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segunda-feira, 12 de julho de 2021

Costa do Marfim: os dois ex-presidentes Bédié e Gbagbo reconciliados na oposição.

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Neste fim de semana de 10 e 11 de julho, o ex-presidente da Costa do Marfim Laurent Gbagbo visitou seu pai, Henri Konan Bédié, também ex-presidente da Costa do Marfim, que se juntou à oposição desde 2018.

Antigos adversários políticos, as duas figuras da vida política da Costa do Marfim, por sua vez, se agradeceram e se parabenizaram, e mostraram sua nova cumplicidade. Correndo juntos em um 4x4 para visitar as plantações do chefe do PDCI em Bédiékro, na região de Daoukro, os dois homens se abraçaram e agora se consideram "irmãos". Cada um falando durante estes dois dias, Laurent Gbagbo e Henri Konan Bédié, assumindo sua oposição ao poder local, pediram que se repensasse o processo de reconciliação nacional.

Em uma declaração conjunta, seus respectivos partidos políticos reivindicam "a necessidade urgente de trabalhar pelo retorno de uma paz definitiva e duradoura na Costa do Marfim".

Com a força dessa nova aliança, Henri Konan Bédié lançou um apelo de seu acampamento natal, sem traçar claramente seus contornos: “Devemos iniciar um grande projeto para reconstruir nosso país. Este grande projeto passa necessariamente pela implementação de um verdadeiro projeto de reconciliação, através de um diálogo nacional inclusivo. "

Um poderoso aliado

Decididamente comprometido contra o polêmico terceiro mandato do presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouatarra, Henri Konan Bédié encontrou em Laurent Gbagbo um poderoso aliado. O presidente da FPI-Gor denunciou a Daoukro aqueles que não respeitam "o que está escrito". "Porque na África temos um problema", ele perdeu a paciência. Escrevemos o texto, amassamos e jogamos fora. "

Mas na Costa do Marfim, as alianças são feitas e quebradas rapidamente de acordo com os interesses políticos do momento. Os ativistas sabem disso e alguns se preocupam, como este simpatizante do FPI: “Você começa com uma aliança e depois se torna outra coisa. São as populações que pagam o preço! "

Laurent Gbagbo repetiu várias vezes que iria "falar" nas próximas semanas, durante um comício político, enquanto Henri Konan Bédié, que se manteve vago sobre suas intenções, indicou que "em breve definiria [seu] projeto de reconciliação para apresentar para toda a nação ”.

fonte: seneweb.com

A História das Invenções Chinesas. O Presente e o Futuro. As Inovações Recentes do Desenvolvimento Tecnológico Chinês 04.07.2021.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

                                    A História das Invenções Chinesas. O Presente e o Futuro. As Inovações Recentes
                                       do Desenvolvimento Tecnológico Chinês


Por Larry Romanoff, 2 de julho de 2021

A China, como nação, tem o mais longo e, de longe, o mais vasto registo de invenções na História Mundial. Estima-se agora de forma fiável que mais de 60% de todo o conhecimento existente no mundo actual teve origem na China, um facto varrido para debaixo do tapete pelo Ocidente.

Joseph Needham, um Bioquímico britânico, Historiador Científico e Professor na Universidade de Cambridge, é amplamente classificado como um dos intelectuais mais destacados do século XX. Os estudantes chineses de visita a Cambridge informaram-no, repetidamente, de que os métodos e as descobertas  científicas ocidentais discutidos nas suas aulas tiveram,há séculos, origem na China. Needham ficou tão intrigado que se tornou totalmente fluente na língua chinesa, tendo depois viajado para a China a fim de  investigar. Descobriu inúmeras provas da verdade dessas alegações e decidiu permanecer na China para escrever um livro a fim de documentar o que considerava ser uma descoberta de grande importância para o mundo. Needham nunca completou a sua tarefa de catalogar a História da invenção chinesa. O seu único livro tornou-se em 26 livros e morreu em 1995, com o seu trabalho ainda hoje a ser continuado pelos seus alunos. O resumo da obra de Needham, elaborado por Robert Temple,  é uma boa introdução a este tópico. (1)

Ensinaram-nos na escola que a prensa de impressão de caracteres tipográficos móveis foi inventada na Alemanha por Johannes Gutenberg por volta do ano 1550. De maneira nenhuma. A China não só inventou o papel, como também a prensa de impressão com um conjunto de tipos gráficos móveis, que era de uso comum na China 1.000 anos antes do nascimente de Gutenberg. Foi-nos igualmente explicado, de forma precisa, que o inglês James Watt inventou a máquina a vapor. Não, não inventou. Os motores a vapor eram utilizados largamente, na China, 600 anos antes do nascimento de Watt. Existem textos e desenhos antigos datados para ilustrar e provar que os chineses descobriram e documentaram o "Triângulo de Pascal", 600 anos antes de Pascal o copiar, e os chineses enunciaram a Primeira Lei do Movimento, de Newton, 2.000 anos antes de Newton.

Aplica-se o mesmo a milhares de invenções que o Ocidente afirma agora como sendo suas, mas onde existe documentação conclusiva para provar que tiveram origem na China centenas e, por vezes, milhares de anos antes do Ocidente as ter copiado. Não é sem razão que Marco Polo é descrito na China como "o grande ladrão da Europa". Os parágrafos seguintes são adaptados principalmente a partir da informação contida no livro de Robert Temple, que recomendo vivamente. (1)

Os chineses inventaram o sistema de número decimal, fracções decimais, números negativos e o zero, tão longe no passado, que a origem se perde na névoa do tempo. Os chineses rastrearam manchas solares e cometas com tal pormenor e precisão que estes registos antigos ainda hoje são utilizados como base para a sua previsão e observação. Os chineses perfuravam o solo para obter gás natural há cerca de 2.500 anos, poços com 4.800 pés de profundidade, com condutas de bambu para conduzir o gás às cidades vizinhas. Os chineses foram pioneiros na exploração e utilização do carvão muito antes de este ser conhecido no Ocidente. Marco Polo e os comerciantes árabes maravilharam-se com a "pedra negra" que os chineses extraíam do solo, que ardia lentamente durante uma noite inteira.   

A China imprimiu papel-moeda desde há quase 1.500 anos, feito de forma a evitar a contrafacção. Papel de embrulho, guardanapos de papel e papel higiénico eram todos de uso geral na China 2.000 anos antes de o Ocidente os poder produzir. Foram os primeiros a inventar e a desenvolver um relógio mecânico completo com uma verdadeira peça de sincronização, muitos séculos antes dos suíços o terem feito. Os chineses inventaram um sismógrafo engenhoso ainda em uso, que determina não só a gravidade como também a direcção e distância dos terramotos. Os chineses inventaram os balões de ar quente, o pára-quedas, o voo tripulado com papagaios, o carrinho de mão e os fósforos. Inventaram laboratórios hermeticamente selados para experiências científicas. Inventaram os accionamentos por correia e corrente, o vapor de rodas de pás, o rotor e a hélice do helicóptero, a ponte sustentada por arcos. Inventaram a utilização de bombas de água e correntes, a manivela, todos os métodos de construção de pontes suspensas, pinças deslizantes, o carretel de pesca, projecção de imagens, lanternas mágicas, o sistema de suspensão por cardan. A China não só inventou as rodas giratórias, as máquinas de cardar e os teares, como foi o líder mundial em inovações técnicas no fabrico de têxteis, mais de 700 anos antes da revolução têxtil britânica do século XVIII.

A perícia chinesa em porcelana fina estava tão avançada há milénios, que ainda hoje se admite que a sua capacidade nunca foi igualada no Ocidente, muito menos ultrapassada. Os chineses descobriram não só o magnetismo, mas também a remanência magnética e a indução, bem como a bússola. Inventaram a pólvora, as bombas de fumo, o canhão, a besta, a armadura corporal revestida, os fogos de artifício, os lança-chamas, as granadas, as minas terrestres e marítimas, os foguetes multi-estágio, os morteiros e as armas de repetição. A China tinha canais de irrigação que também eram utilizados para o transporte, e os chineses inventaram as comportas dos canais, que podiam elevar e baixar os barcos para diferentes níveis, 1.500 anos antes dos americanos construírem o Canal do Panamá. A China tem actualmente em funcionamento barragens à prova de terramotos que foram construídas por volta de 250 a.C.

Há um milénio, os chineses conceberam e desenvolveram a ciência da imunologia - vacinar as pessoas contra doenças como a varíola, saber extrair e preparar a vacina de modo a imunizar e não infectar. Descobriram o ritmo circadiano no corpo humano, a circulação sanguínea e a ciência da endocrinologia. Os chineses utilizavam a urina de mulheres grávidas para produzir hormonas sexuais há 2.000 anos, compreendendo como actuavam sobre o corpo e como as utilizavam. Ainda existem muitos livros médicos chineses com muitos séculos de existência, documentando tudo isto e muito mais. Por volta de 1550, a China compilou uma enorme enciclopédia de 52 volumes de Medicina Tradicional Chinesa à base de ervas que descreveu quase 2.000 fontes de ervas e 10.000 receitas médicas. Entre elas está o óleo de chaulmoogra, que é ainda o único tratamento conhecido para a lepra.

