirou SY;
8.    M. Karim SENE ;     
9.    M. Abdou Aziz NDIAYE;
10.    M. Yaya SOW ;
11.    M. Malaw SOW ; 
12.    M. Mor NDIAYE ;
13.    Mme Adja Coumba NDIAYE;
14.    M. Moussa Sik Samba SOW;
15.    M. Sidel SOW ;
16.    M. Sidy Kawory DIA ;
17.    M. Alassane THIAM ;
18.    Colonel Mansour MBOUP;
19.    Mme Ndèye SENE ;
20.    M. Amadou    THIMBO ;    
21.    M. Boukhadry KABA ;
22.    M. Mamadou DIOP ;
23.    M. Madior DIOUF ;
24.    M. El Hadj Momar SAMB ;
25.    M. Baye Mamoune NIASS ;
26.    Mme Mame Bousso MBACKE ;
27.    Mme Yacine NDAO ;
28.    M. Amadou Bana NDAO
29.    M. Cheikh SARR ;
30.    M. Birane NIANG ;
31.    M. Ndane DIOUF ;
32.    M. El Hadji Ibrahima MBOW;
Artigo 3 º: Este decreto será publicado no Jornal Oficial.
                                                                                          Feito em Dakar, 12 de abril de 2013

Pelo Presidente da República: Macky Sall.
        
O primeiro-ministro: Abdoul Mbaye

DECRETO N º 2013-480 nomeação dos membros
Associado do Conselho Económico, Social e Ambiental

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Ciente da Constituição;
Dado Lei Orgânica n ° 2.012-28, de 28 de Dezembro de 2012 sobre a organização e o funcionamento do Conselho Económico, Social e Ambiental;
Tendo em conta o Decreto n º 2012-427 de 03 de abril de 2012, que nomeia o Primeiro-Ministro;
Tendo em conta o Decreto n º 2.013-52 de 11 de janeiro de 2013 que determina a sede e as condições de instalação do Conselho Económico, Social e Ambiental;
Tendo em conta o Decreto n º 2.013-53, de 11 de janeiro 2013 alocação e fixação dos membros do Conselho Económico, Social e Ambiental alterado pelo Decreto 2013-308 de 27 de Fevereiro de 2013;
Tendo em conta o Decreto n º 2.013-54 de 11 de janeiro de 2013, que estabelece as condições de nomeação dos membros do Conselho Económico, Social e Ambiental, na redacção dada pelo Decreto n º 2013-309 de 27 de Fevereiro de 2013;
Tendo em conta o Decreto n º 2.013-55 de 11 de janeiro de 2013, que estabelece as condições para a nomeação dos membros associados do Conselho Económico, Social e Ambiental e seus subsídios;
Tendo em conta o Decreto n º 2.013-57 de 11 de janeiro de 2013, que estabelece a remuneração e benefícios dos membros do Conselho Económico, Social e Ambiental;
Tendo em conta o Decreto n º 2.013-94 de 14 de janeiro de 2013 que nomeia o Presidente do Conselho Económico, Social e Ambiental;

Decreta

Artigo primeiro: são designados membros associados do Conselho Econômico, Social e Ambiental.

1.    M. Mbaye SAMB ;
2.    M. Aziz NDIAYE ;
3.    M. Pape KA ;
4.    M. Dabel BA ;
5.    Mme Sokhna Walo KANE ;
6.    Mme Astou BA ;     
7.    M. Ibrahima Khalil FALL;
8.    M. Baye Mor NDIAYE;     
9.    M. Mamour Ndary BA;
10.    M. Khadim KHOLE;
11.    M. Ndiol LOUM;
12.    M. El Hadj Maodo SARR;
13.    M. Mamadou Saliou BARRY ;
14.    M. El Hadji Magaye GAYE ;     
15.    M. Mahwa  FAYE ;
16.    M. Serigne Babacar SARR ;
17.    Mme AYA NDIAYE ;
18.    M. Gassimou SY ;
19.    M. Sadio DANFAKHA ;     
20.    M. Moussa SABALY ;
21.    M. Abdoulaye BALDE ;    
22.    Mme Oumou BA ;
23.    M. Bocar Hamidou MBATHIE ;
24.    M. Mansour DIOP ;     
25.    M. Mouhamadou NDIAYE;
26.    M. Abou LY;
27.    Mme Ndèye WELLE;
28.    M. Ibrahima GAYE ;     
29.    M. Mamadou Lamine DIAWARA ;
30.    M. Sadia FATY ;
31.    Mme Mariama CAMARA ;
32.    M. Magueye NDIAYE;
33.    M. Demba THIAM ;
34.    M. Boubacar BALDE ;
35.    M. Ousmane DIALLO ;     
36.    Mme Rougy BARRY;
37.    M. Sidya DJIBA;
38.    M. Mamadou Kana DIALLO; 
39.    Mme Kardiata DEME;
40.    M. Moustapha Amadou WONE.

