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terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Macky Sall: O repatriamento de senegaleses da China exige logística além do alcance do Senegal ".

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 O presidente Macky Sall reagiu após um comunicado de imprensa da Associação de Estudantes Senegaleses na China, relata Igfm. Segundo o Chefe de Estado, o repatriamento de nossos compatriotas na China desde o aparecimento do Coronavírus não é para amanhã.

Segundo ele, o repatriamento de senegaleses da China exige muitas condições e logística completamente fora do alcance do Senegal.

"Estamos trabalhando com as autoridades chinesas para ver qualquer possibilidade de segui-las de maneira adequada. Por enquanto estamos lá. Até os grandes países que fizeram repatriações o fizeram com grande dificuldade. Isso requer logística totalmente fora do alcance do Senegal. Existem muitas condições ”, afirmou o Presidente da República.

No entanto, o chefe de Estado estava muito atento ao que está acontecendo na China e disse: "Conseguimos enviar apoio aos senegaleses", acrescentou o presidente.

Para a AESC, a única solução continua sendo o repatriamento dos senegaleses que vivem nesta região da China, porque a situação, como se apresenta em Wuhan, epicentro do Coronavírus, está se tornando cada vez mais preocupante.


fonte: seneweb.com

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 A deputada Joacine Katar Moreira virou o seu próprio partido contra si quando se absteve sobre a proposta do PCP de condenação da nova intervenção israelita em Gaza. Comunicado após comunicado (o primeiro publicado no Twitter), tweet após tweet o fosso entre a direção do partido e a deputada do Livre aumentou, culminando no fundador Rui Tavares a "insistir" (palavras do gabinete de Joacine Katar Moreira) em levar o caso ao Conselho de Jurisdição. A rutura parecia por um fio. Mas o filme teve uma prequela com ingredientes muito parecidos: há oito anos, Rui Tavares estava do outro lado, era ele o rebelde a virar as costas ao grupo do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu - e tudo por causa de um post numa outra rede social, mais na moda na altura, o Facebook.


 Num texto publicado no dia 18 de junho de 2011, intitulado "4 são mesmo 4", o então coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, acusou Rui Tavares de levar um jornalista do diário i a "enganar-se e escrever, com ligeireza" que Daniel Oliveira faria parte do quarteto inicial da fundação do partido (Louçã, Fernando Rosas, Luís Fazenda e Miguel Portas). "A tentativa de retirar o Fernando desta história e de a refazer com novos protagonistas" era imputável a Rui Tavares, acusou na altura o coordenador do Bloco de Esquerda.

fonte: sabado.pt



Greta Thunberg indicada Nobel da Paz de 2020.

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 A activista sueca Greta Thunberg foi indicada para o Nobel da Paz de 2020 por dois deputados suecos, revela a Associated Press. Jens Holm e Hakan Svenelling, ambos membros do Partido da Esquerda, nomearam Thunberg, uma decisão que justificaram, ontem, com o “trabalho árduo” da activista de 17 anos para “fazer com que os políticos abram os olhos para a crise climática”.






















 “A acção para reduzir as nossas emissões e cumprir com o Acordo de Paris também é um acto de paz”, salientaram os deputados suecos.
Refira-se que qualquer deputado de um país pode indicar uma pessoa para o prémio Nobel da Paz. Já no ano passado, três deputados noruegueses nomearam a jovem activista para o Nobel da Paz, que acabou por ser atribuído a Abiy Ahmed Ali, o Primeiro-Ministro da Etiópia.
A submissão de nomeações para o prémio Nobel da Paz decorreu até ontem. O Comité do Nobel não comenta publicamente as nomeações.
Greta Thunberg criou o movimento das Sextas pelo Futuro, faltando às aulas para exigir acção imediata para combater as alterações climáticas. Este movimento tem inspirado milhares de jovens por todo o mundo e o protesto de Thunberg transformou-a na principal figura da luta contra as alterações climáticas.

fonte: jornaldeangola

4 de Fevereiro abriu caminho à liberdade.

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 Diogo Paixão

Imagine um grupo de homens armados com catanas e paus enfrentando um sistema bem armado. Na História da Humanidade não são muitos os episódios semelhantes aos que marcaram o início da luta armada em Angola.




