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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

UM GUINEENSE FALANDO PARA OS GUINEENSES: CARTA DE REFLEXÃO POLÍTICA.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

A GUINÉ-BISSAU E O
LETRAMENTO POLITICO

                                      JOAQUIM AGOSTINHO DA SILVA 

Caros irmão guineenses,
Sinto um dever patriótico e de cidadania em dirigir esta minha mensagem de reflexão sobre a críse política vigente que vem assolando o país e mantendo os políticos o povo da Guiné-Bissau, já há um ano, sob o obscurantismo, após a tão almejada esperança advinda com as eleições presidenciais e legislativas de 2014.

Caros irmãos guineenses,
É minha convicção, e acredito ser também de todos os guineenses, que para se resolver uma crise, quer política, quer social em primeiro lugar, seria preciso compreendê-la, avaliá-la, criando assim um esquema mental e definindo etapas ou caminhos para obter solução.
Por conseguinte, seriam lançadas as bases propícias para consecução de um consenso plausível.
 Os conflitos têm melhor perspetiva de solução quando o bom senso leva as partes a se esforçarem minimamente em reconhecer a razão da adversária, mas eles podem agravar-se quando as emoções, a falta de visão ou má-fé impedem qualquer reconhecimento das causas e motivações da outra parte.O nosso erro na resolução de qualquer conflito, reside-se na forma como importamos análises acerca da cultura política democrática, o que gera a controvérsia com as nossas leis, histórias e contexto.
Carosirmão guineenses,
Completamos 43 anos da nossa independência: uma independência em que muitos atores políticos não perceberam ainda, que quem quer liderar na sociedade deve perceber que a luta pela liberdade ou luta de libertação nacional não tem limites porque a sociedade não para de evoluir e de se renovar.
Esta luta não se esgota com a independência nacional, uma bandeira e um hino para logo continuarcom a "incivilidade nacional", (mentiras, intrigas, ódios, arte factos e/ ou assassinatos). Mas devemos perceber que o desenvolvimento é a tarefa mais difícil, que temos pela frente, como dizia Amílcar Cabral.
Conquistada a independência o povo da Guiné-Bissau não pode permitir opressão de partidospolíticos, de indivíduos ou grupos, ou outras formas de criar divisão ou clivagens no seio da sociedade.
Estes 43 anos da nossa independência deveria servir de reflexão, hoje, sobre os nossos percursos políticos, nossas açções e para pedir desculpas a este povo marginalizado e cegadoe os heróis da nossa independência (admitir que falhamos), não alegrar com a situação de pobreza extrema e morte lenta que o povo vive enquanto, os outros ainda manipulama verdade dessa independência e/ ou tornar o próprio colonizador do povo.
 Devemos repensar a qualidade da nossa democracia, refletir numa nova pedagogia cívica, aliás, na redemocratização das instituições, e fazer o povo perceber: o que é a política, a democracia,voto,soberania, direitos e deveres docidadão, programa do governo, e ainda o mais importante, contar ao povo o porquê é necessário à sua participação na vida política e como se faz o agendamento políticodos problemas sociais. Assim sendo, pode-se mesmo dizer que há manifestação renovada nas instituições. Na base de valores e princípios democráticos, onde o povo usufruirá, dos seus direitos básicos, como: á educação,saúde,informação, justiça, sendo pilares da matriz da cidadania.
Por isso venho através desta carta desafiar, os partidos políticos, instituições da república e o povo em geral que, para que consigamos a paz, a estabilidade e o desenvolvimento, os políticos precisam de uma NOVA ERA, o chamado,LETRAMENTO POLÍTICO. O letramento político não passa somente em saber, assinar o seu nome, ir ao domínio de escrita, domínio de tecnologia etc, mas sim, saber interpretar as instituições democráticas, respeitar as leis da república, símbolos, valores e princípios democráticos, ter competência e conhecimento democrático, saber unificar vontades e consciências. Isso passa em ter sentimentos positivos, de orgulho. Até o negativo de vergonha. Porque o orgulho está muito centrado no imaginário do "povo".
É o compromisso de cada um de nós, com o nosso letramento político, que garantirá a construção permanente de uma sociedade democrática, uma sociedade em que sejamos livres, iguais, participativos, responsáveis e solidários, compreendendoliberdade como capacidade para ação, igualdade como acesso para todos aos bens e serviços básicos de forma a proteger a dignidade humana, participação como a necessidade de contribuir para o interesse público, responsabilidade por si mesmo, pelos outros e pelo futuro do mundo, e solidariedade entre as pessoas transcendendo barreiras políticas, culturais e sociais.
O letramento político, não devemos esquecer, é um aprendizado que se faz pela democracia e em democracia. Logo, a democracia precisa ser um discurso e ao mesmo tempo uma prática de todos nós individual e coletivamente, todos os dias e em todos os lugares.
É muito importante que o povo tenha liberdade de participação na democracia e isto significa que tem que ser uma prioridade o combate á ignorância, de mesmo modo que é prioritário o letramento politico.
O povodeve ser educado e esclarecido de forma a poder decidir conscientemente (voto de qualidade), apoiar quem entende que melhor vai defender os seus interesses. Não aqueles que fazem "marketing" ou tenha mais meios de distribuir dinheiros de proveniências duvidosas, comida, bebida, camisolas, etc.
As eleições só podem ser realmente livres e justas nas populações esclarecidas e os eleitos só devem estar seguros disso nestas circunstâncias. Só pode dormir sem sobressaltos aquele que for eleito por um povo instruído e esclarecidoe que participa na vida política e nas tomadas de decisões. Por isso, chamo a nossa democracia de disfuncional!Por uma simples razão:POR CAUSA DA CRISE DA CIDADANIA.Nós somos bons em sonhar, mas não somos bons em cumprir àsregras dos jogos políticos.
O poder só pode ser exercido de forma pacífica e equilibrada se a força e a razão estiverem do seu lado e tiver apoio de liderança do povo.
Nesse caso, defendemos que “vida política” e “vida pública” devem ser entendidas em um contexto mais amplo do que aquele que normalmente associamos ao adjetivo político.

