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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Construir uma economia dinámica e competitiva é o principal pilar do Governo da 8ª Legislatura. O programa que recebeu contribuições da sociedade cívil está sendo alvo de debate e nesta sessão que vai até quarta-feira será submetido a votação da Moção de Confiança sobre a política geral, conforme fonte da Assembleia Nacional.

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O Chefe do Governo José Maria Neves apresentou hoje (25) na sessão especial do Parlamento, a primeira da 8ª Legislatura, o programa que vai guiar a ação do seu executivo nos próximos cinco anos.
O programa que recebeu contribuições da sociedade cívil está sendo alvo de debate e nesta sessão que vai até quarta-feira será submetido a votação da Moção de Confiança sobre a política geral, conforme fonte da Assembleia Nacional.

De acordo com Neves, durante a apresentação do programa, a aposta maior vai centrar-se na economia. "Construir uma economia dinámica, competitiva, inovadora e sustentável é o primeiro grande objetivo do Governo. Este é no nucleo central do programa do Governo devendo todos os demais eixos contribuirem para sua realização", afirmou o Chefe do Executivo.
Para atingir essa meta, de acordo com o 1º Ministro, o governo irá trabalhar para expandir a base produtiva da economia e aumentar a produtividade e a competitividade. Ainda segundo José Maria Neves, o governo fixa como meta, conseguir um crescimeto robusto do PIB e criar milhares de postos de trabalho, mas tendo em atenção o contexto internacional.
"No contexto mundial incerto em que vivemos torna-se ainda mais premente a necessidade de manter equilíbrios fundamentais da economia num ambiente de baixa inflação", disse.
Cabo Verde no Mundo
As recentes convulções registadas nos países árabes do Magrebe e do Golfo, bem como a instabilidade vivida na nossa sub-região oeste africana que na visão de Neves adensam o ambiente de incerteza, não foram deixados de lado.
"O contexto mundial incerto e imprevisível representa um desafio maior para Cabo Verde condicionando de formas diversas a realização das metas para esta legislatura. Temos de estar preparados, o nosso objetivo é navegar nesse mar de incertezas de uma forma estratégica. Devemor criar e agarrar as oportunidades" afirmou.
O governante adianta que é preciso gerir as ameaças e encontrar novas formulas como por exemplo para a questão crítica do financiamento do desenvolvimento.
"Nesses tempos tormentosos por que passam a comunidade internacional, um País pequeno e vulnerável como este nosso tem que forçosamente de manter salvaguardado o sentido de rumo comum", aconselha adiantando que porventura Cabo Verde é um País onde a ideia do sentido de Estado mais intensamente interpela todos os sujeitos políticos.
"É verdade que já fizemos um longo caminho nesta matéria mas temos de ir ainda mais longe", avançou. Para atingir as metas preconizadas pelo Executivo, Neves aponta quatro pilares fundamentais. "Primeiro, mobilizar e empoderar as pessoas, a sociedade civil e o setor privado para uma participação e co-responsabilização na implementação da agenda de transformação.
Segundo, melhorar a coordenação dentro da Administração Pública e entre o Governo e os municípios". Ainda, para chegar nos objetivos José Maria Neves propõe focalizar a qualidade governativa na qualidade dos serviços prestados aos cidadãos e as empresas.
Também, ele promete estabelecer um sistema de seguimento e avaliação que permita monitorar os progressos e tomar com sentido de oportunidade, as medidas corretivas que se impuserem.
Resumindo, Neves considera que o Governo propõe a nação uma visão, um rumo e uma agenda para trilhar os novos caminhos. "Propomos vias para aproveitar todos os potênciais existentes, explorar todas as oportunidades internas e externas, acelerar e tornar irreversível o processo de transformação da economia e de modernização da sociedade.
Sabemos que não será fácil, serão precisos muitos esforços e sacrifícios". "Tenho para mim, que construíndo sobre o que já conseguimos, será preciso como tenho dito, fazer roturas e provocar mudanças", conclui.

Fonte: RTC - CV

Cubano que combateu em Angola escreve livro. Lázaro Cardenas combateu em Angola em 1975 e 1978 e regressou mais tarde como adido militar.

