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NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... Realiza-se esta quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023, em Yamoussoukr...

sábado, 8 de outubro de 2011

Conhecer um pouco mais da história do nosso país e do nosso povo e de onde quer que venha essa história, eu farei o possível de levá-la até você, mas as conclusões serão tiradas por você independentemente da versão do autor.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

O massacre dos soldados africanos

Nesta página são apresentados os seguintes textos:
  • Os massacres em Bissorã - por Carlos Fortunato
  • Testemunho do ex-comando Francisco Amadeu Baldé - 10/06/2006 elaborado por Carlos Fortunato
  • Testemunho do ex-comando Julde Jaquite Semedo (Júlio) – 30/6/2007 elaborado por Carlos Fortunato


Os massacres em Bissorã - por Carlos Fortunato

1969 - Bissau Forte da Amura,
para onde foram levados e fuzilados os comandos africanos (1)

O massacre de ex-comandos africanos, de ex-soldados, de  ex-milícias, e até de civis, que tinham pertencido ou apoiado o exercito português, foi realizado após a entrega do poder ao PAIGC em 1974, esta acção colocou uma mancha na história da Guiné, e criou um precedente de impunidade, que se virou contra os próprios dirigentes do PAIGC, face a um clima de intrigas e conspirações que se criou.

Não se sabe ao certo quantos morreram, mas foram vários milhares.

Apresenta-se a seguir um pequeno extracto do jornal "Nó Pinctha", edição de 29/11/1980, que transmite a posição do PAIGC: 

"Em seis anos de independência total da nossa terra, 500 pessoas foram fuziladas, sem julgamento e enterradas em valas comuns nas matas de Cumerá, Portogole e Mansabá.

Publicamos hoje, os nomes de algumas pessoas que foram massacradas pelo regime de Luis Cabral, pois só as fichas criminais e que chegaram ao conhecimento do Conselho da Revolução. Sabe-se que muitos camaradas das FARP, que discordavam do regime e das injustiças de que eram alvo, elementos do grupo Malam Sanhá, e antigos comandos africanos criados pelas autoridades do colonialismo português na nossa terra, foram mortos pelos Serviços de Segurança do Governo Deposto.

São bem conhecidos do nosso povo os crimes cometidos pelos "comandos africanos", junto das populações indefesas. Era justo que fossem julgados, mesmo eles, e condenados pelos seus crimes. Mas tal não aconteceu. O regime de Luiz Cabral violou flagrantemente as normas dos Direitos Humanos, e nenhum comando africano, nenhum dissidente foi levado a tribunal. Foram executados barbaramente no meio das florestas, contra os mais elementares princípios de justiça, e contra os princípios do nosso glorioso partido"

O crime pelos massacres é assim imputado a Luiz Cabral, e a sua execução aos Serviços de Segurança dirigidos por Buscardini.

É do conhecimento geral que os fuzilamentos foram realizados por soldados, e nunca por elementos ligados à segurança.

A guerra era algo que os soldados africanos lamentavam constantemente, o seu desejo era que fosse feita a paz. Falavam que não podiam andar ali a matar os seus irmãos, e que todos se deviam sentar e conversar, para se chegar a um acordo.

A aspiração dos soldados africanos da CCaç. 13 era apenas a de terem uma vida melhor, e o empenho de alguns deles para se desenvolverem era extraordinário.

Apesar de apenas falarem balanta e algumas palavras de crioulo, dedicavam-se afincadamente ao auto-estudo, pegando em livros de leitura que decoravam, numa tentativa de aprender a ler.

Apresento a seguir uma imagem com o extracto de uma carta do soldado Calaboche, é apenas um exemplo de um homem simples, já cansado de guerra, que lutou leal e dignamente, na procura de um futuro melhor, acreditando que ele seria ao lado de Portugal.

Carta de 1971
"...
Meu amigo Fortunato eu agora estou farto de guerra eu só quero tirar quarta classe depois foi em Bissau tirar carta de condução civil depois deu tropa cos pontapé.
..."

1970 - Calaboche, Carlos Fortunato e Manuel Cuna na rua principal de Bissorã (1)
Calaboche, distinguido com o Prémio Governador da Guiné (2)

Calaboche nunca conseguiria ver os seus sonhos realizados, pois ele tal como muitos outros, foi abandonado à sua sorte, e fuzilado pelo PAIGC. Foi capturado e morto pelo PAIGC, quando se dirigia para a escola onde dava aulas como professor.

Houve quem fugisse para o Senegal, para salvar a vida, mas mesmo continuaram a ser perseguidos, e foram muitas as dificuldades por que passaram, alguns acabariam por morrer por lá.

