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CONCESSÃO DO PRÊMIO HOUPHOUET BOIGNY PELA BUSCA DA PAZ EM RCI: Os marfinenses poderão finalmente se olhar no espelho?

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... Realiza-se esta quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023, em Yamoussoukr...

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

NO MPLA, EMBORA À SOCAPA, CONTAM-SE ESPINGARDAS.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...



O líder do MPLA, José Eduardo dos Santos, e o Presidente da República, João Lourenço, estiveram reunidos a sós – segundo os serviços de propaganda do partido que nos (des)governa há 42 anos – horas antes de o chefe de Estado ter afastado do poder José Filomeno dos Santos, outro dos filhos do seu antecessor.

Areunião aconteceu pouco antes de João Lourenço ter exonerado a Administração do Fundo Soberano de Angola (FSDEA), até quarta-feira liderada por José Filomeno dos Santos, filho do ex-chefe de Estado e actual presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos.
O encontro entre ambos aconteceu na terça-feira, à margem da 15.ª reunião ordinária do secretariado do Bureau Político do MPLA, e segundo a informação divulgada pelo próprio partido “o ambiente foi da mais alta camaradagem, em que aquelas das mais importantes figuras da nação angolana transmitiram muita serenidade”.
“A mesma que o povo angolano precisa para que, na sua ingente caminhada para um futuro promissor, de paz, de progresso social e de desenvolvimento, consiga melhorar o que está bem e corrigir o que está mal em Angola. Isso, realmente, vai acontecer, com o MPLA e o camarada João Lourenço no leme, depois de o “arquitecto da Paz’, Presidente José Eduardo dos Santos, ter pacificado o país, reconciliado os angolanos e ter lançado as bases para o desenvolvimento de Angola”, assegurou o partido.
A informação sobre a exoneração de Filomeno dos Santos, “por conveniência de serviço”, foi transmitida na quarta-feira pela Casa Civil do Presidente da República, passando o FSDEA, que gere activos do Estado angolano de 5.000 milhões de dólares, a ser presidido por Carlos Alberto Lopes, até agora secretário para os Assuntos Sociais do chefe de Estado.
Depois de Isabel dos Santos, que exonerou do cargo de presidente do Conselho de Administração da petrolífera estatal Sonangol, e de ter ordenado a rescisão do contrato entre a Televisão Pública de Angola (TPA) e a empresa Semba Comunicações, detida por Welwítschia “Tchizé” e José Paulino dos Santos “Coreon Dú” para a gestão do segundo canal, José Filomeno dos Santos é o quarto filho do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos, a ser afastado do poder por João Lourenço, empossado em Setembro último.
Apesar de deixar o Palácio Presidencial, José Eduardo dos Santos foi reeleito em 2016 como presidente do MPLA, partido que suporta o Governo, e tem mandato até 2021.
O Presidente da República de Angola, João Lourenço, disse na segunda-feira que não sente crispação com o ex-chefe de Estado, mas aguarda que este cumpra o compromisso anteriormente assumido, de deixar a liderança do partido em 2018.
“Só a ele compete dizer se o fará, se vai cumprir com esse compromisso. Quando isso vai acontecer, só a ele compete dizer”, disse o Presidente da República, que falava nos jardins do Palácio Presidencial, em Luanda, na sua primeira (a periodicidade prevista é anual) conferência de imprensa com mais de uma centena de jornalistas de órgãos nacionais e estrangeiros, quando passam 100 dias após ter chegado à liderança no Governo.
Questionado sobre a alegada tensão que mantém com o presidente do MPLA, o chefe de Estado negou qualquer problema: “Não sinto essa crispação nas nossas relações”, afirmou João Lourenço.
Acrescentou que mantém “relações normais de trabalho” com o presidente do partido, negando qualquer bicefalia na governação em Angola, até porque “nada está acima da Constituição”, ambos trabalhando em “campos distintos” e com “cada um a cumprir o seu papel”.
“Oito dias não é nada. Vamos aguardar os próximos tempos”, refutou, sobre o anúncio feito em 2016 por José Eduardo dos Santos, que disse abandonar a vida política em 2018.
Falta só saber se a “anestesia” ministrada a José Eduardo dos Santos é de feito prolongado ou se, pelo contrário, a todo o momento o presidente do MPLA e ex-Presidente da República durante 38 anos pode “acordar” e dizer – como reivindicam os seus mais próximos colaboradores – “chega”. Na verdade, a passividade do presidente do MPLA não se coaduna com a sua forma de ser, embora se enquadre na estratégia que praticou ao longo de décadas: atacar quando o “inimigo” dá a vitória como segura e irreversível.
Recorde-se que o general António José Maria (férreo aliado de Dos Santos), afastado do Serviço de Inteligência e de Segurança Militar, terá já dito a José Eduardo dos Santos estar pronto para a “guerra”, pedindo “instruções” sobre o que pretende o ex-presidente da República.
José Maria passou muito tempo, sobretudo a partir do momento em que Eduardo dos Santos disse que não seria candidato do MPLA às eleições e se aventou que o candidato seria João Lourenço, a reunir informações, dados, documentos, testemunhos (no país e no estrangeiro) sobre o actual Presidente da República.
“O Serviço de Inteligência e de Segurança Militar esteve em exclusivo a trabalhar, por ordem do general Zé Maria, numa espécie de Paradise papers of João Lourenço”, contou ao Folha uma fonte ligada ao general.
O Bureau Político do MPLA ainda está com a “espinha” chamada agora de João Lourenço atravessada na garganta. Mas certo é, igualmente, que quando se perde o Poder a maioria dos acólitos saltam a barricada. Apesar da propaganda oficial, o cenário de implosão no partido e, por inerência, no país, continua em cima da mesa.
O general José Maria é dos que considera que as decisões em catadupa que estão a ser tomadas pelo Presidente da República, João Lourenço, são uma caça às bruxas no MPLA e uma lavagem da sua imagem, “quase parecendo que JLo nada tem a ver com o MPLA e que só agora chegou à política angolana”.
Mais do que o conteúdo dos pronunciamentos e das decisões já tomadas, o núcleo duro do MPLA que, curiosamente, conseguiu adquirir a simpatia e o respeito de militantes considerados moderados, contesta a avidez e o “ataque kamikaze” que relembra uma “tese marxista de que o importante não é a sociedade que se quer construir mas, apenas, a que se quer destruir”, diz uma outra fonte do F8.
João Lourenço tem, de facto, demonstrado que quer, pode manda, mesmo que isso mais não seja do que a passagem de um atestado de incompetência do anterior executivo ao qual, aliás, pertenceu enquanto ministro da Defesa e como alto dirigente do próprio MPLA.
A interpretação de que João Lourenço só responde perante a Constituição, que solenemente jurou cumprir, esbarra e colide nas regras partidárias que fizeram jurisprudência nos últimos 38 anos e que dizem que todas essas decisões de Estado não podem contrariar a soberana orientação do partido.
Recorde-se o que disse Dino Matross, sem meias palavras: “O Presidente da República subordina-se ao presidente do partido”, e compete ao presidente do partido “propor e submeter, ao pronunciamento do Bureau Político, a composição orgânica e nominal do Executivo”.
Folha 8 com Lusa

GUINÉ-BISSAU: Regresso de Carlos Gomes Júnior agita meios políticos guineenses.

