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terça-feira, 30 de outubro de 2018

Eleições brasileiras: Relações Brasil - PALOP em risco?

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Brasil conta com novo Presidente: Jair Bolsonaro. País mantém tradicionais relações com PALOP, nomeadamente Angola e Moçambique. Mas analistas angolanos receiam que esta cooperação possa estar em risco com novo Governo.
fonte: DW África
Itamaraty Palace (Gustavo Ferreira/Acervo MRE)
Itamaraty - Ministério brasileiro das Relações Exteriores
O novo Presidente eleito no domingo (28.10), Jair Bolsonaro, fala num "Brasil acima de tudo" e num "Deus acima de todos". No seu discurso de vitória, Bolsonaro também prometeu respeitar os direitos e as liberdades do povo brasileiro.
E como serão as relações entre Brasil e a África na CPLP?
"Durante a campanha eleitoral Bolsonaro deixou transparecer mesmo a sua prioridade, por exemplo, são os Estado Unidos da América e Israel enquanto África não seria prioritária", diz o jornalista angolano Ilídio Manuel.
Uma incógnita
Para Osvaldo Mboco, professor de relações internacionais na Universidade Técnica de Angola, nesta altura, a política externa de Jair Bolsonaro com a África ainda é uma "incógnita".
"Quer ao nível do MERCOSUL (espaço de comércio-livre para a América Latina), a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) quer ao nível dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Atuação do próprio Presidente parece-me ainda não ter uma forma definida porque durante muito tempo Jair Bolsonaro evitou debates ao nível da televisão que fez com que as pessoas não podiam ter uma opinião muito mais clara, mais real sobre a sua visão em relação a sua política externa principalmente sobre África".
Südafrika, Johannesburg: 10.ter BRICS-Gipfel (Reuters/S. Sibeko)
Osvaldo Mboco desconfia que o novo Presidente brasileiro poderá optar pelo protecionismo e assim "redefinir" a forma de cooperação com a África lusófona.
"Tudo isso faz-nos pensar que o próprio Presidente poderá redefinir a sua estratégia de cooperação em termos de ajuda financeira para os países ligados à CPLP. Basta olharmos para o seu discurso da vitória onde dava conta de que aqueles governos que não fizeram uma boa gestão, uma gestão benéfica que pudesse trazer o desenvolvimento para os seus países ele poderia cortar as relações de financiamentos".
Unilateralismo?
Augusto Báfuabáfua, outro especialista angolano em questões internacionais também pensa que o novo Governo brasileiro poderá optar pelo unilateralismo.
"Vai olhar muito mais para aquilo que são as vantagens comparativas e competitivas dentro do próprio país. Todavia, Bolsonaro não descurou a possibilidade de lidar com outros países".
Recorde-se, que as relações entre Brasil – Angola e Moçambique, também foram alvo da "Operação Lava Jato", considerada a maior investigação contra a corrupção no Brasil e que revelou um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo várias empresas públicas do país. Alguns dos projetos financiados pelo país sul-americano e executados pela construtora Odebrecht foram envolvidos em corrupção para além do pagamento tardio da dívida. Isso, diz Ilídio Manuel, já belisca as relações de amizade e cooperação entre estes países na era Bolsonaro.
Brasilien Protesten gegen Korruption in Rio (Getty Images/AFP/Y. Chiba)
Foto de arquivo: Manifestação contra corrupção no Rio de Janeiro (março de 2017)
"Ele chega ao poder numa fase em que as relações entre o Brasil e os PALOP não estão muito boas, particularmente no que diz respeito a Angola e Moçambique. Aliás, tanto Angola como Moçambique foram atingidos pelo furacão "Lava Jato" tanto mais que Angola sofreu seriamente com isso porque foi o país africano entre os PALOP que mais se beneficiou com os créditos do Banco Nacional para o Desenvolvimento Económico e Social do Brasil e isso comprometeu seriamente determinadas obras", conclui Ilídio Manuel.
Entre as obras estão o polo Agro-industrial de Capanda e o Aproveitamento Hidroelétrico de Laúca (província de Malanje).
Papel da CPLP será sempre acessório
O diretor do departamento de Relações Internacionais da Universidade Católica (Lisboa) considera que o papel da CPLP na política externa brasileira "será acessório" e que Portugal deve ter um papel importante enquanto plataforma giratória entre UE e Brasil.
"A haver mudança [na relação entre o Brasil e a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)], será para menos participação" no espaço da lusofonia, disse Ricardo Ferreira Reis à Lusa a propósito das prováveis mudanças na política externa brasileira na Presidência de Jair Bolsonaro.
"O papel da CPLP será sempre acessório, nunca será primordial", considerou à Lusa o especialista em Relações Internacionais, defendendo que a solução para Portugal será "encontrar espaço no que Bolsonaro acha prioritário para ter um papel a desempenhar" porque "não há, na perspetiva dele, de maneira nenhuma, uma vocação para a CPLP".
EUA, China e UE
Bolsonaro, acrescentou, elencou três parceiros primordiais para o Brasil - Estados Unidos, China e União Europeia -, sendo que no caso dos EUA, "a proximidade ideológica e de estilo com Trump poderá ajudar, e na China tem muito a ver com a propensão para as privatizações e saber que os chineses estão muito atentos a este tipo de mercados".
Neste contexto, vincou, "a China é crucial e aqui a CPLP, e em particular Macau, poderá ter um papel importante porque funciona como plataforma giratória de investimento chinês para o Brasil".
No que diz respeito à relação com a União Europeia (UE), Ricardo Ferreira Reis salientou que "o terceiro parceiro crítico elencado por Bolsonaro foi a UE, e não Portugal em particular, pelo que Portugal pode e deve desempenhar um papel importante enquanto plataforma giratória entre UE e Brasil".
Para o professor de Relações Internacionais, Portugal "tem de ter uma posição de prudência no discurso que já se notou no domingo nas declarações do Presidente da República e do primeiro-ministro, que são muito diferentes das declarações de há algumas semanas, nas quais mostraram uma posição de repúdio de Bolsonaro".