Caros irmãos guineenses,
O nosso problema tem aver com duas situações:
1ª A falta de educação (analfabetismo gritante)
2ª A pobreza estrema.
Por isso, a paz, e a tranquilidade e o desenvolvimento do país é de responsabilidade de todos, dos dirigentes e dirigidos. Todos devemos buscar a forma de cooperar para luta contra a pobreza e necessidade extrema, porque elas podem provocar a descida da consciência da cabeça para bariga e fazer-nos passar então a viver num autêntico inferno. O perigo disso é que o povo pode passar a votar com a bariga, os juízes podem passar a decidir com bariga, os jornalistas podem passar a dar informação com a bariga, os militares podem passar a defender bariga e não a pátria e a soberania, e a elite social pode passar a pensar e a decidir políticas públicas com a bariga, as crianças podem passar à não respeitar os pais, por causa da bariga, os professores podem passar a ensinar com à bariga, os médicos podem passar a tratar os pacientes com à bariga.Assim então ficam garantidas todas as condições de segurança para a corrupção, o nepotismo, e os tráficos ilícitos passarem a governar, e para a trapaça, vigarices, assaltos, roubos e companhia limitada passarem a ditar as leis à sociedade (como diz um compatriota na diáspora). E quando o povo perde completamente a cabeça, porque a consciência já desceu toda para a bariga, não vai haver quem resista a fúria, porque ninguém vai estar à salvo, nem políticos, nem militares, nem ninguém.
Caros irmão guineenses,
Para terminar quero dizer-vos para terem coragem e esperança, que um dia tudo há-de mudar. Para que isso, mude é preciso exigir os nossos governantes o respeito pelo nosso voto.
Uma coisa eu tenho a certeza, e é bom percebermos isso: nós, não estamos, condenados a viver na corrupção, intriga, odio, nepotismo e vingança, mas, estamos condenados a viver na unidade nacional e na luta contra à nossa fraqueza que é a corrupção. Porque somos um povo, com valores, padrões ético-culturais e morais capazes de unificar vontades e consciências.Ontem, unimos e lutamos contra o colonialismo, para conseguir a nossa independência, hoje, somos chamado de novo, para lutar, contra comportamentos negativos dos nossos políticose de analfabetos funcionais.
MUITO OBRIGADO!

JOAQUIM AGOSTINHO DA SILVA

PROFESSOR DE COMUNICAÇÃO E JORNALISMO
NA UNIVERSIDADE LUSÓFONA DA GUINÉ


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