A China concebeu e construiu os maiores navios comerciais do mundo, que eram muitas vezes mais longos e dez vezes maiores em volume, do que qualquer coisa que o Ocidente pudesse construir na altura. Nos finais dos anos 1500, os maiores navios ingleses deslocavam 400 toneladas, enquanto a China deslocava mais de 3.000 toneladas. Os navios do Ocidente eram pequenos, incontroláveis e frágeis e inúteis para viajar a qualquer distância. Milhares de anos atrás, os navios chineses tinham compartimentos estanques que lhes permitiam continuar as viagens mesmo quando danificados. Além disso, os navios chineses não só tinham múltiplos mastros, mas a China também inventou as velas de luff que nos permitem navegar quase contra o vento, tal como os veleiros fazem hoje em dia e, por isso, não estavam dependentes da direcção do vento para as suas viagens. As suas velas de insuflação continham ripas de bambu cosidas que mantinham as velas cheias e aerodinamicamente eficientes, como os veleiros de regata utilizam hoje em dia. Os chineses inventaram o leme do navio - algo que os europeus nunca conseguiram fazer, capazes de se orientarem apenas com remos, e as velas europeias permitiam-lhes viajar apenas na direcção do vento, o que significava que um navio teria de permanecer no lugar, por vezes durante meses, à espera de vento favorável.

Por ordem de grandeza, os mapas chineses eram os melhores do mundo, durante mais de um milénio e a precisão dos seus mapas tornou-se lendária, estando muito à frente do Ocidente. Os chineses inventaram as projecções de Mercator {projecção cilíndrica do globo terrestre}, mapas em relevo, cartografia quantitativa e traçados de grelha. A China tinha bússolas e conhecimentos astronómicos tão extensos que sabiam sempre onde estavam, podiam traçar percursos e segui-los tanto por bússolas como por cartas estelares e podiam navegar para onde quisessem, independentemente da direcção do vento. Como Needham salientou, a China estava tão à frente do mundo ocidental em navegação e tecnologia de navegação, que as comparações são mesmo embaraçosas. Foi só quando o Ocidente conseguiu copiar e roubar a tecnologia de navegação e o modo de navegação da China, que pôde começar a viajar pelo mundo e a colonizá-lo. James Petras escreveu: "É especialmente importante salientar como a China, a potência tecnológica mundial entre 1100 e 1800, tornou possível o surgimento do Ocidente. Foi só quando adquiriu por empréstimo e assimilou as inovações chinesas que o Ocidente foi capaz de fazer a mudança para as economias capitalistas e imperialistas modernas".  (2)

A China estava 1.000 anos à frente do Ocidente em tudo o que tenha a ver com metais - ferro fundido, ferro forjado, aço, aço-carbono, aço temperado, aço soldado. Os chineses eram tão hábeis na metalurgia que podiam fundir sinos afinados que podiam produzir qualquer tom. Muito antes de 1.000 d.C., a China era o maior produtor mundial de aço. Creio que foi James Petras quem notou que, cerca de 1.000 A.C. (antes de Cristo) a China produzia cerca de 125.000 toneladas de aço por ano, enquanto 800 anos mais tarde a Grã-Bretanha só conseguia produzir 75.000 toneladas. (1Os chineses inventaram o alto-forno, o fole de dupla acção para atingir as altas temperaturas necessárias para a fundição e o recozimento de metais. Inventaram o fabrico de aço a partir de ferro fundido. Os chineses destacaram-se na criação de ligas metálicas e muito cedo fundiram e forjaram moedas feitas de cobre, níquel e zinco. Todo o processo de extracção, fundição e purificação do zinco, teve origem na China. Os chineses desenvolveram os processos de mineração, bem como a concentração e extracção de metais.

A China estava muito avançada na agricultura, tendo inventado o ventilador de neve e a broca da semente, tornando fácil o processo de lavoura, plantação e colheita. Os Europeus e os americanos continuavam a semear as culturas através da dispersão de grãos de um saco, uma prática muito esbanjadora que necessitava de poupar 50% da colheita anual de sementes. A China desenvolveu arados cientificamente eficientes que nunca foram igualados e que ainda hoje são utilizados em todo o mundo. Inventaram e desenvolveram arreios e coleiras de animais que permitiram primeiro que os cavalos fossem realmente utilizados para puxar cargas. A Europa não tinha um arado eficiente, e a sua única forma de aproveitar os animais era colocar uma corda à volta do pescoço, o que só conseguiu que os animais se estrangulassem a si próprios. Os chineses inventaram as selas e o estribo de montar. A produção alimentar da China, por ordem de grandeza, esteve à frente do mundo durante mais de 1.000 anos, os seus avanços na agricultura foram a causa facilitadora da revolução agrícola da Europa, que primeiro lhe permitiram começar a alimentar-se de maneira mais adequada. Os chineses vestiam roupas finas de seda e algodão e usavam papel higiénico enquanto os europeus, séculos mais tarde,  ainda usavam peles de animais.

Poucas pessoas no Ocidente estão familiarizadas com as Esferas Armilares da China. Estas maravilhas do mundo, fundidas em bronze, com vários metros de diâmetro e belamente decoradas com dragões e fénixes, são alguns dos mais antigos e precisos instrumentos de observação astronómica existentes, alguns criados há mais de 3.500 anos, quando os países ocidentais não tinham conhecimento de tais coisas. Eles determinam e medem as posições e coordenadas eclípticas e horizontais equatoriais dos corpos celestes, as posições e movimentos diários de 1.500 estrelas e constelações e muito mais. Quando as Forças Armadas Ocidentais invadiram a China no final do século XIX, ficaram tão fascinadas que pilharam a maioria destes tesouros e os séculos de dados dos antigos observatórios, desmontando os instrumentos e removendo-os para a Europa, devolvendo alguns à China como parte dos Tratados após a Primeira Guerra Mundial.

Conhecer a vasta extensão das invenções chinesas que existiram centenas de anos e muitas vezes milénios, antes do seu aparecimento no Ocidente, deixa um indivíduo sem palavras. Needham publicou não só textos chineses antigos que podem ser datados com precisão, mas também fotografias de desenhos antigos que retratam claramente todos estes artigos. Não é uma simples questão de pólvora e fogo-de-artifício, mas de descoberta que engloba toda o encadeamento do conhecimento humano e tudo isto foi conscientemente escondido do mundo ocidental. Needham fez as suas descobertas na década de 1940, mas nem a educação ocidental nem os meios de comunicação social as referenciaram ou  reconheceram. Não se trata de meras reivindicações; as provas são conclusivas e estão disponíveis para exame, mas o Ocidente apagou completamente a China da memória histórica do mundo.

Mito e Deturpação

Os historiadores ocidentais têm distorcido e ignorado o papel dominante da China na economia mundial até cerca de 1800. Existe uma enorme quantidade de dados empíricos que provam a superioridde económica civilização e tecnológica da China sobre a civilização ocidental durante a maior parte de vários milénios. Dado que a China foi a maior potência tecnológica do mundo até cerca de 1800, é especialmente importante salientar que foi esta circunstância que tornou possível o surgimento do Ocidente. Foi só ao copiar e ao assimilar as inovações chinesas e a tecnologia muito mais avançada da China, que o Ocidente foi capaz de fazer a transição para as economias capitalistas e imperialistas modernas. Até então, a China era a principal nação comercial, alcançando a maior parte do Sul da Ásia, África, Médio Oriente e Europa. As inovações da China na produção de papel, impressão de livros, armas de fogo e ferramentas conduziram a uma superpotência industrial cujos bens eram transportados pelo mundo inteiro através do sistema de navegação mais avançado. Além disso, a banca, uma economia estável de papel-moeda, um excelente fabrico e elevados rendimentos agrícolas resultaram num rendimento per capita da China, superior ao da Grã-Bretanha, até cerca de 1800.

