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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Mais um caso de brutal agressão motivada por racismo no Brasil.

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Foto: Márcio Antonio de Souza, mais uma vitima do racismo e da intolerancia racial. (Afropress).
Por ALBERTO CASTRO
Colaborador Internacional, Zwela Angola.

LONDRES, INGLATERRA (ZWELA ANGOLA) - O vigilante Márcio Antonio de Souza foi brutalmente espancando apenas pelo facto de ser negro por um segurança das Lojas Americanas, de Campo Grande, estado brasileiro do Mato Grosso do Sul, suspeito de furto de ovos de Páscoa, pelos quais garante ter pago, segundo informa a agência Afropress citando declarações do irmão da vítima. A brutal agressão, ocorrida no dia 23 de abril, véspera da Páscoa, resultou em severos danos físicos e psicológicos para o visado e a mesma deve ser enquadrada como crime de tortura motivada por discriminação racial, segundo a opinião de Regina Bezerra, advogada do vigilante, publicada no portal.

A agência faz uma analogia entre o caso de Márcio e um episódio acontecido em 2009 com o também vigilante Januário Alves de Santana, tomado por suspeito do roubo do seu próprio carro – um Ford EcoSport – numa loja do hipermercado Carrefour, em Osasco, São Paulo. Torturado por quase 30 minutos, com socos, pontapés e uma tentativa de esganadura que lhe provocou fratura no maxilar e a destruição da sua prótese dentária, Januário foi indemnizado por danos morais e materiais. Os agressores foram enquadrados pelo crime de tortura motivada por discriminação racial, medida inédita no Brasil. O relatório do inquérito foi encaminhado ao Ministério Público que, todavia, ainda não ofereceu a denúncia à Justiça, informa a Afropress.

Para além da Carreffour e das Lojas Americanas, vão-se somando as denúncias de racismo e de tortura física e psicológica cometidos contra consumidores negros noutras grandes cadeias de supermercados/hipermercados do país. No dia 16 de fevereiro Clécia Maria da Silva, 56 anos, dona de casa, foi abordada por um segurança da Walmart que revistou sua bolsa. Indignada e questionando a atitude do funcionário de segurança, a cliente, que tinha consigo a nota fiscal comprovativa das mercadorias que levava, revelou ao seu advogado que o segurança teria respondido que "isso acontece mesmo aos pretos", escreve o jornal Brasil de Fato numa reportagem intitulada "Racismo nos Supermercados", publicada no passado dia 3 de março. Segundo a mesma publicação, a dona de casa foi parar ao hospital e, de acordo com a médica que a atendeu, ela teve uma crise de hipertensão ficando próxima de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) em resultado do constrangimento sofrido.
“Por que o negro, quando entra no mercado, passa a ser monitorado? Por que, inconscientemente até, o funcionário de segurança dessas lojas passa a ‘copiá-lo’? Porque, na cabeça dele, o negro é o suspeito-padrão”. É o que defende o advogado e jornalista Dojival Vieira citado na mesma reportagem. Ele acompanha o caso de maus tratos contra uma criança negra de 10 anos, tida como suspeita de furto de mercadorias e levada para uma das chamadas "salinhas de tortura" nas lojas das grandes superfícies do Brasil, no caso concreto o hipermercado Extra, também São Paulo. O episódio aconteceu no dia 13 de janeiro último. Chamado de "neguinho sujo e fedido", o menino foi obrigado a se despir para comprovar que não levava nada no corpo, segundo noticia a Afropress.

O jornal Brasil de Fato escreve que, de acordo com o ex-secretário de Justiça do Estado de São Paulo, Hédio Silva Jr., a existência dessas 'salinhas de tortura', evidenciadas no caso do garoto abordado no Extra e do vigia agredido no Carrefour, põe os supermercados em condição análoga às masmorras. “São crimes hediondos. São salas de interrogatórios, espécies de masmorras contemporâneas em que as pessoas são isoladas do público e submetidas a toda sorte de constrangimento. Ao acentuar o papel da vigilância, com isso não estou diminuindo ou relativizando a responsabilidade que a empresa que contrata o serviço, que são os supermercados, possui”, elucida o ex-secretário.