Transcreve-se a seguir dois extractos de duas cartas relatando um pouco o que se passou em Bissorã, enviadas por outro ex-soldado africano que conseguiu escapar a esses massacres:

Carta de 1982
" ...
Hora bem eu vou-te esplicar poucina en pouco (1) de independencia da Guiné Bissau.
O que se passou depois de independencia da Guiné, partido mata muitas pessoas na nossa grupo, mata Tenha Taga, Calabos Tchuda, Furrel Sora Nando, só na nossa grupo, também Caba Santiago, Sitafa Quebá, Bacai, José de mesa oficiais, cozinheiro Nhinde de Olossato (2).
Olha Fortunato eu não tem trabalho depois de independencia partido não deija nos(3) trabalhar junto com eles partido disse que nosso tropa portuguesa luta contra eles. Se voce vem cá na Guiné com cooperante voce capaz de arranjar trabalho por favor amigo Fortunato.
…"

Notas corrigindo alguns dos erros da carta para melhor compreensão:

(1) Pretende escrever: explicar um pouco
(2) Pontuei este parágrafo para ser compreensível, o nome do Tenha Taca, Calaboche Tchudá, Sitafá Camará, estão igualmente mal escrito, não consegui identificar se está correcto o nome do Furriel Sora Nando.
(3) Pretende escrever: deixa nós "

 
Carta de 1988
" ...
Os teus soldados chamados Jorge, Barra, Tancana (1) foi matados em furto em Senegal.
... "

(1) O 2º e 3º nomes estão mal escritos correctamente é: Birra e Tangana

Na primeira carta de 1982, é referido o nome de Cabá Santiago, conheci o Cabá Santiago, e posso contar um pouco da sua história, tendo por base aquilo que ele me contou, e o que eu conhecia a seu respeito.

13/6/1974 - Bissorã- Cabá Santiago ao meio, à sua esquerda o comandante do PAIGC da zona de Maqué, Joaquim Tó, que veio até Bissorã com um grande grupo de guerrilheiros.
Vai existir uma reconciliação pacifica, sem retaliações, é o que é proclamado. (2)

Cabá Santiago era um individuo inteligente e com alguma cultura, tinha sido professor até aderir ao PAIGC, ai passou a ser professor e guerrilheiro, após muitos anos de luta, sem ver um fim à vista para esta, e percebendo que o PAIGC mentia nas suas mensagens de propaganda, acreditou que o melhor caminho a seguir era o apontado por Portugal, e aproveitou as campanhas de aliciação para os guerrilheiros abandonarem a luta, para se entregar.

Quando se entregou, Cabá Santiago passou a colaborar com as nossas tropas, integrando as milícias de Bissorã, como chefe de um grupo de milícias, e regressou à sua zona para combater o PAIGC.

Conhecendo alguns guerrilheiros, que viviam com a população, utilizava o seu estatuto de guerrilheiro, e mandava-os ir buscar as suas armas (cada um tinha escondido a sua no mato), e quando estes chegavam armados eliminava-os.

A guerrilha tinha o seu sistema de informação, nomeadamente através dos elementos da população de Bissorã, e Cabá arriscou muito naqueles dias, pois bastava ir a um local onde já se soubesse o que se passava, para ele ser um homem morto, e em breve a sua "cabeça ficou a prémio".

Cabá mesmo depois da sua "cabeça estar a prémio" pelo PAIGC, continuava a ser uma das armas mais destruidora existente em Bissorã, e não deixava de sair por vezes sozinho, e atacar os acampamentos inimigos, eliminando guerrilheiros, e capturando várias armas.

Escusado será dizer que para o PAIGC Cabá Santiago, era um homem a abater a todo o custo, e por isso ele era sempre o ultimo da coluna de milícias que comandava, pois tinha medo de ser morto pelas costas pelos seus próprios homens.

Pergunto aos leitores: o que acham que iria acontecer ao Cabá Santiago, quando fosse entregue o poder em Bissorã ao PAIGC, se mesmo durante o período de cessar fogo, o PAIGC continuavam a capturar soldados africanos, que nunca mais apareciam?

Cabá foi um dos que manifestou desconfiança, sobre o que iria acontecer.

Na verdade existia alguma desconfiança entre as forças africanas, e muitos aguardavam a decisão dos comandos africanos de entregarem as armas, para entregarem as suas, pois os comandos eram quem arriscava mais, dado o clima de animosidade que existia contra eles da parte do PAIGC.

O PAIGC também sentia desconfiança quanto ao rumo das negociações, e temia que o seu estatuto de estado independente, não fosse reconhecido por Portugal.

Aristites Pereira o secretário geral do PAIGC, refere no seu livro " Uma luta, um partido, 2 países", essa situação de desconfiança:

"Na realidade, o PAIGC tinha razões de sobra para desconfiar das intenções do Governo português, na medida em que acrescia ao ambiente de suspeição reinante o facto de os comandos africanos se recusarem a desarmar-se, apresentando uma postura reivindicativa em relação ao Governo português pelos serviços prestados ao seu Exército e uma clara hostilidade em relação ao PAIGC. Em abono da verdade, o PAIGC chegou a estar preocupado com a situação, razão pela qual teve iniciativas unilaterais, que resultaram em contactos com os comandos africanos, chegando esse contacto a efectuar-se a 22 de Julho de 1974, em Cacine, com a presença dos capitães Saiegh e Sisseco, o alferes Barri e um sargento."