Artigo 2 º: Este decreto será publicado no Jornal Oficial.
                                                                                                              Feito em Dakar, 12 de abril de 2013

Pelo Presidente da República
Macky Sall.

O primeiro-ministro Abdoul Mbaye.


Fim de semana é para relaxar e ler, por isso vale a pena conferir: Jesus Garcia - "A proposta do projecto de Chávez tem apenas catorze anos, mas a dívida social acumulada é de quase quinhentos anos".

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...




Senhor embaixador, como estão, do seu ponto de vista, as relações entre a Venezuela e Angola, neste momento?
As relações entre a República de Angola e a República Bolivariana da Venezuela atravessam um bom momento. Podemos fazer uma síntese destas relações começando em 1986, quando se assinou o relacionamento oficial entre Angola e Venezuela, mas foi a partir do momento em que o Presidente Chávez chegou ao poder que se iniciou uma maior aproximação a África. Foi em 2006, quando o Presidente Chávez visitou Luanda, em que teve um encontro com o Presidente José Eduardo dos Santos, depois veio a abertura da Embaixada da Venezuela, no bairro Miramar. A partir daí assinou-se um convénio na área da energia e começou-se, de facto, a aprofundar as relações entre os dois países. Um segundo momento surge com a assinatura de um Memorando de Entendimento Político entre a Venezuela e Angola, isso em 2010, que permite que os dois países, em questões de relações internacionais, em fóruns como a ONU, possam ter posições comuns. E isso pode ser notado na coincidência de ideias em temas estratégicos como, por exemplo, a mudança climática, o respeito e não intervenções externas em países africanos e sul-americanos, questões de soberania, a estratégia de segurança alimentar, etc. Este memorando de Entendimento foi-se desenhando em cada conjuntura política que o mundo foi e vai vivendo. Há também um acordo geral de cooperação, para todas as áreas, educação, ambiente, comunicação, formação superior, etc.

 Até há bem pouco tempo a Venezuela tinha apenas quatro embaixadas em África, daí esta relação ampla com Angola?
Não, a Venezuela tem relações com todos os países africanos, com excepção daqueles cujo poder resultou de um golpe de Estado, como aconteceu com a Guiné Conacri, etc. Mas nós temos dezoito embaixadas físicas em África e relações com quase todos os outros países. Por exemplo, a embaixada de Angola trata também de S. Tomé e Príncipe. Mas há outros exemplos, como a Embaixada no Mali que trata também com o Brukina Faso, a do Senegal com a Mauritânia, por aí. Temos dezoito embaixadas físicas, mas temos relações com toda a África. Isso nunca tinha acontecido antes de Chávez. Antes sim, tínhamos relações com dois países africanos. Tudo isso mostra a grande vontade política do Presidente Chávez de pôr em prática as relações Sul – Sul.

As relações Sul – Sul, aliás, eram a bandeira de Chávez...
Sim, eram a sua bandeira e continuarão a ser para todos os que acreditam no projecto de Chávez.
  
Esta visão de Chávez teve muita importância e parece ter sido partilhada por outros países da América Latina, como se viu nas reacções à sua morte e no facto de na manhã seguinte terem chegado a Caracas três presidentes. Mas alguns analistas, nas cadeias internacionais, diziam que esta solidariedade resultava também do facto de Chávez ter financiado alguns líderes, nomeadamente nas suas campanhas eleitorais...
O que acontece é que no mundo Ocidental, particularmente aqueles que dominaram o chamado terceiro mundo, não estão a perceber que surgiu um outro tipo de relacionamento entre os povos. Por exemplo, critica-se muito a relação entre Cuba e a Venezuela, diz-se que a Venezuela oferece petróleo a Cuba. É verdade que a Venezuela envia cem mil barris de petróleo, diários, para Cuba, mas Cuba paga-nos enviando médicos, dando formação, que vai até à formação desportiva, ajudando-nos naqueles aspectos que fazem falta ao nosso desenvolvimento. Não se trata de oferecimento de petróleo ou de dinheiro a Cuba, nada disso, trata-se de uma troca. Cuba, que não tem dinheiro, paga enviando recursos humanos especializados. O mesmo se passa com a Nicarágua. A Venezuela envia petróleo à República Dominicana, envia a outros países das Caraíbas, mas isso surge de acordos.
Por exemplo, se a Nicarágua produz grãos, como o trigo, eles pagam com o grão. Isto dá forma ao que chamamos de Comércio Justo. E para estes países a Venezuela pratica preços especiais de petróleo, que não são os preços a que vendemos à Europa e aos Estados Unidos da América. Aos países com que estabelecemos este Comércio Justo o preço pode sofrer “descontos” que cheguem aos quarenta por cento, além de poderem gozar de um determinado tempo para pagar o crédito. Os Estados Unidos e outros países ocidentais pagam em cash. A Venezuela diz: eu te dou um barril de petróleo e você paga já.
O que temos é o que chamaria de uma nova solidariedade, uma solidariedade que apenas um homem como Chávez pode entender. Não se trata da solidariedade como caridade, trata-se de uma solidariedade como um gesto humano, entendida no âmbito do Comércio Justo e num novo relacionamento no mundo…

