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Legislativas2026: Jorge Carlos Fonseca vota na Praia e destaca “irreversibilidade” da democracia cabo-verdiana.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... O ex-Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, vo...

domingo, 17 de maio de 2026

Legislativas2026: Jorge Carlos Fonseca vota na Praia e destaca “irreversibilidade” da democracia cabo-verdiana.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...
O ex-Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, votou hoje pelas 10:30 na Escola Grande da ASA, na cidade da Praia, no âmbito das eleições legislativas, a oitava do género no país. Citado pelo próprio, o ensaísta A. C. Grayling refere que “cada dia de indiferença é um dia ganho pelos autocratas”. Na sua página na rede social Facebook citado pela Inforpress, o antigo chefe de Estado afirmou que, mais tarde, se conhecerá a expressão do voto soberano dos eleitores cabo-verdianos. Jorge Carlos Fonseca acrescentou ainda que o percurso da democracia em Cabo Verde continua de forma irreversível, apesar de reconhecer que os tempos actuais “não lhe são favoráveis”. Citado pelo próprio, o ensaísta A. C. Grayling refere que “cada dia de indiferença é um dia ganho pelos autocratas”. Nas eleições de hoje, cinco partidos políticos - PAICV, MpD, UCID, PTS e PP - concorrem aos 72 mandatos de deputado, distribuídos por 13 círculos eleitorais, dos quais dez no território nacional e três na diáspora. Nos cadernos de recenseamento estão inscritos 416.300 eleitores, dos quais 344.284 inscritos nas ilhas e 72.051 no estrangeiro. As últimas eleições legislativas em Cabo Verde ocorreram no dia 18 de Abril de 2021, tendo o Movimento para a Democracia (MpD) vencido com maioria absoluta, ao eleger 38 deputados, contra 30 do PAICV e quatro da UCID. fonte: a semana.cv

Alerta: OMS declara surto de Ébola emergência sanitária mundial.

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A Organização Mundial de Saúde declarou que o surto de Ébola não preenche os critérios de uma emergência pandémica. Até sábado, cerca de 246 casos suspeitos e 80 mortes suspeitas tinham sido registados na província de Ituri, na RDC, com oito casos confirmados em laboratório. A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou um surto de Ébola na República Democrática do Congo e no Uganda como uma emergência de saúde global, revela a Euronews. Num comunicado divulgado no domingo, a agência disse que o seu Diretor-Geral tinha consultado as duas nações e determinado que o surto satisfazia os critérios de uma "emergência de saúde pública de interesse internacional". Até sábado, cerca de 246 casos suspeitos e 80 mortes suspeitas tinham sido registados na província de Ituri, na RDC, com oito casos confirmados em laboratório. Outros dois casos confirmados em laboratório foram registados na capital do Uganda, Kampala, e um em Kinshasa, a capital da RDC. "Existem incertezas significativas quanto ao número real de pessoas infectadas e à propagação geográfica associada a este evento neste momento", afirmou a Organização Mundial de Saúde na sua declaração, acrescentando que havia também "uma compreensão limitada das ligações epidemiológicas com casos conhecidos ou suspeitos". Segundo a fonte deste jornal, a agência afirmou, contudo, que o surto não atende aos critérios de uma pandemia. Os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças estão a "acompanhar de perto" a situação e afirmaram estar a trabalhar com as autoridades e os parceiros para dar uma "resposta rápida e coordenada" que visa interromper a transmissão e reduzir o risco de propagação transfronteiriça.

Chade: Mahamat Idriss Deby Itno regressa a N'Djamena depois de Nairobi.

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O presidente do Chade retornou a N'Djamena em 13 de maio, vindo de Nairóbi, no Quênia, onde participou da Cúpula África em Frente e da 4ª Cúpula da Comissão Climática da Bacia do Congo. Neste encontro, Mahamat Idriss Déby Itno e seus homólogos discutiram a luta contra as mudanças climáticas, a preservação dos ecossistemas estratégicos do continente, o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento da cooperação africana diante dos desafios de segurança, econômicos e ambientais. Em seu discurso, o chefe de Estado chadiano enfatizou a necessidade de uma maior solidariedade africana para garantir um financiamento climático mais justo e equitativo para os países do continente, particularmente aqueles no Sahel e na Bacia do Lago Chade, que são severamente afetados pelos efeitos combinados das mudanças climáticas, da insegurança e do crescimento populacional. fonte: https://journaldutchad.com/

"Pensei comigo mesmo: se eu não marcar, vão achar que sou um macaco": Mbappé fala sobre um período difícil em sua carreira.

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A história de Kylian Mbappé com a seleção francesa poderia ter terminado após o pênalti perdido contra a Suíça na Euro 2021. O campeão da Copa do Mundo de 2018 ficou profundamente abalado pelos insultos racistas que recebeu após a cobrança falhada. Em um episódio recente do podcast "The Bridge", ele revelou ter ficado seriamente deprimido. "Nos primeiros dias, eu estava como um zumbi porque, para mim, a queda tinha sido enorme." "Comecei a ser chamado de macaco. Pensei: 'Para mim, a seleção era o auge'. Percebi: 'Você coloca pessoas lá em cima que depois te puxam para baixo se você não marcar'. Isso mudou drasticamente minha relação com a seleção. Lembro-me de ir de férias. Nos primeiros dias, eu estava como um zumbi porque, para mim, a queda tinha sido enorme", contou o astro do Real Madrid. Ele relembrou que sua relação com a seleção começou com a vitória na Copa do Mundo de 2018. Então, ser chamado de macaco depois de ter sido aclamado como um "herói nacional" fez com que se sentisse em uma situação extremamente difícil. "Foi complicado", afirmou. "Marquei uma reunião com Noël Le Graët." "Fui vê-lo e disse: 'Não vou mais jogar'." As férias não lhe deram tempo suficiente para se recuperar desse choque. Depois, ele diz que decidiu se aposentar da seleção. Mas o presidente da Federação Francesa de Futebol na época, Noël Le Graët, o dissuadiu. "Eu disse que não queria voltar. E me lembro de ter marcado uma reunião com Noël Le Graët. Fui vê-lo e disse: 'Não vou mais jogar'. Pensei comigo mesmo: 'Estou jogando para pessoas que, se eu não marcar gols, vão me chamar de macaco'." E foi aí que eu disse para mim mesmo que não queria jogar para pessoas assim. Foi por isso que cheguei ao ponto de dizer para mim mesmo: 'Não quero mais jogar'. (Le Graët) estava sentado lá e me disse: 'E você acha que vai sair do meu escritório assim e eu vou dizer sim?' (risos) Esquece. Ele me disse: Esquece, você está aqui por 15 anos", contou Kylian Mbappé. Autor: Bernadin PATINVOH Enviar feedback
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Com o início da quarta e última fase de vendas de ingressos para a Copa do Mundo de 2026 nesta quarta-feira, os preços para a final atingiram recordes históricos. O ingresso mais caro agora custa quase US$ 11.000, o equivalente a aproximadamente 6.600.000 FCFA. Esta fase de vendas, conhecida como "de última hora", está aberta a todos, sem sorteio, e funciona por ordem de chegada. As vendas continuarão até o final da competição, programada para ocorrer de 11 de junho a 19 de julho de 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México, com a liberação de ingressos para algumas partidas que acontecem no mesmo dia. Embora os preços já fossem considerados exorbitantes, os torcedores ficaram surpresos ao descobrir que os preços para a final aumentaram ainda mais. Os valores chegaram a US$ 10.990, ou aproximadamente 6.594.000 FCFA, segundo reportagem do Daily Mail. Isso representa um aumento de 38% em comparação com a primeira fase de vendas, em setembro passado, quando o ingresso mais caro custava US$ 6.730, ou aproximadamente 4.038.000 FCFA. Outras categorias também sofreram com a inflação: os ingressos da Categoria 2 subiram 32%, para US$ 7.380, ou aproximadamente 4.428.000 FCFA, enquanto os da Categoria 3 estão custando US$ 5.785, ou aproximadamente 3.471.000 FCFA. Para efeito de comparação, durante a final da Copa do Mundo de 2022 entre França e Argentina, o ingresso mais caro custava o equivalente a US$ 1.604, ou aproximadamente 962.400 FCFA. Além desse aumento de preço, uma falha técnica prejudicou o lançamento desta fase de vendas, com muitos compradores sendo redirecionados para uma seção restrita reservada para grupos oficiais de torcedores, em vez do portal de vendas geral. Essa situação está alimentando o descontentamento dos torcedores, e a FIFA agora é acusada de descumprir suas promessas de preços acessíveis. A organização europeia de torcedores chegou a anunciar que apresentou uma queixa à Comissão Europeia, denunciando procedimentos de compra considerados obscuros e injustos. Autor: Babacar SENE

Trump está pedindo ao Congresso um orçamento de defesa colossal de US$ 1,5 trilhão para 2027.

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O presidente dos EUA, Donald Trump, está pedindo ao Congresso que aumente o já gigantesco orçamento de defesa americano em cerca de 50% até 2027, segundo documentos divulgados nesta sexta-feira pela Casa Branca. Sua proposta, se aprovada pelos parlamentares, faria com que os gastos militares dos EUA saltassem de US$ 1 trilhão este ano para US$ 1,5 trilhão no ano que vem. AFP

[Relatório detalhado] África Ocidental: a revolução verde já começou.

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Em toda a África Ocidental, as cidades estão crescendo, as necessidades energéticas estão explodindo e os efeitos das mudanças climáticas estão se tornando cada vez mais visíveis. Secas, inundações, pressão sobre os recursos naturais, aumento dos custos de energia... Os desafios são imensos para os países da União Econômica e Monetária da África Ocidental (UEMOA). Mas, diante dessas emergências, uma nova geração de empreendedores, inovadores e líderes de projetos já está buscando soluções. Agricultura sustentável, mobilidade elétrica, reciclagem de resíduos, biogás e irrigação inteligente são apenas algumas das iniciativas em andamento. Na região da UEMOA, a economia verde está gradualmente se consolidando. seneweb.com

CÚPULA NAIROBI AFRICA FORWARD: Uma ofensiva de charme em meio ao reposicionamento de Paris na África.

