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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

OPINIÃO: Júlio Biaguê - ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NA GUINÉ-BISSAU.

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O CANDIDATO

Com a marcação de eleições presidenciais para 24 de Novembro do ano em curso, é notável no país uma forte dinâmica, seja na organização assim como na adoção de estratégias para o pleito da parte dos cidadãos comuns e partidos políticos interessados na concorrência.
Considerando que se trata de um escrutine-o para escolha duma das figuras mais importante no nosso panorama político e democrático, o presente artigo, vem neste particular abordar detalhadamente sobre a figura “O CANDIDATO”.
Normalmente nas eleições presidenciais aparecem várias suposições junto dos eleitores, principalmente em querer saber ou perceber” QUEM É O MELHOR CANDIDATO? OU QUEM PODE SER O CANDIDATO?” tudo isso, são traços para poderem ter a ideia claríssima da “figura “e poder-se posicionar face à escolha.
Responder estas e demais outras questões junto dos eleitores não é uma tarefa fácil certamente, mas, na minha modesta opinião sugiro as considerações das abordagens do presente subsídio.

Na esfera política atual guineense que originou por parte dos eleitores uma má conceção do político e um descrédito da Política, torna-se complicado traçar o perfil ideal de um candidato político. É certo que há características que tornarão o candidato um potencial vencedor, no entanto, é preciso estar atento ao meio envolvente. Nenhum pormenor deverá ser deixado ao acaso, muito menos, a primeira impressão deixada pelo candidato pois é através dela que o eleitor julga.
Na verdade, nenhum político nasce do dia para a noite, nenhum político constrói facilmente uma carreira política. A idade, não sendo uma característica pessoal, é um fator relevante. É verdade também que não se sabe qual a idade mais adequada de um indivíduo começar uma carreira política, nem de acabar. Contudo, a idade é, em tantas alturas da nossa vida, um sinónimo de experiência e maturidade, que por si só, conferem credibilidade. Nestas circunstâncias, não se consegue definir se será mais vantajoso começar na política ainda estudante ou quando já se exerce uma profissão.

Para muitos analistas políticos versado na área sugerem que, para quem se propõe a entrar no universo da política “o aspirante político” é sempre necessário criar uma personalidade, uma imagem de marca. Posteriormente, filiar-se a um partido, caso ainda não esteja, candidatar-se a uma pequena eleição, no fundo, como um teste de mercado e, posteriormente, no caso de resultados positivos, candidatar-se a um cargo mais alto e desenvolver uma boa campanha política.

A personalidade e a imagem de um político são, sem dúvida, um foco em destaque para o eleitor. Hoje em dia fala-se de políticos de elite ou de grande influência mundial, pois o ADN de um político também é composto por uma série de características que cruzam entre si um conjunto de informações que o identificam perante o eleitorado, quer defendendo uma posição de relevo face a um tema da esfera político-social, quer assumindo uma ideologia que vai ao encontro da sua maneira de ser e de estar na sociedade em que está inserido.
Aliás, atualmente, a imagem de um candidato revela-se cada vez mais um elemento determinante na escolha do eleitor do que as suas próprias características pessoais, profissionais ou políticas e, ainda, sobre a mensagem política que transmite durante a campanha.
O sucesso do político e da sua mensagem depende, atualmente, quase exclusivamente da visibilidade pública que este (político) conquista.
Os rostos, ou seja, os candidatos e a imagem que os eleitores têm dele assumem uma importância mais elevada que as mensagens e até mesmo que os partidos

Assim, dada a importância da imagem transmitida pelo candidato, nenhum pormenor pode ser desprezado. Tanto o vestuário que escolhe, como as suas maneiras de estar, as suas declarações, as suas ações, a sua educação, ou a maneira como reage em situações de crise, passam determinadas impressões aos eleitores.
O carisma de um candidato político é também ele, um dos pontos fortes de um político e um atributo para a comunicação política. A imagem do candidato é uma mistura de um conjunto de características, tais como: biográficas, pessoais, qualificação profissional, posicionamento ideológico e traços comunicativos.
 Um político com uma boa imagem de marca, deve saber gerir esse valor patrimonial, sendo necessário desenvolver um trabalho contínuo para manter e melhorar pontos fracos que pontualmente vá detetando ao longo do seu percurso político.
O discurso do candidato é outro dos fatores mais importantes na conquista do eleitorado. É necessário um discurso que consiga seduzir o eleitor, que tenha transparência necessário que leve o eleitor a acreditar na mensagem transmitida. Um político que se preze deverá ser o primeiro a expor as suas ideias sem rodeios, permitindo que estas sejam debatidas, criticadas e até confrontadas pelos restantes agentes políticos. Também um político deverá possuir fair-play suficiente para garantir empatia com o eleitorado.