Pedro Pires destaca crescimento de África mas alerta para alguma regressão.

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Pedro Pires
Pedro Pires


Antigo Presidente cabo-verdiano pede investimentos em educação e emprego
O antigo Presidente cabo-verdiano Pedro Pires acredita que a África tem crescido mas reconhece a atenção para a necessidade de se investir no emprego e na juvenude.
“Há indicações que mostram que o continente africano tem progredido, a um ritmo, talvez, não o desejável, mas o importante é ver a tendência de melhoria, pode ser lenta, mas ela está lá”, afirmou Pedro Pires em Maputo.
Membro de uma uma restrita lista de estadistas que viu a sua governação distinguida com o Prémio Boa Governação da Fundação Mo Ibrahim, no dia em que saiu mais um relatório do Índice da Boa Governação em África, Pires chamou, no entanto, a atenção para casos de regressão de índices de alguns países e a todo o continente no geral.
Ele chama atenção, no entanto, para “a educação e o emprego, dois aspectos que o relatório chama a atenção. Portanto, há necessidade de haver um sistema de educação que responda a qualidade e a pertinência” frisou.
Joaquim Chissano, Pedro Pires, Festus Mogae e Ellen Johnson Sirleaf são os estadistas que já venceram o milionário prémio de governação Mo Ibrahim.

fonte: VOA

Lourenço e Nyusi felicitam Bolsonaro e prometem cooperação.

