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sexta-feira, 23 de agosto de 2019

CNE ignora pedido do CIP para a análise do registo eleitoral de Gaza.

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O Centro de Integridade Pública (CIP) lamenta que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) ainda não tenha respondido ao seu pedido para financiar uma auditoria aos resultados do recenseamento eleitoral na província de Gaza, sul de Moçambique, e avisa que se isso não for feito, vai pôr em causa todo o processo eleitoral.
Em carta enviada à CNE no passado dia 12, em que manifesta a disponibilidade para financiar essa auditoria, o CIP pede o acesso à base completa de dados dos eleitores inscritos em Gaza, para analisar a disparidade existente entre os números da Comissão Nacional de Eleitores e os do Instituto Nacional de Estatísticas (INE).
Segundo o CIP, o INE diz ter recenseado, em Gaza, 836. 581 cidadãos em idade eleitoral, e os órgãos eleitorais afirmam que o número de pessoas inscritas é de 1. 166. 011, uma diferença de 329.430 eleitores.
"A CNE ainda não respondeu ao nosso pedido", lamentou Borges Nhamir, do pelouro de eleições no CIP.
A uma pergunta da VOA se não está a ficar tarde para se fazer esse trabalho, uma vez que falta muito pouco tempo para as as eleições, Nhamir respondeu que "nunca é tarde".
"Nunca é tarde para realizar a auditoria, porque é uma questão de esclarecimento de números essenciais, que se não forem esclarecidos vão pôr em causa todo o processo eleitoral", destacou o investigador do CIP.
O porta-voz da CNE, Paulo Cuinica, agradeceu o interesse do CIP em apoiar o processo eleitoral, sublinhando acreditar que, "independentemente da resposta que o CIP for a receber, não irá desistir da ideia de financiar as eleições, tal como o fazem outras organizações da sociedade civil".

fonte: VOA

Memórias da guerra de Angola captadas no terreno das operações.

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Angola vive um ambiente de paz, fruto de uma conquista que exigiu esforços de vários actores nacionais e estrangeiros. Estes deram o seu contributo de forma directa e indirecta. Quase a completar 40 anos no exercício da fotografia de imprensa, metade dedicada à cobertura do conflito armado, Francisco Bernardo transmitiu ao mundo, através da informação visual (fotografia), publicada em jornais, revistas e exposições, os grandes momentos da guerra que o país viveu por quase três décadas

Francisco Bernardo deixa legado na fotografia 

Como entrou para a fotografia e qual foi a primeira cobertura que fez como repórter de guerra?
Entro na fotografia influenciado pelo meu irmão mais velho, Manuel Margoso (já falecido) na Empresa Nacional de Fotografia (ENFOTO), pertencente ao Departamento de Informação e Propaganda (DIP) do Comité Central do MPLA. Em 1981, integro o grupo de jornalistas que seguiu para uma missão, por estrada, numa coluna militar, com partida de Luanda, passando por Cuanza-Sul, Benguela, Huíla e Cunene. O nosso destino era a Santa Clara. A missão era chefiada pelo então comandante das TGFA, o camarada Kipacassa, auxiliado pelo camarada Paiva, actual comandante da Polícia Nacional no Bengo. O objectivo era elevar o moral da tropa em cada ponto que escalávamos, assim como avaliar o estado das fronteiras inter-provinciais, sobretudo com a vizinha Namíbia.
Como retratou os acontecimentos da Cahama?

