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terça-feira, 2 de julho de 2019

ANGOLA: A METAMORFOSE (VALE A PENA CONFERIR - "MANDELA")

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Quando uma pessoa ou país chegam a meio da sua quarta (quarta não, quinta pois a primeira foi dos zero aos nove anos) década de vida, tem necessariamente que reflectir. Tenho eu, que tenho 45 anos, e tem Angola mais nova um ano. Mas como Angola “per si” (preferiria o itálico às aspas mas o livro de estilo do F8 assim determina) não se pode pronunciar eu – que não passo de um mero forasteiro pedante que jamais pôs os pés na África negra – taramelo pelos dois.


Por Brandão de Pinho
Taramelar, já agora, era o verbo que a minha idosa avó usava quando alguém falava demais, quando estava quase a ser um fala-barato. Nem me vou dar ao trabalho de ir aos vários dicionários verificar. Não me surpreenderia que os angolanos mais velhos soubessem o seu significado. Ou no Brasil profundo fosse usada amiúde.
Para já há uma coisa que eu tento disfarçar mas que é-me claramente evidente: sou um ignorante sobre as coisas do mundo, ignorante sobre as coisas de Angola e para além de ignorante sobre as de Portugal, sou avesso e tenho-lhes aversão, ou pelo menos estou numa fase assim (dá muito jeito a uma língua ter os verbos “ser” e “estar”) e será que um ignorante tem o direito de falar e opinar?
Ou como disse – creio que Saramago (que também tal como eu tinha a mania de escrever de forma densa para disfarçar uma pretensa mas ausente vocação literária que ambos, de todo, não temos, claramente) – o seguinte, mais ou menos: ”… quem nada tem para dizer não tem o direito de falar…”. Portanto, terei eu o direito de escrever para um jornal tão prestigiado como o Folha 8 é, sem dúvidas?
Na minha terra natal – pelo menos na minha família pois não mais ouvi noutras circunstâncias – dizia-se um ditado difícil de decorar mas tremenda e terrificamente verdadeiro e que resumia de forma simples (ou simplória) mas genial toda a condição humana, ei-lo: “Quem aos vinte não é bonito, aos vinte e cinco não é valente e aos trinta não é rico, nunca mais será bonito, valente ou rico.” Claro que há aqui, nesta adágio, um pequeno erro semântico pois dever-se-ia usar a conjunção “e” e não a “ou” porque a ideia do dito popular assenta na teoria que adicionalmente não se vai conseguindo ser nenhuma das coisas expressas pelos adjectivos. Adiante.
Em 1995 Angola era bonita?
No virar do milénio era a nação valente (e imortal já agora)?
Em 2005 era o quadrado angolano rico?
Estamos quase a iniciar a década vinte destes novos milénio e século e tanto quanto se sabe, Angola é um país, militarmente -no contexto regional – relativamente forte; é um país belíssimo mesmo que os governos locais, regionais e central tentem a todo custo, pelo menos na vertente urbanista pô-lo feio; mas acima de tudo é um país rico… mas cheio de pobres por paradoxal que pareça.
Neste ponto amigo leitor, se eu fosse um intelectual de méritos firmados ou um conhecedor do país e do contexto geo-politico-estratégico e soubesse de história e economia, só com este ditado popular tinha matéria para uma tese, todavia não sou digno de tecer uma consideração que seja pois não estou habilitado. Aliás nem de mim próprio sequer estarei totalmente habilitado para considerar o que seja. Aliás (novamente) eu e Angola estamos numa plena crise de meia-idade, atrevo-me a alvitrar e fazer o paralelismo colocando-se-nos, a ambos, uma questão que tem tanto de inútil (se é que não é contraproducentemente nefasta) como lógica:
