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Bayern Munique: O Senegalês Bara Sapoko Ndiaye assina contrato de longa duração.
NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... O Bayern Munique está a apostar em Bara Sapoko Ndiaye. Chegado à Ale...
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Bayern Munique: O Senegalês Bara Sapoko Ndiaye assina contrato de longa duração.
NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...
O Bayern Munique está a apostar em Bara Sapoko Ndiaye. Chegado à Alemanha este inverno vindo da academia gambiana Gambinos Stars Africa, o jovem talento senegalês convenceu a direção bávara a garantir o seu primeiro contrato profissional com o clube.
Com apenas 18 anos, o internacional senegalês assinou contrato com o Bayern Munique até junho de 2031. Esta recompensa coroa um início promissor com a camisola do gigante alemão. Inicialmente emprestado, o jogador teve a oportunidade de demonstrar o seu talento por quatro vezes com a equipa principal. As suas exibições foram consideradas suficientemente convincentes para levar o clube a transformar o seu empréstimo numa transferência definitiva.
O jovem jogador entra, assim, nos planos de Vincent Kompany, que pretende integrá-lo gradualmente no plantel profissional. Para Bara Sapoko Ndiaye, esta assinatura representa, acima de tudo, um passo importante numa carreira que está apenas a começar.
"Este é um grande dia para mim e para toda a minha família. Quero continuar a aprender todos os dias ao lado de todos estes grandes jogadores do Bayern e dar o meu melhor para ajudar a equipa", declarou o jogador senegalês após assinar o contrato.
O jovem médio vê também esta nova aventura como uma fonte de inspiração para os jovens do seu país e para os seus antigos colegas de equipa na Gâmbia. “É um sonho que se torna realidade. Estou muito feliz e também quero ser um exemplo para outros jovens jogadores, especialmente os meus companheiros de equipa no Gambinos Stars, para lhes mostrar que é possível juntar-se a um dos maiores clubes do mundo”, acrescentou.
Com este contrato até 2031, o Bayern Munique demonstra claramente o seu desejo de investir no potencial de Bara Sapoko Ndiaye e apoiar o seu desenvolvimento ao mais alto nível.
fonte: seneweb.com
BENIN: Uma aparente crítica ao Senado e à eleição de Talon - O PROBLEMA DE SÈHOUÉTO E TOPANOU: ESTÃO COM FOME.
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(Estão apenas a recorrer à chantagem para conseguir algo importante)
O problema do Benim é a sua classe política. Os seus intelectuais. O professor Victor Topanou e o ministro Sèhouéto estiveram com o presidente Patrice Talon. Sèhouéto chegou a ser ministro durante vários anos. Depois, acreditando que deviam as suas posições privilegiadas a Olivier Boko, seguiram-no na primeira tentativa de revisão constitucional, brandindo o cartão vermelho.
Mas, sabendo que o Presidente Talon era demasiado tolerante, e com a detenção de Olivier Boko nesta tentativa de golpe, ambos regressaram a casa e, como membros do parlamento, votaram a favor da nova Constituição que criou o Senado. Apoiaram-na.
Infelizmente para eles, a direcção do seu partido, para punir e desencorajar a indisciplina, não os considerou apropriados na lista de candidatos às eleições legislativas. Foi o maior ato de lesa-majestade, um crime que nunca deveria ter sido cometido contra os seus egos e os seus próprios interesses.
Victor Topanou, que tinha servido como Ministro da Justiça sob o governo de Boni Yayi e como membro do parlamento sob o governo de Talon, via-se como um candidato à cobiçada vaga no Senado. Mas o Presidente Romuald Wadagni não o escolheu. De repente, tudo se tornou pessoal para ele. Em vez de esperar que certas feridas cicatrizassem antes de merecer regressar à mesa política, optou por uma rebelião sem sentido, esquecendo-se, além disso, que o povo já não é tão facilmente manipulável como antes.
E enquanto o mundo aplaude o engenho do Benim pela bem-sucedida criação do Senado e pela composição da sua liderança, os dois irmãos rebeldes aproveitam a oportunidade para fazer um pouco de barulho e atrair a atenção do Presidente Wadagni, obrigando-o, para os apaziguar, a jogar a carta do silêncio. Mas o mundo mudou. O Benim também. Essa chantagem já não funciona. Pertence ao caixote do lixo da história política do nosso país. Estas duas figuras do nosso país sabem todos os números de telefone dos presidentes Wadagni e Talon. Basta que digam: "Temos fome", e já está. Ainda há mil vagas por preencher, senhores.
Aboubakar Takou
fonte: https://lebeninoislibere.bj
Guinée -Conakry: O Presideente
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As autoridades guineenses dissolveram dezenas de partidos políticos e colocaram dois dos principais partidos da oposição sob observação na noite de segunda-feira, enquanto o governo de transição ainda não anunciou uma data para as eleições.
A nação da África Ocidental é governada por um regime militar desde que os soldados depuseram o presidente Alpha Condé, em 2021. O bloco regional da África Ocidental, conhecido como CEDEAO, tem pressionado para o regresso a um governo civil, com eleições previstas para 2025.
A dissolução em massa de 53 partidos políticos e a monitorização obrigatória de outros 54 durante três meses são medidas sem precedentes na Guiné, que realizou as suas primeiras eleições democráticas em 2010, após décadas de regime autoritário. O Ministério da Administração Territorial e Descentralização anunciou as medidas com base numa avaliação de todos os partidos políticos iniciada em Junho. A avaliação tinha como objetivo "limpar o cenário político", segundo o ministério.
Os 67 partidos que vão estar sob observação durante três meses podem operar normalmente, mas deverão corrigir as irregularidades identificadas no relatório. Estes partidos incluem o Reagrupamento do Povo da Guiné (RPG), o partido do ex-Presidente Alpha Condé, e outro importante partido da oposição, a União das Forças Democráticas da Guiné (UFDG).
As autoridades declararam que os partidos em observação não realizaram os seus congressos no prazo previsto e não apresentaram extratos bancários, entre outras irregularidades.
A Guiné está entre um número crescente de países da África Ocidental, incluindo o Mali, o Níger e o Burkina Faso, onde os militares tomaram o poder e atrasaram o regresso ao governo civil. No início deste ano, a junta militar do Burkina Faso prolongou o seu mandato de transição por mais cinco anos.
O coronel Mamadi Doumbouya, que lidera a Guiné, depôs o presidente há três anos, alegando que estava a impedir o país de mergulhar no caos e culpando o anterior governo por não ter cumprido as suas promessas.
No entanto, desde que chegou ao poder, há quem o critique por não ser melhor do que o seu antecessor. Em Fevereiro, o líder militar dissolveu o governo sem explicações, afirmando que seria nomeado um novo governo.
Mamadi Doumbouya rejeitou as tentativas do Ocidente e de outros países desenvolvidos de interferir nos desafios políticos de África, declarando que os africanos estão "exaustos das categorizações que todos nos querem impor", segundo informações da Africanews.
fonte: https://latribunedelacapitale.bj/
A prolongada ausência de Paul Biya dos Camarões: quem está a governar os Camarões?
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Dizer que os Camarões são um país de pernas para o ar é um lugar-comum. De facto, tem o presidente mais velho do mundo, que passa mais tempo no estrangeiro do que no seu palácio. É um país onde as pessoas na casa dos sessenta anos podem reformar-se enquanto outras na casa dos noventa ainda trabalham. É um país onde os cadáveres são promovidos a cargos de responsabilidade. É um país, para dizer sem rodeios, onde a desordem reina suprema e onde as instituições são subservientes do príncipe governante ausente e doente. E isto é um eufemismo. Aliás, mesmo com a especulação desenfreada sobre a prolongada ausência do Presidente Paul Biya, os Camarões acabam de assistir a uma mudança notável e digna de registo no seio do exército.
Nenhum oficial de alta patente se atreve a manifestar-se por medo de ser alvo da Operação Sparrowhawk.
Recorde-se que esta prerrogativa recai exclusivamente sobre o poder discricionário do Chefe de Estado, que se encontra fora do país há quase dois meses. Quem assinou estes decretos, que não só reforçam o aparelho de segurança, como também têm implicações políticas significativas? Por outras palavras, quem está a governar os Camarões atualmente? Estas são algumas das perguntas que muitos observadores fazem sem respostas. Isto é especialmente verdade tendo em conta que a ausência e a saúde de Paul Biya sempre alimentaram debates nos Camarões. Aliás, a razão pela qual a mudança de comando está a gerar questões nos Camarões é o momento em que ocorreu. Porque é que aconteceu precisamente quando a controvérsia em torno da prolongada ausência do Chefe de Estado se está a intensificar? Será esta uma estratégia do governo para silenciar aqueles que acreditam que "O Pai", como é conhecido Paul Biya, faleceu? Ou estará o ocupante do Palácio de Etoudi simplesmente a tentar consolidar o seu poder? É impossível dizer; Biya é conhecido como uma raposa política. Além disso, a sua longevidade no poder deve-se à sua capacidade de dividir para reinar, levando muitas vezes alguns a acreditar que a sua hora chegou, apenas para, no final, os destruir. É por isso que, apesar das suas repetidas ausências e da esclerose que caracteriza a sua governação, nenhum alto funcionário se atreve a manifestar-se por temer ser alvo da Operação Sparrowhawk. De qualquer forma, dado o rumo das coisas, Paul Biya poderia realizar o seu sonho: morrer em funções e ser sucedido pelo seu filho Franck. Este último, dizem, já está à espreita, aguardando a qualquer momento a nomeação para Vice-Presidente da República; que faria dele o sucessor constitucional de seu pai. Em todo o caso, é esse o cenário que se desenha. A não ser que, como a vida costuma reservar surpresas, testemunhemos convulsões sociopolíticas que levem à restauração de uma nova ordem. Não é impossível; a vida de uma nação nem sempre decorre sem problemas.
O que se passa actualmente nos Camarões faz lembrar o caso de Abdelaziz Bouteflika, da Argélia.
Posto isto, se quiser proteger o seu país do caos que se segue a longos governos, Paul Biya faria bem em, se ainda for possível, exercer o seu direito de se reformar, tal como o seu antecessor Ahmadou Ahidjo que, debilitado pela doença, não hesitou em demitir-se. Estaria Biya pronto para seguir os passos de Ahidjo? Está longe de ser certo. De facto, o que se passa actualmente nos Camarões faz lembrar o caso de Abdelaziz Bouteflika, da Argélia, que, senil e acamado, ainda se agarrava ao poder. Sabemos como isso acabou… Não é isso que desejamos para o líder camaronês. Há vida depois do poder, e ignorar esta realidade é abrir as portas à incerteza. Em todo o caso, o mais importante para a "Esfinge de Etoudi", na sua idade, deve ser questionar-se constantemente: "Que memórias guardarão os camaroneses de mim para a posteridade?"