Não só isto, mas, como James Petras salientou, "... a maioria dos historiadores económicos ocidentais apresentaram a China histórica como uma sociedade estagnada, atrasada e paroquial, um "despotismo oriental"". A China nunca foi assim. Durante o século XIII, Marco Polo descreveu a China como sendo enormemente mais rica e avançada do que qualquer país europeu, e filósofos europeus líderes como Voltaire olharam para a sociedade chinesa como um exemplo intelectual, nomeadamente os britânicos, utilizando a China como o modelo para estabelecer um serviço público meritocrático. (3)

Um primeiro pensamento ao rever esta investigação é que o mundo, há 500 anos, deve ter parecido muito primitivo para a China,  o verdadeiro "terceiro mundo", na altura. Quando Zhang He e outros realizaram as suas viagens de exploração, devem ter ficado desapontados com o que encontraram. O resto do mundo não tinha papel ou impressão, nem matemática, nem ciência, pouca medicina de nota, quase nenhuma metalurgia para falar, uma agricultura muito primitiva, nenhum fabrico de qualquer tipo digno, nenhuma porcelana, nenhuma roda de fiar ou teares para fazer roupa. Ao rever a história das invenções chinesas, desenvolve-se um sentimento cada vez mais forte de que os chineses olharam para o mundo e não encontraram nada de interessante em todas aquelas sociedades que estavam séculos, e em alguns casos milénios, atrasadas em relação à China, em quase todos os sentidos. Pode-se teorizar facilmente que esta é a razão pela qual a China se fechou ao mundo naquela época, concluindo que as outras nações eram tão atrasadas que pouco se ganharia com um contacto prolongado. Pode-se imaginar que voltaram para casa e fecharam a porta, talvez planeando regressar dentro de mais 500 anos para ver se as coisas tinham progredido. Com o acréscimo de pormenores, é muito provável que tenha sido assim que os acontecimentos ocorreram.

O que a China não esperava, era que o Ocidente roubasse todas estas ideias, transformando-as em armas de colonização e de guerra, regressando à nação que era a fonte desse conhecimento, invadindo-a para colonizar, roubar recursos, escravizar e massacrar a população. O interesse da China foi sempre e somente,  a exploração e o comércio. Os chineses nunca foram expansionistas ou guerreiros, querendo apenas proteger as suas próprias fronteiras da invasão do Norte. A China não estava preparada para a natureza violenta e brutalidade selvagem do homem branco que navegou pelo mundo, invocando a bênção do seu Deus sobre as suas inúmeras atrocidades. Juntamente com um governo interno fraco e a sagacidade dos judeus de Bagdad na utilização do ópio para arrecadar biliões, enquanto escravizavam uma nação com a protecção dos militares britânicos, temos uma grave oscilação descendente durante 200 anos.

Duas Grandes Tragédias Históricas

O resumo acima não começa sequer a catalogar adequadamente toda a extensão da invenção chinesa, toda a soma de descobertas e contribuições da China para o mundo moderno. Mas infelizmente, grande parte da soma total dos conhecimentos e da História das Invenções da China está perdida para o mundo, para sempre. Uma grande parte do conhecimento registado da História da China foi destruída num dos maiores actos de genocídio cultural da História do mundo - o saque e o incêndio do Palácio de Verão da China, o Yuanmingyuan, que continha mais de dez milhões dados melhores e mais valiosos tesouros históricos e obras académicas de 5.000 anos de História da China. O que não podia ser saqueado foi destruído, e todo o enorme palácio foi incendiado. Este roubo e destruição total de uma das maiores colecções de conhecimento histórico do mundo foi engendrado pelos Rothschilds e Sassoons em retaliação à resistência chinesa ao ópio levado por deles. (4) (5)

Isto é um aparte, mas a destruição do Yuanmingyuan foi feita pela mesma razão que os Aliados bombardearam Dresden até ficar tudo reduzido a escombros, durante a Segunda Guerra Mundial. Dresden não tinha valor militar mas era o coração espiritual e cultural da Alemanha, a sua destruição significou "abrir uma ferida na alma alemã que nunca iria sarar". Precisamente pela mesma razão, o "estado profundo" americano estava selvaticamente determinado a lançar a primeira bomba atómica sobre Quioto, que era também o coração e a alma da cultura japonesa. Quioto foi protegida pela Providência, com densas acumulações de nuvens que impediram os bombardeiros de a localizar com precisão suficiente, forçando-os a bombardear as cidades alternativas - Hiroshima e Nagasaki.

Mas em termos de destruição do espólio literário registado da cultura e das invenções, houve talvez um crime ainda maior contra a História do Conhecimento chinês - a destruição da biblioteca e do Yongle Dadian na Academia de Hanlin. (6) Essa enciclopédia de 22.000 volumes escritos por mais de 2.000 estudiosos ao longo de muitos anos, continha grande parte do total de 5.000 anos do conhecimento, das invenções e do pensamento chineses. Os britânicos levaram todos esses livros para o exterior, deitaram-lhes combustível e reduziram toda a colecção a cinzas. Só Deus sabe o que se perdeu nesta trágica destruição, ordenada pelos mesmos traficantes de droga como castigo por recusarem o ópio, destinado a quebrar a vontade da China ao atacar o próprio coração da cultura da nação na destruição gratuita de algo de tão inestimável valor que deixaria uma ferida aberta que nunca cicatrizaria. Apenas cerca de 150 volumes sobreviveram à incineração, 40 dos quais residem hoje na Biblioteca do Congresso dos EUA, que não tem qualquer intenção de os devolver à China.

O Darwinismo no seu Melhor

Os ocidentais de hoje justificam a sua apropriação não reconhecida do conhecimento chinês e as reivindicações subsequentes de propriedade, alegando que os chineses inventaram essas coisas, mas nunca as desenvolveram ou capitalizaram, mas a reivindicação é um disparate inválido, uma vez que a minha invenção é minha, quer eu opte ou não, por desenvolvê-la. A reivindicação também não é verdadeira.

Quando os chineses inventaram o papel e a impressão, os livros espalharam-se por toda a China, tal como com a tecelagem de tecidos e o desenvolvimento de têxteis. A China empregou as suas invenções de forma ilimitada em benefício da sociedade chinesa. O que eles não fizeram foi registar patentes, converter tudo em propriedade privada e transferir o seu engenho de benefício social para o lucro privado. As críticas à utilização pela China das suas invenções não são atribuídas à falta de aplicação, mas à ausência de comercialização, estas justificações ocidentais implicam que qualquer nação que não se esforce imediatamente por maximizar o lucro das suas descobertas, é moralmente negligente, sendo então justificado o roubo dessas descobertas por aqueles que as utilizariam de forma mais adequada. É como o assaltante do banco que se apodera dum fundamento moral elevado, alegando que utilizava melhor o dinheiro do que o banco o teria feito.

Não foi nem uma falha de carácter nem um defeito de comportamento, ter renunciado à comercialização privada,mas sim um reflexo da natureza pluralista e socialista do povo chinês, a mesma razão pela qual ainda hoje as leis e os regulamentos de Patentes e da Propriedade Intelectual da China são muito menos agressivos do que os dos EUA. Em termos simples, a China nunca foi tão capitalista ou tão individualista como o Ocidente. Faz parte da grandeza da nação chinesa que esta imensa população se tenha envolvido em milénios de investigações, descobertas e invenções espantosas e tenha distribuido livremente esses frutos por toda a nação. Esta determinação na procura do bem maior e do benefício de toda a sociedade, em vez do lucro individual, é fundamental para a humanidade natural do povo chinês, e não se pode permitir que seja destruída pelo modelo sociopata ocidental, tão vigorosamente promovido hoje em dia, com base numa superioridade moral fictícia.

O Ocidente opta por ignorar o facto de que o hiato de 200 anos na inovação da China se deveu, quase exclusivamente, às invasões militares, quando o Ocidente estava a devastar e a destruir a nação. O desenvolvimento, o progresso social e as invenções da China só cessaram com as invasões tanto dos americanos como dos europeus e, muito especialmente, com o vasto programa de tráfico de ópio dos judeus na China.

Talvez de interesse mais directo é que o atraso da China na tecnologia actual é, sobretudo, um infeliz acidente do destino que ocorreu durante um breve espaço de tempo. Depois de Mao ter expulsado todos os estrangeiros e da China se ter livrado dos efeitos de 200 anos de interferência e de pilhagem estrangeira, para iniciar a transição para uma economia industrializada, foi precisamente quando explodiu o mundo da electrónica e da comunicação. Foi durante esse breve período de algumas décadas que os computadores, a Internet, os telemóveis e muito mais, foram concebidos e patenteados pelo Ocidente. Praticamente todo o processo passou pela China, porque durante esse breve período a nação estava totalmente envolvida nos fundamentos da sua revolução económica e social, e não estava em posição de participar. A falta de patentes e de PI (Propriedade Intelectual) da China no campo da electrónica, nos dias de hoje, não se deve nem à superioridade ocidental nem à falta de inovação chinesa, mas sim à agressão ocidental. A acumulação de patentes americanas e europeias não se deveu de forma alguma à supremacia ocidental na inovação, mas sim à ausência dos chineses.

O Presente e o Futuro

 A capacidade de invenção da China ainda não terminou. Com a China a recuperar e, uma vez mais, a ocupar o lugar que lhe é devido no mundo, ela continua onde parou há 200 anos. Ignorando o retrocesso histórico, as empresas chinesas estão simplesmente a contornar as fases iniciais da inovação por parte de empresas estrangeiras e a avançar para as fases seguintes em que o campo está aberto e as patentes estrangeiras não impediram a inovação e o desenvolvimento.