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Manifestação do PAIGC em Bissau. 17 Agosto 2015 Guiné-bissau
Manifestação do PAIGC em Bissau. 17 Agosto 2015 Guiné-bissau


Apoiantes do antigo primeiro-ministro admitem que será candidato presidencial nas próximas eleiçoes
O regresso à Guiné-Bissau de Carlos Gomes Júnior, antigo primeiro-ministro e candidato presidencial, em 2012, está a suscitar debate no meio político.
Depois do anúncio feito na terça-feira, 9, pelo Movimento de Apoio ao Regresso dos Exilados Políticos, a VOA registou opiniões de analistas e activistas sobre o impacto desse regresso.
Luís Vaz Martins, antigo presidente da Liga Guineenses dos Direitos Humanos, e que acompanhou de perto o golpe militar de 12 de Abril de 2012 e consequente partida forçada de Carlos Gomes Júnior, lembrou que “a lição que nós aprendemos na altura era que os militares podiam condicionar o rumo político do país e foi o que aconteceu.
Carlos Gomes Júnior volta numa altura de tensa situação politica, com eleições em perspectiva.
Para Martins, o antigo chefe do Governo e líder do PAIGC tem o direito de voltar ao seu país, mas reconhece que “a condição não lhe é propícia, embora nada justifique que um cidadão que pretende voltar ao seu país e não o poder fazer, por questões de segurança”.
Simões Pereira comenta
Por seu lado, o actual líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, disse que “ a confirmar-se nós saudamos o regresso”, porque “é um cidadão nacional que regressa ao seu país”.
No momento em que o PAIGC enfrenta uma forte crise interna, envolvendo, de um lado, o Presidente da República e o chamado grupo dos 15, e, do outro, a actual direcção do partido, questiona-se a quem beneficia o regresso de Carlos Gomes Júnior.
Candidato independente
“Não demostra, claramente, a quem beneficia o regresso de Carlos Gomes Júnior, a não ser que, por trás de tudo isso, esteja alguém ou o próprio PAIGC, ou o grupo dos 15 ou ainda o Presidente da República. Politicamente, qualquer um pode usar o seu regresso como uma carta para tirar o proveito e ganhar mais força nesta crise”, admitiu o analista politico Luís Peti.
Por agora, apoiantes de Carlos Gomes Júnior deixam a entender que o antigo candidato presidencial vai concorrer às próximas eleições.
Uma agenda que para Luís Peti pode carregar alguma implicação internas dentro do PAIGC.
“Ele pode aproveitar a simpatia dos dirigentes e militantes do PAIGC e criar algumas fricções internamente, caso avance como independente, tal como aconteceu com o antigo Presidente João Bernardo Vieira”, lembra Peti.
O regresso do antigo primeiro-ministro e líder do PAIGC, exilado entre Portugal e Cabo Verde, desde 2012, está previsto para o próximo dia 18.

fonte: VOA

    João Lourenço exonera administração do Fundo Soberano de Angola.

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    Era uma notícia aguardada há muito: o Presidente angolano, João Lourenço, exonerou a administração do Fundo Soberano, presidida por Filomeno dos Santos. Lopo do Nascimento e Marcolino Moco foram nomeados para a Sonangol.
    fonte: DW África
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    José Filomeno dos Santos é substituído no cargo por Carlos Alberto Lopes
    A informação sobre a exoneração, "por conveniência de serviço", foi transmitida esta quarta-feira (10.01) pela Casa Civil do Presidente da República, em nota citada pela agência Lusa, em Luanda. O Fundo Soberano de Angola (FSDEA), que gere ativos do Estado angolano de 5.000 milhões de dólares,passa a ser presidido por Carlos Alberto Lopes, até agora secretário para os Assuntos Sociais do chefe de Estado.
    Depois de Isabel dos Santos, que exonerou do cargo de presidente do conselho de administração da petrolífera estatal Sonangol, e de ter ordenado a rescisão do contrato entre a Televisão Pública de Angola (TPA) e a empresa Semba Comunicações, detida por Welwítschia "Tchizé" e José Paulino dos Santos "Coreon Dú" para a gestão do segundo canal, José Filomeno dos Santos é o quarto filho do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos a ser afastado do poder por João Lourenço, empossado em setembro último.

    GUINÉ-BISSAU: IODÊ, UMARO SISSOKO PAPIA! - Úmaro El-Moktar Sissoco Embaló: “GUINÉ-BISSAU É UM PAÍS DE DESINFORMAÇÃO E DE TRAIÇÃO”.

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    [ENTREVISTA] O Primeiro-ministro, Úmaro Sissoco Embaló, afirmou durante uma entrevista exclusiva ao semanário O Democrata que a “Guiné-Bissau é um país de desinformação e de traição”. Para Sissoco Embaló, a traição é algo que caracteriza a sociedade guineense. Quanto à desinformação, assegurou que os guineenses herdaram-na da república vizinha da Guiné-Conacri onde o PAIGC tinha a sua base durante a guerra de libertação.

    Relativamente ao Acordo de Conacri, Sissoco Embaló considera o documento um “Acordo lionbrandi” (de Lion Brand, conhecido espiral anti mosquitos), sem justificar a razão. Acrescentou que o seu nome conseguiu angariar mais consenso dos signatários, ou seja, reuniu a maioria de deputados no Parlamento.

    Relativamente à negociação com a União Europeia para o acordo de pescas, disse que já foram realizadas muitas rondas de negociações, mas que pela primeira vez os parceiros sentiram que estão a lidar com pessoas honestas e patriotas.

    “Recebíamos nove milhões de Euros no âmbito de acordo de compensação das pescas, mas nós exigimos que o valor seja aumentado. Mesmo que não atinjamos a quantia dos 60 milhões concedidos aos outros países, queremos metade, isto é, 30 milhões de Euros. A União Europeia alega que não pode subir o valor para os 30 milhões, mas para 11 (onze). Nós recusamos. Essa é a razão das dificuldades na assinatura do acordo até este momento”, contou.

    O Democrata (OD): Senhor Primeiro-ministro, como avalia o seu governo? Pode fazer uma avaliação política da sua travessia do ‘deserto’ até este momento?

    Úmaro Sissoco Embaló: Quero começar por dizer que existem dados ou provas que falam por si, sobre o desempenho do executivo que lidero, que demostrou boas performances, elogiadas pelas instituições financeiras internacionais. Sou o Primeiro-ministro escolhido na base da confiança do Presidente da República, do Partido da Renovação Social (PRS) que detém 41 mandatos no Parlamento, do grupo dos 15 deputados expulsos do PAIGC, 2 deputados do Partido da Convergência Democrata (PCD) e 1 do Partido da Nova Democracia (PND) mais o grupo de 18 partidos políticos sem assento no Parlamento.

    Quando assumi as funções de chefe do governo, muitas pessoas a nível do país alegavam que eu não conseguiria, ou seja, que não completaria sequer um ano de governação. Recordo que o Primeiro-ministro de São Tome e Príncipe, Patrício Trovoada, disse a uma pessoa próxima: Desta vez é que a Guiné-Bissau vai ter um primeiro-ministro que ficará mais de três meses na governação. É desta vez, é ele quem vai conseguir…

    Assumi um país com grandes problemas sociais e com uma situação de relações quase cortadas com várias organizações internacionais, sobretudo com as instituições financeiras internacionais, em particular o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM). Apesar de tudo, aceitei o desafio de ajudar o meu país, ou seja, de tirá-lo daquela situação complexa. Não tínhamos nenhum programa com as instituições de Bretton Woods. Aliás, nem tínhamos uma boa relação com a CEDEAO, a União Africana e inclusive a União Europeia.