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Jair Bolsonaro recebe felicitações

Jair Bolsonaro recebe felicitações
Presidentes de Angola e Moçambique enviam mensagens a Bolsonaro
Os presidentes de Angola e de Moçambique enviaram mensagens de felicitação ao Presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro.
Além de felicitar o novo chefe de Estado, João Lourenço manifestou o desejo de um "impulso" no aprofundamento das relações históricas bilaterais.
Lourenço revelou-se convicto de que os tradicionais laços de cooperação e amizade serão aprofundados durante o mandato do novo Presidente brasileiro, "em prol do desenvolvimento e do progresso social dos povos do Brasil e de Angola".
O Chefe de Estado Angola ainda desejou a Bolsonaro "bem-estar pessoal e sucessos" na "nobre missão de chefe de Estado que, por escolha do povo brasileiro, foi indicado a desempenhar".
Por seu lado, o Presidente moçambicano começou por destacar a eleição “como um forte testemunho da confiança que o povo brasileiro deposita na visão e habilidades para liderar o Brasil”,
Filipe Nyusi considerou que Jair Bolsonaro é eleito num momento em que o povo brasileiro enfrenta enormes desafios.
“Estamos confiantes de que a nossa cooperação será consolidada com base nos valores fundamentais compartilhados no seio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e no desejo mútuo do alcance das metas preconizadas, rumo à construção de uma comunidade mais unida e fortalecida”, concluiu a nota de Nyusi.

fonte: VOA

Guiné-Bissau: Legislativas projetadas para 27 de janeiro de 2019.