Se examinarmos os campos em que a China está hoje atrasada em termos de patentes e de Propriedade Intelectual, é principalmente nas áreas da ciência que progrediram durante esse breve período em que a China não pôde participar. Assim que a China encontrou a sua base, a inovação continuou inalterada como tinha acontecido durante milhares de anos. A China falhou as patentes de computadores e smartphones, mas estava perfeitamente cronometrada para a revolução dos painéis solares e surgiu rapidamente  como líder mundial - altura em que os EUA impuseram tarifas de 300% sobre os painéis solares chineses numa tentativa não só de matar as vendas de exportação da China, mas de impedir a acumulação de fundos para mais Investigação e Desenvolvimento.  A inovação da China disparou - de um modo geral para a liderança mundial - em qualquer área que não tenha sido previamente restringida pela Propriedade Intelectual.

Apesar das acusações dos EUA de que a China copia a tecnologia estrangeira, as conquistas da China em matéria de alta tecnologia foram inteiramente desenvolvidas no seu país, porque os EUA têm estado tão determinados a impedir a ascensão da China, que, em 1950, criaram um embargo internacional a todo o conhecimento científico e a quase todos os produtos e processos úteis à China, incluindo a promulgação de leis para que os cientistas chineses não possam ser convidados para fóruns científicos americanos, ou a participar nos mesmos, enquanto estão a coagir outras nações ocidentais a fazer o mesmo. Em Outubro de 2019 - longe de ter sido a primeira vez que tal aconteceu - foi negado o visa a todos os cientistas chineses e empresas de tecnologia espacial que pretendiam participar no Congresso Internacional de Astronáutica, em Washington.

Ouvimos falar muito nos meios de comunicação ocidentais sobre a China exigir transferências de tecnologia como condição de residência de empresas na China, mas é sobretudo propaganda. Sem dúvida que ocorrem expectativas de transferência de tecnologia e de know-how, uma vez que a China não quer passar o resto da sua vida a fazer torradeiras e sapatilhas de corrida mas, visto que a entrada no mercado chinês representa um presente de biliões em lucros, é perfeitamente sensato atribuir-lhe um preço. Contudo, é preciso ter em mente que nenhuma empresa estrangeira está a realizar investigação comercial ou militar de tecnologia de ponta, ou a fabricar computadores quânticos e mísseis hipersónicos na China. Qualquer tecnologia realmente disponível para transferência seria quase inteiramente de bens de consumo e dificilmente constituiria uma mais valia ou uma ameaça à "segurança nacional" dos EUA. E, a China já ultrapassou os EUA, em praticamente todos os campos e indústrias de ponta, tais como a computação quântica, as telecomunicações 5-G ou a energia solar.

Uma Breve Lista da Inovação Chinesa Recente

Em 2015, os engenheiros chineses anunciaram a primeira rede mundial de comunicações quânticas, um sistema de 2.000 quilómetros que liga Pequim e Shanghai com transmissão de dados codificados através da distribuição de chaves quânticas. Em Agosto de 2016, a China lançou o primeiro satélite de comunicações quânticas do mundo, e conseguiu testar a comunicação com as estações terrestres existentes no país. Em Setembro de 2016, cientistas chineses conseguiram o primeiro teletransporte quântico do mundo entre fontes independentes, fornecendo informação quântica cifrada em fótons, entre dois locais.

Em 2014, investigadores da Universidade Nankai, em Tianjin, desenvolveram um carro com uma unidade de controlo cerebral funcional, com sensores que captam sinais cerebrais que permitem aos humanos controlar o automóvel com as suas mentes. Em 2016, a China lançou um laboratório espacial totalmente operacional para realizar as primeiras experiências de interacção cérebro-máquina no espaço. Os cientistas chineses acreditam que a interacção cérebro-computador será eventualmente a forma mais elevada de comunicação homem-máquina, tendo desenvolvido este processo muito mais longe do que qualquer nação ocidental e detendo quase 100 patentes.

Em 2015, estudantes do ensino secundário de Tianjin ganharam uma medalha de ouro internacional pela criação de uma bateria biológica microbiana. Tais tentativas no passado falharam devido ao fraco desempenho e utilidade limitada, mas estes estudantes conceberam a ideia de combinar vários tipos de bactérias numa única célula de energia biológica, tendo cada bactéria responsabilidades especializadas com base nas suas próprias funções únicas. A sua minúscula célula multi-bacteriana atingiu mais de 520 mV, e durou mais de 80 horas. Em escala, essa bateria biológica era capaz de gerar tanta energia como uma bateria de lítio, com uma vida útil muito mais longa e sem produzir poluição. Estes inventores são apenas, jovens estudantes chineses, alunos do liceu.

Em 2015 os cientistas chineses conseguiram modificar um embrião humano para permitir que as mudanças persistissem através das gerações futuras, algo que nunca tinha sido conseguido antes, alterar o ADN humano pela remoção de genes perigosos ou indesejáveis das gerações futuras. Os investigadores chineses estão a desenvolver a tecnologia e os processos para tornar a pele impressa em 3D uma realidade, pele feita à medida para pacientes queimados, impressa de acordo com as suas feridas. O país lidera o mundo da tecnologia da tomografia computurizada, no mapeamento e sintetização de ADN e em muitos campos médicos, como a cirurgia ocular a laser e os transplantes da  córnea. 

*Um TAC ou tomografia computorizada (anteriormente conhecida como tomografia axial computorizada ou TAC) é uma técnica de imagiologia médica utilizada em radiologia para obter imagens detalhadas do corpo de forma não invasiva para fins de diagnóstico. Os funcionários que efectum tomografias computorizadas são denominados radiologistas ou técnicos de radiologia[2]

Em Maio de 2019, um inovador chinês lançou um chip de IA (Inteligência Artificial) revolucionário,com a potência computacional de oito servidores NVIDIA P4, mas cinco vezes mais rápido, com metade do tamanho e 20% do consumo de energia, custando 50% menos a fabricar. A Universidade Fudan de Shanghai desenvolveu um transistor baseado em sulfureto molibdico bidimensional, o que significa que a computação e o armazenamento de dados acontecem em conjunto numa única célula, talvez eliminando os chips baseados em silício que estão no seu limite. A DJI Technology, fundada por um estudante universitário chinês, somente em alguns anos, tornou-se no líder do mercado global de pequenos drones de consumo, e já atrai sanções americanas por ter demasiado sucesso numa área que os EUA querem controlar. O país produz quase 40% dos robots do mundo, com tecnologias de núcleo amplamente melhoradas e é  líder mundial em tecnologia 5-G.

Os engenheiros chineses criaram um supercomputador sete vezes mais rápido do que a instalação americana Oak Ridge, o primeiro no mundo a atingir velocidades superiores a 100 PetaFlops, alimentado por um CPU multi-core desenvolvido pela China e software chinês, enquanto afastam os EUA com o maior número de supercomputadores entre os 500 melhores. Após a revelação do supercomputador super-rápido da China, as autoridades informaram que a NSA tinha lançado centenas de milhares de ataques de hacking, procurando roubar a tecnologia dos novos microprocessadores da China.

Os conhecimentos de engenharia dos megaprojectos da China já são lendários, com as pontes marítimas mais longas, os túneis mais longos, os maiores portos de águas profundas. A China construiu a maior e mais longa ponte de vidro do mundo em Zhangjiajie, pendurada entre dois penhascos íngremes a 300 metros acima do solo, e que estabeleceu 10 recordes mundiais no que diz respeito à sua concepção e construção. A Barragem das Três Gargantas é a maior do mundo, com fechaduras de navios de 5 níveis que podem conter os maiores navios do mundo, e também um desvio para navios mais pequenos que é o maior e mais sofisticado do mundo. A China formulou planos para construir um colisor de electrões, quatro vezes mais longo (100 Kms) e operando a mais de sete vezes a capacidade energética do CERN europeu. Em 2015, cientistas chineses completaram o radiotelescópio de 500 metros, de longe o maior do mundo, dez vezes  superior à área da instalação americana em Porto Rico.

Em 2014, arquitectos em Amesterdão começaram a trabalhar no que viria a ser a primeira casa totalmente impressa em 3D do mundo, um empreendimento dispendioso que exigia três anos. Exactamente na mesma altura, em Shanghai, uma empresa chinesa concluiu dez casas impressas em 3D em menos de um dia, a um custo inferior a 5.000 dólares cada, utilizando como "tinta", materiais de construção reciclados e sucata industrial. Vi estas casas; estruturas grandes, elegantes, de vários andares, de estilo europeu, e tão resistentes que conseguem resistir a terramotos até ao nível 8 na escala de Richter.