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A cúpula Africa Forward, coorganizada pela França e pelo Quênia, teve início em 11 de maio em Nairóbi e continua em 12 de maio de 2026 com uma reunião de chefes de Estado. Diversos líderes africanos viajaram para a capital queniana para participar deste encontro de alto nível, que pretende ser uma nova versão das cúpulas África-França. Este fórum empresarial marca uma mudança paradigmática significativa para a França em suas relações com a África, pois, além de seu forte foco em economia e investimento, é a primeira vez que uma cúpula desse tipo é realizada em um país anglófono. Isso demonstra que, apesar dos contratempos e decepções dos últimos anos, a França está mostrando tanto imaginação quanto resiliência para manter sua presença no continente. É um continente onde Paris tem muito a ganhar, mas também muito a perder se permitir ser superada por potências de outros continentes. Isso é ainda mais provável considerando que, nos últimos anos, a França perdeu considerável influência em sua antiga esfera de atuação na África, que antes era considerada seu domínio exclusivo. Isso ocorre em um contexto no qual suas políticas são cada vez mais criticadas em um continente em rápida transformação, onde países antes considerados parte de sua esfera de influência optaram por romper laços privilegiados com a antiga potência colonial, priorizando agora a diversificação de parcerias. Essa situação resultou, por um lado, em crescente condenação e hostilidade em relação à política francesa na África. A França compreendeu a necessidade de mudar sua abordagem. Por outro lado, levou ao questionamento da própria presença e influência francesa no continente africano. Em suma, esta cúpula África em Frente, que visa fortalecer as parcerias econômicas entre a África e a França, é uma verdadeira ofensiva de charme em meio ao reposicionamento diplomático de Paris na África. Isso se torna ainda mais provável considerando que, além do formato da cúpula, que se distancia dos encontros habituais entre a França e seus parceiros africanos, e de seu conteúdo, que prioriza questões econômicas em detrimento das políticas, a França busca não apenas restaurar sua imagem em um continente onde seu prestígio começava a se apagar, mas também fortalecer a confiança dos países africanos por meio de uma parceria que agora se propõe a ser de iguais e mutuamente benéfica para todas as partes. É precisamente isso que muitos países africanos buscam hoje, ávidos por forjar parcerias vantajosas para todos, baseadas no respeito mútuo e em busca de um reconhecimento genuíno nas relações bilaterais e multilaterais. Isso demonstra que a França compreendeu a necessidade de mudar sua abordagem, caso não queira continuar ampliando o abismo da desconfiança com certos países africanos. E tem muito a ganhar, visto que a África tem muito a oferecer nessas novas relações, que pretendem ser um ponto de virada na relação entre o continente africano e Paris. Esta cúpula África em Frente, que visa "colocar a África em primeiro lugar", é uma verdadeira reaproximação estratégica entre a França e o continente africano. Isso é especialmente verdadeiro, considerando que os reveses sofridos por Paris em algumas partes da África, como o Sahel, resultaram em perdas significativas para certas empresas francesas. Essa mudança de paradigma parece ser um esforço de recuperação. Em suma, além das considerações políticas, este fórum também é uma boa oportunidade para Paris revitalizar sua economia, expandindo-se para além do círculo restrito de países francófonos. E certamente não está equivocada em sua abordagem, já que os países anglófonos são conhecidos por seu significativo peso econômico em um continente onde figuram entre os principais parceiros comerciais da França. De qualquer forma, agora que o fórum franco-africano está em andamento, aguardamos seus resultados a longo prazo. Quanto ao presidente Macron, cujo segundo mandato se aproxima inexoravelmente do fim, tudo indica que, após dez anos de relações por vezes tumultuosas com a África, ele está motivado pelo desejo de encerrar esse período em alta, traçando um novo rumo para o relacionamento da França com o continente. Essa mudança de paradigma parece ser um esforço de recuperação que visa salvar o que ainda pode ser salvo e lançar as bases para uma renovação das relações franco-africanas. Será que esses laços sobreviverão a ele? Só o tempo dirá. fonte: lepays.bf

ANGOLA: A PERDA DAS PRINCIPAIS LIDERANÇAS ESTRATÉGICAS DA UNITA.

