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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Economia da Guiné-Bissau cresce com ajuda de Angola.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Por João Carlos e Carlos Martins, DW

DW -
A economia da Guiné-Bissau deverá crescer este ano 4,3 por cento, contra os 3,5 por cento alcançados em 2010. A previsão é da ministra do Plano e Integração Regional, Helena Embaló.

Em entrevista exclusiva à DW em Lisboa, a ministra Helena Embaló falou da estratégia nacional de combate à pobreza e ao narcotráfico, dos efeitos positivos do perdão da dívida de 283 milhões de dólares e da importância da cooperação com Angola.

Angola é um parceiro crucial para a etapa de estabilidade da Guiné-Bissau, depois das várias crises político-militares que levaram alguns parceiros a suspenderam a ajuda ao país. Reconhece a ministra guineense da Economia, Plano e Integração Regional, Helena Embaló.

Angola ajuda a Guiné Bissau

“Angola tem sido um parceiro fundamental. Quando em 2010, tendo em conta o levantamento militar, alguns parceiros retiraram a sua ajuda, Angola veio apoiar a Guiné Bissau", disse a ministra para em seguida acrescentar "graças a um programa de cooperação militar que abrange várias componentes da reforma do setor de defesa e segurança, tem contribuído muito para a estabilidade no país”, concluiu.

Helena Embaló realça também o apoio financeiro concedido pelo Governo de Luanda para cobrir o défice orçamental da Guiné-Bissau.

“E está em perspetiva uma linha de crédito para apoiar as iniciativas empresarias no montante de 25 milhões de dólares" e explica a governante guineense "isto porque já começa a haver investimentos angolanos importantes no país – refiro-me particularmente à exploração do bauxite, à construção das linhas férreas e à construção do porto de Buba”.

Fazendo parte dos países frágeis, a Guiné-Bissau augura com esse estatuto mobilizar mais recursos dos doadores internacionais para a execução de reformas imprescindíveis para o seu desenvolvimento, abrangendo a administração pública, justiça, ensino, saúde e infraestruturas. Helena Embaló assegura que o país vai continuar a dar mostras de uma gestão mais criteriosa dos fundos que recebe.

“Porque se nós conseguirmos de facto restaurar aquela confiança, a credibilidade junto da comunidade internacional, aí eles sentir-se-ão enconrajados a dar mais ajuda”,destacou a senhora Embaló.

Neste contexto, o alívio da dívida externa em Maio último, através do Clube de Paris, é um impulso a este esforço, frisou a ministra guineense na entrevista exclusiva concedida à DW.

“Foi fundamental e também é uma forma de ajuda. O país poderá utilizar esses recursos obviamente para redução da pobreza e para o seu programa de crescimento económico”.

E quais as perspectivas para este ano?

“Este ano, prevemos um crescimento de 4,3% e tudo leva a crer que esta trajetória positiva se vai manter. Nós acabámos de elaborar a nossa estratégia de redução da pobreza e também elaborámos estudos para melhor analisar as fontes de crescimento"disse a ministra guineense tendo por outro lado sublinhado que " isso é importante porque agora já há uma maior estabilização do ponto de vista fiscal e é preciso agora implementar uma estratégia que permita valorizar todo o potencial económico que o país tem” afirmou.

Mas, o combate ao narcotráfico é outro desafio nacional, regional e intercontinental, para o qual o país também definiu uma estratégia.

“Mas a Guiné-Bissau não conseguiu mobilizar os fundos de que carecia totalmente para a sua implementação", lamentou a ministra do Plano, Integração Regional da Guiné Bissau que acrescentou ... "neste momento há uma revisão dessa estratégia, uma atualização e este plano vai em paralelo com o reforço das próprias instituições judiciárias". Porque, segundo a governante guineense "é muito importante termos um sistema judicial sólido e robusto, que possa agir e reagir de forma firme contra esse tráfico”...concluiu a ministra guineense da Economia, Plano e Integração Regional, Helena Embaló.

Autor: João Carlos (Lisboa) / Carlos Martins
Edição: António Rocha
Fonte: DW

Filho de Presidente angolano suspeito de lavagem de dinheiro.

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Foto: (Reuters)
António Cascais e Cristina Krippahl, DW

DW -
José Filomeno dos Santos, filho do Presidente angolano, tido por alguns observadores um potencial sucessor à chefia do Estado, está na mira da imprensa alemã e suíça por alegados negócios ilícitos.