Como era previsível, Cabá Santiago foi o primeiro a ser morto. De acordo com o que me foi relatado por vários familiares de Cabá Santiago, a sua morte ocorreu em Outubro de 1974 a mando do comandante militar do PAIGC da zona.


Os Comandantes da milícia, Bacai Camará, Quebá Camará e Sitafá Camará.
Estes soldados agraciados com o prémio "Governador da Guiné" pelos serviços prestados, 
foram mortos pelas tropas do PAIGC após a independência (3)

Cabá foi levado para o mato e morto juntamente com mais duas pessoas, passado algum tempo levaram e mataram mais dois chefes da milícia Quebá Canará, e Sitafá Camará, mais outra pessoa, depois foi um grupo de 25 pessoas que levaram e mataram.

Os africanos, graduados pelo exercito português foram um dos principais alvos a abater, não sei se algum comandante da milícia conseguiu escapar com vida.

Os ex-comandos africanos do exercito português eram outro dos alvos a abater, e muitos foram fuzilados pelo PAIGC.

As companhias de comandos africanos desde a sua criação em 1970, tornaram-se uma das forças de intervenção mais importantes, mas o seu número de baixas era elevado, recorrendo o exército às companhias de soldados africanos, para repor rapidamente a sua capacidade operacional.

Tenha Taca e Intonga Tchudá foram dois dos soldados da CCaç. 13 que ingressaram nos comandos, mas muitos outros soldados da CCaç. 13 seguiram esse caminho, e como é sabido o destino de muitos deles foi a morte após a independência, Tenha Taca e Intonga Tchudá foram dois dos que morreram.

Calaboche Tchudá (1) Tenha Taca (1)
Intonga Tchudá (1) Jorge Embana (1)

É natural que o soldado  Jorge Embana da CCaç. 13 tenha fugido para o Senegal, tinha 2 cruzes de guerra, sabia que isso significava a sua sentença de morte, como ele muitos outros fizeram o mesmo, mas a estes refugiados ninguém os ajudou, vindos muitos deles a encontrar a morte no Senegal.

A referência a crimes feitos contra população indefesa  praticados pelas nossas tropas africanas, para justificar este massacre do PAIGC, não têm qualquer justificação, nunca o vi ou soube que tivesse havido qualquer acto menos digno,  praticado pelos soldados africanos da CCaç. 13, mas assisti ao contrário.

Na operação que fizemos ao Morés em 1970, numa das saídas mais longas, tínhamos que estar 10 dias no mato sem reabastecimentos de comida, e vi os nossos soldados africanos partilhar o pouco que tinham com os prisioneiros, embora sabendo que nos dias seguintes iam passar fome e sede, 11 deles tiveram que ser evacuados por insolação devido à falta de água.

Acabamos bebendo a água estagnada das bolanhas, alimentando-nos das mangas que encontrava-mos, ou comendo folhas  e roendo algumas cascas de árvore, mas esta atitude sempre digna que honrou a sua divisa "Conduta brava e em tudo distinta", não evitou que depois fossem perseguidos, e alguns deles mortos pelo PAIGC.

O PAIGC nunca fez prisioneiros quando capturou combatentes africanos, eram simplesmente mortos, os portugueses tinham mais sorte pois eram levados para Conakri.

A lei de justiça militar do PAIGC publicada em 1973, formalizava estas práticas:

artigo 86 – “O crime de traição tem lugar: a) quando, sendo originário da Guiné ou Cabo Verde, o acusado pega voluntariamente em armas contra as forças nacionalistas do PAIGC; … d) quando ele se negue agir em nosso favor numa situaçaõ em que a sua actuação é necessária, com o propósito de permitir vantagem ou sucesso do inimigo; …”.

Esta lei permitiria às forças armadas do PAIGC, realizar impunemente massacres, após a independência, com a complacência do governo português.

Os soldados africanos da CCaç 13, actuavam na sua terra, e faziam-no com a responsabilidade de quem enverga uma farda, quando íamos às tabancas no mato, os soldados encontravam as suas irmãs, primos etc., mas mesmo que não fossem seus familiares, não roubavam nada, e tratavam a população com respeito.

A excepção a esta regra, foi a destruição de acampamentos inimigos, muitas vezes incendiados, quando localizados em zonas, que era suposto a população ter abandonado.

Era esta a politica vigente na época, que proclamava que a conquista das populações, e o aliciamento dos guerrilheiros, devia ser a grande prioridade, e que não permitia qualquer acção agressiva contra tabancas isoladas, mesmo que estas estivessem sobre um duplo controlo, nosso  e do PAIGC,  servindo-lhe assim de fonte de abastecimento, e de recrutamento.

Infelizmente muitos outros (PAIGC incluído) não procederam assim, existe sempre alguém que actua de forma desumana, mas foram actos isolados.