Conhecemos os fabulosos comboios de alta velocidade da China, mas poucos fora da China estão conscientes da elevada qualidade da rede HSR, construída segundo os mais altos padrões do mundo moderno, incluindo a estabilidade. Quando viajo de comboio, por vezes coloco uma moeda na beira do parapeito da janela e tenho um vídeo da moeda mantendo-se estável durante quatro ou cinco minutos antes de, finalmente, cair - e isto a 300 Kms por hora. Shanghai tem um comboio Maglev de alta velocidade (430 Kms/hr), enquanto muitas cidades têm Maglevs de baixa velocidade (200 Kms/hr), e os engenheiros chineses estão preparados para produzir comercialmente um Maglev de 600 Km/hr. O mesmo ritmo de desenvolvimento é válido para os sistemas urbanos de metro do país. Perdi a fonte destes números, mas a cidade de Londres precisou de 147 anos para construir 408 Kms. de linhas de metro, a cidade de Nova Iorque 106 anos para 370 Kms., Paris 110 anos para 215 Kms, enquanto Shanghai precisou apenas de 20 anos para construir 500 Kms.

Escapou-me mencionar que estas realizações não foram repentinas. Foram desenvolvidas a partir de um plano deliberado de execução durante 30 anos, embora só recentemente muitos destes esforços estejam a dar frutos. Mais importante ainda, a China conseguiu concretizá-lo a partir de uma base industrial de terceiro mundo, durante um embargo ocidental total à transferência de tecnologia. Os cientistas chineses desenvolveram centrais de energia nuclear, colocaram homens no espaço, fotografaram toda a superfície da lua, construíram uma estação espacial, conceberam e lançaram um sistema GPS privado. Temos submarinos chineses projectados e construídos no mar alto e o país está a desenvolver rapidamente a sua própria indústria aeronáutica. Actualmente, a invenção e a inovação só podem aumentar devido à base científica e tecnológica muito mais avançada, às despesas de educação a aumentar quase 10% ao ano e aos gastos muito elevados com a Pesquisa e com o Desenvolvimento.

Uma Nota para Finalizar

Um dos mitos mais persistentes propagados sobre a China, uma reivindicação sem um resquício de prova de apoio, é que os chineses não têm criatividade e inovação devido a falhas no seu sistema pedagógico. Já vimos estas acusações centenas de vezes: O sistema educativo chinês ensina apenas através da memorização, enquanto sufoca a inovação. Os chineses são incapazes de conceptualizar ou inovar, sabem apenas como alcançar altas pontuações nos testes, mas não como pensar. Eis Carly Fiorina a falar, a antiga Presidente da H-P: "Há décadas que faço negócios na China, e digo-vos que sim, os chineses podem fazer um teste, mas o que não podem fazer é inovar.  Não são terrivelmente imaginativos, não são empreendedores. Não inovam. Por isso é que estão a roubar a nossa propriedade intelectual... a inovação e o empreendedorismo não são os seus fortes. A sua sociedade, bem como o seu sistema de educação, é demasiado homogeneizado e controlado para encorajar a imaginação...". (7) A reivindicação é um completo disparate por multiplas razões para as quais não tenho mais espaço aqui, para poder explicá-las.

Em 2015, Eva Dou relatou no Wall Street Journal um estudo da McKinsey que afirmava que a China tinhafeito todas as inovações "fáceis", como tornar os produtos melhores e mais baratos, mas que "o país tem histórias de sucesso limitadas em tipos de inovação "mais competitivos" que dependem de descobertas científicas ou de engenharia". As conclusões da McKinsey não são apoiadas pelas provas acima mencionadas. (8)

*

A obra completa do Snr. Romanoff está traduzida em 32 idiomas e postada em mais de 150 sites de notícias e de política de origem estrangeira, em mais de 30 países, bem como em mais de 100 plataformas em inglês. Larry Romanoff, consultor administrativo e empresário aposentado, exerceu cargos executivos de responsabilidade em empresas de consultoria internacionais e foi detentor de uma empresa internacional de importação e exportação. Exerceu o cargo de Professor Visitante da Universidade Fudan de Shanghai, ministrando casos de estudo sobre assuntos internacionais a turmas avançadas de EMBA. O Snr. Romanoff reside em Shanghai e, de momento, está a escrever uma série de dez livros relacionados com a China e com o Ocidente. Contribuiu para a nova antologia de Cynthia McKinney, 'When China Sneezes'  com o segundo capítulo, "Lidar com Demónios".

O seu arquivo completo pode ser consultado em 

https://www.moonofshanghai.com/ e

http://www.bluemoonofshanghai.com/

Pode ser contactado através do email: 2186604556@qq.com

*

Notas

(1) Robert Temple, The Genius of China: 3,000 Years of Science, Discovery, and Invention; https://www.amazon.com/Genius-China-Science-Discovery-Invention/dp/1594772177

(2) James Petras; China: Rise, Fall and Re-Emergence
as a Global Power; Some Lessons from the Past;  https://www.countercurrents.org/petras070312.htm

(3) Ron Unz; The American Conservative; April 18,
2012; China's Rise, America's Fall; Why Nations Fail; https://www.theamericanconservative.com/articles/chinas-rise-americas-fall/

(4) China Remembers a Vast Crime - The New York Times; https://www.nytimes.com/2010/10/22/arts/22iht-MELVIN.html

(5) Peking's Summer Palace destroyed; https://www.history.com/this-day-in-history/pekings-summer-palace-destroyed

(6) "The Destruction of a Great Library: China's Loss
Belongs to the World; https://eric.ed.gov/?id=EJ552559

(7) Ex-HP CEO Carly Fiorina says Chinese 'don't
innovate'; Time; https://time.com/3897081/carly-fiorina-china-innovation/

(8) Chinese Innovation: Now Comes the Hard Part, Says
Study; https://blogs.wsj.com/chinarealtime/2015/10/22/chinese-innovation-now-comes-the-hard-part-says-study/

*

Original em inglês

Copyright © Larry Romanoff,  Moon of Shanghai, 2020

A Lei Americana de 1934 sobre a Compra da Prata.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...


A Lei Americana de 1934 sobre a Compra da Prata

Por LARRY ROMANOFF -14 de Setembro de 2020 


Tradução em exclusivo para PRAVDA PT

 

Steve HankeProfessor de Economia da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, escreveu um bom artigo sobre este tema na edição de Novembro de 2010 da Globe Asia, intitulado "America's Plan to Destabilise China - Currency": "O Plano da América para Destabilizar a China - Moeda de Câmbio". Está disponível online e vale a pena lê-lo. [1]

  

A 9 de Agosto de 1934, o Presidente Roosevelt promulgou outro Decreto-Lei, desta vez com o número 6814, chamado The Silver Purchase Act (Lei da Compra da Prata) [2]que especificava essencialmente duas questões:

Primeira - A apreensão de toda a prata nos EUA,

Segunda - Um enorme programa de compra de prata no mercado aberto, quase três vezes superior ao preço de mercado então vigente.

De qualquer ponto de vista racional, esta acção foi bizarra. 

 

Baseado no pretexto falso de estar sob pressão dos produtores nacionais de prata (que não estavam, de modo nenhum a sofrer), Roosevelt desafiou as críticas esmagadoras de todos os lados ao fazer cumprir este Decreto-Lei (originado pela FED) que obrigou o Tesouro (ou a FED) a comprar prata a um preço de, pelo menos, 1,29 dólares por onça, que era quase o triplo do preço do mercado de então, de 45 cêntimos. O governo dos EUA nacionalizou, de facto, as acções de prata dos EUA, mas pela compra dessa prata aos americanos ao preço antigo de 0,45 dólares. Só depois desta aquisição é que o Tesouro se ofereceu para comprar a prata ao preço muito mais elevado. Esta acção aspirou biliões dos escassos fundos governamentais no auge da Grande Depressão, quando a maioria dos americanos lutavam para sobreviver e evitar a fome e a falência. O povo pagou um preço enorme por uma política sem benefícios aparentes para ninguém. Os produtores de prata beneficiaram marginal e temporariamente, mas toda a indústria empregava apenas alguns milhares de pessoas, pelo que este programa maciço não se destinava definitivamente a essas mesmas pessoas, não obstante a narrativa da propaganda.

 

Mas a natureza bizarra desta política da Compra da Prata é ainda mais estranha. A legislação autorizava principalmente o Tesouro e o FED a comprar prata "de países estrangeiros" no mercado aberto - na Bolsa de Futuros de Nova Iorque. Mas essa compra no "mercado aberto" nunca ocorreu. Tudo o que precisamos de fazer é pensar. Nem mesmo um louco gastaria dinheiro a comprar algo a $1,29 quando essa mercadoria estava amplamente disponível nos mercados mundiais em todo o mundo a $0,45. Então, o que é que estava realmente a orientar esta nova política?

 

Bem, para além da história disparatada e claramente fabricada de ajudar os produtores de prata nacionais, havia outra intenção caridosa - "ajudar" a China, um plano que estava a ser elaborado há vários anos. Como Steve Hanke observou: 

 

"... a China utilizava o padrão da prata. Os interesses da prata afirmavam que preços mais elevados da prata - que trariam consigo uma apreciação do yuan em relação ao dólar americano - beneficiariam os chineses ao aumentar o seu poder de compra. Como relatou uma comissão especial do Senado dos EUA em 1932:

 

"A prata é a medida da sua riqueza e poder de compra; funciona como uma reserva, como a sua conta bancária. Esta é a riqueza que permite esses povos comprar as nossas exportações".