    Decidi sozinho definir o eixo do trabalho para acertar as coisas. Tomei o compromisso de usar toda a minha influência angariada pelo mundo fora ao longo de muitos anos para o bem-estar do país. As negociações para a formação do executivo foram o momento mais difícil que passei no exercício das minhas funções como Primeiro-ministro! Escrevi cartas às direções dos dois grandes partidos com assento no parlamento (PAIGC e PRS). Havia grande espectativa e vontade demostrada da parte dos libertadores (PAIGC), de fazer parte do meu governo.

    Posso afirmar aqui que tinha 90 por cento de certeza que o nosso partido (PAIGC) entraria no executivo. Infelizmente não sei o que aconteceu depois que o levou a desistir… Foi uma promessa que recebera da parte do partido. Mas quero reafirmar mais uma vez que não condeno ninguém do partido por recusar participar no executivo.

    OD: Pode explicar de forma sintética a razão da desistência dos libertadores em participar no seu governo?

    USE: Prefiro deixar o partido contar aos guineenses a razão que o levou a desistir… O Acordo de Conacri, que o partido reclama a sua implementação… é importante que as pessoas saibam que não foi o PAIGC que apresentou o nome de Augusto Olivais nas negociações. Foi o Presidente José Mário Vaz. Ele indicou o meu nome, o do Mamadu Fadia e o do Olivais vem na terceira posição. Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC, levou o nome de Carlos Correia. Cipriano Cassamá apresentou o nome de Mário Cabral…

    OD: Não se sentiu traído pelo seu partido (PAIGC) que lhe tinha prometido que faria parte do executivo e nas últimas horas desistiu?

    USE: Não gosto de usar a palavra traição. A minha maior virtude é a humildade, que me ajuda a relacionar-me com pessoas de diferentes níveis sociais. Antes da formação do executivo, lembro-me que viajei com o presidente da Assembleia Nacional Popular, Cipriano Cassamá, para o Senegal. Se recordarem bem, aqui no nosso Aeroporto, ele disse: temos que apoiar este governo até ao fim, porque já estamos cansados desta crise. E no Senegal reafirmou a mesma coisa perante o Presidente senegalês, Macky Sall.

    Muitas pessoas do partido ficaram mal com a posição de Cipriano. Alguns queriam brigar com ele depois do seu regresso do Senegal. Naquela altura, todos assistimos aqui ataques contra ele. Infelizmente este é o país que temos!…

    OD: Acha que a pressão da direção do partido fez o presidente da Assembleia Nacional Popular desistir de apoiá-lo?

    USE: Apenas o partido ou o Cipriano Cassamá é que pode explicar. Entendi que não havia boa-fé da parte das pessoas. Mas também as pessoas não foram honestas comigo! A história vai julgá-las por isso. Mas felizmente a história absolveu-me. Apesar de tudo isso, conseguimos formar um governo. Corriam rumores no país que o meu executivo cairia no mês de Março de 2017, porque havia uma reunião importante da União Africana naquele período.

    Durante a reunião, interagi com os Chefes de Estados e de Governo de diferentes países, abordei-os sobre a nossa situação. Pedi-lhes apoios para a Guiné-Bissau. Não quero que me ajudem pessoalmente com nada e muito menos em dinheiro. O Presidente da República ordenou-me que fizesse boa gestão da coisa pública. Portanto, não quero nada do tesouro público guineense. E a grande verdade é que tenho os meus recursos próprios.

    Tenho várias casas aqui. O prédio mais alto na Guiné-Bissau é meu. Tenho casas em alguns países africanos, em Portugal e França. Residi no hotel Ledger, mas não paguei nenhum franco, porque o edifício onde funciona a Embaixada da Líbia no centro da cidade é minha casa. Tínhamos sérios problemas financeiros e até dificuldades para pagar salários, mas decidi que tínhamos que pagar os funcionários públicos. Por isso, desloquei-me a alguns países árabes, desde o Catar, Sudão, Arábia Saudita e Kwait. Mobilizei fundos da Arabia Saudita e do Kwait, fundo de Abu Dabi incluindo o Banco Árabe de Desenvolvimento mostrou abertura para nos apoiar.

    OD: O senhor lidera o governo há mais de um ano, sem aprovação de um programa, nem de um orçamento de governação. Como encarra essa situação?

    USE: Lamento muito esta situação e confesso que se eu tivesse estes instrumentos de governação, de facto, estaria em condições de demostrar ao povo guineense a minha capacidade de mobilizar fundos que nos permitiriam trabalhar para desenvolver o nosso país. Os apoios que recebemos são graças aos programas aprovados no Conselho de Ministros, infelizmente! Como sabem, o nosso parlamento não trabalha há muitos anos. Por isso digo: Cipriano Cassamá teve a infelicidade de ser o pior presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau! Hoje, eu tenho uma referência muito positiva da parte da comunidade internacional, dado que lidero um executivo que conseguiu registar um crescimento económico elevado, apesar de todas as dificuldades.

    O nosso executivo conseguiu pagar os salários dos funcionários bem como os dos funcionários das nossas representações diplomáticas com recursos internos. Imaginem se eu tivesse um programa e um orçamento aprovados… O que aconteceria? Se tivéssemos esses instrumentos aprovados, podem ter a certeza que electrificaríamos o país todo, asfaltaríamos todas as estradas do país. Mesmo sem esses instrumentos, conseguimos fazer alguma coisa que mereceu elogios tanto a nível interno, mas particularmente das instituições financeiras internacionais que são muitos exigentes.

    OD: O seu governo é muito criticado a nível interno, mas em termos da performance económica é elogiado pelas instituições financeiras internacionais. Quer fazer um comentário sobre isso?

    USE: Acho que a oposição tem que fazer o seu trabalho. Felizmente alguns opositores felicitaram-me pelo bom trabalho. Nuno Nabiam, líder de APU – PDGB, Domingos Simões Pereira do PAIGC, Idrissa Djaló do PUN e Iaia Djaló do PND elogiaram-me em diversas ocasiões pelo sucesso do meu executivo. Este governo que tenho a honra de dirigir conseguiu marcar uma diferença grande, porque conseguiu resolver problemas financeiros do país com recursos gerados internamente, através de uma gestão rigorosa da coisa pública.

    Lembro-me que fazia 20 anos que o governo dos Estados Unidos de América não apoiava os programas dos governos da Guiné-Bissau, apenas abastecia. Desta vez, votou o programa do governo de Umaro Sissoco Embaló, sem chegar ao Conselho de Administração. Portanto, temos que nos orgulhar por esse feito.

    OD: Durante a governação, qual é o ministério que lhe causa mais dificuldades?

    USE: Como sabem, este é um governo mecânico que exige muita concertação para o seu funcionamento. Estou aqui como treinador para preparar os jogadores. É isso que estou a fazer. Mostrei-lhes que nesta equipa não temos nem ‘Maradona, nem Messi, nem Ronaldo’. Procurei no máximo fazer uma equipa ao estilo da seleção da Alemanha, onde todo o mundo trabalha. Até os suplentes, quando são chamados, dão bons resultados.

