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terça-feira, 6 de março de 2012

Teresa da Silva Neto: ‘Se exiStem bolsas para os alunos, porque não financiar as instituições privadas?

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

As instituições privadas de ensino superior têm uma associação.Existe também uma espécie de clube dos reitores para ir trabalhando com e exigir coisas e até criticar as políticas universitárias do Executivo?
Existe uma Associação das Instituições do Ensino Superior Privadas Angolanas (AIESP), que agora presido e que funciona cá nas nossas instalações.

Não lhes ocorre a criação de um clube de reitores para darem contributos e exigirem, chateando mesmo, o que acham de direito?
Não. Na associação organizamonos no sentido de apoiarmos o Ministério da Ciência e Ensino Superior.
Posicionamo-nos como um apoio do ministério, com o compromisso na melhoria do funcionamento das instituições. Não é para chatear nem para sermos sombra do Ministério.
Entendem-se todos nesta associação?
Entendemo-nos. Temos muito boas relações e discutimos os assuntos de forma séria, apesar das amizades que existem e apesar da concorrência que também existe entre as instituições.

E trata-se de uma concorrência que não é para brincadeiras…
Não é fácil.
Falando em concorrência, já se diz que algumas universidades estão mais como um objecto de negócios para os seus promotores que propriamente como uma casa para criar e expandir o conhecimento. Preocupa-a o que se diz sobre a qualidade do ensino nas nossas universidades?
Sim. A qualidade do ensino das nossas instituições tem de ser discutida e avaliada, porque somos muitas instituições privadas de ensino superior e a ideia que se cria é sobre o que, exactamente, temos estado a fazer nas instituições. Na Universidade Metodista de Angola (UMA) temos a consciência que não estamos aqui para sermos mais uma, o nosso desafio é para sermos a melhor instituição. Queremos investir nos quadros que são formados na instituição com qualidade. É nisso que apostamos, tanto ao nível do Conselho de Administração que se preocupa em comprar o que nós solicitamos, como ao nível da reitoria em que estamos preocupados em organizar a questão pedagógica, começando pela selecção dos estudantes, os docentes e sobre o que temos estado a leccionar nas nossas aulas. Todos os nossos cursos técnicos, fundamentalmente nas engenharias, é importante que os estudantes tenham aulas práticas em laboratórios.

Como reage quando se depara com universidades que não cuidam da questão da formação de qualidade… mais preocupadas com o negócio que propriamente com a boa formação?
O nosso foco de conversa na associação é exactamente este.
Porque temos na associação pessoas que são reitores e que também são os gestores das instituições. O reitor, muitas vezes, é a pessoa que gere a área pedagógica e todos nós sabemos que temos compromissos.
Se és um reitor de uma instituição e acobertas coisas desta natureza, porque é negócio, sem preocupação com a formação dos estudantes, isso é muito mau. Mas o que eu percebo é que os incentivos, as dificuldades que existem, a busca, têm estado a levar a que as instituições não sejam vistas como negócio, porque esta não é a ideia. Penso que isso fica fora das expectativas que as instituições têm estado a criar.

A UMA está a crescer. É o projecto inicial que o dita ou as oportunidades é que vão surgindo?
Quando uma pessoa se dispõe a uma tarefa destas tem já o projecto definido. O que queremos ser hoje, amanhã e o que queremos ser no futuro. Nós começámos com um projecto inicial que dizia que o nosso espaço inicial de leccionação seria em Luanda, na Baixa, onde estamos, construindo de seguida um edifício lá atrás. E depois de tudo consolidado pretendemos sair deste espaço em que estamos instalados. Crescer é a ideia inicial e temos marcado passos aos poucos. Temos de sustentar o que nos propusemos fazer.

Daqui a um ano teremos a UMA toda no Kaop Park?
Toda não. No Kaop temos os cursos novos, nas áreas de ciências da saúde e desportos e aqui temos os cursos voltados para a área tecnológica. Temos um terreno na área de Catete que creio que será o lugar para o grosso da nossa expansão.