 Não é apenas para ganhar influência na região e irritar os americanos?
Não. Mas eles irritam-se, porque não o percebem. Não entendem. Porque é outra política, outra mentalidade. Desculpe a comparação, mas é como se você for ter com os coisan, em Angola, eles têm outra mentalidade, são totalmente desprendidos daquilo que é material, totalmente.
Para eles o mais importante é o relacionamento humano, é viver como querem … desculpe, mas por muito que o Governo e as instituições queiram mudá-los, dando-lhes casas para os fixarem… o que quero dizer é que existe outra mentalidade, outro tipo de relacionamento entre nós, os seres humanos. Foi isso que Chávez construiu nestes catorze anos em que esteve no poder. E esta é a senda que devemos seguir. Hoje podemos ver mandatários como Corrêa, o Presidente do Equador, por exemplo, que se deslocou a Caracas, esteve lá cantando hinos nacionais, esteve a Presidente da Argentina, Cristina Kirshner, o Presidente Mujica, do Uruguai, Esteve Raúl Castro, Presidente de Cuba, esteve Dilma Roussef. A nova mentalidade da América Latina esteve reunida aí. Uma nova proposta que nasce com muita força para construção de um mundo melhor, mais justo…

 Uma mentalidade que traz, agora, a verdadeira independência da América Latina?
Totalmente, porque o que acontecia é que estes países eram considerados repúblicas das bananas, como o pátio de trás dos Estados Unidos, mas hoje isso já não acontece, já não é possível.
Mas há a questão da dependência tecnológica…
Mas nisso avançámos muito, também. Veja, em 2002 organizaram e realizaram o golpe de Estado para derrubar Chávez, mas não conseguiram. Seguiu-se um outro golpe de Estado tecnológico e petrolífero, em que a maioria dos engenheiros e técnicos colocaram-se ao lado dos Estados Unidos, que tinha o controlo tecnológico… Chávez teve de tomar a decisão de despedir qualquer coisa como vinte e cinco mil técnicos, engenheiros, mas lançou um plano rápido de formação tecnológica, para que pudéssemos ter o controlo tecnológico do nosso petróleo. Aí se viu que se não temos o controlo da tecnologia somos dependentes, agora temos já quadros suficientes que fazem trabalhar as nossas refinarias que são aproximadamente doze espalhadas pelo mundo. Nós temos a maior reserva de petróleo do mundo, o que implica que continuemos a formar mais e mais quadros para desenvolvermos a nossa tecnologia na área do petróleo. É uma experiência que pretendemos partilhar com Angola, na verdade temos um século a trabalhar na área petrolífera e estamos em condições de ajudar a formar técnicos angolanos na área petrolífera, para que Angola tenha os seus quadros e não se sujeite ao dia em que as grandes empresas venham a dizer acabou, por exemplo, ou que pretendam impor o que seja. É uma experiência para observar, esta da Venezuela, a forma como superamos a situação.

 Além da petrolífera, Angola e a Venezuela têm cooperado noutras áreas, como a do Ambiente, a da Cultura…
É importante ressaltar que Angola, com a visão estratégica que tem sobre a área energética, até porque sabemos que há fontes de energia que não são renováveis, assinou um acordo que envolve a Sonangol, a Cupet, que é a companhia cubana de petróleos, e a empresa de petróleos venezuelana, a PDVSA, em que Angola adquiriu dois blocos de exploração na área petrolífera de Orinoco (Venezuela), onde se encontram as maiores reservas do mundo. Isto demonstra a visão estratégica de Angola, ao começar a explorar petróleo no nosso país e constituir reservas a longo prazo, já que as reservas daqui, ao que se diz, rondam os treze mil milhões de barris. Por outro lado, temos acordos na área do Ambiente, para a formação de quadros. Está em perspectiva um outro acordo na área das águas, para partilharmos experiências. Tanto Angola como a Venezuela têm muita água, aqui há o Kwanza, o Keve, o Okavango… mas isso precisa de uma grande intervenção agressiva para fazer a água chegar aos cidadãos, necessitamos de quadros. A formação de quadros é importante, até, por exemplo, para ligar com os derrames de petróleo, e nós também vivemos com isso… há derrames em Cabinda, que tem as maiores reservas de petróleo em Angola, e isso afecta também o meio ambiente… nós podemos partilhar a nossa experiência nesta área, é importante. Há outras áreas como a medicina, em que estamos já a ajudar a formar quadros angolanos… há cento e dez estudantes angolanos na Venezuela, o que é demonstrativo deste relacionamento estratégico na área da formação.
Para quem visita a Venezuela, um país com muito petróleo, que é membros fundador da OPEP e que tem sinais de progresso importantes, não pode deixar de notar também nas bolsas de pobreza que estão patentes nos morros de Caracas, por exemplo. Dá para perguntar o que é que se passou aqui neste tempo todo?
A proposta do projecto de Chávez tem apenas catorze anos, mas a dívida social acumulada é de quase quinhentos anos. Em catorze anos não é fácil resolver todos os problemas, mas os problemas básicos como a saúde, a educação e habitação, e aqui se nota claramente o esforço e o alto ritmo de construção de habitação, o que constitui um indicador, um indicador importante de desenvolvimento humano… em catorze anos estamos a superar rapidamente estas carências. As bolsas de pobreza a que se referiu, se as tivesse visto há vinte anos teria notado que as coisas estavam bem piores, porque noventa por cento do dinheiro do petróleo ficava com uma elite que constituía um por cento da população, eram os brancos ricos. Mas nestes catorze anos a situação foi invertida, agora cerca de noventa e cinco por cento vai para quase noventa por cento da população. O que dizem hoje as Nações Unidas sobre o Índice de Desenvolvimento Humano? Passamos para o lugar 87 (oitenta e sete), de entre os cento e sessenta e tal países. Avançámos muito. A Venezuela é o país que mais come, depois de Cuba, é o país da América Latina com a mais alta taxa de educação (escolaridade), o que é reconhecido pela UNESCO…