As acções militares que mais afectavam a população eram os bombardeamentos de artilharia e da avião, pois os guerrilheiros viviam com a população, e quando o PAIGC bombardeava as tabancas procurando atingir os guerrilheiros ai sedeados, atingia também a população. Este tipo de acção era desencadeada sobre zonas controladas pelo PAIGC, e nas quais a nossa entrada nas mesmas era pontual, e de curta duração, como era o caso do Morés, do Cantanhês, etc. 

O motivo pelo qual o PAIGC lançou um massacre depois da independência, foi simplesmente a vingança, e o crime destes ex-combatentes, não foi qualquer acção criminosa contra a população indefesa, mas o de combaterem do lado do exército português.

Outros ex-soldados conseguiram organizar a sua vida como civis, mas durante a minha primeira ida à Guiné em 1986, apesar de já terem acabado as mortes e perseguições aos antigos combatentes, ainda sentiam o receio.

Durante a minha visita à Guiné em 2006, pude constatar que a situação era completamente diferente existindo já harmonia entre todos os antigos combatentes, penso que a luta contra as forças senegalesas em 1998, teve o condão de unir todos os antigos combatentes, pois colocou-os a lutar lado a lado.

Se em tempo de guerra existem sempre excessos, e todos os excessos são actos condenáveis, em tempo de paz são inadmissíveis, e acabam por se voltar contra quem os pratica, porque ao ignorarem os compromissos assumidos, e colocarem em causa a lei e a ordem, estão a condenar o futuro do próprio país, pois ninguém mais se sentirá obrigado a respeitá-la, se achar que tem motivos para tal, e infelizmente esta acção tornou-se como o inicio de uma "maldição" para a Guiné, que não consegue encontrar a paz e estabilidade desejadas.

Tinha-se feito o 25 de Abril em Portugal, revolução exemplar, praticamente sem sangue derramado, pois todo o povo estava praticamente contra o regime, a guerra tinha terminado, lutava-se apenas pelos princípios, os quais eram colocados bem alto, e estes deviam exigir que tudo se fizesse para se não derramar mais sangue.

Quem negociou a paz diz que do lado do PAIGC prometeram que não faziam mal a ninguém, mas se era assim porque não escreveram nada no acordo, e como se verificou depois não foi isso que aconteceu, os massacres ocorreram em todo o lado.

Apesar de os principais intervenientes políticos do PAIGC, que eram na altura Luís Cabral (presidente) e Nino Vieira (chefe das forças armadas), recusarem qualquer responsabilidade nos mesmos, ninguém foi condenado, por esses actos.

No acordo de Argel, Portugal prometia ajudar a reintegração dos ex-combatentes na vida civil, mas tal ficou no papel, o direito à pensão de sangue referida no acordo existe, mas quem o quiser reclamar, terá que ter dinheiro para se deslocar a Portugal, e ficar por cá fazendo exames, respondendo a inquéritos, etc., não tendo qualquer ajuda, o que face às condições de miséria em que os ex-combatentes na Guiné, significa na prática a impossibilidade de estes não terem acesso a qualquer pensão de sangue, quanto à pensão de reforma também referida no acordo, essa ficou esquecida.

Apenas os ex-combatentes africanos que conseguiram vir para Portugal, puderam de algum modo alcançar, alguns dos direitos que foram definidos no acordo de Argel.

A responsabilidade do que aconteceu aos ex-combatentes africanos cabe não só a quem negociou a entrega nestas condições, mas também ao governo português que tapou os olhos e os ouvidos, aos massacres que decorriam, e que toda a gente sabia, à excepção da nossa embaixada em Bissau, quem queria ouvir os ex-combatentes, não existem palavras para classificar tamanha vergonha.

Para mim é sagrado que devemos manter a nossa palavra e a nossa honra, cumprindo com aquilo com que nos comprometemos, e se esse compromisso significa uma vida humana, então não existe qualquer desculpa possível, e nós assumimos esse compromisso para com os soldados africanos do exercito português.

Os soldados africanos eram nossos camaradas! Nunca se abandona um camarada.

17/7/2006 - Bissau - Antigos soldados guineenses do exercito português,
manifestam-se perante os representantes do estado português,
durante a cimeira da CPLP em Bissau (4)

A guerra mostra o melhor e o pior que existe em nós, e existiram actos indignos e também os de grande nobreza em ambos os lados, não os quero avaliar aqui, mas queria apenas que os ex-soldados africanos do exercito português, não continuassem esquecidos, e se fizesse um esforço para os ajudar.