Era sábado e o calendário assinalava 4 de Fevereiro de 1961. O dia despertou com um movimento estranho. Um grupo de homens determinados, liderados por Neves Bendinha, Paiva Domingos da Silva, Domingos Manuel Mateus, Imperial Santana e Virgílio Sotto Mayor, num total de cerca de duzentos, desencadeou um conjunto de acções em Luanda.
O objectivo era libertar os presos políticos que se encontravam nas cadeias, acusados pelas autoridades coloniais de actividades subversivas.
Diversas fontes contam que um dos grupos emboscou uma patrulha da Polícia Militar, neutralizando os quatro soldados que se encontravam na viatura e retirando-lhes as armas e munições. Os ho-mens tentaram assaltar a Casa da Reclusão Militar, mas não foram bem sucedidos.
A cadeia da PIDE, no São Paulo, a 7ª Esquadra e a sede dos CTT - Correios, Telégrafos e Telefones foram também alvos de ataque.
Testemunhos referem que desta acção resultou na morte de 40 nacionalistas, seis agentes da Polícia e um cabo do exército português, junto da Casa da Reclusão Militar, mas o historiador Cornélio Calei evita falar de números.
“Houve mortes de ambos os lados. Aquilo foi um ataque às estruturas do poder colonial e, obviamente, tinha que haver mortes”, referiu, acrescentando que “os heróis foram ao encontro da morte para a conquista da liberdade”.
Cornélio Calei lembra que os atacantes estavam vestidos de preto, o que na tradição angolana significa luto. “Eles tinham consciência de que muitos não voltariam a casa, podiam morrer. Alguns deixaram mulheres, filhos e empregos para libertar os que se encontravam encarcerados”, enfatizou.
Tendo em conta a resposta brutal das forças policiais e militares, os revoltosos não conseguiram libertar os presos. “Fisicamente não conseguiram libertá-los, mas espiritualmente conseguiram. Sentiram que afinal não estavam sozinhos, porque lá fora havia outros que lutavam por eles”, disse Cornélio Calei.
Segundo relatos, os preparativos teriam iniciado em Outubro de 1960. Os atacantes foram treinados sobre questões práticas, como manejar os instrumentos que seriam utilizados no assalto, principalmente catanas, ou desarmar guardas.
As informações disponíveis revelam que os treinos decorriam à noite, na zona de Cacuaco, arredores de Lu-anda, e quando começaram a recear infiltrações de indivíduos ligados à PIDE - ex-tinta Polícia Política Portuguesa -mudou-se para o Cazenga, no local em que está erguido o Marco Histórico do 4 de Fevereiro.
“Aquilo era um matagal. É lá onde à noitinha se reuniam. A cidade estava organizada com as suas estruturas militares e no dia 4 de Fevereiro de lá partiram para o levantamento”, lembra Cornélio Calei.
O historiador afirma que a escolha da data do ataque teve em atenção o facto de se encontrarem em Luanda, na altura, jornalistas estrangeiros que aguardavam a chegada do paquete “Santa Maria”, assaltado dias antes no alto mar por um grupo liderado por Henrique Galvão, um oposicionista do regime de Salazar, informação já revelada por outras fontes.
Cornélio Calei refere que quando se soube que o navio não viria para Luanda e os jornalistas começaram a preparar-se para abandonar a capital angolana, os nacionalistas decidiram lançar o ataque para chamar a atenção da comunidade internacional sobre a repressão que se vivia no país.
“Havia muitos jornalistas em Luanda para cobrir o evento e os protagonistas da acção acharam que aquela era a melhor altura para que o assalto tivesse projecção mediática internacional”, referiu Cornélio Calei, sublinhando que estavam todos vestidos de negro.
Tudo o que se sabe, pelos depoimentos de pessoas que estavam envolvidas no ataque, o cónego Manuel das Neves foi o principal mentor.
Sacerdote católico, as suas actividades levaram-no em Março do 1961 à detenção pela PIDE , em Luanda, de onde foi transportado para a prisão do Aljube, tendo, depois, por imposição do regime colonial, ficado com residência fixa em Portugal, onde viria a falecer em 1964.
Em Novembro de 2018 cónego Manuel das Neves foi condecorado, a título póstumo, pelo Presidente João Lourenço com a Ordem da Independência de Primeiro Grau.
Reacção das autoridades portuguesas foi brutal
O historiador Cornélio Calei afirma que o levantamento de 4 de Fevereiro de 1961 abriu caminho para a luta de libertação nacional, que culminou com o derrube do colonialismo em Angola.
“A partir daquela altura começou a decadência do império colonial português”, refere Cornélio Calei, sublinhando que nos palcos internacionais, como na ONU, Portugal começou a ficar mais isolado por resistir à descolonização.
As primeiras críticas à resistência do Governo português de descolonizar datam de 10 de Março de 1961, quando a questão foi apresentada nas Nações Unidas. A delegação portuguesa abandonou a Assembleia-Geral. No mês seguinte, a ONU anunciou posição favorável à auto-determinação de Angola. No ano seguinte, a OUA -Organização de Unidade Africana, substituta da União Africana - cortou as relações com Portugal.
No entanto, Portugal reforçou a presença militar em Angola. Milhares de soldados fortemente armados foram perseguindo não só os participantes da revolta, mas sobretudo as populações indefesas, que eram as principais vítimas dessas barbáries que incluíam raptos e assassinatos, um pouco por todo o país. Isso fez com que muitos fossem para as matas, aderindo ao movimento de guerrilha acabado de nascer.
O 4 de Fevereiro foi antecedido de outros levantamentos, como a revolta da Baixa de Cassanje, em Malanje. Milhares de trabalhadores dos campos de algodão, da companhia luso-belga Cotonang, protestavam contra as duras condições de trabalho e de vida e a constante repressão. Os trabalhadores decidiram fazer greve e armaram-se de catanas e canhangulos (espingardas artesanais).
A resposta das forças portuguesas foi dura e violenta. Companhias de caçadores especiais foram destacadas para uma perseguição im-piedosa. Aviões da Força Aérea Portuguesa lançaram bombas incendiárias , tendo provocado um número bastante elevado de mortos.
O historiador Cornélio Calei afirma que estes acontecimentos inspiraram os angolanos para a luta de libertação nacional.
Quando os protagonistas decidem optar pelo silêncio
A menos de oitocentos me-tros do Marco Histórico 4 de Fevereiro está o Comité com o mesmo nome. É a sede dos protagonistas dos levantamentos que naquela madrugada sacudiram Luanda.
Algumas casas precárias e uma rua que vai terminar na linha férrea, lá para os lados da Precol, separam os dois lugares simbólicos. De um lado está a Comissão do Cazenga, do outro, o Bairro da Cuca. É aqui onde se situa o Comité 4 de Fevereiro, num edifício que no passado pertenceu à Cooperativa “Alegria pelo Trabalho”.
Quando lá chegamos para colhermos depoimentos sobre a efeméride que hoje se assinala, não encontramos nenhum responsável. Apenas um funcionário e uma empregada de limpeza. Deixamos os contactos. Logo que chegamos à Redacção, o telefone tocou. Ao manifestarmos o interesse em enriquecer o nosso trabalho, com testemunhos de sobreviventes do 4 de Fevereiro, fomos respondidos com um “não” contundente.
Um dos responsáveis disse que os integrantes do Comité tinham decidido, em reunião, optar pelo silêncio, em protesto ao alegado estado de abandono em que se encontram. De nada valeu a nossa insistência. “Este ano decidimos não realizar palestras, nem dar entrevistas. As pessoas só se lembram do 4 de Fevereiro nessa altura, quando se podia falar sobre assunto noutras ocasiões”, comentou.
De fora, nada indica que aquele espaço é a sede do Comité 4 de Fevereiro. Com a pintura das paredes vencida pelo tempo, e sem nenhuma bandeira ou qualquer símbolo que o identifique, aquele espaço parece uma residência comum a clamar por reabilitação. Dentro, o cenário não muda muito. O mobiliário pede substituição.

fonte: jornaldeangola

ANGOLA: Só um corrupto pode combater a corrupção?

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O Presidente da República de Angola (não nominalmente eleito), igualmente Presidente do MPLA (partido no Poder desde 1975) e Titular do Poder Executivo, João Lourenço, admite que “fez parte do sistema” que sustentou o seu antecessor, mas salientou que só os que conhecem o regime por dentro estão preparados para fazer grandes mudanças. Foi descoberta a pólvora. Ponto.