    Eu, na qualidade do primeiro-ministro, esforço-me para acompanhar as ações ou o trabalho dos ministros, dando os conselhos necessários para corrigir ou melhorar alguns aspectos.

    OD: Diz-se que o senhor não tem controlo total da governação, sobretudo dos cargos ministeriais ocupados pelos dirigentes dos renovadores (PRS). Confirma essa informação?

    USE: Isso não corresponde a verdade! Porque se há pessoas mais disciplinadas neste executivo, são elementos do Partido da Renovação Social. Quero jurar-lhe que até hoje não registei nenhuma situação de indisciplina ou de desobediência da parte dos elementos do PRS que estão no governo. Eles sabem que eu sou o Primeiro-ministro. Aliás, fizeram parte das pessoas que me escolheram para Chefe do Governo.

    OD: Confirma que existe uma relação azeda entre o Senhor e os ministros das Finanças, Mamadu Fadia e do Interior, Botche Candé?

    USE: É simples boato. Não posso ter uma relação azeda com nenhum ministro, porque sou o chefe de todos os ministros.

    OD: O representante do FMI no país terá confidenciado ao Presidente da ANP, Cipriano Cassamá, que o seu governo é dos piores na história da Guiné-Bissau e que há indícios enormes de corrupção nas pescas e no ministério do Comércio. Quer fazer um comentário sobre isso?

    USE: Tenho um documento do Fundo Monetário Internacional que desmente as declarações de Cipriano Cassamá. Ou seja, esse documento acaba por confirmar que o presidente do parlamento faltou à verdade! Nós conhecemos o Cipriano Cassamá, por isso trato-o sempre de ‘lionbrandi’’.

    O Conselho de Administração do fundo elogiou a performance económica alcançada por este executivo. Assim sendo, porque é que o seu representante pronunciaria algo contrário? Penso que não é preciso muitas cerimónias para apurar que o presidente do parlamento faltou à verdade nas suas declarações.

    Outra coisa mais grave! Em que parte do mundo é que o parlamento faz parceria com o Fundo Monetário Internacional? Se o governador dos fundos de um país é o ministro da Economia e Finanças… Eu lamento e muito as posições assumidas por Cipriano Cassamá. Mas também é compreensível a sua situação! É só na Guiné-Bissau que Cipriano Cassamá pode ser o presidente da Assembleia…

    Esta é a primeira vez que a Guiné-Bissau atingiu este nível da performance económica que é elogiada por toda a parte, sobretudo em termos macroeconómicas e em termos da exportação da castanha de cajú, a nível do preço da venda deste produto. Por exemplo, nas pescas registou-se um rendimento em receitas estimadas em mais de onze (11) bilhões de Francos CFA.

    Imaginem, até agora não renovamos o contrato de licença com a União Europeia, porque queremos fazer uma coisa séria para o bem-estar do nosso país. Sempre defendo que o dinheiro é deles (União Europeia), mas o mar e os peixes pertencem-nos.

    OD: Senhor Primeiro-Ministro, como estão as negociações sobre as pescas com a União Europeia?

    USE: Já vamos em nove rondas negociais com a União Europeia. Garanto-vos que é a primeira vez que sentiram que estão a lidar com pessoas honestas e patriotas. Independentemente do ministro que dirige as negociações, também temos na equipa pessoas íntegras e capazes, nomeadamente, o Nelson Dias e um dos meus conselheiros que me representa naquela delegação, o Cacaio. A parte contrária sabe que as pessoas que estão na equipa de negociações não precisam de migalhas para satisfazer as suas necessidades, mas sim estão lá pelo interesse do país.

    OD: Qual é o maior ponto de constrangimento que criou as dificuldades para se chegar ao acordo?

    USE: Lembram-se que recebíamos 9.000.000€ (nove milhões de Euros) no âmbito do acordo de compensação das pescas. Nós exigimos que o valor seja aumentado. Mesmo que não atinja a quantia de 60.000.000€ (sessenta milhões de Euros) concedidos aos outros países, queremos pelo menos metade, isto é, 30.000.000€ (trinta milhões de Euros). A União Europeia alega que não pode subir o valor para 30 milhões de Euros, mas sim 11 (onze). Nós também recusamos. Essa é a razão das dificuldades para a assinatura do acordo.

    OD: O Governo pode conseguir outro parceiro estratégico como a União Europeia para esse setor?

    USE: É possível. Mas ainda estamos a negociar com a União Europeia. Como se sabe, é um dos nossos maiores parceiros e existe a possibilidade de conseguirmos um acordo. A verdade é que é possível encontrar um bom parceiro na base de um acordo claro.

    OD: Confirma que é o Presidente JOMAV quem coordena as negociações das pescas?

    USE: Este é um governo do Presidente José Mário Vaz. Eu não ganhei as eleições e, como se sabe, eu sou um primeiro-ministro do JOMAV. Peço às pessoas que devemos apostar sempre no diálogo até conseguirmos uma solução. Lembro que tivemos um problema sobre o fecho das emissões da RTP/RDP – África. Ouvimos todo o tipo de críticas. Hoje conseguimos ultrapassar essa situação com base no diálogo franco com os portugueses.

    OD: Diz-se que um dos segredos do sucesso do seu governo é a regularização das dívidas com as instituições financeiras internacionais, através de “GM Bank” que é parceiro do Banco Mundial…

    USE: foi feito um bom trabalho para a regularização das dívidas internas e externas do país, através do Ministério das Finanças. Isso demostra que não existe um Estado pequeno, mas sim, um país pequeno. Um dos exemplos de boa organização e da dinâmica é o setor do turismo que era considerado o setor mais marginalizado a nível da governação.

    Hoje é o setor mais importante do país a nível da nossa sub-região. É devido à capacidade organizativa para dinamizar aquele setor, um setor que pode servir de uma das fontes de rendimento do Estado. As instituições internacionais notaram a seriedade nos rostos dos dirigentes deste executivo, começando por mim, Chefe do Governo. Este governo que se critica internamente, para além de regularizar os salários dos funcionários públicos, também conseguiu pagar as dívidas contraídas a nível das organizações em que o país está inserido.

    Liquidamos as dívidas à CEDEAO, à União Africana, às Nações Unidas, à CPLP e a outras organizações. Todas as representações diplomáticas do país recebem os seus ordenados a cada mês, graças ao esforço do apertar o cinto.

    Mais, conseguimos pagar as dívidas que existiam no setor do ensino, de forma a evitar as constantes greves registadas nos últimos tempos. Se recordarem, desde o início quando assumi essa função, defendi sempre que a minha política é ‘livro nas mãos’. Isto quer dizer que todas as crianças têm o direito de ir à escola como os meninos de Umaro Sissoco Embaló, porque eu sei muito bem qual é a consequência de “um povo que está no envelope”.

    OD: Conseguiu essa performance para o executivo, ou seja, apoios da parte das instituições financeiras importantes. Como é que não conseguiu capitalizar esses feitos para o campo político, sobretudo para obter o apoio do povo a nível interno, como homem político?

    USE: Eu não gosto de pessoalizar as coisas. Não pretendo ser o melhor primeiro-ministro da história da Guiné-Bissau. Mas quero fazer uma boa história que permita ao povo ter nostalgia do executivo de Umaro Sissoco Embaló, que conseguiu fazer isso e mais aquilo. Acabámos de reunir o Conselho de Ministros para analisar o orçamento do ano 2018. É um documento que será balizado pelos técnicos dos diferentes ministérios.