Isso foi em 1983. Seguimos pelo DIP, para uma missão à província do Cunene, com a finalidade de reportar os primeiros ataques sul-africanos no município da Cahama. Estava na companhia de um jornalista do Jornal de Angola, de nacionalidade italiana, Achille Lollo, que era editor da página internacional. Éramos os únicos jornalistas nesta missão e permanecemos 45 dias na Cahama. Fomos recebidos pelo capitão “Basta Andar”, que pertencia à engenheira militar. Na primeira missão, a tropa era comandada pelo comandante Farrusco (Joaquim António Lopes) e, na segunda, pelo comandante Salviano Sequeira “Kianda”, actual ministro da Defesa Nacional. Chegámos à Cahama em Agosto, tempo de frio seco. Lá aprendi a fumar charuto cubano. Não resisti ao clima, contrai pneumonia e tive que ser evacuado para o Hospital Central do Lubango, na Huíla, onde fiz o tratamento. Depois de melhorar, tive de regressar à Cahama. Durante um mês e 15 dias, reportei os bombardeamentos, sobretudo das infra-estruturas destruídas, camiões queimados nas colunas e pessoas mortas. Os feridos, como consequência dos bombardeamentos, eram socorridos pelas FAPLA. Posso dizer que a minha experiência como repórter de guerra começou pela Cahama. Para nos camuflar, usávamos fardamento das FAPLA e nos abrigávamos nas trincheiras com os militares. Para que os trabalhos não perdessem actualidade, mandávamos os textos e os rolos de avião para Luanda, onde eram editados e publicados no Jornal de Angola e na Revista Militar (que pertencia à Direcção Política Nacional das FAPLA). As fotos eram também expostas no Centro de Imprensa Aníbal de Melo, em Luanda.
Passou a ser um repórter  militar?

De facto, depois da Cahama, a Direcção Política do DIP enviou-me por duas vezes, entre 1985 e 1987, ao Cuando Cubango, no decurso da "Operação Zebra". Na primeira missão, permanecemos 45 dias, sob a direcção do brigadeiro José João Manuel “Jota”, da comissão política (é o actual embaixador de Angola na República Democrática do Congo). As tropas eram comandadas pelo general Fachu. A nossa missão, no Cuando Cubango, era fazer contra-propaganda das informações que os sul-africanos emitiam, através das rádios, afirmando que já tinham tomado o Cuito. Este tipo de informações era desmentido pelos órgãos nacionais, a RNA, TPA, Revista Militar e o Jornal de Angola, com os trabalhos que fazíamos no terreno. Pela TPA, no programa Opção, estava o "câmara man" Carlos Campos, "Locas", actual fotógrafo do Presidente da República. Os bombardeamentos aconteciam a qualquer hora do dia e da noite e tínhamos de nos entrincheirar. Os dias de maior terror eram os de "flagelamentos" do famoso canhão G5. Lembro que, em 1987, numa das fogueiras do combatente, o convidado foi o músico Jacinto Tchipa, que, com as suas músicas, transmitia esperança à tropa.
Os jornalistas estavam armados?

Não. A minha arma era apenas a máquina fotográfica, que tinha os rolos como munições. Os redactores dispunham apenas de gravadores, lápis e papel. Para a nossa segurança, andávamos na linha de trás dos soldados. Entregávamo-nos de corpo e alma e tínhamos consciência de que qualquer um de nós podia tombar naquela missão. Mas a esperança pela liberdade estava acima do medo que carregávamos.
Diante de tantos perigos, o que motivava o grupo?

As visitas de oficiais generais, como o general França Ndalu, chefe do Estado-Maior, na altura, o general Pedro Sebastião, actual ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, e vários outros oficiais, contribuíam para a moralização da tropa. Para além do sentimento patriótico, tínhamos a certeza que estávamos do lado da verdade e que a paz para Angola e países vizinhos dependia, em grande medida, da nossa vitória contra os sul-africanos.
Quais foram os piores momentos no Cuito Cuanavale?

As incertezas das emboscadas na travessia dos rios e, sobretudo, os imprevistos bombardeamentos do G5. Eram o nosso maior terror.
Lembra-se de outros jornalistas no Cuito?

Depois das publicações da nossa primeira missão em jornais e revistas, ainda em 1987, integrei o segundo grupo de jornalistas enviado ao Cuito, com o João Lígio, repórter da TPA, Sebastião Solar, “câmara man” (pai de outro funcionário que exercia as mesmas funções nessa estação), Pombal, da Rádio, e José Cambuandi, da Angop. Esta equipa permaneceu apenas uma semana no Cuito, seguindo depois para o Huambo.
Que outras situações o marcaram?

Muitas outras, como o massacre de Camabatela. Aconteceu em Fevereiro de 1986. Na altura, encontrava-me no Uíge, num grupo de jornalistas que tinha a missão de radiografar a província. De repente, fomos orientados a seguir de helicóptero para o município de Camabatela, província do Cuanza-Norte. Chegados ao local, deparámo-nos com um cenário de terror. Encontrámos pessoas cortadas com catana e machado, aos pedaços, da cabeça aos pés. Eram crianças, mulheres grávidas, velhos. Os pedaços estavam espalhados por todo lado. Naquele momento, não sabíamos se reportávamos ou ajudávamos quem ainda respirava e clamava por ajuda e água. Não gosto de falar deste genocídio e creio que os erros da guerra ficaram no esquecimento dos angolanos.
Quais foram as repercussões das publicações deste massacre?