Tem a quinta maior taxa de inscrição universitária do mundo…
Sim. Para isso é que vai o dinheiro do petróleo. Quando chega ao aeroporto, no trajecto para a cidade, vê, certamente, a imagem do que falou, mas se entrar num destes bairros, vai encontrar uma clínica, não apenas para o atendimento primário, trata-se de clínicas onde pode fazer tomografias grátis, há especialistas… há muitas coisas que não se vêem assim…

Mas, olhando para os avanços sociais de Chávez, quando há campanhas eleitorais na Venezuela, e Chávez disputou algumas, sendo sempre um candidato muito forte. A pergunta é: como é que Chávez com tantos avanços e tantas melhorias nas condições de vida da população, na hora da disputa eleitoral a Oposição de direita ainda aparece com força, dando luta?
Você, como jornalista, como comunicador social, sabe o que se passa. A media, eu não diria que é o quarto poder, penso que a media é o primeiro poder. Pode deturpar, desvirtuar, manipular toda a informação, o que se passava é que quando cheguei a Luanda a ideia que existia era a de que Chávez era um ditador, porque aqui apenas chegava a informação veiculada pelos órgãos manipuladores da informação, como a CNN, a Reuters, Rádio França Internacional, etc. Os media têm muita influência e podem pegar numa grande mentira e transformá-la numa verdade. Existe um grande pluralismo e a media venezuelana está nas mãos de empresas privadas, nacionais e internacionais. Olhando para o rating, os media oficiais criados com o processo bolivariano não chegam aos sete por cento, porque não têm ainda cobertura suficiente, é uma falha no processo tecnológico, falta cobertura por satélite. Mas a media manipula, e muito. Apesar de termos avançado muito. E há o apoio muito claro dos Estados Unidos em contribuir para a desestabilização…

Está a falar do caso do golpe de Estado contra Chávez em que as televisões já tinham tudo pré-gravado…
Sim, montaram aqueles bonequitos… esta foi uma experiência de que falamos muito cá em Angola, com o Ministério da Comunicação Social, sobre como estimular o desenvolvimento das rádios comunitárias, as televisões comunitárias. Nós temos estado a avançar neste aspecto, na Venezuela existem agora cerca de quatrocentas emissoras comunitárias, tanto de rádio como de televisão. Na região onde se vai assinar uma geminação entre o Huambo e Barlovento, aí temos uma emissora comunitária que chega a um milhão de habitantes, que se chama Afro TV, porque trabalha com a identidade afro e apoia e informa sobre tudo o que o Governo tem feito em matéria da luta contra a pobreza.
Além da força dos media, a Venezuela acolhe imigrantes, até europeus, com muitos portugueses entre eles. Estes portugueses e as comunidades europeias estão com o chavismo ou com a direita?
Há que fazer diferenças. Tal como aconteceu com Angola, quando se deu a revolução de Abril em Portugal, muitos da direita portuguesa migraram para lá, levaram a sua mentalidade, assim como em 1975 muitos portugueses saíram daqui e migraram para a Venezuela. Há uma mentalidade que se pode dizer ideológica, muito marcada, da direita, e esses portugueses que foram para a Venezuela obtiveram a nacionalidade, recebem as suas pensões, que Chávez lhes deu, e ainda assim dizem que Chávez era um ditador. Mas se for apanhar um voo da TAP para a Venezuela verá que o avião vai cheio. E agora, com a crise em Portugal, a Venezuela é dos destinos mais fortes para os portugueses, tal como para Angola, veja a coincidência histórica. Aqueles países que eles renegaram, como o fizeram com Angola a seguir à revolução de 1975, tal como saíram, fugiram despavoridos com a chegada de Chávez, agora estão de volta. Esta é uma análise interessante.

