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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Zamora Induta ex-chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau acusado de terrorismo.

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O antigo chefe da Forças Armadas guineenses, Zamora Induta foi acusado de crimes de terrorismo contra o Estado guineense, tentativa de subversão da ordem constitucional e de homicídio.


José Zamora Induta é acusado de vários crimes, entre os quais o de terroismo, avança o advogado da defesa José Paulo Semedo. “Parece que se estava à procura de fazer uma coleção de todos os crimes que se encontram na lei penal. Infelizmente foi isso que aconteceu".

José Paulo Semedo continua a exigir a libertação do seu constituinte apesar de até agora não ter recebido uma resposta quanto ao pedido de "habeas corpus" para Zamora Induta. "Quase duas semanas que essa solicitação foi apresentada e já deveria ter recebido uma resposta, mas até agora a decisão não foi tomada", explicou o advogado para acrescentar que "o mais caricato é que o Supremo Tribunal depois de receber todas as informações oficiou o Tribunal Militar para fornecer mais informações. Se é para fornecer informações significa que a contrariação do pedido de “habeas corpus” foi insuficiente e sendo assim o que deveria ter acontecido de imediato era colocar o nosso constituinte em liberdade. Não aconteceu porquê? Só aquele órgão pode explicar”, sublinha José Semedo.

Equipa de advogados prepara contra argumentação

Advogado José Paulo Semedo
Entretanto, foi constituída uma equipa de seis advogados, para preparar a contra argumentação das acusações agora proferidas contra o ex-chefe do Estado-maior General das Forças Armadas guineenses.
José Zamora Induta é assim atualmente o único acusado no caso da tentativa de golpe de Estado de 21 de outubro de 2012, dado que várias outras pessoas, entre as quais o líder do ataque ao quartel dos "bóinas vermelhas" em Bissau, capitão Pansau N'Tchama, ex-guarda costas de Zamora Induta, "tenha sido alvo de um indulto presidencial em 2014", disse José Paulo Semedo.

Segundo o advogado, o processo está a ser mal conduzido por órgãos sem competência constitucional para tal. "A Promotoria Militar não faz parte do Ministério Público. O nosso constituinte vai ser julgado por um tribunal dependente. Um tribunal cuja nomeação dos seus juízes depende do Estado-Maior General das Forças Armadas. Os juízes do Supremo Tribunal Militar são nomeados pelo Estado-Maior que trata também da graduação dos mesmos. E é este Estado-Maior General das Forças Armadas que acusou o nosso constituinte. Noutras palavras, o Estado-Maior acusa e o Estado-Maior encomenda o julgamento. É isto que está a acontecer” destaca o advogado de Zamora Induta.

Zamora Induta ex-chefe de Estado das Forças Armadas da Guiné-Bissau
Este processo, conhecido como o "caso 21 de outubro de 2012", diz respeito a uma alegada tentativa de golpe de Estado em que Zamora Induta foi apontado por um dos militares capturados, o capitão Pansau N'tchama, como cabecilha da ação que se saldou na morte de cinco pessoas.

Mau funcionamento da justiça na Guiné-Bissau
O facto de Zamora Induta ter sido detido sem que a defesa fosse notificada e de ser o único preso neste processo em que todos os outros acusados se encontram em liberdade, tráz à luz do dia várias discussões sobre a forma como funciona a justiça na Guiné-Bissau, notam os observadores em Bissau.
Recorde-se, que dias depois de ter regressado à Guiné-Bissau, ido de Portugal, Zamora Induta foi tema de troca de palavras entre a Presidência e o Governo, entretanto demitido. Em causa estava quem afinal autorizou o regresso de um dos militares mais temíveis dos últimos anos na Guiné-Bissau.

Mas segundo o seu advogado, antes de regressar ao país, Zamora Induta terá comunicado às autoridades políticas e militares dos seus intentos. "Acontece que dias depois foi chamado a depor no Tribunal Militar de Bissau e detido em seguida quando tentava regressar a Portugal, onde residia na sequência do golpe de Estado de abril de 2012".
Aparelho judicial guineense padece de muitos vícios
Carmelita Pires Justizministerin Guinea-Bissau
Carmelita Pires ex-ministra da Justiça da Guiné-Bissau
Face a este quadro Carmelita Pires, antiga ministra da Justiça no governo de Domingos Simões Pereira, demitido a 12 de agosto, disse que a justiça guineense padece de múltiplos vícios e está impotente.