O massacre de Camabatela mexeu com o país e o mundo. Na época, o Estado angolano fez uma grande exposição fotográfica do massacre no Centro de Imprensa Aníbal de Melo, em Luanda, e enviou, em seguida, as imagens para alguns países africanos e à comunidade internacional. As fotografias correram o mundo, mobilizando países africanos e as Nações Unidas, no sentido de condenar a UNITA, que dizia lutar para a liberdade dos angolanos. Além dos mortos, a imagem de uma madre católica com um bebé ao colo, cujos pais foram mortos neste massacre, chamou igualmente a atenção para a triste realidade.
Também esteve no Zenza do Itombe?
É outro acontecimento muito triste que trago na memória. Estive no Zenza do Itombe, em Agosto de 2001, já como repórter fotográfico do Jornal de Angola, na companhia do jornalista António Paulo, ex-secretário de Estado do MAPTSS, muito jovem na altura. O ataque da UNITA a um comboio, que carregava civis e que seguia de Luanda para o Cuanza-Norte, aconteceu no dia 10 de Agosto e, no dia seguinte, uma enorme equipa de jornalistas estava no local. Não foi fácil fotografar vagões cheios de pessoas queimadas, entre crianças, mulheres e velhos inocentes. Fotografei corpos carbonizados e presos entre as rodas das carruagens. Havia vagões em que só restavam cinzas. Até os ossos estavam totalmente queimados. Lá estavam mais de 240 pessoas, na sua maioria carbonizadas. Houve jornalistas que não conseguiram aproximar-se do local, devido ao forte cheiro. Muitos corpos de pessoas que tentaram escapar das chamas estavam espalhados pelos arredores. Devido ao avançado estado de decomposição, muitos corpos foram enterrados em cemitérios improvisados, com as mãos e os pés de fora.
E as repercussões?
O Jornal de Angola publicou em destaque uma reportagem de duas páginas, com imagens de pessoas queimadas nos vagões e enterradas com as mãos e pés fora. O ataque ao Zenza do Itombe foi, sem dúvidas, o início do descrédito total da UNITA a nível internacional. À semelhança da divulgação do massacre de Camabatela, o Estado angolano levou, de igual forma, ao conhecimento da comunidade internacional, ao ponto de alguns países africanos deixarem de apoiar a UNITA. Dias depois do ataque, o então vice-ministro das Relações Exteriores de Angola, Toco Serrão, anunciava à imprensa a possibilidade do Governo levar o líder da UNITA ao Tribunal Internacional, para ser julgado como criminoso de guerra, por genocídio. A então ministra da Família e Promoção da Mulher, Cândida Celeste, organizou uma marcha que percorreu várias artérias de Luanda, em protesto contra o ataque da UNITA. No final da marcha, a ministra leu uma mensagem dirigida ao Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, onde solicitava o desencadeamento de um processo para levar Jonas Savimbi a julgamento, pelo Tribunal Internacional.
Até que ponto acha que o seu trabalho, enquanto fotojornalista, foi valioso?
Desenvolvi um trabalho jornalístico que levou informação a nível nacional e internacional. Na luta para a conquista da paz em Angola, os militares combateram usando armas e os jornalistas transmitindo informação noticiosa ao mundo. Creio que, de forma directa ou indirecta, todos contribuímos para a conquista da paz.