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Tecnicamente, em janeiro do próximo ano seria o mês ideal para a realização das eleições legislativas na Guiné-Bissau. A CNE entregou ao Governo novo cronograma eleitoral, que já está nas mãos do Presidente.
fonte: DW África
Guinea-Bissau - Wahlzählung (CNE)
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau já está a trabalhar num plano B para cumprir com os prazos legais para o recenseamento e possivelmente a realização de eleições legislativas a 27 de janeiro do próximo ano, de acordo com o novo cronograma eleitoral. A data de 18 de novembro ficou comprometida quando o Governo decidiu que o recenseamento eleitoral deveria terminar apenas a 20 do próximo mês, portanto dois dias depois da data inicialmente marcada para o pleito eleitoral (18.11).
O recenseamento eleitoral que começou a 20 de setembro deve terminar a 20 de novembro próximo para cumprir o prazo de 60 dias previsto na Lei Eleitoral da Guiné-Bissau. Enquanto isso, os guineenses aguardam que o Presidente da República, José Mário Vaz anuncie, através de um decreto, a nova data para a realização das legislativas Guiné-Bissau.
Perante este cenário, vários atores políticos têm exigido a demissão do Governo de Aristides Gomes, que acusam de ser incapaz de cumprir com a sua tarefa principal, que seria a organização das legislativas a 18 de novembro. Outros tantos políticos defendem publicamente que o Presidente José Mário Vaz deve encurtar o seu mandato para que as eleições gerais ocorram no país no primeiro trimestre do próximo ano. 
CNE com nova data das legislativas  
O secretário executivo da Comissão Nacional de Eleições, M´bapi Cabi avança que a CNE já entregou ao Governo um novo cronograma eleitoral no qual prevê organizar eleições nos finais de janeiro de próximo ano, cumprindo assim os prazos legais. 
Guinea-Bissau - Minister für territoriale Verwaltung von Guinea-Bissau (DW/B. Darame)
Ester Fernandes - ministra da Administração Territorial, Pedro Sambú – presidente da CNE e Alain Sanca, responsável do Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral e representantes das Organizações da Sociedade Civil (na foto de esquerda para a direita).
"Se não houver algumas outras situações, terminado o recenseamento era muito fácil fazer a previsão sobre uma data mais realista. Neste sentindo a CNE já entregou ao Governo um novo cronograma elaborado com alterações das datas. E cumprindo com todos os prazos legais e condições técnicas, a previsão é para 27 de janeiro, só para realização das legislativas... mas isso vai depender das decisões políticas", declarou o dirigente da CNE.
M´bati Cabi, falava à DW África, na cidade de Praia, em Cabo Verde, sobre o processo eleitoral em andamento no país e na diáspora. Para o secretário executivo da CNE, globalmente o trabalho decorre com normalidade, apesar da falta de equipamentos para o registo biométrico do eleitoral.
"Apesar de algumas irregularidades que são superáveis, o processo está a correr bem. Ainda enfrentamos a insuficiência de Kits de recenseamento, que é o maior problema deste processo. Há também problemas na fixação dos editais onde as pessoas possam informar-se sobre os locais de recenseamento, mas todas essas situações estão a ser ultrapassadas”, explicou.
Partidos no Governo criticam atuação do Executivo  
Entretanto, vários partidos políticos que fazem parte do Governo, nomeadamente o Partido da Renovação Social (PRS), a segunda maior força politica do país e o Movimento de Alternância Democrática (MADEM-G15), formado por dissidentes do PAIGC, têm estado a criticar publicamente o recenseamento eleitoral, juntamente com os partidos fora do Governo. Por exemplo, o PRS emitiu uma nota, a dizer que os comunicados das reuniões do conselho de ministros não estão de acordo com as decisões que já foram tomadas, tendo denunciado varias irregularidades ocorridas no ato de recenseamento.
Em resposta, a ministra da Administração Territorial, Ester Fernandes, membro do Governo que coordena todo o processo eleitoral, afirmou em entrevista à DW África que tudo está a decorrer sem percalços que possam pôr em causa a transparência e a credibilidade do processo eleitoral. Fernandes considera de "infundadas e nada oficiais” essas denúncias dos partidos:
"Estamos a trabalhar com toda a transparência possível e aberta a toda sociedade. Todos os partidos têm os seus supervisores no Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral (GTAPE), até os partidos sem assento parlamentar. Agora, há críticas sem fundamento, porque até agora não recebemos nenhuma queixa formal desses partidos ou reclamação formal que isto ou aquilo não está bem”, argumenta a ministra que está no centro das críticas da oposição.
Recenseamento decorre “muito bem”
Ester Fernandes lembra que a própria CNE, que por lei é a entidade que fiscaliza os trabalhos do recenseamento no terreno, já produziu uma nota informativa na qual louvou os trabalhos, tirando as dificuldades de ordem financeira e de falta de Kits.
A ministra guineense aproveitou a ocasião para anunciar que o Governo irá receber de Timor Leste, mais 10 kits (equipamentos de registo biométrico do eleitor) para além de mais 135 kits provenientes da Nigéria e que devem chegar ao país nos próximos dias.
"Estamos à espera de receber num total mais 155 kits: Timor vai pôr a nossa deposição mais 10 kits e estamos a aguardar mais 145 da Nigéria. Portanto, teremos num total de mais de 250 novos kits para além dos 55 que recebemos no fim-de-semana e dos 150 que já estão no terreno desde o início do recenseamento”, declarou a ministra em entrevista telefónica à DW .
Entretanto, o presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) José Pedro Sambu, viajou no sábado (17.10) para Portugal e França com a missão de  "supervisionar e fiscalizar" o processo de recenseamento de cidadãos guineenses naqueles países, anunciou a CNE em comunicado divulgado em Bissau. 
Segundo a Comissão Nacional de Eleições, já foram recenseadas 230 mil pessoas, aproximadamente 25% dos cerca de 900 mil eleitores estimados.




Presidente eleito, Jair Bolsonaro é entrevistado no Jornal Nacional.

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Após vitória nas urnas, o 38º Presidente da República Federativa do Brasil fala ao JN.