Estas comunidades, a italiana e a espanhola, têm algum poder económico, a portuguesa é numerosa, não podem influenciar a política?
Claro que sim. Eles tentam e sabêmo-lo … mas eles têm os seus direitos, os que já são venezuelanos, de beneficiar de todos os benefícios do cidadão venezuelano, até a pensão. Alguns recebem pensões na Europa, ou recebiam, e recebem a pensão de Chávez… e sim, criam confusão, são comunidades organizadas. Por exemplo, o candidato da Oposição, Capriles, é um descendente judeu, e os judeus têm muito poder económico, alguns também conspiraram contra Chávez. Mas também há portugueses, italianos, espanhois e judeus que estiveram com Chávez, que trabalharam com Chávez, mas nisto consiste também a democracia. Nós vamos dando o exemplo e, ainda assim, se têm o direito de questionar-nos, é nosso direito e dever irmos insistindo que esta via que traçámos, com o golpe de Chávez de 4 de Fevereiro de 1992… vocês também começaram a revolução com o 4 de Fevereiro de 1961…

 Outra coincidência...
Pois é, outra coincidência…

Para além da revisão da Constituição, olhando para os catorze anos de Chávez, que balanço é que se pode fazer, que alteração social foi mais marcante?
Foram as políticas sociais, a erradicação da pobreza extrema em quase sessenta por cento. Hoje, reconhecemos, ainda existe esta pobreza em cerca de trinta e cinco por cento, nos próximos dois, três anos será eliminada. Outro aspecto é o analfabetismo, fomos, depois de Cuba, o primeiro país da América Latina a cumprir com os Objectivos do Milénio na área do analfabetismo, a Venezuela está livre do analfabetismo. Na educação foi um impacto total: mais de dois milhões e quinhentas mil pessoas estão a estudar, grátis, na Venezuela, não importa a idade, não importa a religião, não importa o sexo, não importa a condição social, nada. Isto pode ser confirmado com qualquer estudante angolano na Venezuela. Outro elemento essencial foi a soberania. Consciencializar politicamente o povo venezuelano de que este país é nosso e de mais ninguém, e que ninguém pode sabotar-nos. No plano internacional foi a criação de novos blocos de poder, a ALBA (alternativa Bolivariana para América); a CELAC (Comunidade de Estados Latino Americanos e Caribenhos); a UNASUL (União dos Países da América do SUL); a participação directa no MERCOSUL, que foi um elemento essencial… estamos a falar da integração regional na América Latina e Caraibas. Há outro bloco, a ASA (Aliança África e América do Sul), que já realizou três cimeiras, e a última foi a de três de Fevereiro na Guiné Equatorial. Isto passa por criar um alto grau de consciência sobre os recursos mais estratégicos como a água, a energia (petróleo), o gás, tudo. A maioria destes recursos está entre a América do Sul e África. Havendo uma consciência, isto deveria constar num projecto de cooperação e este projecto, ASA, terá a sua secretaria permanente na Venezuela a partir do dia 22 de Abril. Há ainda a cooperação com os BRICS (Brasil, Rússia, China, India e África do Sul), um bloco muito poderoso. A isso agregamos as nossas reservas petrolíferas… Chávez já dizia que hoje o mundo já não é de um centro, é multicêntrico. Há muitos centros. Vejamos o caso de Angola, até certo ponto a França pretendia continuar a dominar a União Africana, mas aliaram-se os presidentes Dos Santos, Jacob Zuma e Armando Guebuza e resolveram promover um candidato da África Austral, que é a região, desculpem os diplomatas, mas é a região mais autónoma, que tem mais soberania, e venceram com Dlamini Zuma. É um exemplo. A oposição à criação de bases americanas do Africom partiu de Angola. Tentaram convencer Angola mais de catorze vezes e Angola disse que não, é uma questão de soberania. Penso que se trata de uma corrente histórica, Chávez é uma corrente histórica como todos os líderes latino-americanos e africanos que sempre aspiraram por soberania. Chávez encarna o espírito da cooperação Sul – Sul, encarna, até certo ponto, as ideias de Neto, de Amílcar Cabral, de Patrice Lumumba. Chávez leu Neto, leu Cabral, Thomas Sankara e outros. A visão de Chávez não era só para a Venezuela, era para a américa Latina e coincidia com a visão progressista de África.

A visão de Chávez abrangia a América Latina, conseguiu alianças importantes com outros Estados da região, mas há países como o Chile e a Colómbia que não estão propriamente alinhados, se a ideia é criar um bloco poderoso economicamente, estes de fora não podem inviabilizar o bloco?
Há blocos de blocos. Há quatro blocos, ALBA, que inclui Cuba, Bolívia Nicarágua, etc., países mais avançados do ponto de vista do pensamento progressista social. Há outro bloco muito grande que é a CELAC, sem os Estados Unidos, nem o Canadá. Os Estados Unidos fizeram toda a influência para que a CELAC não vingasse, mas instalou-se, em Dezembro de 2011, no dia 31. Depois há a UNASUL, que se mantém. Agora há o MERCOSUL. Na América do Sul somos quase quinhentos milhões de habitantes, é um mercado, para quê dar este mercado aos Estados Unidos?  E faz-lhes falta. Na área andina, Venezuela, Peru, Bolívia, Equador e Colômbia, são cento e vinte milhões de consumidores, há uma consciência, falando em termos económicos, de que estes consumidores são nossos. Não vamos deixar que venha a Madonna, que venham as cento e vinte companhias mais poderosas dos Estados Unidos apoderar-se deles. Poderão sabotar, mas as mesmas burguesias, os mesmos empresários não quererão perder esta oportunidade que têm. É uma questão de raciocínio económico lógico.