Mas os casos de truculência física e verbal com base no preconceito racial contra os negros não acontecem apenas nos supermercados. Entre outros, bancos e shopping centers são também locais por excelência desse tipo de ocorrências.

James Banthu, nome artístico do rapper e poeta negro Luiciano Dimes da Silva, conta que foi barrado, humilhado e ameaçado de prisão por seguranças de uma agência do Banco do Brasil, igualmente em São Paulo, quando para lá se dirigiu com intenção de descontar o cheque do seu salário mensal. O caso aconteceu em 9 de fevereiro passado. O banco nega a discriminação e diz que o rapper se recusou a seguir os procedimentos de segurança. Banthu, que vai processar judicialmente o Banco do Brasil e o governo estado.
Foto: O músico cubano Pedro Bandera.
Também em São Paulo, o músico cubano Pedro Bandera, conta, em carta enviada ao site El Guia Latino, em Agosto de 2010, que foi vítima de um episódio racista por parte de seguranças do Shopping Cidade Jardim.

"Ele está falando que veio fazer um show, mas anda de táxi e ninguém viu seus instrumentos!", teria comentado um segurança, segundo Bandera. O cubano conta que mesmo depois de constatarem que os seus instrumentos estavam num táxi, os seguranças continuaram argumentando que ele não podia entrar. Indignado, o músico reportou o episódio à administração do shopping e fez a denúncia do caso junto dos orgãos competentes como tendo sido motivado por racismo e, por iniciativa própria, convocou para 19 de fevereiro passado, uma passeata de protesto para a calçada do centro comercial. Curiosamente, um dia antes da programada manifestacão, uma reunião entre as partes acabou por sanar, por enquanto, o assunto e a passeata acabou suspensa em consequência. Numa carta assinada em conjunto, a direção do centro comercial assume posição contra qualquer acto discriminatório e se compromete a colaborar no esclarecimento dos factos que ocasionaram desconforto ao artista. "Este foi apenas o primeiro da minha luta, em direcção à apuração e responsabilização." - garante Pedro Bandera, citado pela Afropress.

Recorde-se que o governo de São Paulo lançou no passado 21 de março, Dia Internacional contra a Discriminação Racial, o projeto "São Paulo contra o Racismo", uma campanha que visa exaltar a grande diversidade étnica do Estado, punir qualquer tipo de racismo e, "principalmente, ter uma atitude e agenda positiva, no sentido da educação, da cultura", segundo o governador Geraldo Alckmin.

Os casos aqui expostos revelam o despreparo de muitos funcionários de segurança brasileiros que vitimizam sobretudo os descendentes de escravos. Lembre-se que muitos desses funcionários são polícias que, devido aos baixos salários que auferem, fazem o chamado "bico" policial, ou seja, horas extras na área de segurança privada como forma de complementação salarial, uma actividade muito controversa na sociedade brasileira.

Em vésperas de assinalar os 123 anos da abolição, o Brasil está longe de se livrar das piores heranças da escravatura e de um estado cujas "polícias nasceram e foram organizadas para caçar e matar negros", como argumenta a socióloga baiana Vilma Reis.

ALBERTO CASTRO é Jornalista freelancer e correspondente internacional do Zwela Angola.

Presidente malawiano justifica expulsão de embaixador britânico.

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É a primeira vez que um país africano membro da Commonwealth expulsa o representante do Governo da Rainha.
Da Redação, com Panapress
Blantyre - A Grã-Bretanha é o maior doador do Malawi, mas esta não é uma razão para o seu representante insultar o país, declarou o presidente Bingu wa Mutharika para justificar a decisão controversa do seu Governo de expulsar o alto comissário (embaixador) britânico.

"Não podemos aceitar que alguém, apenas porque o seu país nos dá dinheiro, venha insultar o Governo e insultar-me, eu, o vosso dirigente", indicou o Presidente Mutharika durante um comício público no distrito nortenho de Mzimba.