“Tantas oportunidades desperdiçadas, tantas coisas que poderíamos ter sido e afinal não somos nada a não ser a consubstanciação de sucessivos erros, más decisões, ingenuidades pueris, descuidos, devaneios aventureiros, e tudo o mais que de mau há. Poderíamos ter feito as coisas diferentemente?”!
Os meus textos costumam ser enfadonhos e aborrecidos mas sobretudo longos e talvez complexos (neste caso a complexidade é inversamente proporcional ao mérito). Igualmente costumam ser um pouco parciais na medida em que João Lourenço e o MPLA são alvos de crítica omniscientes e omnipresentes e de alguma forma denunciam um esforço claro de desculpabilização dos angolanos face à sua precária situação (mas da qual também são responsáveis) culpabilizando o ex-colono, que por acaso é a minha pátria, e confesso-vos amigo leitor, garanto-vos, que não é fácil pôr-me nesta posição – pois por defeito meu que não consegui superar, ainda, sou um patriota à maneira antiga – em que tenho de analisar as coisas por perspectivas distintas e se não terei outros vícios ou muletas mentais e emocionais como a religião, o bairrismo, a militância num clube de futebol ou partido ou alguma ideologia ou quaisquer outros tipos de fanatismos, confesso que sou orgulhosamente português o que não me impede de gostar (sobremaneira) de Angola.
Um verdadeiro humanista e iluminista deveria amar o mundo de igual forma. Sem preferências. Mas quem for perfeito que atire a primeira pedra…
Para terminar e fazendo jus ao título da crónica, não vejo como eu próprio e Angola possamos ser melhores fazendo as coisas planeada, metódica e graduadamente. Há algo de radical que tem de ser feito (e creio que em certa medida é o que o Presidente Lourenço tem vindo a fazer) e uma metamorfose impõe-se, mas ao contrário do personagem de Kafka que se vai transformando num insecto asqueroso, arbitrariamente, a nossa metamorfose tem que ser orientada por nós próprios e citando um poeta vitoriano que escreveu o magnifico poema “Invictus” -que dava alento a Nelson Mandela aquando do cativeiro- teremos “de ser os mestres do nosso destino e os capitães da nossa alma”. (I am the master of my fate: / I am the captain of my soul.)
Nós temos de nos transformar naquilo que concluirmos que é o melhor para nós e naquilo que é o mais correcto (em toda a abrangência que este adjectivo em si encerra e acarreta). Vai ser preciso coragem. Vai haver resistências. A vontade de desistir estará – como que um abutre sempre a sondar-nos até que lhe cedamos – a pairar em nós e sobre nós, vai ser humilhante reconhecer os erros. Mas creio que temos que ser optimistas e acreditar no futuro pois afinal o que é o homem senão um pobre tonto que vive num mundo cheio de dificuldades com tudo para dar errado mas que quotidianamente arranja forças e energia para melhorar as coisas a cada dia, todos os anos, a cada geração e em cada oportunidade que lhe surja e que tenha coragem suficiente para atacá-la de frente?
FONTE: FOLHA8