Assim, porque as ideias de João Lourenço vão fazer escola, os próximos dirigentes da Polícia serão recrutados entre os mais violentos criminosos, pois só os que conhecem o assunto por dentro estão preparados para fazer grandes mudanças.
Igualmente os próximos dignitários (do MPLA) para combater a corrupção serão recrutados entre os maiores corruptos, pois só os que conhecem o assunto por dentro estão preparados para fazer grandes mudanças.
Em entrevista à DW, João Lourenço, que foi ministro da Defesa do ex-presidente José Eduardo dos Santos, secretário-geral e vice-presidente do MPLA, partido do poder em Angola há 44 anos, sublinhou que “ninguém pode dizer que não fazia parte do sistema”, mas é também por conhecer o sistema por dentro que tem condições para “corrigir o que está mal”.
Esquece o Presidente de todos os angolanos (do MPLA), que existe uma substancial diferença entre fazer parte do sistema e ser dirigente (por exemplo ministro da Defesa) desse mesmo sistema; entre aplaudir quando o sistema colocou na cadeia alimentar dos jacarés muitos angolanos; entre defender o sistema quando muitos angolanos foram detidos por se manifestarem a favor daquilo que João Lourenço diz agora defender.
Desde que tomou posse, há mais de dois anos, João Lourenço tem dado (mais em termos mediáticos e de propaganda) prioridade ao combate contra a corrupção e pelo regresso dos capitais ao país, projectos que – para além de levaram a justiça a mover um processo contra a filha do seu antecessor, Isabel dos Santos, e uma ordem de arresto de bens no valor de mil milhões de euros – são dignos de um Nobel da manipulação por esconderem a catástrofe económica e social do país.
“Quem fez as grandes mudanças não são pessoas de fora, são as que conhecem o sistema”, afirmou o chefe de Estado, acrescentando: “Somos nós, do partido que sempre governou o país, que estamos a fazer as reformas que eram absolutamente necessárias que fossem feitas”.
Assim, pela voz do próprio Presidente, todos ficamos a saber (é caso para dizer: Obrigado Presidente) que o MPLA é “o partido que sempre governou o país”. Ficam ainda dúvidas por esclarecer. Se é como João Lourenço diz, na altura dos massacres de 27 de Maio de 1977 quem estava no Governo?
Na entrevista, João Lourenço falou também, pela primeira vez, sobre a investigação do “Luanda Leaks”, que expôs (de forma juridicamente inválida) os esquemas financeiros por detrás do império de Isabel dos Santos, realçando que não estão a decorrer quaisquer negociações com a empresária e filha do antigo presidente angolano, actualmente arguida num processo-crime em Angola.
“Não se vai negociar, na medida em que houve tempo, houve oportunidade de o fazer. Portanto, as pessoas envolvidas neste tipo de actos de corrupção tiveram seis meses de período de graça para devolverem os recursos que indevidamente retiraram do país. Quem não aproveitou esta oportunidade, todas as consequências que puderem advir daí são apenas da sua inteira responsabilidade”, declarou João Lourenço, pondo as mãos no fogo (as mãos dos outros, é claro) pela independência do sistema judicial do reino.
Questionado sobre outras investigações judiciais, em particular sobre o Presidente Emérito do MPLA, José Eduardo dos Santos, explicou que os antigos presidentes gozam de imunidade durante pelo menos cinco anos e que compete à justiça tomar essas decisões, rejeitando que existam processos políticos.
“Quem abre os processos-crime na Justiça não são os políticos. É a própria Justiça quem vai atrás de possíveis crimes. Portanto, todos aqueles que estão a contas com a Justiça que não pensem que é o poder político quem os empurrou para a Justiça”, adiantou. Traduzindo: quem manda é poder político, mas quem empurra são os… sipaios do poder político.
João Lourenço garantiu que “Justiça tem as mãos livres para actuar” e que ninguém pode dizer “’eu não posso ser ouvido’” ou “constituído arguido”. José Eduardo dos Santos dizia o mesmo. Agostinho Neto também, embora na prática não gostasse de “perder tempo com julgamentos”.
Quanto ao caso do ex-vice-presidente Manuel Vicente, acusado de pagar quase um milhão de euros de suborno a um procurador português, lembrou que este goza também de imunidade e que o facto de ter sido pedido que o processo fosse transferido para Angola, “não significa absolvição”. Claro que não. Será certamente julgado quando for feita justiça sobre os mandantes dos massacres de 27 de Maio de 1977.
João Lourenço disse também que Manuel Vicente não é seu conselheiro, uma “invenção” que atribui “aqueles que não queriam que o processo fosse transferido de Portugal para Angola”. Aliás tudo leva a crer que João Lourenço nem sequer conhece Manuel Vicente.
O também chefe do executivo angolano frisou que o facto de ter assistido ao longo dos anos à corrupção no país e “por não concordar que a situação continuasse”, decidiu travar este combate. Só assistiu? Não foi conivente, activo ou passivo, com esse crime? Não beneficiou dele? A corrupção não financiou a sua campanha eleitoral? Se calhar João Lourenço deveria ser (no mínimo) investigado. É que não basta ser sério.
“Hoje temos a oportunidade de mudar esse estado das coisas, pensamos que é o momento de fazê-lo. Sabemos que é preciso muita coragem. Encontramos alguma resistência. Preferimos lutar contra ela do que nos acomodarmos e deixar que as coisas continuem como antes”, reforçou.
Folha 8 com Lusa

Do colonialismo português ao colonialismo do… MPLA.

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O MPLA, partido que “só” está no poder em Angola desde 1975, assinala a passagem de mais um aniversário do ataque de nacionalistas às cadeias de Luanda defendendo aquilo que não fez durante quase 44 anos: “mais disciplina” e “controlo” nos gastos nacionais, luta contra a corrupção (o seu principal ADN) para acabar, é claro, com as “sequelas do colonialismo”.

Por Orlando Castro
A propósito do 4 de Fevereiro de 1961, data que o partido defende como o início da luta armada pela independência, o MPLA advoga que a libertação total do povo angolano e a liquidação de todas as sequelas do colonialismo passam pelo “despertar de uma nova consciência para com o trabalho, para o controlo nacional dos gastos, para mais disciplina e melhores resultados, em todos os sectores”.
Pois é. Digamos que, de facto e de jure, o MPLA (de Agostinho Neto a João Lourenço, passando por José Eduardo dos Santos) personifica o apogeu angolano dessas “sequelas do colonialismo”. Aliás, ele não só manteve essas sequelas como as ampliou em claro benefício próprio e exclusivo. Se, aliás, se escolhesse a figura que mais expressão dá ao colonialismo que abalroou o nosso país, José Eduardo dos Santos deixaria a léguas António de Oliveira Salazar.
Nesta data teve lugar a primeira revolta organizada contra o regime colonial português, com o ataque à Cadeia de São Paulo e à Casa de Reclusão, em Luanda, onde se encontravam detidos vários independentistas.
Oficialmente, a história – contada pelo MPLA – diz que a revolta popular, armada de paus e catanas e mais de 200 nacionalistas, foi organizada por elementos ligados ao MPLA como Neves Bendinha ou Imperial Santana, durante largos meses, desde Outubro de 1960.
“Deve-se assegurar o papel crucial do Estado, como agente regulador e coordenador de todo o processo de desenvolvimento de Angola, devendo o mesmo exercer uma função de liderança, com base numa visão estratégica, concertada com a sociedade civil, com o sector empresarial e com toda a nação”, lê-se numa das muitas notas do Bureau Político do Comité Central do MPLA.