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Lázaro Cardenas Sierra, autor de "Angola e a África Austral"

Lázaro Cardenas Sierra combateu em Angola durante a guerra civil, regressou, posteriormente, como adido militar cubano em Luanda, e passou os últimos 10 anos a reunir material para publicar no seu livro "Angola e a África Austral: Apontamentos para o processo negocial para a paz (1976-1992)".
O livro foi apresentado ao público, esta quinta-feira, na Casa de Angola, em Lisboa, e numa entrevista à Voz da América, Cardenas afirma que a presença militar cubana em Angola foi "muito importante" para a paz na região.
Atribui a Resolução 435 do Conselho de Segurança da ONU (que serviria de base para a independência da Namíbia) à diplomacia angolana e às vitórias militares sobre os sul-africanos em Angola.
Mas, dito isso, rejeita a ideia de que sem os militares cubanos não teria havido paz em Angola. "Dizer que se Cuba não estivesse poresente não havria paz, nem a independência da Namíbia seria um pouco pretensioso da minha parte", disse Cardenas à VOA, salientando que, "Cuba fez o que tinha que fazer".
"Penso que a presença [cubana] desempenhou um papel importante e, pessoalmente, sinto-me orgulhoso de ter participado", declara o veterano internacionalista cubano.
O livro tem mais de 800 páginas sobre a guerra civil angolana, e sobre o papel cubano na mesma, mas o seu autor rejeita que a obra seja uma tentativa de justificação política da participação cubana no conflicto angolano.
"A minha intenção é realçar as verdadeiras raízes históricas das perpspectivas de paz que se produziram na África Austral, primeiramente em Angola e na Namíbia e depois, também, na África do Sul," disse, concluindo: "Não tento a justificar política nenhuma. O que eu tento é narrar factos, aquilo que aconteceu".

Fonte: Voanews

Quatro presidentes juntos contra a crise .

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25 de Abril - discursos marcados por eleições e pedido de ajuda externa.

Não há memória de os três ex-chefes do Estado e do actual Presidente da República falarem ao País no mesmo púlpito e na mesma ocasião. Será hoje, a partir do 12h00 no Palácio de Belém.
As comemorações do 37º aniversário do 25 de Abril de 1974 levaram Cavaco Silva a chamar Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio, num momento em que uma missão conjunta do Banco Central Europeu, Fundo Monetário Europeu e Comissão Europeia avalia o pedido de ajuda externa financeira e há eleições a 5 de Junho.
Cavaco quebra hoje o seu silêncio, em intervenções públicas, sobre a situação do País. O Chefe do Estado tem sido alvo de várias críticas por só se pronunciar sobre os desafios do País no Facebook. A última mensagem é de 19 de Abril. O Presidente apelou, então, à continuidade do projecto de uma Europa unida, sem "egoísmos nacionais". Soares já sustentou que Cavaco Silva deveria ser mais interventivo e sublinhou, em entrevista ao ‘i’, que o Facebook não compensa o desejo popular de o ouvir. Há um ano, Cavaco Silva alertou para dúvidas quanto ao futuro do País, nomeadamente as desigualdades sociais.
JOSÉ SÓCRATES, PASSOS E PORTAS CONVIDADOS
O primeiro-ministro, José Sócrates, várias instâncias do Estado, os líderes do PSD e do CDS-PP, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, representantes dos partidos com assento parlamentar, além de entidades ligadas ao 25 de Abril integram a lista de convidados para a cerimónia do aniversário da ‘Revolução dos Cravos’ no Palácio de Belém. Cavaco Silva irá agraciar ainda sete personalidades, entre elas, o antigo presidente da Assembleia da República Barbosa de Melo, bem como o Banco Alimentar Contra a Fome. Este ano, recorde-se, o Parlamento optou por não fazer a tradicional evocação da data com discursos no Plenário por se ter sido dissolvido. A par da cerimónia em Belém, realiza-se também o habitual desfile na avenida da Liberdade, em Lisboa, que contará com dirigentes do BE, PCP, PS e Verdes.  

HISTORIADORA DETESTOU DECLARAÇÃO DE OTELO
A historiadora Irene Pimentel não gostou de declarações recentes de Otelo Saraiva de Carvalho, que disse que, se soubesse como o País ia ficar, não teria feito a Revolução, contrapondo que "todos os portugueses são donos do 25 de Abril".