A experiência política, os atributos pessoais, o carisma e a identificação popular do candidato são avaliados por quem decide (isto é o eleitor) e quanto à experiência política e ao carisma não há muito a fazer: ou se tem, ou não se tem. No entanto, tanto a popularidade como os seus atributos pessoais podem ser trabalhados, recorrendo à ajuda dos profissionais de Marketing e Comunicação. Contudo, é preciso salientar que os profissionais não são a garantia da vitória do candidato, mas são essenciais no caminho até lá. Os Assessores Políticos ou os Consultores de Imagem contribuem para uma melhor valorização da imagem e da “marca” do candidato ou partido político e são cada vez mais requisitados em alguns casos.
Tal como sugerido por muitos peritos nas estratégias eleitorais, ao candidato, espera-se que ele saiba ouvir os conselhos relativos à sua imagem e postura, que prepare bem os discursos; que saiba respeitar a estratégia eleitoral delineada; demonstrar firmeza; fomentar relações de cortesia com os Órgãos de Comunicação Social e que se antecipe aos seus adversários.
No comportamento com os media, o candidato deverá ser cauteloso e cumprir uma série de regras como dar feedbacks rápidos e atualizados, estar sempre disponível para os media e responder a todas as questões, honestamente, e de modo aberto, agendar comunicados à imprensa respeitando os deadlines, e caso não saiba responder a alguma questão, ele deve encontrar uma resposta o mais rápido possível e encaminhá-la para o jornalista que a fez.
O objetivo final de um político é a fidelidade dos seus eleitores, de forma a tornar-se um garante da estabilidade emocional e política.
Haverá sempre políticos que irão marcar mais pela sua personalidade, postura, relação com a comunidade ou obra efetuada durante o mandato.
Finalmente, se se confirmar e conhecer um político munido destas caraterísticas e atributos desenvolvido no presente artigo de opinião, sem dúvida enquanto o eleitor este será O CANDIDATO IDEAL e opção para sua escolha pela maioria.

Bem-haja a todos,
Júlio Biaguê

Guiné-Bissau: Sissoco diz que quer ser Presidente para resgatar soberania.

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Ex-primeiro-ministro da Guiné-Bissau Umaro Sissoco Embaló afirmou neste sábado que pretende ser o próximo Presidente para resgatar soberania do país. Domingos Simões Pereira, do PAIGC, pediu reconciliação aos guineenses.

Umaro Sissoco Embalo (Privat)

Umaro Sissoco Embaló
Umaro Sissoco Embaló, ex-primeiro-ministro da Guiné-Bissau, afirmou neste sábado (07.09) que pretende ser o próximo Presidente do país para resgatar a soberania do país que, segundo o mesmo, está fora das mãos dos guineenses. 
Investido formalmente numa cerimónia solene como candidato oficial do Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15), Umaro Embaló considerou, no seu discurso, que "não era este o sonho dos combatentes da liberdade da pátria".
Segundo Embaló, a Guiné-Bissau "está hoje mal, ao ponto de um ministro de qualquer pequeno país estrangeiro pretender dar ordens aos governantes guineenses".
O coordenador do MADEM, Braima Camará, foi mais claro quanto à questão, ao afirmar que não faz sentido que alguns dirigentes guineenses estejam a receber proteção e segurança por "parte de forças militares armadas, estrangeiras". "E ainda andam a pedir ao povo que vote neles", sublinhou Braima Camará.
O atual Presidente guineense, José Mário Vaz, e o antigo primeiro-ministro Domingos Simões Pereira, ambos candidatos às eleições presidenciais de 24 de novembro, são, entre outros, alguns dirigentes que são guardados por soldados da força de interposição de países da Africa Ocidental (ECOMIB).
"General do Povo"
Umaro Sissoco Embalo (Privat)
Umaro Sissoco Embaló
Prestes a completar 47 anos a 23 deste mês, Umaro Embaló, que se apresenta como general do povo - dada a sua condição de general na reserva - disse que, se for Presidente da Guiné-Bissau, será o único capaz de "conversar de forma franca" com os militares, por ser o único candidato que prestou o serviço militar obrigatório.
"Jurei à bandeira nacional", observou Embaló que quer usar essa condição para promover uma reforma nas Forças Armadas - "uma verdadeira reforma", disse, que não seja tirar uns e colocar outros nas fileiras do Exército, mas sim para dignificar a classe.
O coordenador do MADEM, Braima Camará enfatizou ainda que alguns setores guineenses têm afirmado que Umaro Sissoco Embaló "ainda é novo e que não devia ser candidato à presidência da República".
"Acho que o general Umaro Sissoco Embaló, quase a completar 47 anos, está mais do que preparado", afirmou Camará, estabelecendo um paralelo com o anterior Presidente dos Estados Unidos de América, Barack Obama, nascido em agosto de 1961.
"Barack Hussein Obama, Presidente do país mais poderoso do mundo, quando se apresentou pela primeira vez tinha 44 anos", observou Braima Camará, aludindo à vitória de Obama para o Senado, em 2005, antes da sua eleição para a Casa Branca, em 2008. Camará disse que tem sido esta a resposta que dá aos que consideram Sissoco Embaló "muito novo para o cargo".
Umaro Sissoco Embaló afirmou que o seu compromisso com a Guiné-Bissau "vem de longe", e que agora vai usar da sua influência na arena internacional para angariar apoios que possam ajudar a desenvolver o país, dando total apoio ao Governo para desenvolver verdadeiras reformas que possam contribuir para melhorar a condição de vida dos cidadãos.
O candidato apoiado pelo MADEM diz que não podia ficar indiferente quando se vê que, "nos últimos cinco anos, os valores pelos quais lutaram e morreram os combatentes da liberdade da pátria, estavam a ser profanados". Por se considerar democrata de convicção, Umaro Sissoco Embaló promete respeitar os resultados que vão sair do escrutínio de 24 de novembro.
PAIGC: Unidade e reconciliação nas presidenciais
Guinea-Bissau Domingos Simões Pereira, Vorsitzender PAIGC (DW/F. Tchumá)
Domingos Simões Pereira
Também neste sábado (07.09), o presidente e candidato do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) às eleições presidenciais da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, pediu reconciliação aos guineenses e prometeu promover a unidade nacional. 
"Estou aqui como candidato do PAIGC para ser eleito a 24 de novembro Presidente de todos os guineenses, sem discriminação", afirmou Domingos Simões Pereira, no lançamento da sua candidatura no Espaço Verde, em Bissau, perante milhares e apoiantes.
"Temos de nos reconciliar, temos de ser capazes de nos reencontrar e promover a unidade nacional", sublinhou o antigo primeiro-ministro do país, demitido em 2015 pelo atual chefe de Estado, José Mário Vaz, depois de o PAIGC ter ganhado as eleições legislativas de 2014.
No palco, acompanhado por vários membros do atual Governo guineense, incluindo o primeiro-ministro, Aristides Gomes, e por dirigentes do partido, Domingos Simões Pereira prometeu que não vai demitir nenhum Governo, eleito democraticamente pelos guineenses.
"O Presidente deve ser o primeiro a promover consenso, diálogo e entendimento", afirmou.