Uma das queixas repetidas sobre as universidades em Angola prende-se com o facto de não terem um corpo docente próprio e fixo. Como é que a UMA vê este problema, quer escapar disso ou rendeu-se aos chamados turbo-docentes?
No nosso país temos este problema com os professores. Também temos alguma falta de sentido de carreira, mas não é só no ensino. Há professores a leccionar há muitos anos, mas não temos a cultura de fixação numa universidade, com um gabinete, para desenvolver pesquisas. Acho que esta política, de estabelecer o docente, não existe ainda. Até porque se o docente não está em várias universidades está numa empresa qualquer, além da universidade. Face a isso, nós temos contado com professores estrangeiros, poucos, mas são os que nos garantem uma certa segurança.
Os professores nacionais, estamos a fidelizar os que trabalham connosco há mais tempo. Este é o caminho que temos seguido. O nosso próprio projecto aposta na política de fidelização de quadros. Esta semana irei conversar com os colegas de outras instituições privadas sobre este assunto. O ideal é termos quadros próprios.
‘Ainda temos o problema dos professores que mal conseguem

comunicar com os estudantes’ “Até porque hoje todos querem dar aulas, mas não é bem assim, quem vai dar aulas tem de ter didáctica”

A falta da fixação de quadros não decorrerá também do facto de algumas instituições assumirem de alguma forma o efémero da sua existência? Não têm revistas para publicação de ensaios científicos, não criam gabinetes ou centros de pesquisa, não têm professores fixos… não será na perspectiva do baixo investimento porque, se calhar, daqui a dez ou quinze anos fecham as portas porque o negócio poderá já não ser rentável?
Diria que não, é tudo muito novo no nosso país. Mas até o Estado já decretou que as pessoas devem leccionar até duas instituições no máximo. Até porque em Luanda já nem é possível a pessoa deslocarse por três/quatro instituições. Na verdade as pessoas mal davam aulas, aquilo era mais uma forma de ganhar dinheiro. Hoje, um dos projectos da nossa associação visa exactamente a formação e fixação de quadros, tal como a pesquisa e a publicação.
Porque usamos livros produzidos no estrangeiro, mas precisamos também de ter material produzido por nós.
Estamos a criar condições para isso, para que esta cultura se instale nas instituições. Cá, na Metodista, daqui a alguns dias vamos inaugurar a reprografia, que ajudará as pessoas que queiram fazer publicações.
Temos mesmo de formar os nossos quadros, até porque hoje todos querem dar aulas, mas não é bem assim, quem vai dar aulas tem de ter didáctica … ainda temos o problema dos professores que mal conseguem comunicar com os estudantes. Na ideia de formarmos os nossos quadros, nós firmámos protocolos com universidades portuguesas como as de Coimbra, de Évora e do Porto, justamente para nos ajudarem a formar os nossos quadros.

São universidades com prestígio
São. E podem ajudar-nos muito.

No ano passado foi publicado um ranking das universidades africanas em que Angola não ficou bem na fotografia. A publicação de obras científicas, no nosso caso a não publicação, pesou na classificação?
Também. É por aí que passa o nosso desafio. Mas não vamos correr muito, vamos dar um passo de cada vez.
Primeiro temos de formar bons professores. A cada ano que falta vamos contratando pessoas para os lugares que estão por preencher, estamos a formar equipas com professores nacionais e vamos buscando gente de fora para os lugares em que não temos ainda nacionais para os preencher, ou quando nos trazem mais conhecimento.

Abrem este ano um curso de cardiopneumologia, como o farão sem um hospital associado?
Não, não temos um hospital nosso, mas estamos apenas no primeiro ano.
O que vamos precisar depois é de instituições para estágios. Pela especificidade do curso, não precisaremos de um hospital associado. Iremos solicitar acordos ou vagas para o estágio nos hospitais existentes. Até porque já temos esta experiência, os nossos estudantes em análises clínicas e saúde pública são os primeiros com curso superior, em Angola. Eles fizeram estágios nos hospitais e ficaram, convivendo com técnicos que mesmo não tendo um curso superior, têm uma experiência acumulada importante.
Vamos formar técnicos para trabalhar com os médicos cardiologistas.