Fonte: Correio da Manhã     Por: Cristina Rita com Lusa.

Traficantes mudam a táctica para introduzir droga no país .

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Ndongala Garcia, proprietário de um laboratório caseiro de cocaína, encontra-se detido na Comarca Central de Luanda onde aguarda julgamento por crime de tráfico de drogas. A detenção do presumível traficante de droga é resultado de um trabalho de investigação levado a cabo por efectivos afectos ao Departamento de Combate ao Narcotráfico do Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional. Com ele foi também detida uma mulher de 28 anos, que supostamente trabalhava como passadora de cocaína.

Inicialmente fixou residência no bairro Mártires de Kifangondo, onde viveu mais de quatro anos, tendo como principal actividade a venda de cocaína. Apercebendo-se da perseguição policial, não desistiu do rentável negócio. Na ânsia de se esquivar dos agentes da polícia, mudou de residência, fixando-se no Golfe-2, onde arrendou uma casa, transformando-a num laboratório caseiro de cocaína.

Ndongala Garcia da Silva adquiriu um fogão com duas bocas. Numa delas metia uma panela onde introduzia bicarbonato de sódio com cocaína e deixava ferver, transformando o produto em crack, um tipo de droga vulgarmente conhecido por libanga.

Depois criou no Golfe-2 e em outros pontos da cidade vários locais de venda de drogas. Esses locais são apelidados por "bocas", onde o mesmo era o principal fornecedor. Cada grama é comercializado a 25 dólares. Quando se regista carência do produto, o valor sobe para 30 dólares.

Os vendedores ou passadores de drogas recebiam o produto em quantidades previamente determinadas e revendiam a clientes habituais. Algumas cambistas de rua, vulgo kinguilas, são apontadas pela polícia como supostas vendedoras de drogas.

Detenções

No ano passado, a Polícia Nacional apreendeu, no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, 74.067,5 quilos de cocaína, 1.686 de bicarbonato de sódio, 426 gramas de anfetamina e 477.218,29 quilos de liamba. Os referidos produtos foram encontrados em bagagens diversas e no corpo de vários cidadãos provenientes do Brasil. Fonte ligada ao Departamento Provincial de Combate ao Narcotráfico do Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional avançou ao Jornal de Angola que mais de 90 por cento da droga que chega ao país por via aérea é proveniente do Brasil, concretamente dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, através de correios de droga, também conhecidos por "mulas". A par dos angolanos, alguns cidadãos de nacionalidade nigeriana, congoleses democráticos, malianos e senegaleses são apontados como sendo os principais traficantes de drogas. Com o incremento de acções de vigilância no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, os traficantes de droga, segundo a fonte do Departamento de Combate ao Narcotráfico, estão a usar a rota Brasil/República Democrática do Congo, recentemente inaugurada, para fazer chegar a droga ao nosso país por via terrestre. A mercadoria é introduzida através das províncias do Zaire e da Lunda-Sul. A rota da Namíbia, através da fronteira de Ondjiva, também é usada para fazer chegar o produto ao país por via terrestre com destino a Luanda. A liamba é produzida em quase todas as províncias do país, com destaque para Malange, Bengo, Uíge, Kwanza-Sul e Benguela. O produto é descarregado na periferia do mercado dos Kwanzas, Rocha Pinto e Kicolo, dissimulado em sacos de macroeiras e carvão e é guardado em residências, concretamente de pessoas conhecidas e que conhecem bem como funciona o negócio.

Busca do lucro fácil


Os traficantes de droga, incluindo mulheres de várias idades, entram para o mundo da droga para obter lucro fácil e melhorarem a sua condição financeira. Segundo explicações da fonte do Departamento de Combate ao Narcotráfico, os conhecidos correios da droga chegam a pôr em perigo a própria vida, com a ingestão via oral de várias cápsulas contendo drogas a partir do Brasil. O produto é expulso via anal, já em Angola, 24 horas depois.

No ano passado, a Polícia deteve um cidadão com mais de 80 cápsulas de cocaína no estômago. No caso de uma das cápsulas se desfazer no estômago, o indivíduo pode ter morte imediata.