(1) Fotos de Carlos Fortunato, ex-furriel da CCaç 13
(2) Fotos de ManuelMachado, ex-alferes da CCaç 13
(3) Foto cedida pelo alferes Frade da CART 1525, a qual pode ser vista, bem como outras, no site desta companhia em http://www.cart1525.com/
(4) Foto do Blog "Africanidades", que apresenta texto sobre este tema em http://www.africanidades.blogger.com.br/



Testemunho do comando Francisco Amadeu Baldé - 10/06/2006 elaborado por Carlos Fortunato


10/6/2006 Lisboa - Franscisco Amadeu Baldé,
um dos comandos que sobreviveram

Francisco Amadeus Baldé, foi um dos comandos que conseguiu sobreviver. Era furriel na 3ª Companhia de Comandos Africanos (tinha anteriormente passado pela 1ª e pela 2ª Companhia de Comandos Africanos).

De acordo com o seu relato, foi preso e levado para a esquadra da policia juntamente com outros comandos, lembra-se como as celas eram pequenas, sendo obrigado a ficar sentado pois não tinham altura para mais.

O BUSCARDINI ERA A INFORMAÇAO. 20 de janeiro de 1973
António Alcântara Buscardini à esquerda (1) Primeira Aassembleia Nacional Popular. Pedro Pires e António Buscardini (1)

O seu destino estava traçado, ia ser fuzilado no dia seguinte, no entanto a sua mulher Áliu, conseguiu pelos contactos que possuía, que um dos altos responsáveis pela segurança do PAIGC, Buscardino, intercedesse e o mandasse libertar.

Buscardini seria posteriormente morto, no golpe de estado de Nino Vieira a 14 de Novembro de 1980 (2).

A partir daqui começou a sua fuga em direcção ao Senegal, dirigiu-se para Sará onde tinha familiares, os quais o recolheram.

Conta que mesmo no Senegal, o PAIGC continuou a perseguição enviando agentes, com promessas de que podiam regressar à Guine, mas os que o fizeram foram logo mortos ao atravessar a fronteira.

O seu regresso à Guiné seria apenas depois do golpe de estado de Nino Vieira a 14 de Novembro de 1980.

Após a tomada do poder por Nino Vieira, terminaram as matanças e as prisões arbitrárias dos antigos militares, mas todos os que tinham pertencido ao exercito português eram excluídos da sociedade, não havendo trabalho para eles, contudo Francisco conseguiu arranjar trabalho na embaixada da Líbia, e mais tarde regressar a Portugal, onde reside actualmente.

Para Francisco e para outros antigos comandos com quem falei, o principal responsável pelas perseguições movidas aos antigos combatentes foi Luís Cabral, Nino Vieira surge como o homem que lhes deu a oportunidade de se salvarem, e de poderem sair do país.

Notas:

(1) - Foto retirada do Blog http://polonii.skyrock.com/

(2) "... Desde os tempos de António Buscardini, senhor da Segurança de Estado no tempo de Luís Cabral (suicidou-se no dia 14 de Novembro de 1980, com a boca de um tanque apontada à sua residência) ..."
Fonte: livro "África 30 Anos Depois", Vários Autores, Visão, 2005



 
Testemunho do comando Julde Jaquite Semedo (Júlio) – 30/6/2007 elaborado por Carlos Fortunato

Julde Jaquite Semedo (1)

Pedi a Julde Jaquite Semedo, (nome de guerra Júlio), furriel da 2ª Companhia de Comandos Africanos, à data da independência, para contar o que lhe aconteceu depois da independência. Apresenta-se a seguir o seu testemunho.
 
“É uma história triste.
 
Após o 25 de Abril de 1974, fomos convocados para uma reunião no Batalhão de Comandos Africanos em Brá, pelo Governador da Guiné e Comandante Militar Carlos Fabião.
 
O Carlos Fabião disse-nos que havia um cessar-fogo, que a guerra tinha terminado, e que esperava ordens de Lisboa.
 
Mais tarde pediu-nos para entregar-mos as armas, mas nós não as queríamos entregar sem saber como ficava a nossa situação, sem termos uma garantia, ao que ele nos garantiu que não haveria nenhuma vingança.
 
Um representante do PAIGC chamado Humberto Barros, também nos contactos, e nos disse “Não vai haver vingança, o que acabou, acabou”.
 
Major Florindo Eugénio Batista Morais
Comandante do Batalhão de Comandos da Guiné de 14/6 a 7/9/1974 (2)
 
O Major Florindo Eugénio Batista Morais, que era nosso comandante, disse-nos que estavam a preparar uma maneira de podermos ir para Portugal, mas que só poderíamos levar uma mulher (alguns tinham várias mulheres), pelo que quem quisesse devia inscrever-se. Eu inscrevi-me e muitos outros também, fomos cerca de 100 que nos inscrevemos.
 
Não entregámos o armamento, e aguardámos o evoluir das negociações, mas existiam algumas diferenças de opinião entre nós, os soldados estavam unidos e não queriam entregar as armas, já os sargentos e oficiais, estavam divididos, pois havia alguns que achavam que devíamos entregar as armas, o capitão Zacarias era um deles.
 