E o campus para formação nas áreas dos desportos?
Esta formação irá ao encontro das preocupações que a sociedade e o governo têm expressado sobre esta matéria. Os angolanos gostam de desportos. Recebemos recentemente o CAN de futebol e percebemos que as pessoas estão cada vez mais engajadas com as selecções nacionais das várias modalidades. É uma área que além da questão da saúde das pessoas poderá também trazer retornos importantes para o país.

E o campus tem capacidade para receber quantos estudantes?
Temos capacidade para até duas mil pessoas, mas este ano estamos à espera de cerca de mil estudantes.
É um espaço generoso, temos uma pista de atletismo grande e adequada à modalidade, temos dois ginásios, multiusos e um menor para sessões com ginástica rítmica, etc. É um espaço para o desporto.

Passaremos então a ter treinadores com curso superior?
Acho que sim. Mas o espaço, além da formação, serve também para as pessoas, para as escolas. Temos lá uma piscina, campos de ténis, um court de ténis, campo de golfe… é um espaço preparado para quase todos os desportos.

Mas aí no Kaop Park está num sítio com dificuldades de acesso, não?
Isso já não se coloca em Angola, é só começar o funcionamento e logo surgirão as formas de lá chegar. Para já, a via está boa… temos estado a falar com o Ministério da Juventude e Desportos, explicando o que temos e vendo em quê que o Governos nos poderá ajudar. Somos uma instituição do ensino superior privada, é verdade, mas nós formamos cidadãos angolanos e julgo que é aqui que o Estado nos pode ajudar. De facto não estamos para ganhar dinheiro, apenas, temos de ver o que estamos a fazer, estamos a formar quadros.
Temos de produzir viveiros, é o que nos falta em Angola. Eu vivi mais de uma dezena de anos no Brasil e sei um pouco como é que aquele país se tornou num dos maiores exportadores de jogadores, começa-se pela base. Estas boas experiências podemos segui-las.

Até que ponto a UMA segue a doutrina metodista?
Nós somos uma universidade metodista, temos a nossa doutrina e seguimos aquilo que nós apregoamos.
Eu sou pastora da Igreja Metodista também, além de reitora da universidade. Nós queremos que os nossos estudantes saiam da universidade com uma marca. Neste ano de 2012, os candidatos a nossos estudantes, e nós, fizemos ao longo de uma semana um encontro, e estamos a falar de cerca de cinco mil candidatos, e com todos eles conversamos, já para acautelar, sobre o que nós gastaríamos que eles fossem como estudantes e profissionais no futuro. Dentro de todos os currículos da universidade há uma disciplina de ética cristã. Não é no sentido de tornar todos adventistas, o que pretendemos é formar bons profissionais para o mercado do trabalho. Eu, na qualidade de reitora, gostaria que os nossos estudantes, em qualquer lugar em que fossem pudessem levar um bocadinho que fizesse a diferença, no relacionamento, no profissionalismo, na qualidade do trabalho. Se pregamos isso também devemos ensinar aqui. A nossa divisa é passarmos a doutrina metodista e pedir que eles sejam tolerantes.

Não há resistências à doutrinação? É como tudo, há pequenas resistências, não podemos esperar que saia tudo bonito. As pessoas às vezes perguntam porquê que tenho de ter esta disciplina se eu não sou?
Nós explicamos, tu não és mas estás. É como pessoas ligadas a outras igrejas que dizem não poder vir às aulas às Sextas-feiras. Dizemos tu não podes na tua igreja, mas aqui não é bem assim.
Tudo passa pelo diálogo. A conversa é o mais importante. É como dizer vou dar um não, mas um não bem dado, um não que sabe a sim.
Não há facilitismos por ser da igreja. não sabe, reprova!
“reprova-se. Quem não sabe reprova. É só ir ver a pauta para a admissão”
E a taxa de aproveitamento, aqui reprova-se muito ou também se insiste até à aprovação do aluno?
Reprova-se. Quem não sabe reprova. É só ir ver a pauta para a admissão. Reprova-se, aqui não há facilitismos porque é da Igreja, não.
Não sabe, reprova. O que eu digo aos alunos é que se apliquem nos estudos, que aproveitem os períodos de borla para se ocuparem na biblioteca. Há que aplicar-se.