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NOVO ATAQUE MORTAL DAS ADF NA RDC: Como travar a espiral de violência no Congo.
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A província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo, foi palco de mais um massacre atribuído às Forças Democráticas Aliadas (ADF), um grupo armado de origem ugandesa afiliado ao Estado Islâmico. Pelo menos treze civis foram mortos e uma aldeia foi completamente incendiada durante a incursão noturna, segundo as autoridades locais. O ataque faz parte de uma longa série de atrocidades perpetradas por esta milícia contra a população rural da região, onde a violência armada permanece endémica apesar da presença de forças militares regulares. Estes ataques recorrentes realçam, mais uma vez, o persistente obstáculo à paz duradoura no leste da RDC. De facto, desde o final de 2021 que as Forças Armadas da República Democrática do Congo (FARDC), juntamente com as Forças de Defesa Popular do Uganda (UPDF), têm vindo a conduzir a operação conjunta denominada Shujaa, com o objectivo de desmantelar os santuários das ADF em Kivu do Norte e Ituri. Quase quatro anos após o seu início, os resultados ainda são contestados. Embora diversas bases rebeldes tenham sido destruídas, os combatentes dispersaram-se em células móveis, multiplicando os ataques contra aldeias isoladas em vez de confrontarem as colunas militares. Perante esta tragédia, a sociedade civil e a oposição denunciam a incapacidade das autoridades em proteger os civis, apesar do significativo contingente de recursos. O Presidente Félix Tshisekedi é particularmente criticado pelos seus detractores, que o acusam de priorizar a preservação do poder e as manobras políticas, principalmente em torno das propostas de emendas constitucionais para um terceiro mandato, em detrimento da gestão da dramática crise de segurança no leste do país. Como travar, então, a espiral de violência e restaurar a paz neste país onde a confiança parece definitivamente quebrada entre o governo e a oposição, que acredita que as soluções militares, por si só, têm poucas hipóteses de conduzir a uma paz duradoura?
Tshisekedi e os protagonistas da crise precisam de compreender que está na hora de viver o amor.
Será que o presidente congolês, que decidiu não se desviar do seu rumo (Kinshasa continua a recusar-se a negociar com todas as organizações que acusa de terrorismo), vai ouvir os gritos de angústia do povo de Ituri? São estas as pessoas a quem prometeu, durante a sua visita de campanha, trazer uma paz duradoura e iniciar discussões para um diálogo nacional inclusivo, tal como recomendado pela oposição, em particular pela coligação C64. Esta coligação exige que esse diálogo seja convocado antes de 15 de agosto de 2026. A questão torna-se ainda mais pertinente dado que, perante esta existência precária a que agora estão reféns, pais perderam os seus empregos e mães reúnem os seus filhos para fugir do leste da RDC, carregando apenas os seus pertences na cabeça. Será que precisamos de chegar ao ponto de não retorno para mudarmos de rumo? Em todo o caso, antes que o número de mortos resultantes destes ataques aumente nas próximas horas, o Presidente Félix Tshisekedi, que enfrenta dissidências internas, e todos os principais intervenientes na crise da RDC devem compreender que, após a vivência do ódio, é tempo de experienciar o amor e a convivência. E isso envolverá necessariamente um diálogo nacional mais amplo para preparar o caminho para a estabilidade a longo prazo.
lepays.bf
ATAQUE VIOLENTO DE OUSMANE SONKO CONTRA DIOMAYE FAYE: Até onde irá o duelo entre os dois antigos aliados?
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As relações entre o Presidente da República do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, e o Presidente da Assembleia Nacional, Ousmane Sonko, romperam por completo. Isto torna-se ainda mais evidente tendo em conta as recentes declarações deste último num comício em Linguère, no sábado, 8 de Agosto, que foram tudo menos conciliatórias em relação ao primeiro. Dirigindo-se a uma grande multidão de apoiantes, Ousmane Sonko não poupou palavras ao criticar o governo de Bassirou Diomaye Faye, denunciando uma profunda desconexão entre as aspirações do povo senegalês e a actual realidade política. "O povo senegalês não votou nisto. O povo senegalês não lutou por isto. Não se perderam vidas por isto. As pessoas não foram presas por isto. O povo senegalês lutou para mudar o sistema."
Os dois antigos aliados demonstraram falta de maturidade política.
Hoje, é este mesmo sistema que ainda está no poder e a reorganizar-se. Estas frases refletem a profunda divisão entre os dois homens. Estas declarações reflectem também a frustração do antigo primeiro-ministro, que se vê agora obrigado a desempenhar o papel de opositor do seu antigo aliado devido à criação, por este último, do partido KIIRAAY, "Os Patriotas Republicanos". Mas poderia ter sido diferente, dado que os dois homens foram incapazes de preservar a sua amizade ou de superar os seus egos insuflados? Em vez de trabalharem em conjunto para satisfazer as aspirações do povo senegalês que depositou a sua confiança neles, Faye e Sonko preferiram travar uma luta pela liderança. Se Faye não tivesse anunciado a sua intenção de se candidatar a um segundo mandato, talvez não estivéssemos nesta situação. Se Sonko não estivesse tão ansioso por tomar o poder, as coisas poderiam ter sido diferentes. Ao priorizarem as suas ambições pessoais em detrimento dos ideais que os levaram ao poder, os dois antigos aliados demonstraram falta de maturidade política. Mas até onde irá este duelo entre os dois antigos aliados? Seria preciso muita perspicácia para responder a esta questão. Mas uma coisa é certa: a mágoa foi reacendida desde que o actual ocupante do palácio presidencial lançou o movimento KIIRAAY. E tudo indica que este duelo entre a antiga dupla não terminará tão cedo. Há mesmo o risco de que possa mergulhar o Senegal em instabilidade política. Com a rutura entre os dois homens consolidada, cada um parece estar a jogar a sua última cartada para garantir o máximo de lugares possível nas próximas eleições municipais e territoriais, antes da eleição presidencial. Pode-se mesmo dizer que Ousmane Sonko já está em campanha. Porque o encontro em Linguère está longe de ser o primeiro e o último. Ainda assim, o presidente do partido, Patriotas Africanos do Senegal pelo Trabalho, Ética e Fraternidade (PASTEF), afirma estar confiante na vitória do seu partido nas próximas eleições.
O fosso entre os dois campos está a aumentar.
E tudo indica que está a trabalhar para garantir os meios necessários para alcançar as suas ambições. Terá sucesso? Os próximos meses o dirão. Entretanto, o seu antigo aliado, agora o seu mais acérrimo adversário, também não está parado. Depois de cooptar dirigentes da PASTEF e presidentes de câmara, Faye e o seu partido KIIRAAY parecem determinados a lançar uma rede ampla através de alianças com outros partidos políticos. E se, até ao momento, a data das próximas eleições ainda é desconhecida para o povo senegalês, ao ponto de o fantasma de um adiamento pairar sobre estes prazos eleitorais, deve-se a cálculos políticos. Isto demonstra que todos estão a afiar as suas armas. E isso é justo. O mínimo que se pode dizer é que o fosso entre os dois campos está a aumentar ainda mais. Concluir que a reconciliação entre os dois antigos amigos é agora impossível é uma conclusão precipitada que alguns tiram. E podem não estar errados. Em todo o caso, a animosidade entre os dois antigos camaradas parece ter atingido um ponto irreversível. Resta saber quem prevalecerá. Só o povo senegalês, que tem a palavra final, sabe a resposta. Em muitos aspetos, resta-lhes apenas lágrimas. Pois, se a antiga dupla não os traiu, certamente os desiludiu. Isto é ainda mais verdade dado que o cumprimento das promessas da PASTEF está agora comprometido pela disputa entre Faye e Sonko.
“Le Pays”
Durante uma reunião à porta fechada, Trump terá nomeado o seu sucessor para 2028.
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Durante uma reunião com doadores no Salão Oval, o presidente norte-americano, Donald Trump, terá revelado quem gostaria de ver como seu sucessor em 2028, segundo o Washington Post. A informação foi posteriormente confirmada pela Fox News.
Há duas semanas, uma reunião à porta fechada foi realizada na Casa Branca. Nessa reunião, de acordo com várias fontes bem informadas, Donald Trump terá dito: "Temos de escolher JD (Vance, o vice-presidente)" para lhe suceder em 2028.
Os conselheiros de Trump esclarecem que esta declaração não significa que o presidente já tenha decidido definitivamente pelo seu candidato preferido. Segundo eles, expressa-se de forma diferente consoante o público e ainda pode mudar de ideias.
Disputa pelo Poder
Donald Trump ainda não se pronunciou publicamente sobre o assunto. No ano passado, pareceu alimentar a rivalidade entre Vance e o secretário de Estado Marco Rubio. Afirmou ainda que formariam uma dupla forte, sem especificar qual dos dois acreditava que deveria vir a ser presidente.
Vance ainda não anunciou se vai concorrer à próxima eleição presidencial. À CBS News disse que só discutiria o assunto com a sua mulher após as eleições intercalares, em novembro.
Apoio
Marco Rubio também ainda não se posicionou. No entanto, já declarou que apoiaria Vance caso este anunciasse a sua candidatura à presidência.
Os dois descrevem-se como amigos, mas Vance está mais alinhado com o movimento MAGA, que impulsionou Trump para o poder nas eleições de 2024, mas que agora parece cada vez mais dividido. Marco Rubio, por sua vez, pode contar com o apoio de republicanos mais tradicionais.
Pesquisas acompanhadas de perto
Nas sondagens de opinião, Vance mantém-se claramente à frente, mas Marco Rubio reduziu a diferença. Os dois republicanos perderiam para a candidata derrotada em 2024, Kamala Harris. No entanto, estas sondagens nacionais não permitem uma previsão definitiva do vencedor, uma vez que o sistema do Colégio Eleitoral, decisivo na eleição presidencial, pode alterar significativamente o resultado.
Além disso, não parece que Donald Trump esteja pronto para deixar o cargo em 2028. Ele aprecia o suspense e ainda não quer ceder os holofotes a um possível sucessor. Continua a namoriscar a ideia de um terceiro mandato, embora tal não seja permitido pela Constituição e o seu círculo próximo afirme que não está a considerar seriamente essa possibilidade.
sábado, 8 de agosto de 2026
PROMESSA DA FINAL DO MUNDIAL 2030 NO MARROCOS: Será que Infantino marcará o golo que garantirá a permanência da equipa na primeira divisão?
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No meio da turbulência gerada pelo seu plano, muito criticado, de abrir o Mundial a investidores privados, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, realizou uma reunião de emergência no dia 5 de agosto com altos funcionários da organização, na sede africana da entidade, em Salé, perto de Rabat, Marrocos. Esta reunião de crise, realizada à porta fechada, decorreu num contexto de elevada tensão, com figuras proeminentes a pedirem a sua demissão. A controvérsia continua a intensificar-se, tanto mais que, apesar da sua mudança de posição e abandono do polémico projeto após ampla repercussão negativa e oposição das confederações europeia (UEFA), asiática (AFC) e CONCACAF (América do Norte, Central e Caraíbas), muitos acreditam que o sucessor de Sepp Blatter traiu os princípios, valores e interesses do futebol.