 E depois de Chávez, vão manter-se esses blocos, essas políticas?
Você esteve lá, viu e ouviu o pronunciamento dos presidentes… sempre tivemos problemas com a Colômbia, mas a posição do Presidente colombiano, a vontade política demonstrada naquele momento foi boa, muito precisa. Entre a Colômbia e a Venezuela movimentam-se negócios de quase onze mil milhões de dólares, não se pode perder, não se pode ter tal burrice. Penso que a iniciativa de Chávez foi de apelo à consciência da América Latina, porque a América Latina unida é um povo, que pode continuar a negociar com os Estados Unidos, mas os Estados Unidos já não podem agir como antes, quando tiravam e colocavam governos. Os Estados Unidos tentaram com Chávez, não conseguiram, depois foi a Nicarágua, também não conseguiram. Com Evo Morales, não conseguiram. E, recentemente, com Corrêa, também não o conseguiram. Quer dizer que existe um povo com consciência que quer que o líder não seja um homem imposto pelos Estados Unidos, que seja posto pelo povo, que defenda a bandeira do povo. O processo de integração, penso que se irá aprofundar mais, há um processo muito completo sobre isso, plasmado no quinto objectivo das relações internacionais que Chávez deixou. Por outro lado, internamente, não dizemos que a Venezuela vive toda em harmonia, não. Temos problemas. Chávez era um líder com o dom de falar directamente com o povo, mas agora a responsabilidade é nossa, de continuar com o projecto.

Sem Chávez…
Sem Chávez, fisicamente sem Chávez, mas é um projecto por si desenhado e que foi aprovado na sua campanha eleitoral em Outubro de 2012. Um projecto que ele submeteu à discussão com todo o povo venezuelano. Ele dizia: eu não sou Chávez, sou o povo, eu encarno a voz do povo porque eu consulto o povo. Isso não é brincadeira. Assim como foi a Constituição, este projecto Simon Bolivar 2013 / 2019 …

 Há pessoas que não gostam que se altere as constituições, porque julgam que quem o promove ou faz tem o objectivo de permanecer no poder…
Isso foi necessário, porque a antiga Constituição não garantia as coisas que se estão a realizar agora. Não falava de soberania, dizia que o que existia na faixa de Orinoco não era petróleo, era betume, algo qua não valia nada. E por isso se vendia o barril de petróleo a três, cinco dólares… não, isso não pode ser.

 Havia mesmo que alterar?
A Constituição tinha que ser alterada, garantir a participação do povo, que o povo detivesse o controlo social sobre os programas a desenvolver, que o povo eleja desde o deputado, o vereador de uma autarquia, um governador, etc., assim que esta foi a próxima de 14 de Abril serão as décimas quintas eleições que teremos em doze anos.

Então não se pode falar de ditadura?
Por favor, que nos venham falar de ditadura… penso que as constituições … aliás, não há uma Constituição que tenha sofrido mais reformas que a dos Estados Unidos. Por qualquer coisa eles estão sempre a emendar, mas não emendam em função do povo, é em função dos interesses da elite americana. Chávez poderia ter dito, eu quero repetir quantas vezes queira, mas se você pode repetir, então o presidente de câmara pode repetir, o governador pode repetir, o deputado… todos podem repetir, se tiverem bons mandatos, mas o povo é que vai decidir, se repete ou se não repete…

 Outro problema constitucional levantado com a morte de Chávez foi a questão do mandato transitório como Presidente, se o poder deveria ficar com o presidente da Assembleia Nacional, ou com o Vice-presidente da República… isso, certamente, será tema a explorar na campanha para as presidenciais próximas.
Falou-se, mas o Tribunal supremo decidiu que o Vice deveria continuar. Agora também se faz barulho a dizer que o Presidente interino deve renunciar, mas a Constituição diz que não, que ele pode ser candidato à Presidência sendo Presidente. Tudo isso está na Constituição, mas a manipulação… lógico que é um jogo político, para quem na política vale tudo.

E há vozes a sugerir um adiamento das eleições, por falta de tempo para preparar as máquinas eleitorais…
Mas a Constituição diz trinta dias. E para isso teríamos de fazer um referendo Constitucional. Por exemplo, pretendeu-se que Chávez fosse repousar no Panteão Nacional, mas a Constituição estabelece um prazo de vinte e cinco anos, tal que houve quem sugerisse um referendo para alterar o prazo. Portanto, para alterar a data das eleições, seria necessário um referendo, não há tempo.