MPLA não é dono da verdade

A 4 de Fevereiro de 1961, cidadãos ligados ao MPLA, desencadearam um ataque contra a Cadeia de São Paulo e a Casa de Reclusão, em Luanda, dando início à luta armada que culminou com a proclamação da independência de Angola, em 11 de Novembro de 1975.
Várias fontes sustentam que deveriam participar no ataque cerca 2100 pessoas, mas as detenções efectuadas pela polícia política portuguesa (PIDE) nos dias anteriores à acção, na sequência de denúncias, fizeram reduzir o número para pouco mais de 200 intervenientes.
Consta que Paiva Domingos da Silva, Imperial Santana, Virgílio Sotto Mayor e Neves Bendinha (já falecidos) terão sido alguns dos responsáveis pela coordenação do assalto, cujos preparativos começaram em Outubro de 1960.
A arrojada acção tinha como objectivo primário libertar os presos políticos angolanos que se encontravam encarcerados nas cadeias visadas, acusados pelas autoridades coloniais de actividades subversivas. Os participantes no ataque foram treinados sobre questões mais práticas, por exemplo como manejar os instrumentos que seriam utilizados, principalmente catanas, ou desarmar um sentinela.
As informações disponíveis revelam que os treinos decorriam à noite, na zona de Cacuaco, arredores de Luanda, e quando se começou a recear infiltrações de indivíduos ligados à polícia política portuguesa a preparação mudou‐se para o Cazenga.
Neste último local foi erguido um monumento denominado “Marco Histórico do 4 de Fevereiro”, inaugurado em 19 de Setembro de 2005, em homenagem aos heróis tombados pela causa da independência.
A escolha da data do ataque (4 de Fevereiro) teve em atenção o facto de se encontrarem em Luanda, na altura, jornalistas estrangeiros que aguardavam a chegada do paquete “Santa Maria”, assaltado alguns dias antes no alto mar por um grupo liderado por Henrique Galvão, um oposicionista do regime de Salazar.
Quando ficou claro que o navio não viria para Luanda e os jornalistas começaram a preparar‐se para abandonar a capital angolana, os nacionalistas decidiram lançar o ataque antes que fossem todos embora para chamar a atenção da comunidade internacional sobre a repressão que se vivia no país.
A presença dos jornalistas garantiu a projecção mediática internacional do assalto dos nacionalistas angolanos que, vestidos de negro e armados com paus e catanas, atacaram os guardas da Cadeia de São Paulo e da Casa de Reclusão de Luanda.
“A acção revolucionária protagonizada pelos bravos patriotas foi determinante para o derrube do colonialismo em Angola e em outras colónias portuguesas em África”, afirmou Américo José Gaspar, coronel das Forças Armadas Angolanas na reserva e ex‐guerrilheiro do MPLA.
Este responsável conta que, devido à brutalidade do regime fascista, em 1966, muitos jovens como ele, na altura com 16 anos de idade, não hesitaram em juntar‐se voluntariamente aos combatentes da liberdade para “travar” a fúria dos colonialistas que se espalhava pelo interior do país.
Esta acção levou as autoridades fiéis ao regime de Salazar a enviar para Angola os primeiros contingentes militares destinados a reforçar os reduzidos efectivos até então destacados na província ultramarina, como era considerado o território angolano.
Na sequência do ataque, a pressão da polícia política portuguesa aumentou e cresceram também as detenções entre os nacionalistas, originando a fuga de milhares de angolanos para as matas e países limítrofes, como a Zâmbia e o então Congo Leopoldoville, onde prosseguiram a luta pela independência do país.
Pouco tempo depois do assalto às cadeias em Luanda, o conflito alastrou‐se às restantes colónias portuguesa em África.
Conta o escritor Emídio Fernando que “nas conversas clandestinas, nas esplanadas e nos serões quentes de Luanda, nas matinés e noitadas de merengues e rebitas dos musseques, nos almoços de funge, regados com cervejas Cuca, corria um mistério, transportado por uma frase dita em surdina: ‘Este ano vai haver dois Carnavais!’”.
A frase sobressaltou a advogada Maria do Carmo Medina, já conhecedora e defensora das actividades clandestinas, quando a ouviu da boca de João Cardoso, um activista pela independência de Angola e que viria a morrer uns anos depois na prisão de São Pedro da Barra.
A expressão – “dois Carnavais” – funcionava quase como uma senha de cumplicidade entre quem estava a preparar, há largos meses, um assalto às cadeias de Luanda.
Na primeira linha dos preparativos aparecia Manuel das Neves, um cónego mestiço, dos raros não‐brancos de origem portuguesa a integrar a Igreja Católica. Era ele que servia de elo de ligação entre os presos, os seus familiares e dirigentes políticos. E, sobretudo, um instigador, a partir do seu pequeno quarto numa paróquia de Luanda, da revolta armada, “com sangue”, “contra o colonialismo”.
Como director do jornal “O Apostolado”, Manuel das Neves conseguia fazer passar algumas mensagens subtis para o exterior, ao mesmo tempo que ia dando notícias sobre as movimentações de alguns nacionalistas que viviam no estrangeiro. Servia‐se ainda do jornal e de contactos com os paroquianos para manter ligações com activistas em Luanda, mas também com gente que viajava frequentemente entre os bairros periféricos de Luanda e o Congo, via Matadi. E era através desses viajantes, a maior parte de origem congolesa ou nascidos no Norte de Angola, que Manuel das Neves ia tendo conhecimento das movimentações de nacionalistas e do nascimento, primeiro, da UPNA e, depois, da UPA.
Há muito que o cónego, vigário‐geral da diocese de Luanda, vinha defendendo a necessidade de Angola se tornar independente. Desde a década de 50, sobretudo nos derradeiros anos, que Manuel das Neves recebia, em sua casa, perto da Sé de Luanda, o também padre Joaquim Pinto de Andrade que, tal como o irmão, Mário, começava a participar nos movimentos que lutavam pela independência. As conversas, de acordo com a memória de Pinto de Andrade, não variavam muito e eram em tudo idênticas a tantas outras em que Manuel das Neves mantinha com outros activistas e que serviam para espalhar ideias nacionalistas:
“Ele dizia que era preciso quebrar este mito [que os angolanos não queriam a independência e gostavam de ser portugueses] e isto só fazendo um acto de força, um acto que tivesse repercussão internacional para que todo o mundo visse que os angolanos queriam ser independentes. E planeava em conversas em que dizia: ‘Não é preciso muita coisa, para se fazer uma guerra e vencer. Não. É só para fazer um acto que dê brado lá fora e quebre o mito’. Então, eu disse‐lhe: ‘Como, com que armas, senhor cónego?’ E ele respondeu‐me: ‘Armas brancas, portanto, catanas, punhais… assaltar cadeias onde haja presos políticos para os libertar e, no mesmo dia, assaltar a rádio e as principais esquadras da Polícia e ir pela Rua do Balão até à Fortaleza e hastear a bandeira nacional. Bom, temos de fazer uma bandeira nacional, temos de inventar uma’”.
Na procura de um acto espectacular, Manuel das Neves defendia que era necessário espreitar uma oportunidade. Por exemplo, quando houvesse jornalistas estrangeiros em Angola. O ensejo, tantas vezes desejado, surgia proporcionado por Henrique Gal‐ vão, quando decidiu desviar o navio “Santa Maria”. Demitido do exército, onde tinha o posto de capitão, Henrique Galvão resolveu assaltar o paquete, com 970 turistas a bordo, que se propunha atravessar o Atlântico com destino ao Brasil.
A “Operação Dulcineia” começara no início de Janeiro. Henrique Galvão encontrava‐se na Venezuela à espera do navio que deveria fazer escala em Caracas a caminho do Rio de Janeiro.
Galvão e mais 20 elementos – entre portugueses e espanhóis que combatiam as duas ditaduras ibéricas – do autoproclamado DRIL (Directório Revolucionário Ibérico de Libertação) tomavam de assalto o navio anunciando que pretendiam atracar em Angola. Mal foi dada a notícia do sequestro do navio, jornalistas de quase todo o Mundo aterravam em Luanda. No entanto, a aventura de Henrique Galvão terminava no Brasil, precisamente na noite de 3 de Fevereiro, poucas horas antes dos assaltos às cadeias.
Luanda estava “apinhada de jornalistas, cineastas e locutores de rádios”, de acordo com um relatório da PIDE, elaborado dias depois.
Manuel das Neves recebia a colaboração empenhada de Mariana Ana Paz, que tinha a incumbência de levar comida para os presos da Casa de Reclusão Militar, na Cadeia de São Paulo, quase todos eles, detidos por participarem em actividades subversivas contra o regime. Mas não só. Cada visita era acompanhada por mensagens, não apenas do cónego, mas de outros activistas. E, no interior dos bairros, pontificava o “mais‐velho” Cardoso Sebastião Gamboa, considerado, pela população, como tendo poderes “mágicos”.