"Se alguém me insultar, insulta-vos igualmente porque foram vocês que me elegeram Presidente", acrescentou, falando aos seus compatriotas.

O alto comissário da Grã-Bretanha, Cochrane-Dyet’s, foi declarado persona non grata com base num correio no qual o Presidente Mutharika é tratado de autocrata que não tolera críticas.

Como medida de represália, a Grã-Bretanha expulsou a responsável dos assuntos malawís na Grã-Bretanha, Flossie Gomile-Chidyaonga, cujo convite ao recente casamento real do príncipe William foi cancelado.

É a primeira vez que um país africano membro da Commonwealth expulsa o representante do Governo da Rainha.

O Secretário de Estado britânico advertiu que o gesto Malawi terá « consequências » e ordenou uma revisão das relações entre os dois países.

Contudo, o porta-voz da Presidência, Heatherwick Ntaba, afirmou que o Malawi estava surpreendido pela reação da Grã-Bretanha, insistindo que Lilongwe esperava apenas que Londres substituísse Cochrane-Dyet porque ele perdeu a confiança do Governo malawí.

Nas suas declarações pronunciadas sábado, o Presidente Mutharika insistiu igualmente que o seu Governo não rompeu os seus laços com a Grã-Bretanha.

Os dirigentes eclesiásticos, da oposição e da sociedade civil e outros comentadores condenaram a admistração do Presidente Mutharika por ter expulso o embaixador britânico, receando sanções por parte de Londres.

Quarenta porcento do orçamento do Malawi depende da ajuda dos doadores.

Fonte: Africa21

Do leito do hospital, Besigye de Uganda promete continuar os protestos.

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O líder da oposição em Uganda Kizza Besigye chega ao hospital de Nairobi  para tratamento médico em 29 de abril de 2011. Besigye foi ferido quando foi preso pela polícia de Uganda, quando ele liderou um protesto pacífico contra o governo do presidente ugandense Yoweri Museveni. (Imagens Maina Simon / AFP / Getty)
NAIRÓBI, Quênia - De sua cama do hospital.

NAIRÓBI, Quênia - De sua cama do hospital, o líder de oposição de Uganda Kizza Besigye prometeu continuar sua luta para a reforma, apesar dos ferimentos que sofreu a partir de sua prisão brutal em Kampala na semana passada.
"Nós vamos continuar, de forma absoluta e sem qualquer dúvida", afirmou Besigye. "Não tenho ilusões, eu tenho certeza que a ditadura se torna ainda mais cruel no curto prazo. Mas não podemos desistir agora. "
  De óculos escuros para proteger os olhos, que tinham sido queimados por gás lacrimogêneo, e com a mão enfaixada por uma ferida de bala, Besigye  disse ao GlobalPost que tinha recebido ameaças de morte. Ele disse que não será intimidado pelos ataques a violenta e continuará seus esforços para pôr fim ao que ele chamou de "ditadura militar" do presidente de Uganda, Yoweri Museveni.
Besigye organizou uma série de "pé-de-obra" de protestos que começou no Uganda, no mês passado para protestar contra a escalada subida dos custos dos combustíveis e dos alimentos. Embora as manifestações terem sido pacíficas, o governo de Museveni usou suas forças de segurança para deter os protestos.
Pelo menos cinco pessoas morreram nas manifestações. No pior dos conflitos, até à data, ocorreram distúrbios em toda a capital Kampala na semana passada em resposta à prisão violenta de Besigye em que policiais quebraram as janelas de seu carro com um martelo e alvo de uma arma antes de atacarem Besigye com latas de spray de pimenta.