Para além do estômago, há cidadãos que trazem o produto escondido nos órgãos genitais ou até mesmo no ânus. A cocaína pode ainda ser dissolvida e embebida em roupas, carregadores de telemóvel, máquinas de lavar, troféus, peças de viaturas, garrafas de perfume, garrafas de licor, entre outras formas, segundo declarações de uma fonte identificada afecta ao Departamento de Combate ao Narcotráfico.

Inicialmente, os transportadores da droga são contactados pelos traficantes, quer sejam conhecidos ou não, propondo-lhes uma viagem ao Brasil em busca de negócio, em troca de valores monetários.

Muitos cidadãos só se apercebem do negócio da droga já no Brasil, como aconteceu com uma cidadã que pediu anonimato.

A mesma explicou à reportagem do Jornal de Angola que tinha sido contactada por um homem conhecido do bairro, que lhe propôs uma deslocação ao Brasil em busca de mercadoria, sem saber ao certo a sua natureza. Como contrapartida, haveria de receber 1.500 dólares, valor que, segundo ela, necessitava para abrir um negócio de venda de produtos em roulote no bairro Hoji ya Henda.

No hotel, foi contactada quatro dias depois, tendo-lhe sido dito que tinha de levar uma mercadoria de droga. Os traficantes aconselham as pessoas envolvidas no transporte a não informarem a família, com receio de que a "dica" chegue aos ouvidos da Polícia.

Entre 2008 e 2010, o Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional destruiu 152.880 quilos de cocaína apreendidos no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, mais 214.200 quilos de liamba proveniente de algumas províncias do país.

A droga é comercializada em espaços públicos, como discotecas, centros recreativos, bares e casinos, principalmente à noite.

Na via pública, o comércio é feito entre as 10 e as 18 horas, tanto no centro como na periferia da cidade. No interior das residências, segundo especialistas ligados a esta matéria, a cocaína é vendida durante a tarde por razões de segurança.

As drogas provocam alterações no sistema nervoso e estimulam, entre outros, a prática de crimes relevantes como homicídios, assaltos à mão armada, roubos qualificados, violação de menores, entre outros, de acordo com a fonte do Departamento de Combate ao Narcotráfico do Comando Provincial de Luanda.

Actuação policial

Em Julho, Agosto e Setembro do ano passado, a polícia deteve, no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, 136 cidadãos, entre nacionais e estrangeiros, em posse de 23,8 quilos de cocaína, provenientes do Brasil. Dos detidos, 14 eram mulheres.

O crime de tráfico de droga está plasmado na Lei 3/99, de 6 de Agosto, com pena de prisão que vai dos 8 aos 12 anos. Segundo o Código Penal Angolano de António Vicente Marques, nos casos de consumidores as penas vão de três dias a dois anos de prisão. Seis cidadãos da Nigéria e três angolanos foram detidos em Agosto do ano passado pelo Comando Provincial de Luanda por estarem supostamente envolvidos no crime de tráfico e posse de droga.

Carlos Kiwewa, 36 anos, foi detido no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, proveniente do Brasil, com 104 cápsulas de cocaína no estômago que pesavam 1,170 quilos. Revelou que se deslocou ao Brasil para este serviço a troco de três mil dólares.

Alexandre Bartolomeu, 42 anos, escondeu 33 cápsulas de cocaína num casaco. Caso a droga passasse pelas autoridades policiais ganharia 1.500 dólares.

Pascoal Edoze, de 34 anos, nigeriano residente em Angola há sete anos, dedicava-se à venda de cocaína. Antes do negócio da droga vendia peças de automóvel. Amox Sidgei, 30 anos, recrutava cidadãos para venderem droga, a partir da Nigéria, e tratava dos passaportes.

Detido com dois passaportes, um nigeriano, em nome de Amos Chijiake, e outro angolano, de António Manuel Pedro, natural de Mbanza Congo. Tem Bilhete de Identidade angolano verdadeiro com o mesmo nome. 


Fonte: Angonotícias

Combate à malária tem bons resultados.

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Hoje, dia 25 de Abril, é um marco importante na luta contra a malária. Na África Austral é um compromisso de Angola e de todos os estados da região, com o apoio da Organização Mundial da Saúde. O director nacional do Programa de Combate à Malária, Filomeno Fortes, considera que em África há ainda índices de desenvolvimento humano muito fracos e taxas de pobreza muito elevadas: "a malária é uma doença associada à pobreza".