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Introdução. A história da UNITA constitui um dos capítulos mais complexos e decisivos da trajetória política e militar de Angola contemporânea. Fundada em 1966 sob a liderança de Jonas Savimbi, a organização consolidou-se durante décadas como uma das principais forças político-militares do país, desempenhando papel central tanto na luta anticolonial quanto na subsequente guerra civil angolana. Contudo, para além da figura dominante de Savimbi, a estrutura estratégica da UNITA dependia profundamente de um conjunto de lideranças políticas, diplomáticas e militares cuja contribuição foi determinante para a sua coesão interna, capacidade operacional e projeção internacional. Por Nkanga Umuñtu (*) Opresente artigo propõe uma análise histórica e político-estratégica da perda progressiva de algumas das mais importantes lideranças da UNITA, examinando de que forma a saída, eliminação ou afastamento de quadros fundamentais contribuiu para o enfraquecimento estrutural do movimento e para o declínio militar de Jonas Savimbi. Entre essas figuras destacam-se, cuja atuação diplomática foi crucial para a legitimação internacional da organização, um dos principais arquitetos ideológicos e diplomáticos do movimento; ,representante de uma importante ala política e organizacional no período de transição partidária; e , cuja relevância militar refletia a importância da capacidade operacional na sobrevivência da guerrilha. Partindo da hipótese de que a derrota da UNITA não pode ser explicada exclusivamente por fatores militares externos ou pela superioridade estratégica do Estado angolano, este estudo argumenta que a erosão interna da sua elite dirigente constituiu um fator decisivo para a desarticulação progressiva da organização. A perda de quadros estratégicos enfraqueceu simultaneamente três pilares fundamentais da sobrevivência política de Savimbi: a legitimidade diplomática internacional, a coesão político-organizacional interna e a eficácia do comando militar. Do ponto de vista metodológico, este trabalho baseia-se numa abordagem histórico-analítica, sustentada por bibliografia especializada sobre a guerra civil angolana, documentos históricos e interpretações historiográficas sobre a dinâmica interna da UNITA. Pretende-se, assim, contribuir para uma compreensão mais aprofundada das relações entre liderança, estrutura organizacional e colapso político-militar, demonstrando que a trajetória de declínio de Jonas Savimbi esteve intimamente ligada à perda sucessiva das figuras que sustentavam o equilíbrio estratégico do seu movimento. Ao analisar estas rupturas internas, torna-se possível compreender que o declínio militar da UNITA não foi apenas o resultado de confrontos armados ou mudanças geopolíticas internacionais, mas também a consequência direta da fragmentação da sua própria arquitetura de liderança. TITO CHINGUNJI Foi um administrador, militar e diplomata angolano. Serviu no departamento de Negócios Estrangeiros da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) de 1979 a 1991, sendo o mais importante nome do partido diante do ocidente durante a década de 1980 e o início da de 1990. Liderou a famosa ala do Planalto (ou do Huambo) nas estruturas da UNITA, que fazia oposição à Jonas Savimbi. Tito Chingunji destacou-se como uma das figuras mais influentes da dimensão política e diplomática durante a Guerra Civil Angolana. Diferentemente de muitos quadros históricos do movimento cuja projeção derivava principalmente do comando militar, a importância estratégica de Tito Chingunji encontrava-se na sua capacidade intelectual, diplomática e comunicacional, fatores que contribuíram decisivamente para a internacionalização da UNITA e para a consolidação da sua imagem no contexto da guerra. A sua atuação permitiu que a organização deixasse de ser vista apenas como um movimento guerrilheiro regional e passasse a ser apresentada, sobretudo no Ocidente, como uma alternativa política ao governo. Nos anos 1980, Tito Chingunji tornou-se o principal porta-voz internacional da UNITA. A sua fluência em inglês, aliada à capacidade retórica e ao domínio dos debates ideológicos da época, facilitou o diálogo com governos ocidentais, diplomatas, jornalistas, académicos e círculos políticos conservadores. Num período em que a disputa angolana era interpretada internacionalmente como parte do confronto entre o bloco socialista e o bloco capitalista, a figura de Chingunji foi essencial para enquadrar a UNITA dentro da narrativa anticomunista defendida pelos e seus aliados. O movimento procurava demonstrar que combatia não apenas o MPLA, mas também a sua estrutura ideológica e sua influência internacional. Nesse cenário, Tito Chingunji desempenhou papel fundamental na construção de relações políticas e militares entre a UNITA e setores estratégicos do governo norte-americano. A sua atuação diplomática incluiu missões políticas, onde buscava ampliar o apoio financeiro, militar e mediático à UNITA. Através dessas iniciativas, ajudou a consolidar a imagem internacional de Jonas Savimbi como líder anticomunista africano, especialmente junto de parlamentares conservadores norte-americanos ligados à política externa. A diplomacia de Tito Chingunji foi, portanto, um dos mecanismos centrais que permitiram à UNITA alcançar reconhecimento internacional significativo durante uma das fases mais intensas da guerra civil. Para além da diplomacia, Tito Chingunji era frequentemente visto como um dos quadros mais modernos e pragmáticos da organização (UNITA). Diversos analistas consideravam-no representante de uma ala política menos dependente da lógica exclusivamente militar. A sua importância derivava também da capacidade de traduzir os objetivos estratégicos da guerrilha para uma linguagem diplomática aceitável no cenário internacional. Essa mediação política era crucial porque muitos governos estrangeiros viam a UNITA apenas como uma força armada insurgente. Chingunji procurava demonstrar que o movimento possuía projeto político, estrutura organizacional e capacidade administrativa para governar Angola caso alcançasse o poder. A morte de Tito Chingunji, em 1991, teve enorme impacto político e simbólico tanto dentro como fora de Angola. O assassinato ocorreu no contexto das purgas internas promovidas pela direção da UNITA, período marcado por acusações de conspiração, infiltração e desconfiança interna. A execução de um dirigente com elevado reconhecimento internacional provocou forte desgaste diplomático para Jonas Savimbi e levantou sérias acusações sobre práticas autoritárias no interior do movimento. Organizações internacionais, jornalistas e observadores estrangeiros passaram a questionar os métodos internos da UNITA, especialmente porque Tito Chingunji possuía ampla rede de contactos políticos no exterior e era conhecido como um dos principais responsáveis pela credibilidade diplomática do movimento. O desaparecimento de Tito Chingunji representou também uma perda estratégica para a UNITA em termos de capital político internacional. A organização perdeu um dos seus mais importantes mediadores externos, precisamente num momento em que Angola caminhava para negociações políticas e transformações institucionais associadas aos acordos de paz do início da década de 1990. Sem figuras diplomáticas com o mesmo peso intelectual e reconhecimento internacional, a capacidade da UNITA de manter a sua legitimidade externa sofreu considerável enfraquecimento. Do mesmo modo, a morte de Chingunji revela outra dimensão das fragilidades estruturais que afetaram a organização durante a transição da guerra para a competição partidária. MIGUEL NZAU PUNA (Serviu como Secretário-Geral da UNITA de 1966 até 1992) Constituiu uma das figuras relevantes do processo de transformação política da no período de transição entre a guerra civil e a consolidação do multipartidarismo em Angola. A sua importância estratégica não derivava essencialmente do comando militar, mas da capacidade organizacional, institucional e política dentro de um movimento historicamente estruturado em torno da guerrilha armada e da liderança centralizada. Num contexto em que a UNITA procurava adaptar-se às exigências da competição eleitoral e da institucionalização partidária após os acordos de paz, Nzau Puna representava um setor que defendia o fortalecimento da dimensão política do partido e a necessidade de modernização organizacional. Historicamente, a UNITA consolidou-se como um movimento de caráter fortemente militarizado, com bases sociais predominantemente rurais e estruturado em torno da lógica da resistência armada. A prolongada guerra civil angolana produziu uma cultura política interna marcada pela disciplina militar, pela centralização das decisões e pela predominância da autoridade de Savimbi. Contudo, as mudanças verificadas no sistema internacional após o fim da , bem como os processos de negociação política em Angola, obrigaram a UNITA a redefinir parcialmente a sua natureza organizacional. Nesse novo cenário, figuras como Miguel Nzau Puna assumiram relevância porque procuravam ampliar a presença urbana do partido, fortalecer estruturas institucionais e adaptar o movimento ao funcionamento de um sistema multipartidário moderno. Nzau Puna possuía influência significativa junto das estruturas intermédias da organização, de setores juvenis e de quadros civis ligados à UNITA. A sua atuação refletia a tentativa de deslocar parcialmente o centro de gravidade do movimento da esfera exclusivamente militar para uma lógica político-partidária mais institucionalizada. Essa transformação era estratégica porque, após décadas de conflito armado, a sobrevivência da UNITA dependia cada vez menos da capacidade militar e mais da capacidade de disputar legitimidade eleitoral, construir alianças políticas e consolidar presença nas instituições do Estado. A defesa de uma reorganização interna mais moderna colocava Nzau Puna entre os dirigentes associados às correntes que procuravam democratizar o funcionamento interno do partido e redefinir a sua atuação no período pós-guerra. Após a morte de Jonas Savimbi, em 2002, a UNITA enfrentou uma das maiores crises da sua história. O desaparecimento do seu líder histórico encerrou definitivamente a possibilidade de continuação da guerra como instrumento central de disputa política e obrigou o partido a adaptar-se completamente à arena institucional. Essa transição revelou profundas tensões internas relacionadas com estratégias eleitorais, alianças políticas, democratização interna e redefinição ideológica. A ausência de Savimbi criou disputas sobre o futuro da organização, uma vez que grande parte da coesão interna da UNITA havia sido construída em torno da liderança pessoal e carismática do dirigente histórico. Nesse contexto, Miguel Nzau Puna tornou-se associado a setores críticos dentro da própria UNITA, representando correntes que defendiam mudanças estruturais no funcionamento partidário. O seu afastamento teve impacto político e simbólico porque evidenciou a existência de divisões internas num momento em que o partido precisava demonstrar estabilidade e capacidade de renovação. Em organizações políticas saídas de guerras civis prolongadas, a saída de quadros históricos produz frequentemente efeitos profundos sobre a coesão interna, a disciplina organizacional e a confiança da militância. A perda de dirigentes experientes implica não apenas redução da capacidade técnica e política, mas também enfraquecimento da memória organizacional e surgimento de disputas faccionais. A crise da UNITA nesse período não pode ser explicada pela saída isolada de uma única figura política. O enfraquecimento do partido resultou de um conjunto de fatores estruturais, incluindo a derrota militar, o fim do apoio internacional associado à lógica bipolar da Guerra Fria, a consolidação do poder estatal do e as dificuldades internas de renovação política. Contudo, figuras como Nzau Puna eram estratégicas porque simbolizavam a possibilidade de reconstrução partidária num contexto histórico radicalmente diferente daquele que havia dado origem ao movimento guerrilheiro. O impacto simbólico do afastamento de Nzau Puna foi particularmente relevante porque a UNITA procurava demonstrar à sociedade angolana e à comunidade internacional que conseguia sobreviver politicamente após a era Savimbi. A permanência de dirigentes experientes era fundamental para transmitir estabilidade, continuidade organizacional e capacidade de adaptação institucional. Quando quadros influentes abandonavam o partido, fortalecia-se a percepção pública de fragmentação interna e crise de liderança, fatores que afetavam diretamente a credibilidade política da organização. Além disso, Miguel Nzau Puna integrava uma geração de dirigentes cuja importância estava ligada à dimensão diplomática, intelectual e organizacional da UNITA. Em muitos aspectos, representava a tentativa de construir um partido menos dependente da lógica militar e mais orientado para a competição política institucional. A sua trajetória evidencia as dificuldades enfrentadas por movimentos armados africanos ao tentarem transformar-se em partidos políticos modernos após longos períodos de guerra civil. Dessa forma, o estudo da sua atuação permite compreender não apenas as crises internas da UNITA, mas também os desafios mais amplos dos processos de transição pós-conflito em Angola e em outros contextos africanos marcados por guerras prolongadas e estruturas políticas altamente militarizadas. TONY DA COSTA FERNANDES (Diplomata e co-fundador da UNITA) Tony da Costa Fernandes integrou o grupo de quadros políticos e diplomáticos que desempenharam papel estratégico na consolidação internacional da UNITA durante as décadas mais intensas da Guerra Civil Angolana. A sua importância dentro da organização estava associada sobretudo à formulação política, à articulação diplomática e à construção de relações externas num contexto internacional profundamente marcado pela Guerra Fria. Desde a independência de Angola, proclamada em 11 de novembro de 1975, o conflito angolano tornou-se parte das disputas globais entre o bloco socialista e o bloco capitalista, transformando a guerra civil num espaço de competição estratégica internacional. Nesse cenário, dirigentes com capacidade intelectual, formação política e experiência diplomática tornaram-se elementos fundamentais para a sobrevivência política e militar da UNITA. Durante as décadas de 1970 e 1980, a UNITA necessitava simultaneamente de apoio militar, reconhecimento diplomático, financiamento externo e legitimidade internacional para sustentar a guerra contra o governo do MPLA, apoiado pela União Soviética e por Cuba. A capacidade de manter contactos políticos no exterior era tão importante quanto o desempenho militar no terreno. Tony da Costa Fernandes fazia parte da geração de dirigentes responsáveis por representar diplomaticamente a UNITA junto de governos estrangeiros, redes conservadoras internacionais e setores anticomunistas que apoiavam Jonas Savimbi. A sua atuação ajudava a consolidar a imagem internacional da organização num período em que os Estados Unidos, sobretudo durante a administração de Ronald Reagan, ampliavam o apoio a movimentos considerados anticomunistas em África. A importância estratégica de Tony da Costa Fernandes derivava também da necessidade de equilibrar as diferentes tendências internas existentes na UNITA. Embora o movimento fosse fortemente centralizado em torno da liderança pessoal de Savimbi, coexistiam no seu interior setores militares, políticos, diplomáticos e regionais com interesses e visões distintas sobre o rumo da organização. Quadros diplomáticos e intelectuais desempenhavam função estabilizadora porque ampliavam a sofisticação política do movimento e reduziam a dependência absoluta da dimensão militar. A presença de dirigentes com experiência diplomática permitia à UNITA manter canais de negociação e interlocução internacional mesmo nos períodos de maior isolamento militar. A retirada de figuras como Tony da Costa Fernandes teve impacto profundo sobre a estrutura política da UNITA porque ocorreu num momento de grandes transformações internacionais. O final da década de 1980 e o início da década de 1990 marcaram o colapso gradual da ordem bipolar mundial. Entre 1989 e 1991 ocorreram acontecimentos decisivos como a queda do Queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, e a dissolução formal da União Soviética, em 26 de dezembro de 1991. Essas mudanças alteraram profundamente o equilíbrio geopolítico internacional e reduziram significativamente o interesse estratégico das potências ocidentais em financiar movimentos armados anticomunistas africanos. A UNITA perdeu gradualmente parte importante da sua sustentação internacional, ao mesmo tempo em que aumentavam divergências internas sobre negociações de paz, estratégias políticas e reorganização do movimento. Nesse ambiente de instabilidade, o afastamento de dirigentes experientes produzia efeitos políticos e psicológicos muito superiores aos observados em partidos convencionais. Politicamente, a saída de quadros influentes transmitia sinais de fragmentação interna, desgaste organizacional e perda de confiança na liderança de Savimbi. Diplomaticamente, diminuía a capacidade da UNITA de manter redes de lobby externo, articulações políticas e projeção internacional. Moralmente, a perda de dirigentes históricos afetava a coesão interna, a disciplina organizacional e a confiança dos militantes num período em que o movimento enfrentava crescentes dificuldades militares e financeiras. Estrategicamente, o enfraquecimento das alas diplomáticas e políticas aumentava ainda mais a centralização do poder em torno de Savimbi, reduzindo o debate interno e tornando a liderança progressivamente mais isolada. O impacto dessas saídas tornou-se ainda mais evidente após os Acordos de Bicesse, assinados em 31 de Maio de 1991, que abriram caminho para as eleições multipartidárias de 1992. A transição para a competição política institucional exigia capacidade organizacional, articulação diplomática e adaptação ideológica. Contudo, a UNITA continuava fortemente marcada pela cultura militar construída ao longo de décadas de guerra. As tensões internas intensificaram-se após as eleições gerais de setembro de 1992 e o retorno ao conflito armado, aprofundando divisões entre setores favoráveis à continuidade militar e correntes que defendiam maior integração