Mugabe é sepultado ao lado dos heróis nacionais em Harare.

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Os restos mortais de Robert Mugabe vão ser sepultados no Heroes Acre, monumento reservado aos heróis nacionais e à elite política, anunciou o Governo do Zimbabwe, no início de vários dias de luto pelo antigo Chefe de Estado.



Segundo a Associated Press, Mugabe, que morreu na sexta-feira, aos 95 anos, em Singapura, será sepultado no National Heroes Acre, em Harare, local reservado aos que fizeram grandes sacrifícios durante a guerra contra a minoria branca, que governava o país, e que dedicaram a vida ao desenvolvimento do Zimbabwe, antiga Rodésia.
Leo Mugabe, sobrinho do ex-Presidente e porta-voz da família, citado pela agência Associated Press, adiantou que as datas do funeral e da chegada do corpo ao Zimbabwe ainda não são conhecidas. “Os preparativos ainda não estão fechados”, disse, através de uma mensagem de texto.
Localizado numa colina e projectado com o apoio de arquitectos da Coreia do Norte, o local tem uma ampla vista sobre Harare, é construído em mármore e granito e ostenta uma estátua de bronze de três guerrilheiros combatentes pela independência.
O ex-Presidente, que esteve no poder durante 37 anos, é considerado por muitos como um herói nacional, apesar de décadas de governação que mergulharam o país em grandes dificuldades económicas e com informações de abusos de poder e violações dos direitos humanos. Mugabe foi forçado a deixar o poder pelos militares, em Novembro de 2017.
A bandeira nacional está a meia haste em todo o país, mas não houve cerimónias públicas a assinalar a morte de Robert Mugabe, que recebeu elogios, sobretudo de membros do seu partido e dos militares.
O jornal "Herald", crítico de Mugabe quando ele foi forçado a renunciar e que expressou apoio à oposição, lançou uma edição comemorativa, elogiando, num editorial, a “sua postura intransigente em relação aos direitos dos africanos”.
Menos elogiosa foi a cobertura do jornal privado "Newsday", que escreveu em título “95 e fora”. “Apesar das suas proezas intelectuais, o fracasso de Mugabe em deixar o poder, quando era hora, foi a sua grande ruína. Em resumo, ele foi um libertador que virou vilão. Os líderes precisam de saber quando traçar a linha”, escreveu o jornal num editorial.
O ex-Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, morreu aos 95 anos, num hospital em Singapura, onde estava a receber tratamento médico há cinco meses, cerca de dois anos após renunciar ao cargo que ocupou durante 37 anos.

fonte: jornaldeangola

Dubai acolhe roadshow sobre minas angolanas.

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O Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos realiza amanhã, no Dubai, o segundo “roadshow” (apresentação técnica) para o concurso público de atribuição de direitos minerais para a prospecção e exploração de diamantes, ferro e fosfatos no país.


A demonstração tem como objectivo colocar em concurso cinco concessões mineiras, sendo duas de diamantes nas províncias da Lunda-Norte e Lunda-Sul, uma de ferro, na província do Cuanza-Norte, e duas de fosfatos, nas províncias de Cabinda e Zaire.
Na agenda, estão as minas de Kassala-Kitungo (Cuanza-Norte), com depósitos de ferro, do Lucunga (Zaire) e Cácatas (Cabinda), ricas em fosfatos, e as de Tchitengo e Camafuca-Camazambo (Lunda-Norte), com grandes reservas de diamantes.
O roadshow foi realizado no dia 27 de Agosto, em Luanda. A próxima sessão acontece em Pequim (China), no dia 16 de Setembro, a que se seguirá a última, em Nova Iorque (Estados Unidos), no dia 30 do corrente.
À véspera do primeiro roadshow, o ministro Diamantino Azevedo afirmou que a abertura do concurso público internacional para atribuição de direitos minerais para a prospecção e exploração visa implementar maior transparência na gestão da economia do país, conforme orientação do Presidente João Lourenço.
“O Código Mineiro prevê que, quando haja informação relevante suficiente sobre uma determinada concessão, o Estado pode abrir concurso público, tendo em conta que temos uma outra modalidade, que é a negociação directa, mas no caso efectivo quando há formação geológica relevante, não é usual, porque o nosso conhecimento geológico no país ainda é muito baixo”, disse o governante.
Diamantino Azevedo acrescentou que o que se pretende é que o país “possa ter a possibilidade de apreciar as propostas que venham a surgir e escolher a melhor.”

fonte: jornaldeangola

ANGOLA: FOMOS, SOMOS E SEREMOS LIVRES. A LUTA CONTINUA!

