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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Com visita a Putin, Bolsonaro tenta maquiar isolamento.

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Em ano eleitoral e após vácuo deixado por Trump, presidente brasileiro ignora risco de conflito armado e busca, em líderes do Leste que inspiram a direita radical, recepção que até agora não teve no Ocidente.

O presidente Jair Bolsonaro se reunirá com seu homólogo russo, Vladimir Putin, nesta quarta-feira (16/02). Justamente no que, segundo a imprensa, teria sido previsto pelos serviços secretos dos EUA como possível Dia D: o dia da invasão da Ucrânia pela Rússia.

Para especialistas, isso não passa de uma coincidência temporal. Afinal, a visita de Bolsonaro a Moscou está planejada desde novembro, aponta David Magalhães, especialista em relações internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap).

O Brasil tem três importantes interesses na Rússia, segundo Magalhães. Em primeiro lugar, resolver os problemas relativos a exportações do setor agropecuário para a Rússia, principalmente de carne. Em segundo, o Brasil precisa de fertilizantes russos para a sua agricultura. Além disso, fazem parte da comitiva de Bolsonaro alguns militares que querem conversar sobre possibilidades de cooperação em tecnologia bélica.

No entanto, devido à escalada das tensões envolvendo Rússia e Ucrânia, o Brasil deveria ter cancelado a viagem, considera Magalhães. "Mas aí entrou o fator Bolsonaro. Há um interesse de Bolsonaro em ampliar suas relações com um líder que é reconhecidamente conservador, para não dizer reacionário, que inspira a direita radical com essa virilidade 'testosterônica'", diz.

"Como Bolsonaro perdeu [o ex-primeiro-ministro de Israel] Benjamin Netanyahu e [o ex-presidente americano] Donald Trump, ele acabou encontrando em Putin uma possível aliança no ponto de vista das conexões ideológicas. Por isso Bolsonaro decidiu manter o encontro", avalia.

O fator interno

Também para o cientista político Oliver Stuenkel, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a visita de Bolsonaro a Moscou não tem nada a ver com a crise Rússia-Ucrânia. Especialmente porque o Brasil, assim como outros países latino-americanos, não tem nenhum papel no conflito.

Bolsonaro buscou a viagem depois que seu arqui-inimigo político e provável adversário nas eleições presidenciais de outubro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi recebido como um presidente na França e na Espanha há algumas semanas, segundo Stuenkel.

"Trata-se de cálculos internos, de poder político", diz. Bolsonaro precisa urgentemente de "alguma viagem e algumas fotos bonitas", especialmente porque a única oportunidade de ser fotografado ao lado de importantes líderes estrangeiros antes do início da campanha eleitoral será a reunião dos Brics na Índia, em meados do ano, aponta o cientista político.

Para Stuenkel, Putin também está preenchendo o vazio deixado por Trump no espectro da direita, tanto nos EUA como no Brasil. "É por isso que a visita faz sentido para Bolsonaro."

Além disso, considera o analista, Putin simboliza o que o próprio Bolsonaro gosta de representar: um líder forte, socialmente conservador, que é contra o multilateralismo, a democracia e os direitos humanos.

"Putin pertence ao tipo 'paleoconservador', que é contra a homossexualidade, o ateísmo e os direitos das mulheres e é um nostálgico do passado que preferiria voltar aos tempos antes da Revolução Francesa. E existem aí alguns pontos em comum", afirma.

Além de Rússia e Hungria, onde se reunirá com o premiê Viktor Orbán, a viagem de Bolsonaro deveria incluir a Polônia. Mas o governo polonês considerou inconveniente a visita do polêmico brasileiro neste momento, segundo Stuenkel. "Isso mostra o quanto Bolsonaro já está isolado e o quanto sua imagem está em baixa", afirma.

Aproximação com a Rússia, distanciamento dos EUA

Brasil foi pressionado pelos EUA para cancelar a visita a Moscou, algo que, para Stuenkel, foi contraproducente. "Certamente foi um erro da parte de Washington, porque incentiva o Brasil a manter boas relações com a Rússia", diz o analista.

Os presidentes brasileiros sempre mantiveram boas relações com Putin, e é importante para o Brasil se manter aberto a alternativas aos EUA, ressalta Stuenkel.

Magalhães, por sua vez, acredita que um apoio explícito à posição russa na crise da Ucrânia teria consequências para o Brasil. O especialista considera que o país poderia perder o status de aliado extra-Otan que recebeu em 2019, especialmente porque há uma era do gelo diplomática entre Bolsonaro e o presidente americano, Joe Biden.

Para Stuenkel, Bolsonaro não será mais capaz de alcançar boas relações com o Ocidente de qualquer maneira. "Ele tem que ser pragmático, ele tem poucos parceiros no mundo. Só restam os russos e a China", diz.

O cientista político considera que tanto Bolsonaro como Putin querem mostrar que não estão isolados. "Portanto, em última análise, esta visita é sobre simbolismo", conclui.