institucional. Dentro desse contexto mais amplo, figuras associadas ao círculo militar de Arlindo Chenda Pena ‘Ben Ben’ e de Sachipengo Nunda assumiram importância decisiva para a sobrevivência operacional da organização na fase final da guerra. Enquanto dirigentes diplomáticos sustentavam a projeção internacional da UNITA, os setores militares garantiam a continuidade da capacidade de combate no terreno. Muitos analistas consideram que a perda ou afastamento de figuras ligadas a essas estruturas representou um golpe decisivo para Savimbi porque, especialmente após o enfraquecimento do apoio internacional nos anos 1990, a sobrevivência da UNITA passou a depender quase exclusivamente da eficiência da sua estrutura militar. Dessa forma, o declínio da UNITA não resultou apenas da derrota militar direta, mas de um processo cumulativo de desgaste político, diplomático e organizacional. A fragmentação da elite dirigente, a perda de quadros intelectuais e diplomáticos, as divisões internas provocadas pelas transformações internacionais do pós-Guerra Fria e a crescente centralização em torno da liderança de Jonas Savimbi contribuíram para enfraquecer progressivamente a capacidade estratégica do movimento. A trajetória de Tony da Costa Fernandes simboliza precisamente esse processo de erosão interna da UNITA, evidenciando como a perda de dirigentes experientes comprometeu a adaptação do movimento ao novo contexto político internacional surgido após o fim da Guerra Fria. SACHIPENGO NUNDA General e obreiro da transformação das Forças Armadas de Libertação de Angola Sachipengo Nunda ocupou posição relevante dentro da estrutura militar da UNITA durante os períodos mais críticos da Guerra Civil Angolana. A sua importância estava diretamente associada à capacidade de comando operacional, à experiência acumulada no campo de batalha, à organização das tropas e ao profundo conhecimento estratégico das regiões onde a guerrilha atuava. Num movimento cuja sobrevivência dependia amplamente da eficiência militar, comandantes experientes como Sachipengo Nunda desempenhavam funções decisivas para manter a disciplina interna, coordenar operações armadas e preservar a coesão das forças guerrilheiras sob liderança de Jonas Savimbi. Desde a independência de Angola, proclamada em 11 de novembro de 1975, o conflito entre a UNITA e o governo do MPLA transformou-se rapidamente numa das guerras civis mais prolongadas do continente africano. Durante as décadas de 1970 e 1980, a UNITA beneficiou-se de apoio militar, financeiro e diplomático proveniente dos Estados Unidos, da África do Sul do período do apartheid e de redes internacionais anticomunistas ligadas ao contexto da Guerra Fria. Esse apoio permitiu ao movimento desenvolver capacidade militar significativa, controlar extensas regiões do território angolano e manter uma estrutura guerrilheira relativamente organizada durante vários anos. Entretanto, o cenário internacional alterou-se profundamente no final da década de 1980. A assinatura dos Acordos de Nova Iorque, em 22 de dezembro de 1988, que estabeleceram a retirada das tropas cubanas de Angola e abriram caminho para a independência da Namíbia, marcou o início de uma nova configuração política na África Austral. Pouco depois, a queda do Queda do Muro de Berlim e o colapso da União Soviética, formalizado em 26 de dezembro de 1991, provocaram o enfraquecimento da lógica bipolar internacional que havia sustentado muitos conflitos africanos. A partir desse período, a UNITA começou a perder parte substancial do apoio geopolítico externo que anteriormente recebia dos Estados Unidos e de aliados regionais. A assinatura dos Acordos de Bicesse entre o MPLA e a UNITA inaugurou uma tentativa de transição para o multipartidarismo e para a integração institucional das forças beligerantes. Contudo, as eleições gerais realizadas em setembro de 1992 foram seguidas pelo retorno imediato da guerra civil, aprofundando ainda mais o desgaste militar e político da UNITA. A partir da década de 1990, o movimento passou a enfrentar dificuldades logísticas crescentes, isolamento diplomático, redução de abastecimentos militares e intensificação das ofensivas conduzidas pelas Forças Armadas Angolanas. Nesse novo contexto, a sobrevivência da UNITA tornou-se cada vez mais dependente da eficiência do seu aparelho militar interno. Foi precisamente nesse período que comandantes experientes como Sachipengo Nunda adquiriram importância estratégica ainda maior. A capacidade de resistência da guerrilha dependia não apenas da autoridade pessoal de Jonas Savimbi, mas também da fidelidade e competência operacional dos seus principais comandantes militares. A estrutura da UNITA era fortemente centralizada, porém a eficácia prática da guerra estava ligada às redes de comando locais e regionais construídas por oficiais experientes. Muitos combatentes mantinham lealdade não apenas a Savimbi, mas também aos comandantes que dirigiam diretamente as operações no terreno. Dessa forma, quando figuras militares influentes se afastavam, abandonavam o movimento ou deixavam de participar ativamente da estrutura operacional, produzia-se um efeito profundo sobre a cadeia de comando e sobre a moral interna da guerrilha. A saída ou afastamento de Sachipengo Nunda é frequentemente interpretada por analistas como um dos fatores que aceleraram o enfraquecimento militar da UNITA na fase final da guerra porque coincidiu com um período de crescente isolamento estratégico de Savimbi. Politicamente, a perda de comandantes experientes transmitia sinais de fragmentação interna e enfraquecimento da coesão militar. Operacionalmente, reduzia-se a capacidade de coordenação das tropas, diminuía-se a eficiência das ofensivas guerrilheiras e aumentavam-se as dificuldades de reorganização logística num contexto de perseguição militar intensa. Psicologicamente, a retirada de quadros históricos produzia efeitos devastadores sobre a moral dos combatentes, ampliando deserções e fortalecendo a percepção de que a guerra caminhava para uma derrota inevitável. A importância dessa crise interna torna-se ainda mais evidente quando se observa a situação militar da UNITA no final da década de 1990. Após o fracasso dos Protocolo de Lusaka, a guerra recomeçou em larga escala e o governo angolano iniciou ofensivas militares decisivas contra as bases estratégicas da UNITA. Entre 1998 e 2001, o movimento perdeu progressivamente territórios, corredores logísticos e capacidade ofensiva. A superioridade militar das forças governamentais tornou-se evidente devido ao aumento das receitas petrolíferas do Estado angolano, à modernização das Forças Armadas Angolanas e ao isolamento internacional crescente da UNITA, que passou a sofrer sanções e pressão diplomática internacional. Nesse cenário, a saída de figuras militares estratégicas agravou o isolamento de Savimbi e reduziu a capacidade da organização de sustentar uma guerra prolongada. A centralização extrema do poder em torno do líder histórico dificultava a renovação estratégica e reduzia o espaço para debates internos sobre alternativas políticas ou militares. À medida que comandantes experientes desapareciam da estrutura operacional, Savimbi tornava-se cada vez mais isolado, dependente de círculos militares reduzidos e incapaz de reconstruir plenamente a máquina de guerra que havia sustentado a UNITA nas décadas anteriores. Quando Jonas Savimbi morreu em combate em 22 de Fevereiro de 2002, na província do Moxico, a UNITA já se encontrava profundamente enfraquecida em termos militares, logísticos e políticos. Pouco depois, em 4 de Abril de 2002, foi assinado o Memorando de Entendimento do Luena, encerrando oficialmente a guerra civil. Após o conflito, vários antigos quadros da UNITA integraram estruturas do Estado e das Forças Armadas Angolanas, enquanto o movimento transformou-se definitivamente num partido político legal inserido no sistema parlamentar angolano. Assim, a relevância histórica de Sachipengo Nunda não se resume apenas à sua função como comandante militar, mas também ao simbolismo da crise estrutural vivida pela UNITA nos últimos anos da guerra. A sua saída representou um enfraquecimento decisivo porque ocorreu num momento em que a organização já não possuía a sustentação diplomática e internacional que havia garantido sua sobrevivência durante a Guerra Fria. Sem apoio externo consistente e com perda progressiva dos seus principais quadros militares, a UNITA tornou-se incapaz de manter a capacidade operacional necessária para prolongar o conflito. Dessa forma, o afastamento de comandantes estratégicos como Sachipengo Nunda contribuiu diretamente para acelerar o isolamento de Jonas Savimbi e o colapso definitivo da estrutura militar que sustentava a resistência armada da UNITA. CONCLUSÃO Em termos conclusivos, a derrota militar e política de Jonas Savimbi na fase final da Guerra Civil Angolana não pode ser compreendida apenas a partir da superioridade militar alcançada pelo MPLA ou das transformações geopolíticas internacionais ocorridas após o fim da Guerra Fria. O colapso da estrutura da UNITA resultou igualmente de um processo interno de erosão política, diplomática, organizacional e militar, profundamente agravado pela perda progressiva dos seus principais quadros estratégicos. Figuras como Tito Chingunji, Tony da Costa Fernandes, Miguel Nzau Puna e Sachipengo Nunda representavam pilares fundamentais para a sustentação multidimensional do movimento, atuando em esferas complementares que garantiam não apenas a continuidade da guerra, mas também a sobrevivência política da organização (UNITA). A perda dessas lideranças produziu impactos simultâneos em diferentes níveis estruturais da UNITA. No plano diplomático, o desaparecimento ou afastamento de dirigentes como Tito Chingunji e Tony da Costa Fernandes enfraqueceu significativamente a capacidade internacional do movimento num período em que o apoio externo era essencial para a manutenção da guerra. Esses quadros eram responsáveis por articular relações com governos ocidentais, redes conservadoras internacionais e setores estratégicos ligados à política anticomunista global das décadas de 1970 e 1980. Com o declínio da ordem bipolar internacional após 1989 e a dissolução da União Soviética em 1991, a UNITA já enfrentava perda gradual de apoio geopolítico externo; a saída de diplomatas experientes agravou ainda mais o isolamento internacional de Savimbi e reduziu a capacidade do movimento de preservar legitimidade política perante a comunidade internacional. No plano organizacional e institucional, figuras como Miguel Nzau Puna desempenhavam papel relevante na tentativa de adaptação da UNITA ao multipartidarismo surgido após os Acordos de Bicesse e o Protocolo de Lusaka. Esses dirigentes representavam setores que procuravam transformar a UNITA de movimento guerrilheiro militarizado em partido político moderno e institucionalizado. O afastamento desses quadros enfraqueceu a capacidade de renovação interna da organização e aprofundou divisões sobre estratégias eleitorais, democratização partidária e redefinição ideológica no período pós-Guerra Fria. A crescente centralização em torno da figura de Savimbi reduziu o espaço para debate estratégico e dificultou a adaptação do movimento às novas exigências políticas nacionais e internacionais. Na dimensão militar, a perda de comandantes experientes como Sachipengo Nunda teve consequências particularmente decisivas porque, durante os anos finais da guerra, a sobrevivência da UNITA dependia quase exclusivamente da sua estrutura operacional armada. A partir da década de 1990, com a redução do apoio externo e o fortalecimento progressivo das Forças Armadas Angolanas, a capacidade militar interna tornou-se o principal instrumento de resistência do movimento. A retirada ou afastamento de oficiais influentes comprometeu a cadeia de comando, reduziu a eficiência operacional das tropas e agravou o isolamento de Savimbi. Muitos combatentes mantinham lealdade não apenas ao líder histórico, mas também aos seus comandantes diretos; consequentemente, a fragmentação da elite militar produziu efeitos profundos sobre a disciplina interna, a moral dos combatentes e a capacidade de coordenação estratégica da guerrilha. Além dos impactos materiais e operacionais, a perda dessas figuras teve forte dimensão simbólica e psicológica. Em movimentos revolucionários e guerrilheiros altamente centralizados, a saída de quadros históricos transmite sinais de crise, fragmentação e perda de confiança na liderança. No caso da UNITA, isso ocorreu num momento em que o movimento já enfrentava derrotas militares sucessivas, dificuldades logísticas, perda territorial e crescente pressão internacional pelo encerramento do conflito. A fragmentação da elite dirigente acelerou a desmoralização interna e enfraqueceu a percepção de viabilidade estratégica da continuação da guerra. Dessa forma, a derrota de Jonas Savimbi deve ser entendida como resultado da convergência entre fatores externos e internos. O fim da Guerra Fria, o fortalecimento militar do Estado angolano e a redução do apoio internacional criaram condições desfavoráveis à continuidade da luta armada; entretanto, foi a perda progressiva das principais lideranças diplomáticas, políticas e militares da UNITA que comprometeu a capacidade do movimento de responder eficazmente a essas transformações históricas. O colapso da organização não ocorreu apenas no campo de batalha, mas também na erosão gradual da sua coesão interna, da sua capacidade diplomática, da sua estrutura organizacional e da sua elite estratégica. Nesse sentido, a trajetória dessas figuras demonstra que a derrota final de Savimbi foi igualmente consequência da desintegração progressiva dos mecanismos políticos e militares que sustentaram a UNITA ao longo de quase três décadas de guerra civil em Angola. BIBLIOGRAFIA BRITTAIN, Victoria. Death of Dignity: Angola’s Civil War. London: Pluto Press, 1998. Obra fundamental para o estudo da guerra civil angolana, com análises sobre a diplomacia, as purgas internas e o impacto político da morte de Tito Chingunji no início da década de 1990. BRIDGLAND, Fred. Jonas Savimbi: A Key to Africa. Edinburgh: Mainstream Publishing, 1986. Biografia política e militar de escrita por jornalista que acompanhou diretamente a UNITA durante a guerra. A obra aborda a atuação internacional de Tito Chingunji e sua relevância diplomática durante a Guerra Fria. Relatórios publicados entre 1991 e 1992. Documentos sobre violações de direitos humanos, desaparecimentos e repressões políticas ligadas ao conflito angolano e às tensões internas da UNITA. Reportagens publicadas em 1992. Cobertura internacional das acusações relacionadas à morte de Tito Chingunji e às divisões internas da UNITA. MEREDITH, Martin. The Fate of Africa: A History of Fifty Years of Independence. New York: PublicAffairs, 2005. Estudo abrangente sobre os processos políticos africanos pós-coloniais, incluindo análises das divisões internas da UNITA e do papel desempenhado por Tony da Costa Fernandes na dimensão diplomática do movimento. BRITTAIN, Victoria. Death of Dignity: Angola’s Civil War. London: Pluto Press, 1998. Analisa a estrutura diplomática da UNITA e o papel de dirigentes responsáveis pela construção das relações internacionais do movimento. KANDANDA, Carlos. Estudos sobre a fundação da UNITA e o nacionalismo angolano. Trabalhos acadêmicos sobre os fundadores intelectuais e políticos da UNITA, incluindo discussões sobre organização partidária, nacionalismo e estrutura ideológica do movimento. OLIVEIRA, Ariel Rolim. Estudos sobre nacionalismo angolano e movimentos de libertação. Pesquisas voltadas à formação ideológica da UNITA e à sua atuação política durante a Guerra Fria. Essas fontes permitem compreender: • a cofundação e organização política da UNITA; • a construção diplomática internacional do movimento; • a relação entre Savimbi e os quadros intelectuais da organização; • as rupturas políticas internas ocorridas no final da Guerra Fria. Fontes Documentais Relatórios militares angolanos publicados após 2002. Documentos relativos à integração das forças militares da UNITA nas após o fim da guerra civil. The Military Balance. Publicação especializada em estudos estratégicos e militares, contendo informações sobre a estrutura militar angolana, o equilíbrio de forças durante a guerra civil e os processos de integração militar pós-conflito. Pesquisas voltadas às negociações militares entre o governo angolano e a UNITA após a morte de Jonas Savimbi em 22 de fevereiro de 2002. Pesquisas sobre reconciliação militar em Angola. Análises acadêmicas sobre desmobilização, integração de antigos combatentes e reorganização das estruturas militares angolanas após o encerramento da guerra civil. Fontes Gerais sobre a Guerra Civil STOCKWELL, John. In Search of Enemies: A CIA Story. New York: W.W. Norton & Company, 1978. Relato de um ex-agente da sobre o envolvimento norte-americano em Angola durante os primeiros anos da guerra civil. GLEIJESES, Piero. Visions of Freedom: Havana, Washington, Pretoria and the Struggle for Southern Africa, 1976–1991. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 2013. Uma das principais obras sobre o envolvimento dos Estados Unidos e da nos conflitos da África Austral durante a Guerra Fria. BRINKMAN, Inge. A War for People: Civilians, Mobility and Legitimacy in South-East Angola During the MPLA’s War for Independence. Köln: Rüdiger Köppe Verlag, 2005. Estudo sobre os impactos sociais da guerra em Angola e as relações entre populações civis e forças militares. PEARCE, Justin. Political Identity and Conflict in Central Angola, 1975–2002. Cambridge: Cambridge University Press, 2015. Pesquisa sobre identidade política, memória social e bases de apoio da UNITA nas regiões centrais de Angola. MESSIANT, Christine. Estudos sobre política angolana contemporânea, guerra civil e reconstrução do Estado angolano. A autora é uma das principais referências acadêmicas internacionais sobre Angola contemporânea, com extensa produção sobre o MPLA, a UNITA e as transformações políticas pós-independência. Documentos históricos do MPLA, UNITA. Arquivos diplomáticos portugueses, soviéticos, cubanos, sul-africanos e norte-americanos constituem fontes primárias fundamentais para o estudo da guerra civil angolana, das relações internacionais africanas e das dinâmicas da Guerra Fria em Angola. (*) Historiador e Pesquisador nas áreas de Ciências Políticas e Militares folha8