    Já temos a garantia do FMI, que mostrou disponibilidade em emprestar-nos dinheiro. Há países que têm petróleo, mas o fundo recusou emprestar-lhes dinheiro. Nós, por causa da nossa seriedade na gestão rigorosa da coisa pública, o Fundo sentiu-se confiante em conceder-nos um empréstimo. Vejam só a transmissão dos jogos do Campeonato Africano de Futebol. Custou-nos muito dinheiro, um valor estimado em mais de 700 mil Euros. E tivemos apoios dos nossos amigos para conseguirmos as imagens dos jogos.

    OD: Viaja sempre em aviões privados. Quem paga os custos de aluguer dos jatos?

    USE: Viajei em aviões privados emprestados por países amigos. Em nenhum dia aluguei um avião para viajar. Nigéria, Marrocos, Senegal, Congo, França e muitos outros países emprestaram-me aviões para viajar, a custo zero. O Presidente da República pediu-me para ocupar-me da política externa do país e ele comprometeu-se em trabalhar a nível interno.

    OD: Sobre o Acordo de Conacri, ao abrigo do qual foi nomeado Primeiro-Ministro. Tem sido alvo de desacordo entre os seus signatários. Qual é a sua opinião sobre a implementação desse documento?

    USE: Os assinantes do acordo sabem o que aconteceu de concreto. Apenas o PAIGC e outros pequenos partidos é que continuam a reclamar a sua implementação.

    OD: No universo de cinco partidos signatários do acordo, apenas o PRS é que apoia o seu executivo?

    USE: Qual é o número de deputados que este bloco tem hoje? Temos que levar isso em conta. Feitas as contas, tenho o maior número de deputados a apoiar o meu executivo. Tenho os deputados do PRS, o grupo dos 15, 2 deputados do PCD e 1 deputado do PND. Isso significa que há uma maioria de deputados que estarão em condições de viabilizar quaisquer documentos.

    OD: Será que existe o Acordo de Conacri?

    USE: O Acordo de Conacri é um acordo ‘lionbrandi!… O acordo fala da escolha de uma figura de consenso dos signatários e da confiança do Presidente da República. Eu consegui obter mais do que a maioria dos deputados no parlamento. Lembro que, depois de ter sido nomeado primeiro-ministro, a primeira pessoa que me felicitou foi Cipriano Cassamá, presidente da Assembleia Nacional Popular.

    A primeira viajem que fiz ao exterior depois da minha nomeação foi com Cipriano Cassamá, presidente do Parlamento. Viajamos para o Senegal. Aliás, como sabem, o Senegal foi designado pela CEDEAO como Porta-voz da Guiné-Bissau junto da Comunidade Internacional. Então, depois da assinatura do acordo e na qualidade de um dos signatários, viajamos juntos numa ação diplomática com o intuito de ir fazer a restituição sobre acordo ao Presidente Macky Sall.

    OD: Há vozes que criticam abertamente o ‘Acordo de Conacri’, devido às falhas cometidas…

    USE: Há coisas de que não quero falar. Mas quero deixar claro aqui que a história vai julgar-nos um dia. Garanto-vos que, se o meu nome não tivesse tido consenso no seio dos signatários, podem ter a certeza que jamais aceitaria assumir as funções de Primeiro-ministro. Não vim cá buscar um salário, ou seja, tomar o dinheiro público. Muita gente sabe disso. Fiquem a saber que Cipriano Cassamá, antes de ir a Conacri, ele apoiava-me e chegando a Conacri, fez a sua ‘lionbrandi’ mudando de posição.

    OD: O roteiro apresentado recentemente pelo Presidente da República dissipou as dúvidas quanto a sua eventual demissão. Como encarra esta situação da perda de confiança do Chefe de Estado?

    USE: O Presidente não perdeu confiança em mim, mas se isso acontecer, na mesma hora demito-me. Há um documento (roteiro) adoptado na última cimeira dos Chefes de Estado e de Governo, no qual pede-se a reintegração incondicional dos 15 deputados expulsos da bancada parlamentar do PAIGC, bem como de outros militantes e a anulação das conferenciais de base realizadas para a escolha de delegados. Outros pontos, como sabem, são a reabertura da Assembleia Nacional Popular e a nomeação de outro primeiro-ministro na base da maioria parlamentar.

    Sendo assim, não sei se o Presidente me reforçou a confiança ou perdeu-a! Quero aproveitar esta entrevista para esclarecer uma coisa importante para mim. Eu tenho uma dívida de três coisas para com o Presidente José Mário Vaz: em primeiro lugar, uma gratidão eterna na vida! Em segundo, o reconhecimento por tudo aquilo que ele fez por mim! Em terceiro e último é o respeito para com ele durante toda a minha vida!

    Para já não sou um cidadão normal nesta terra, porque em toda parte por onde passar, serei tratado como o ex-Primeiro-ministro da República da Guiné-Bissau. As pessoas que têm respeito pelos valores da república respeitar-me-ão e reconhecer-me-ão como antigo titular de um órgão de soberania e dar-me-ão um lugar para me sentar! Lembro que um dia o Presidente José Mário Vaz disse-me: Como não era o seu filho, Edson Vaz quem iria nomear, nomear-me-ia sem problemas nenhuns.

    OD: O que é que isso significa para si: um conselho ou uma responsabilidade?

    USE: Se o Presidente diz-me isso, significa para mim que ele considera-me como seu próprio filho, como também aumentou em mim a responsabilidade de cuidar e andar no caminho certo durante o processo da governação.

    OD: Correu muita tinta nas circunstâncias da tua nomeação como Primeiro-Ministro. Muitas vozes admitiam que o Senhor conseguiu o cargo em troca de algo com o Presidente da República. Qual é o seu comentário?

    USE: Isso não corresponde à verdade, mas mesmo que houvesse essa troca, para mim só poderia ser a lealdade. Consegui fazer a Guiné-Bissau chegar a um patamar que deixou orgulhoso o Presidente da República. Hoje, no concerto das nações, a Guiné-Bissau é respeitada como qualquer outro Estado do mundo. Tenho um discurso no qual defendo que não somos um pequeno Estado, mas sim pequeno país. Para mim, não existe um pequeno Estado. Qualquer Estado é igual a outro. Por isso deve haver respeito mútuo entre os Estados.

    OD: Circulam rumores em como Umaro Sissoco Embaló está preparar-se para ser candidato presidencial em 2019. É esse o motivo principal do divórcio com o Presidente Jomav?

    USE: Não é verdade! Eu nunca falei desse assunto e muito menos pensei candidatar-me às próximas eleições. Tenho-vos dito várias vezes que tenho uma “dívida” para com José Mário Vaz, pelo facto de ter confiado em mim para chefiar o governo. Mas compreende-se essa situação de desinformação, porque a Guiné-Bissau é um país de desinformação e de traição. Cada um diz o que quer sobre um determinado assunto que por vezes desconhece, mas apenas para caluniar outro. Eu não faço parte dessa camada e também não levo em conta os rumores da nossa sociedade.

    OD: Sentiu-se traído durante este processo ou da parte das pessoas do seu círculo?