O 1º sargento “Zeca” Lopes do grupo do Marcelino, e um furriel conhecido por “Didi”, foram presos pelo PAIGC, durante o período de cessar fogo, não me recordo bem da data, creio que foi em Julho de 1974, creio também que foram presos em Mansôa e Mansabá, mas não tenho a certeza.
 
capitão Zacarias Sayegh, (3)
comandante da 1ª Companhia de Comandos Africanos, à data da foto ainda era tenente
tenente Carolino Barbosa, (4)
comandante da 2ª Companhia de Comandos Africanos
 
Vários oficiais dos comandos africanos, entre eles o capitão Zacarias, capitão Adriano Sissêco, o tenente Carolino Barbosa e o alferes Mamassalo Bari, foram falar com o Carlos Fabião, e perguntaram-lhe como era, pois ainda não tínhamos entregue as armas, e o PAIGC já nos estava a prender.
 
Governador da Guiné e Comandante Militar Carlos Fabião
 
Carlos Fabião respondeu para não nos preocuparmos, porque já tinha tratado do assunto e que os presos iam ser libertados, (o que nunca aconteceu, pois acabaram fuzilados) insistindo que tínhamos que entregar as armas.
 
A milícia e as companhias de soldados africanos, aguardavam a nossa decisão, e também não queriam entregar as armas enquanto nós não as entregássemos.
 
Tivemos uma informação de que os comandos prisioneiros estavam presos no Morés, e decidimos ir busca-los, arrombámos o depósito de munições de Brá, para nos prepararmos, e aí tivemos uma surpresa, as granadas das armas pesadas não tinham espoletas, o material tinha sido sabotado.
 
Ao saber desta nossa acção, Carlos Fabião chamou de imediato os nossos comandantes e informou-os que os prisioneiros iam ser libertados, que nenhuma vingança iria ser feita, que o Spínola tinha enviado uma carta a pedir para entregarmos as armas, e que íamos receber o pagamento até Dezembro. Quem quisesse podia tirar a carta de condução, ou de piloto de helicóptero. Todos iam subir de posto, e iríamos entrar de licença até ao fim do ano, sendo-nos entregue uma guia para nos apresentarmos  na unidade a 1 de Janeiro de 1975.
 
Porque era um pedido do Spínola, entregámos as armas, contudo soubemos depois que era uma carta falsa, onde tinham posto uma assinatura falsificada de Spínola.
 
Eu escolhi tirar a carta de condução, o que acabei por fazer mais tarde.
 
No dia seguinte entregamos as armas, o capitão Zacarias foi quem influenciou mais nesse sentido, mas as prisões continuaram, o tenente Bacar Djaci que comandava a 3ª Companhia, de Comandos Africanos, foi preso pelo PAIGC nesse dia.
 
O Major Florindo Morais, que tinha ido tratar a Lisboa da nossa ida para Portugal, chegou pouco depois e quando soube que tínhamos entregue as armas, deitou as mãos à cabeça, e disse que tínhamos feito muito mal, e ficou muito chateado por não termos esperado pelo regresso dele como tinha sido combinado, pois assim ele agora já não podia fazer nada.
 
Luís Cabral, primeiro Presidente da Guiné
9/9/1974 a 14/11/1980
 
Após a independência, começaram as perseguições, e eu resolvi partir com a minha família, para ir viver para a zona do Gabu, mas fui preso no caminho, em Mansabá.
 
Prenderam-me no depósito de munições do quartel, fazia ali tanto calor, que tive que tirar a camisa e torce-la, pois estava encharcada de suor. Estive 6 dias preso.
 
Quem me salvou foi o 2º comandante do PAIGC no quartel, era um balanta da região de Guilege, região onde eu nasci, perguntou-me “De onde você é?”, respondi-lhe “Eu sou de Quina”, e ele disse “E eu sou de Bossé”.
 
Falamos durante algum tempo, sobre a minha família e a família dele, depois ele disse-me “ Vou-te deixar sair mas não digas a ninguém que te libertei. Podes continuar o teu caminho, mas não tens segurança. Se quiseres ir para Mansôa ou Bissau, vai seguir um carro com alguns soldados e podes ir com eles, em segurança.”
 
Perante a possibilidade de voltar a ser preso, escolhi voltar com a minha família para Bissau, aproveitando a boleia dada pelos soldados, mas quando quis sair em Bissau, os soldados disseram que tinham ordens para me levar até à Amura (local onde os comandos foram fuzilados), mas respondi-lhes que eu não era um prisioneiro, e que era para me levarem mas de boleia, ficaram confusos e hesitantes, mas deixaram-me ir.
 
Em Bissau encontrei um motorista de um dos comandantes do PAIGC, o Adulai Turé, mais conhecido por Adulai cantor, chamavam-lhe assim porque ele cantava.
 
Enquanto Adulai esteve no mato com o PAIGC cheguei a viver durante algum tempo com a mulher dele, e mesmo depois de já não vivermos juntos, sempre a ajudei a ela e aos filhos.
 