José Mário Vaz cobra "posição clara e realista" da CEDEAO.

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Em discurso, Presidente guineense classifica resolução que determina a cessação imediata de suas funções como "golpe de Estado camuflado". CEDEAO se debruça sobre crise política na Guiné-Bissau em cimeira em Abuja.

fonte: DW África
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Em discurso, Presidente guineense classifica resolução que determina a cessação imediata de suas funções como "golpe de Estado camuflado". CEDEAO se debruça sobre crise política na Guiné-Bissau em cimeira em Abuja.
O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, pediu este sábado (29.06) à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para tomar uma posição clara e realista em relação à sua continuidade como chefe de Estado guineense.
"Sendo evidente que a falta de clarificação desta matéria poderá provocar o caos político no meu país, eu venho solicitar aos meus pares um posicionamento claro e realista sobre esta matéria", afirmou José Mário Vaz num discurso proferido na 55ª Cimeira Ordinária dos Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO em Abuja, na Nigéria.
José Mário Vaz cumpriu cinco anos de mandato a 23 de junho, marcou eleições presidenciais para 24 de novembro, nomeou Aristides Gomes como primeiro-ministro, mas não indigitou o futuro Governo. Na quinta-feira passada, a maioria dos deputados do Parlamento aprovou uma resolução que determina a cessação imediata das funções constitucionais do Presidente da República e a sua substituição no cargo pelo presidente da Assembleia Nacional da República (ANP), Cipriano Cassamá.
"Interpretações erradas"
Nigeria Abuja ECOWAS Konferenz
Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO discutem crise política guineense em Abuja
O chefe de Estado guineense justificou que marcou as eleições presidenciais para 24 de novembro com base na Lei Eleitoral da Guiné-Bissau.
A alínea n.2 estabelece que "no caso das eleições legislativas e presidências não decorrerem da dissolução da Assembleia ou da vacatura do cargo do Presidente da República (por morte ou outro impedimento definitivo), as eleições realizam-se entre o dia 23 de outubro e 25 de novembro do ano correspondente ao termo da legislatura ou do mandato presidencial".
Diante disso, José Mário Vaz classificou como "obviamente erradas" as interpretações de que o Presidente da República deverá ser forçosamente removido das suas funções por ter completado cinco anos de mandato a 23 de junho deste mês.
"Esse pronunciamento tem sido secundado, se não inspirado, por entidades e países fora da nossa sub-região que, sem o conhecimento da realidade e das leis da Guiné-Bissau, pretendem substituir à CEDEAO nos seus incansáveis esforços com vista à estabilização política do nosso país", afirmou.
No discurso, Jomav também sublinhou que a "correta interpretação das leis da Guiné-Bissau estabelece que o Presidente da República permanece em funções até ao empossamento do novo Presidente da República eleito, podendo entre outros empossar o novo Governo, velando sempre pelos superiores interesses da nação".
"Ato irresponsável"
Sobre a resolução aprovada no Parlamento, José Mário Vaz a considerou como um "ato irresponsável" que "viola grosseiramente a Constituição da República". "O ato dos 54 deputados constitui, pois, uma tentativa de subversão da ordem constitucional, através de um golpe de Estado camuflado na veste de resolução do parlamento", afirmou.
Geberkonferenz von Guinea-Bissau in Brüssel Domingos Simoes Pereira
Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC: "Resolução foi um exercício legítimo"
"Eu solicito a esta cimeira que tenha um pronunciamento claro e inequívoco sobre este claro atentado ao Estado de Direito, que pretende interromper e subverter o processo democrático", acrescentou. Na mensagem aos seus homólogos da CEDEAO, José Mário Vaz afirmou acreditar que, com a realização das presidenciais a 24 de novembro, os guineenses vão poder "encerrar o ciclo de convulsões e instabilidade".
O Presidente também defendeu que as eleições legislativas realizadas a 10 de março representaram um marco histórico na Guiné-Bissau, pois, pela primeira vez, após 25 anos de regime multipartidário, o país chegou "ao termo de uma legislatura sem interrupção do ciclo político e sem golpes de estado".
Raiz do problema
Ao dizer que o problema da Guiné-Bissau "não é um problema de pessoas, mas sim de instituições, e de sistema de governação", Jomav defendeu a materialização dos compromissos de reformas consagrados no Acordo de Conacri.
"Antes da eleição do novo presidente da República, é fundamental a realização da reforma constitucional que permita a redefinição e indispensável clarificação do sistema de governação e sobretudo dos poderes e competências do Presidente da República e, consequentemente a eliminação de focos de instabilidade recorrente", declarou.
Para isso, José Mário Vaz disse que a reforma constitucional deve ser feita através de um referendo prévio, "que defina o sistema de Governo que deverá ser rapidamente adotado pelo Parlamento antes da apresentação oficial das candidaturas para as eleições presidenciais".

Félix Tshisekédi: alguns confundem democracia com anarquia.

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O Presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi
Na sua primeira grande entrevista desde que foi eleito Presidente da República da RDC, Félix Tshisekédi declarou à RFI e ao canal de televisão France 24, que até a data ele não proibiu nenhuma manifestação no seu país. O novo chefe de Estado congolês sublinhou igualmente, que durante a marcha da oposição, inicialmente proibida pelas autoridades, que teve lugar domingo em Kinshasa e noutras regiões da RDC,não se registaram violências como no passado. Contudo, Félix Tshisekedi, deplorou que ainda haja no seu país, pessoas que confundem democracia com anarquia.