Mas há também o problema da má preparação com que os alunos chegam ao ensino superior.
Isto é um problema nas universidades. Temos estado a falar entre nós e também com os ministérios do Ensino Superior e da Educação, porque a preparação de base é assunto do Ministério da Educação…

Mas não recebem um produto em condições…
Eu diria que o problema nem é das políticas do Ministério da Educação, hoje, eu acho que já nem passa por aí, com as reformas que foram feitas.
Acho que há também um relaxamento por parte dos encarregados de educação, que criaram na cabeça a ideia do facilitismo… o aluno pode até preparar-se para uma prova de admissão, por exemplo, mas o pai já está a pensar em como fazer caminhos para pedir ajuda, mas nunca, ao longo do ano lectivo, acompanhou o desempenho do filho na escola.
Depois vêm dizer que o filho é muito inteligente… pois, é inteligente porque ele o diz, o pai não o acompanha.
Acho que há disso, porque as pessoas vêm mal preparadas. Há quem não saiba escrever. Pode-se ler uma carta de um aluno que vai entrar na universidade e ficar triste. Vimos agora o que foi o exame de acesso, nas provas de português, nas provas de matemática… a desculpa é o stress, mas há quem escreva universidade com “c”, metodista com “z”… é complicado.

Alguns destes acabam por entrar nas universidades. Como se trabalha com eles?
Quando se fazem as provas de acesso as vagas vão sendo preenchidas de acordo com as notas. A primeira vaga é preenchida pela nota mais alta e assim se vai descendo até á última nota. Há pessoas que ficam de fora e acho que é uma pena, porque deveríamos ter uma chance, o ano propedêutico, ou ano zero.
Este ano zero deveria existir, onde o estudante ficaria a preparar-se para a universidade e depois ter acesso ao ensino superior. Já tivemos, mas veio uma ordem para abandonarmos. Mas hoje há estudantes a reclamar eles mesmos pelo ano zero, que consideram importante. Ainda recentemente se soube que mais de quarenta mil pessoas concorreram às provas de acesso da Universidade Agostinho Neto… existem candidatos, existem poucas vagas e o índice de aprovação, mesmo assim, deixa muito a desejar.

Temos, portanto, uma sociedade moldada pela mediocridade, sendo a grande maioria da população jovem…
Não o diria. Não podemos rotular a sociedade desta forma, acho que não. Só pelo facto de muita gente querer entrar para o ensino superior, eu diria que há interesse na formação. Agora, é preciso que se entenda universidade não como o ponto de obtenção do diploma, mas como o ponto de obtenção de formação para podermos ser úteis ao país. São jovens e têm de saber o que querem fazer.
Acho que tem de partir de casa a ideia e orientação para que ele pense ‘vou me formar para no futuro ser um quadro de qualidade’. Nós, a maior parte das pessoas da nossa direcção, não tivemos a sorte de nos formarmos no nosso país, fomos formar-nos fora e voltámos, mas com a ideia de nos formarmos e voltarmos para sermos úteis ao país. Penso que as pessoas que agora têm condições de estudar no nosso país têm de pensar da mesma forma: vou formar-me em Angola para dar o meu melhor.

Portanto, a busca da melhor qualificação é mesmo o objectivo. Acha que o Estado deveria subsidiar as universidades privadas?
Sim. É como disse: as universidades são privadas mas são parceiras do governo, ou do Estado, porque o produto que vão apresentar terá sempre um impacto na nossa sociedade. Há a necessidade de existir um financiamento às universidades privadas. Se hoje existem bolsas de estudo para formar quadros que estão nas instituições, incluindo as privadas, porque não financiar as instituições privadas por aquilo que têm estado a fazer?

Isto teria uma relação directa com o aumento da qualidade do ensino, ou com a produção científica?
De alguma forma ajudaria. Veja a montagem de laboratórios, que são muito caros, porque para um curso técnico a instituição tem de ter laboratórios. Ajudaria. Acho que o governo deveria pensar nisso, em financiar as instituições privadas.
Claro que se deveria avaliar o grau de retorno. Há pouco tempo pôs a questão de algumas universidades poderem estar a vislumbrar o seu fim para daqui a uma década, por exemplo, é aí que se tem de ver as coisas.
Eu defendo a ideia que as instituições sejam avaliadas, para que não ande cada uma a dizer que é a melhor. Tem de haver uma avaliação, que é o que, ao que parece, o Ministério da Ciência e do Ensino Superior a procurar fazer.