domingo, 10 de maio de 2026

Tshisekedi critica Kabila: "Ele foi o coveiro da nossa transição de poder."

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... O presidente congolês Félix Tshisekedi endureceu sua posição contra Joseph Kabila. Na quarta-feira, 6 de maio, durante uma coletiva de imprensa em…
O presidente congolês Félix Tshisekedi endureceu sua posição contra Joseph Kabila. Na quarta-feira, 6 de maio, durante uma coletiva de imprensa em Kinshasa, o chefe de Estado denunciou as ações de seu antecessor. Ele o acusou de trair a histórica transição de poder de 2019 ao recorrer à rebelião. "Uma verdadeira bagunça" para a transição de 2019. O presidente expressou, primeiramente, seu pesar pelo caminho escolhido por Joseph Kabila. Em seguida, lembrou que os dois homens haviam conseguido realizar a primeira transição pacífica de poder na República Democrática do Congo em quase 60 anos. Para Félix Tshisekedi, esse legado político não deveria ter sido destruído. Ele também acredita que a história agora se lembrará de Kabila por seu papel duplo: primeiro, como o arquiteto da transição democrática e, depois, como aquele que minou esse progresso. Ele lamenta ainda que Kabila "tenha pegado em armas contra o próprio país" ao entrar na clandestinidade. Tshisekedi justifica sanções dos EUA Félix Tshisekedi também apoia as sanções financeiras impostas por Washington contra o ex-presidente da RDC. O Departamento do Tesouro dos EUA está visando Joseph Kabila por seu suposto apoio aos rebeldes do M23. "Os americanos viram o que eu venho vendo há vários anos", afirmou Tshisekedi. Ele também alega ter provas desde o final de 2023. Segundo ele, a recusa da Frente Comum para o Congo (FCC) em participar das eleições de 2023 já ocultava um plano de desestabilização. O objetivo, continuou, era impedir a eleição e forçar um diálogo político. "Não pegarei em armas contra meu sucessor." Sem mencionar Kabila pelo nome, Tshisekedi lançou uma clara provocação. Prometeu colocar-se à disposição de seu sucessor após o término de seu mandato. Também descartou formalmente o uso de armas contra ele. Diversos analistas interpretam essa declaração como uma resposta direta a Joseph Kabila. O ex-presidente é, de fato, acusado por Kinshasa de apoiar o AFC/M23. Esse grupo armado ocupa Goma e Bukavu há vários meses. Kabila, além disso, foi condenado à morte pela justiça congolesa. Posse fracassada e quebra de confiança Félix Tshisekedi revelou posteriormente que havia convidado Kabila para sua posse para o segundo mandato. O ex-presidente não compareceu. Segundo Tshisekedi, ele deixou o país secretamente. Tshisekedi também ressalta que os dois costumavam se comunicar sobre seus deslocamentos. No entanto, essa prática foi interrompida. Contexto: Guerra no Leste e pressão sobre o mandato presidencial Esta conferência, no entanto, ocorre em um clima tenso. O leste da RDC permanece em guerra. Enquanto isso, Tshisekedi é suspeito pela oposição de estar se preparando para um terceiro mandato. O Artigo 220 da Constituição de 2006, porém, proíbe mais de dois mandatos de cinco anos. Por sua vez, Tshisekedi insinuou em 6 de maio uma possível revisão constitucional. O cenário político congolês não é nada animador. De acordo com o programa, as eleições estão previstas para 2028. Pouco mais de dois anos separam o país desses prazos, que já estão gerando muita discussão e debate. Guillaume Mavudila fonte: journaldekinshasa.com

Congo Kinshasa: “Golpe de Estado constitucional”: Martin Fayulu soa o alarme e promete desobediência popular em 2028.