Ritos ditos mágicos

Há várias semanas que Cardoso Gamboa obrigava os chefes de outros bairros a uma rigorosa quarentena, com vigílias permanentes ao fim do dia, no cemitério, e um jejum absoluto. Os chefes seguiam assim as práticas tradicionais de feitiçaria importadas do Congo, em que até se usava uma panela a ferver, a cozer uma carta, que se dirigia a Patrice Lumumba e com o objectivo de o informar o que se preparava em Luanda. O “campo dos brasileiros”, no Bairro Rangel, servia de palco para as reuniões clandestinas e os preparativos em que se pedia a inspiração e ajuda dos espíritos. As catanas e os cassetetes iam sendo benzidos por dois curandeiros, em cerimónias praticadas na casa de Paiva Domingos da Silva que, uns meses antes, viajara até ao Congo em busca de poderes mágicos.
Enquanto decorriam estas movimentações pela cidade de Luanda, os presos políticos viviam, praticamente em todas as cadeias, com uma espada sobre a cabeça: a possibilidade de, a qualquer momento, serem transferidos para o Tarrafal, na ilha cabo‐verdiana onde foi construída uma prisão de alta segurança inspirada nos modelos dos campos de concentração nazis.
Além do desejo de fuga, Manuel das Neves, Cardoso Gamboa e os presos políticos não tiravam da cabeça os últimos acontecimentos em Angola. Depois do “Processo dos 50”, o mês de Janeiro desse ano assistira aos actos mais sangrentos dos últimos tempos provocados pelo regime e, provavelmente, o maior banho de sangue da história colonial portuguesa.
Na Baixa de Cassange, província de Malanje, milhares de agricultores das fazendas de algodão – a maior parte deles vindos do Sul e obrigados a trabalhar no Norte – revoltavam‐se com as condições de vida. Exigiam apenas a abolição do trabalho forçado e o fim do pagamento de impostos, fazendo greve nas plantações algodoeiras, num movimento liderado por António Mariano. Os protestos não se limitavam à greve.
Durante dois dias, foram queimadas sementes, algumas pontes sobre os rios apareceram destruídas e as missões católicas, as lojas e casas de colonos sofreram ataques. As tropas portuguesas reagiram, colocando em acção as companhias de caçadores especiais e aviões que lançaram bombas incendiárias. A investida das tropas coloniais, da polícia e de alguns colonos, além de esmagar a rebelião, provocou a morte a milhares de agricultores que trabalhavam para a Companhia de Algodão de Angola e para a Cotonang, uma fazenda algodoeira de capitais mistos de portugueses e belgas.
O massacre de Cassange não passava despercebido pela imprensa em quase todo o Mundo, ao mesmo tempo que os jornais em Portugal, subjugados pela censura, nem sequer arriscavam a abordar o assunto.
No entanto, ganhava outra dimensão no topo da polícia política. Por isso, logo a seguir ao massacre de Cassange, nascia o SIGGA (Serviço de Informações do Governo Geral de Angola) que reunia as informações recolhidas pela PIDE e por militares e a meio do ano dava lugar ao SCCI (Serviço de Centralização e Coordenação de Informações). Iniciava‐se assim uma colaboração, entre a polícia política e as forças armadas, que, no entanto, em 14 anos, iria passar por diversas dificuldades de entendimento.
Os acontecimentos de Cassange, que se repetiram, mas com resultados de menores dimensões, nos dias imediatamente seguintes, deixavam fortes marcas a muitos dos sobreviventes que encontraram refúgio nas periferias das cidades mais importantes, como Benguela, Novo Redondo, Nova Lisboa e Luanda.
O dia 4 de Fevereiro ameaçava ser um dia igual aos outros vividos nos últimos tempos em que os musseques da capital angolana ardiam de ansiedade. Luanda preparava‐se para as noites de folia e matinés dançantes que eram quase milimetricamente preparadas pela burguesia portuguesa, já adaptada à alegria luandense e também pelos angolanos “de segunda”.
Na Casa de Reclusão Militar, o nacionalista Mendes de Carvalho, preso no âmbito do “Processo dos 50”, com ligações estreitas aos grupos de enfermeiros e alfaiates que entretanto se formaram em Luanda, tentava entregar, há largos meses, um recurso ao Supremo Tribunal Militar, escrito na cadeia e baseado num código de Justiça Militar, que ele próprio consultara. Os argumentos do recurso foram delineados com a ajuda de André Franco de Sousa, que já se vinha destacando por ter participado nos primeiros passos do MPLA.
No decorrer do julgamento, Mendes de Carvalho ficara sem o acompanhamento do advogado, porque todos os juristas se recusavam a defendê‐lo a partir do momento em que, em plena sala de tribunal, resolveu acusar os portugueses de serem “um povo bárbaro”.
No entanto, o recurso só poderia ser entregue em Lisboa, precisamente por um causídico. Também por carta e por sugestão de André Franco de Sousa, Mendes de Carvalho solicitara a ajuda do bastonário da Ordem dos Advogados, Adelino da Palma Carlos, que, no entanto, recusara recorrendo ao argumento de “falta de tempo”.
O nacionalista angolano virava‐se então para o advogado Luís Saias, que, ao aceitar, recomendava o envio de uma procuração, “com muita urgência”. A resposta de Luís Saias chegava à Cadeia de São Paulo no final da tarde de 3 de Fevereiro de 1961.
Mendes de Carvalho decidia‐se por pedir o auxílio ao irmão, num telefonema, em que lhe solicitava que fosse buscar, à cadeia, uns documentos para serem “transferidos para Lisboa”.