“O aparelho judicial não está minimamente preparado para cumprir as suas funções e nem assenta numa jurisprudência consistente. Padece de múltiplos vícios como a morosidade, a incoclusividade, uma legislação desadequada e obsoleta, um défice de procuração redundando numa sensação generalizada de impunidade” concluiu Carmelita Pires.

Mais sobre Zamora Induta >>

Escuta RFI: Guiné-Bissau - Zamora Induta passível de mais de 20 anos de prisão.

#dw.de

O Exército russo afirma a sua superioridade em guerra convencional.

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A intervenção militar de Moscovo na Síria não revirou simplesmente a sorte das armas e semeou o pânico entre os jiadistas. Ela tem mostrado ao resto do mundo, em situação de guerra real, as actuais capacidades do exército russo. Para surpresa geral, este dispõe de um sistema de empastelamento capaz de tornar a Aliança Atlântica surda e cega. Apesar de um orçamento muito maior, os Estados Unidos acabam de perder a sua preponderância militar.

Thierry Meyssan
A intervenção militar russa na Síria, que devia ser uma aposta arriscada para Moscovo (Moscou-br) face aos jiadistas, transformou-se numa manifestação de poderio que altera o equilíbrio estratégico mundial. Concebida à partida para isolar os grupos armados dos Estados que os apoiam, em violação das resoluções decisivas do Conselho de Segurança, depois destruí-los, a operação é conduzida para cegar o conjunto dos actores ocidentais e seus aliados. Estupefacto, o Pentágono está dividido entre os que tentam minimizar os factos, e encontrar uma falha no dispositivo russo, e aqueles que, pelo contrário, consideram que os Estados Unidos perderam a sua superioridade em matéria de guerra convencional e que lhes será necessário longos anos para a recuperar.

Lembre-se que em 2008, aquando da guerra da Ossétia do Sul, as Forças russas foram capazes de repelir o ataque georgiano, é certo, mas haviam mostrado ao mundo, sobretudo, o estado deplorável do seu equipamento. Ainda há dez dias atrás, o antigo secretário da Defesa, Robert Gates, e a antiga conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, falavam do exército russo como uma força de «segundo nível». Desde o início da colocação militar (na Síria- ndT), a Rússia instalou um centro de empastelamento em Hmeymim, a norte de Lataquia. De repente, o incidente do USS Donald Cook repetiu-se, mas, desta vez, num perímetro de 300 km; incluindo a base da Otan em Incirlik (Turquia). E, ainda persiste. Tendo o evento ocorrido durante uma tempestade de areia de densidade histórica, o Pentágono acreditou, inicialmente, que os seus instrumentos de medição estavam desregulados, antes de constatar que eles estavam "baralhados". Todos alvo de empastelamento electrónico.

Ora, a moderna guerra convencional repousa no «C4i»; uma sigla correspondendo aos termos em Inglês de «command» (comando), «control» (contrôlo), «communications» (comunicações), «computers» (computadores) e «intelligence» (inteligência). Ossatélites, osaviões e os drones (aviões teleguiados), os navios e submarinos, os blindados, e garatém me smo que os combatentes estão ligados uns aos outros por comunicações permanentes, que permitem aos estados maiores com andar das batalhas. É todo este conjunto, o sistema nervoso da Otan, que está actualmente empastelado na Síria e numa parte da Turquia.

Segundo o perito romeno Valentin Vasilescu a Rússia teria instalado vários Krasukha-4, teria equipado os seus aviões de aparelhos de guerra electrónica SAP / SPS-171 (como o avião que sobrevoou o USS Donald Cook), e os seus helicópteros Richag -AV. Além disso, usaria o navio-espião Priazovye (da classe Projecto 864, Vishnya na nomenclatura da Otan), no Mediterrâneo.
Parece que a Rússia assumiu o compromisso de não perturbar as comunicações de Israel ---coutada guardada dos E. U.---, de modo que se guarda de implantar o seu sistema de empastelagem no Sul da Síria.