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Kinshasa, sexta-feira, 8 de maio de 2026. Dirigindo-se a uma grande imprensa, Martin Fayulu não poupou palavras. Em uma sala atenta… Kinshasa, sexta-feira, 8 de maio de 2026. Dirigindo-se a uma grande imprensa, Martin Fayulu não poupou palavras. Diante de uma plateia atenta, o presidente do partido ECiDé denunciou o que chamou de "golpe de Estado constitucional". Segundo ele, o presidente Félix Tshisekedi está tentando mudar as regras do jogo político por meio de uma proposta de reforma constitucional e um referendo controverso. "Caros amigos da imprensa, convidei vocês aqui para denunciar o golpe de Estado que Félix Tshisekedi está orquestrando por meio de sua tentativa de alterar a Constituição e realizar um referendo", declarou o líder da oposição. Sem qualquer formalidade ou encenação especial, Fayulu fez um discurso agressivo. Ele afirmou seu desejo de impedir que o país mergulhe em uma grande crise institucional. Uma proposta de lei no centro da controvérsia O principal alvo de Martin Fayulu continua sendo uma proposta de lei para referendo, patrocinada pelo deputado Paul Gaspard Ngondankoy. Para alguns observadores, o texto parece puramente técnico. No entanto, o líder da oposição o vê como um verdadeiro "cavalo de Troia legal". Seu argumento se baseia em uma contradição que ele considera perigosa. Por um lado, o Artigo 6 reafirma a inviolabilidade dos Artigos 218 a 220 da Constituição. Essas disposições restringem, notadamente, o número e a duração dos mandatos presidenciais. Mas, por outro lado, os Artigos 87 a 90 introduzem um mecanismo ligado a uma potencial "disfunção grave". Segundo Fayulu, essa redação poderia permitir que os limites constitucionais atuais fossem contornados. Uma "porta dos fundos" para um terceiro mandato? Para o presidente da ECiDé, essas disposições abrem uma "porta dos fundos" para uma permanência prolongada no poder. "Não se mudam as regras do jogo no meio da partida. Não estamos apenas defendendo um texto, estamos defendendo a liberdade de expressão, estamos defendendo o Congo e estamos impedindo a balcanização do país", insistiu. O líder da oposição acredita que nenhum consenso político, nenhuma maioria parlamentar e nem mesmo um referendo popular justificariam o desafio aos artigos protegidos da Constituição. Fayulu acusa Tshisekedi de usar a guerra. Martín Fayulu também abordou a crise de segurança no leste da RDC. Há vários meses, a violência armada mergulhou a região dos Grandes Lagos em uma situação explosiva. No entanto, o líder da oposição vai além. Segundo ele, o governo está explorando essa guerra para preparar uma tomada de poder político. "Félix Tshisekedi está usando a guerra para perpetuar sua permanência no poder", disse ele a repórteres. "Félix Tshisekedi está usando a guerra para perpetuar sua permanência no poder", disse ele a repórteres. Em seguida, ele lançou uma pergunta capciosa: “Quem se beneficia com esta guerra?” Com essa pergunta, Fayulu sugere que o conflito poderia ser usado para justificar um possível adiamento das eleições gerais previstas para 2028. A memória ardente de janeiro de 2015 Para reforçar sua mensagem, Martin Fayulu relembrou um momento crucial da história política congolesa: os protestos de janeiro de 2015. Na época, a população se mobilizou contra uma reforma da lei eleitoral percebida como favorável a Joseph Kabila. Por fim, sob pressão popular, o Senado recuou. Hoje, o líder da oposição espera ver o mesmo cenário se repetir. Ele está pedindo aos membros do parlamento que “simplesmente” removam os artigos 87 a 90 do texto contestado. Além disso, Fayulu acredita que os proponentes desse projeto de lei devem ser responsabilizados por seus atos perante os tribunais. Uma mensagem clara para as eleições de 2028 Ao final de sua coletiva de imprensa, Martín Fayulu estabeleceu um objetivo político claro: as eleições presidenciais de 2028. Falando em uma mistura de francês e kikongo, ele fez um alerta direto ao chefe de Estado: “O povo me deu uma missão clara: ‘alinga alinga te, ako kende en 2028’”, que significa: “quer ele queira ou não, ele terá que sair em 2028”. Essa declaração agora confere ao debate uma dimensão nacional. Por trás das discussões jurídicas e dos artigos de lei, muitos enxergam uma batalha decisiva pelo futuro da democracia congolesa. Entre os defensores da reforma institucional e os defensores da ordem constitucional vigente, o cabo de guerra político está apenas começando. fonte: journaldekinshasa.com

Inundações e condições insalubres na Guiné-Conacri: O Presidente Mamadi Doumbouya quer evitar o pior este ano.

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Com a aproximação da estação chuvosa, o Presidente Mamadi Doumbouya alertou para as crescentes condições insalubres em vários bairros de Conacri. Após constatar a extensão do lixo e a falta de responsabilidade cívica durante inspeções discretas pela capital, o Chefe de Estado ordenou a mobilização imediata das autoridades competentes para prevenir riscos à saúde e inundações durante a estação chuvosa. Segundo o porta-voz do governo, Ousmane Gaoual Diallo, foi durante essas inspeções particulares em veículos descaracterizados pela capital que o Chefe de Estado observou com “profunda preocupação” a deterioração de diversos bairros de Conacri. Ele destacou dois indicadores alarmantes: condições insalubres generalizadas, caracterizadas por lixões a céu aberto e mercados praticamente inacessíveis devido ao acúmulo de resíduos, além de uma clara falta de responsabilidade cívica. O Presidente da República descreveu essa situação como “inaceitável”, enfatizando que “representa um risco real à saúde pública com a aproximação da estação chuvosa”. O Presidente Mamadi Doumbouya instruiu o Ministro do Saneamento, em sua qualidade de autoridade máxima, a “mobilizar sem demora todas as entidades relevantes, incluindo as forças de segurança e o exército nacional, para dar uma resposta concreta e rápida a essa situação”. Vale lembrar que a estação chuvosa deste ano causou enormes perdas de vidas devido a inundações e danos materiais significativos tanto na capital, Conacri, quanto no interior do país. fonte: guinee360.com

GUINÉ-CONACRI: Exames nacionais de 2026 - Mamadi Doumbouya exige o fim das "disfunções".

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Durante a sessão ordinária do Conselho de Ministros realizada na quinta-feira, 8 de maio de 2026, o Presidente do Governo de Transição emitiu novas diretrizes relativas à organização dos exames nacionais. Referindo-se às perturbações ocorridas durante os exames de conclusão do ensino secundário de 2025, em particular ao adiamento de algumas provas, o Chefe de Estado instruiu os ministérios competentes a tomarem todas as medidas necessárias para garantir o bom andamento das próximas avaliações nacionais. Segundo o relatório oficial, ele lembrou que o ano anterior havia sido marcado por "falhas que levaram a adiamentos e perturbaram a tranquilidade dos candidatos". Assim, advertiu que "não toleraria a repetição de tais incidentes". O presidente também enfatizou a necessidade de agilizar a correção das provas e de considerar seriamente a possibilidade de organizar sessões de recuperação, especialmente para os candidatos ao ensino médio. Por meio dessas diretrizes, o chefe de Estado pretende promover uma cultura de mérito e excelência no sistema educacional guineense. fonte: guinee360.com

GUIN´-CONACRI: Servidores públicos - Salários de 652 funcionários congelados temporariamente, e os motivos...

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CONACRI – Comprometida com a simplificação e o aprimoramento da confiabilidade do Arquivo Único de Gestão Administrativa e Folha de Pagamento (FUGAS), a Ministra da Modernização Administrativa e do Serviço Público está acelerando o processo. Nesse contexto, anunciou que uma série de auditorias identificou 652 servidores públicos com situações administrativas irregulares. Segundo informações, essas irregularidades dizem respeito principalmente a discrepâncias relacionadas a informações de residência. “Os servidores afetados receberão comunicados a respeito. Essa iniciativa faz parte do nosso compromisso em fortalecer a transparência e a confiabilidade do banco de dados do serviço público, bem como a qualidade da gestão de recursos humanos no Estado”, afirmou Faya François Bourouno. Para salvaguardar a integridade do sistema, a Ministra da Modernização Administrativa e do Serviço Público anunciou a criação de uma comissão de auditoria sob a autoridade do Diretor-Geral do Serviço Público. Operacional a partir de terça-feira, 5 de abril de 2026, esta comissão terá como atribuições: Analisar individualmente as situações em questão, Realizar as verificações necessárias e, quando aplicável, Regularizar os processos irregulares. Para corrigir essas anomalias, os funcionários em questão devem entrar em contato com o chefe de seu departamento de recursos humanos e fornecer, até 5 de maio de 2026, todos os documentos comprobatórios necessários para verificar sua situação administrativa. “Enquanto essas verificações não forem concluídas, e a fim de preservar a integridade do sistema, os salários dos funcionários em questão serão temporariamente suspensos e constarão como “Verificação de Anomalia” em seus contracheques. Essa suspensão é uma medida de precaução prevista pela legislação vigente”, explica o Ministro Bourouno, assegurando que essa operação faz parte de um processo de “boa governança, equidade e justiça administrativa”, no melhor interesse da administração pública. Continua! Africaguinee.com

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Trump contra o Papa: Que Resta aos Católicos Fazer? Mundo.