“Transferidos” para onde?

As palavras “transferidos” e “Lisboa” soavam, de imediato, como campainhas que accionavam os sentidos e os permanentes receios dos presos. À velocidade de um fósforo aceso, passava a informação na cadeia que todos os detidos seriam transferidos, no dia a seguir, para a capital portuguesa. O mesmo era dizer: para a ponte de passagem a caminho do Tarrafal. Fizeram‐se malas, arrumaram‐se os parcos haveres, avisaram‐se as famílias e o rumor depressa se propagou nos bairros dos arredores de Luanda, onde há muito se aguardava um sinal para atacar os estabelecimentos prisionais.
De madrugada, na passagem de 3 para 4 de Fevereiro, precipitava‐se tudo. Um foguete, accionado num bairro vizinho da Cadeia de São Paulo, rebentava às quatro horas da manhã, dando sinal para que mais de 250 pessoas, divididas em 10 grupos, e vestidas de camisolas e calções pretos e de catanas em punho, largassem os bairros a caminho das cadeias. Destes, apenas quatro grupos entravam em confrontos directos com as forças portuguesas e conseguiam atingir os alvos: a Cadeia de São Paulo e outros estabelecimentos prisionais da cidade de Luanda.
Dentro da prisão, os grupos de detidos que, há meses, preparavam a fuga, resolveram avançar, pegando em todos objectos que fossem cortantes. Os primeiros ataques provocavam a morte a um cabo, de apelido Silva, que fora decapitado, sendo a primeira vítima da longa madrugada luandense. Em poucas horas, morriam 40 assaltantes e sete guardas prisionais, de acordo com dados oficiais divulgados pelo Governo Geral de Angola.
Na preparação dos ataques, estiveram envolvidos 3.123 homens, todos recrutados nos bairros periféricos, e comandados, no terreno, pelos angolanos Paiva Domingos da Silva e Francisco Imperial Santana.
Ainda na manhã de 4 de Fevereiro, Mendes de Carvalho era chamado ao gabinete do director. Sobre ele recaía a suspeita de ter dado o sinal para os ataques.
Escritor, assinando com o seu pseudónimo em kimbundu, Uanhenga Xitu, Mendes de Carvalho, haveria de recordar, num livro publicado depois de 1975, essas horas em que ele próprio admite não saber como conseguiu sobreviver.
De Conakry, mal souberam dos acontecimentos em Luanda, os dirigentes do MPLA, a viver no exílio, resolviam reivindicar a autoria dos assaltos. Coubera a Mário Pinto de Andrade, presidente do movimento, as primeiras palavras de regozijo pelo que se passara na capital angolana. O presidente do MPLA, acompanhado por outro dirigente, Lúcio Lara, emitia um comunicado em nome do Comité Director do MPLA, intitulado “Os incidentes de Luanda”.
O texto recordava os acontecimentos na capital angolana e voltava a falar na “acção directa”.
Mas o “4 de Fevereiro” não iria acabar na manhã desse dia. Dias depois, logo após os funerais das vítimas, grupos de civis brancos organizavam autênticas batidas pelos musseques da periferia de Luanda e provocavam a morte a centenas de pessoas. Uma semana depois, o “filme” era retomado, mas em menor escala.
Novos tumultos nas cadeias faziam sete mortos, todos presos, e mais 17 feridos. E novas incursões dos mesmos grupos de civis deixavam um lastro de sangue e provocavam um número elevado de vítimas mortais que nunca chegou a ser contabilizado.
No intervalo dos dois ataques, o governador‐geral de Angola, Silva Tavares, resolvia fazer uma incursão pelos musseques – ou “bairros excêntricos”, como eram descritos pela imprensa em Lisboa – acompanhado pela polícia e por jornalistas previamente escolhidos.
Silva Tavares pretendia assim demonstrar que a situação se encontrava calma. Logo a seguir à visita, o governador leu uma mensagem, na Emissora Nacional, garantindo que reinava a calma em Luanda e recomendando às pessoas para acatarem as ordens e recomendações da polícia.