Esta reunião de emergência convocada por Infantino assemelha-se a uma reunião técnica antes do jogo para apaziguar os ânimos.
E, como tal, já não merece manter-se à frente da entidade máxima do futebol mundial. É neste contexto que esta reunião de emergência foi realizada em solo africano, como se o poderoso chefe da FIFA procurasse refúgio num continente que lhe parece ser submisso e que não está longe de o seguir como ovelhas. Como poderia ser diferente, quando vemos como, no meio da indignação geral e até que o próprio abandonou o seu polémico projecto, a Confederação Africana de Futebol (CAF) manteve uma postura dilatória que diz muito sobre o seu receio de causar alarme e a sua relutância em contrariar os desejos do extravagante líder do futebol mundial? Esta abordagem de esperar para ver pouco honra o continente africano, tanto mais que as outras confederações não hesitaram em expressar claramente a sua desaprovação e a firme rejeição de uma decisão potencialmente perigosa para os interesses do futebol. No entanto, esta reunião de emergência, convocada por Infantino, que nutre ambições para um quarto mandato à frente da organização que dirige desde 2016, assemelha-se a uma reunião técnica antes do jogo para amenizar os ânimos, na sua busca pela reeleição como chefe do órgão máximo do futebol mundial. E, segundo informações divulgadas à imprensa britânica, tudo indica que já se deu uma vantagem injusta, determinado a aumentar as suas hipóteses de vitória. De facto, parece que durante esta reunião de crise realizada no país de Sua Majestade o Rei Mohammed VI, o Presidente da FIFA prometeu a Marrocos a final do Campeonato do Mundo de 2030 em troca do seu apoio. Consta que o Reino de Marrocos, que coorganiza o evento com Espanha e Portugal, está a competir com estes dois países europeus, que demonstraram um entusiasmo considerável em receber a final desta prestigiada competição. No entanto, para a UEFA, com este projecto que foi obrigada a abandonar, Gianni Infantino foi longe demais nos seus erros para continuar a merecer a confiança dos dirigentes do futebol mundial.
O encontro em Rabat tinha como objectivo tranquilizar a equipa do presidente da FIFA e garantir a sua lealdade.
Isto sublinha a precariedade da posição do presidente da FIFA atualmente e o quanto o seu cargo está ameaçado, tanto mais que o abandono do projeto não foi suficiente para apaziguar as tensões. Inúmeras vozes, incluindo algumas das mais proeminentes, pedem a sua demissão, numa altura em que um vazio de poder se começa a formar à sua volta. Tal como o seu principal conselheiro, Carlos Cordeiro, que já se demitiu, num contexto em que federações nacionais da Suécia à Sérvia, passando pelo País de Gales e pela Finlândia, já anunciaram a retirada do seu apoio. Daí a questão de saber se a promessa de Infantino a Marrocos será suficiente para garantir a sua permanência no cargo. A questão é ainda mais pertinente, dado que tudo indica que o encontro em Rabat visava tranquilizar a equipa do presidente da FIFA e garantir a sua lealdade numa altura em que a sua autoridade e governação estão a ser questionadas, ao ponto de o caminho para a sua sucessão parecer estar a desvanecer-se. Resta saber se esta reunião de emergência em Rabat produzirá os efeitos desejados e se será suficiente para manter a confiança das federações membros, cujos votos serão decisivos nas eleições marcadas para março de 2027.
“Le Pays”
domingo, 19 de julho de 2026
MACKY SALL EM BASSIROU DIOMAYE FAYE: Uma visita num contexto de cálculos políticos
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Dois anos depois de deixar a capital senegalesa no final do seu segundo mandato, o antigo presidente senegalês, Macky Sall, regressou em 17 de julho de 2026 a Dakar onde será recebido pelo seu sucessor, Bassirou Diomaye Faye. Candidato ao cargo de Secretário-Geral da ONU, o antigo inquilino do Palácio da República espera partir com o apoio do seu país no âmbito da campanha diplomática que lidera para concorrer a este prestigiado cargo internacional. Recorde-se que esta candidatura, apresentada oficialmente no início de Março de 2026, é apoiada pelo Burundi, que detém a presidência rotativa da União Africana (UA). Uma iniciativa da qual Dakar se tinha dissociado, que sobretudo não estava disposta a apoiá-la, pois significava claramente não ter estado associada a ela e muito menos ter estado na sua origem.
Na política, nunca existem amigos ou inimigos eternos.
Uma posição que soa como uma rejeição contundente que poderia enfraquecer a candidatura do nativo de Fatick. Como poderia ser de outra forma quando sabemos que o PASTEF, que o sucedeu no poder nas condições que conhecemos, tinha queixas, e não menos importantes, contra o antigo chefe de Estado? Ainda assim, uma candidatura a um cargo tão elevado de responsabilidade internacional sem a unção do seu país é uma candidatura um pouco manchada, na medida em que poderia pôr em causa a própria credibilidade do candidato. E, para além de reflectir a divisão entre o antigo chefe de Estado e o governo da dupla Faye-Sonko, esta desaprovação do Executivo senegalês era ainda mais compreensível porque, para além da governação do antigo chefe de Estado que foi apontada, Macky Sall mostrou-lhe algumas coisas más antes de entregar o cargo no final de uma eleição marcada por fortes tensões. Mas desde então, muita água correu sob as pontes do Senegal. E os dois amigos de ontem, Bassirou Diomaye Faye e Ousmane Sonko, que se davam bem como ladrões, estão hoje à beira do divórcio político. Foi neste momento que Macky Sall escolheu vir buscar o apoio do seu país, no seu desejo de suceder a António Guterres à frente da organização mundial. Isto mostra que o momento do regresso de Macky Sall ao país para se encontrar com o seu sucessor está longe de ser trivial. Basta dizer que se trata de uma visita num contexto de cálculos puramente políticos. Primeiro para Macky Sall que vem procurar o apoio do seu país para dar mais peso e legitimidade à sua candidatura que não conseguiu, no final de Março, obter o apoio da UA onde vinte países, incluindo o Senegal, a tinham vetado. Depois, para o Presidente Bassirou Diomaye Faye, visivelmente em busca de novos aliados depois das profundas divergências que não estão longe de selar, se é que já não o fizeram, a ruptura entre ele e o seu ex-mentor Ousmane Sonko. Portanto, na política nunca existem amigos ou inimigos eternos. Os melhores aliados de ontem podem tornar-se os piores adversários de hoje e vice-versa. E são as pessoas que são sempre as grandes perdedoras. Porque no final das contas ele é muitas vezes a piada de políticos que só acreditam nos seus interesses e que só querem usá-lo para atingir os seus fins.
Bassirou Diomaye Faye está jogando grande, ao concordar em receber seu antecessor sem ter quitado as responsabilidades das repressões assassinas
Ainda assim, esta viagem de Macky Sall para se encontrar com o Presidente Bassirou Diomaye Faye, é uma visita muito controversa que cria polémica no Senegal, onde activistas da sociedade civil e as famílias das vítimas da repressão do antigo regime que ainda esperam por justiça, não vêem com bons olhos o que parece, aos seus olhos, uma reviravolta diplomática. Isto mostra que Bassirou Diomaye Faye está a jogar grande, ao concordar em receber o seu antecessor sem ter saldado as dívidas das repressões assassinas que marcaram o fim do reinado deste último. Muito menos o do chamado dossier da “dívida oculta”, que obscureceu um historial que alguns dos seus compatriotas consideram desastroso e indigno de alguém que aspira a liderar a ONU. Recorde-se que o cargo de Secretário-Geral da ONU é atualmente ocupado pelo português António Guterres. Seu mandato termina em 31 de dezembro de 2026. O processo de nomeação de seu sucessor já foi iniciado com o recebimento das candidaturas. Além do ex-presidente senegalês, os candidatos já declarados são a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, e o argentino Rafael Grossi, diretor-geral de Energia Atômica. O novo Secretário-Geral tomará posse em 1º de janeiro de 2027, para um mandato de cinco anos, renovável uma vez.
“O País”
domingo, 17 de maio de 2026
Legislativas2026: Jorge Carlos Fonseca vota na Praia e destaca “irreversibilidade” da democracia cabo-verdiana.
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O ex-Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, votou hoje pelas 10:30 na Escola Grande da ASA, na cidade da Praia, no âmbito das eleições legislativas, a oitava do género no país.
Citado pelo próprio, o ensaísta A. C. Grayling refere que “cada dia de indiferença é um dia ganho pelos autocratas”.
Na sua página na rede social Facebook citado pela Inforpress, o antigo chefe de Estado afirmou que, mais tarde, se conhecerá a expressão do voto soberano dos eleitores cabo-verdianos.
Jorge Carlos Fonseca acrescentou ainda que o percurso da democracia em Cabo Verde continua de forma irreversível, apesar de reconhecer que os tempos actuais “não lhe são favoráveis”.
Citado pelo próprio, o ensaísta A. C. Grayling refere que “cada dia de indiferença é um dia ganho pelos autocratas”.
Nas eleições de hoje, cinco partidos políticos - PAICV, MpD, UCID, PTS e PP - concorrem aos 72 mandatos de deputado, distribuídos por 13 círculos eleitorais, dos quais dez no território nacional e três na diáspora.
Nos cadernos de recenseamento estão inscritos 416.300 eleitores, dos quais 344.284 inscritos nas ilhas e 72.051 no estrangeiro.
As últimas eleições legislativas em Cabo Verde ocorreram no dia 18 de Abril de 2021, tendo o Movimento para a Democracia (MpD) vencido com maioria absoluta, ao eleger 38 deputados, contra 30 do PAICV e quatro da UCID.
fonte: a semana.cv
Alerta: OMS declara surto de Ébola emergência sanitária mundial.
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A Organização Mundial de Saúde declarou que o surto de Ébola não preenche os critérios de uma emergência pandémica.
Até sábado, cerca de 246 casos suspeitos e 80 mortes suspeitas tinham sido registados na província de Ituri, na RDC, com oito casos confirmados em laboratório.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou um surto de Ébola na República Democrática do Congo e no Uganda como uma emergência de saúde global, revela a Euronews.
Num comunicado divulgado no domingo, a agência disse que o seu Diretor-Geral tinha consultado as duas nações e determinado que o surto satisfazia os critérios de uma "emergência de saúde pública de interesse internacional".
Até sábado, cerca de 246 casos suspeitos e 80 mortes suspeitas tinham sido registados na província de Ituri, na RDC, com oito casos confirmados em laboratório.
Outros dois casos confirmados em laboratório foram registados na capital do Uganda, Kampala, e um em Kinshasa, a capital da RDC.
