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quinta-feira, 18 de julho de 2019

Empréstimo do Banco Mundial chega a Angola sem restrições.

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André dos Anjos
Abdoulaye Seck falava aos jornalistas à saída de uma audiência, na Cidade Alta, com a ministra de Estado para a Área Social, Carolina Cerqueira, com quem analisou os três projectos estruturantes do Governo, que levaram o Banco Mundial a elevar de 1,32 mil milhões de dólares para 2,52 mil milhões o pacote financeiro para Angola.
No global, afirmou, os três projectos têm como fim último o desenvolvimento do capital humano, que implica o apoio às famílias mais vulneráveis, garantindo protecção face a eventuais choques económicos, resultantes da conjuntura interna e externa.
Para a protecção das famílias vulneráveis, lembrou, o Governo criou o chamado Projecto de Fortalecimento do Sistema de Protecção Social, destinado a transferir rendimento aos agregados com menores rendimentos.
Este programa, que, numa primeira fase, deve beneficiar um milhão de famílias, visa mitigar o impacto das reformas dos subsídios no poder de compra dos consumidores, como consequência de curto prazo do ajustamento de preços de bens e serviços como a tarifa de electricidade, água e combustíveis, disse.
Do montante global, o Projecto de Fortalecimento do Sistema de Protecção Social vai a absorver 320 milhões de dólares e o chamado Projecto Bita, que vai fornecer água potável à zona sul e sudoeste de Luanda, fica com 500 milhões de dólares, o mesmo valor que será canalizado para o reforço do Orçamento Geral do Estado.
O montante destinado ao OGE, insistiu o representante do Banco Mundial em Angola, é para ser usado pelas autoridades, tendo em conta as prioridades, incluindo as acções de combate à seca no Sul do país.
O Banco Mundial é uma instituição multilateral que, em parceria com o Executivo, tem vindo a apoiar, em termos financeiros e de assistência técnica, diversos sectores, tendo em vista o fortalecimento das capacidades do Estado e do sector privado. À véspera da aprovação do reforço do pacote financeiro para o país, na segunda-feira, o ministro das Finanças manifestou-se confiante na aprovação dos projectos pela direcção do Banco. “Na terça-feira, falaremos de outras perspectivas que se colocarão ao nosso país, com os importantes financiamentos que vão ser aprovados, certamente, pelo Conselho de Administração do Banco Mundial”, referiu Archer Mangueira.
O apoio de Angola para projectos no domínio da agricultura, condições sociais, água e energia foi solicitado em Março deste ano e em Maio uma delegação dos directores executivos do Banco Mundial deslocou-se a Angola para analisar as reformas levadas a cabo pelo Governo.
Na altura, o director executivo do BM, Fábio Kantczuk, manifestou-se muito impressionado com a política económica que o país está a seguir, no final de uma audiência com o Presidente de Angola, João Lourenço.
As “facilidades de financiamento são diferentes das das outras instituições financeiras comerciais”, salientou Archer Mangueira, à saída daquele encontro, frisando as taxas de juro mais competitivas e períodos de maturidade mais longos do que os praticados pela banca comercial.
Além de Angola, Abdoulaye Seck representa o Banco Mundial nos Camarões, Gabão, Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe.

CAN 2019: Nigéria arrecadou 3° lugar.

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Odion Ighalo, avançado da Nigéria, apontou o seu quinto golo na prova frente à Tunísia
RFI/Pierre René-Worms