Definitivamente, não haverá embalsamento do corpo de Hugo Ghávez?
Não. Ele vai para a terra.

Henrique Capriles pode dar luta a Nicolas Maduro? Ele venceu Elias Jauas (ministro das Relações Exteriores) no Estado de Miranda, dos mais importantes…e deu muita luta a Chávez em 2012…
A oposição tem o Estado de Miranda, o segundo mais importante. Com Caracas, Miranda é a praça eleitoral mais importante. Aí a Oposição é forte, é de onde vem a maioria da classe média e alta, que tem dinheiro, é um factor a ter em conta, está a disputar-se muito esta área estratégica. O outro Estado importante é o de Zulia, que já teve a maior produção petrolífera, aí havia ganho a oposição… mas nas eleições de 7 de Outubro, tanto em Miranda como em Zulia ganhou Chávez.

Portanto, uma coisa são as autárquicas e estaduais e a outra as presidenciais?
 Nas presidenciais estamos a falar do poder máximo, onde se tratam as políticas sociais, em definitivo… Nas autarquias o povo tem outro pensamento, incluindo a classe pobre, que pode não gostar da gestão de um presidente de câmara… mas nas últimas estaduais, de 16 de Dezembro o partido do Governo ganhou em todos os estados, com excepção de Miranda e Amazonas. Até Orinoco, que estava na mão da Oposição, foi ganho pelo Partido Socialista Unido da Venezuela, o que já pode garantir uma maioria de votos.

 Mas Capriles é conhecido, ainda em Outubro esteve em campanha, em Dezembro ganhou num Estado … já Nicolas maduro, o Vice-presidente, foi o segundo homem…
Foi o segundo, mas não se pode subestimar, tal como não se está a subestimar Capriles. Mas lembre-se que há um partido forte, com semelhanças com o MPLA, com muitos militantes, uma máquina eleitoral muito forte. Uma partido com vinte estados ganhos, com a vitória nas eleições de Outubro com Chávez… depois há uma questão emocional com Chávez…

Pode dizer-se que o povo ainda vai votar Chávez nas próximas eleições?
Creio que sim, no espírito de Chávez, é um factor a ter em conta. Vocês, os analistas, sabem disso. Veja os milhares que continuam a visitar a urna de Chávez. Além disso, Capriles disse que retiraria o apoio a Cuba mas o povo cubano e o povo venezuelano são irmãos, não se pode fazer isso, prometeu votar para a eliminação das pensões, para acabar com o sistema de saúde gratuito, as pessoas não são bobas. Há críticas, claro, para que se faça melhor em alguns campos, há que acelerar a construção de habitação, combater a insegurança, etc. Há um projecto, não está Chávez, mas há um projecto político, um projecto jurídico constitucional … o projecto político de desenvolvimento, os elementos jurídicos e uma equipa, com o povo. Há o facto de o povo já ter saboreado alguns desenvolvimentos, isso conta…

Depois da empatia de Chávez, internamente e por todo o mundo, ele foi o líder político com mais seguidores nas redes sociais, por exemplo, com uma personalidade marcante. Agora há Maduro. Que Venezuela teremos, manterá a mesma simpatia que conquistou do mundo?
Chávez é Chávez, não se repete. Assim como Neto não teve cópias e assim como José Eduardo dos Santos não terá cópias. São líderes que surgem num momento histórico. Mas Maduro não é Chávez. Maduro…

Maduro recebeu a recomendação de voto de Chávez
Maduro tem isso, mas tem de criar também o seu próprio carisma, não copiando Chávez, mas tem de criar o seu carisma, é jovem, 50 anos, foi operário… tem o seu próprio carisma.

E o equilíbrio étnico na Venezuela? Os brancos, os negros, os índios, ou indígenas… não parece ser o que se reflecte nas telenovelas produzidas no seu país…
O racismo é um tema a que dediquei parte da minha vida, a estudar… hoje é o Dia Mundial contra a Discriminação Racial (21 de Março, data da Entrevista). Na Venezuela ainda existe racismo mas com a chegada de Chávez ao poder os rostos do poder começaram a mudar, começou-se a ver indígenas no Governo de Chávez, a primeira ministra do Ambiente foi uma mulher indígena, há cinco anos a vice-presidente da Assembleia nacional era uma mulher indígena, o ministro da Educação, o que acabou com o analfabetismo na Venezuela, era negro, Aristóbulo Istúriz, passa a ficar na história por estar ligado à irradicação do analfabetismo na Venezuela. Os rostos do poder começaram a variar. E isso incomodou muito a elite branca que estava habituada a mandar. Tal que quando se deu o golpe de Estado, em 2002, diziam isso: há que apanhar o macaco e envergonhá-lo. E o macaco era Chávez, o momo. E Chávez começou a tomar consciência disso. E, por isso mesmo, quando foi proposta a Lei contra a Discriminação Racial, Chávez apoiou. Quando foi proposto que nos manuais escolares deve vir a história de África, dos índios, ele aprovou. Quando se lançaram os livros já com a história de África, dos indígenas, etc., a Oposição branca veio às ruas queimar os livros. Veja o nível do racismo. Ainda há racismo. Na semana passada intelectuais brancos apareceram a reclamar, outra vez a merenda (receita) do negro ao poder. É um exemplo. Chávez não caiu no contra-racismo, há que acabar com isso na luta pela integração, tal como Agostinho Neto fez aqui, de Cabinda ao Cunene um só povo uma só nação. Mas se aqui alguma vez o problema foi étnico, na Venezuela é o racismo.