"Existem incertezas significativas quanto ao número real de pessoas infectadas e à propagação geográfica associada a este evento neste momento", afirmou a Organização Mundial de Saúde na sua declaração, acrescentando que havia também "uma compreensão limitada das ligações epidemiológicas com casos conhecidos ou suspeitos".
Segundo a fonte deste jornal, a agência afirmou, contudo, que o surto não atende aos critérios de uma pandemia.
Os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças estão a "acompanhar de perto" a situação e afirmaram estar a trabalhar com as autoridades e os parceiros para dar uma "resposta rápida e coordenada" que visa interromper a transmissão e reduzir o risco de propagação transfronteiriça.
Chade: Mahamat Idriss Deby Itno regressa a N'Djamena depois de Nairobi.
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O presidente do Chade retornou a N'Djamena em 13 de maio, vindo de Nairóbi, no Quênia, onde participou da Cúpula África em Frente e da 4ª Cúpula da Comissão Climática da Bacia do Congo.
Neste encontro, Mahamat Idriss Déby Itno e seus homólogos discutiram a luta contra as mudanças climáticas, a preservação dos ecossistemas estratégicos do continente, o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento da cooperação africana diante dos desafios de segurança, econômicos e ambientais.
Em seu discurso, o chefe de Estado chadiano enfatizou a necessidade de uma maior solidariedade africana para garantir um financiamento climático mais justo e equitativo para os países do continente, particularmente aqueles no Sahel e na Bacia do Lago Chade, que são severamente afetados pelos efeitos combinados das mudanças climáticas, da insegurança e do crescimento populacional.
fonte: https://journaldutchad.com/
"Pensei comigo mesmo: se eu não marcar, vão achar que sou um macaco": Mbappé fala sobre um período difícil em sua carreira.
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A história de Kylian Mbappé com a seleção francesa poderia ter terminado após o pênalti perdido contra a Suíça na Euro 2021. O campeão da Copa do Mundo de 2018 ficou profundamente abalado pelos insultos racistas que recebeu após a cobrança falhada.
Em um episódio recente do podcast "The Bridge", ele revelou ter ficado seriamente deprimido.
"Nos primeiros dias, eu estava como um zumbi porque, para mim, a queda tinha sido enorme."
"Comecei a ser chamado de macaco. Pensei: 'Para mim, a seleção era o auge'. Percebi: 'Você coloca pessoas lá em cima que depois te puxam para baixo se você não marcar'. Isso mudou drasticamente minha relação com a seleção. Lembro-me de ir de férias. Nos primeiros dias, eu estava como um zumbi porque, para mim, a queda tinha sido enorme", contou o astro do Real Madrid.
Ele relembrou que sua relação com a seleção começou com a vitória na Copa do Mundo de 2018. Então, ser chamado de macaco depois de ter sido aclamado como um "herói nacional" fez com que se sentisse em uma situação extremamente difícil. "Foi complicado", afirmou.
"Marquei uma reunião com Noël Le Graët." "Fui vê-lo e disse: 'Não vou mais jogar'."
As férias não lhe deram tempo suficiente para se recuperar desse choque. Depois, ele diz que decidiu se aposentar da seleção. Mas o presidente da Federação Francesa de Futebol na época, Noël Le Graët, o dissuadiu.
"Eu disse que não queria voltar. E me lembro de ter marcado uma reunião com Noël Le Graët. Fui vê-lo e disse: 'Não vou mais jogar'. Pensei comigo mesmo: 'Estou jogando para pessoas que, se eu não marcar gols, vão me chamar de macaco'." E foi aí que eu disse para mim mesmo que não queria jogar para pessoas assim. Foi por isso que cheguei ao ponto de dizer para mim mesmo: 'Não quero mais jogar'. (Le Graët) estava sentado lá e me disse: 'E você acha que vai sair do meu escritório assim e eu vou dizer sim?' (risos) Esquece. Ele me disse: Esquece, você está aqui por 15 anos", contou Kylian Mbappé.
Autor: Bernadin PATINVOH
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Com o início da quarta e última fase de vendas de ingressos para a Copa do Mundo de 2026 nesta quarta-feira, os preços para a final atingiram recordes históricos. O ingresso mais caro agora custa quase US$ 11.000, o equivalente a aproximadamente 6.600.000 FCFA. Esta fase de vendas, conhecida como "de última hora", está aberta a todos, sem sorteio, e funciona por ordem de chegada. As vendas continuarão até o final da competição, programada para ocorrer de 11 de junho a 19 de julho de 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México, com a liberação de ingressos para algumas partidas que acontecem no mesmo dia.
Embora os preços já fossem considerados exorbitantes, os torcedores ficaram surpresos ao descobrir que os preços para a final aumentaram ainda mais. Os valores chegaram a US$ 10.990, ou aproximadamente 6.594.000 FCFA, segundo reportagem do Daily Mail.
Isso representa um aumento de 38% em comparação com a primeira fase de vendas, em setembro passado, quando o ingresso mais caro custava US$ 6.730, ou aproximadamente 4.038.000 FCFA. Outras categorias também sofreram com a inflação: os ingressos da Categoria 2 subiram 32%, para US$ 7.380, ou aproximadamente 4.428.000 FCFA, enquanto os da Categoria 3 estão custando US$ 5.785, ou aproximadamente 3.471.000 FCFA.
Para efeito de comparação, durante a final da Copa do Mundo de 2022 entre França e Argentina, o ingresso mais caro custava o equivalente a US$ 1.604, ou aproximadamente 962.400 FCFA. Além desse aumento de preço, uma falha técnica prejudicou o lançamento desta fase de vendas, com muitos compradores sendo redirecionados para uma seção restrita reservada para grupos oficiais de torcedores, em vez do portal de vendas geral. Essa situação está alimentando o descontentamento dos torcedores, e a FIFA agora é acusada de descumprir suas promessas de preços acessíveis. A organização europeia de torcedores chegou a anunciar que apresentou uma queixa à Comissão Europeia, denunciando procedimentos de compra considerados obscuros e injustos.
Autor: Babacar SENE
Trump está pedindo ao Congresso um orçamento de defesa colossal de US$ 1,5 trilhão para 2027.
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O presidente dos EUA, Donald Trump, está pedindo ao Congresso que aumente o já gigantesco orçamento de defesa americano em cerca de 50% até 2027, segundo documentos divulgados nesta sexta-feira pela Casa Branca.
Sua proposta, se aprovada pelos parlamentares, faria com que os gastos militares dos EUA saltassem de US$ 1 trilhão este ano para US$ 1,5 trilhão no ano que vem.
AFP
[Relatório detalhado] África Ocidental: a revolução verde já começou.
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Em toda a África Ocidental, as cidades estão crescendo, as necessidades energéticas estão explodindo e os efeitos das mudanças climáticas estão se tornando cada vez mais visíveis. Secas, inundações, pressão sobre os recursos naturais, aumento dos custos de energia... Os desafios são imensos para os países da União Econômica e Monetária da África Ocidental (UEMOA). Mas, diante dessas emergências, uma nova geração de empreendedores, inovadores e líderes de projetos já está buscando soluções.
Agricultura sustentável, mobilidade elétrica, reciclagem de resíduos, biogás e irrigação inteligente são apenas algumas das iniciativas em andamento. Na região da UEMOA, a economia verde está gradualmente se consolidando.
seneweb.com
CÚPULA NAIROBI AFRICA FORWARD: Uma ofensiva de charme em meio ao reposicionamento de Paris na África.
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A cúpula Africa Forward, coorganizada pela França e pelo Quênia, teve início em 11 de maio em Nairóbi e continua em 12 de maio de 2026 com uma reunião de chefes de Estado. Diversos líderes africanos viajaram para a capital queniana para participar deste encontro de alto nível, que pretende ser uma nova versão das cúpulas África-França. Este fórum empresarial marca uma mudança paradigmática significativa para a França em suas relações com a África, pois, além de seu forte foco em economia e investimento, é a primeira vez que uma cúpula desse tipo é realizada em um país anglófono. Isso demonstra que, apesar dos contratempos e decepções dos últimos anos, a França está mostrando tanto imaginação quanto resiliência para manter sua presença no continente. É um continente onde Paris tem muito a ganhar, mas também muito a perder se permitir ser superada por potências de outros continentes. Isso é ainda mais provável considerando que, nos últimos anos, a França perdeu considerável influência em sua antiga esfera de atuação na África, que antes era considerada seu domínio exclusivo. Isso ocorre em um contexto no qual suas políticas são cada vez mais criticadas em um continente em rápida transformação, onde países antes considerados parte de sua esfera de influência optaram por romper laços privilegiados com a antiga potência colonial, priorizando agora a diversificação de parcerias. Essa situação resultou, por um lado, em crescente condenação e hostilidade em relação à política francesa na África.
A França compreendeu a necessidade de mudar sua abordagem.
Por outro lado, levou ao questionamento da própria presença e influência francesa no continente africano. Em suma, esta cúpula África em Frente, que visa fortalecer as parcerias econômicas entre a África e a França, é uma verdadeira ofensiva de charme em meio ao reposicionamento diplomático de Paris na África. Isso se torna ainda mais provável considerando que, além do formato da cúpula, que se distancia dos encontros habituais entre a França e seus parceiros africanos, e de seu conteúdo, que prioriza questões econômicas em detrimento das políticas, a França busca não apenas restaurar sua imagem em um continente onde seu prestígio começava a se apagar, mas também fortalecer a confiança dos países africanos por meio de uma parceria que agora se propõe a ser de iguais e mutuamente benéfica para todas as partes. É precisamente isso que muitos países africanos buscam hoje, ávidos por forjar parcerias vantajosas para todos, baseadas no respeito mútuo e em busca de um reconhecimento genuíno nas relações bilaterais e multilaterais. Isso demonstra que a França compreendeu a necessidade de mudar sua abordagem, caso não queira continuar ampliando o abismo da desconfiança com certos países africanos. E tem muito a ganhar, visto que a África tem muito a oferecer nessas novas relações, que pretendem ser um ponto de virada na relação entre o continente africano e Paris. Esta cúpula África em Frente, que visa "colocar a África em primeiro lugar", é uma verdadeira reaproximação estratégica entre a França e o continente africano. Isso é especialmente verdadeiro, considerando que os reveses sofridos por Paris em algumas partes da África, como o Sahel, resultaram em perdas significativas para certas empresas francesas.
Essa mudança de paradigma parece ser um esforço de recuperação.