 

Até essa altura, a China tinha mantido durante centenas de anos, o padrão da prata para a sua moeda, a única moeda no mundo totalmente apoiada por metal precioso e responsável pela criação de uma base económica sólida e estável. Foi por esta razão que a China conseguiu escapar por completo à Grande Depressão que assolava o resto do mundo. A política de prata americana deu, naturalmente, um golpe devastador a esta estabilidade secular porque os americanos não estavam a comprar prata de países estrangeiros no mercado aberto, mas apenas na China, através dos bancos americanos como Citibank, Morgan e ChaseEstes agentes americanos ofereceram aos chineses três vezes o preço de mercado pela sua prata, resultando naturalmente numa inundação de prata que fluía para estes bancos e de lá para ser enviada para os EUA.

 

 É claro que o primeiro efeito, foi que a taxa de câmbio entre o dólar americano e a moeda chinesa entrou em crise. O elevado preço da prata tornou, de facto as importações mais baratas, mas as exportações do país entraram em declínio total e o PIB caiu quase instantaneamente, cerca de 25%. O segundo resultado foi que a inundação de prata atraída para os bancos americanos foi imediatamente enviada para fora da China, acabando por destruir o suporte padrão de prata da moeda chinesa, o que destruiu o sistema financeiro da China e deixou a economia num caos. Seguiu-se uma deflação maciça que destruiu o sector agrícola e deixou milhões de agricultores e camponeses subitamente desamparados. Pior ainda, a maior parte das empresas suportava uma dívida com o apoio da prata que agora teria de ser reembolsada pelo triplo do seu valor; claro que nenhuma empresa tinha o fluxo dinheiro vivo para pagar essas obrigações e inúmeras dezenas de milhares delas faliram, destruindo o mercado de trabalho. O sistema financeiro total da China estava também à beira do colapso, o que serviu para despejar subitamente a China no meio da Grande Depressãoeliminando décadas de esforço doloroso para reconstruir a nação após um século ou mais de pilhagem efectuada pelo Ocidente. Nessa altura, a China não teve outra escolha senão abandonar o padrão de prata e adoptar uma moeda de papel. 

 

A China tentou aplicar abertamente, controlos severos às exportações de prata, mas os mesmos foram em grande parte mal sucedidos, porque a maior parte da prata foi contrabandeada para fora da China através dos bancos americanos - Citibank, J. P. Morgan e Chase - que estavam imunes aos regulamentos de exportação chineses e que tinham à mão os serviços dos militares americanos com os seus navios de guerra, para transferir a prata para fora da China sem que houvesse qualquer obstáculo legal.

 

Cito Hanke novamente:

 

"Numa tentativa de assegurar o alívio das dificuldades económicas impostas pelas políticas dos EUA a respeito da prata, a China procurou obter alterações no programa de compra da prata do Tesouro dos EUA. Mas os seus apelos caíram em ouvidos moucos. Após muitas respostas evasivas, a Administração Roosevelt indicou, finalmente, a 12 de Outubro de 1934, que estava apenas a executar uma política mandatada pelo Congresso dos EUA. As coisas não funcionavam como Washington anunciava. No entanto, funcionou como "planeado". Quando subiu o preço da prata em dólares, o yuan valorizou-se em relação ao dólar. Em consequência, a China foi atirada para as mandíbulas da Grande Depressão".

 

Um autor compasecido escreveu: "Que loucura económica - e falta de estatismo, poder-se-ia dizer - foi dar prioridade ao bem-estar de 5.000 pessoas [produtores de prata] à custa do público americano e dos 450 milhões de chineses que nada fizeram para convidar esta miséria. Escusado será dizer que a factura da compra da prata foi uma medida de economia inadequada. Mas também foi uma política cruel. O prejuízo que causou estendeu-se muito para além da esfera económica. Propagou-se às relações EUA-China". Sentimentos louváveis, mas bastante ingénuos.

 

 Então, quem ganhou? Os bancos americanos e a cabala dos banqueiros judeus europeus que controlavam a Casa Branca e a economia mundial. A economia da China estava a crescer e o país estava a emergir em força para além da capacidade dos banqueiros para a conter, pelo que algo tinha de ser feito para manter a disparidade de rendimentos entre o Império e os camponeses. O Grande Prémio foi a destruição permanente da moeda da China apoiada na prata e o retrocesso do progresso económico da China durante talvez vinte anos. Os produtores de prata americanos lucraram durante pouco tempo, mas o povo americano perdeu fortemente quando o seu governo (a pedido da FED estrangeira e dos seus banqueiros judeus europeus) desperdiçou biliões de dólares para fazer ruir a economia da China em vez de reconstruir a da América, esta política provavelmente prolongou a depressão durante anos. Talvez o único bom resultado tenha sido que este fiasco contribuiu de forma significativa para o colapso da confiança pública em Chiang Kai-Shek e no seu governo nacionalista apoiado pelos EUA, abrindo caminho para que Mao assumisse o controlo e expulsasse todos os estrangeiros (e os judeus) da China.

 

Considero inquietante que ainda hoje a narrativa padrão em todos os livros de História e de Economia americanos comece com: "Embora a Lei de Compra da Prata tenha sido concebida principalmente como um programa de apoio aos produtores de prata dos Estados Unidos ...".

 

 

 


Para acrescentar algum contexto adicional a este assunto, o governo nacionalista de Chiang Kai-Shek ainda controlava a China durante este período, com forte apoio do governo e dos militares dos EUA e, enquanto o governo dos EUA trabalhava para destruir a economia da China a partir do exterior, T. V. Soong, educado na America e leal ao governo americano, estava a ajudar Chiang a destruir a China a partir do interior. Duvido francamente que Chiang tivesse uma grande compreensão de Economia ou de algo mais, mas Soong era brilhante e, sob a sua orientação, Chiang conseguiu rapidamente nacionalizar toda a banca chinesa, manuseando depois o governo, quase inteiramente endividado, contribuindo assim para que a economia se desmoronasse. 

 

E foi Soong que, em 1928, fundou o "Banco Estatal da República da China", um novo Banco Central Chinês (judeu) de propriedade estrangeira que foi padronizado no FED dos EUA. Foi também Soong que promoveu o programa de Compra da Prata dos americanos, que depois adoptou uma moeda de papel, e forçou todos os chineses a entregarem a sua prata ao novo Banco Central de Chiang - um banco que, convenientemente, estava isento de restrições à exportação da prata. Poder-se-ia concluir que tanto Chiang como Soong estavam envolvidos na exportação da prata do seu próprio país para os EUA, tudo em conformidade com o plano sionista para a China.  

 

Foi esta parceria que finalmente selou a desgraça do governo de Chiang enquanto quase destruía a China no processo. Mas, mais uma vez, foi este processo que abriu caminho para que Mao ganhasse um apoio esmagador e o controlo do país por parte dos americanos e dos banqueiros judeus, e o colocasse de novo nas mãos do povo chinês.

 

 

A Primeira Guerra Mundial pôs em prática um final ao comércio do ópio e ao rapto de chineses para serem vendidos como escravos, ambos operados pelas mesmas famílias judias na China - Rothschild, Sassoon, Kadoorie, Hartung e outros, e este esforço usando T. V. Soong como agente interno num governo chinês controlado pelos EUA, foi a tentativa final de roubar toda a riqueza restante da China. Foi feito em conjunto e em cooperação com o Citibank, J. P. Morgan e outros bancos judeus, para aliviar o governo chinês e todos os cidadãos chineses de todo o seu stock tanto de ouro como de prata. Quase conseguiram. Se não fosse a ascensão de Mao Tse Tung, a China seria hoje um poço de miséria. 

 

Acrescentaria que Soong era suficientemente brilhante para compreender precisamente o que estava a acontecer, e suficientemente capaz para tê-lo impedido, se se tivesse preocupado em fazê-lo. Não pesquisei completamente Soong, mas todas as provas sugerem que ele era um agente judeu-americano, uma espécie de sionista chinês, a trabalhar a partir de dentro. Claro que este homem não era tão estúpido a ponto de não compreender os resultados das suas próprias acções de assistência a Chiang com a adopção de uma moeda fiat em papel e uma colecção de bancos nacionais falidos que recorriam à impressão de dinheiro como substituto das receitas.

 

Devido ao saque da maior parte da prata da China paga três vezes acima do valor do mercado, o governo nacionalista de Chiang teve de imprimir tanta moeda que o dinheiro depreciou-se por um factor de mais de 1.000, resultando numa hiper-inflação devastadora, tudo sob o olhar atento de Soong. Foi tão mau que as impressoras de moeda do governo não conseguiram manter o ritmo necessário, e a moeda chinesa estava a ser impressa em Inglaterra e voou para a China sobre os Himalaias em aviões militares C-47 dos EUA.