Félix Tshisekédi, assumiu a presidência da República Democrática do Congo em Janeiro, depois de um controverso processo eleitoral, durante o qual o novo chefe de Estado congolês foi acusado pela oposição de conivência com o seu antecessor, Joseph Kabila.
O opositor e ex-candidato à eleição presidencial de 30 de Dezembro de 2018, pela coligação Lamuka, Martin Fayalu, bem como os seus aliados, acusaram Tshisekedi de conivência com o seu antecessor Joseph Kabila, com o objectivo de facilitar ao último o controlo, nos bastidores, do poder em Kinshasa.
Na sua primeira grande entrevista, desde que foi eleito Presidente da RDC, Félix Tshisekédi, declarou à RFI e ao canal de televisão France 24, que o seu país encetou, a partir de Janeiro de 2019, uma nova era na qual o exercício da democracia será respeitado e os excessos que marcaram a vida política congolesa, até a data, são elementos do passado.
Referindo-se à proibida marcha de protesto, convocada no passado dia 30 de Junho pela Lamuka, coligação da oposição do qual fazem parte,para além de Martin Fayalu, o ex-Primeiro-ministro Adolphe Muzito,Moïse Katumbi e o chefe do MLC ( Movimento de Libertação do Congo ) Jean-Pierre Bemba, o Presidente Tshisekedi criticou implícitamente os seus antigos aliados políticos que, segundo ele, continuam a confundir democracia com anarquia.
 29 de Junho de 2019France24-RFI

Analista guineense duvida que José Mário Vaz nomeie um governo em 72 horas.

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 José Mário Vaz
José Mário Vaz

O presidente-cessante da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, poderá não cumprir a exigência regional de nomear, esta semana, um governo, diz o analista Rui Landim.
“Não acredito, tendo em conta a pessoa que tem a frente, que diz uma coisa, e, em cinco minutos, diz o contrário. Tem que se preparar para o pior”, afirma.
No fim-de-semana, a Comunidade de Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), reunida na Nigéria, decidiu que José Mário Vaz deve nomear um governo e um Procurador-geral até 3 de Julho.
Com isso feito, José Mário Vaz deve permanecer em funções até a eleição de um novo Chefe de Estado, sendo a liderança de questões do governo a cargo do primeiro-ministro, Aristides Gomes, e seu elenco.
Rui Landim comenta que a “CEDEAO chamou-lhe atenção, quando disse que fica no posto e não para fazer muitos exercícios. Disse ainda que não imiscua em qualquer assunto de Governação”.
Caso as recomendações não sejam cumpridas, a CEDEAO não descarta novas sanções.
O mandato de José Mário Vaz terminou a 23 de Junho. As eleições estão marcadas para Novembro.
fonte: VOA


CEDEAO: Novo Governo guineense deve tomar posse até 03 de julho.

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Em Abuja, organização sub-regional decide a continuidade de José Mário Vaz na Presidência até as eleições de 24 de novembro, mas faz saber que chefe de Estado fica limitado no exercício das suas funções.

fonte: DW África
Cimeira da CEDEAO em Abuja debruçou-se sobre situação política da Guiné-Bissau

Cimeira da CEDEAO em Abuja debruçou-se sobre situação política da Guiné-Bissau
A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) ordenou este sábado (30.06) que o novo Governo da Guiné-Bissau tome posse até 03 de julho. A decisão foi tomada durante a 55ª cimeira dos chefes de Estado e de Governo da CEDEAO, que decorreu em Abuja, na Nigéria, na qual foi deliberado também que o Presidente cessante guineense, José Mário Vaz, vai permanecer em funções até a eleição de um novo chefe de Estado, tendo que deixar a gestão das questões governamentais para o primeiro-ministro, Aristides Gomes, e para o novo Governo. As eleições presidenciais estão marcadas para 24 de novembro.
São decisões confirmadas à imprensa por José Mário Vaz, de regresso ao país, depois de participar da cimeira em Abuja. "O que saiu de novo é o fato de eu ter reafirmado que o Presidente vai continuar a assinar os decretos. Tal como explica a Constituição, os poderes do Presidente a partir de 23 de junho, ou seja, o fim do mandato, ficam reduzidos", afirmou.
 