Em suma, além das considerações políticas, este fórum também é uma boa oportunidade para Paris revitalizar sua economia, expandindo-se para além do círculo restrito de países francófonos. E certamente não está equivocada em sua abordagem, já que os países anglófonos são conhecidos por seu significativo peso econômico em um continente onde figuram entre os principais parceiros comerciais da França. De qualquer forma, agora que o fórum franco-africano está em andamento, aguardamos seus resultados a longo prazo. Quanto ao presidente Macron, cujo segundo mandato se aproxima inexoravelmente do fim, tudo indica que, após dez anos de relações por vezes tumultuosas com a África, ele está motivado pelo desejo de encerrar esse período em alta, traçando um novo rumo para o relacionamento da França com o continente. Essa mudança de paradigma parece ser um esforço de recuperação que visa salvar o que ainda pode ser salvo e lançar as bases para uma renovação das relações franco-africanas. Será que esses laços sobreviverão a ele? Só o tempo dirá.
fonte: lepays.bf
ANGOLA: A PERDA DAS PRINCIPAIS LIDERANÇAS ESTRATÉGICAS DA UNITA.
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Introdução. A história da UNITA constitui um dos capítulos mais complexos e decisivos da trajetória política e militar de Angola contemporânea. Fundada em 1966 sob a liderança de Jonas Savimbi, a organização consolidou-se durante décadas como uma das principais forças político-militares do país, desempenhando papel central tanto na luta anticolonial quanto na subsequente guerra civil angolana. Contudo, para além da figura dominante de Savimbi, a estrutura estratégica da UNITA dependia profundamente de um conjunto de lideranças políticas, diplomáticas e militares cuja contribuição foi determinante para a sua coesão interna, capacidade operacional e projeção internacional.
Por Nkanga Umuñtu (*)
Opresente artigo propõe uma análise histórica e político-estratégica da perda progressiva de algumas das mais importantes lideranças da UNITA, examinando de que forma a saída, eliminação ou afastamento de quadros fundamentais contribuiu para o enfraquecimento estrutural do movimento e para o declínio militar de Jonas Savimbi. Entre essas figuras destacam-se, cuja atuação diplomática foi crucial para a legitimação internacional da organização, um dos principais arquitetos ideológicos e diplomáticos do movimento; ,representante de uma importante ala política e organizacional no período de transição partidária; e , cuja relevância militar refletia a importância da capacidade operacional na sobrevivência da guerrilha.
Partindo da hipótese de que a derrota da UNITA não pode ser explicada exclusivamente por fatores militares externos ou pela superioridade estratégica do Estado angolano, este estudo argumenta que a erosão interna da sua elite dirigente constituiu um fator decisivo para a desarticulação progressiva da organização. A perda de quadros estratégicos enfraqueceu simultaneamente três pilares fundamentais da sobrevivência política de Savimbi: a legitimidade diplomática internacional, a coesão político-organizacional interna e a eficácia do comando militar.
Do ponto de vista metodológico, este trabalho baseia-se numa abordagem histórico-analítica, sustentada por bibliografia especializada sobre a guerra civil angolana, documentos históricos e interpretações historiográficas sobre a dinâmica interna da UNITA. Pretende-se, assim, contribuir para uma compreensão mais aprofundada das relações entre liderança, estrutura organizacional e colapso político-militar, demonstrando que a trajetória de declínio de Jonas Savimbi esteve intimamente ligada à perda sucessiva das figuras que sustentavam o equilíbrio estratégico do seu movimento.
Ao analisar estas rupturas internas, torna-se possível compreender que o declínio militar da UNITA não foi apenas o resultado de confrontos armados ou mudanças geopolíticas internacionais, mas também a consequência direta da fragmentação da sua própria arquitetura de liderança.
TITO CHINGUNJI
Foi um administrador, militar e diplomata angolano. Serviu no departamento de Negócios Estrangeiros da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) de 1979 a 1991, sendo o mais importante nome do partido diante do ocidente durante a década de 1980 e o início da de 1990.
Liderou a famosa ala do Planalto (ou do Huambo) nas estruturas da UNITA, que fazia oposição à Jonas Savimbi.
Tito Chingunji destacou-se como uma das figuras mais influentes da dimensão política e diplomática durante a Guerra Civil Angolana. Diferentemente de muitos quadros históricos do movimento cuja projeção derivava principalmente do comando militar, a importância estratégica de Tito Chingunji encontrava-se na sua capacidade intelectual, diplomática e comunicacional, fatores que contribuíram decisivamente para a internacionalização da UNITA e para a consolidação da sua imagem no contexto da guerra. A sua atuação permitiu que a organização deixasse de ser vista apenas como um movimento guerrilheiro regional e passasse a ser apresentada, sobretudo no Ocidente, como uma alternativa política ao governo.
Nos anos 1980, Tito Chingunji tornou-se o principal porta-voz internacional da UNITA. A sua fluência em inglês, aliada à capacidade retórica e ao domínio dos debates ideológicos da época, facilitou o diálogo com governos ocidentais, diplomatas, jornalistas, académicos e círculos políticos conservadores. Num período em que a disputa angolana era interpretada internacionalmente como parte do confronto entre o bloco socialista e o bloco capitalista, a figura de Chingunji foi essencial para enquadrar a UNITA dentro da narrativa anticomunista defendida pelos e seus aliados. O movimento procurava demonstrar que combatia não apenas o MPLA, mas também a sua estrutura ideológica e sua influência internacional. Nesse cenário, Tito Chingunji desempenhou papel fundamental na construção de relações políticas e militares entre a UNITA e setores estratégicos do governo norte-americano.
A sua atuação diplomática incluiu missões políticas, onde buscava ampliar o apoio financeiro, militar e mediático à UNITA. Através dessas iniciativas, ajudou a consolidar a imagem internacional de Jonas Savimbi como líder anticomunista africano, especialmente junto de parlamentares conservadores norte-americanos ligados à política externa. A diplomacia de Tito Chingunji foi, portanto, um dos mecanismos centrais que permitiram à UNITA alcançar reconhecimento internacional significativo durante uma das fases mais intensas da guerra civil.
Para além da diplomacia, Tito Chingunji era frequentemente visto como um dos quadros mais modernos e pragmáticos da organização (UNITA). Diversos analistas consideravam-no representante de uma ala política menos dependente da lógica exclusivamente militar. A sua importância derivava também da capacidade de traduzir os objetivos estratégicos da guerrilha para uma linguagem diplomática aceitável no cenário internacional. Essa mediação política era crucial porque muitos governos estrangeiros viam a UNITA apenas como uma força armada insurgente. Chingunji procurava demonstrar que o movimento possuía projeto político, estrutura organizacional e capacidade administrativa para governar Angola caso alcançasse o poder.
A morte de Tito Chingunji, em 1991, teve enorme impacto político e simbólico tanto dentro como fora de Angola. O assassinato ocorreu no contexto das purgas internas promovidas pela direção da UNITA, período marcado por acusações de conspiração, infiltração e desconfiança interna. A execução de um dirigente com elevado reconhecimento internacional provocou forte desgaste diplomático para Jonas Savimbi e levantou sérias acusações sobre práticas autoritárias no interior do movimento. Organizações internacionais, jornalistas e observadores estrangeiros passaram a questionar os métodos internos da UNITA, especialmente porque Tito Chingunji possuía ampla rede de contactos políticos no exterior e era conhecido como um dos principais responsáveis pela credibilidade diplomática do movimento.
O desaparecimento de Tito Chingunji representou também uma perda estratégica para a UNITA em termos de capital político internacional. A organização perdeu um dos seus mais importantes mediadores externos, precisamente num momento em que Angola caminhava para negociações políticas e transformações institucionais associadas aos acordos de paz do início da década de 1990. Sem figuras diplomáticas com o mesmo peso intelectual e reconhecimento internacional, a capacidade da UNITA de manter a sua legitimidade externa sofreu considerável enfraquecimento.
Do mesmo modo, a morte de Chingunji revela outra dimensão das fragilidades estruturais que afetaram a organização durante a transição da guerra para a competição partidária.
MIGUEL NZAU PUNA
(Serviu como Secretário-Geral da UNITA de 1966 até 1992)
Constituiu uma das figuras relevantes do processo de transformação política da no período de transição entre a guerra civil e a consolidação do multipartidarismo em Angola. A sua importância estratégica não derivava essencialmente do comando militar, mas da capacidade organizacional, institucional e política dentro de um movimento historicamente estruturado em torno da guerrilha armada e da liderança centralizada. Num contexto em que a UNITA procurava adaptar-se às exigências da competição eleitoral e da institucionalização partidária após os acordos de paz, Nzau Puna representava um setor que defendia o fortalecimento da dimensão política do partido e a necessidade de modernização organizacional.
Historicamente, a UNITA consolidou-se como um movimento de caráter fortemente militarizado, com bases sociais predominantemente rurais e estruturado em torno da lógica da resistência armada. A prolongada guerra civil angolana produziu uma cultura política interna marcada pela disciplina militar, pela centralização das decisões e pela predominância da autoridade de Savimbi. Contudo, as mudanças verificadas no sistema internacional após o fim da , bem como os processos de negociação política em Angola, obrigaram a UNITA a redefinir parcialmente a sua natureza organizacional. Nesse novo cenário, figuras como Miguel Nzau Puna assumiram relevância porque procuravam ampliar a presença urbana do partido, fortalecer estruturas institucionais e adaptar o movimento ao funcionamento de um sistema multipartidário moderno.
Nzau Puna possuía influência significativa junto das estruturas intermédias da organização, de setores juvenis e de quadros civis ligados à UNITA. A sua atuação refletia a tentativa de deslocar parcialmente o centro de gravidade do movimento da esfera exclusivamente militar para uma lógica político-partidária mais institucionalizada. Essa transformação era estratégica porque, após décadas de conflito armado, a sobrevivência da UNITA dependia cada vez menos da capacidade militar e mais da capacidade de disputar legitimidade eleitoral, construir alianças políticas e consolidar presença nas instituições do Estado. A defesa de uma reorganização interna mais moderna colocava Nzau Puna entre os dirigentes associados às correntes que procuravam democratizar o funcionamento interno do partido e redefinir a sua atuação no período pós-guerra.
Após a morte de Jonas Savimbi, em 2002, a UNITA enfrentou uma das maiores crises da sua história. O desaparecimento do seu líder histórico encerrou definitivamente a possibilidade de continuação da guerra como instrumento central de disputa política e obrigou o partido a adaptar-se completamente à arena institucional. Essa transição revelou profundas tensões internas relacionadas com estratégias eleitorais, alianças políticas, democratização interna e redefinição ideológica. A ausência de Savimbi criou disputas sobre o futuro da organização, uma vez que grande parte da coesão interna da UNITA havia sido construída em torno da liderança pessoal e carismática do dirigente histórico.
Nesse contexto, Miguel Nzau Puna tornou-se associado a setores críticos dentro da própria UNITA, representando correntes que defendiam mudanças estruturais no funcionamento partidário. O seu afastamento teve impacto político e simbólico porque evidenciou a existência de divisões internas num momento em que o partido precisava demonstrar estabilidade e capacidade de renovação. Em organizações políticas saídas de guerras civis prolongadas, a saída de quadros históricos produz frequentemente efeitos profundos sobre a coesão interna, a disciplina organizacional e a confiança da militância. A perda de dirigentes experientes implica não apenas redução da capacidade técnica e política, mas também enfraquecimento da memória organizacional e surgimento de disputas faccionais.