Grupo de comandos do Marcelino da Mata - Grupo os vingadores (1)
 
Adulai não guardou rancor de eu ter vivido com a mulher, e até me agradeceu o que eu fiz pela família dele, e disse-me “Júlio (era como me chamavam) vou-te dizer um segredo, mas isto fica entre nós, houve uma reunião em Conackri, e foi decidido matar os comandos, principalmente os graduados, e o grupo do Marcelino da Mata”. Como eu era furriel resolvi fugir para o Senegal.
 
Sai dali para o Pilão, e fui a casa do Mamassalo Bari, alferes que comandava o meu grupo, mas ao chegar à sua casa vi cá fora 4 soldados do PAIGC armados, mas entrei na mesma e falei com ele.
 
Disse ao Bari que ia fugir para o Senegal, ele respondeu-me “Foge, eu não posso, aqueles 4 andam sempre atrás de mim”.
 
i 
 
Combinei com o Saidu Baldé (furriel) e o Mali Baldé (1º cabo), fugirmos para o Senegal, , tomámos o caminho de Bula, e dai seguimos para Ingoré, e depois para Kolda no Senegal.
 
Ninguém nos ajudava, se íamos à embaixada de Portugal em Bissau, nem nos deixavam entrar, quando já estava no Senegal, chegaram-me noticias de que os comandos que tinham uma guia do exercito português para se apresentarem na sua unidade no dia 1/1/1975, tinham formado em frente da embaixada, pois queriam saber onde era agora a sua unidade. O comandante do PAIGC, Umaru Djaló apareceu e deu-lhes 5 minutos para saírem dali.
 
Léopold Sédar Senghor, Presidente do Senegal
4/4/1958 a 1980
 
Cheguei ao Senegal em Novembro de 1974, e fui preso a 26 de Dezembro desse ano, pelo Governo do Senegal, com mais 107 pessoas, 3 delas morreram na prisão, uma foi o furriel dos comandos Mamadu Sissé, estava muito doente, já nem podia andar, o outro foi um comandante da milícia e outro um civil.
 
A vida no Senegal foi difícil, um acordo entre a Guiné e o Senegal, acabou por levar as forças senegalesas a perseguirem-nos, e muitos foram presos.
 
O Ministro do Interior do Senegal visitou-nos na prisão e disse-nos, se não queríamos voltar para a Guiné, então que ali ficamos presos.
 
Os refugiados no Senegal, concentravam-se na zona de Casamansa, nomeadamente nas suas principais cidades, Ziguinchor, e Kolda, penso que existiam ali mais de 20.000 refugiados guineenses.
 
Como tinha sido comando fui acusado de ir para ali criar problemas com a Guiné, e por isso fui preso apesar de nunca ter cometido qualquer crime, e nunca fui levado a tribunal.
 
Havia contudo alguma justificação nos receios do Senegal e do Governo da Guiné,  pois alguns dos refugiados conspiravam em derrubar o governo, e alguns milícias, soldados e comandos armados de facas e catanas, tinham passado a fronteira e tirado as armas aos soldados do PAIGC.
 
Quando fomos presos, levaram-nos para o quartel da GNR do Senegal em Tchez, onde ficámos 11 meses presos.
 
Brigadeiro João de Almeida Bruno
Comandante do Batalhão de Comandos da Guiné de 14/7/72 a 27/7/73 (2)
 
Em 1975 o brigadeiro Almeida Bruno falou com o Governo Senegalês, sobre o nosso caso, e disse que queria falar connosco, o Governo Senegalês enviou-lhes alguns milícias que lá estavam, mas ele disse que não eram aqueles os elementos com quem queria falar, pois não eram comandos
 
Depois de falar connosco Almeida Bruno voltou a Portugal, e 95 prisioneiros foram libertados, ficaram apenas 9 pessoas, nas quais eu estava incluído, os quais iam ser entregues à Guiné Bissau para serem fuzilados.
 
O Capitão do Senegal Abu Jaló, foi denunciar a situação ao Comité Internacional das Nações Unidas em Dakar, o qual por sua vez falou com o Presidente do Senegal, pelo que continuamos presos e fomos enviados para a região de Matan.
 
O grupo dos 9, foi dividido em 3 grupos de 3; um dos grupos foi enviado para Ndar, estavam nesse grupo o Seidu Balde, um comandante da milícia que não me lembro o nome e o Bula Sali, outro grupo de 3 foi enviado para Rosobecho, eram o Mussá, o Bubacar Baldé, que fora comandante da milícia em Fajunquito e eu, o ultimo grupo de 3 foi enviado para Matam, nele estavam o Aguinaldo Quinde Balde, que fora 2º sargento e estivera no QG em Bissau, o Bará Balde que tinha sido chefe de milícia, e o Sulimane Seidi que tinha sido furriel na C. Caç. 21.
 
Durante 2 anos estivemos presos com trabalhos forçados, tendo sido libertados em 1977.
 
Mbour, pequena vila piscatória situada a 80 Kms ao sul de Dakar, próximo da zona turística e balnear de Nianning
Pescadores de Mbour, nos seus típicos barcos compridos
 
Após ser libertado fui para Mbour, onde trabalhei como pescador, ali encontrei um padre sueco, que nos ajudou muito, pois conseguiu que a Suécia nos apoiasse.
 