William Bonner: Nesta edição especial do Jornal Nacional, nós temos a presença do 38º presidente da República Federativa do Brasil, Jair Messias Bolsonaro. Presidente, muito boa noite.
Jair Bolsonaro: Boa noite, Bonner. Boa noite, Renata.
William Bonner: Primeiro, parabéns por essa vitória ampla nas urnas. Muito obrigado, desde já, por abrir as portas da sua casa para o Jornal Nacional nesta noite tão especial, de um dia certamente que foi muito atribulado, tem sido para o senhor. Nós já sabemos que, em primeiro lugar, o senhor deseja agradecer aos eleitores brasileiros e é muito justo. Por favor…
Jair Bolsonaro: Eu quero agradecer a todos que votaram em mim, pelo apoio e pela confiança. Agradecer pelas orações também. Afinal de contas, ao longo de quatro anos, não só durante a pré-campanha bem como a campanha, nós tivemos uma bandeira baseado numa passagem bíblica: João 8:32 ‘Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’. Está na hora do Brasil conviver com a verdade. Então, agradeço esses que acreditaram na verdade e confiaram no meu nome nas urnas.
William Bonner: Presidente, nesses poucos minutos, nós queremos aproveitar aqui a sua disposição para acalmar os ânimos que andaram tão acirrados ao longo dessa campanha. No primeiro dia depois do segundo turno, o senhor disse aqui no Jornal Nacional que será um escravo da Constituição de 1988.
No último sábado (27), na sua última aparição nas redes sociais antes da eleição, o senhor estava com um exemplar da Constituição nas mãos e reiterou que todas as suas ações seguirão os postulados da Constituição. No seu discurso da vitória de domingo (28), o senhor disse que vai defender as liberdades e vai defender a democracia. Diante disso tudo, o que é que o senhor diria a aqueles que ainda insistem em dizer que a sua eleição é um risco para a democracia?
Jair Bolsonaro: Primeiro, dizer que as eleições acabaram. Chega de mentira, chega de fake news. Realmente, agora estamos numa outra época. Eu quero governar para todos, como você bem disse, no Brasil. Não apenas para os que votaram em mim. Temos uma Constituição que tem que ser realmente a nossa bíblia aqui na Terra. E respeitá-la, porque só dessa maneira podemos conviver em harmonia.
Renata Vasconcellos: Presidente, boa noite. Durante a campanha, o senhor já teve a oportunidade de se desculpar por palavras mais fortes que usou em sua pregação sobre um projeto polêmico de educação sexual nas escolas. O senhor chegou até a pedir desculpas aqui no Jornal Nacional por ter se excedido no calor das discussões.
Numa outra ocasião, o senhor disse enfaticamente, não ter nada contra os gays. Depois disse que vai lutar contra aqueles que querem dividir o Brasil entre homos e héteros, entre brancos e negros, entre sulistas e nordestinos. Há relatos concretos sobre pessoas que têm agredido gays - verbal e fisicamente. Na campanha, o senhor repudiou o voto dos que usam violência. Como presidente eleito, o que o senhor diria para aqueles que ousem ser preconceituosos e agressivos contra outro ser humano apenas por serem gays?
Jair Bolsonaro: A agressão contra um semelhante tem que ser punida na forma da lei. E se for por um motivo como esse, tem que ter sua pena agravada. Agora, deixo bem claro: eu ganhei o rótulo, por muito tempo, de homofóbico. Na verdade, eu fui contra a um kit feito pelo então ministro da Educação, Haddad, em 2009 para 2010, onde chegaria nas escolas um conjunto de livros, cartazes e filmes onde passariam crianças se acariciando e meninos se beijando. Não poderia concordar com isso, e a forma como eu ataquei essa questão é que foi um tanto quanto agressiva, porque eu achava que aquele momento merecia isso. Bem, tivemos, em parte, sucesso, porque no ano seguinte, a própria presidente Dilma Rousseff, depois