A crise da UNITA nesse período não pode ser explicada pela saída isolada de uma única figura política. O enfraquecimento do partido resultou de um conjunto de fatores estruturais, incluindo a derrota militar, o fim do apoio internacional associado à lógica bipolar da Guerra Fria, a consolidação do poder estatal do e as dificuldades internas de renovação política. Contudo, figuras como Nzau Puna eram estratégicas porque simbolizavam a possibilidade de reconstrução partidária num contexto histórico radicalmente diferente daquele que havia dado origem ao movimento guerrilheiro.
O impacto simbólico do afastamento de Nzau Puna foi particularmente relevante porque a UNITA procurava demonstrar à sociedade angolana e à comunidade internacional que conseguia sobreviver politicamente após a era Savimbi. A permanência de dirigentes experientes era fundamental para transmitir estabilidade, continuidade organizacional e capacidade de adaptação institucional. Quando quadros influentes abandonavam o partido, fortalecia-se a percepção pública de fragmentação interna e crise de liderança, fatores que afetavam diretamente a credibilidade política da organização.
Além disso, Miguel Nzau Puna integrava uma geração de dirigentes cuja importância estava ligada à dimensão diplomática, intelectual e organizacional da UNITA. Em muitos aspectos, representava a tentativa de construir um partido menos dependente da lógica militar e mais orientado para a competição política institucional. A sua trajetória evidencia as dificuldades enfrentadas por movimentos armados africanos ao tentarem transformar-se em partidos políticos modernos após longos períodos de guerra civil. Dessa forma, o estudo da sua atuação permite compreender não apenas as crises internas da UNITA, mas também os desafios mais amplos dos processos de transição pós-conflito em Angola e em outros contextos africanos marcados por guerras prolongadas e estruturas políticas altamente militarizadas.
TONY DA COSTA FERNANDES
(Diplomata e co-fundador da UNITA)
Tony da Costa Fernandes integrou o grupo de quadros políticos e diplomáticos que desempenharam papel estratégico na consolidação internacional da UNITA durante as décadas mais intensas da Guerra Civil Angolana. A sua importância dentro da organização estava associada sobretudo à formulação política, à articulação diplomática e à construção de relações externas num contexto internacional profundamente marcado pela Guerra Fria. Desde a independência de Angola, proclamada em 11 de novembro de 1975, o conflito angolano tornou-se parte das disputas globais entre o bloco socialista e o bloco capitalista, transformando a guerra civil num espaço de competição estratégica internacional. Nesse cenário, dirigentes com capacidade intelectual, formação política e experiência diplomática tornaram-se elementos fundamentais para a sobrevivência política e militar da UNITA.
Durante as décadas de 1970 e 1980, a UNITA necessitava simultaneamente de apoio militar, reconhecimento diplomático, financiamento externo e legitimidade internacional para sustentar a guerra contra o governo do MPLA, apoiado pela União Soviética e por Cuba. A capacidade de manter contactos políticos no exterior era tão importante quanto o desempenho militar no terreno. Tony da Costa Fernandes fazia parte da geração de dirigentes responsáveis por representar diplomaticamente a UNITA junto de governos estrangeiros, redes conservadoras internacionais e setores anticomunistas que apoiavam Jonas Savimbi. A sua atuação ajudava a consolidar a imagem internacional da organização num período em que os Estados Unidos, sobretudo durante a administração de Ronald Reagan, ampliavam o apoio a movimentos considerados anticomunistas em África.
A importância estratégica de Tony da Costa Fernandes derivava também da necessidade de equilibrar as diferentes tendências internas existentes na UNITA. Embora o movimento fosse fortemente centralizado em torno da liderança pessoal de Savimbi, coexistiam no seu interior setores militares, políticos, diplomáticos e regionais com interesses e visões distintas sobre o rumo da organização. Quadros diplomáticos e intelectuais desempenhavam função estabilizadora porque ampliavam a sofisticação política do movimento e reduziam a dependência absoluta da dimensão militar. A presença de dirigentes com experiência diplomática permitia à UNITA manter canais de negociação e interlocução internacional mesmo nos períodos de maior isolamento militar.
A retirada de figuras como Tony da Costa Fernandes teve impacto profundo sobre a estrutura política da UNITA porque ocorreu num momento de grandes transformações internacionais. O final da década de 1980 e o início da década de 1990 marcaram o colapso gradual da ordem bipolar mundial. Entre 1989 e 1991 ocorreram acontecimentos decisivos como a queda do Queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, e a dissolução formal da União Soviética, em 26 de dezembro de 1991. Essas mudanças alteraram profundamente o equilíbrio geopolítico internacional e reduziram significativamente o interesse estratégico das potências ocidentais em financiar movimentos armados anticomunistas africanos. A UNITA perdeu gradualmente parte importante da sua sustentação internacional, ao mesmo tempo em que aumentavam divergências internas sobre negociações de paz, estratégias políticas e reorganização do movimento.
Nesse ambiente de instabilidade, o afastamento de dirigentes experientes produzia efeitos políticos e psicológicos muito superiores aos observados em partidos convencionais. Politicamente, a saída de quadros influentes transmitia sinais de fragmentação interna, desgaste organizacional e perda de confiança na liderança de Savimbi. Diplomaticamente, diminuía a capacidade da UNITA de manter redes de lobby externo, articulações políticas e projeção internacional. Moralmente, a perda de dirigentes históricos afetava a coesão interna, a disciplina organizacional e a confiança dos militantes num período em que o movimento enfrentava crescentes dificuldades militares e financeiras. Estrategicamente, o enfraquecimento das alas diplomáticas e políticas aumentava ainda mais a centralização do poder em torno de Savimbi, reduzindo o debate interno e tornando a liderança progressivamente mais isolada.
O impacto dessas saídas tornou-se ainda mais evidente após os Acordos de Bicesse, assinados em 31 de Maio de 1991, que abriram caminho para as eleições multipartidárias de 1992. A transição para a competição política institucional exigia capacidade organizacional, articulação diplomática e adaptação ideológica. Contudo, a UNITA continuava fortemente marcada pela cultura militar construída ao longo de décadas de guerra. As tensões internas intensificaram-se após as eleições gerais de setembro de 1992 e o retorno ao conflito armado, aprofundando divisões entre setores favoráveis à continuidade militar e correntes que defendiam maior integração institucional.
Dentro desse contexto mais amplo, figuras associadas ao círculo militar de Arlindo Chenda Pena ‘Ben Ben’ e de Sachipengo Nunda assumiram importância decisiva para a sobrevivência operacional da organização na fase final da guerra. Enquanto dirigentes diplomáticos sustentavam a projeção internacional da UNITA, os setores militares garantiam a continuidade da capacidade de combate no terreno. Muitos analistas consideram que a perda ou afastamento de figuras ligadas a essas estruturas representou um golpe decisivo para Savimbi porque, especialmente após o enfraquecimento do apoio internacional nos anos 1990, a sobrevivência da UNITA passou a depender quase exclusivamente da eficiência da sua estrutura militar.
Dessa forma, o declínio da UNITA não resultou apenas da derrota militar direta, mas de um processo cumulativo de desgaste político, diplomático e organizacional. A fragmentação da elite dirigente, a perda de quadros intelectuais e diplomáticos, as divisões internas provocadas pelas transformações internacionais do pós-Guerra Fria e a crescente centralização em torno da liderança de Jonas Savimbi contribuíram para enfraquecer progressivamente a capacidade estratégica do movimento. A trajetória de Tony da Costa Fernandes simboliza precisamente esse processo de erosão interna da UNITA, evidenciando como a perda de dirigentes experientes comprometeu a adaptação do movimento ao novo contexto político internacional surgido após o fim da Guerra Fria.
SACHIPENGO NUNDA
General e obreiro da transformação das Forças Armadas de Libertação de Angola
Sachipengo Nunda ocupou posição relevante dentro da estrutura militar da UNITA durante os períodos mais críticos da Guerra Civil Angolana. A sua importância estava diretamente associada à capacidade de comando operacional, à experiência acumulada no campo de batalha, à organização das tropas e ao profundo conhecimento estratégico das regiões onde a guerrilha atuava. Num movimento cuja sobrevivência dependia amplamente da eficiência militar, comandantes experientes como Sachipengo Nunda desempenhavam funções decisivas para manter a disciplina interna, coordenar operações armadas e preservar a coesão das forças guerrilheiras sob liderança de Jonas Savimbi.
Desde a independência de Angola, proclamada em 11 de novembro de 1975, o conflito entre a UNITA e o governo do MPLA transformou-se rapidamente numa das guerras civis mais prolongadas do continente africano. Durante as décadas de 1970 e 1980, a UNITA beneficiou-se de apoio militar, financeiro e diplomático proveniente dos Estados Unidos, da África do Sul do período do apartheid e de redes internacionais anticomunistas ligadas ao contexto da Guerra Fria. Esse apoio permitiu ao movimento desenvolver capacidade militar significativa, controlar extensas regiões do território angolano e manter uma estrutura guerrilheira relativamente organizada durante vários anos.
Entretanto, o cenário internacional alterou-se profundamente no final da década de 1980. A assinatura dos Acordos de Nova Iorque, em 22 de dezembro de 1988, que estabeleceram a retirada das tropas cubanas de Angola e abriram caminho para a independência da Namíbia, marcou o início de uma nova configuração política na África Austral. Pouco depois, a queda do Queda do Muro de Berlim e o colapso da União Soviética, formalizado em 26 de dezembro de 1991, provocaram o enfraquecimento da lógica bipolar internacional que havia sustentado muitos conflitos africanos. A partir desse período, a UNITA começou a perder parte substancial do apoio geopolítico externo que anteriormente recebia dos Estados Unidos e de aliados regionais.
A assinatura dos Acordos de Bicesse entre o MPLA e a UNITA inaugurou uma tentativa de transição para o multipartidarismo e para a integração institucional das forças beligerantes. Contudo, as eleições gerais realizadas em setembro de 1992 foram seguidas pelo retorno imediato da guerra civil, aprofundando ainda mais o desgaste militar e político da UNITA. A partir da década de 1990, o movimento passou a enfrentar dificuldades logísticas crescentes, isolamento diplomático, redução de abastecimentos militares e intensificação das ofensivas conduzidas pelas Forças Armadas Angolanas. Nesse novo contexto, a sobrevivência da UNITA tornou-se cada vez mais dependente da eficiência do seu aparelho militar interno.