Zenu, diminutivo pelo qual é conhecido José Filomeno dos Santos, é um homem que já estagiou e trabalhou em várias empresas do regime: foi quadro na Sonangol e foi diretor-adjunto da sua subsidiária AAA, antes de se lançar no mundo dos negócios internacionais: passou pela Suécia, estudou em Inglaterra e participou em vários projetos, como a “Afrikanische Innovations Stiftung”, Fundação para Inovação de África em português, com sede na Suíça.

O jornalista suíço especializado em economia, Lukas Hässig, recentemente publicou um artigo sobre as atividades de Zenu dos Santos naquele país, no qual explica que a fundação foi criada pelo filho do presidente angolano, alegadamente para financiar obras de beneficência em África. “Zenu dos Santos pretende assim criar uma imagem positiva de si próprio”, afirma Hässig.

O dirigente da fundação é um advogado suíço chamado Thomas Ladner, que, ao mesmo tempo, dirige também uma empresa de serviços financeiros de nome Quantum na Suíça. Zenu dos Santos é também um dos promotores do banco Quantum Angola: “Isto para mim é uma teia de empresas - uma rede angolana - sempre com os mesmos protagonistas que trabalham todos em conjunto”, diz o jornalista Lukas Hässig.

O papel pouco claro de um banqueiro alemão

Por trás dos negócios de Zenu dos Santos está Jean-Claude de Morais Bastos, um cidadão suíço originário de Cabinda. Foi através dele que Zenu criou o seu próprio Banco, o “Quantum” recrutando para os seus quadros Ernst Welteke, ex-presidente do Banco Central da Alemanha, que hoje assume as funções de Presidente do Conselho de Administração.

Hässig considera ser “muito peculiar” um ex-presidente do Bundesbank cumprir esta função num banco em Angola, e, ao mesmo tempo, num banco na Suíça com o mesmo nome, mas que - alegadamente - nada têm a ver um com o outro. "Mas olhando para as direções denota-se que são praticamente idênticas. Ernst Weltecke pertence aos dois conselhos de administração e também o cidadão suíço-angolano Basto de Morais está em ambas as empresas".

Acusações de lavagem de dinheiro

Observadores angolanos residentes na Alemanha já lançaram publicamente acusações graves contra esta rede que classificam de máquina de lavagem de dinheiros desviados das finanças públicas angolanas. A lavagem seria feita com a participação e ajuda de personalidades alemãs, como Ernst Welteke, escreve o jornalista angolano residente na Alemanha, Emanuel Matondo, num artigo publicado na revista alemã "afrika Süd". Título do artigo: “Dinheiro sujo procura lavagem”.

O jornalista suíço, Lukas Hässig, diz que apesar de haver indícios, por enquanto não há provas. A Deutsche Welle tentou - em vão - contactar Ernst Welteke, membro do partido Social-Democrata Alemão, que em 2004 foi obrigado a demitir-se do Banco Central Alemão por suspeita de corrupção.

Autor: António Cascais/Cristina Krippahl
Revisão: Helena Ferro de Gouveia
Fonte: DW

Ex-presidente do Banco Central da Alemanha manda retirar artigo de jornalista angolano na Alemanha.

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Foto: Ernst Welteke, ex-presidente do Banco Central da Alemanha (Deutsche Bundesbank). (EFE).
Por António Cascais, DW

DW -
"Dinheiro sujo procura lavagem" foi o título dum artigo do jornalista angolano residente na Alemanha, Emanuel Matondo, publicado pela revista "Afrika Süd". Agora a revista decidiu retirar o artigo cedendo a pressões.

O artigo descreveu as atividades profissionais do ex-presidente do Banco Central da Alemanha (Deutsche Bundesbank), Ernst Welteke, em Angola. Ernst Welteke é acusado de se rodear de (citamos) "pessoas criminosas" e de se ter aceite a chefia do banco Quantum Angola, um banco que o artigo descreve como "banco fundado por ordens do Presidente dos Santos com o objetivo de lavar dinheiro proveniente do petróleo, roubado ao povo angolano".

Também outro jornalista, na Suiça, descreveu em artigos críticos, as atividades consideradas "pouco transparentes" do ex-presidente do Bundesbank, referindo-se ao Banco Quantum Angola SA, assim como da empresa Quantum AG, na Suiça, projetos liderados por Welteke e participados por José Filomeno dos Santos "Zenu", um dos filhos do Presidente angolano.