"Tenho certeza que a ditadura se torna ainda mais cruel no curto prazo, mas não podemos desistir agora"
Duas pessoas foram mortas e centenas de feridos e detidos, enquanto a polícia eo exército retomou ruas de Kampala de multidões de jovens revoltados.
Na quarta-feira centenas de membros da Sociedade da Lei Uganda marcharam ao Tribunal Superior para entregar uma petição exigindo o fim da brutalidade do estado.
"O espancamento indiscriminado de membros do público, o tratamento desumano e degradante dos cidadãos, a prisão mais brutal e violenta de membros do público, incluindo líderes da oposição sênior e respeitável, essas atrocidades realmente qualificar a ser classificados como crimes contra a humanidade" disseram os advogados.
Besigye foi preso quatro vezes desde que começou dirigindo o protesto a pé ao trabalho em 11 de abril. Durante um confronto com forças de segurança, ele foi atingido na mão com uma bala de borracha antes de ser preso.
A violência utilizada por Museveni para acabar com os protestos de Besigye também provocou críticas a Washington, grupos internacionais de direitos humanos e das Nações Unidas do Alto Comissariado para os Direitos Humanos. Museveni chegou ao poder em 1986, o chefe do exército rebelde e ganhou outro mandato de cinco anos nas eleições em fevereiro, em que ele derrotou Besigye, seu ex-companheiro de longa data e rival político.
Mas a inflação do Uganda, que atingiu 14 por cento, combinado com raiva crescente em libertinagem do governo deu um novo impulso político a Besigye.
Estima-se que Museveni gastou até US $ 350 milhões em sua campanha de reeleição de sucesso, ele está planejando uma cerimônia de inauguração pródiga no final deste mês que vai custar mais de US $ 1 milhão e espera em breve receber a entrega de um estoque de novos equipamentos militares custando 740 milhões de dólares, incluindo caças russos.
Ao mesmo tempo Museveni está mostrando sinais de perder o contacto com pessoas comuns, uma habilidade que já havia implantado com grande efeito. Como ugandenses pobres são prejudicados pelo aumento dos combustíveis, Museveni fez um discurso no qual pediu à população que "o uso de combustível seja com moderação ... 
Com fervor revolucionário que assola o Norte de África e do Oriente Médio, Museveni está decidido a esmagar os protestos e manter o controle do poder.
Besigye é o ponto focal da oposição.
"Houve um esforço muito determinado a impedir-me a caminhada e para fazê-la de tal maneira que infunde medo em qualquer um que pode se envolver na campanha de desafio", afirmou Besigye.
Ele disse que recebeu ameaças de morte, muitas vezes sob forma de avisos de confidentes, mas insistiu que os protestos não só vão continuar, mas podem crescer.
"Agora é a hora para uma pessoa comum afirmar-se e enfrentar as forças da ditadura", disse ele.
Mas com a longa e sangrenta história do Uganda durante os anos de Idi Amin e de Milton Obote em 1970 e 1980, disse que ugandenses têm pouco apetite para a revolução violenta, do tipo que se deflagrou na Líbia.
"O final do jogo é uma transição democrática da ditadura militar para um regime democrático onde haja a livre vontade dos cidadãos e regras, onde o regime é responsável por elas", disse ele.
Besigye, um médico, era amigo de Museveni e médico pessoal, quando eles estavam no grupo de rebeldes a lutar para ganhar o controle de Uganda, no início de 1980. Depois de vários anos no poder, Besigye se separou, alegando que Museveni tinha perdido o seu caminho e não estava mais comprometido com a democracia.
Em 2001, Besigye fugiu para o exílio auto-imposto na África do Sul, onde permaneceu por quatro anos, mas agora diz que pretende voltar a Uganda no início da próxima semana: "Não me serve a luta para ficar longe de Uganda agora independentemente apesar dos riscos envolvidos. "
 

Sabrina Sato: 'Achava que iria morrer virgem'

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 Por Leo Dias, OMG

Sabrina Sato é a capa da revista "Gloss" que chega nesta sexta-feira às bancas de todo o país. Como sempre acontece nas entrevistas com a musa do "Pânico na TV", suas declarações dão muito o que falar. Veja só o que a japa que é considerada uma das mulheres mais bonitas do Brasil diz: “Às vezes, eu pensava que iria morrer virgem. Demorei a entender que amar não era sofrer”. Sobre a preocupação em envelhecer, Sabrina fala: “Não tenho essa paranoia de mulheres de 30 anos, esse desespero para casar e ter filhos”.