Encontro com Orbán

A segunda parada de Bolsonaro, Budapeste, não é uma coincidência, diz Magalhães. Ao lado de Putin, Orbán é um importante representante da direita radical, com a qual Bolsonaro se identifica. "Existe aí um norte ideológico traçado nesta viagem."

Para o especialista, Orbán está muito mais próximo da visão de mundo de Bolsonaro do que Putin, sendo a democracia iliberal de Orbán, na qual a maioria não se submete às minorias, o modelo que Bolsonaro imita.

"O premiê húngaro representa uma direita anticomunista, um forte catolicismo, um nacionalismo religioso que difere da direita secularizada como a da França", diz Magalhães. 

Em última análise, porém, o presidente brasileiro não conseguiu copiar a política de Orbán no Brasil, afirma o especialista. "Bolsonaro não teve a mesma competência de Orbán para fazer as mudanças necessárias. Nem para ser um Orbán Bolsonaro serviu", afirma. 

fonte: DW Africa

Moçambique: UE quer maior cooperação com o Ruanda.

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A União Europeia (UE) quer aumentar a cooperação com o Ruanda nas áreas de segurança e defesa. Missão de treino militar em Moçambique também promete verificar respeito pelos direitos humanos no terreno.


"A União Europeia pretende intensificar a cooperação com o Ruanda, em particular nas áreas de segurança e defesa", referiu um porta-voz da UE, em resposta à Lusa. Questionado sobre se tal não contradiz críticas da UE acerca de restrições de liberdades no país, sob a liderança do Presidente Paul Kagamé, a mesma fonte diz que é altura de reconhecer o trabalho de estabilização.

"A UE reconhece os esforços consideráveis do Ruanda para ajudar a estabilizar a situação de segurança em Moçambique e na República Centro-Africana e procura um intercâmbio operacional e de informação eficaz com as forças armadas ruandesas destacadas no país", referiu. 

Para já, o que está em curso é uma Missão de Formação da União Europeia (EUTM) para preparar tropas moçambicanas para combater em Cabo Delgado, sem ligação direta entre a UE e as tropas de outros países no terreno - no caso, do Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

No final de janeiro, o responsável da EUTM admitiu apoiar o Ruanda. O vice-almirante Hervé Bléjean referiu que o Ruanda solicitou "um maior apoio financeiro" e que o chefe da diplomacia europeia estava "bastante determinado a responder favoravelmente".

Críticas dos refugiados ruandeses

A aproximação entre Maputo e Kigali tem sido questionada pela comunidade ruandesa refugiada em Moçambique, estabelecida há anos, e que em 2021 foi alvo de quatro incidentes, entre os quais o homicídio de Revocat Karemangingo, um empresário opositor de Paul Kagamé.

"Toda a comunidade está aterrorizada, está com medo", referiu na altura Cleophas Habiyareme, presidente da Associação dos Ruandeses Refugiados em Moçambique, receando estarem a ser alvo de perseguição política praticada por pessoas ligadas ao regime de Kagamé.

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Mulheres soldado ruandesas em Moçambique

Em setembro, o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) apelou à investigação rápida e completa que leve à responsabilização dos homicidas de Karemangingo, mas até hoje não houve desenvolvimentos.

Atualmente, a UE "não financia nenhuma força militar estrangeira no terreno", referiu hoje o mesmo porta-voz oficial. "O Alto-Representante tem o direito de propor ao Conselho [Europeu] um pacote de apoio sobre questões militares a um potencial beneficiário", notou. "Até ao momento, não foi tomada qualquer decisão a este respeito no que se refere a Moçambique", concluiu. 

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, apelou, há uma semana, em Bruxelas, à necessidade de financiar as forças militares estrangeiras no combate a insurgentes em Cabo Delgado. "O combate envolve altos custos para os nossos parceiros. Não vão continuar por muito tempo, para toda a vida e as operações podem ser afetadas" se não houver apoios, referiu.

Respeito pelos direitos humanos

O envio de equipamento no âmbito da missão de treino militar da União Europeia (UE) em Moçambique prevê a monitorização do respeito pelos direitos humanos por parte das tropas moçambicanas preparadas para intervir em Cabo Delgado, disse a fonte da UE.

A EUTM implementou medidas para "rastrear e acompanhar a conduta das unidades treinadas uma vez destacadas em Cabo Delgado para avaliar o seu cumprimento dos direitos humanos internacionais e do direito internacional humanitário".

"Esta é uma condição prévia para a continuação da entrega de equipamento ao abrigo da medida de assistência do EPF (Mecanismo Europeu de apoio à Paz) ao longo do mandato da missão", referiu o porta-voz da UE. 

Trata-se de equipamento não letal para reforçar as capacidades das primeiras forças militares moçambicanas a beneficiar da formação da EUTM - equipamento individual e coletivo, meios de mobilidade terrestre, ferramentas técnicas e um hospital de campanha.

Diversas organizações e testemunhos da população têm reportado violações dos direitos humanos perpetrados pelos diferentes intervenientes no conflito em Cabo Delgado, incluindo por parte de militares moçambicanos, para os quais o Estado tem prometido a devida responsabilização.