Já solicitaram ao Estado este apoio?
Temos solicitado de alguma forma.
Solicitamos, por exemplo, a isenção de impostos para os produtos a usar nos laboratórios, para livros…

E a resposta tem sido positiva?
Não propriamente. Existe uma lei, mas não tem sido praticada, nesta questão dos impostos. Esta tem sido a nossa luta constante. Acho que nisso já seria uma ajuda. Porque as alfândegas têm o documento que isenta de impostos este tipo de materiais, mas isso não é aplicado. É lamentável.

E a política do Estado para o ensino superior, o que lhe parece, precisa de arranjos?
Eu acho que a cada ano que passa sentimos melhorias. Só a ideia de se ter aumentado o número de instituições, públicas e privadas, já é um avanço. Antigamente tínhamos uma única para todo o país, hoje existe abertura, o que mostra que o Estado tem estado a investir naquilo que é o principal, a formação. Nenhum país sobrevive sem gente formada.

Tanto a Universidade Metodista quanto as outras universidades angolanas vão falando das suas ligações às universidades de prestígio lá fora, mas não falam de alianças internas.
Não há notícia de um aluno da Faculdade de Medicina Veterinária do Huambo, por exemplo, beneficiar de um programa de intercâmbio com uma universidade de Luanda…
A ideia do intercâmbio ao nível nacional já existe. Nós fazemos intercâmbios com a Universidade de Évora, por exemplo, por causa das engenharias, por força do nosso curriculum que tem uma estrutura idêntica à deles. As outras universidades, acho que a dificuldade é um pouco esta, temos currículos desfasados. Mas existe já uma política do ministério que pretende balizar os currículos, porque se saio de uma universidade do Huambo, no quarto ano, tenho de encontrar em Luanda uma estrutura curricular igual ou aproximada. A Metodista lança este ano os primeiros formados, tínhamos que nos adequar, os intercâmbios vão aparecendo ao longo do processo. Por exemplo, falou do caso de um aluno do Huambo, nós, agora, com o curso de engenharia agropecuária, nós temos de ir buscar a experiência do Huambo que é o único curso no país. Na área da arquitectura, nos colóquios que se vão organizando, lidamos muito com as universidades que também têm cursos de arquitectura, participamos em palestras, etc. Não é ainda como gostaríamos, são parcerias ainda tímidas, mas o caminho a fazer é exactamente este.

Mesmo nas parcerias internacionais o que se vê é o receber, livros, professores, etc., mas não se dá conhecimento, não se recebem cá estudantes de fora.
Mas nós temos uma experiência, há tempos recebemos aqui um grupo de pessoas de uma universidade que pretendem fazer connosco um intercâmbio na área da gestão, um estágio, e nós mandando estudantes para lá. Penso que tudo isso tem a ver com a política interna de cada instituição, qual é o olhar que têm as pessoas que estão à frente. Eu tive esta experiência, sei que é boa. Até para a elaboração do trabalho de fim de curso estas experiências têm valor. Nós temos estado a trabalhar neste sentido, de levar os nossos estudantes para fora. Os nossos estudantes de arquitectura são privilegiados porque já o fazem, viajam e voltam com outras experiências, além dos professores com experiência internacional que temos.