Apesar dos esforços do Executivo a malária continua a ser a principal causa de morte em Angola. As autoridades perderam a batalha contra a doença?

Penso que estamos a começar agora a grande batalha. Do ponto de vista científico, a primeira luta é evitar que a malária continue a matar. E foi o que fizemos numa fase inicial, combater o avanço da doença. À semelhança do HIV/Sida, neste momento o nosso desafio não é eliminar a doença, mas travar a sua expansão. O Executivo ganhou a primeira batalha da luta contra a malária, evitando o seu aumento. Além disso conseguimos também uma segunda vitória, que foi reduzir drasticamente a mortalidade.

Angola assumiu algum compromisso mundial para o combate à malária?

Angola assumiu no ano 2000 a Declaração de Abuja, que consiste na redução em 50 por cento o fardo da malária até 2010. Em relação à mortalidade, já conseguimos reduzir quase 60 por cento. Estamos no bom caminho, o que não significa que estamos satisfeitos. Temos que acelerar as acções para que a partir de 2015 Angola comece a pensar na eliminação da malária, o mais tardar até 2025. Até 2030, temos de erradicar a malária do mundo.

Acha essa meta possível?

Acho muito improvável que até ao ano de 2030 o mundo esteja livre da malária, a menos que consigamos ter uma vacina eficaz, como a vacina que utilizamos para a febre-amarela. Aí sim, podemos pensar na erradicação da malária a nível mundial.

Que controlo tem dos casos de malária?

Felizmente a malária do ponto de vista da mortalidade tem sofrido um decréscimo. Nos últimos cinco anos, iniciámos uma mudança no tratamento da malária, numa altura em que tínhamos muitos óbitos. Em 2010, em Angola foram notificados apenas oito mil óbitos por malária, isso significa que tivemos uma redução de mais de 50 por cento dos óbitos. Em relação ao número de casos, Angola em 2005 teve mais de quatro milhões de casos. Mas em 2010 tivemos uma notificação de apenas 3,6 milhões de casos suspeitos. Penso que devemos ter à volta de 2,6 milhões de casos confirmados.

O que foi feito para reduzir os casos? 


Com base na Declaração de Abuja, em 2000, foram implantados dois planos estratégicos. Esses planos implicavam o diagnóstico e o tratamento adequado dos casos de malária, medidas preventivas, como a utilização das redes mosquiteiras e também medidas preventivas nas mulheres grávidas. A mulher grávida passou a tomar um medicamento que ajudou a reduzir a mortalidade materna por malária no país, de 20 por cento para apenas sete por cento.

Luanda é a província que mais casos de malária regista?

Sim, Luanda é a que mais casos regista, mas não é a província com mais mortalidade. A província que tem a taxa mais alta de mortalidade por malária é a de Benguela. As províncias com maior índice de transmissão de malária além de Luanda são as do Huambo, Kwanza-Sul e Benguela. A Huíla, embora não tenha muitos casos de malária, tem uma taxa de mortalidade preocupante. A Lunda-Norte e a Lunda-Sul apresentam taxas de transmissão de malária preocupantes. E em algumas províncias começamos já com a luta anti vectorial principalmente com a utilização da tifa e acções de pulverização dentro das casas com insecticida.

Quais são as causas da doença?

A situação geográfica pode elevar a taxa de transmissão porque o clima, as chuvas e os riachos facilitam o desenvolvimento do vector. Noutras províncias como Luanda, sabemos que as questões de saneamento do meio são fundamentais para transmissão de doenças. Luanda é a província com maiores dificuldades de saneamento, tendo em conta a densidade de população e as condições dos bairros periféricos, onde existem muitos criadores de mosquitos, facilitando a transmissão da doença.

A malária é considerada uma doença oportunista que ataca as pessoas infectadas com VIH. Existe algum plano de acção para essa área?

As pessoas com VIH, principalmente as grávidas, fazem uma profilaxia com o medicamento "falcidar" a partir do quarto mês de gestação e devem fazer três doses até ao momento do parto. Isso previne a malária em pessoas seropositivas.