Reforma-se enquanto repórter presidencial ...
Sou repórter presidencial desde o DIP. Entrei para o Jornal de Angola em 1995, saído da ENFOTO do DIP do Comité Central do MPLA. Cubro actividades pelo Jornal de Angola desde o antigo Presidente José Eduardo dos Santos. Antes era mais difícil fotografar a comitiva presidencial, em função da realidade política que se vivia. Hoje, é mais fácil. O Presidente João Lourenço é comunicativo e facilita o trabalho da imprensa. Em audiências, faz questão de cumprimentar e dizer sempre algo aos jornalistas. Isso transmite humanismo às pessoas que convivem com ele. Algumas vezes, pede opinião aos repórteres de imagem sobre a melhor posição que deve adoptar. Isso indica que conhece a importância da imagem. Quando a segurança aperta bastante, o Presidente faz questão de orientar o chefe do Protocolo, no sentido de facilitar o trabalho dos jornalistas.
Sente que cumpriu a sua missão?
Trinta e oito anos depois, saio de cabeça erguida, com o sentimento de ter cumprido, na medida do possível, a missão que me foi incumbida. A fotografia de imprensa exige bastante contacto físico, domínio técnico da máquina fotográfica e também conhecimentos apurados de jornalismo. E o fotojornalismo deu-me a possibilidade de trabalhar nas várias vertentes do jornalismo, entre coberturas de Política, Economia, Desporto, Sociedade e Cultura. A fotografia física tem uma longevidade de mais de 150 anos. Com o surgimento da fotografia digital, nos anos 90, penso que deixo um arquivo e um legado que servirá para quem estiver interessado em saber sobre acontecimentos de Angola nas várias categorias do fotojornalismo. Embora esteja na casa dos 60 anos, respiro boa saúde e, se puder reunir as condições desejadas, irei dedicar-me à fotografia artística, retratar a natureza, a cultura, etc, para fins de ensino e exposições.
Um arquivo humano

Além das coberturas de guerra, Francisco Bernardo integrou várias missões presidenciais, entre 1980 e 1990, ainda no DIP. Deu continuidade ao trabalho, ao integrar o Jornal de Angola, em 1995. Ao todo, são mais de cem missões. Mas há uma cuja memória guarda consigo mais vivamente: a viagem a Cuba, em 1988. Na foto oficial de família que fez na ocasião, estavam perfilados os Presidentes José Eduardo dos Santos e Fidel Castro, o actual director de comunicação institucional da Presidência da República, Luís Fernando (na altura estudante em Cuba), o jornalista Víctor Silva, pelo Jornal de Angola (hoje PCA), António Romeiro e José Patrício. Francisco Bernardo recebeu rasgados elogios do Presidente cubano, pela qualidade do retrato.
Em 1989, integrou um grupo de jornalistas com a missão de cobrir as primeiras negociações de paz, em Nsele, Kinshasa, República Democrática do Congo, entre o Governo e a UNITA. No mesmo ano, esteve em Windhoek, no âmbito dos acordos para a independência da Namíbia e a libertação de Nelson Mandela. A missão foi chefiada pelo então ministro das Relações Exteriores Venâncio de Moura. Da equipa de cobertura, faziam parte os jornalistas Reginaldo Silva, pela RNA, Ambrósio Clemente, pelo DIP, Sampaio Júnior, pela Angop. No ano seguinte, cobriu, igualmente, a Independência da Namíbia. 
Entre as várias recordações consta ainda, em 1991, o facto de ter integrado o grupo de jornalistas enviado a Bicesse, para a assinatura dos acordos de paz entre o Governo e a UNITA. Recorda que a assinatura do documento estava marcada para as 19 horas, mas chegou ao local muito cedo, às 7h00 da manhã, na companhia do Amorim, “câmara man” da TPA. A pontualidade valeu-lhes um lugar à frente, diante de mais de três mil jornalistas. 
Francisco Bernardo integrou ainda o grupo de jornalistas que, na Jamba (antigo bastião da UNITA), acompanhou a segunda delegação do Governo, que teve a missão de consolidar os acordos de paz. Entre os colegas de profissão, lembra Luísa Rogério e Paulino Damião “50” (Jornal de Angola), Sampaio Júnior (Angop), além de jornalistas da TPA e Rádio Nacional de Angola. Uma cena que não esquece foi ver um polícia de trânsito, por cima de uma camioneta, de capacete militar, debaixo de sol ardente, a regular uma via quase sem viaturas. 
Entre as várias missões destacam-se ainda viagens com o antigo Presidente da República aos Estados Unidos da América, Israel, Rússia, França, China, Austrália, Portugal, Brasil, Emirados Árabes Unidos, Cuba, Alemanha, Suíça, além de digressões por África e pelo interior do país. 
Francisco Bernardo é natural de Nambuangongo, comuna do Ngombe, província do Bengo. Recebeu formação em fotografia nos anos 80, por professores cubanos e polacos. Fez o curso profissional de fotografia e imprensa, pela Agência ADN, na então República Democrática Alemã, em 1985. Em 2012, fez uma formação em fotografia digital e fotografia de imprensa (fotojornalismo) e edição, pelo Jornal El Mundo.
fonte: jornaldeangola

Parlamento do Uganda abole a pena de morte.