Com os apoios que conseguiu, esse padre comprou-nos um terreno grande onde construímos as nossas casas, comprou-nos 2 barcos de pesca pequenos, mas bastante compridos, e 3 motores, um era para ficar de reserva, devo acrescentar que o padre nos ajudou apesar de saber que não tínhamos a sua religião, pois éramos quase todos muçulmanos.
 
Presidente Ramalho Eanes
 
Em 1979 o Presidente Ramalho Eanes, visitou a Guiné-Bissau, nessa altura os
capitães dos comandos africanos Zacarias, e Adriano Sissêco, ainda estavam vivos.
 
As noticias que nos chegaram é que Ramalho Eanes, pediu ao Presidente Luís Cabral, que libertasse esses dois oficiais e os deixasse vir para Portugal, ao que parece Luís Cabral concordou, mas ao saber-se desta intenção alguém deu ordem para que fossem mortos, e foram fuzilados. Buscardini é apontado como um dos envolvidos nessas mortes, mas os fuzilamentos que foram realizados, era uma decisão que vinha de uma orientação dada ao nível dos mais altos responsáveis, e era do conhecimento de todos.
 
Em 1981 o Embaixador de Portugal em Dakar, mandou chamar os elementos dos comandos que ainda viviam no Senegal, e disse que todos os comandos que quisessem vir para Portugal o poderiam fazer, pois a Associação dos Comandos tinha autorização para os poder trazer.
 
A embaixada de Portugal em Dakar concedeu-me a nacionalidade portuguesa, e deu-me um passaporte português, o que permitiu a minha vinda para Portugal.
 
Foi a Associação dos Comandos que nos ajudou tendo-nos dado alojamento na Av. Duque de Ávila, numa residência que a Associação pagava, arranjou-nos trabalho e ajudou-nos a tratar das nossas pensões.
 
No meu caso a Associação de Comandos arranjou-me trabalho, que ainda tenho hoje.
 
Fomos traídos pelo Governo Português, porque nem o acordo de Argel cumpriram, e cito o Diário do Governo, I Série, Suplemento, n.° 202, de 30 de Agosto de 1974: 
 
25.° - O Governo Português pagará ainda as pensões de sangue, de invalidez e de reforma a que tenham direito quaisquer cidadãos da República da Guiné-Bissau por motivo de serviços prestados às forças armadas portuguesas.

 26.° - O Governo Português participará num plano de reintegração na vida civil dos cidadãos da República da Guiné-Bissau que prestem serviço militar nas forças armadas portuguesas e, em especial, dos graduados das companhias e comandos africanos.
 
As delegações que celebraram o acordo de Argel, publicado no Diário do Governo referido anteriormente, era constituída por:
 
Delegação do Comité Executivo da Luta (CEL) do PAIGC:
Pedro Pires, membro do CEL, comandante.
Umarú Djalo, membro do CEL, comandante.
José Araújo, membro do CEL.
Lúcio Soares, membro do CEL, comandante.
Luís Oliveira Banca, embaixador.
Otto Schacht, membro do CEL.
 
Delegação do Governo Português:
Mário Soares, Ministro dos Negócios Estrangeiros.
 António de Almeida Santos, Ministro da Coordenação Interterritorial.
 Vicente Almeida d'Eça, capitão-de-mar-e-guerra.
 Hugo Manuel Rodrigues Santos, major de infantaria.
 
Embora no meu caso tenha conseguido algum apoio, e inclusive uma pensão de sangue, pelas incapacidades resultantes dos ferimentos sofridos em combate, a minha luta continuou para conseguir do Governo Português, o cumprimento de todos compromissos assumidos para com todos os ex-combatentes africanos.
 
1/05/19889 - Lisboa - Cartão de membro do Movimento Bafatá (1)
 
A minha luta por uma Guiné livre e democrática, foi retomada com a minha vinda para Portugal, assim aderi ao Movimento de Bafatá.

01/1990 - Lisboa - Revista do Movimento de Bafatá (1)
 
O Movimento de Bafatá pressionou o Governo da Guiné, e conseguiu uma plataforma, com Nino Vieira estabelecendo os princípios da democracia naquele país.
 
(1) Fotos/Documentos cedidas por Judle Jaquité
(2) Foto do Anuário dos Comandos de 1981
(3) Fonte da foto: livro "Manga de ronco no chão", José Manuel Pintassilgo
(4) Fotos/Documentos cedidas por Amadu Djalo




Publicado no site em 24/02/2003, e revisto em 09/04/2008 por Carlos Fortunato
Crónica do furriel Carlos Fortunato
Fotos do furriel Carlos Fortunato
(1) Foto cedida pelo alferes Frade da CART 1525, a qual pode ser vista, bem como outras, no site desta companhia em
fonte:  http://destaques.com.sapo.pt

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