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O dia 8 de Setembro, Dia Internacional do Jornalista, foi instituído pelas Nações Unidas em homenagem ao jornalista checo Julius Fucik, assassinado nesta data em 1943. Nós, aqui no Folha 8, fazemos Jornalismo com memória desde 1995. Para nós, se o Jornalista não procura saber o que se passa é um imbecil. Se sabe o que se passa e se cala é um criminoso. Daí a nossa oposição total aos imbecis e criminosos. E, é claro, não temos culpa de a maioria dos imbecis e criminosos estar no MPLA.

Aeste propósito recordemos o artigo “Jornalismo bom só se for servil e por isso patriótico”, publicado pelo Folha 8 no dia 13 de Novembro de 2018:
«O ministro angolano da Comunicação Social afirmou hoje que, tendo como pano de fundo as chamadas “fake news”, “parece estranho discutir o tema ‘boas notícias’”, sendo esse um desafio da comunicação social no mundo e também em Angola. E o que são boas notícias? Algo milimetricamente coincidente com a propaganda.
João Melo falava, enquanto moderador, numa mesa redonda organizada num hotel em Talatona, arredores de Luanda, pelo Ministério da Comunicação Social, subordinado precisamente ao tema “Boas Notícias”, que contou com um painel de três jornalistas, entre eles o português Ferreira Fernandes, director do Diário de Notícias, e angolano Reginaldo Silva.
Salientando os esforços empreendidos no último ano pelo Governo angolano para abrir a comunicação social em Angola (o que significa desde logo que ela estava fechada nas celas do MPLA – o único partido no poder há 43 anos), João Melo admitiu que os desafios provocados pelo fenómeno das redes sociais trazem “novos desafios à comunicação social”.
Um deles, exemplificou fazendo uma analogia com o futebol, está ligado aos “milhares de treinadores de bancada”, pois as redes sociais permitem agora a qualquer pessoa comentar seja qual tema for, sabendo-se de antemão que “o que vende” são notícias sobre “crimes, tragédias, mortes e guerras”.
Sobre o tema, Reginaldo Silva, jornalista angolano e um dos oradores na mesa redonda, considerou o tema pertinente, lembrando que, após a independência de Angola, em 1975, o jornalismo militante, com base no “Partido Estado” (qua ainda hoje impera, acrescente-se), foi preponderante na divulgação de boas notícias, “orientadas pelo MPLA”. Tal como hoje continua a acontecer.
“As boas notícias eram também as únicas, pois a propaganda assim o exigia. Fizeram época e ai de quem não escrevesse boas notícias. Hoje, todos percebem de tudo, temos a nossa razão como ‘treinadores de bancada’, como referiu o ministro, mas faz todo o sentido falar das boas e más notícias, embora uma notícia possa ser boa para uma pessoas e má para outra”, realçou.
Outro jornalista, Carlos Rosado de Carvalho, director do semanário económico angolano Expansão, defendeu, por seu lado, que “não há boas nem más notícias”.
“Há notícias. Aquelas que cumprem as regras do jornalismo, bem escritas, cumprindo o contraditório e a ética profissional, pelo que a mensagem se torna secundária. As notícias têm de ser bem feitas. Um jornalismo responsável é aquele em que se diz a verdade. Mas uma boa notícia também não tem de ser necessariamente propaganda”, afirmou.
Para Rosado de Carvalho, apesar de o sector da comunicação social em Angola ter crescido significativamente nos últimos anos, o grande problema ainda reside na formação e na falta de preparação para a profissão, onde se nota sobretudo a falta de especialização, por exemplo, no de cariz económico.
José Ferreira Fernandes, por seu lado, destacou que escrever “boas notícias” e “escrever com base em propaganda” não são a mesma coisa, mas voltou a levantar a questão de que uma boa notícia para uma determinada personalidade ou pessoa, pode ser o oposto para outra.
Segundo Ferreira Fernandes, natural de Luanda, um exemplo de “boas notícias” é o facto, “pouco realçado”, de que Angola tornou-se “unida” após o final da guerra, em 2002, e que o conflito civil “acabou mesmo” – “isto é pouco contado e serve de exemplo para o resto”.
O activista social Fernando Pacheco, agrónomo de formação e comentador frequente nas páginas dos jornais angolanos, destacou, por seu lado, o actual clima de abertura na comunicação social em Angola, realçando que o modo como está a apresentar o país “é o instrumento mais importante da governação”.
“Abre portas a outras conquistas, abre a porta a debates na comunicação social. Se isso são boas ou más notícias isso já é diferente. Falta preparação aos profissionais”, concluiu.