    USE: Digo que a Guiné-Bissau é um país de desinformação e de traição, porque é uma coisa que carateriza esta sociedade. Isso é verdade, quer queiramos quer não. Aliás, o falecido Presidente Nino, em diversas ocasiões afirmou que a Guiné-Bissau é um país de traição. Eu reafirmo isso, porque senti que a Guiné-Bissau é um país de desinformação e de traição!

    OD: Há informações que dão conta que o senhor angariou vários fundos para o país durante a sua estadia na Líbia, sobretudo para o PAIGC, mas hoje o partido considera-o aventureiro?

    USE: Sou aventureiro como alguns dizem no partido, porque não sabem. Mas consegui mostrar às pessoas que sou melhor Primeiro-ministro do que a pessoa que eles apoiaram no partido. Não há dúvidas, se fizermos um balanço da minha governação e a do Domingos Simões Pereira.

    Será que o governo de Domingos Simões Pereira, com todo respeito que tenho por ele, foi elogiado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial (BM), independentemente do fato de o orçamento e o programa do seu governo terem sido aprovados na Assembleia Nacional Popular. Não conseguiu elogios e muito menos capacidade de alcance diplomático em termos da participação nas cimeiras internacionais.

    OD: Diz-se que o PAIGC é responsável pela situação de subdesenvolvimento do nosso país. Concorda?

    USE: Concordo. O PAIGC tem 95 por cento de responsabilidades em todos os problemas desta terra. Para mim, é uma questão da liderança do partido e não dos liderados. O PAIGC sempre teve infelicidade de ter líderes que não estão à altura e à expectativa do partido e do próprio país. Mas neste momento é pior. Eu reconheço Domingos como bom técnico, mas não como bom gestor de pessoas. Ele tem tudo, menos ser líder para dirigir um grupo de pessoas ou o país. Prova disso é aquilo que está a acontecer no partido e o que aconteceu durante a sua governação.

    Eu nunca apoiei Domingos no congresso. Juntei-me ao projecto de Braima Camará (Ba Kekuto) para a presidência do PAIGC no último congresso realizado em Cacheu.

    OD: Esteve no congresso de Cacheu como delegado?

    USE: Sim e fui como delegado de pleno direito, porque eu era membro do Comité Central do PAIGC…

    OD: Em que congresso foi eleito como membro do Comite Central?

    USE: Fui eleito membro do Comite Central no congresso de Gabú. Antes disso, eu fazia parte das estruturas do partido, muito antes do Domingos. Eu tive a oportunidade de estar próximo do Presidente Nino Vieira e do Presidente Malam Bacai Sanhá. Fui a primeira pessoa que o Presidente Malam Bacai Sanhá nomeou como Ministro de Estado. Bacai convidou-me para ocupar as pastas do Interior e de Defesa. Carlos Gomes Júnior está de vida, podem perguntá-lo. Eu gozava de boas relações com os Presidentes Nino Vieira e Bacai Sanhá.

    OD: O senhor tinha relações privilegiadas com o ex-Guia líbio, Muammar Kadhafi. Como conseguiu entrar na periferia de confiança daquele que era um grande estadista africano e mundial?

    USE: A minha relação com Muammar Kadhafi começou através de Presidente Blaise Campaoré que era o meu amigo. Aliás, considerava-me como seu filho. Conheci o Presidente Blaise em Israel quando estava a estudar. Ele estava de visita àquele país e contaram-lhe que cinco jovens africanos estavam a estudar ali, na escola de formação na área de segurança especializada e inclusive um da África Ocidental. Ele tomou a iniciativa de conhecer o estudante da sua zona. Fomos apresentados. Foi assim que nos conhecemos. Acompanhei-o a uma peregrinação ao ‘Muro das lamentações’. Ele ficou com o meu contacto.

    Um dia convidou-me para lhe visitar na sua residência, em Burkina, onde jantamos juntos e ofereceu-me dinheiro. O primeiro apartamento que comprei na minha vida foi com o dinheiro que ele me ofereceu. Um mês depois convidou-me de novo para ir passar férias em Marrocos. Um dia, por iniciativa própria, decidi ir visitá-lo no seu país e dois dias depois chegou Muammar Kadhafi e fomos juntos ao Hotel onde residia o Presidente Líbio. Trocamos impressões e convidou-me para irmos à Líbia. Aceitei o convite e a nossa relação começou. Ganhou confiança em mim, ao ponto de nomear-me para o cargo de relações exteriores. A partir daí comecei a sentir-me como homem fiel de Muammar Kadhafi.

    Naquele período ajudei vários presidentes da república e alguns primeiros-ministros da Guiné-Bissau em termos de transporte aéreo para participarem nas cimeiras dos chefes de Estado africanos, com exceção do Presidente Henrique Rosa e Serifo Nhamadjo. Ofereci fardamento, fogão elétrico e viaturas às forças armadas, enquanto guineense.

    OD: A sua relação com o Presidente Líbio valeu-lhe influência e relações com vários presidentes africanos, sobretudo a nível da Costa Ocidental. Alguns dizem internamente que essa sua relação com alguns Chefes de Estados fez com que beneficiasse da proteção dos mesmos em relação ao cumprimento ou não do Acordo de Conacri…

    USE: Isso não corresponde à verdade. Também sou bom amigo porque não finjo na amizade e sempre fiz questão de ter boas relações com qualquer pessoa, devido a minha educação de base.

    OD: O senhor é muito próximo de vários Chefes de Estados africanos, com destaque para El-Bachir do Sudão e Denis S. Nguesso de Congo Brazzaville. Muitos acreditam que Nguesso influenciou muito a sua nomeação como Primeiro-ministro.

    USE: Denis S. Nguesso é meu pai, por isso costumo vestir roupas da sua marca. Ele aconselha-me sempre para não tocar no que não me pertence. No caso do El-Bachir, conhecemo-nos na Líbia, por causa da aparente semelhança de nomes, sou Omar e ele também é Omar. Portanto, eu não sou uma pessoa qualquer como algumas pessoas pensam.

    OD: Recentemente, o Coletivo dos Partidos Políticos Democráticos guineense acusou-o de ter relações suspeitas com uma rede terrorista, ao ponto de o seu número de telefone ter sido encontrado no telefone de um jiadista morto num dos países africanos…

    USE: Foi Nuno Gomes Nabiam quem disse isso, encomendado por Domingos Simões Pereira. Ele nunca teve oportunidade de manter um encontro com altos dirigentes da comunidade internacional, mesmo quando estava a desempenhar as funções de Secretário Executivo da CPLP. Uma pessoa suspeita (de relações) com uma rede terrorista pode viajar para os Estados Unidos da América e Israel e representar o país ao mais alto nível? É má-fé dos dois indivíduos, Domingos Simões Pereira e Nuno Gomes Nabiam, porque eu sou Umaro Sissoco Embaló.

    Sou uma pessoa muito pacífica que passou nas forças armadas. Nunca matei nem sequer uma galinha. Nunca na minha vida entrei em relações duvidosas, tal como estão a mencionar o meu nome na rede terrorista. O mais perigoso é acusarem-me de tentar assassinar o ex-chefe de Estado-Maior, o General António Indjai. Isso dá para ver até onde um deslocado como Nuno Gomes Nabiam diz coisas falsas, sem nenhuma prova. Portanto dispenso estas acusações infundadas.