Ao longo da reportagem, Sabrina comenta ainda a sua fama de ser, digamos, limitada intelectualmente: “Quando as pessoas descobrem que não sou burra é como se tivessem descoberto o Brasil. Só porque não fico dando opinião sobre tudo acham que não sou inteligente...” A espertíssima Sabrina Sato finaliza a entrevista falando se sofreu preconceito por ser uma ex-big brother: "Me perguntaram se sofri preconceito depois do BBB. Talvez tenha sofrido e não tenha percebido. Por eu não ter preconceito com os outros, acho que eles não têm comigo"


Fonte: OMG/Yahoo!

Angola tem em África uma grande influência.

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O embaixador dos Estados Unidos da América em Angola (EUA), Christopher J. McCullen, falando pela primeira vez à imprensa, defendeu, em entrevista exclusiva ao Jornal de Angola, que a democracia em qualquer país do mundo não deve ser encarada como um evangelho, seguido por todos da mesma maneira.
O diplomata norte-americano disse que "não há um modelo único de democracia, mas sim aquele que é adaptado a uma realidade política, social e cultural concreta de cada país".

Jornal de Angola (JA): Quando chegou a Angola para ser embaixador dos EUA é verdade que esperou muito tempo para apresentar as cartas credenciais ao Presidente da República?

Christopher J. McMullen (CJM):
Cheguei nos finais de Novembro de 2010. Esperei quatro meses, mas cheguei um pouco depois da última cerimónia de apresentação de cartas credenciais de outros embaixadores em Outubro, embora tenha sido convidado pelo Ministério das Relações Exteriores para estar nas cerimónias do referido mês. Infelizmente, tive que cumprir o formalismo do Governo norte-americano. Entendo que seja normal que o Presidente da República tenha feito esta cerimónia quatro meses depois. Portanto, não foi uma espera longa.

JA: Viu algum embaraço no facto de ser acreditado cerca de seis meses depois de estar no país?

CJM:
Não. Acho que foi um processo normal e acompanhei o mesmo com outros embaixadores. Não foi nenhum embaraço. Pelo contrário, foi uma honra. Estou ansioso por conhecer mais o país. Quero visitar todas as províncias e conhecer a cultura e o povo angolano.

JA: Esteve à espera de ser acreditado numa fase em que se falava numa alegada manifestação contra as instituições do Estado legitimamente eleitas, assistiu à marcha da paz numa altura em que um navio de bandeira norte-americana esteve retido no Lobito, transportando material bélico não declarado no manifesto. Como é que interpretou todos esses acontecimentos que se desenrolaram uns atrás dos outros?

CJM:
Acho que devemos encarar esses acontecimentos de forma diferente. O navio chegou com alimentos humanitários para uma Organização Não-Governamental em Benguela. Entendo que os planos para a manifestação começaram muito mais cedo e a manifestação do MPLA foi uma decisão para promover a paz no país. Não vejo conexão nenhuma entre esses factos. Apenas o facto de terem ocorrido num período muito curto.

JA: Interpretou a retenção do navio como retaliação ao encerramento das contas da embaixada angolana nos EUA?

CJM:
Não tem nada a ver com isso porque a decisão de encerrar as contas bancárias da embaixada angolana nos EUA foi uma decisão de um banco privado. A decisão de reter o navio foi uma decisão das autoridades marítimas angolanas. Segundo as autoridades angolanas, foram feitas algumas perguntas sobre o navio que motivaram a decisão de o reter. Angola é um país soberano e pode decidir sobre as leis e regras estabelecidas aqui. Desde o início, a nossa embaixada esteve preocupada com a situação dos membros da tripulação americana do navio. A questão da carga do navio foi uma questão entre a Maersk, proprietária do navio e o Governo angolano. Não tínhamos nada a ver com esta questão.

JA: Acha que a democracia deve ser encarada como um evangelho, aplicado da mesma forma em qualquer país?