“Jornalismo” servil

Não tenhamos medo das palavras e das verdades. Um jornalismo mais sério, baseado no patriotismo, na ética e na deontológica profissional, é o que o ministério da Comunicação Social pretende para Angola. A tese (adaptada do tempo de partido único) é do secretário de Estado do sector, Celso Malavoloneke.
Convenhamos, desde logo, que só a própria existência de um ministério da Comunicação Social é reveladora da enormíssima distância a que estamos das democracias e dos Estados de Direito. De quanto longe estamos do Jornalismo e do quanto perto permanecemos da propaganda, se bem que esta também tenha evoluído.
O Ministério da Comunicação Social quer formatar o que a comunicação social diz. Esse era e continua a ser o diapasão do MPLA. Mesmo maquilhado, o MPLA não consegue separar o Jornalismo do comércio jornalístico.
Quem é o secretário de Estado, ou o ministro, ou o próprio Titular do Poder Executivo, para nos vir dar lições do que é um “jornalismo mais sério, baseado no patriotismo, na ética e na deontológica profissional”?
Mas afinal, para além dos leitores, ouvintes e telespectadores, bem como dos eventuais órgãos da classe, quem é que define o que é “jornalismo sério”, quem é que avalia o “patriotismo” dos jornalistas, ou a sua ética e deontologia? Ou, com outros protagonistas e roupagens diferentes, estamos a voltar (se é que já de lá saímos) ao tempo em que patriotismo, ética e deontologia eram sinónimos exclusivos de MPLA?
Esta peregrina ideia de Melo, Malavoloneke e companhia foi categoricamente manifestada no dia 27 de Fevereiro, na cidade do Huambo, na abertura do seminário dirigido aos jornalistas das províncias do Huambo, Bié, Benguela, Cuanza Sul e Cuando Cubango.
Para alcançar tal desiderato, Celso Malavoloneke informou que o Ministério da Comunicação Social iria prestar uma atenção especial na formação e qualificação dos jornalistas, para que estes estejam aptos para corresponder às expectativas do Governo.
Como se vê o gato escondeu o rabo mas deixou o corpo todo de fora. Então vamos qualificar os jornalistas para que eles, atente-se, “estejam aptos para corresponder às expectativas do Governo”? Ou seja, serão formatados para serem não jornalistas mas meros propagandistas ao serviço do Governo, não defraudando as encomendas e as “ordens superiores” que devem veicular.
Celso Malavoloneke lembrou – e muito bem (as palavras voam mas os escritos são eternos) – que o Presidente da República, João Lourenço, no seu primeiro discurso de tomada de posse, orientou para que se prestasse uma atenção especial à Comunicação Social e aos jornalistas, para que, no decurso da sua actividade, pautem a sua actividade pela ética, deontologia, verdade e patriotismo. E fez bem em lembrar. É que ministros e secretários de Estado também recebem “ordens superiores” e, por isso, não se podem esquecer das louvaminhas que o Presidente exige.
Aos servidores públicos, segundo Celso Malavoleneke, o Chefe de Estado recomendou para estarem abertos e preparados para a crítica veiculada pelos órgãos de Comunicação Social, estabelecendo, deste modo, um novo paradigma sobre a forma de fazer jornalismo em Angola.
Sejam implementadas as teses do ministro João Melo, que ao fim e ao cabo pouco diferem das anteriores, a não ser na embalagem, e os servidores públicos podem estar descansados que não haverá lugar a críticas da Comunicação Social.
Dar voz a quem a não tem? Isso é que era bom! Não é para isso que temos um Ministério da Comunicação Social e uma Entidade Reguladora da Comunicação Social.
Alguns leitores perguntaram-nos por que razão o Folha 8 (como outros) não é convidado para estes eventos, ainda por cima sendo eles pagos com o dinheiro de todos nós. Não somos convidados porque os donos da verdade oficial (Melo, Malavoloneke e Cª) entendem que não somos “patriotas”, não aceitam a nossa tese de que se o Jornalista não procura saber o que se passa é um imbecil, e de que se sabe o que se passa e se cala é um criminoso.»

fonte: folha8

ANGOLA: QATAR OFERECEU ELIXIR QUE FARÁ CRESCER QUASE TUDO!

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A experiência do Qatar no aproveitamento de recursos para a sua economia pode acelerar o desenvolvimento de Angola, defendeu com toda a originalidade, em Doha, o ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto. Finalmente. Ao fim de 44 anos o MPLA encontrou o elixir (remédio infalível e não aguardente de cana). Bravo!