Perfil
Teresa da Silva Neto é natural de Luanda, mas cresceu no Uige.
É a mais nova reitora de uma universidade angolana e uma das duas únicas mulheres com este cargo (a outra é Laurinda Oigard, da Universidade Privada de Angola). Casada e mãe de rês filhos, todos eles nascidos no Brasil, mas com nomes angolanos, como Makiesse e Kidi.
Formou-se em teologia e em pedagogia. Fez um mestrado em ciências da religião e publicou, no fim dos estudos para o seu doutoramento na Universidade de Campinas (Brasil), o livro História da Educação e Cultura de Angola.
Filha de pai metodista e mãe católica, foi católica até aos vinte anos. Diz que foi ao Brasil criança e voltou senhora. Foi lá que se casou com o angolano Adriano Domingos Neto.
Afirma ter uma boa relação com os profissionais e alunos da universidade. Dirige uma instituição que alberga cerca de oito mil pessoas, entre estudantes, docentes e funcionários. A Universidade metodista lecciona um total de 18 cursos.
José kaliengue

fonte: OPAIS

NÃO AO USO DE COLETE À PROVA DE JUSTIÇA.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

“ Quem não deve não teme “, diz o Povo!
Porque ninguém está acima da lei, queremos uma lei cega que não olhe a meias, que corte a direito sem tremer nas orientações e decisões de Justiça com lealdade, fidelidade, consciência, em igualdade de circunstâncias e de condições justas e transparentes para todos os cidadãos.
Não queremos uma justiça que olhe a apelidos, que seja complexada e inibida perante a condição social do indivíduo de acordo com o seu estatuto público no meio, sua condição material e ciclos de influência, queremos tão somente uma justiça transparente, convincente, normal e compreensível para o cidadão comum, uma justiça pela primeira vez igual para todo o território nacional da Guiné-Bissau.
Estamos todos muito preocupados em relação à esta realidade doentia no que concerne à Justiça. Há várias décadas que arrastamos com esta dificuldade que começa a parecer crónica quando não é, apenas precisando de uma nova mentalidade, coerência e especificidade nas suas actuações e aplicação da lei.
Por ironia do destino, somos um País com uma Faculdade de Direito há vários anos e que confere o grau de licenciatura em Ciências Jurídicas,  somos também um País pioneiro com um Ilustre Professor Doutor, Constitucionalista e único salvo erro nos PALOP, exceptuando o Brasil que tem um avanço enorme nas áreas de especialização cientifica superior em relação aos restantes Estados de língua portuguesa. Não se percebe o porquê deste atraso medonho da Instituição de Justiça, aliás, penso que percebemos um pouco este motivo, mas não aceitamos esta negligência dos profissionais de justiça, mesmo compreendendo que o verdadeiro problema assenta na corrupção e algumas dificuldades administrativas desta actividade profissional no terreno, torna-se difícil qualquer tolerância em relação ao fenómeno. Constatamos que o funcionamento da justiça age como um pau de dos bicos, com um dos lados perfeitamente inoperacional, protegendo alguns bandidos e o outro, afiado e pronto a picar o mais fraco. Temos Justiça para todos os gostos, carteiras, apelidos e até chegarmos a ausência pura e simplesmente de Justiça propriamente dita, uma impunidade total para certos indivíduos, mas que justiça é esta amigo.
Enfim, caminhamos para mais uma eleição presidencial, o rufar dos tambores saiu à rua, apontam-se “espingardas” para esta realidade nua e crua, ouvimos todos perguntando por justiça, todos perguntam mas alguns por ironia quando os próprios estão há anos a fio e nada fizeram para empurrar este barco para frente, onde pára a justiça realmente, melhor vamos impor justiça em voz alta para acordar os mortos vivos, dá vontade de rir ouvindo isto da boca de certos indivíduos durante esta campanha eleitoral.
Por vezes até parece mentira ou que alguns aterraram de pára-quedas no território nacional e não sabem do que se passa no terreno, dando a sensação que esta motivação é só devida ao estado de campanha eleitoral e talvez para esquecer de novo logo a seguir. Ouvimos vozes aclamando por justiça social em relação aos crimes cometidos há três anos atrás no nosso País, as mortes de João Bernardo Vieira, Tagma Nawai e mais dirigentes do PAIGC e do Estado da Guiné-Bissau igualmente assassinados, espanta de certo modo a muitos Guineense tudo isto e até hoje nada ou quase nada em matéria de investigação a partir deste acontecimento criminoso se fez, parece já ser hábito esta acumulação de assassinatos sem investigação e respectivo julgamento ao longo da história do nosso Estado.