Ouvir o áudio02:41

CEDEAO: Novo Governo guineense deve tomar posse até 03 de julho

A CEDEAO também indicou a exoneração do procurador-geral da República, Bacar Biai, o mais tardar até o dia 24 de julho.
"A questão da nomeação de um novo procurador-geral da República é a única que está afetada. Uma vez terminado o mandato do Presidente da República, segundo a Constituição guineense, cessa também a função do procurador. Mas ao Presidente é quem compete apresentar três nomes ao primeiro-ministro, que depois escolherá o futuro procurador-geral da República", explicou José Mário Vaz.
O Presidente da República cessante da Guiné-Bissau manifestou-se disponível ao diálogo e acredita ainda na solução interna para recuperar a estabilidade política governativa no país. "Quem quiser pode ir ao Palácio para conversarmos, independentemente do problema que existe. Acredito que internamente podemos encontrar uma solução a partir do diálogo. Não é preciso continuarmos a dar a má imagem da nossa terra lá fora. Ninguém tem a ganhar com isso, só a perder", sublinhou.
Também no retorno a Bissau, o primeiro-ministro, Aristides Gomes, disse que a decisão da cimeira veio resolver a situação atípica que o país vivia.
"Vamos trabalhar para podermos cumprir essa decisão da cimeira. Nós temos um Governo que deve iniciar uma legislatura e um Presidente cessante e tínhamos uma situação atípica que necessitava da intervenção da nossa organização supranacional," declarou.
"A decisão foi tomada, há um arranjo que se fez e acho que vamos trabalhar para cumprir o arranjo e fazer os possíveis e tudo para que o Governo tome posse até o dia 3 de julho," acrescentou Aristides Gomes.
Ainda na esteira das decisões da Cimeira de Abuja, foi prorrogado em seis meses o mandato da força de interposição da paz da CEDEAO na Guiné-Bissau, a ECOMIB. O objetivo é sustentar os ganhos obtidos e enfrentar a frágil situação política do país.
Guinea-Bissau Rui Jorge Semedo, Politologe
Rui Jorge Semedo, analista político guineense
Decisão importante
Ouvido pela DW, o analista político Rui Jorge Semedo realçou a importância da decisão da cimeira da CEDEAO para desanuviar as tensões políticas no país.
"As vantagens são enormes, caso os atores políticos consigam na verdade incorporar o espírito da resolução de Abuja, porque o país vive um momento extremamente tenso de ponto de vista do ambiente político. Por isso, a cimeira da CEDEAO vem em boa hora, sobretudo para colocar água na fogueira", diz.
"Eu acho que um dos aspetos extremamente importantes é a nomeação do novo procurador-geral da República, porque o país caminha para um processo eleitoral e, pelo histórico daquilo que tem sido a guerra entre os atores políticos, a mudança desta figura na Procuradoria pode criar um ambiente estável e pacífico", acrescenta o analista.
Rui Jorge Semedo vê com desconfiança a atitude política do Presidente da República cessante, José Mário Vaz, a quem acusa de não respeitar as leis.
"Era previsível este tipo de comportamento, não só por parte do Presidente da República, como também por parte de outros atores que ainda têm dificuldades não só em interpretar os acordos internacionais que o país tem assumido no âmbito desta crise, como também têm demonstrado grandes dificuldades em interpretar as leis do país. Por isso, temos que nos preparar para algumas dificuldades, mas acredito que desta vez a CEDEAO tem que assumir uma postura mais robusta para obrigar aos atores políticos a cumprirem com o que está acordado", sublinha.
Guinea Bissau 1. Parlamantssitzung nach Krise Cipriano Cassama
MP da Guiné-Bissau abriu processo-crime contra Cipriano Cassamá
Processos-crime
Na quinta-feira passada (27.06), a maioria dos deputados do Parlamento aprovou uma resolução que determina a cessação imediata das funções constitucionais do Presidente da República e a sua substituição no cargo pelo presidente da Assembleia Nacional da República (ANP), Cipriano Cassamá.
Em discurso em Abuja, José Mário Vaz acusou seus opositores de tramarem um "golpe de Estado camuflado". Este domingo (30.06), o Ministério Público da Guiné-Bissau anunciou que abriu processos-crime contra o presidente do Parlamento guineense e o líder da bancada parlamentar do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) por alegada subversão da ordem democrática, segundo um despacho enviado à agência de notícias Lusa.
No despacho, com data de sexta-feira (28.06), o Ministério Público acusa Cipriano Cassamá e Califa Seidi, líder da bancada parlamentar do PAIGC, de serem os "dois supostos mentores da tentativa de subversão da ordem democrática constitucionalmente consagrada". O despacho ordena também aos "órgãos de polícias criminais a cumprir estritamente as instruções e ordens dos magistrados titulares do processo".
O Ministério Público guineense refere ainda no despacho que "qualquer tentativa de ensaiar o exercício por parte da Assembleia Nacional Popular de destituição ou revogação do mandato do atual Presidente da República" pode configurar crime de atentado contra a Constituição, atentado contra o Estado de Direito e coação contra órgãos constitucionais.