Pela oitava vez na sua história, a Nigéria acabou por arrecadar o 3° lugar no Campeonato Africano das Nações de futebol, e pela 15ª vez em 15 participações nas meias-finais conquistou um lugar no pódio.
Os “Super Eagles” nunca falham quando está em disputa um lugar no pódio da maior competição africana de futebol.
O jogo começou da melhor maneira, e até foi resolvido rapidamente. Aos 3 minutos de jogo, numa das primeiras ofensivas nigerianas, o avançado Odion Ighalo abriu o marcador, ele que apontou o seu quinto tento na prova, sendo por enquanto o melhor marcador do CAN 2019.
Depois do golo, pouco ou nada a dizer. Um jogo lento, pobre tecnicamente, com muitas falhas técnicas e perdas de bola. As razões podem ser múltiplas: o cansaço de uma competição que começou há quase um mês, as altas temperaturas que regressaram ao Egipto com 43°C, ou ainda a falta de motivação para lutar por um terceiro lugar e não pelo título continental.
Os nigerianos acabaram por gerir a segunda parte e arrecadar a medalha de bronze, desejo do treinador franco-alemão da Nigéria, Gernot Rohr, que afirmou que "regressar com um triunfo ao país" apesar de ser o terceiro lugar, "é melhor que regressar com uma derrota na final".
A Nigéria termina no 3° lugar, enquanto as "Águias de Cartago" ficam com a 4ª posição neste torneio cuja final decorre a 19 de Julho entre a Argélia e o Senegal no Estádio Internacional do Cairo, na capital egípcia.
fonte: RFI

Candidatura de Carlos Gomes Júnior à Presidência da Guiné-Bissau pode causar cisões no PAIGC.

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Com o anúncio da candidatura independente de Carlos Gomes Júnior às presidenciais na Guiné-Bissau, está aberto o debate sobre uma eventual rutura no seio do PAIGC.

fonte: DW África
Carlos Gomes Júnior (DW/I. Danso)

As ruturas têm sido recorrentes no Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) sempre que o assunto são as eleições presidenciais. Quando o partido escolhe um candidato, nem todos os militantes estão de acordo e, em diversas ocasiões, em detrimento do candidato indicado oficialmente, alguns preferem apoiar candidaturas independentes, como aconteceu em 2005, 2009, 2012 e em 2014.
Daí que já se discuta na Guiné-Bissau se a candidatura independente de Carlos Gomes Júnior, que liderou o PAIGC durante 12 anos (2002-2014), pode vir a causar alguma rutura no partido, cuja direção muitas vezes decide sancionar os militantes que desrespeitam a disciplina partidária.
"É uma possibilidade que não se pode descartar", diz o analista político Rui Semedo. "Carlos Gomes Júnior é uma figura que não só goza de popularidade a nível nacional, mas também a nível do próprio partido. Tudo vai depender do trabalho interno e do nível da fidelidade e da coesão interna do partido. Se isso vier a acontecer eu acho que também pode desgastar e muito as estratégias do partido", considera.
Rumo à estabilidade nacional?
 
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Cisões no PAIGC com candidatura de Gomes Júnior?

A outra questão que se coloca é se, com uma eventual vitória eleitoral, Carlos Gomes Júnior, enquanto Presidente da República, será capaz de garantir a estabilidade almejada pelos guineenses. Rui Jorge Semedo tem algumas dúvidas, lembrando que "enquanto primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior não conseguiu fazer esse trabalho".
"Não sei se enquanto Presidente da República, realmente vai conseguir, tendo em conta uma relação de cumplicidade e de alguns atos, de conflitos com algumas lideranças militares. Isso pode ser um elemento fundamental, caso ele venha a ganhar as eleições", admite o analista.
Nas ruas de Bissau, muitos guineenses preveem mais divisões no seio do PAIGC, com a candidatura independente de Carlos Gomes Júnior.
"Eu acho que pode criar uma outra rutura em termos dos próprios militantes do partido que vão dispersar-se", afirma um estudante na capital guineense. Uma outra cidadã ouvida pela DW África considera, por sua vez, que Carlos Gomes Júnior "tem todas as condições para ganhar as eleições presidenciais, porque não lhe falta nada. A formação política tem suficiente, a postura e a conduta de um Presidente não lhe faltam".
Por outro lado, outro residente em Bissau fez questão de recordar um passado recente, desaconselhando a candidatura: "Ele é livre de se candidatar, mas recordando a situação que o fez sair da Guiné, acho que devia ponderar mais a questão da sua candidatura".
Recorde-se, que nas presidenciais de 2012, Carlos Gomes Júnior foi afastado, através de um golpe de Estado militar, quando se preparava para disputar a segunda volta do pleito, contra Kumba Ialá, entretanto já falecido.
Aguarda-se com muita expetativa a posição que será assumida pelo PAIGC, partido em que Carlos Gomes Júnior ainda é militante.