Foi precisamente nesse período que comandantes experientes como Sachipengo Nunda adquiriram importância estratégica ainda maior. A capacidade de resistência da guerrilha dependia não apenas da autoridade pessoal de Jonas Savimbi, mas também da fidelidade e competência operacional dos seus principais comandantes militares. A estrutura da UNITA era fortemente centralizada, porém a eficácia prática da guerra estava ligada às redes de comando locais e regionais construídas por oficiais experientes. Muitos combatentes mantinham lealdade não apenas a Savimbi, mas também aos comandantes que dirigiam diretamente as operações no terreno. Dessa forma, quando figuras militares influentes se afastavam, abandonavam o movimento ou deixavam de participar ativamente da estrutura operacional, produzia-se um efeito profundo sobre a cadeia de comando e sobre a moral interna da guerrilha.
A saída ou afastamento de Sachipengo Nunda é frequentemente interpretada por analistas como um dos fatores que aceleraram o enfraquecimento militar da UNITA na fase final da guerra porque coincidiu com um período de crescente isolamento estratégico de Savimbi. Politicamente, a perda de comandantes experientes transmitia sinais de fragmentação interna e enfraquecimento da coesão militar. Operacionalmente, reduzia-se a capacidade de coordenação das tropas, diminuía-se a eficiência das ofensivas guerrilheiras e aumentavam-se as dificuldades de reorganização logística num contexto de perseguição militar intensa. Psicologicamente, a retirada de quadros históricos produzia efeitos devastadores sobre a moral dos combatentes, ampliando deserções e fortalecendo a percepção de que a guerra caminhava para uma derrota inevitável.
A importância dessa crise interna torna-se ainda mais evidente quando se observa a situação militar da UNITA no final da década de 1990. Após o fracasso dos Protocolo de Lusaka, a guerra recomeçou em larga escala e o governo angolano iniciou ofensivas militares decisivas contra as bases estratégicas da UNITA. Entre 1998 e 2001, o movimento perdeu progressivamente territórios, corredores logísticos e capacidade ofensiva. A superioridade militar das forças governamentais tornou-se evidente devido ao aumento das receitas petrolíferas do Estado angolano, à modernização das Forças Armadas Angolanas e ao isolamento internacional crescente da UNITA, que passou a sofrer sanções e pressão diplomática internacional.
Nesse cenário, a saída de figuras militares estratégicas agravou o isolamento de Savimbi e reduziu a capacidade da organização de sustentar uma guerra prolongada. A centralização extrema do poder em torno do líder histórico dificultava a renovação estratégica e reduzia o espaço para debates internos sobre alternativas políticas ou militares. À medida que comandantes experientes desapareciam da estrutura operacional, Savimbi tornava-se cada vez mais isolado, dependente de círculos militares reduzidos e incapaz de reconstruir plenamente a máquina de guerra que havia sustentado a UNITA nas décadas anteriores.
Quando Jonas Savimbi morreu em combate em 22 de Fevereiro de 2002, na província do Moxico, a UNITA já se encontrava profundamente enfraquecida em termos militares, logísticos e políticos. Pouco depois, em 4 de Abril de 2002, foi assinado o Memorando de Entendimento do Luena, encerrando oficialmente a guerra civil. Após o conflito, vários antigos quadros da UNITA integraram estruturas do Estado e das Forças Armadas Angolanas, enquanto o movimento transformou-se definitivamente num partido político legal inserido no sistema parlamentar angolano.
Assim, a relevância histórica de Sachipengo Nunda não se resume apenas à sua função como comandante militar, mas também ao simbolismo da crise estrutural vivida pela UNITA nos últimos anos da guerra. A sua saída representou um enfraquecimento decisivo porque ocorreu num momento em que a organização já não possuía a sustentação diplomática e internacional que havia garantido sua sobrevivência durante a Guerra Fria. Sem apoio externo consistente e com perda progressiva dos seus principais quadros militares, a UNITA tornou-se incapaz de manter a capacidade operacional necessária para prolongar o conflito. Dessa forma, o afastamento de comandantes estratégicos como Sachipengo Nunda contribuiu diretamente para acelerar o isolamento de Jonas Savimbi e o colapso definitivo da estrutura militar que sustentava a resistência armada da UNITA.
CONCLUSÃO
Em termos conclusivos, a derrota militar e política de Jonas Savimbi na fase final da Guerra Civil Angolana não pode ser compreendida apenas a partir da superioridade militar alcançada pelo MPLA ou das transformações geopolíticas internacionais ocorridas após o fim da Guerra Fria. O colapso da estrutura da UNITA resultou igualmente de um processo interno de erosão política, diplomática, organizacional e militar, profundamente agravado pela perda progressiva dos seus principais quadros estratégicos. Figuras como Tito Chingunji, Tony da Costa Fernandes, Miguel Nzau Puna e Sachipengo Nunda representavam pilares fundamentais para a sustentação multidimensional do movimento, atuando em esferas complementares que garantiam não apenas a continuidade da guerra, mas também a sobrevivência política da organização (UNITA).
A perda dessas lideranças produziu impactos simultâneos em diferentes níveis estruturais da UNITA. No plano diplomático, o desaparecimento ou afastamento de dirigentes como Tito Chingunji e Tony da Costa Fernandes enfraqueceu significativamente a capacidade internacional do movimento num período em que o apoio externo era essencial para a manutenção da guerra. Esses quadros eram responsáveis por articular relações com governos ocidentais, redes conservadoras internacionais e setores estratégicos ligados à política anticomunista global das décadas de 1970 e 1980. Com o declínio da ordem bipolar internacional após 1989 e a dissolução da União Soviética em 1991, a UNITA já enfrentava perda gradual de apoio geopolítico externo; a saída de diplomatas experientes agravou ainda mais o isolamento internacional de Savimbi e reduziu a capacidade do movimento de preservar legitimidade política perante a comunidade internacional.
No plano organizacional e institucional, figuras como Miguel Nzau Puna desempenhavam papel relevante na tentativa de adaptação da UNITA ao multipartidarismo surgido após os Acordos de Bicesse e o Protocolo de Lusaka. Esses dirigentes representavam setores que procuravam transformar a UNITA de movimento guerrilheiro militarizado em partido político moderno e institucionalizado. O afastamento desses quadros enfraqueceu a capacidade de renovação interna da organização e aprofundou divisões sobre estratégias eleitorais, democratização partidária e redefinição ideológica no período pós-Guerra Fria. A crescente centralização em torno da figura de Savimbi reduziu o espaço para debate estratégico e dificultou a adaptação do movimento às novas exigências políticas nacionais e internacionais.
Na dimensão militar, a perda de comandantes experientes como Sachipengo Nunda teve consequências particularmente decisivas porque, durante os anos finais da guerra, a sobrevivência da UNITA dependia quase exclusivamente da sua estrutura operacional armada. A partir da década de 1990, com a redução do apoio externo e o fortalecimento progressivo das Forças Armadas Angolanas, a capacidade militar interna tornou-se o principal instrumento de resistência do movimento. A retirada ou afastamento de oficiais influentes comprometeu a cadeia de comando, reduziu a eficiência operacional das tropas e agravou o isolamento de Savimbi. Muitos combatentes mantinham lealdade não apenas ao líder histórico, mas também aos seus comandantes diretos; consequentemente, a fragmentação da elite militar produziu efeitos profundos sobre a disciplina interna, a moral dos combatentes e a capacidade de coordenação estratégica da guerrilha.
Além dos impactos materiais e operacionais, a perda dessas figuras teve forte dimensão simbólica e psicológica. Em movimentos revolucionários e guerrilheiros altamente centralizados, a saída de quadros históricos transmite sinais de crise, fragmentação e perda de confiança na liderança. No caso da UNITA, isso ocorreu num momento em que o movimento já enfrentava derrotas militares sucessivas, dificuldades logísticas, perda territorial e crescente pressão internacional pelo encerramento do conflito. A fragmentação da elite dirigente acelerou a desmoralização interna e enfraqueceu a percepção de viabilidade estratégica da continuação da guerra.
Dessa forma, a derrota de Jonas Savimbi deve ser entendida como resultado da convergência entre fatores externos e internos. O fim da Guerra Fria, o fortalecimento militar do Estado angolano e a redução do apoio internacional criaram condições desfavoráveis à continuidade da luta armada; entretanto, foi a perda progressiva das principais lideranças diplomáticas, políticas e militares da UNITA que comprometeu a capacidade do movimento de responder eficazmente a essas transformações históricas. O colapso da organização não ocorreu apenas no campo de batalha, mas também na erosão gradual da sua coesão interna, da sua capacidade diplomática, da sua estrutura organizacional e da sua elite estratégica. Nesse sentido, a trajetória dessas figuras demonstra que a derrota final de Savimbi foi igualmente consequência da desintegração progressiva dos mecanismos políticos e militares que sustentaram a UNITA ao longo de quase três décadas de guerra civil em Angola.
BIBLIOGRAFIA
BRITTAIN, Victoria. Death of Dignity: Angola’s Civil War. London: Pluto Press, 1998. Obra fundamental para o estudo da guerra civil angolana, com análises sobre a diplomacia, as purgas internas e o impacto político da morte de Tito Chingunji no início da década de 1990.
BRIDGLAND, Fred. Jonas Savimbi: A Key to Africa. Edinburgh: Mainstream Publishing, 1986. Biografia política e militar de escrita por jornalista que acompanhou diretamente a UNITA durante a guerra. A obra aborda a atuação internacional de Tito Chingunji e sua relevância diplomática durante a Guerra Fria.
Relatórios publicados entre 1991 e 1992. Documentos sobre violações de direitos humanos, desaparecimentos e repressões políticas ligadas ao conflito angolano e às tensões internas da UNITA.
Reportagens publicadas em 1992. Cobertura internacional das acusações relacionadas à morte de Tito Chingunji e às divisões internas da UNITA.
MEREDITH, Martin. The Fate of Africa: A History of Fifty Years of Independence. New York: PublicAffairs, 2005.
Estudo abrangente sobre os processos políticos africanos pós-coloniais, incluindo análises das divisões internas da UNITA e do papel desempenhado por Tony da Costa Fernandes na dimensão diplomática do movimento.
BRITTAIN, Victoria. Death of Dignity: Angola’s Civil War. London: Pluto Press, 1998.
Analisa a estrutura diplomática da UNITA e o papel de dirigentes responsáveis pela construção das relações internacionais do movimento.
KANDANDA, Carlos. Estudos sobre a fundação da UNITA e o nacionalismo angolano.
Trabalhos acadêmicos sobre os fundadores intelectuais e políticos da UNITA, incluindo discussões sobre organização partidária, nacionalismo e estrutura ideológica do movimento.
OLIVEIRA, Ariel Rolim. Estudos sobre nacionalismo angolano e movimentos de libertação.
Pesquisas voltadas à formação ideológica da UNITA e à sua atuação política durante a Guerra Fria.
Essas fontes permitem compreender:
• a cofundação e organização política da UNITA;
• a construção diplomática internacional do movimento;
• a relação entre Savimbi e os quadros intelectuais da organização;
• as rupturas políticas internas ocorridas no final da Guerra Fria.