Segundo a fonte da UE, os direitos humanos, o direito internacional humanitário e os aspetos de igualdade de género "estão totalmente integrados em todas as atividades da missão" - com uma "consideração particular" sobre responsabilização (conduta e disciplina) das Forças Armadas e de Defesa de Moçambique (FADM) e na prevenção e resposta à violência sexual e de género, violência contra crianças, uso de crianças-soldado.

fonte: DW Africa

Tensão na Ucrânia: "Muito pouca gente em Kiev acredita na invasão russa".

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O Presidente dos Estados Unidos da América, Joe Biden, avisa que uma invasão da Ucrânia continua a ser uma forte possibilidade. Guineense residente em Kiev diz que os ucranianos não acreditam num possível ataque russo.


Demar dos Santos, guineense residente em Kiev: "Há realmente algum medo"

Discursando na Casa Branca, o Presidente dos EUA, Joe Biden, disse na última madrugada que ainda há "margem para a diplomacia para impedir a escalada" militar russa na Ucrânia, acrescentando que a Casa Branca apresentou "ideias concretas" para estabelecer "um ambiente seguro" na Europa.

Biden avisou que uma invasão da Ucrânia continua a ser uma forte possibilidade. O chefe de Estado referiu ainda que o Ministério da Defesa russo disse que algumas unidades militares estavam a abandonar as fronteiras com a Ucrânia, mas sem "provas consistentes".

Embaixada dos EUA em Kiev

Embaixada dos EUA em Kiev

"O Ministério da Defesa russo relatou que algumas unidades militares estão a abandonar algumas das suas posições na Ucrânia. Isso será um bom sinal. Ainda não o verificamos de forma consistente, ainda não houve essa prova consistente. A nossa embaixada [norte-americana] indica que ainda se mantêm em posições ameaçadoras", alertou.

Contactado telefonicamente pela DW, a partir de Kiev, capital da Ucrânia, Demar dos Santos diz que nas ruas as pessoas não acreditam num eventual ataque russo. O guineense, que tirou o mestrado em Economia na Ucrânia, onde vive há dez anos, diz que não há reforço de segurança nas ruas da capital e a vida pública continua a decorrer com normalidade.

DW África: Como descreve o ambiente em Kiev ?

Demar dos Santos (DS): Pelo que eu tenho reparado aqui na Ucrânia, muito pouca gente acredita que haverá uma intervenção da Rússia. Estamos tranquilos, a vida continua normal, as pessoas trabalham normalmente é não há nenhum movimento de pânico, pelos menos aqui em Kiev. 

DW África: E como descreve o sentimento das pessoas nas ruas da capital ucraniana? 

DS: Nota-se que as pessoas estão apreensivas. Todo mundo fala da situação nas conversas em lugares públicos. O que é normal quando acontecem ameaças do género.

DW África: As autoridades ucranianas reforçaram medidas de segurança nas ruas de Kiev?

DS: Por agora ainda não. Pelo menos as autoridades ucranianas disseram que não há motivo de alarme, não há motivos que justifiquem o reforço de segurança nas ruas e não há nenhuma situação de alarmismo em Kiev. Acho que é o que tem acontecido em todo o território nacional.

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Civis temem guerra na Ucrânia e pegam em armas

DW África: E como é que vocês estrangeiros acompanham o desenrolar da situação?

DS: Há realmente algum medo. Conheço até uma guineense, que está a estudar aqui em Kiev, mas teve de comprar um bilhete e viajou anteontem para Portugal. Ela disse que vai ficar lá algum tempo até situação ficar mais clara e calma. É o caso único que conheço. De resto, todas as pessoas que eu conheço dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) que estão aqui, ninguém viajou. Estamos a viver a vida normal.

DW África: O que acha desta tensão gerada pelas ameaças de um possível ataque da Rússia contra a Ucrânia?

DS: Acho que parece mais uma chantagem da Rússia para forçar a Ucrânia a resolver a questão do Acordos de Minsk, que assinaram em 2015, permitindo o cessar-fogo. Ainda há um desentendimento entre a Ucrânia e a Rússia sobre o cumprimento dos acordos. Acho que a tensão não tem nada a ver com o interesse da Ucrânia em integrar a União Europeia (UE) ou a NATO, porque mesmo a NATO, bem como a UE já disseram que a Ucrânia precisa de implementar várias reformas para fazer partes destas organizações. Mas para além disso, há muitos países que são membros da NATO, que têm fronteiras com a Rússia, mas não são pressionados pela Rússia como está a fazer com a Ucrânia. Então, não faz sentido essa pressão toda sobre para impedir a Ucrânia de ser membro da NATO ou da UE.

DW África: Mas os ucranianos estão a apoiar os posicionamentos das autoridades do país?

DS: Segundo a última pesquisa feita, mais de 70% dos ucranianos querem viver num país da União Europeia e fazer parte da NATO. Por isso, o Presidente Volodymyr Zelenskyj tem apoio da população. E, pelo que tenho assistido, os ucranianos estão dispostos a defender o seu país em caso de qualquer ataque. Mas é bom esclarecer mais uma vez que aqui, muito pouca gente acredita num eventual ataque da Rússia.

fonte: DW Africa

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