Guiné-Bissau: PM acusado de nomear familiares sem qualificações.

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Movimento de Cidadãos diz que seria sensato se o primeiro-ministro reduzisse de 21 para 5 o número de conselheiros e assessores nomeados. Assessor de Aristides Gomes afirma que a questão está politizada.

fonte: DW África
Guinea-Bissau und der Premier Minister (DW/B. Darame)

A sociedade civil exige ao primeiro-ministro da Guiné-Bissau para revogar o seu despacho e reduzir de 21 para cinco o número de conselheiros especiais e assessores, reiterou nesta quarta-feira, dia 17, o Movimento dos Cidadãos Conscientes e Inconformados (MCCI), que já enviou ao chefe do Governo uma carta aberta.
À DW África, Sana Canté, presidente do movimento que tem promovido marchas contra o regime do atual Presidente guineense, considera a iniciativa do chefe do Executivo guineense de "clientelismo e nepotismo".
"Viemos não só reiterar a revogação do despacho, mas também fizemos a proposta para reduzir ao invés de 21 colaboradores, contando com a nomeação do presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, como conselheiro especial, para cinco. Isto seria razoável e ético. Se quiser um conselho jurídico que vá pedir aos técnicos do Ministério da Justiça. Já temos um Governo com 30 membros, não justifica nomear mais 21 conselheiros”, declarou o jovem advogado.
"Aproveitamento político das nomeações”
Guinea-Bissau Protest gegen Präsident Jose Mario Vaz in Bissau
MCCI durante marchas em Bissau
Em reação às inúmeras criticas, tanto da sociedade civil como dos partidos da oposição, o assessor de comunicação social do primeiro-ministro, Muniro Conté, afirma que há uma deliberada intenção de politizar e diabolizar essa questão das nomeações.
"Para já não existe nenhuma norma que fixe o número de conselheiros que um titular de órgão de soberania deve ter. Há antecessores que tiveram mais conselheiros do que o atual primeiro-ministro”, disse o jornalista que já foi diretor da Rádio Nacional do país.
Conté adiantou em entrevista à DW África que as figuras indicadas são competentes e com muita experiência.
"O primeiro-ministro fez questão de nomear apenas pessoas com experiência e carreira. Repare que há antigos primeiros-ministros, ex-governantes, que embora tenham pendor da tecnicidade, mas tenham um passado onde provaram ter conhecimentos para as aéreas pelos quais foram nomeados”.
Refira-se que o primeiro-ministro, Aristides Gomes disse, na segunda-feira (15.07), que as nomeações de colaboradores para o seu gabinete não irão ficar pelas pessoas nomeadas e que a maioria não trará mais encargos ao Estado, por serem, disse, funcionários públicos já vinculados ao funcionalismo.
"PM nomeou familiares sem qualificações”
Westafrika: Guiné-Bissau: Wahlen
Palácio do Governo da Guiné-Bissau
Para o líder juvenil Sana Canté, Aristides Gomes está a agir como os seus antecessores que na altura lideravam Governos inconstitucionais, nomeados pelo Presidente guineense, José Mário Vaz. Canté deu exemplo do Executivo chefiado por Umaro Sissoco, que tinha um número mais elevado de conselheiros e assessores, mas que na realidade era uma equipa nomeada à margem da Constituição.
Sana Cante diz que o mais grave é que  Aristides Gomes nomeou familiares, muitos deles sem qualificações e sem experiência profissional, para além de um exagero no número de conselheiros especiais. Facto que considera de um Governo em paralelo ao atual.
"Quando [Aristides Gomes] diz que nomeia os conselheiros especiais, não só cai na redundância, em repetir os cargos, ou seja, nomeia o conselheiro para área da comunicação social e assessores para a mesma área da comunicação, facto que se repetiu três vezes. Esses conselheiros, além de serem os seus familiares, não têm qualificações: vendo o despacho, nota-se claramente que estamos perante um conselheiro para assuntos especiais que é um engenheiro, num lugar que não é da sua área de formação, nós vemos ainda outros conselheiros que nem sequer têm formação superior, ou seja, são simplesmente chamados de senhores, e nós vemos ainda outros conselheiros que vêm mencionados sem qualquer título”.
Sobre as justificações dadas pelo chefe do Governo, o Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados entende que o facto de não constar do despacho que os colaboradores do primeiro-ministro não terão remunerações do Estado, significa que Aristides Gomes está a faltar a verdade.
 