É de lembrar que até hoje nenhum dos inquéritos das mortes de Nino Vieira e Tagma Nawai e outros, chegou ao fim, ainda não se concluiu qualquer acusação contra ninguém, parece impossível, portanto não existindo arguidos neste processo, todos os suspeitos são considerados inocentes até uma prova em contrário, mas para quando será feito este trabalho, o Ministério Público tem uma palavra a dizer, mas com o andar dos tempos sem sinais óbvios de trabalhos, parece cada vez mais difícil uma conclusão experimental da investigação judicial.
Quem não deve não teme diz o Povo, mas para alguns esta máxima não funciona, receiam uma identificação inesperada com o submundo do crime, aqueles que têm rabo-de-palha andam alguns empenhados na busca de uma armação protectora até conseguirem "colete à prova de justiça", estes não são visíveis do exterior, quando envergado por alguém apenas se nota bem e, estranha-se a ausência e impunidade à mistura, na convivência social é notado por sinais de alerta mais ao menos reconhecidos e percebidos pelos mais atentos no meio ambiente (o diz que diz, faz o enfoque e lança a suspeição da boca para fora até que fala-se na vizinhança, é um velho truque de grupos identificados - Bamtabá - um vício antigo da comunicação entre pessoas que se conhecem) e quando menos se espera acontece que se sabe sempre tudo, quem matou ou quem mandou matar e como tudo aconteceu…
Imaginando que alguém já traga o “colete à prova de justiça” vestido, em que ficamos então, pergunto, o que fazer com esta possível imunidade às leis vigentes no País caso tratar-se de um político ou alguém bem relacionado no meio castrense, será que o tribunal militar ou civil vai agir com isenção, volto a perguntar. É uma questão que também merece reflexão e a ver vamos como a Guiné-Bissau vai safar-se desta "batata-quente", sem ficar mal na fotografia e aos olhos do mundo como Estado garante da Justiça Social no País, isto é, se continuar esta impunidade sem governo que imponha ordem jurídica nas coisas.
Assistimos nestes dias a uma campanha eleitoral onde continua ausente um debate de ideias e de projectos entre os candidatos, devíamos estar preocupados com o valor das ideias, projectos e modelo de "arbitragem" neste momento ainda nas cabeças dos Srs. candidatos que concorrem ao mais alto cargo da Magistratura da Nação, pergunto porquê assim, até parece que já não vale a pena apostar nas ideias, mas sim no "charme" ou estaremos todos enganados por enquanto.
Ainda não se ouviu falar de debate político, queremos ver este gesto democrático no nosso País como Estado Democrático e de Direito que é, tudo isto traz as suas vantagens porque facultará bases de reflexão ao eleitorado.
Temos um País onde impera a oralidade/literatura oral em primeiro lugar, uma via de informação privilegiada em relação à literatura escrita/comunicação por escrito, daí que entenda-se, para o Povo a via do debate público torna-se na mais importante avenida principal para dar e receber a informação durante e depois desta campanha eleitoral.
Vamos ao debate, “quem quer peixe vai ao mar” e alertamos os candidatos de que o nosso Povo está/estamos habituados ao peixe fresco, nada de “importação”, e teorias de chapa ou ideias congeladas a mando dos amigos ricos do exterior, porque nós queremos descer ao nível das nossas necessidades reais, reunir o perfil das nossas dificuldade e sermos realistas, avançar a partir das nossas necessidades, dar prioridade máxima as coisas que NASCEM, CRESCEM, REPRODUZEM E MORREM DENTRO DO TERRITÓRIO NACIONAL, isto é, na perspectiva do que deve ser explorado e também do perfil de desenvolvimento sustentado que tanto se espera e queremos. E mais, obviamente que nesta perspectiva pautamos pelo conhecimento e sabedoria assentes na base e principio da honestidade, fidelidade em relação ao que a natureza nos ofereceu, toda a sua filosofia existencial é anti-vender a Mãe-Terra por nenhum preço deste mundo de negócios.