 

Só para que não fique por dizer, os EUA estavam a tentar algo semelhante no período após 2005, produzindo durante uma década uma quantidade quase esmagadora de ruído dos meios de comunicação e de pressão política, a fim de forçar outra reavaliação maciça e ascendente do RMB, na base fraudulenta de que a moeda chinesa estava "pelo menos 25% a 40% subvalorizada". Se a China tivesse acedido a esta pressão, o país teria caído nas profundezas de mais uma depressão grave - o que, na realidade, era o objectivo desse plano. 

Notas

 

[1] https://www.cato.org/publications/commentary/americas-plan-destabilize-china

[2]https://en.wikipedia.org/wiki/Executive_Order_6814

 

*

A obra completa do Snr. Romanoff está traduzida em 32 idiomas e postada em mais de 150 sites de notícias e de política de origem estrangeira, em mais de 30 países, bem como em mais de 100 plataformas em inglês. Larry Romanoff, consultor administrativo e empresário aposentado, exerceu cargos executivos de responsabilidade em empresas de consultoria internacionais e foi detentor de uma empresa internacional de importação e exportação. Exerceu o cargo de Professor Visitante da Universidade Fudan de Shanghai, ministrando casos de estudo sobre assuntos internacionais a turmas avançadas de EMBA. O Snr. Romanoff reside em Shanghai e, de momento, está a escrever uma série de dez livros relacionados com a China e com o Ocidente. Contribuiu para a nova antologia de Cynthia McKinney, 'When China Sneezes'  com o segundo capítulo, "Lidar com Demónios".

O seu arquivo completo pode ser consultado em https://www.moonofshanghai.com/ e  http://www.bluemoonofshanghai.com/ 

Pode ser contactado através do email: 2186604556@qq.com

 

 

 

Copyright © Larry RomanoffMoon of ShanghaiBlue Moon of Shanghai, 2021

Milhares de cubanos manifestam-se contra crise económica, por mais vacinas e liberdade.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...


Presidente cubano Miguel Diaz-Canel (centro) no meio de protestos pro melhores económicas, San Antonio de los Banos, Cuba, 11 de Julho de 2021

Presidente Diaz-Canel responsabiliza Estados Unidos e convoca apoiantes a enfrentarem as “provocações”.

Milhares de cubanos saíram às ruas de várias cidades, da capital Havana a Santiago, em protestos contra a situação económica, a crise da Covid-19 e por liberdade, neste domingo, 11.

Os protestos são muito raros no país comunista, cujo Governo responde sempre com repressão a este tipo de manifestações.

O Presidente cubano, Miguel Diaz-Canel, num discurso transmitido pela televisão, responsabilizou os Estados Unidos pelos protestos.

Carros de forças especiais, com metralhadoras, foram vistos na capital, Havana, enquanto Diaz-Canel convocava os seus apoiantes a enfrentarem as “provocações”.

"Estamos conclamando todos os revolucionários do país, todos os comunistas, a ir às ruas onde quer que haja um esforço para produzir essas provocações", acrecentou o também secretário-geral do Partido Comunista Cubano, reiterando que não permitirá que “nenhum contrarrevolucionário, mercenário, vendido ao Governo dos EUA, recebendo dinheiro das agências, provoque desestabilização no nosso povo".

Um repórter da Reuters testemunhou a polícia a atirar gás pimenta em alguns manifestantes, enquanto outros agentes batiam nos participantes, sem que se tivesse registado, no entanto, confrontos directos com os milhares que gritavam "Liberdade" e “Diaz-Canel, demitem-se”.

Alguns apoiantes do Governo, em pouco número, gritavam “Fidel”.

Os protestos começaram no município de San Antonio de los Banos, na província de Artemisa, na fronteira com Havana, com vídeos nas redes sociais a mostrar centenas de residentes a gritar palavras de ordem contra o Governo, enquanto exigiam por vacinas, electricidade e melhorias económicas.

“Acabei de andar pela cidade procurando comprar comida e havia muitas pessoas lá, algumas com cartazes, em portal”, disse Claris Ramirez por telefone, acrescentando que “elas protestam contra os apagões, que não há remédio”.

Em San Antonio de los Baños, os manifestantes gritavam "Pátria e vida", nome de música que distorce o lema castrista “Pátria ou morte”, "Abaixo a ditadura" e "Não temos medo".

O Presidente Diaz-Canel, que tinha acabado de regressar a Havana proveniente de San Antonio de los Banos, disse que muitos manifestantes eram sinceros, mas manipulados por campanhas de mídia social orquestradas pelos EUA e mercenários no local, e advertiu que mais "provocações" não seriam toleradas.

Houve protestos também a centenas de quilómetros a leste do país, em Palma Soriano, Santiago de Cuba, onde um vídeo divulgado nas redes sociais mostrou centenas de pessoas a marchar pelas ruas.

“Eles estão a protestar contra a crise, que não há comida nem remédios, que há que comprar tudo nas lojas de moeda estrangeira, e a lista continua”, disse Claudia Pérez.

O país tem experimentado o agravamento da crise económica nos últimos dois anos, situação que o Governo atribui principalmente às sanções americanas e à pandemia.

Uma combinação de sanções, ineficiências locais e a pandemia paralisou o turismo e desacelerou outros fluxos de receitas estrangeiras num país dependente delas para importar a maior parte de seus alimentos, combustíveis e insumos para a agricultura e a indústria.

A economia contraiu 10,9% no ano passado e 2% até Junho.


fonte: VOA

Ribeiro Telles deixa CPLP com "sementes" para acordo de mobilidade.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Acordo sobre mobilidade que abre portas para "maior liberdade de circulação" na CPLP será assinado na cimeira de Luanda, disse à DW o secretário executivo, Francisco Ribeiro Telles, cujo mandato está prestes a terminar.


"Está tudo preparado" para a realização em Angola da cimeira ao mais alto nível da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), dá conta o secretário executivo da organização, em entrevista exclusiva à DW. O encontro de chefes de Estado e do Governo da CPLP tem lugar em Luanda, a 16 e 17 de julho, e marca os 25 anos da organização.

Francisco Ribeiro Telles, cujo mandato está prestes a terminar, diz que será assinado, em Luanda, um acordo sobre mobilidade, dossier trabalhado pela Presidência cabo-verdiana, que abre portas para "uma maior liberdade de circulação dos cidadãos" lusófonos. A cimeira de Luanda "é bastante importante para a própria história da CPLP", sublinha.

DW África: Quais as perspetivas sobre a cimeira de Luanda e o que espera da presidência angolana?

Francisco Ribeiro Telles (FRT): Vamos ter também o reforço da componente económica e empresarial da CPLP. Isto é, Angola vai apresentar um programa que tem sobretudo a ver com questões económicas e comerciais, questões de desenvolvimento sustentável. Portanto, vamos reforçar esse pendor da CPLP. Isso também é importante, porque temos constatado que a CPLP, cada vez mais, começa a interessar outros países também como um espaço económico.

Depois vamos também ter a entrada de novos países observadores para a CPLP. São à volta de dez, o que faz com que a CPLP, no final da cimeira de Luanda, tenha mais de 30 países observadores e organizações. São países muito relevantes que vão entrar.  Da América do Norte, de referir os Estados Unidos e o Canadá; da Ásia vai entrar a Índia; de África, a Costa do Marfim; da América Latina, o Peru. Da Europa, países como a Espanha, a Roménia e a Grécia. De forma que a CPLP está cada vez a despertar um interesse crescente junto da comunidade internacional. Países que querem, no fim de contas, participar também nas atividades da organização. 

Francisco Ribeiro Telles

Última entrevista de Ribeiro Telles à DW como secretário executivo da CPLP

DW África: Constituem por isso uma mais-valia para os objetivos da CPLP? 

FRT: Sim, constituem uma mais-valia. Eu acho que a CPLP, com esses países, ganha escala. Isto é, é uma organização atípica, não é uma organização regional. Nenhum Estado-membro da CPLP faz fronteira com o outro. Apenas há fronteiras marítimas, são Estados ribeirinhos, são Estados nos quatro cantos do mundo, portanto com uma descontinuidade geográfica muito acentuada, com níveis de desenvolvimento económico muito diferenciados, mas de qualquer forma os Estados-membros estão muito próximos uns dos outros. E é isso que faz a força da organização e é isso que faz a força da língua portuguesa.

DW África: Tendo em conta o número de observadores associados, que já ultrapassa em larga escala o número dos países membros, isso implica rever o respetivo regulamento na cimeira de Luanda?

FRT: Sim, implica. Porque, de facto, em 2014, tínhamos três países observadores. Agora teremos mais de uma trintena. De forma que [é necessário] adaptar o regulamento àquilo que é fenómeno de uma importância crescente da CPLP. De maneira que ainda estamos num processo de discussão desse regulamento, mas a ideia de facto é operacionalizar de uma forma bastante concreta a entrada desses países na CPLP. Isto é, até que ponto a CPLP pode ser útil a esses países e esses países possam vir a ser úteis para a CPLP. Há várias ideias, ainda não temos um documento consolidado, mas lá chegaremos.