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O Parlamento do Uganda aprovou, ontem, uma Lei que abole a pena de morte obrigatória para certos crimes, modificando, assim, quatro leis diferentes que previam a pena capital, incluindo a legislação anti-terrorista, noticiou a BBC.

Fotografia: DR

No Uganda, apesar de na prática ninguém ter sido executado ao longo dos últimos 20 anos, existem 133 detidos no corredor da morte, refere o canal televisivo britânico.
Se esta Lei for sancionada pelo Presidente Yoweri Museveni, as condenações limitarão a pena de morte aos crimes mais graves ou ao poder discricionário do juiz.
Os legisladores dizem tratar-se de um passo em direcção à abolição completa da pena capital, para a qual os tribunais já manifestaram apoio.
Houve uma campanha para pôr fim à pena capital, após uma decisão judicial de 2009 em favor de Susan Kigula, condenada à morte, justificando que a pena de morte era inconstitucional.
Seguidamente, o tribunal decidiu que a pena de morte não deveria ser obrigatória nos casos de homicídio e que uma pessoa condenada não deveria ser mantida indefinidamente no corredor da morte, ou seja, se um condenado não fosse executado no prazo de três anos, a sentença seria automaticamente comutada para prisão perpétua.
O serviço penitenciário ugandês saudou a iniciativa dos parlamentares.

fonte: jornaldeangola

Tchad convida Angola a explorar blocos petrolíferos.

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Angola pode explorar petróleo em duas concessões de blocos na República do Tchad nos próximos tempos, visando aproveitar as potencialidades dos dois países, numa perspectiva estratégica de curto e médio prazo.

Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

A intenção foi manifestada ontem, em Luanda, pelos Chefes de Estado de Angola, João Lourenço, e do Tchad, Idriss Deby Itno, que efectuou, até ontem, uma visita oficial de dois dias ao país.
No final das conversações oficiais, no Palácio da Cidade Alta, as duas delegações assinaram um Memorando de Intenções e o Processo Verbal. A intenção resulta, entre outros aspectos, da necessidade de Angola e Tchad criarem plataformas de cooperação que beneficiem da experiência que cada um detém para colocar as respectivas economias na via do desenvolvimento sustentável. 
Em declarações à imprensa, nos Jardins do Palácio Presidencial, João Lourenço afirmou que o Tchad põe à disposição de Angola a concessão de dois blocos. O Chefe de Estado informou que os ministros do sector dos dois países conversaram sobre o que deve ser feito, em breve, para a materialização desta intenção.
O Presidente Idriss Deby Itno justificou que o objectivo é aproveitar a vasta experiência que Angola acumulou ao longo de mais de 40 anos. “A Sonangol tem uma vasta experiência no domínio dos petróleos e trabalha também em alguns países estrangeiros. Temos, por isso, mais uma razão para Angola nos levar a encontrar vias e meios para reforçar este domínio e até ao comércio”, disse. 
O Presidente João Lourenço considerou a visita do homólogo tchadiano “curta e produtiva por ter permitido a assinatura de um Memorando de Intenções e um Processo Verbal”. 
A justificar a assinatura de apenas dois instrumentos está o facto de a Comissão Mista Bilateral de Cooperação não se reunir há já muito tempo. “Como não estamos em condições de assinar acordos, assinamos os dois instrumentos. Os acordos devem ser assinados em breve, em Djamena, tão logo estejamos em condições de o fazer”, referiu o Presidente João Lourenço.
Indústria e Agricultura
No domínio da indústria e agricultura, os empresários angolanos foram convidados a investir naquele país, com forte tradição agro-pecuária. A prová-lo está o facto de o Tchad possuir actualmente uma população bovina à volta de 100 milhões de cabeças de gado para uma população de 15 milhões de habitantes.
O Tchad tem também tradição de exportação, não só para países africanos, mas também europeus. “No âmbito da cooperação Sul - Sul, estamos a ver a possibilidade de importar carne bovina do Tchad, enquanto não alcançarmos a auto-suficiência”, disse João Lourenço, para quem esta poderá ser uma boa solução para reduzir a pressão sobre as divisas e agregar a vantagem de trazer produtos frescos à mesa, o que constitui um desafio para os empresários angolanos. 
Além da carne, o Presidente João Lourenço aventou também a possibilidade de aquisição de gado para a reposição da população bovina em falta em algumas zonas do país, como o Pólo de Camabatela. 
A respeito desta possibilidade, Idriss Deby Itno disse, em declarações à imprensa, que o seu país produz uma “carne bio” e que pode ser exportada para Angola com grande facilidade. Neste sentido, apelou os empresários angolanos a se juntarem ao Tchad, que projecta, para Dezembro, a abertura de um matadouro moderno e funcional. Idriss Deby Itno manifestou a intenção de ver, na gestão do empreendimento, empresários angolanos. 
Outro domínio a ser concretizado no âmbito da cooperação é a Defesa e Segurança e na formação de pilotos militares, com realce para helicópteros. “Angola pode ajudar nesse sentido”, garantiu o Presidente João Lourenço. 