    OD: Em diferentes ocasiões públicas, Umaro Sissoco Embaló queixou-se de ser vítima de discriminação por ser da etnia fula ou da religião muçulmana. O senhor acredita de facto que existe segregação tribal na Guiné-Bissau?

    USE: Não, referi-me ao Domingos Simões Pereira, que não está preparado para aceitar Umaro Sissoco Embaló. Se é Umaro Sissoco Embaló, então é terrorista!

    OD: Então, acredita de facto que existe a segregação tribal e religiosa na Guiné-Bissau?

    USE: Não…por causa de uma pessoa, não! A verdade é que Domingos tem esse sentimento de ser antimuçulmano. Se virmos as pessoas que foram expulsas do PAIGC… nós vivemos sempre na relação de amizade neste país entre diferentes grupos étnicos e religiosos.

    OD: O senhor cumpriu o serviço militar em 1992. Pode-nos narrar um pouco a sua carreira como militar?

    USE: Sim. Estive na Artilharia Terrestre com o falecido General Veríssimo Correia Seabra. Era o meu chefe na altura. Depois fui transferido para o Estado-Maior, onde trabalhei no Gabinete do Chefe de Estado- Maior das Forças Armadas, Saco Soares Cassamá, que foi grande Chefe de Estado-Maior. Também passei no Tribunal Militar, onde consegui uma bolsa de estudos. Depois do meu regresso ao país, trabalhei com Afonso Té e Sandji Fati.

    OD: Em que circunstâncias Umaro Sissoco Embaló tornou-se General e quando?

    USE: Há muito tempo que eu queria dar essa resposta ao povo guineense. Há um decreto assinado pelo defunto Presidente, Malam Bacai Sanhá. Fui promovido ao patente de general através de um decreto presidencial. É como hoje. Promovi alguns oficiais ao patente do Major-general, entre os quais, João António Monteiro, que era antigo Director Geral de Segurança de Estado e Chefe do Serviço de Contra Inteligência Militar.

    OD: Há vozes que alegam que saiu das forças armadas porque tinha um diferendo com o falecido General Ansumane Mané…

    USE: Como posso ter tido problemas com Ansumane Mané!? Ele sempre foi meu chefe superior! Ele foi chefe do meu chefe, mas ele tinha uma estima por mim e até brincávamos.

    OD: Como vê a situação dos militares guineenses que hoje conseguiram sair, desta vez, da política e transformaram-se numa força completamente republicana?

    USE: O Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas Guineense fez um bom trabalho de pedagogia que deu esse resultado elogiado hoje em toda parte do mundo. Há uma coisa que as pessoas não sabem. As forças armadas têm maior número de quadros de diferentes especialidades. Mesmo o ministério do Interior que também tem bons quadros. Isso é assim em qualquer parte do mundo. As forças da defesa e segurança detêm maior número de quadros.

    As forças armadas conseguiram mostrar ao povo guineense que os problemas que passaram no país foram provocados por políticos e não por militares, ou seja, os políticos sempre são fator de instabilidade neste país.

    OD: Fala-se de uma suposta tentativa de golpe de Estado que resultou na detenção de cinco pessoas, e fez com que os militares sejam obrigados a ficar nos quarteis, em prevenção. O que está a acontecer de concreto?

    USE: Eu estava ausente do país no período em que essas pessoas foram detidas. Cheguei e encontrei o processo no fórum judicial militar. Portanto, prefiro evitar falar sobre esse caso. Sabem que ser Primeiro-ministro não é ser magistrado. É, antes de tudo, exercer uma função executiva. Enquanto chefe do governo, nunca vou entrar ou imiscuir-me nos assuntos judiciais.

    OD: Pode falar-nos de uma forma sintética do seu percurso académico?

    USE: Fiz o décimo segundo ano em Portugal e no mesmo liceu com o nosso Presidente da República, José Mário Vaz, denominado ‘Sã de Bandeira em Santarém’. Sou formado em ‘Relações Expressionais’ e Especialista na Cooperação e Desenvolvimento em Israel. Fiz ainda a licenciatura no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (Portugal) e fiz o mestrado na mesma área em Espanha, portanto sou um homem formado.

    Eu até queria exibir os meus diplomas para mostrar às pessoas quem sou, mas alguns indivíduos aconselharem-me a não entrar nisso, que consideram de baixaria. Quem não acreditar pode pesquisar o meu nome no ‘Wikipédia’. Vai encontrar dados sobre a minha formação. Temos uma grande arte nesta terra que é a desinformação, mas trazemos isso da Guiné-Conacri, porque era ali que se encontrava a base do partido no período da luta. Nós herdámos isso da Guiné-Conacri.

    OD: Qual é sua relação com o Braima Camará que é considerado o promotor da sua nomeação ao cargo de Primeiro-ministro?

    USE: Braima Camará é o meu irmão mais velho, mas não sei se foi ele quem me promoveu. Eu fui nomeado pelo Presidente José Mário Vaz. Braima Camará é meu irmão, porque provou-me que é um homem muito honesto na relação. Por isso, no Congresso de Cacheu para a liderança do PAIGC, decidi voluntariamente apoiar a sua candidatura, sem que me tivesse convidado, devido a sua lealdade. Gosto de pessoas que não são falsas na relação, e se ele voltar a candidatar-se para o partido, dar-lhe-ei o meu apoio total.

    OD: Tentou integrar o governo de Baciro Dja sem sucesso. A sua nomeação como Primeiro-Ministro foi uma vingança?

    USE: Não! Não foi Baciro Dja quem se nomeou para Primeiro-ministro. Baciro Dja é meu irmão mais novo e tenho todo o respeito por ele enquanto ex-Primeiro-ministro da Guiné-Bissau e nunca tive problemas com ele, de maneira que não tenho nada para me vingar dele.

    OD: Qual é sua relação com Domingos Simões Pereira e Cipriano Cassamá, para além da política?

    USE: Temos boas relações, mas já faz tempo que não me encontro com Domingos Simões Pereira, porque as nossas agendas políticas não são iguais. A última vez que nos encontramos foi na Presidência da República, quando saímos da audiência promovida pelo Chefe de Estado. Com o Cipriano Cassamá sempre tive boas relações. Estivemos juntos na prisão, depois do conflito político militar de 1998, porque fazíamos parte da ala governamental.

    OD: Fala-se tanto na sua proximidade com Macky Sall. O que lhe liga ao Presidente senegalês?

    USE: Eu residia na casa do Presidente Macky Sall, há vários anos e considero-o como irmão.

    OD: Participou na mobilização de fundos para a campanha eleitoral do Macky Sall?

    USE: Essa história de mobilização de fundos para campanha eleitoral não corresponde à verdade. As pessoas falam muito, sem certezas. Nunca mobilizei fundos para Macky Sall. Mas o que é verdade é que participei na fundação do seu partido que hoje está no poder. Sou membro fundador.

    Por: Assana Sambú, Aguinaldo Ampa e António Nhaga

    Fotos: Marcelo Na Ritche
    Conosaba/faladepapagaio/Odemocratagb

    ANGOLA: ÚLTIMO KO A DOS SANTOS? – HÁ FANTASMAS A VAGUEAR PELO PALÁCIO PRESIDENCIAL

    NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...