CJM:
Acho que cada democracia é diferente. Nós temos uma democracia muito diferente, por exemplo, da Inglaterra ou da França. Acho que cada país, cada cultura política tem que decidir sobre qual a forma de governo que quer. Não há um único modelo de democracia, mas a democracia adaptada à realidade concreta deve ter certas atribuições, como a liberdade de imprensa, a liberdade de reunião e liberdades individuais.

JA: Não considera "ditadura de democracia" exigir um sistema democrático à maneira americana em países com realidades diferentes?

CJM:
Não acho que os EUA estejam a exigir um modelo americano de democracia para todos os países. O que pedimos é que um    líder ou governo respeite os direitos dos cidadãos e acho que a forma de democracia depende do próprio povo.

JA: Está a dizer então que um sistema político deve ser proporcional à realidade política, social e cultural específica de cada país?

CJM:
Sim. Absolutamente. Porque não se pode sobreviver sem ter em conta a cultura própria de qualquer país.

JA: Portanto, modelos políticos de países ocidentais não se aplicam de forma taxativa num outro país?

CJM:
Sim. Absolutamente, não se aplicam.

JA: A Administração norte-americana criou uma zona de exclusão aérea para proteger civis na guerra da Líbia. Quando é que os EUA pensam fazer o mesmo na Palestina, que tem um conflito com Israel, e onde também morrem civis vítimas de bombardeamentos aéreos?

CJM:
É difícil especular porque cada situação é diferente da outra. Primeiro, porque estamos a actuar na Líbia com autorização da ONU e da Liga Árabe, que pediram que os EUA e outros países participassem nesta zona de exclusão aérea. No caso da Palestina, sabemos que é uma situação muito complicada, uma história muito longa. Os EUA têm participado em muitos esforços para negociar uma solução entre israelitas e palestinos. É muito complicado, mas é difícil comparar esta situação com a situação que se vive na Líbia, onde é o próprio líder que está a atacar de forma indiscriminada o seu próprio povo com blindados e aviões. Então, não se pode comparar essas situações.

JA: O histórico dos EUA está cheio de invasões militares de outros países, algumas delas muito recentes. Consegue imaginar a hipótese de um dia um país fazer o mesmo à América, com o pretexto de colocar no poder uma administração da sua conveniência? Como é que o senhor qualificaria isso?

CJM:
Não. Não quero especular sobre essa situação teórica.

JA: É apenas sobre um caso hipotético que quero ouvir a sua opinião…

CJM:
Acho ridículo pensar numa situação destas. Não vou especular sobre esta hipótese.

JA: É graduado com distinção no Instituto Nacional de Guerra. É favorável a uma intervenção militar estrangeira?

CJM:
Esta universidade de Defesa nos EUA é de muito prestígio para nós. Todos os anos temos cerca de 15 diplomatas que frequentam esta universidade ao lado de soldados de outros países como Malásia, Tailândia, talvez Angola também, não sei, e claro, militares norte-americanos. É uma experiência muito boa no sentido em que permite trocar experiências. É uma experiência muito boa para a preparação para embaixadores, cônsules e altos funcionários diplomáticos, mas não é necessariamente para assuntos militares.

JA: Qual é a visão que os EUA têm sobre os países africanos? Ainda é aquela que vê África como um continente de Estados    com a mão estendida a necessitar de ajuda humanitária?

CJM:
Não. Temos uma visão de uma África que está a desenvolver-se de forma rápida e que tem feito muitos progressos nos últimos 20 anos. Há mais democracia no continente. Há mais desenvolvimento económico e pensamos África, olhamos para África como um parceiro dos Estados Unidos da América.

JA: Qual é a posição que os EUA atribuem a Angola na classificação de países com quem têm relações diplomáticas?

CJM:
O facto de a Secretária de Estado, Hilary Clinton, ter escolhido Angola como um dos três parceiros estratégicos indica a importância de Angola no sistema de cooperação com os EUA. Em conjunto com a África do Sul, Nigéria, Quénia e Etiópia, que são países estratégicos para os EUA.