A versão portuguesa (Silva Tavares)

“N a madrugada de 3 para 4 de Fevereiro de 1961, sete agentes da autoridade foram cobardemente assassinados, traiçoeiramente, sem poderem esboçar um gesto de defesa, quando cumpriam o seu serviço de rotina. Caíram numa cilada, acorrendo a um chamamento de socorro, a uma fictícia desordem, em plena madrugada.
Mortos com requintes de selvajaria, cortados à catanada, foram estes os primeiros mártires da causa portuguesa, as primeiras vítimas da horda assassina a soldo de potências estranhas de intenções conhecidas. Na manhã do dia 4 a notícia espalhou‐se por toda a cidade como um relâmpago.
A surpresa foi tão grande que, a princípio, era difícil acreditar que fosse verdade. Mas lá estavam os cadáveres, sete corpos que horas antes ainda fervilhavam de vida, a atestar a notícia, tão cruel como revoltante. Começavam então a conhecer‐se pormenores.
Houvera ainda uma tentativa de assalto à Casa da Reclusão Militar, onde fora morto um cabo do exército. Havia ainda alguns agentes da autoridade hospitalizados, gravemente feridos. Houvera um soldado negro que fora um verdadeiro herói. Debaixo do fogo e das catanas dos invasores, conseguira meter‐se no ‘jeep’ e chegar, embora ferido, ao quartel onde dera o alarme. De manhã, toda a zona das Barrocas estava a ser motivo de aturada rusga por parte da Polícia. Luanda inteira já sabia dos acontecimentos e assistia excitada e revoltada ao desenrolar das coisas.
Mas ainda não passava pela cabeça de ninguém, naquela altura, que aquilo seria o prenúncio de dias terríveis, dias que ficariam para sempre marcados na história de um país, dias que deixariam a terra de Angola regada com o sangue dos seus habitantes, colhidos de surpresa por um bando de assassinos narcotizados e completamente enlouquecidos por promessas enganosas e impossíveis.
Deus sabe como nesta terra se vivia com absoluta e completa paz, lutando lado a lado, pretos, brancos e mestiços para o mesmo fim: o engrandecimento da sua Pátria – PORTUGAL!
O funeral destes malogrados portugueses realizou‐se no dia 5 de Fevereiro de 1961, da Igreja do Carmo para o Cemitério Novo.
Jamais se vira um acompanhamento fúnebre como aquele! Ao longo de todo o percurso, nas ruas, nas janelas, nas paredes, nas árvores, em toda a parte onde houvesse um lugar para tal, lá estava uma pessoa, de lágrimas nos olhos para dar o último adeus aos sete heróis. Milhares e milhares de pessoas e carros acompanharam os sete ataúdes até ao cemitério. No Cemitério Novo e no largo fronteiro, era impossível meter mais gente. O governador‐geral e as mais altas individualidades civis e militares da Província integraram‐se no cortejo, junto às urnas. Foi a maior manifestação de pesar que jamais se viu na capital de Angola.
Rezavam‐se as últimas preces e preparavam‐se as urnas para baixar à terra, sua última morada, quando os milhares de pessoas que se encontravam dentro do cemitério foram alertados por gritos e alguns tiros vindos de fora. A confusão foi geral e o pânico apoderou‐se de todos. Mulheres gritavam pelos filhos, filhos gritavam pelos pais, pessoas corriam de um lado para o outro. Só visto. Soaram mais tiros. Homens muniam‐se de paus ou de qualquer outro objecto que encontrassem e que lhes pudesse servir de defesa. Corriam em todas as direcções. O pânico era geral. Desconhecia‐se ainda, lá dentro dos muros, o que na realidade se estava a passar cá fora. Mas pairou sobre todos a ideia de um ataque naquele momento e naquele local, colhendo toda a gente de surpresa e praticamente ‘enjaulada’ entre as quatro paredes do campo santo.
O descontrolo era absoluto. Poucos conseguiram conservar a calma. Soaram mais tiros. Pouco a pouco a situação foi‐se normalizando e chegou uma força da Polícia e do Exército, armada, que tomou imediatamente posições de defesa. A multidão era enorme e, por isso, impossível romper‐se lá de dentro para saber o que realmente se passava. No entanto, cá fora, as autoridades e alguns civis armados faziam fogo contra os terroristas que tentaram assaltar o cemitério precisamente no momento mais solene da cerimónia fúnebre. Com a calma mais ou menos restabelecida lá dentro, as pessoas foram procurando a saída.
A confusão tomara foros de envergadura e todos procuravam agora pôr‐se a salvo saber exactamente o que se passara. Havia dois ou três terroristas mortos no espaço vazio entre a entrada do cemitério e as casas do outro lado da estrada de Catete. A tentativa de fuga dos terroristas lançou as autoridades e os civis armados na sua peugada. Ouviram‐se ainda tiros dispersos e gritos de desespero na confusão da fuga. Os carros aglomeravam‐se na estrada, amontoados, se assim se lhe pode chamar, numa tentativa desesperada de regressar à cidade, à segurança, fugindo assim daquilo que podia ter sido uma carnificina horrível se a emboscada traiçoeira não tivesse encontrado pela frente dois ou três corajosos polícias. A polícia tentava ordenar o trânsito, o que era quase impossível. Agora nova e terrível pergunta dominava aquela gente: teriam as casas sido também assaltadas, aproveitando o facto de toda a gente se encontrar ali? As crianças haviam lá ficado.
O incidente do cemitério e a morte dos polícias caíram no olvido depressa demais. Ou, pelo menos, não foram levados na conta que deviam ser no que respeita a precaução. Não quero aqui condenar ninguém, porque o erro foi de todos nós. Sim, todos nós voltámos à nossa vida normal, em completa paz, esquecendo o perigo que aquilo poderia significar e que, como mais tarde se viu, significava mesmo. E Deus sabe como deveríamos ter imaginado que aqueles incidentes eram o prenúncio duma grande tempestade! Mas, quem acreditaria que aquela paz de séculos iria ser perturbada (e de que maneira!) dentro de pouco tempo? A calma voltou e, com ela, a mesma confiança de sempre, a confiança de um povo que vivia tranquilo no seu trabalho e no seu descanso. Os dias que se seguiram foram a antecâmara da morte para milhares de portugueses”.

fonte: folha8

 





Mandado de prisão para ex-Presidente sul-africano Zuma após falta em tribunal. ' "AH, SE ESSA MODA PEGA... VAI PÔR NA PRISÃO OS EX'POLÍTICOS AFRICANOS LADRÕES! "

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

 Um juiz da África do Sul emitiu um mandado de prisão para o ex-Presidente Jacob Zuma, depois de este não ter comparecido em tribunal num caso de corrupção. No entanto, a medida só será aplicada a partir de 6 de maio.


