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sexta-feira, 3 de junho de 2011

A RTP – África e o sofisma de Patrice.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Sendo rigorosamente certo que o Presidente do Tribunal de Contas incluiu a doca/mercado de peixe na lista de patrimónios do Estado concedidos, segundo ele, sem o necessário visto do Tribunal de Contas, o crime da RTP – África foi não ter reproduzido o sofisma de Patrice Trovoada.
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São de Deus Lima
A RTP – África e o sofisma de Patrice.

A delegação da RTP – África em São Tomé esteve sob pressão directa do governo do Primeiro-ministro Patrice Trovoada depois da cobertura do relatório anual do Tribunal de Contas pelo jornalista Abel Veiga.
Revisitemos, com paciência e em pormenor, os factos:
no documento, apresentado no passado dia 18 de Maio, Francisco Fortunato Pires Presidente do Tribunal de Contas, assinalou avanços na administração e disciplina na Função Pública e, simultaneamente, denunciou ‘fenómenos inversos e preocupantes, tais como concessões de grandes extensões de terra e de infra-estruturas importantes do sector empresarial do Estado sem que os respectivos contratos sejam submetidos ao visto do Tribunal de Contas tal como determina a lei’. Lido o relatório e para que não restassem dúvidas, Abel Veiga perguntou se estariam em causa a doca/mercado de peixe, os mais de dois mil hectares de cacauzal no norte de São Tomé e o acordo de investimento turístico na ilha Príncipe. Francisco Pires retorquiu:
- Oh, senhor Abel Veiga! O senhor, como é da imprensa, está a facilitar-me o trabalho. Eu não preciso sequer de referir-me aos casos, porque são do domínio público. Só que em termos legais, ninguém, seja em São Tomé e Príncipe, seja em qualquer país do mundo sério, está autorizado a entregar bens dessa natureza a qualquer parceiro, sem que se cumpram as formalidades legais.
No Repórter das 18 : 30 horas, a RTP – África difundiu uma peça assinada por Abel Veiga na qual foi dito a dado passo: ‘ Recentemente, o governo anunciou que negociou a doca de peixe na ordem dos 3 milhões de euros. O Tribunal de Contas diz que não conhece o negócio.’
O Presidente do Tribunal de Contas foi ainda citado como tendo dito que os bens públicos continuam a ser delapidados de forma anárquica, com ‘graves anomalias’ detectadas em auditorias à Rádio Nacional, à Direcção de Registos e Notariado, à Assembleia Nacional e à Câmara Distrital de Cantagalo.
Na mesma noite, ao que pudemos apurar, o delegado da RTP – África em São Tomé, recebeu um telefonema do Primeiro-ministro questionando o teor da notícia.
Na manhã do dia 19, o delegado foi chamado ao gabinete do Ministro Secretário-geral do governo, Afonso Varela, que lhe exigiu um desmentido. Argumento: o governo não tinha negociado a doca, mas sim mobilizado investimentos privados na ordem dos 3 milhões de euros.
No Repórter desse dia, Abel Veiga assinou uma segunda peça com a seguinte abertura:
‘Em São Tomé e Príncipe está aberta a polémica em torno da doca de peixe. O Primeiro-ministro anunciou que já mobilizou 3 milhões de euros para dar outra utilidade à infraestrutura que foi construída com financiamento de Taiwan na ordem dos 5 milhões de dólares. O Tribunal de Contas diz que estão a acontecer fenómenos preocupantes na concessão de terras e infra-estruturas do Estado.’
A notícia citou textualmente o Primeiro-Ministro. Retomou as denúncias de Francisco Pires a ‘concessões de grandes extensões de terra e de infra-estruturas importantes do sector empresarial do Estado’ sem autorização do Tribunal de Contas e voltou a inserir Francisco Pires, em imagem e voz, afirmando desconhecer o ‘processo doca.’ A peça concluiu: ‘ No entanto, em relação aos factos relatados, uma fonte do Governo de Patrice Trovoada veio dizer que a Doca de Peixe ainda não está a ser negociada.’
Logo após a divulgação da peça no Repórter África, o Coordenador da TVS, Óscar Medeiros, transmitiu um recado do Primeiro – Ministro à delegação da RTP – África: ou haveria um desmentido formal ou o governo avançaria com uma queixa – crime.
No dia 20, no Repórter das 18 horas, a RTP – África apresentou a seguinte nota:
‘ Agora uma correcção de uma notícia por nós divulgada na quarta-feira, quando falámos do relatório do Tribunal de Contas de São Tomé e Príncipe: referimos que a Doca de Peixe tinha sido negociada, certo é que o Governo mobilizou investimentos privados para conferir ao edifício uma finalidade útil.’
É certo que em princípios de Maio, numa reunião do Conselho Nacional do seu partido, o ADI, o chefe do governo são-tomense anunciara terem sido ‘mobilizados investimentos privados na ordem dos 3 milhões de euros com vista a conferir ao edifício da doca/mercado de peixe finalidade útil.’
Certo é também que, em Abril, a Associação dos Economistas havia denunciado a decisão do governo de vender a doca/mercado de peixe a um grupo privado internacional, sem abertura de concurso público, como obriga a lei.