Temos um País que é um paraíso futuro, imagino o seu colo grande repleto de filhos do mundo inteiro, amigos de toda a parte, mas, com o seu património humano e territorial na posse do Estado da Guiné-Bissau ponto final paragrafo. O amor cuida e protege, presta cuidados maternais, é da natureza humana este instinto e dever da alma, só quem for perverso a esta natureza sentimental não percebe isto, portanto devo acrescentar que o Amor não é uma fricção de mucosas, por isso é que na prostituição não há afecto do género, não existe amor na prostituição, então é bom repensarmos muita coisa feita até aqui e tomarmos caminhos gratificantes, realistas, com afectividade partilhada, abandonar as imitações, sobretudo não importar modelos velhos, carecas e abandonados nesta nova vaga de cuidados intensivo na recuperação do planeta, por isso meus amigos, deixemos de alienações, ganâncias, comportamento ilícito, mortes encomendadas, crimes com o objectivo de permanência de todo uma desgraça que ainda não deu a cara, ninguém lhe conhece o verdadeiro rosto, nem mesmo aquele irmão guineense que apenas faz o serviço a mando de organizações prontos a comprar toda a dignidade que quiser em troca um punhado de “moedas”. Vamos a tempo de repensar e regressar à base das nossas necessidades, vencer o monstro que há dentro de nós e que nos impele a vendermos, o chão que guarda a nossa primeira cicatriz ( N’ndê ku byku ym’terradu-nêl ) a Mãe-Não se vende!
O estado psico-social do ambiente que se vive em Bissau obriga a que as autoridades se mantenham atentas e com sensibilidade para detectar reacções que possam desembocar em conflitos de vária ordem, pondo em causa a organização e o exercício de voto, o normal funcionamento do apuramento e sua contagem. Vamos esperar que as autoridades locais mais uma vez mantenham a ordem e segurança nos locais de votos ao nível territorial, não obstante o comportamento ordeiro e de educação cívica a que estamos habituados a registar nas nossas populações que são um exemplo para todo o mundo, sempre que são chamados respondem, presente. O Povo é ordeiro e mais uma vez irá demonstrar que está e sempre esteve presente, obedecendo as regras democráticas do jogo, mesmo quando os seus lideres esquecem as promessas de campanha eleitoral, eles lá estiveram e deram o seu contributo, deram a cara como seria de esperar, sempre presente.
Vamos honrar este esforço desta vez e partir para o entendimento progressista, fraterno e solidário para os avanços que tanto precisamos, arrancar definitivamente rumo a Paz e Progresso da nossa sociedade, desde já com um País para todos os seus filhos, todos sem excepção, mesmo que tenha alguém “quarenta nacionalidades”, não podemos continuar a menosprezar a Diáspora guineense, não convém tapar o sol com a peneira, o mundo perspectiva uma evolução global, os focos de diferença culturais tendem a transformarem-se num núcleo gigante (todos diferentes e todos iguais), pois então não seremos nós os “atrasados mentais” prontos a decapitar os próprios irmãos que as circunstâncias da vida levou a que pedissem o acolhimento longe da terra. A Diáspora existe desde os anos vinte/trina, é uma realidade nua e crua, já não espera para ser reconhecida, não, está aí à frente dos nossos olhos. Não percebo qualquer complexo a este respeito quando temos políticos parlamentares no exercício das suas funções na Guiné-Bissau mas com nacionalidade estrangeira, basta de jogos de cintura, do engano e vamos falar olhos nos olhos, acabar de vez com certos complexos discriminatórios que zelam por interesses pessoais. Muitas vezes apenas e só para esconder a sua incompetência ou ignorância em relação a muita coisa, todos nós temos necessidade de ir aprendendo enquanto por aqui andarmos e vivos. Estamos sempre a aprender por isso há que haver intercâmbio de experiências, de sabedoria, de conhecimento, de amores e experiência afectiva e cultural, enfim derramar no mesmo lago-de-reencontros tudo do que considerarmos do melhor que há em nós, fazer um doce que realmente seja doce, e com Amor.
Basta de descriminação frontal e reprimida, vamos olhar olhos nos olhos e falar claro na mesma língua emocional, afectiva, e de resistência à mudança fácil e traiçoeira que nos propõe o “diabo”…
VAMOS MUDAR!
Um abraço Guineense.
Filomeno Pina.

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