/>Abertura de embaixadas
Quinta vez a visitar Angola, Idriss Deby Itno mostrou predisposição para cooperar com Angola em áreas concretas e numa perspectiva de curto prazo. “Já é tempo de nós, os africanos, nos virarmos para o interior do nosso continente e reforçar a cooperação e o comércio”, disse
Outro aspecto que mereceu a atenção dos dois Chefes de Estado foi a questão da abertura das embaixadas nos respectivos países. No momento, o Tchad tem um consulado em Luanda. “A instalação de uma Embaixada do Tchad em Luanda é já uma necessidade. Estamos dispostos a analisar a questão, até porque visa reforçar a ligação Djamena e Luanda”, disse o Estadista tchadiano.
João Lourenço prometeu que ao nível das diplomacias, a questão da instalação das embaixadas vai ser analisada pelos respectivos canais diplomáticos e pelos ministros das Relações Exteriores, que devem começar a trabalhar na questão. 

Retrato de Angola
João Lourenço traçou o retrato do que deve ser a Angola do futuro, lembrando que tem estado a adoptar políticas que visam dar um maior dinamismo à gestão das instituições do Estado, embora reconheça haver ainda muito por realizar, em especial na luta pela diversificação da economia, aumento da produção interna de bens e serviços e consequentemente aumento da oferta de emprego. “Esta luta deve ser acompanhada pela luta permanente contra a corrupção e a impunidade, pelo respeito da coisa pública e moralização da sociedade”, disse.
O Chefe de Estado lembrou que o Tchad vive também dificuldades de vária ordem, designadamente na luta contra o terrorismo, a violência interétnica e a seca, e encorajou os esforços que aquele país tem feito para debelar esses males internos e também para pacificar a região em que se insere, no âmbito do G5 do Sahel.
Iniciativas de paz
Na abertura das conversações, o Presidente Idris Deby Itno felicitou o homólogo angolano pela iniciativa de acolher, em Luanda, o encontro entre os Presidentes do Uganda e Ruanda, que culminou na assinatura, na quarta-feira, do Memorando de Entendimento de Luanda para pôr termo as fricções nas relações político-diplomáticas. 
O Chefe de Estado tchadiano disse que Angola e o seu país têm a possibilidade de explorar os domínios da Cultura, Agricultura, Pecuária, Energia, Minas e Infra-estruturas, considerando crucial a reactivação da Comissão Mista Bilateral de Cooperação. “Hoje, mais do que nunca, os nossos países devem juntar sinergias para fazer melhor, tendo em conta os desafios para o desenvolvimento e bem-estar dos nossos povos”, disse.
Acções concretas nas Ciências e Tecnologias de Informação
O Presidente João Lourenço entende ser preciso estabelecer, com o Tchad, acordos que se traduzam em acções concretas nos sectores do Ensino, das Ciências, das Tecnologias de Informação, do Empreendedorismo, do Ambiente, Transportes, Energia e Águas, da Construção Civil, dos Recursos Naturais, Indústria, Agricultura, Turismo, Defesa, Saúde e Cultura. 
Diante das potencialidades que a cooperação oferece, dos dois Chefes de Estado veio o convite recíproco aos empresários. "Os empresários tchadianos podem encontrar grandes oportunidades de negócios, quer de forma directa, quer em parceria com empresas públicas e privadas angolanas, facilitados pela melhoria da legislação existente a esse respeito", disse João Lourenço.
Manifestou a intenção de colher a experiência do Tchad, que por ser em grande parte constituído por um deserto e sofrer com a falta de água, desenvolveu técnicas para aprimorar a Agricultura em áreas desérticas e para o tratamento de doenças raras.
fonte: jornaldeangola