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A South African Broadcasting Corporation informou hoje que o mandado foi emitido após a Procuradoria Nacional o ter solicitado. Jacob Zuma deveria ter comparecido perante o Tribunal Superior de Pietermaritzburg.
Os advogados do antigo chefe de Estado alegaram razões médicas, tendo alguns relatórios referido que se encontrava em Cuba a receber tratamentos. Nenhum detalhe foi dado sobre o seu estado de saúde.
Os advogados do antigo chefe de estado invocaram razões médicas na terça-feira para justificar a ausência do seu cliente perante o Tribunal Superior de Pietermaritzburg (leste).
Mandado suspenso até 6 de maio
A juíza Dhaya Pillay disse que havia uma falta de "provas fiáveis". "Um mandado de prisão para o acusado é emitido, mas suspenso até 6 de maio de 2020", afirmou.
No final do ano passado, um tribunal indeferiu uma tentativa de Zuma recorrer de uma decisão que abriu o caminho para que ele fosse processado.
O ex-chefe de Estado é acusado de receber subornos do fabricante de armas francês Thales através do seu antigo conselheiro financeiro Schabir Shaik, que foi condenado por fraude e corrupção em 2005.
Zuma nega as acusações de corrupção, lavagens de dinheiro e extorsão relacionadas com o controverso negócio de armas na África do Sul em 1999.
Jacob Zuma demitiu-se em 2018, por pressão do Congresso Nacional Africano, no poder.

fonte: DW África




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João Lourenço garante: "Não se vai negociar" com Isabel dos Santos.

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 Em entrevista exclusiva à DW, o Presidente de Angola fala oficialmente pela primeira vez sobre o "Luanda Leaks". João Lourenço assegura que não se está nem se vai negociar processos nos quais Isabel dos Santos é acusada.




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 João Lourenço quebra o silêncio e fala à DW sobre Isabel dos Santos

O Governo de Angola não está e nem vai negociar com a empresária Isabel dos Santos os alegados casos de corrupção dos quais é acusada no país. A afirmação é do Presidente João Lourenço, que falou pela primeira vez sobre o "Luanda Leaks" numa entrevista exclusiva ao enviado especial da DW a Luanda, Adrian Kriesch.
João Lourenço lembrou ainda a imunidade do ex-Presidente José Eduardo dos Santos e do ex-vice-presidente Manuel Vicente para justificar o facto de ambos não estarem a sentir o peso da Justiça angolana, mas garantiu a imparcialidade e independência dos órgãos de Justiça em Angola.
Quanto às reformas no Estado angolano, que incluem o combate à corrupção, o Presidente João Lourenço afirmou: "Somos nós, do partido que sempre governou o país, que estamos a fazer as reformas que eram absolutamente necessárias que fossem feitas".
DW África: Há algumas semanas, uma investigação global revelou um esquema através do qual centenas de milhões de dólares [de recursos do Governo] foram canalizados para empresas privadas, possivelmente por causa de conexões. Uma das principais suspeitas é Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente. Agora há rumores de que ela está a negociar um acordo para devolver parte do dinheiro. Essas negociações estão a acontecer?
João Lourenço (JLo): Essas informações são infundadas. Nós gostaríamos de deixar aqui garantias muito claras de que não se está a negociar. Mais do que isso, não se vai negociar, na medida em que houve tempo, houve oportunidade de o fazer. Portanto, as pessoas envolvidas neste tipo de atos de corrupção tiveram seis meses de período de graça para devolverem os recursos que indevidamente retiraram do país. Quem não aproveitou esta oportunidade, todas as consequências que puderem advir daí são apenas da sua inteira responsabilidade. Esse período de graça terminou em dezembro de 2018. Estamos hoje em fevereiro de 2020. Portanto, pensamos ser bastante extemporânea a possibilidade de negociação. Para além de que, processos que estão em tribunal não são negociáveis fora do tribunal.

fonte: DW África





Segurança militar guineense volta a tremer.

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Palácio do Governo. Bissau. 6 de Novembro de 2019.

Palácio do Governo. Bissau. 6 de Novembro de 2019. AFP
 
 
O Conselho Superior de Defesa da Guiné-Bissau reuniu-se hoje na presença de responsáveis políticos e militares. O encontro decorreu num altura em que a Guiné-Bissau vive momentos de alguma tensão na sequência dos resultados da segunda volta das eleições presidenciais.

Segundo a imprensa guineense, a reunião de hoje estará relacionada com as audiências do Tribunal militar e que envolvem o major Uié Camará, director-geral adjunto da inteligência militar.
O major Uié Camará está detido desde finais do mês de Janeiro no quartel do Estado Maior do exército em Bissau. Em causa está uma alegada lista codificada que o major teria recebido do secretário de Estado da Segurança e Ordem Pública, Mário Saegh, e que identificava nomes de alguns militares fiéis a Umaro Sissoco Embaló. Estes teriam mostrado disponibilidade, a qualquer momento, em provocar tumultos em Bissau, caso do Supremo Tribunal de Justiça anulasse a segunda volta das eleições presidenciais de 29 de Dezembro.
A Lista que o major Uié Camará entregou ao Chefe de Estado-maior da Força Aérea da Guiné-Bissau, Braima Camará, mais conhecido "Papa Camará", terá sido entregue ao chefe de Estado Maior-general das Forças Armadas, Biagué Na N'Tan, que terá ordenado a detenção de Uié Camará.
Presente na reunião esteve o ministro do Interior guinneense que lembrou a utilidade do Conselho de Defesa Nacional, "é um órgão de consulta do primeiro-ministro sobre assuntos relacionados com segurança do país. É um órgão que está previsto na lei do nosso país", descreveu o ministro do Interior. Juliano Fernandes lembrou ainda que se tratar de "uma reunião normal de análise à segurança interna".
"É uma reunião de consulta, nesta fase que o país está a atravessar, criou-se esta oportunidade para que todos os integrantes reflictam sobre o estado da segurança do país", afirmou Juliano Fernandes, adiantando que, entre outras questões, a reunião discutiu a necessidade de ser criado um regimento de funcionamento do conselho.
Questionado sobre o facto de a reunião decorrer numa altura em que há rumores que indicam detenções de militares, o ministro do Interior desmente as informações, ressalvando que "o país está seguro".
Na reunião do Conselho Superior de Defesa Nacional estiveram presentes; o primeiro-ministro Aristides Gomes, os ministros Juliano Fernandes, do Interior, Luís de Melo, da Defesa, Fatumata Baldé, da administração Pública, Ruth Monteiro, da Justiça, Odete Semedo, da Administração Territorial, e Geraldo Martins, das Finanças.
Estiveram ainda na reunião, o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Biaguê Nan Tan, Procurador-Geral da República, Ladislau Embassa, os comandantes da Polícia de Ordem Pública, Armando Nhaga, e da Guarda Nacional, Agostinho Cordeiro, o diretor dos Serviços de Informação e Segurança (a ‘secreta' guineense) Alfredo Vaz e a directora-geral da Polícia Judiciária, Filomena Lopes.
A reunião ocorreu num altura em que a Guiné-Bissau vive momentos de alguma tensão na sequência das eleições presidenciais, contestadas pelo PAIGC e numa altura em que há rumores que indicam que alguns militares estariam detidos, acusados de interferência no processo eleitoral.

fonte: RFI

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