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sábado, 5 de setembro de 2015

Cuba: o país que receberá o papa Francisco.

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Um dos últimos encontros entre líderes protestantes e evangélicos e o primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, Miguel Diaz-Canel Bermúdez no qual debateram temas de interesse para a sociedade cubana. Photo: Alberto Borrego

No próximo 19 de setembro, o Santo Padre chegará a Cuba, um dos poucospaíses do mundo que tem recebido a visita dos três últimos pontífices.
O primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros Miguel Diaz Canel Bermúdez, teve na segunda-feira, 30 de agosto, no Comitê Central do Partido Comunista de Cuba (PCC) um encontro com líderes protestantes e evangélicos de Cuba.
Marcaram presença a chefado Gabinete para os Assuntos Religiosos do Comitê Central do PCC, Caridad Diego; o presidente do Conselho de Igrejas de Cuba, reverendoJoel Ortega Dopico e outros líderes fundadores. No ano do 80º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e a Santa Sé, e os cem do pedido dos veteranos da Guerra de Independência, para que a Virgem da Caridade do Cobre fosse declarada Padroeira de Cuba, chegará o papa Francisco ao nosso país, um dos poucos do mundo que tem recebido a visita dos três últimos pontífices.
Os cubanos crentes religiosos ou não estamos conscientes de uma coisa: e é que quando o papa chegar estará sendo recebido por um povo batalhador, nobre e solidário; acostumado a levantar-se sobre as dificuldades e a andar com a testa no alto, apesar de ter estado submetido a um bloqueio econômico, comercial e financeiro durante mais de cinco décadas e enfrentar as limitações derivadas dele, sem pretender esquecer a defesa de sua cultura, identidade e raízes, e com a custódia da educação de seus filhos.
O bispo de Roma se deparará com um país que aprende cada dia como levar adiante um projeto social que avança e se atualiza; uma sociedade que tem como eixo central a luta por um mundo melhor; e na história, homens como o padre Varela, José de la Luz y Caballero e José Agustín Caballero, para mencionar três exemplos, sínteses da eticidade cubana, e para os quais o amor à pátria e a Deus, foram duas paixões consubstanciais.
Mas, acima de todas as coisas, achará uma nação de multiplicidade cultural e religiosa, produto de um processo de transculturação que registrou o etnologista cubano doutor Fernando Ortiz, indispensável sese deseja aprofundar na história da nação e da América Latina.
Uma mistura de credos e manifestações é o mapa religioso da nação, qualificado pelo pesquisador como complexo, heterogêneo e contraditório, atendendo a sua origem, ao conteúdo de suas ideias e representações, os modos de organizar-se e expressar o ritual, etc. Nessa diversidade — na qual coexistem as igrejas católica, evangélicas, protestantes e ortodoxas; o judaísmo, espírita, as religiões cubanas de origem africana, o islamismo e o budismo, entre outras — está talvez uma das provas mais legítimas do referendado no artigo 8º da Constituição da República de Cuba, relacionado com a liberdade religiosa.
“O Estado reconhece, respeita e garante a liberdade religiosa. Na República de Cuba, as instituições religiosas estão separadas do Estado. As distintas crenças e religiões gozam de igual consideração”. “O Estado, que reconhece, respeita e garante a liberdade de consciência e de religião, reconhece, respeita e garante, ao mesmo tempo, a liberdade de cada cidadão de mudar de credos religiosos ou não ter nenhum, e a professar, dentro do respeito à lei, o culto religioso de sua preferência.
A lei regulamenta as relações do Estado com as instituições religiosas”, refere ademais o artigo 55º da Carta Magna. Esses princípios também foram refletidos no pensamento e ação dos principais dirigentes da Revolução. O comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz, no ano 1971, teve um encontro com sacerdotes chilenos no qual manifestou a necessidade de “unir os cristãos e os revolucionários” na luta pela liberdade dos povos. Mais adiante, na visita efetuada à Jamaica (1977), desta vez falando a um público eminentemente protestante, falou novamente do tema da “aliança estratégica” que devia existir entre a religião e o socialismo.