Welteke nega tudo

Agora o ex-presidente do Bundesbank reagiu. Através dos seus advogados enviou uma carta à pequena revista "Afrika Süd", em Bona, pressionando-a a retirar o artigo de Emanuel Matondo.

A Deutsche Welle tem vindo a acompanhar esta história, pedindo esclarecimentos a todos os intervenientes. O filho do Presidente angolano Zenu dos Santos, que em Abril participou numa conferência sobre negócios com África, na cidade alemã de Frankfurt, não quiz na altura dar uma entrevista à Deutsche Welle sobre os seus negócios na Europa e os seus parceiros suiços e alemães, com destaque para o ex-presidente do banco central alemão.

Ernst Welteke preferiu – nesse dia - apresentar-se ao público em geral, como defensor da transparência e lutador contra a corrupção em Angola e no mundo. Contactado pela Deutsche Welle, Ernst Welteke, sempre se mostrou disponível, manifestando-se indignado e refutando as acusações lançadas por jornalistas contra a sua pessoa.

Welteke entregou o caso a advogados

Pressionado, passou agora ao contra-ataque e contactou um conceituado escritório alemão de advocacia. O objetivo é impedir a publicação de mais artigos críticos sobre os seus negócios em Angola e mandar apagar os que já foram publicados. Palavras de Ernst Welteke: „Na Revista Áfrika Süd, edição número 1, de Janeiro de 2011, foi publicado um artigo com o título 'Dinheiro sujo procura lavagem' e o subtítulo era 'Banco Quantum e o novo emprego de Ernst Welteke em África'. Nesse artigo são feitas várias acusações descaradas contra o Banco Quantum e contra mim pessoalmente. E nós reagimos, recorrendo a um advogado que intimou o editor da revista a distanciar-se do artigo em termos de conteúdo e também a retirá-lo da internet. Foi isso que aconteceu."

Ouvimos também a outra parte. Emanuel Matondo, autor do artigo em questão, nasceu em Luanda. Mas sendo antimilitarista e não querendo participar na Guerra civil angolana, abandonou o país, ainda jovem. Uma odisseia que o trouxe à Alemanha, depois de ter passado pelo Congo e Congo Brazzaville.

Emanuel Matondo não recua...

"Eu vou continuar a trabalhar como jornalista, eu sou autor. Estou a falar contra a injustiça num país rico onde a pobreza é extrema, onde a gente morre por falta de medicamentos, onde as crianças morrem nos corredores dos hospitais. Continuarei porque os dinheiros desviados faltam para o desenvolvimento do pais; é uma forma de roubo. Denuncio a corrupção, porque ela está a destruir mesmo a cultura angolana; porque a elite quer manter-se no poder. Esse sistema já domina o mundo financeiro de Angola".

Matondo diz que tem provas suficientes do que afirma; e que por isso não retira uma virgula do artigo que escreveu, acusando Welteke de tentativa de censura: "Depois de publicar a versäo portuguesa completa em Angola, havia ameaças de morte contra os editores de lá. Os jornalistas foram intimidados, disseram-lhe que tinham que acabar com artigos sobre corrupção. E aqui (na Alemanha) nós também nos encontramos sob ameaça dum processo. Isso é uma forma clara de censura, mas brutal…"

Matondo lança um apelo a Ernst Welteke, membro do partido social-democrata alemão (SPD) e destacado membro honorário da fundação Friedrich-Ebert, ligada ao mesmo partido: "Se ele é membro dum partido que pretende combater as injustiças no mundo, como é que pode dar apoio intelectual no sector bancário a um sistema injusto? Como pode dar apoio ao sistema financeiro despótico angolano, que é conhecido como um sistema corrupto?"

De salientar que os editores da revista alemã "Afrika Süd" retiraram o referido artigo de Emanuel Matondo da sua página na internet. Uma mera medida de precaução que não significa que eles se tenham distanciado do conteúdo, segundo os editores da revista. A revista impressa, essa, continua em circulação e os jornalistas prometem prosseguir com as investigações sobre os negócios em Angola de Ernst Welteke, o ex-presidente do banco central alemão.

Autor: António Cascais
Edição: Carlos Martins/António Rocha/Johannes Beck
Fonte: DW

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