Uma câmara no Parlamento para os sobas angolanos?

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Proposta de Lei sobre o Poder das Autoridades Tradicionais angolanas está em consulta pública. Sobas ouvidos pela DW defendem auscultação em todas as regiões e a criação de uma câmara no Parlamento para os representar.

fonte: DW África
Soba Lucas Pedro: As consultas devem ser feitas de região em região
Soba Lucas Pedro: "As consultas devem ser feitas de região em região"

Angola tem mais de 40 mil autoridades tradicionais distribuídas pelo país. Para hierarquizar as suas atribuições e competências, está em consulta pública desde o fim de semana uma Proposta de Lei sobre o Poder das Autoridades Tradicionais.
O soba Lucas Pedro "Muene Macongo", oriundo da província de Malanje, defende que a auscultação pública deve ser feita no máximo possível de comunidades. "As consultas devem ser feitas de região em região, [para se saber] o que se pode fazer sobre a lei de autoridade tradicional", sugere.
Entretanto, ele avança já com uma ideia: a criação de uma câmara para sobas no Parlamento angolano, para valorizar o poder tradicional. "Esta câmara é que poderia falar pelas autoridades tradicionais e para as comunidades. Doutores, engenheiros, psicólogos é que ficam no Parlamento. Nós devíamos ser representados também no nosso Parlamento. Seria uma câmara das autoridades tradicionais", explica.
Choque entre poderes?
Angola prepara-se para implementar as autarquias em todo país a partir de 2020. Questionado sobre se haveria algum choque entre o autarca e a autoridade tradicional, "Muene Macongo" responde que autoridade tradicional, no seu todo, já foi autarca. "Desde a sua criação, nós dividíamos os poderes antes da colonização. Nós dividíamos as matas, rios, lagoas, etc."
 
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Uma câmara no Parlamento para os sobas angolanos?

Para "Muene Macongo", no âmbito da cruzada contra a corrupção, impunidade e o nepotismo, o Presidente João Lourenço devia ouvir os sobas. "Tem que prestar atenção às autoridades tradicionais, nos receber no seu gabinete, que não é preciso audiência que demora 40 a 50 dias. E quando vai às províncias, não se limite apenas a falar com os governantes, é melhor ouvir das autoridades tradicionais, ouvir das comunidades", diz.
O Governo angolano tem estado a realizar vários encontros de reflexão sobre autoridades tradicionais. Em junho, por exemplo, o Ministério da Cultura organizou o III Encontro Nacional sobre as Autoridades Tradicionais. As reflexões decorreram sob o lema: "As Autoridades Tradicionais Face ao Estado Moderno no Fortalecimento da Democracia".
Angola | Tiago Catumo Generalsekretär von CACAT
Tiago Catumo, secretário-geral do CACAT
Ainda assim, Tiago Catumo, secretário-geral do Conselho Angolano de Coordenação das Autoridades Tradicionais (CACAT), pede mais respeito aos sobas e queixa-se que a sua organização não está a ser valorizada. "Somos reconhecidos e estamos no Diário da República. Mas estamos há dez anos para nos darem uma declaração definitiva para criarmos a nossa agricultura. Veja como esse Governo funciona", critica. 
Tiago Catumo defende que organizações como a sua, a Mosaiko - Instituto para a Cidadania, a Associação para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA) ou a Mãos Livres têm de adquirir o estatuto de utilidade pública: "Uma associação de direito tradicional, que recebe reis, que trabalha com as comunidades e temos as nossas terras [porque não é de utilidade pública?]. No Ministério da Justiça, procura quais são as associações que têm o direito de utilidade pública - são todas dos membros do Comité Central do MPLA".


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