Fontes Documentais
Relatórios militares angolanos publicados após 2002.
Documentos relativos à integração das forças militares da UNITA nas após o fim da guerra civil.
The Military Balance.
Publicação especializada em estudos estratégicos e militares, contendo informações sobre a estrutura militar angolana, o equilíbrio de forças durante a guerra civil e os processos de integração militar pós-conflito.
Pesquisas voltadas às negociações militares entre o governo angolano e a UNITA após a morte de Jonas Savimbi em 22 de fevereiro de 2002.
Pesquisas sobre reconciliação militar em Angola.
Análises acadêmicas sobre desmobilização, integração de antigos combatentes e reorganização das estruturas militares angolanas após o encerramento da guerra civil.
Fontes Gerais sobre a Guerra Civil
STOCKWELL, John. In Search of Enemies: A CIA Story. New York: W.W. Norton & Company, 1978.
Relato de um ex-agente da sobre o envolvimento norte-americano em Angola durante os primeiros anos da guerra civil.
GLEIJESES, Piero. Visions of Freedom: Havana, Washington, Pretoria and the Struggle for Southern Africa, 1976–1991. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 2013.
Uma das principais obras sobre o envolvimento dos Estados Unidos e da nos conflitos da África Austral durante a Guerra Fria.
BRINKMAN, Inge. A War for People: Civilians, Mobility and Legitimacy in South-East Angola During the MPLA’s War for Independence. Köln: Rüdiger Köppe Verlag, 2005.
Estudo sobre os impactos sociais da guerra em Angola e as relações entre populações civis e forças militares.
PEARCE, Justin. Political Identity and Conflict in Central Angola, 1975–2002. Cambridge: Cambridge University Press, 2015.
Pesquisa sobre identidade política, memória social e bases de apoio da UNITA nas regiões centrais de Angola.
MESSIANT, Christine. Estudos sobre política angolana contemporânea, guerra civil e reconstrução do Estado angolano.
A autora é uma das principais referências acadêmicas internacionais sobre Angola contemporânea, com extensa produção sobre o MPLA, a UNITA e as transformações políticas pós-independência.
Documentos históricos do MPLA, UNITA.
Arquivos diplomáticos portugueses, soviéticos, cubanos, sul-africanos e norte-americanos constituem fontes primárias fundamentais para o estudo da guerra civil angolana, das relações internacionais africanas e das dinâmicas da Guerra Fria em Angola.
(*) Historiador e Pesquisador nas áreas de Ciências Políticas e Militares
folha8
domingo, 10 de maio de 2026
Tshisekedi critica Kabila: "Ele foi o coveiro da nossa transição de poder."
NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...
O presidente congolês Félix Tshisekedi endureceu sua posição contra Joseph Kabila. Na quarta-feira, 6 de maio, durante uma coletiva de imprensa em…
O presidente congolês Félix Tshisekedi endureceu sua posição contra Joseph Kabila. Na quarta-feira, 6 de maio, durante uma coletiva de imprensa em Kinshasa, o chefe de Estado denunciou as ações de seu antecessor. Ele o acusou de trair a histórica transição de poder de 2019 ao recorrer à rebelião.
"Uma verdadeira bagunça" para a transição de 2019. O presidente expressou, primeiramente, seu pesar pelo caminho escolhido por Joseph Kabila. Em seguida, lembrou que os dois homens haviam conseguido realizar a primeira transição pacífica de poder na República Democrática do Congo em quase 60 anos. Para Félix Tshisekedi, esse legado político não deveria ter sido destruído.
Ele também acredita que a história agora se lembrará de Kabila por seu papel duplo: primeiro, como o arquiteto da transição democrática e, depois, como aquele que minou esse progresso.
Ele lamenta ainda que Kabila "tenha pegado em armas contra o próprio país" ao entrar na clandestinidade.
Tshisekedi justifica sanções dos EUA
Félix Tshisekedi também apoia as sanções financeiras impostas por Washington contra o ex-presidente da RDC. O Departamento do Tesouro dos EUA está visando Joseph Kabila por seu suposto apoio aos rebeldes do M23.
"Os americanos viram o que eu venho vendo há vários anos", afirmou Tshisekedi. Ele também alega ter provas desde o final de 2023.
Segundo ele, a recusa da Frente Comum para o Congo (FCC) em participar das eleições de 2023 já ocultava um plano de desestabilização. O objetivo, continuou, era impedir a eleição e forçar um diálogo político.
"Não pegarei em armas contra meu sucessor." Sem mencionar Kabila pelo nome, Tshisekedi lançou uma clara provocação. Prometeu colocar-se à disposição de seu sucessor após o término de seu mandato. Também descartou formalmente o uso de armas contra ele.
Diversos analistas interpretam essa declaração como uma resposta direta a Joseph Kabila.
O ex-presidente é, de fato, acusado por Kinshasa de apoiar o AFC/M23. Esse grupo armado ocupa Goma e Bukavu há vários meses. Kabila, além disso, foi condenado à morte pela justiça congolesa.
Posse fracassada e quebra de confiança
Félix Tshisekedi revelou posteriormente que havia convidado Kabila para sua posse para o segundo mandato. O ex-presidente não compareceu. Segundo Tshisekedi, ele deixou o país secretamente. Tshisekedi também ressalta que os dois costumavam se comunicar sobre seus deslocamentos. No entanto, essa prática foi interrompida.
Contexto: Guerra no Leste e pressão sobre o mandato presidencial
Esta conferência, no entanto, ocorre em um clima tenso. O leste da RDC permanece em guerra.
Enquanto isso, Tshisekedi é suspeito pela oposição de estar se preparando para um terceiro mandato. O Artigo 220 da Constituição de 2006, porém, proíbe mais de dois mandatos de cinco anos.
Por sua vez, Tshisekedi insinuou em 6 de maio uma possível revisão constitucional.
O cenário político congolês não é nada animador. De acordo com o programa, as eleições estão previstas para 2028. Pouco mais de dois anos separam o país desses prazos, que já estão gerando muita discussão e debate.
Guillaume Mavudila
fonte: journaldekinshasa.com
Congo Kinshasa: “Golpe de Estado constitucional”: Martin Fayulu soa o alarme e promete desobediência popular em 2028.
NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...
Kinshasa, sexta-feira, 8 de maio de 2026. Dirigindo-se a uma grande imprensa, Martin Fayulu não poupou palavras. Em uma sala atenta…
Kinshasa, sexta-feira, 8 de maio de 2026. Dirigindo-se a uma grande imprensa, Martin Fayulu não poupou palavras. Diante de uma plateia atenta, o presidente do partido ECiDé denunciou o que chamou de "golpe de Estado constitucional". Segundo ele, o presidente Félix Tshisekedi está tentando mudar as regras do jogo político por meio de uma proposta de reforma constitucional e um referendo controverso.
"Caros amigos da imprensa, convidei vocês aqui para denunciar o golpe de Estado que Félix Tshisekedi está orquestrando por meio de sua tentativa de alterar a Constituição e realizar um referendo", declarou o líder da oposição.
Sem qualquer formalidade ou encenação especial, Fayulu fez um discurso agressivo. Ele afirmou seu desejo de impedir que o país mergulhe em uma grande crise institucional.
Uma proposta de lei no centro da controvérsia
O principal alvo de Martin Fayulu continua sendo uma proposta de lei para referendo, patrocinada pelo deputado Paul Gaspard Ngondankoy.
Para alguns observadores, o texto parece puramente técnico. No entanto, o líder da oposição o vê como um verdadeiro "cavalo de Troia legal".
Seu argumento se baseia em uma contradição que ele considera perigosa. Por um lado, o Artigo 6 reafirma a inviolabilidade dos Artigos 218 a 220 da Constituição. Essas disposições restringem, notadamente, o número e a duração dos mandatos presidenciais.
Mas, por outro lado, os Artigos 87 a 90 introduzem um mecanismo ligado a uma potencial "disfunção grave". Segundo Fayulu, essa redação poderia permitir que os limites constitucionais atuais fossem contornados.
Uma "porta dos fundos" para um terceiro mandato?
Para o presidente da ECiDé, essas disposições abrem uma "porta dos fundos" para uma permanência prolongada no poder.
"Não se mudam as regras do jogo no meio da partida. Não estamos apenas defendendo um texto, estamos defendendo a liberdade de expressão, estamos defendendo o Congo e estamos impedindo a balcanização do país", insistiu.
O líder da oposição acredita que nenhum consenso político, nenhuma maioria parlamentar e nem mesmo um referendo popular justificariam o desafio aos artigos protegidos da Constituição.
Fayulu acusa Tshisekedi de usar a guerra.
Martín Fayulu também abordou a crise de segurança no leste da RDC. Há vários meses, a violência armada mergulhou a região dos Grandes Lagos em uma situação explosiva.
No entanto, o líder da oposição vai além. Segundo ele, o governo está explorando essa guerra para preparar uma tomada de poder político.
"Félix Tshisekedi está usando a guerra para perpetuar sua permanência no poder", disse ele a repórteres.
"Félix Tshisekedi está usando a guerra para perpetuar sua permanência no poder", disse ele a repórteres. Em seguida, ele lançou uma pergunta capciosa: “Quem se beneficia com esta guerra?”
Com essa pergunta, Fayulu sugere que o conflito poderia ser usado para justificar um possível adiamento das eleições gerais previstas para 2028.
A memória ardente de janeiro de 2015
Para reforçar sua mensagem, Martin Fayulu relembrou um momento crucial da história política congolesa: os protestos de janeiro de 2015.
Na época, a população se mobilizou contra uma reforma da lei eleitoral percebida como favorável a Joseph Kabila. Por fim, sob pressão popular, o Senado recuou.
Hoje, o líder da oposição espera ver o mesmo cenário se repetir. Ele está pedindo aos membros do parlamento que “simplesmente” removam os artigos 87 a 90 do texto contestado.
Além disso, Fayulu acredita que os proponentes desse projeto de lei devem ser responsabilizados por seus atos perante os tribunais.
Uma mensagem clara para as eleições de 2028
Ao final de sua coletiva de imprensa, Martín Fayulu estabeleceu um objetivo político claro: as eleições presidenciais de 2028.
Falando em uma mistura de francês e kikongo, ele fez um alerta direto ao chefe de Estado: “O povo me deu uma missão clara: ‘alinga alinga te, ako kende en 2028’”, que significa: “quer ele queira ou não, ele terá que sair em 2028”.
Essa declaração agora confere ao debate uma dimensão nacional. Por trás das discussões jurídicas e dos artigos de lei, muitos enxergam uma batalha decisiva pelo futuro da democracia congolesa.
Entre os defensores da reforma institucional e os defensores da ordem constitucional vigente, o cabo de guerra político está apenas começando.
fonte: journaldekinshasa.com
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