José Kaliengue 
fonte: opais.net

Na Mauritânia: 74000 malianos estão "encalhados no deserto" precisam de ajuda, alerta MSF( Médicos Sem Fronteiras).

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...




Fugindo da guerra e de ódio étnico, são 74.000 refugiados malianos no deserto da Mauritânia. Falta de água, a mortalidade infantil é superior ao limiar de emergência: no acampamento de Mbera, advertem Médicos Sem Fronteiras (MSF), que "a implantação da assistência humanitária é insuficiente "

A guerra começou no Mali, em janeiro de 2012, quando a rebelião tuaregue tomou o norte antes de ser suplantado por grupos armados islâmicos.

O exército francês em 11 de Janeiro partiu para ajudar o governo do Mali ameaçado de desintegração, e ainda continua suas operações no norte.

O conflito desalojou mais de 270.000 pessoas no Mali em si, enquanto outros 170 mil fugiram para países vizinhos (principalmente Burkina Faso, Mauritânia e Níger), de acordo com a ONU.

No deserto mauritaniano, onde as temperaturas chegam a 50 graus na sombra, o campo de refugiados hospeda 74.000 infelizes "encalhados no deserto" Mbera, o título de um relatório divulgado sexta-feira de MSF, impulsionado pelo combate e ódio étnico, insegurança alimentar, e do colapso dos serviços básicos. O artigo discute a situação "extremamente precária", porque eles são totalmente dependentes da ajuda externa para sua sobrevivência.

Na fronteira da Mauritânia, os malianos de muitas aldeias foram parcial ou totalmente abandonados por seus habitantes, referiu um jornalista da AFP, em fevereiro.

Sem fome no acampamento Mbera, diz Marie-Christine responsável pela resposta de emergência dos MSF, porque em geral as "rações melhoraram, a comida é suficiente."

"Fundamentos étnicos e políticos"

Mas a escassez de água: faz com que os refugiados recebam em média 11 litros de água por dia, quando a sua situação exigiria 20 litros para beber, cozinhar e higiene.

Quanto às crianças, "elas devem receber uma dieta de leite enriquecido de micro-nutrientes para não cair na desnutrição", acrescenta referindo.

As crianças chegaram ao acampamento em janeiro e são geralmente bem nutridos nos primeiros dias, mas logo desenvolvem sintomas de desnutrição.

"Isso coloca a vida das crianças em risco", alerta Marie-Christine Ferir. Além do risco de seqüelas neurológicas irreversíveis e problemas imunológicos que podem causar desnutrição entre crianças, sua taxa de mortalidade vem crescendo: "Agora é acima do limiar de emergência, com um limite de duas mortes de crianças por 10.000 pessoas por dia. Ele é de 3,2 mortes por 10 mil pessoas por dia ", diz ela.

Isto significa que, em média, entre 23 e 24 crianças morrem todos os dias no acampamento Mbera.

No seu relatório, MSF insistem que "organizações de ajuda devem manter a sua resposta enquanto for necessário", seu desafio é melhorar as "condições de vida aceitáveis ​​em padrões humanitários".

Porque "devido a fundamentos étnicos e políticos desta crise, é improvável que cedo se possa ver os refugiados regressar ao Mali", disse a ONG.

Como a rebelião tuaregue no início de 1990, o atual conflito cristalizou o ódio entre a população de maioria de pele negra, à aqueles que eles chamam de "pele branca", tuaregues e árabes tratados igualmente a se rebelar como Tuaregues e / ou islâmicos.

Estes poucos que são de "pele branca", muitas vezes fugiram preventivamente do Mali (responderam 45% dos entrevistados pela MSF no acampamento) por medo de represálias da população local ou do exército do Mali. Os últimos, nas áreas islamistas listadas, não hesitam em torturar ou matá-los, disse a AFP.

O acampamento Mbera, tem a maior parte da população que é Tuareg, também tem muitos árabes. "Eles não vão voltar tão cedo" por medo de represálias ", é o que eles dizem entre si mesmos", diz Marie-Christine Ferir quem lembra de que "depois da rebelião de 1990, alguns mantiveram-se durante vários anos. "

"Eu não vejo como o Mali vai sair da crise", acrescentou sombriamente.

AFP

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