DW África: Os parlamentares dos países de língua portuguesa insistem de que é preciso avançar com a livre circulação de pessoas, mas também de bens. É um aspeto que ainda está para além dos esforços da presidência cabo-verdiana?

FRT: Eu acho que a presidência cabo-verdiana fez um trabalho notável nesse sentido. E como tenho dito, a questão da promoção e difusão da língua portuguesa funciona bem na CPLP – o português é uma língua cada vez mais falada no mundo e as projeções das Nações Unidas apontam que se neste momento há 260 milhões de falantes, no final do século serão 500 milhões muito pelo crescimento demográfico de Angola e Moçambique.

Jorge Carlos Fonseca

Jorge Carlos Fonseca, Presidente de Cabo Verde

Outro aspeto que funciona bem na CPLP é a concertação político-diplomática. Os grupos CPLP são grupos que, quando estão nas organizações internacionais, conseguem fazer lobby para eleger altos representantes dos Estados membros a cargos internacionais. Há uma questão que, de certa forma, tem de ser agora mais bem trabalhada, que é o sentimento de pertença do cidadão comum à CPLP. Isto é: para que é que serve a CPLP? Eu, como diplomata, percebo muito bem a importância da organização, mas um cidadão comum pode não entender. E a questão da mobilidade é precisamente isso, é criar condições para que as pessoas passem a identificar-se com a CPLP. Isso passa obviamente pela liberdade de circulação. 

DW África: Nesta matéria, há países que estão a avançar no plano bilateral. O que é preciso fazer mais para se sentir que a mobilidade é um facto. Há um horizonte temporal definido? 

FRT: Não há um horizonte temporal, mas digamos que passa a haver um quadro definido para que haja uma maior flexibilização no que diz respeito a vistos, no que diz respeito também a vistos de residência. Claro que não se podem abrir as fronteiras de um momento para o outro, mas a ideia é que, numa primeira fase, determinadas categorias profissionais – como sejam empresários, estudantes, investigadores ou artistas – podem ver a sua circulação facilitada no espaço da CPLP. E este acordo que vamos assinar [em Luanda] abre caminho a essa possibilidade. 

DW África: No plano económico, é preciso explorar ainda mais as capacidades e as potencialidades dos países-membros? 

FRT: O potencial da CPLP é enorme. Os Estados todos juntos representam 4 por cento do PIB mundial. As reservas de petróleo e de gás são imensas no espaço da CPLP. A CPLP tem 18% das reservas de água doce a nível global. De forma que é um pouco encontrarmos plataformas comuns para pôr todo este potencial ao dispor da CPLP.

DW África: Mas, até então, isso não passou de mera intenção ou perspetiva apenas expressas nos discursos? 

FRT: Daí que temos dito também não pensar que conseguimos tudo de uma só vez, mas ter uma política de passos concretos. E a ideia é que, de facto, esta componente económica empresarial possa, por um lado, atender àquilo que são as preocupações, por exemplo, dos estudantes e empresários de circulação no espaço da CPLP. A questão dos vistos, acordos tributários, tudo isso. Digamos, é um primeiro passo para que passe a haver uma maior abertura nessas camadas da população que são muito importantes para o próprio desenvolvimento económico da CPLP. É preciso facilitar a circulação de empresários, dos estudantes, de artistas. 

Francisco Ribeiro Telles

"A CPLP é uma organização atípica: Nenhum Estado-membro da CPLP faz fronteira com o outro."

DW África: Encontrar financiamento junto de parceiros internacionais também é crucial? 

FRT: Sim. Uma das questões que no início do meu mandato quis fazer foi, de facto, uma maior aproximação da CPLP com outras organizações internacionais. A pandemia, de certa forma, prejudicou-me um pouco nesse desiderato. Mas, de qualquer forma, consegui ir a Bruxelas e estabelecer um programa de trabalho com a União Europeia para ver até que ponto a UE pode ajudar a CPLP nesse domínio. Também fiz contactos com a Organização de África, Caraíbas e Pacífico aproveitando o facto do seu secretário-geral agora ser um cidadão lusófono, ex-ministro das Relações Exteriores de Angola, Jorge Chicoti. Contactos que estabeleci também com a própria Conferência Ibero-Americana, precisamente para poder colocar a CPLP no mapa das organizações internacionais e podermos beneficiar com tudo aquilo que essas organizações nos podem oferecer. 

DW África: No plano político diplomático, há dois pontos fraturantes que marcaram o seu mandato: a incapacidade de intervenção da CPLP face à situação em Cabo Delgado, Moçambique, e o incumprimento da moratória para a abolição da pena de morte na Guiné Equatorial. Concorda? 

FRT: Em relação a Cabo Delgado, a CPLP, desde o início, pôs-se à disposição de Moçambique enquanto Estado membro fundador para tudo aquilo que necessitasse e que estivesse ao alcance da CPLP fazê-lo. E o que nos foi transmitido na altura foi: "O que nós gostaríamos é que a CPLP pudesse sensibilizar outras organizações internacionais para a terrível situação em Cabo Delgado; a situação humanitária, os ataques terroristas, etc.”. Eu fiz contactos com a União Europeia, com a União Africana, com a SADC e também com as Nações Unidas a sensibilizá-las para uma atuação rápida. Isso foi feito. Depois, também se constatou – e desde o início me foi dito isso – que a melhor intervenção em Cabo Delgado seria uma intervenção a nível regional, através de uma força própria da SADC, que eu acho que está em marcha, e é o que faz sentido. 

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"CPLP não pode sancionar nenhum Estado-membro"

Em relação à outra questão, eu acho que pela primeira vez temos um programa consistente de apoio à integração da Guiné Equatorial na CPLP. Temos um programa calendarizado e orçamentado, que vai durar dois anos e ao fim desses dois anos os Estados membros farão uma avaliação dos progressos que foram feitos nesse domínio.  Em relação à questão da moratória, o que me dizem as autoridades equato-guineenses é que essa moratória está a ser cumprida. Não mais ninguém foi condenado ou executado desde que o Presidente Obiang decretou essa moratória. Não existe ainda consagrada no Código Penal a abolição da pena de morte, mas o que as autoridades da Guiné Equatorial me garantiram foi de que não houve mais nenhuma execução. 

DW África: No meio de tudo o que marcou a vida da organização, é de considerar que o surto de Covid-19 acabou por afetar o avanço de vários projetos de cooperação entre os Estados-membros? 

FRT: Sim, de certa forma, porque nós tínhamos programado uma série de reuniões importantes. Até mesmo na véspera da eclosão da pandemia tínhamos programado, precisamente para preparar a componente económica e empresarial da CPLP, uma série de reuniões a nível tripartido dos ministros da Economia, Comércio e das Finanças que acabou por ser adiada e também das agências de investimento. De forma que num primeiro momento ficamos um pouco atordoados e rapidamente nos adaptamos à plataforma virtual. Recomeçamos as reuniões precisamente a esse nível. E acho que nos adaptamos bem.  

DW África: A cimeira de Luanda será feita concertação para uma ação mais articulada para fazer face àquilo que são as consequências da pandemia? 

FRT: Penso que os chefes de Estado irão discutir isso e concerteza que depois tomarão as decisões devidas em relação a isso.

Mosambik CPLP sendet Mission an Cabo Delgado - P1240043

Integram a CPLP Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial, Timor-Leste, Brasil e Portugal.

DW África: Os chefes de Estados também vão avaliar o seu mandato. Deixa o cargo com sentido de missão cumprida? O que gostaria de ter realizado e não foi possível concretizar?

FRT: A CPLP é uma organização jovem, é um projeto inacabado. Se nós compararmos com as organizações congéneres, a Commonwealth que tem mais de 70 anos, a Franfoconia tem 60 anos, a CPLP vai fazer 25 anos. Portanto, há muita coisa ainda por fazer, mas eu direi que os maiores desafios foi nós lançarmos as sementes para um acordo de mobilidade. Agora outro grande desafio vai ser operacionalizar esse acordo, de forma a que os cidadãos dos Estados membros sintam que esse acordo é útil para eles. Também a questão da componente económica e empresarial também caberá a Angola, nos dois anos do seu mandato, criar os instrumentos e os mecanismos para que essa cooperação venha a ser efetiva. E, por último, pormos os países observadores ao serviço da CPLP. Também vai ser um desafio. Cada país que entra para a CPLP como observador tem um caderno de encargos e compromete-se a promover e a difundir a língua portuguesa, mas é preciso ir para além disso e, possivelmente, integrar os países observadores em projetos de cooperação no espaço da CPLP.

DW África: São aspetos que já discutiu ou vai discutir com o seu sucessor, o timorense Zaracias da Costa? 

FRT: Já discuti. Tenho mantido um diálogo permanente, de forma a que haja uma transição o mais cómodo possível, digamos assim. 

fonte: DW África

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