No balanço da visita oficial do Presidente da República, João Lourenço, ao Qatar, o chefe da diplomacia angolana afirmou que é o início de novo ciclo das relações bilaterais entre os dois estados. Por saber (embora já não existam muitos) está quais os países que se seguem na agenda do Presidente e que tenham outros tipos de elixires.
Manuel Augusto lembrou que Angola e Qatar têm relações diplomáticas já há alguns anos, mas nunca foram traduzidas em termos de cooperação económica em acções concretas, tudo porque os governantes de José Eduardo dos Santos, muitos dos quais são hoje governantes de João Lourenço (ele próprio um dos eminentes de Dos Santos), andaram a fazer o que hoje continuam a fazer: chular os angolanos.
(Informação para o Departamento de Informação e Propaganda do MPLA e para a sua sucursal ERCA. Chular: Viver à custa de alguém, abusando da sua generosidade; Obter lucros indevidos ou de forma ilícita; Cobrar excessivamente)
Para o governante do MPLA, há similaridades entre as duas nações, sendo que a mais visível é o facto de ambos serem países produtores e exportadores de petróleo e gás, mas “há também diferenças muito grandes entre os dois.
Justificou que isso se reflecte no resultado da utilização das receitas do petróleo, que são diferentes. Reconhece que o Qatar soube e continua a saber usar as receitas para gerar desenvolvimento, prosperidade, coisa que Angola precisa e não soube fazer durante os últimos 44 anos em que foi desgovernada sempre pelo mesmo partido, o MPLA.
Manuel Augusto sublinhou a necessidade do país alinhar com as “boas práticas” (coisa que o MPLA não sabe o que significa e que por isso o coloca na liderança mundial dos partidos com mais corruptos por metro quadrado) para poder também usar os recursos petrolíferos, como fonte de desenvolvimento e motor para diversificação económica. No nosso caso, a diversificação tem sido mais “é cómica” do que económica.
O ministro destacou que a visita de dois dias do Presidente do MPLA e da República, bem como do Titular do Poder Executivo, foi “muito intensa” pelo nível de contactos estabelecidos, o que permitiu confirmar a seriedade da parceria com este país do Médio Oriente para acelerar o desenvolvimento de Angola, o que pode ser aquilatado um função do valor do fiado.
Segundo o ministro, tudo será feito (em linguagem do MPLA isso significa ajudar os poucos que têm milhões a ter mais milhões e contribuir para que os milhões que têm pouco ou nada passem a ter ainda menos) para que os operadores económicos dos dois países, suportados pelos respectivos governos, possam realizar projectos com vantagens mútuas.
Angola e Qatar assinaram domingo, no Palácio Real do Emir, em Doha, seis acordos de interesse comum que marcam nova etapa de cooperação económica em diversos sectores. Desconhece-se se, como num passado recente, João Lourenço pretenderá levar Doha para o Cunene, tal como queria levar a Califórnia para Benguela.
Este “pequeno gigante” de 2.710 mil habitantes, líder mundial no Produto Interno Bruto per capita (129.112 dólares), tem no petróleo, gás natural e investimentos no mercado financeiro as suas principais fontes de riqueza, pelo que Angola pretende tirar o máximo proveito da experiência.
Será que o MPLA se recorda que, em 2014, um relatório do Banco Nacional do Qatar dizia que a África subsariana era uma nova fronteira para os investidores globais, mas onde os riscos políticos e económicos abundam, apontando Angola e Moçambique como dois dos seis países mais promissores em 2015?
Concretamente o Banco dizia que “saber a diferença entre diamantes em bruto e simples pedras é essencial. Apontamos seis países que tiveram um forte desempenho nos últimos cinco anos e os mais promissores para a região em 2015: Angola, Quénia, Moçambique, Nigéria, Tanzânia e Uganda”. Dizia mesmo que são “diamantes económicos reais”.
Lembrando o crescimento económico previsto pelo Fundo Monetário Internacional – 6,5% em 2014 e em 2015 -, o banco do Qatar dizia que “o país com a expansão económica mais acelerada é Moçambique”, que tem o seu crescimento “alicerçado nos grandes investimentos em mega-projectos e com investimentos estruturantes e substanciais no sector da energia”.
Angola (o tal reino do MPLA) era descrita como “o segundo maior produtor de petróleo a seguir à Nigéria e rica noutros recursos naturais como os diamantes”, e era apontado o excedente orçamental de 4,1% em 2014 e a previsão de 5,9% em 2015.
“A produção de petróleo diminuiu ligeiramente porque a produção declinou nalguns campos já antigos, mas o crescimento deve aumentar nos próximos tempos”, acrescentava o relatório do banco.
Os aspectos positivos não escondiam, segundo o Banco Nacional do Qatar, “os variados riscos que os investidores têm de enfrentar”, entre os quais “os problemas de segurança, os maus ambientes empresariais, a fraca implementação de projectos e as dúvidas sobre a sustentabilidade dos défices orçamentais e da dívida pública”.
fonte: folha8

ANGTOLA: FLUP AJUDA NA LAVAGEM DOS CRIMES DE AGOSTINHO NETO!

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A FLUP – Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Portugal) realiza nos próximos dias 9 e 10, com o apoio da Fundação António Agostinho Neto, um colóquio intitulado “Agostinho Neto e os prémios Camões Africanos”. Durante o evento será igualmente assinado um protocolo entre a Fundação António Agostinho Neto (representada pela viúva, Maria Eugénia Neto) e a FLUP relativo à criação da Cátedra Agostinho Neto.