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Grande ironia do destino aos católicos de direita agora, é que permanecer ao lado do Papa diante desses ataques sujos de Trump significa, enfim, abraçar valores progressistas. Em sua jornada de dez dias por quatro países africanos, o Papa Leão XIV discursou ontem (16) na Catedral de São José da cidade de Bamenda, em Camarões, declarando que “o mundo está sendo devastado por um punhado de tiranos, mas se mantém unido por uma multidão de irmãos e irmãs que se apoiam mutuamente”. Isto, em clara alusão ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A catedral localiza-se em um terreno doado pelo povo Mankon, centro de um conflito separatista que já matou mais de 6 mil camaroneses e deslocou mais de 600 mil desde 2017. O discurso do Papa em Camarões torna-se ainda mais significativo, levando-se em consideração que para aprovar a recente resolução das Nações Unidas (ONU) que reconhece a escravidão de africanos durante o tráfico transatlântico como “o crime mais grave contra a humanidade”, votaram contra exatamente os maiores ¨libertários¨ da extrema-direita atual: Trump, Javier Milei e Benjamin Netanyahu. Inversão de Papéis Desde que Francisco II assumiu o Papado em março de 2013 declarando-se abertamente de esquerda, a vasta maioria dos católicos de direita ignorou a cosmovisão de seu maior líder. Tanto por parte de lideranças locais, começando pelos padres, em seus sermões com conteúdo político, muitas vezes sutil, a favor da direita, demonizando ideias progressistas e “certas ideologias”, quanto pelas massas católicas, pressionando, humilhando e, em muitos casos, massacrando psicologicamente setores progressistas, até mesmo dentro da Igreja. Tem sido assustador, ao longo destes anos, escutar padres nas missas abordando tanto “certas ideologias” enquanto deveriam, mais que tudo, inculcar aos fiéis o respeito às diferenças. A intolerância e o ódio são os piores males do mundo. Para nem se entrar no mérito das ideologias e visões de mundo, abordando a realidade inconteste do sistema capitalista neoliberal, que permite privilégios, domínio de uns sobre outros, e daí toda a sorte de injustiça social, e conflitos e guerras. Os apelos sacerdotais, em plena missa, deveriam ter início neste ponto ao invés de ¨jogar mais lenha na fogueira¨ do ódio às diferenças. Para nem se mencionar que as próprias autoridades duas máximas desta mesma igreja, Francisco II e Leão XIV, foi e é progressista. Guerra ´Libertária´ contra o Papa Pois agora o Papa Leão XIV, sucessor de Francisco II, é pública e forte vítima, exatamente, da intolerância, do ódio, e da tentativa de domínio de um grupo de poder sobre seu Papado. Por opor-se veementemente às deportações cruéis de imigrantes indocumentados impostas pelo regime de Donald Trump, na vasta maioria dos casos sem nenhum antecedente penal, e às guerras de agressão do presidente dos Estados Unidos em aliança com seu amo de sempre, o nazissionismo. Entre ataques e ameaças diretas do regime de Trump ao Papa Leão nos últimos dias, mais recentemente o secretário de Guerra dos Estados Unidos simplesmente usou a Bíblia para tentar justificar os ataques militares dos Estados Unidos que violam todas as leis internacionais, inclusive as próprias leis de guerra justa. Ao que o Papa responder que pare de manipular a Bíblia para fins políticos, econômicos e militares. Semanas atrás, em plena Páscoa o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, afirmou que a campanha militar dos EUA em aliança com Israel contra o Irã, não atende aos critérios morais da Igreja. Antes, o Papa havia dito que o programa de deportação de Trump representa “um profundo fracasso moral”. Em meio a esta ¨guerra libertária” da direita americana contra o Vaticano, vem à tona que o mesmo regime de Trump, em seu primeiro mandato através de Steve Bannon, conspirou com o megapedófilo preferido do Mossad e das elites estadunidenses, a derrubada do Papa Francisco. Para impor-se com ideias elitistas sobre diferenças ideológicas, dentro e fora da instituição religiosa, o universo católico construiu mentiras em muitos casos covardes contra os visionários de esquerda, inclusive católicos. Sem nenhuma mudança nesta postura nos últimos 13 anos, desde que Francisco assumiu a liderança do Vaticano. Pessoalmente, nas igrejas ou fora delas os católicos de direita permanecem calados diante disso tudo, o que não é verdade quanto se trata de atacar diferenças de ideias e políticas sociais. Mesmo nas redes soiais onde as pessoas costumam ser mais ¨expressivas¨, observa-se católicos de direita louvando Viktor Orbán, primeiro-ministro húngaro de extrema-direita, por manifestação contrária ao governo israelense que impediu que determinado sacerdote visitasse o Santo Sepulcro na Basílica de Jerusalém. E um casso do Tenessee nos EUA, onde os moradores substituíram o mês de junho como do ¨orgulho LGBT¨ pelo da família tradicional, impedindo os primeiros de manifestar-se nas ruas. Postam alegremente circunstancias deste aspecto, enquanto milhares de criancas iranianas estao morrendo, vítimas de um dos mais graves bombardeios das últimas décadas – por um presidente de extrema-direita. Enquanto o Vatinano tem sido objeto de ataques e ameacas por parte deste mesmo regime. A bem-conhecida, descaradamente contraditória indignação seletiva da direita, da qual não costumam excluir-se os religiosos mais fervorosos. Católicos de Todo o Mundo: Uni-Vos? Grande parte da Igreja segue absolutamente calada diante das agressões verbais e ameaças que Leão XIV vem sofrendo. Inerte diante de uma situação em que não há como manter-se neutro. Pela representatividade de Leão XIV para a Igreja, e pela própria insistência em que a Igreja tem se manifestado sobre “certas ideologias” ao longo do tempo. É no mínimo um rotundo contrasssenso ao católico, permanecer omisso agora. Quem cala consente, e o remorso da consciência é indecente. Assim, quem permanece conscientemente no erro terá, se o destino for-lhe muito generoso, o purgatório moral como sombra eterna, ou até que se regenere. A grande ironia do destino aos seguidores da Igreja Católica agora, é que permanecer ao lado do Papa nesta guerra suja dos capitalistas neoliberais dos Estados Unidos, significa, enfim, abraçar valores progressistas. Ou pelo menos, estar ao lado de um progressista opondo-se aos ataques da direita, reconhecendo-os como desonestos e covardes. Ou na contramão disso tudo e da fé que se diz professar, aceitar, ainda que implicitamente, que a tentativa de Trump de se impor como Jesus Cristo no imaginário cristão, a qual antecede sua postagem dias atrás em Truth Social travestido de Cordeiro Santo Salvador da Humanidade, seja exitosa. Edu Montesanti fonte: pravda.ru

Regime Americano Espiona Santa Sé do Papa Leão.

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O Vaticano tem sido alvo da inteligência dos Estados Unidos, segundo jornalista investigativo americano. Revelação também atualiza o trabalho de Snowden e Assange, hoje fora de contexto pela mídia global. Ken Klippenstein, jornalista americano com histórico de vazamentos de informações do FBI, publicou reportagem no último dia 23 confirmando que as agências de inteligência dos EUA espionam o Vaticano há anos. e que o ataque do presidente Donald Trump ao Papa Leão XIV em 12 de abril em sua conta na Truth Social, qualificando o pontífice de ¨terrível em política externa, FRACO no combate ao crime, e péssimo para a política externa” em menção às críticas do Papa à guerra de agressão ao Irã¨, transformou essa vigilância em prioridade operacional do regime americano. ¨A guerra de Trump contra o Papa inclui capa e punhal¨, escreveu Kippenstein, referindo-se à crueldade dos ataques de Washington, na abertura da publicação investigativa que expõe mais uma vergonha criminosa do regime de extrema-direita estadunidense. ¨Isso acontece há anos, segundo fontes¨, acrescentou o jornalista. “Não quero um Papa que critique o presidente dos Estados Unidos”, Trump em Truth Social Revelando ainda que ¨a CIA tem espiões infiltrados na burocracia da Santa Sé. NSA (Agência de Segurança Nacional, na sigla em ingês, parte da comunidade de inteligência americana) e CIA buscam interceptar telecomunicações, e-mails e mensagens de texto. O FBI investiga crimes cometidos contra e pelo Vaticano. O Departamento de Estado acompanha de perto os meandros da diplomacia e da política papal. Todas essas agências mantêm contato com os próprios órgãos de política externa, inteligência e segurança pública do Vaticano¨. De acordo com a investigação, o Departamento de Estado distribui internamente um resumo diário de notícias do Vaticano. E quando Trump declarou Leão “péssimo em política externa”, observou Klippenstein, “a comunidade de inteligência dos EUA interpretou as declarações do presidente como uma diretriz para priorizar a espionagem do Vaticano”. Klippenstein aborda esta vigilância dentro de uma ampla parceria, descrevendo “uma relação de longa data — e discretamente extensa — entre o aparato de segurança nacional dos EUA e o Vaticano”, Algo que, segundo o investigador, “envolve uma genuína cooperação diplomática, policial e até mesmo em segurança cibernética, servindo tanto como cooperação genuína quanto cobertura para coleta de informações”. Documentos do FBI obtidos por ele mostram que o primeiro governo Trump buscou coordenação com autoridades italianas e do Vaticano em questões de segurança cibernética, crimes de colarinho branco, tráfico de pessoas e roubo de obras arte, com o FBI ajudando a Santa Sé a frustrar invasões cibernéticas além de fornecer informações sobre ameaças ao Papa durante viagens ao exterior. Como Klippenstein observa na reportagem, o Papa Leão já previa este tipo de ação pela Casa Branca. Em dezembro do ano passado, em discurso para liderança das agências de inteligência italianas que quase nenhum veículo de imprensa americano cobriu, o novo pontífice denunciou o abuso de maneira direta. “Em vários países”, disse o Papa, “a Igreja é vítima de serviços de inteligência que agem com objetivos nefastos, reprimindo sua liberdade”. Ele pediu “rigorosa vigilância” para garantir que “informações confidenciais não sejam usadas para intimidar, manipular, chantagear ou desacreditar políticos, jornalistas ou outros atores da sociedade civil”. Em janeiro deste ano, o subsecretário da Defesa americana Elbridge Colby simplesmente intimou o cardeal francês Christophe Pierre, diplomata do Vaticano nos EUA, para comparecer ao Pentágono. Sobre esta reunião a portas fechadas, descrita por pessoas de dentro do Departameno de Guerra americano como ¨tensa¨, o cronista do Papa Leão XIV, Christopher Hale, afirmou que o Pentágono ameaçou declarar guerra ao Vaticano. Tratando o primeiro papa nascido nos Estados Unidos como inimigo de Estado, por suas opiniões. ¨Os Estados Unidos têm poder militar para fazer o que quiser no mundo, e a Igreja Católica faria bem em ficar do seu lado¨, foi dito ao diplomata do Papa no Departamento de Guerra americano. Naquela reunião, segundo fontes, a equipe de Colby analisou minuciosamente o discurso de Leão XIV em janeiro sobre o estado do mundo, linha por linha, interpretando-o como mensagem hostil dirigida diretamente ao presidente Donald Trump. Hale disse que o que “mais os enfureceu” o regime de Trump, foi a declaração do Papa de que “uma diplomacia que promove o diálogo e busca o consenso entre todas as partes, está sendo substituída por uma diplomacia baseada na força”. “O Pentágono interpretou essa frase como um desafio frontal à chamada ‘Doutrina Donroe’ — a atualização de Trump da Doutrina Monroe, que afirma o domínio americano incontestável sobre o Hemisfério Ocidental”, disse Hale. Um oficial americano presente na reunião da Força Militar com o representante da Santa Sé, mencionou – obviamente em tom de ameaça – o papado de Avinhão, período do século XIV em que a monarquia francesa subjugou a Igreja Católica ordenando um ataque ao Papa Bonifácio VIII, levando à sua queda e subsequente morte, obrigando o papado a mudar-se de Roma para Avinhão, região da França. Normalmente, em qualquer lugar do mundo quando um Estado se vê em diferenças com outro, o diplomata é convocado para pronuncia-ser no ministério de Relações Exteriores do país onde atua como representante diplomático. O fato de que o diplomata do Vaticano, Estado religioso sem exército, tenha sido intimado pela sede de força militar dos EUA, e que o chefe de Estado americano qualifique o pontífice de Roma como ameaça aos interesses de seu país, não tem precedentes na história dos Estados Unidos. Tudo se torna mais grave considerando que esta pressão do regime de Washington sobre o Vaticano, deve-se a manifestações do Papa – e declarações em favor da paz mundial, contra ações militares unilaterais e agressivas por parte de um Estado. No caso particular da guerra dos EUA contra o Irã, viola não apenas as leis internacionais como também a própria Constituição americana. E o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro com a esposa Cilia Flores, ambos retirados à força sob armas e bombas pelas forcas militares americanas de dentro de sua residência em Caracas enquanto dormiam, também configurou ferimento frontal às leis, americanas e internacionais. Para um papa que classificou a guerra ao Irã de injusta e exigiu que o bem do povo venezuelano “prevaleça sobre qualquer outra consideração”, na visão da Casa Branca é um problema a ser administrado pela inteligência americana, e seu Departamento de Guerra. Com esta pressão para que uma instituição religiosa alinhe-se aos objetivos de seu governo, Trump fere as relações entre Estado e Igreja: a coerção agora indica substituir a diplomacia. Assustado com esta situação, o Papa já adiantou sua recusa para participar das comemorações pelo 250º aniversário do Estado americano independente, no próximo dia 4 de julho. A atual guerra de Trump no Oriente Médio é ilegal, tanto quanto foi o sequestro de Maduro, por dois motivos. Começando pelo unilateralismo: constitucionalmente, o presidente americano deve submeter ao Congresso qualquer ação militar. E corresponde apenas ao Congresso declarar guerra. O que também deve, posteriormente, ser aprovado pelo Conselho de Seguranca da ONU. Outro ponto crítico é que as ações militares deste ano dos EUA, tanto no Ira quanto na Venezuela não foram defensivas, isto é, o país não foi atacado por nenhum Estado. Isto é também requisito legal, dentro e fora dos EUA, para que se declare guerra. Pois somando-se à intimação do Departamento de Guerra ao Embaixador do Vaticano nos EUA e à espionagem americana na Santa Sé a guerra no Oriente Médio iniciada em 28 de fevereiro, mais o sequestro presidencial venezuelano no último dia 3 de janeiro, em poucos meses tem havido um retrocesso sem precedentes também nas relações internacionais em quase 400 anos, desde a Paz de Westfália que, assinada em 1648 encerrando a Guerra dos Trinta Anos entre Estados europeus, é considerada marco na diplomacia global. O que já havia sido acentuadamente executado pelo então presidente americano George W. Bush (2001-2009), através das ocupações de Afeganistão e, principalmente, Iraque. Inegavelmente superado agora por Donald Trump. Um regime que indica não encontrar limites ao violar leis e tomar ações militares ilegais de maneira tão aberta, que nem sequer Adolf Hitler ousou fazer. Já a espionagem ao Vaticano em si tendo como alvo principal o Papa, atualiza as revelações de Edward Snowden, ex-agente da CIA e da NSA, e do jornalista australiano Julian Assange, fundador de WikiLeaks. Esquecidas pela mídia global, tais denúncias não podem estar de fora do contexto do noticiário e das análises internacionais. Fato uma vez mais comprovado agora. fonte: pravda.ru