O Coartem era considerado até ao momento como o medicamento mais eficaz para o combate à malária, mas há indicações de existe resistência ao medicamento. A que se deve a essa situação?

A adopção por parte dos governos africanos do medicamento "Coartem" para combater doenças tropicais, tem reduzido o número de mortes por malária. Felizmente tem surtido efeito principalmente em zonas sazonais. A resistência ao medicamento muitas vezes deve-se ao seu mau uso.

A vacina contra a malária continua a ser um sonho?

Sim, ainda é um sonho. Há alguns produtos que estão a ser testados e apresentam resultados promissores, mas não acreditamos que nos próximos cinco anos haja efectivamente uma vacina eficaz na luta contra a malária. Enquanto não tivermos a vacina o problema essencial está relacionado com o desenvolvimento sócio económico dos países. Sabemos que em África para além das condições climáticas e geo morfológicas temos ainda índices de desenvolvimento humano muito fracos e taxas de pobreza muito elevadas. A malária é uma doença associada à pobreza. Ou a humanidade combate a pobreza ou é preciso arranjar uma vacina que permita proteger os pobres da doença.

Há mais casos de malária nos grandes centros urbanos do que nas zonas rurais. A que se deve a esta situação?

A malária devia ser uma doença rural e não urbana. Sendo ela associada ao saneamento do meio e a região urbana por definição é uma zona urbanizada com saneamento e água potável, não devíamos ter a transmissão nas grandes cidades. Infelizmente, devido à situação que o país viveu durante 30 anos, assistimos a um fenómeno a que chamamos de pseudo urbanização.

O que significa isso?

Quer dizer que aparentemente houve um aumento da urbanização das grandes cidades, mas a população acabou por concentrar-se nas periferias, sobrecarregou as infra-estruturas de saneamento e fornecimento de água potável nas cidades e as condições do saneamento do meio deterioraram-se. Isso permitiu que os mosquitos se instalassem e proliferem nas grandes cidades.

Para além do uso do mosquiteiro e do saneamento que outras medidas de prevenção devem ser tomadas?

Se os governos provinciais e as administrações municipais assumirem a luta anti vectorial com a utilização de insecticidas nas paredes das casas, a protecção é de quatro a seis meses. Isso reduz rapidamente a transmissão da malária. No nosso plano estratégico que temos estado a desenvolver há quatro anos, com financiamento dos EUA, temos realizado também acções de pulverização domiciliar em províncias que são consideradas de risco.

Quais são as províncias consideradas de risco?

A Huíla, Cunene e Huambo. Numa primeira fase também tínhamos incluído a província do Namibe. Em média protegemos 80 mil casas. Se multiplicarmos por cinco pessoas em média por casa, conseguimos proteger quase 500 mil pessoas por ano, com a pulverização domiciliar. Mas esta é uma gota de água em relação ao país e ainda não tem tido o impacto necessário, precisamos de estender a campanha. Com a cooperação cubana temos uma campanha contra o vector e estamos a utilizar um produto que deve ser utilizado nos criadores de mosquitos, charcos e águas estagnadas. Esse produto permite matar as larvas dos mosquitos em volta das casas. Temos 20 por centos dos municípios de Angola com brigadas a fazerem a luta contra o vector.

Há alguma doença que se assemelhe à malária?

Sim. A Lectospirose. Nesta luta contra o vector da malária aproveitamos associar uma outra, que é a luta contra os ratos que provocam febres provocadas pela sua urina e que os seus sintomas são semelhantes aos da malária. Os ratos passam por cima das crianças enquanto dormem e podem deixar a sua urina em cima delas, provocando-lhes a doença. Por isso temos também em alguns centros a luta contra os ratos, que consiste na utilização de um produto de origem cubana que também pode ser utilizado dentro de casa para outros fins de limpeza.

Dos vectores do paludismo qual é o mais resistente?

Na região central de África existe um mosquito chamado de Anosfeles Gambie que é o responsável pela transmissão da malária a nível mundial. Mas são conhecidas mais de 200 espécies de mosquitos Anosfeles. As espécies mais perigosas são os Anosfeles Gambie e o Nexes. Infelizmente em Angola temos essas duas espécies que proliferam em todas as províncias. 


Fonte: Jornal de Angola

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