Por Orlando Castro
Este colóquio é, tão só, mais uma operação de branqueamento do passado tenebroso de Agostinho Neto. Segundo a FLUP, “para além desse objectivo geral de debater as literaturas africanas em português, este colóquio pretende assinalar o 40.º aniversário da morte de Agostinho Neto (1922-1979), um dos primeiros poetas desse espaço a obter uma circulação nacional e internacional de grande dimensão (como o atestam as traduções da sua obra)”.
Por alguma razão José Eduardo Agualusa, entre muitos outros, diz que “uma pessoa que ache que o Agostinho Neto, por exemplo, foi um extraordinário poeta é porque não conhece rigorosamente nada de poesia. Agostinho Neto foi um poeta medíocre”.
Ao contrário do que a organização defende, para José Eduardo Agualusa (como para nós) medíocre significa mesmo: “Que não se destaca na qualidade, no valor ou na originalidade; Que está abaixo da média ou do que é aceitável”.
Esta operação de branqueamento da FLUP acontece a poucos dias de o MPLA (Angola é algo substancialmente diferente) comemorar o “Dia do Herói Nacional” (do MPLA) em memória do nosso maior genocida, do nosso maior assassino, António Agostinho Neto. Será que a Faculdade de Letras da Universidade do Porto desconhece que foi o seu homenageado, António Agostinho Neto, quem mandou assassinar milhares e milhares de angolanos nos massacres do 27 de Maio de 1977?
Admitindo, ingenuamente, que os responsáveis pelo Colóquio de forma directa, e os responsáveis da FLUP de forma indirecta, desconhecem a história recente de Angola, reproduzimos um artigo aqui publicado no passado dia 2, sob o título: “Conivência consciente e criminosa do Presidente do MPLA, João Lourenço”:
«O Dia do Herói Nacional (do MPLA) é uma comemoração partidária transformada, por força da ditadura, em nacional angolana, em memória do nosso maior genocida, do nosso maior assassino, António Agostinho Neto. No próximo dia 17, na Huila, lá vamos assistir o cortejo em louvor de quem mandou assassinar milhares e milhares de angolanos nos massacres do 27 de Maio de 1977.
João Lourenço e a sua apologia de um criminoso. Estávamos a 17 de Setembro de 2016. O então ministro da Defesa de Angola e vice-presidente do MPLA, João Lourenço, denunciou tentativas de “denegrir” a imagem de Agostinho Neto, primeiro Presidente angolano.
João Lourenço discursava em Mbanza Congo, província do Zaire, ao presidir ao acto solene das comemorações do dia do Herói Nacional, feriado alusivo precisamente ao nascimento do Agostinho Neto.
“A grandeza e a dimensão da figura de Agostinho Neto é de tal ordem gigante que, ao longo dos anos, todas as tentativas de denegrir a sua pessoa, a sua personalidade e obra realizada como líder político, poeta, estadista e humanista, falharam pura e simplesmente porque os factos estão aí para confirmar quão grande ele foi”, afirmou o general João Lourenço, hoje presidente do MPLA, da República (do MPLA) e Titular do Poder Executivo (do MPLA).
João Lourenço nunca se referiu ao caso na sua intervenção, mas o bureau político do MPLA criticou em Julho de 2016, duramente, o lançamento em Portugal de um livro (mais um) sobre o MPLA e o primeiro Presidente angolano, Agostinho Neto, queixando-se então de uma nova “campanha de desinformação”.
Em causa estava (continua a estar) o livro “Agostinho Neto – O Perfil de um Ditador – A História do MPLA em Carne Viva”, do historiador luso-angolano Carlos Pacheco, lançado em Lisboa a 5 de Julho de 2016, visado no comunicado daquele órgão do Comité Central do partido no poder em Angola desde 1975.
Carlos Pacheco disse na altura que a obra resultou de uma década de investigação histórica e que “desmistifica” a “glória” atribuída ao homem que conduziu os destinos do movimento que lutou pela libertação do jugo colonial português em Angola (1961/74). Contudo o livro tem sido fortemente criticado em Luanda, por parte de dirigentes e elementos afectos ao MPLA e da fundação com o seu nome.
“A República de Angola está a ser vítima, mais uma vez, de uma campanha de desinformação, na qual são visadas, de forma repugnante, figuras muito importantes da Luta de Libertação Nacional, particularmente o saudoso camarada Presidente Agostinho Neto”, lê-se no comunicado do bureau político.
Na intervenção em Mbanza Congo, João Lourenço, que falava em representação do seu então querido chefe, o “escolhido de Deus” e chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, sublinhou que Agostinho Neto “será sempre recordado como lutador pela liberdade dos povos” e um “humanista profundo”.
“Como atestam as populações mais carenciadas de Cabo Verde, a quem Agostinho Neto tratou gratuitamente, mesmo estando ele nas condições de preso politico. É assim como será sempre lembrado, por muitas que sejam as tentativas de denegrir”, afirmou – sabendo que estava a mentir e a ser conivente com um dos mais hediondos crimes cometidos em África – o então ministro da Defesa e hoje Presidente da República.
“Em contrapartida”, disse ainda João Lourenço, os “seus detractores não terão nunca uma única linha escrita na História, porque mergulhados nos seus recalcamentos e frustrações, não deixarão obra feita digna de respeito e admiração”.
“Não terão por isso honras de seus povos e muito menos de outros povos e nações. A História encarregar-se-á de simplesmente ignorá-los, concentremos por isso nossas energias na edificação do nosso belo país”, disse João Lourenço.