NA ÁFRICA: Medidas ousadas são necessárias.

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Um navio à deriva! É o mínimo que se pode dizer sobre o MV Hondius, nome desta embarcação encalhada no Atlântico. Deveria atracar em Cabo Verde, mas foi impedida. Porquê? Porque há três pessoas a bordo suspeitas de portarem o hantavírus. Talvez, enquanto lê estas linhas, estes três casos suspeitos já tenham sido evacuados, permitindo que o navio continue a sua viagem rumo às Ilhas Canárias, onde deverá chegar dentro de alguns dias. Mas o que é exatamente o hantavírus, nome dado a esta doença que espalha o terror? Trata-se, na verdade, de uma doença que surgiu pela primeira vez na década de 1970 perto do rio Hantan, na fronteira entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. A transmissão do hantavírus de pessoa para pessoa é rara, mas a situação pode ter mudado devido às várias mutações do vírus. O vírus foi isolado de um pequeno roedor (o rato-do-campo) depois de causar febre hemorrágica grave em mais de 3.000 soldados durante a Guerra da Coreia. A transmissão para humanos ocorre principalmente pela urina, fezes ou saliva de roedores infectados, e não de pessoa para pessoa. Se o hantavírus não é tão contagioso quanto o Ebola e a COVID-19, por que causa tanto medo? Essa é a pergunta que muitos fazem, dada a crescente preocupação global. De fato, a Organização Mundial da Saúde (OMS), após a morte de três pessoas a bordo do navio, está sendo muito cautelosa e não descarta a transmissão de pessoa para pessoa neste momento. Ao fazer isso, a OMS está cumprindo seu papel. Ela prefere tomar a iniciativa de se preparar para qualquer eventualidade, especialmente porque se trata de uma questão de vida ou morte. Embora seja verdade que a transmissão do hantavírus de pessoa para pessoa seja rara, a situação pode ter mudado devido às diversas mutações do vírus. Já vimos isso acontecer com outras doenças virais que quase fizeram pesquisadores e cientistas duvidarem de suas hipóteses. De qualquer forma, como diz o ditado, em tempos desesperados, medidas desesperadas são necessárias. Tendo sofrido com o Ebola e a COVID-19, o mundo todo sabe o que esperar. Não se deve negligenciar nenhuma doença, especialmente porque o hantavírus já mostrou sua face mortal, ceifando diversas vidas. Portanto, é compreensível que o continente africano também esteja começando a agir. De fato, assim que os primeiros casos confirmados surgiram em Cabo Verde, muitos países tomaram a iniciativa, ativando seus planos de resposta epidemiológica. É o caso, por exemplo, da África do Sul e da Costa do Marfim, para citar apenas dois exemplos, que soaram o alarme tomando as medidas necessárias para combater uma possível chegada do hantavírus em seus territórios. Isso é totalmente louvável. Dada a urgência da situação, medidas ousadas são essenciais se não quisermos ter que agir como médicos depois que o problema já aconteceu. Considerando o perigo iminente, os líderes devem se munir dos recursos necessários para salvar o que é mais importante. Em todo caso, é por meio do esforço conjunto de todos que a humanidade, se não for capaz de erradicar completamente o hantavírus, poderá reduzi-lo ao mínimo. Isso é do interesse de todos. Entre outras medidas a serem tomadas, além de vedar as casas e armazenar os alimentos em recipientes herméticos para protegê-los de roedores, é necessário garantir a limpeza dos excrementos e a erradicação dos roedores de espaços fechados. O cumprimento rigoroso dessas medidas depende em grande parte dos líderes que, diante do perigo iminente, devem tomar as providências necessárias para salvar o essencial. lepays.bf

DISSOLUÇÃO DO CEI NA COSTA DO MARFIM: Esperemos que o elefante prometido não chegue com a pata quebrada!

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Criada em 2001, a Comissão Eleitoral Independente (CEI) da Costa do Marfim foi dissolvida em 6 de maio de 2026 pelo Conselho de Ministros, após um quarto de século de funcionamento. Durante vinte e cinco anos, a instituição responsável pela regulamentação das eleições às margens da Lagoa Ebrié esteve regularmente no centro de controvérsias. De fato, alvo de muitas críticas, foi acusada, com ou sem razão, de parcialidade em favor das figuras poderosas da época. E, dadas as crises recorrentes que testemunhou, é preciso reconhecer que a instituição eleitoral também se mostrou vulnerável em alguns momentos, pecando por uma certa falta de independência que, em grande parte, fundamentou as reservas de seus detratores quanto à sua capacidade de garantir eleições justas, transparentes e inclusivas. A criação da nova estrutura deve visar o melhor interesse da Costa do Marfim. Isso demonstra que, na prática, a Comissão Eleitoral Independente (CEI) ficou muito aquém de sua missão, que visava primordialmente construir confiança entre os atores políticos e os cidadãos no processo eleitoral. Como poderia ser diferente, considerando todos os conflitos internos e críticas que enfrentou? E como dava a impressão de ser uma ferramenta a serviço dos diversos regimes que detiveram o poder na Costa do Marfim, a ponto de sua neutralidade se tornar questionável. Ainda assim, sua dissolução é unanimemente saudada pela classe política, pois era essencial para que a Costa do Marfim recomeçasse. Essa dissolução marca o início de um novo capítulo na história do país. Em um país onde as eleições sempre foram permeadas pelo medo devido à violência que frequentemente desencadeiam, o estabelecimento de um novo mecanismo de regulação eleitoral é, ainda mais, uma responsabilidade coletiva da classe política marfinense, visto que esse processo tem implicações para a transparência e, sobretudo, para a credibilidade das eleições futuras. Por isso, aguardamos para ver como o novo mecanismo de gestão eleitoral será implementado, e especialmente qual será seu formato e suas atribuições. Isso é ainda mais importante porque, embora a reforma do sistema eleitoral vise virar a página das disputas passadas, os riscos não são menos significativos em um contexto em que muitas partes interessadas questionam a estrutura do novo órgão que substituirá a Comissão Eleitoral Independente (CEI). Esperemos que a tão aguardada reforma não chegue com problemas! Porque a mudança não deve ser por si só, mas sim um passo em direção à excelência. E a implementação da nova estrutura deve ser do melhor interesse da Costa do Marfim, garantindo a governança justa do processo eleitoral. Não deve ser baseada em cálculos políticos que visem servir a interesses partidários. Em suma, existem perigos inerentes a esse desejo de mudança. Mas a nova estrutura não pode ser pior que a anterior. Tudo indica que o momento desta decisão está longe de ser acidental. Portanto, devemos ter cuidado para não trocar a peste pela cólera! Porque, no contexto da Costa do Marfim, onde as rivalidades políticas permanecem profundamente enraizadas e os atores políticos têm uma forte tendência a buscar vantagens pessoais, a implementação deste novo mecanismo, que visa a se sobrepor às disputas e manter a imparcialidade entre as facções políticas, não será fácil. O objetivo é evitar a repetição dos mesmos erros e, consequentemente, as mesmas críticas. Essas críticas têm sido, muitas vezes, a raiz das tensões eleitorais que testemunhamos, com a violência destrutiva que as acompanha, em uma Costa do Marfim onde os atores políticos tendem a guardar rancor e onde a confiança não é exatamente generalizada. Nessas circunstâncias, tudo indica que, longe de ser um mal menor, um possível retorno ao antigo sistema, em que as eleições eram organizadas diretamente pelo Ministério do Interior, poderia ser percebido como um retrocesso. De qualquer forma, estamos torcendo para que a Costa do Marfim supere com sucesso esse novo desafio. Porque tudo indica que o momento desta decisão está longe de ser uma coincidência. fonte: lepays.bf

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