de ouvir as bancadas evangélica e católica, resolveu recolher esse material. Mas o rótulo ficou em cima de mim. E deixo bem claro que isso tudo aconteceu por ocasião, acredite, do 9º Seminário LGBT Infantil na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, onde presentes estavam o então secretário de alfabetização do MEC, André Lazaro, e os senhores podem pegar as imagens no YouTube, onde ele dizia claramente que passou três meses discutindo até onde a língua da menina entraria na boca de outra menina para fazer o filme “Beijo lésbico” para combater a homofobia. Então, acredito que essa agressão contra a família e contra a inocência das crianças em sala de aula é que resultou na minha forma, um tanto quanto violenta, concordo, para tentar demover o ministério dessas cartilhas, desses filmes e desses cartazes.
William Bonner: Presidente, o senhor sempre se declara, enfaticamente, aliás, um defensor da liberdade de imprensa. Mas, em alguns momentos da campanha, o senhor chegou a desejar que um jornal deixasse de existir. É indiscutível que a imprensa não é imune a erros e nem a críticas. E isso vale para qualquer órgão da imprensa profissional. Mas também é fato que a imprensa livre é um pilar da democracia. Como presidente eleito, o senhor vai continuar defendendo a liberdade da imprensa e a liberdade do cidadão de escolher o que ele quiser ler, o que ele quiser ver e ouvir?
Jair Bolsonaro: Totalmente favorável a liberdade de imprensa. Temos a questão da propaganda oficial do governo que é uma outra coisa, mas aproveito o momento para que nós realmente venhamos fazer justiça aqui no Brasil. Tem uma senhora de nome Walderice, minha funcionária, que trabalhava na Vila Histórica de Mambucaba e tinha uma lojinha de açaí. O jornal Folha de S. Paulo foi lá, nesse dia, 10 de janeiro, e fez uma matéria e a rotulou de forma injusta como ‘fantasma’. É uma senhora, mulher, negra e pobre. Só que nesse dia 10 de janeiro, segundo boletim ‘A iniciativa da Câmara’, de 19 de dezembro, ela estava de férias. Então, ações como essa por parte de uma imprensa, que mesmo te mostrando a injustiça que cometeu com uma senhora, ao não voltar atrás, logicamente que eu não posso considerar essa imprensa digna. Não quero que ela acabe, mas no que depender de mim, na propaganda oficial do governo, imprensa que se comportar dessa maneira, mentindo descaradamente, não terá apoio do governo federal”.
William Bonner: Então o senhor não quer que esse jornal acabe? O senhor está deixando isso claro agora?
Jair Bolsonaro: Por si só esse jornal se acabou. Não tem prestígio mais nenhum. Quase todas as fake news que se voltaram contra mim partiram da Folha de S. Paulo. Inclusive a última matéria, onde eu teria contratado empresas fora do Brasil, via empresários aqui para espalhar mentiras sobre o PT. Uma grande mentira, mais um fake news do jornal Folha de S. Paulo, lamentavelmente.
William Bonner: Presidente, me permita, como editor-chefe do Jornal Nacional, eu tenho um testemunho a fazer. Às vezes, eu mesmo achei que críticas que o jornal Folha de S. Paulo tenha feito ao Jornal Nacional me pareceram injustas. Isso aconteceu algumas vezes. Mas para ser justo, do lado de cá, eu preciso dizer que o jornal sempre nos abriu a possibilidade de apresentar a nossa discordância, de apresentar os nossos argumentos, aquilo que nós entendíamos ser a verdade. A Folha é um jornal sério, é um jornal que cumpre um papel importantíssimo na democracia brasileira, é um papel que a imprensa profissional brasileira desempenha e a Folha faz parte desse grupo, da imprensa profissional brasileira. Mas a gente pode seguir adiante com a próxima pergunta da Renata, por favor.