Refletida em sua primeira dissertação se encontra o prisma do líder histórico sobre a Teologia da Liberação; e na última, sua intenção de mudar o estado de coisas que nesses anos viviam as relações entre as religiões e o Estado. Anos mais tarde, evidência da maturidade do processo revolucionário cubano e para tornar realidade o desejo de ambas as partes, começaram a desenvolver-se encontros entre o comandante e líderes evangélicos e protestantes em Cuba — tradição mantida até a atualidade pelas máximas autoridades do governo — até que, no ano 1991, com o desenvolvimento do 4º Congresso do Partido, cristalizou o desejo dos crentes revolucionários que ansiavam entrar nas filas da organização, intenção reiterada em janeiro de 2012 na Primeira Conferencia Nacional do Partido.
Há na atualidade, no máximo órgão legislativo cubano, três pastores protestantes, uma presbiteriana, um batista e um episcopal, eleitos pelo voto popular; e da mesma forma integram os órgãos do poder estatal e as organizações políticas e de massa membros da Igreja Católica e outras denominações e manifestações religiosas. Exemplo de sua vinculação com os problemas mais prementes da sociedade, sobretudo relativos à família e o envelhecimento populacional, são as atividades desenvolvidas por instituições religiosas na gestão cooperada com o Estado em hospitais e lares deidosos, um dos temas da agenda dos mais recentes encontros realizados entre representantes dessas instituições e associações fraternais e a direção do país.
As jornadas vividas durante as visitas dos sumos pontífices João Paulo II, no ano 1998 e Bento XVI em 2012, refletiram as coincidências entre o projeto social cubano e os sentimentos cristãos, no afã de eliminar a pobreza, a exclusão, no enaltecimento do papel da família, em defesa da paz e contra a guerra, e na preservação da espécie humana.
Mas, ainda, tornou evidente a cultura profundamente humanista do povo. “Levo no mais profundo de meu ser a todos e cada um dos cubanos, que me rodearam com sua oração e afeto, dando-me uma cordial hospitalidade e tornando-me partícipe de suas mais profundas e justas aspirações”, disse em sua despedida Bento XVI.
Por outro lado, João Paulo II expressou: “Estou agradecido por sua cordial hospitalidade, expressão genuína da alma cubana e, sobretudo, por ter podido compartilhar com vocês intensos momentos de oração e de reflexão”. Têm visitado nosso país, ainda, outras personalidades religiosas, entre os que se encontram líderes do Conselho Latino-americano de Igrejas, do Conselho Episcopal Latino-americano e a Conferência de Igrejas do Caribe, secretários-gerais e presidentes do Conselho Nacional de Igrejas de Cristo dos Estados Unidos, cardeais e outrosprelados da Santa Sé, pastores, sacerdotes, rabinos, líderes iorubas, muçulmanos, budistas e acadêmicos.
No ano 2011, foi criada a Plataforma Interreligiosa Cubana, que inclui representantes de todas as manifestações religiosas. Sem dúvida foi muito significativa sua luta para o regresso dos Cinco Heróis prisioneiros nos cárceres dos Estados Unidos, e no estabelecimento de uma ponte entre eles e seus familiares. Ainda, foi o Conselho de Igrejas de Cuba um destacado protagonista do regresso à pátria da criança Elián González e no enfrentamento ao bloqueio, outras das lides deste povo pela justiça.
Estas e outras realidades encontrará o papa Francisco quando pisar solo cubano em 19 de setembro próximo. Havana, Holguín e Santiago lhedarão as boas-vindas em nome de toda Cuba. Talvez em meio dessas pessoas haverá alguém que não compartilhe mesmas crenças religiosas, inclusive quem o faça só por esse sentimento de afeto e hospitalidade inerente à genética do cubano. Mas estamos certos de que levará desta terra a recordação de jornadas intensas junto a um povo unido, respeitoso, fiel a seus antecessores e aos sentimentos pátrios; uma nação com profunda vocação pela justiça e a liberdade.
#granma.cu

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