Da parte do governo, não houve qualquer desmentido ou esclarecimento.
À Associação dos Economistas, não foi exigido qualquer desmentido.
É igualmente certo que o processo de conversão da doca/mercado de peixe, ao que tudo indica, em supermercado, parece estar em andamento acelerado. Fontes bem informadas indicaram que a inauguração terá lugar  em Dezembro próximo.
A empresa gabonesa Ceca-Gadis, vocacionada para distribuição de produtos alimentares, terá contratado a Mota Engil, que construiu o edifício da Doca, para proceder às obras de requalificação em curso, como testemunham fotografias tiradas esta semana no local.
Outro indicador do avanço do negócio, foi a publicação de um anúncio de recrutamento no Jornal Expresso online, de Lisboa. Sob o título ‘Director de Loja/ Contribuir para a Expansão do Negócio’, o anúncio, diz que ‘(o recrutado) ‘terá um papel estratégico na expansão do grupo Ceca – Gadis, do Gabão. ‘ São exigidos como requisitos, formação superior ao 12º ano, experiência superior a três anos no sector da Distribuição Alimentar, fluência em Francês e Português e disponibilidade para fixar residência em São Tomé e Príncipe.(Para ler o Anúncio Clique - IMG )
O anúncio não foi colocado na imprensa são-tomense.
Recorde-se que após a recente visita do Primeiro-ministro do Gabão a São Tomé, a imprensa de Libreville informou que a empresa privada gabonesa Ceca – Gadis, iria abrir um supermercado em São Tomé e Príncipe.
« La Compagnie d’exploitation commerciale africaine et société Gabonaise de Distribution (Ceca Gadis), spécialisée dans la distribution de produits de grande consommation, va y ouvrir un supermarché.».
Sendo rigorosamente certo que o Presidente do Tribunal de Contas incluiu a doca/mercado de peixe na lista de patrimónios do Estado concedidos, segundo ele, sem o necessário visto do Tribunal de Contas;
não tendo o governo exigido, de Francisco Fortunato Pires, um desmentido;
sendo certo tudo isso;
lícito será perguntar se as pressões do executivo são-tomense sobre a RTP-África e a exigência de que fosse desmentida qualquer negociação, não estarão relacionadas com um alegado mal-estar de Taiwan, o país que financiou a construção da Doca, o qual não terá sido previamente consultado nem informado sobre o processo de reconversão.
A ser assim, estaria explicada a forma ambígua como o Primeiro – ministro se referiu ao ‘processo doca’, contrastando com a transparente afirmação de que o acordo de investimento para reabilitação do caucauzal ‘está em fase de assinatura’.
A ser assim, o crime da RTP – África foi não ter reproduzido, de imediato, o sofisma de Patrice Trovoada.

Fonte: Téla Nón

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