Crise política na Guiné-Bissau: Resoluções da CEDEAO serão respeitadas?

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Partidos políticos e cidadãos congratulam-se com as decisões saídas da cimeira da CEDEAO que deverão permitir o fim da crise política no país. Mas há quem prefira esperar para ver.

fonte: DW África
Guinea-Bissau Bissau Stadt Hauptstadt Fahne Flagge (picture-alliance/dpa)

A  55ª  Cimeira dos chefes de Estados e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, CEDEAO, que decorreu no sábado (29.06.) em Abuja, Nigéria, ordenou que o Presidente guineense, José Mário Vaz, nomeie o Governo proposto pelo partido vencedor das legislativas de 10 de março passado e designe um novo Procurador-geral da República até quarta-feira (03.07.).
A organização regional determinou também que José Mário Vaz continua como Presidente do país até à realização das eleições presidenciais, marcadas para 24 de novembro, mas sem poderes para se ingerir nos assuntos de governação.
Reagindo às resoluções, o Movimento para Alternância Democrática, MADEM G-15, classificou nesta segunda-feira (01.07.) de pragmática a posição da CEDEAO. Classifica-as como compromisso com a democracia e com o Estado de direito.
Guinea-Bissau Jose Mario Vaz
José Mário Vaz, Presidente cessante da Guiné-Bissau
E a segunda maior força política na Guiné-Bissau elogia ainda a decisão que mantém no poder o Presidente cessante José Mário Vaz até a realização das presidenciais.
Quem também deu nota positiva as decisões saídas da cimeira é o partido da Renovação Social, PRS, a terceira maior força politica no país. Victor Pereira é o porta-voz do PRS: "Achamos que vai por termo aquela farsa política engendrada pela maioria parlamentar e os seus aliados na Assembleia Nacional Popular, portanto esse problema morreu, não há um novo Presidente, há um único que vai manter-se no palácio Presidencial até a eleição de um novo chefe de Estado."
O que pensam os guineenses
As resoluções da CEDEAO agradam também aos cidadãos guineenses que falam mesmo em ganho democrático e politico para o país.
 
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Crise política na Guiné-Bissau: Resoluções da CEDEAO serão respeitadas?

Um deles diz que "é uma decisão que todos os guineenses estavam a espera. Não tem de haver interferências, porque um dos pontos acordados na Cimeira da CEDEAO é a não interferência do Presidente da República cessante na governação de Aristides Gomes."
Outro guineense lembra: "Realmente a situação que estamos a atravessar neste momento é complicada. A expetativa era enorme, porque o Presidente da República terminou o mandato e outros queriam que cessasse [as funções] imediatamente, mas também não é assim."
Mas há quem prefere não cantar vitória para já: "Não sei se a decisão da Cimeira de Abuja é vantajosa para nós ou não. O tempo dirá."
Para outro cidadão, a esperança é de que tudo fique claro a partir de agora: "Para mim esta decisão da CEDEAO é positiva, porque havia uma confusão entre os órgãos da soberania, sobretudo na Assembleia Nacional Popular, que aprovou uma resolução em que Cipriano Cassamá, seria o Presidente da República interino. E havia também um Presidente cessante que é José Mário Vaz. Mas eu acho, que depois da Cimeira tudo ficou esclarecido."
Sobre as fricções para a conclusão da constituição da mesa da Assembleia Nacional Popular, o Movimento para Alternância reitera total solidariedade para com o PRS na recuperação do posto de primeiro secretário.
Nesse sentido, a segunda força política reafirma a sua disponibilidade em apoiar as iniciativas constitucionais que visam tirar o país da crise política.

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