    O Presidente angolano, João Lourenço, exonerou hoje a administração do Fundo Soberano de Angola (FSDEA), presidida por José Filomeno dos Santos, tendo nomeado Carlos Alberto Lopes para liderar a instituição. Tudo normal. Mas será normal que a verba destinada, no OGE, à (sua) Guarda Presidencial seja três vezes maior do que a atribuída aos tribunais e à saúde? O que teme João Lourenço? O fantasma do 27 de Maio ainda anda pela Cidade Alta?

    Ainformação sobre a exoneração, “por conveniência de serviço”, foi transmitida hoje pela Casa Civil do Presidente da República, passando o FSDEA, que gere activos do Estado angolano de 5.000 milhões de dólares, a ser presidido por Carlos Alberto Lopes, até agora secretário para os Assuntos Sociais do chefe de Estado.
    Em Novembro de 2017, surgiram denúncias sobre a gestão do FSDEA, relativamente ao suposto recurso desta instituição a paraísos fiscais, divulgado em documentos revelados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (CIJI), no âmbito da investigação ‘Paradise Papers’.
    Em reacção, o FSDEA garantiu que todas as operações que realiza são feitas de “forma legítima”, ao abrigo dos “mais altos padrões regulatórios”.
    Depois de Isabel dos Santos, que exonerou do cargo de Presidente do Conselho de Administração da petrolífera estatal Sonangol, e de ter ordenado a rescisão do contrato entre a Televisão Pública de Angola (TPA) e a empresa Semba Comunicações, detida por Welwítschia “Tchizé” e José Paulino dos Santos “Coreon Dú” para a gestão do segundo canal, José Filomeno dos Santos é o quarto filho do ex-Presidente angolano mas ainda presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, a ser afastado do poder por João Lourenço, empossado em Setembro último.
    O Presidente angolano, João Lourenço, nomeou também hoje (como prova de amizade e recompensa sem nenhuma utilidade prática) como administradores não executivos da petrolífera Sonangol dois antigos primeiros-ministros, Lopo do Nascimento e Marcolino Moco, este último forte contestatário do chefe de Estado anterior, José Eduardo do Santos.
    A informação com estas nomeações foi igualmente transmitida pela Casa Civil do Presidente da República, dando conta que foram feitas “por conveniência de serviço público”, passando Lopo Fortunato Ferreira do Nascimento e Marcolino José Carlos Moco a integrar o Conselho de Administração da Sonangol, liderada desde Novembro por Carlos Saturnino, como administradores não executivos.
    Em Novembro último, o antigo primeiro-ministro angolano Marcolino Moco assumiu-se “surpreendido” com a “coragem” do novo Presidente da República, afirmando que as decisões conhecidas visam “criar um mínimo de governabilidade” num poder “atrelado aos pilares de uma casa de família”.
    Até agora João Lourenço escusou-se a explicar os motivos que o levaram a exonerar a 15 de Novembro a administração liderada por Isabel dos Santos na Sonangol, limitando-se a citar o habitual enquadramento, da “conveniência de serviço”. Isto porque, no seu caso, não pode usar a também tradicional “ordens superiores”.
    Questionado sobre se a exoneração de Isabel dos Santos, empresária e filha do ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, teria alguma motivação política, o chefe de Estado negou esse cenário: “A pessoa exonerada não era da oposição. Não estou a ver porque razão exoneraria por falta de confiança política”.
    Contudo, acrescentou: “As exonerações, regra geral, não são justificadas. O nosso país está independente há 42 anos, não me recordo nunca de nenhum Presidente ter vindo a público justificar-se porque é que exonerou A, B ou C”.
    Também não seria despiciendo lembrar que nesses 42 anos Angola só teve três presidentes, um dos quais esteve no cargo 38 anos, e que nenhum foi nominalmente eleito. Ou, ainda, que João Lourenço sempre foi um homem do sistema, do regime: 1984 – 1987: 1º Secretário do Comité Provincial do MPLA e Governador Provincial do Moxico; 1987 – 1990: 1º Secretário do Comité Provincial do MPLA e Governador Provincial de Benguela; 1984 – 1992: Deputado na Assembleia do Povo; 1990 – 1992: Chefe da Direcção Politica Nacional das FAPLA; 1992 – 1997: Secretário da Informação do MPLA; 1993 – 1998: Presidente do Grupo Parlamentar do MPLA; 1998 – 2003: Secretário-geral do MPLA; 1998 – 2003: Presidente da Comissão Constitucional; Membro da Comissão Permanente; Presidente da Bancada Parlamentar; 2003 – 2014: 1º Vice-presidente da Assembleia Nacional.
    “Nós não perseguimos pessoas”, afirmou o chefe de Estado, na primeira conferência de imprensa do Presidente João Lourenço, com mais de uma centena de profissionais de órgãos nacionais e estrangeiros, quando passavam 100 dias após ter chegado à liderança do país.
    Em causa estava e continuará a estar a rescisão do contrato entre a Televisão Pública de Angola (TPA) e a empresa Semba Comunicações, detida por Welwítschia “Tchizé” e José Paulino dos Santos “Coreon Dú”, filhos de Eduardo dos Santos, que geriam (com o acordo dos tribunais e legitimados pelo MPLA, inclusive por João Lourenço) os canais 2 e Internacional da TPA, até à rescisão do contrato, a 15 de Novembro.
    Questionado sobre como encarava os comentários na sociedade angolana, de uma suposta perseguição aos filhos de José Eduardo dos Santos, também face à exoneração de Isabel dos Santos, João Lourenço minimizou o assunto.
    “Em primeiro lugar, não sou director da TPA, quem rescindiu o contrato com a empresa que geria o canal 2 e a TPA Internacional, foi a TPA”, respondeu o chefe de Estado angolano, só lhe faltando dizer que não deu “ordens superiores” para que tal acontecesse.
    “Tanto quanto sabemos das razões da rescisão desse contrato é que o contrato era bastante desfavorável ao Estado”, disse.
    Segundo João Lourenço, o contrato foi assinado numa determinada conjuntura (em 2007), que hoje é diferente, tendo-se constatado que “os termos do contrato são bastante lesivos aos interesses do Estado”.
    “E se não for o Estado a defender os seus interesses, quem o fará? Neste caso, a TPA, a empresa que neste domínio representa o interesse do Estado, ela não fez outra coisa se não defender os seus interesses, ou seja, os interesses do Estado”, frisou.
    O chefe de Estado, recorrendo ao lema da campanha eleitoral do MPLA, partido no poder desde 1975 e de que é vice-presidente, disse que está a ser corrigido o que está mal… mesmo que ele tenha muitas responsabilidades políticas e partidárias nesse mau estado.
    E enquanto entretém o Povão com estas exonerações, João Lourenço não explica nem justifica as razões pelas quais o Orçamento Geral do Estado, por exemplo, a verba destinada à guarda presidencial é três vezes maior do que a atribuída aos tribunais e à saúde.
    Enquanto para a justiça está destinada uma verba de 26 mil milhões de kwanzas, a guarda presidencial vai receber 85 mil milhões de kwanzas.


    Será que, afinal, João Lourenço teme que feitiço se vire contra o feiticeiro, temendo alguma resposta violenta por parte dos acólitos de José Eduardo dos Santos, a ponto de querer ter uma super guarda presidencial? Será que o fantasma do 27 de Maio de 1977 continua a residir no Palácio Presidencial?
    fonte: jornalf8.net

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