As aeronaves russas deram-se ao luxo de violar um monte de vezes o espaço aéreo turco. Não para medir o tempo de reação da sua Força Aérea, mas para verificar a eficácia do empastelamento-electrónico na zona requerida, e para vigiar as instalações colocadas à disposição dos jiadistas na Turquia.

Mísseis de cruzeiro de ultra-desempenho
Finalmente, a Rússia utilizou várias novas armas, como os 26 mísseis de cruzeiro furtivos 3M-14T Kaliber-NK, equivalentes aos RGM/UGM-109E Tomahawk. Disparados a partir da Frota do Mar Cáspio--- sem qualquer fundamento militar---, eles atingiram e destruíram 11 alvos situados a 1.500 km de distância, na zona não-empastelada --- afim de que a Otan pudesse apreciar o desempenho---. Estes mísseis sobrevoaram o Irão e o Iraque, a uma altitude variável de 50 a 100 metros, segundo o terreno, passando a quatro quilómetros de um drone norte-americano. Nenhum se perdeu, ao contrário dos americanos cujos erros se situam entre os 5 e os 10%, segundo os modelos. De passagem, estes disparos mostram a inutilidade das despesas faraónicas do «escudo» anti-mísseis construido pelo Pentágono em volta da Rússia -mesmo se era oficialmente justificado como estando dirigido "contra os lançadores iranianos.

Sabendo que estes mísseis podem ser disparados a partir de submarinos, localizados em qualquer ponto dos oceanos, e que eles podem transportar ogivas nucleares, os Russos recuperaram o seu atraso em termos de lançadores.
Em última análise, a Federação da Rússia seria destruída pelos Estados Unidos--- e vice-versa--- -em caso de confrontação nuclear, mas sairia vencedora em caso de guerra convencional.

Apenas os Russos e os Sírios estão à altura de avaliar a situação no terreno. Todos os comentários militares vindos de outras fontes, aqui incluídos os jiadistas, são infundados, porque só a Rússia e a Síria tem uma visão do terreno. Ora, Moscovo e Damasco entendem tirar o máximo partido da sua vantagem e, mantêm pois, o sigilo sobre as suas operações.
Dos poucos comunicados públicos, e confidências de oficiais, pode concluir-se que pelo menos 5.000 jiadistas foram mortos, entre os quais numerosos chefes da Ahrar al-Sham, da al-Qaida e do Emirado Islâmico. Pelo menos 10.000 mercenários fugiram para a Turquia, Iraque e Jordânia. O Exército Árabe Sírio e o Hezbolla reconquistaram o terreno sem esperar pelos anunciados reforços iranianos.

A campanha de bombardeamentos deverá terminar no Natal ortodoxo. A questão que se colocará então será saber se a Rússia está autorizada, ou não, a terminar o seu trabalho, perseguindo para tal os jiadistas que se refugiam na Turquia, no Iraque e na Jordânia. Caso contrário, a Síria seria salva, mas, o problema também não seria resolvido por completo. Os Irmãos Muçulmanos não deixariam de procurar uma revanche e os Estados Unidos de os utilizar, de novo, contra outros alvos.

Areter:
A operação russa na Síria foi concebida para privar os grupos jiadistas do apoio estatal de que dispõem, sob a cobertura de ajuda aos «opositores democráticos».
 Ela exigiu a utilização de armas novas e transformou-se numa demonstração de força russa.
A Rússia dispõe agora de uma capacidade de empastelamento-electrónico de todas as comunicações da Otan. Ela tornou-se a primeira potência em matéria de guerra convencional.
 Este desempenho ateou a discórdia em Washington. É muito cedo para dizer se ela será favorável ao presidente Obama ou se isto será utilizado pelos «falcões liberais» para justificar um crescimento do orçamento militar.

Thierry Meyssan
Tradução Alva
Rede Voltaire
Voltaire, edição internacional.

#pravda.ru


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