Sabendo o que dizia mas não dizendo o que sabe, João Lourenço alinhava (e alinha), “mergulhado nos seus recalcamentos e frustrações”, na lavagem da imagem de Agostinho Neto numa altura em que, como sabe o regime, os angolanos começam cada vez mais a pensar com a cabeça e não tanto com a barriga… vazia.
Terá João Lourenço alguma coisa a dizer aos angolanos sobre os acontecimentos ocorridos no dia 27 de Maio de 1977 e nos anos que se seguiram, quando milhares e milhares de angolanos foram assassinados por ordem de Agostinho Neto?
Agostinho Neto, então Presidente da República, deu o tiro de partida na corrida do terror, ao dispensar o poder judicial, em claro desrespeito pela Constituição que jurara e garantia aos arguidos o direito à defesa. Fê-lo ao declarar, perante as câmaras da televisão, que não iriam perder tempo com julgamentos. Tal procedimento nem era uma novidade, pois, na história do MPLA tornara-se usual mandar matar os que se apontavam como “fraccionistas”.
O que terá a dizer sobre isto o agora Presidente da República, general João Lourenço?
Agostinho Neto deixou a Angola (mesmo que João Lourenço utilize toda a lixívia do mundo) o legado da máxima centralização de um poder incapaz de dialogar e de construir consensos, assim como de uma corrupção endémica. E os portugueses que nasceram e viveram em Angola, ainda hoje recordam o papel que teve na sua expulsão do país. Antes da independência declarava que os brancos que viviam em Angola há três gerações eram os “inimigos mais perigosos”.
Em 1974, duvidava que os portugueses pudessem continuar em Angola. Em vésperas da independência convidava-os a sair do país. E já depois da independência, por altura da morte a tiro do embaixador de um país de Leste, cuja viatura não parara quando se procedia ao hastear da bandeira do MPLA, dirigiu-se, pela televisão, aos camaradas, para lhes dizer que era preciso cuidado, pois nem todos os brancos eram portugueses.
Em Maio de 1977, não houve pioneirismo, pelo contrário, não tendo Agostinho Neto conseguido massacrar a humilhação passada no Congresso de Lusaka, o primeiro democrático do MPLA, onde o eleito foi Daniel Júlio Chipenda, Agostinho Neto consumou a grande chacina, para estancar, com o temor, uma série de cisões e problemas que calcorreavam incubados, desde a sua chegada ao MPLA, convidado pela anterior direcção.
Esta demonstração de força, serviu para demonstrar, que se o poder fosse posto em causa, a direcção e Agostinho Neto, não teriam pejo de sacrificar com a própria vida todos quantos intelectualmente o afrontassem. Foi assim ontem, é assim hoje, infelizmente, como bem sabe João Lourenço.
Numa só palavra, quando este MPLA sente o poder ameaçado, não hesita: humilha, assassina, destrói, elimina, atira aos jacarés.
É a sua natureza perversa demonstrando não estar o MPLA preparado para perder o poder e, em democracia, com a força do voto se isso vier a acontecer, a opção pela guerra será o recurso mais natural deste partido, não é general João Lourenço?
Em todos os meses do ano nunca devemos esquecer, por força do sofrimento de milhares e dos assassinatos de igual número, das prisões arbitrárias, da Comissão de Lágrimas, da Comissão de Inquérito, dos fuzilamentos indiscriminados, etc..
Muitos acreditaram, em 1979, que com a ascensão de Eduardo dos Santos ao poder, num eventual reencontro com a verdade e com a reconciliação interna, sobre a alegada intentona, que ele próprio sabe nunca ter existido. Infelizmente, não se conseguiu despir da cobardia e cumplicidade, ostentada desde o tempo de Agostinho Neto e da sua clique: Lúcio Lara, Onambwé, Iko Carreira, Costa Andrade “Ndunduma”, Artur Pestana “Pepetela”, entre outros.
Dos Santos mostrou ser um homem que, pelo poder, foi capaz de tudo: violar a Constituição, as leis, humilhar, desonrar e assassinar, todos quantos não o bajulavam. Exemplos para quê, eles estão à mão de semear… nas cadeias, no exílio, nos cemitérios, no estômago dos jacarés. E João Lourenço está a mostrar-se um bom aluno desta cátedra.
“Não vamos perder tempo com julgamentos”, disse no pedestal da sua cadeira-baloiço, um dos maiores genocidas do nacionalismo angolano e da independência nacional, Agostinho Neto. João Lourenço sabe que isto é verdade, mas – apesar disso – enaltece o assassino e enxovalha a memória das vítimas.
Esta posição da lei da força, marcaria para todo o sempre o sistema judicial, judiciário e de investigação policial em Angola, onde a presunção e a defesa de uma ideologia diferente da do partido no poder, são causa bastante para acusação, julgamento, prisão e até mesmo assassinato político, ainda que a pena de morte, não esteja consagrada na Constituição.
Sempre que o regime diz o que agora repete João Lourenço, todos devemos fazer uma viagem de regresso a 1977 para ver como estão as cicatrizes daquele período de barbárie, que levou muitos de nós às fedorentas masmorras da polícia política de Agostinho Neto, ou mesmo aos assassinatos atrozes, como nunca antes o próprio colono português havia praticado contra muitos intelectuais pretos, sendo o próprio Neto disso um exemplo.
Desde 1977 que Angola, o Povo, aguarda pela justiça, mas com as mentes caducas no leme do país, essa magnanimidade de retractação mútua, para o sarar de feridas, não será possível, augurar uma Comissão da Verdade e Reconciliação, muito também por não haver um líder em Angola.»
fonte: folha8

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