Ouvir o áudio03:25

Guiné-Bissau: PM acusado de nomear familiares sem qualificações

"Ele veio justificar que vários dos nomeados já recebem salário no Estado, pelo que não vai acarretar mais encargos financeiros. Por que é  que  essa medida não vem expressa no despacho? Quando não vem no despacho o primeiro-ministro está a mentir e a insultar a inteligência do povo. Então que revogue  e deixe claro essa posição no novo despacho que vai produzir, aproveitando para eliminar as suas incongruências”. 
"Nomeados não terão novo vencimento”
Muniro Conté, por seu lado, explica que a maioria das figuras nomeadas já recebia salários do Estado e não terá uma remuneração adicional da mesma fonte de rendimento.
"Em relação a essas pessoas, os ex-ministros e governantes nomeados, beneficiam da subvenção vitalícia. Ou seja, já recebem salários do Estado e só vêm como conselheiros para dar um valor acrescentado ao Gabinete porque os desafios são enormes e há muitos projetos em carteira, no âmbito do programa de governação”, disse Conté uma das figuras nomeadas pelo primeiro-ministro da Guiné-Bissau.
De acordo ainda com o responsável da imprensa do gabinete do primeiro-ministro há uma verba de incentivo aos nomeados que está a ser negociada com os parceiros de desenvolvimento da Guiné-Bissau e que não será suportada pelo erário publico guineense.
Nesta terça-feira (17.07), o Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15), líder da oposição guineense, as nomeações feitas pelo primeiro-ministro são "irracionais, abusivas e provocatórias" por ocorrerem numa altura em que o Governo "não consegue pagar os salários atempadamente" aos funcionários públicos, diz em comunicado. O Madem considera ainda as nomeações de "esbanjamento do erário" por parte do primeiro-ministro o que é visto por aquele partido como prova de que o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), vencedor das últimas eleições legislativas, é incapaz de promover as reformas que o país precisa.
 
Assistir ao vídeo01:27

"Famílias guineenses sobrevivem graças aos emigrantes"

ANGOLA: GOVERNO FAZ AS DÍVIDAS E A FACTURA É PAGA PELO POVO!

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A Administração Geral Tributária (AGT) angolana pediu hoje a intervenção do Ministério das Relações e Exteriores para esclarecer os pressupostos das convenções e tratados ratificados por Angola, sobretudo, em relação às “organizações estrangeiras” que operam no país.