JA: É a diplomacia do petróleo ou das trocas comerciais?

CJM:
Não. Embora a maioria do comércio esteja centrada no petróleo, as companhias petrolíferas americanas que operam em Angola estão a expandir-se noutras áreas. Por isso, acho que vamos expandir o comércio, os nossos investimentos. Mas que Angola é um dos maiores produtores de petróleo é um facto. Angola tem importância além disso por ter poder na região e influência no continente africano. Há muitos factores já enumerados pela Secretária de Estado Hilary Clinton quando escolheu Angola como um parceiro estratégico para os Estados Unidos da América.

JA: Fez certamente um estudo sobre a actuação dos seus antecessores. O que pode trazer de novo, que não tenha sido feito pelos antigos embaixadores? Ou vem apenas reafirmar e continuar a cooperação diplomática ordinária?

CJM:
Acho que em termos gerais na política americana, em qualquer país, há uma continuidade entre embaixadores devido ao facto de haver uma continuidade da política. Portanto, um embaixador não tem muitas possibilidades de expandir ou mudar a trajectória da diplomacia. Temos algumas opções, mas normalmente é mais continuidade.

JA: O senhor começou o seu consulado diplomático com a disponibilização de 45 mil dólares do “Fundo Pessoal do Embaixador” para ajudar, sobretudo, Organizações Não-Governamentais que trabalham nas comunidades. Este fundo, tal como diz a sua designação genérica, é seu pessoal?

CJM:
Seria bom se fosse (risos). Não é um fundo pessoal. Tem o nome de fundo do embaixador, mas na realidade é o mesmo que o orçamento da agência de desenvolvimento americana. É um fundo em que eu posso escolher a Organização Não-Governamental a apoiar.

JA: Por que é que para disponibilizar este fundo os EUA escolhem a sociedade civil e organizações comunitárias? É alguma orientação do Departamento de Estado em relação aos países em desenvolvimento?

CJM:
Depende do projecto apresentado. Cada projecto é diferente e normalmente tentamos escolher um projecto que mais benefício dá à comunidade local. Então, temos que tomar uma decisão baseada no projecto.

JA: Tem alguma noção de como actua a sociedade civil em Angola?

CJM:
Acho que está muito mais avançada do que esperava encontrar quando me preparava para assumir este cargo. É uma sociedade civil relativamente nova, no sentido de que se desenvolveu durante uma guerra prolongada. Pensamos que podemos trabalhar com a sociedade civil e Organizações Não-Governamentais e o Governo.

JA: O grande desafio de um embaixador é convencer o seu Presidente, que o nomeou para a missão diplomática, a fazer uma visita ao país onde o colocou, para concretizar a cooperação institucional. É o seu desafio, enquanto estiver aqui, trazer o Presidente Obama a visitar Angola?

CJM:
No último cargo que ocupei no Departamento de Estado estive envolvido em decisões sobre as visitas ao estrangeiro da Administração do Presidente Bush e do Presidente Obama à América Latina, e nesses casos, normalmente, há vários factores envolvidos nas decisões. Por exemplo, factores de equilíbrio geográfico fazem com que o Presidente reparta por regiões cada país a visitar. Muitas vezes depende também da dimensão da comunidade deste país nos EUA, porque as comunidades têm muita influência sobre o Congresso norte-americano e podem influenciar decisões. Depende igualmente das companhias americanas, de embaixadas americanas, das preferências e os interesses pessoais do próprio Presidente. Depende ainda da situação geopolítica do momento. Mas vamos ver. Vou fazer o que posso para trazer o Presidente Barack Obama a Angola. Vou evocar argumentos fortes, mas depende muito dos factores que enumerei.

JA: Como é ser embaixador americano pela primeira vez num país africano?

CJM:
Sinto-me em casa porque li muito sobre Angola desde que eu era estudante na universidade de Georgetown. Sempre estive interessado por Angola desde o tempo da sua independência. Por isso, ser embaixador aqui é muito bom.
fonte: Angola Digital

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