Renata Vasconcellos: Presidente, no discurso em que o senhor fez essa mesma afirmação sobre a imprensa, o senhor disse que os marginais vermelhos serão banidos da nossa pátria. O que o senhor quis dizer com isso?
Jair Bolsonaro: Foi um discurso inflamado, com a Avenida Paulista cheia, e logicamente eu estava me referindo à cúpula do PT e cúpula também do PSOL. O próprio Boulos havia momentos antes dito que invadiria a minha casa aqui na Barra da Tijuca por ela não ser produtiva. Vimos o candidato do PT derrotado em vídeo também dizendo que a crise no Brasil só acabaria quando o Lula fosse eleito presidente. Então, foi um momento de desabafo, é um discurso acalorado, mas não ofendi a honra de ninguém. O que eu quero dizer com aquilo: no Brasil de Jair Bolsonaro, quem desrespeitar a lei sentirá o peso da mesma contra a sua pessoa.
William Bonner: Presidente, essa campanha foi muito polarizada, todo mundo sabe, todo mundo notou. Às vezes até dentro de famílias houve brigas. O senhor certamente tem conhecimento disso. No domingo (28), no seu discurso, o senhor, muito corretamente, disse que será o presidente de todos os brasileiros. Para conseguir seu objetivo de conciliação nacional, respeitadas as diferenças de ideias, o que é que o senhor poderia dizer agora, neste momento aqui no JN, para os que não votaram no senhor?
Jair Bolsonaro: Quero dizer a todos vocês que não votaram em mim, que nós estamos no mesmo barco. Se o Brasil não sair dessa crise ética, moral e econômica, todos nós sofreremos as consequências do que se aproxima no futuro. Nós queremos é junto, junto com vocês. Afinal de contas, nós temos tudo, tudo para sermos uma grande nação. O que está faltando é a união de todos, evitar as divisões. Essas divisões apareceram no governo anterior. Nordestinos, sulistas, brancos e negros, ricos e pobres, homos e héteros. Isso nós vamos evitar. Vamos tratar todos iguais. Eu apelo àqueles que não votaram em mim: nos dê oportunidade agora de mostrar que realmente nós podemos fazer uma política de modo que a felicidade se faça presente em nosso meio no futuro.
Renata Vasconcellos: Presidente, uma última pergunta: o senhor disse há pouco à Record e ao SBT que pensa em convidar o juiz Sérgio Moro ou para o Ministério da Justiça ou para o Supremo Tribunal Federal. Qual dessas duas funções o senhor prefere para ele?
Jair Bolsonaro: Olha, o juiz Sérgio Moro é um símbolo aqui no Brasil. Eu costumo dizer que é um homem que perdeu a sua liberdade no combate à corrupção. Ele não pode mais ir à padaria sozinho ou ir passear com a sua família no shopping, sem ter um enorme aparato de segurança ao seu lado. É um homem que tem que ter seu trabalho reconhecido. Para mim, eu pretendo conversar com ele brevemente, já foi feito essa sinalização positiva, pretendo convidá-lo para o Ministério da Justiça ou, seria no futuro, abrindo uma vaga no Supremo Tribunal Federal, na qual melhor ele achasse que ele poderia trabalhar para o Brasil. É um homem que tem um passado exemplar no combate à corrupção. Em qualquer uma dessas duas casas ele levaria avante essa sua proposta. E a corrupção tem que ser banida aqui do Brasil, ninguém suporta mais conviver com essa prática tão nefasta.
William Bonner: Presidente Jair Messias Bolsonaro, mais uma vez, nossos parabéns pelo seu desempenho nas urnas, pelos votos que o levaram ao Palácio do Planalto. Muito obrigado por dedicar esse tempo aos eleitores brasileiros, usando o Jornal Nacional para isso, e nós agradecemos, não apenas em nome do JN, mas em nome de todos os eleitores. E em nome de todos eleitores, pode acreditar desejamos ao senhor um excelente governo. O Brasil precisa disso. Parabéns mais uma vez. Boa noite.
Jair Bolsonaro: Bonner, Renata, boa noite, muito obrigado pela oportunidade.
Renata Vasconcellos: Boa noite.
fonte: g1.globo.com

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