Segundo Denise Ceita, técnica da direcção dos Serviços Aduaneiros da AGT, organizações internacionais, organizações não-governamentais que operam em Angola que defendem a “aplicação imediata” de intenções plasmadas em tratados internacionais, situação que cria “alguns constrangimentos” à instituição.
“Ao longo dos nossos serviços temos encontrado alguns constrangimentos, que carecem da intervenção do Ministério das Relações Exteriores ou dos órgãos do Protocolo do Estado, no que diz respeito aos tratados, convenções que o Estado angolano ratifica”, disse hoje, em Luanda.
“Temos reparado que alguns contratos são celebrados e, pensamos todos que, automaticamente, entram em vigor e o Estado angolano tem de os implementar, mas há pressupostos e passos a seguir, existe um trabalho interno que deve ser feito para a entrada em vigor desses documentos”, disse.
Falando durante o 1.º Workshop sobre os Regimes e Procedimentos Aduaneiros e Medidas de Facilitação do Comércio, referiu que os tratados ou convenções internacionais ratificadas por Angola “devem estar conformadas com às normas o país”.
No encontro, promovido pela administração tributária angolana, Denise Ceita falou sobre Benefícios Fiscais Aduaneiros.
Em declarações à Lusa, deu conta que missões diplomáticas acreditadas no país continuam a submeter, à AGT, ofícios para solicitação de isenções para importação de mercadorias, referindo ser uma “medida desnecessária”.
“Existe a Convenção de Viena sobre as missões diplomáticas e outras ratificadas por Angola, são leis e já com resoluções da Assembleia Nacional, e não há necessidade de escrever à AGT para solicitar isenções para um diplomata que se está a instalar no nosso país”, realçou.
“É uma isenção automática, baste que contrate o seu despachante para tramitar o processo, mas ainda ocorre com grande frequência recebermos ofício para a solicitar isenções para tirar mercadoria o que não há necessidade para isso”, adiantou.
A responsável referiu também que as referidas isenções estão salvaguardadas na Pauta Aduaneira versão 2017, observando que a longa permanência de mercadorias no terminal de cargas “é bastante dispendioso”.
Mais de 50 anos depois do histórico processo de descolonização, da consolidação das (in)dependências nacionais, soberania e alguma integridade territorial dos antigos países colonizados, persistem tentações nalgumas partes do mundo para o retrocesso.
Algumas ex-potências coloniais, numerosos sectores e individualidades no seio das mesmas actuam como se nada tenha mudado. Volta e meia, confrontamo-nos com tendências para determinados círculos opinarem o que Estados supostamente soberanos devem ou não deixar de fazer, inclusive ao nível do seu ordenamento jurídico e político interno, quando o têm e violam sistematicamente.
Vivemos, hoje, de forma velada ou aberta, sequelas perigosas da herança pós-colonial, traduzidas na forma condenável como determinados Estados ou entidades nacionais tentam ser os novos colonizadores e se acham no direito de violar normais internacionais que assinaram mas que, deliberadamente, não cumprem.
É inaceitável que, contrariando disposições legais constantes de Tratados e Convenções internacionais que enaltecem o princípio da igualdade soberana dos Estados, algumas entidades nacionais se arroguem no direito de mandar todos esses tratados e convenções para as calendas.
É elementar a ideia de que a nível internacional não existem Estados “super soberanos” ou entidades com moralidade suficiente para extrapolar os limites do aceitável em matéria de relações de Estado a Estado. E isso ainda não foi compreendido pelos países descolonizados.
Embora a evolução do Direito Internacional permita maior interacção entre os Estados e com as Organizações Internacionais, a que livremente passam a vincular-se, a Carta da ONU e demais instrumentos jurídicos internacionais são claros no que à soberania diz respeito. Desde que essa soberania não se transforme em Estado esclavagista.
Não é tolerável que Estado algum dite regras aos outros Estados, numa altura em que, independentemente dos frutos da globalização, a independência e soberania dos Estados continua a ser sagrada. Angola é um Estado (in)dependente e supostamente soberano há quase 44 anos e que, ao lado de outros Estados com os seus problemas e desafios, pretende ser tratado – embora nada faça nesse sentido – com a mesma deferência decorrente do Direito Internacional.
Além da tendência e visão complexada que leva as entidades e individualidades nacionais a pôr em causa determinados Governos e instituições internacionais, é recorrente o tratamento de superioridade moral e ética que, sem o merecer, o Governo do MPLA reivindica para si.
Parece persistir a miopia política que impede que os políticos do regime angolano (o mesmo desde 1975) tomem consciência de que as leis modernas e inseridas no concerto das nações, com regras e procedimentos universalmente aceites, só são válidas se forem de facto cumpridas.
Não há em todo o mundo processos democráticos acabados, modelos de respeito pelos Direitos Humanos paradigmático para todos, muito menos “super Estados” cujas lições devem ser impostas a outros. Pese embora o facto de o regime angolano querer assumir-se como o paradigma dos paradigmas. Todos os Estados do mundo conheceram fases de evolução dos seus processos internos de amadurecimento das instituições, à medida que fortaleceram os ordenamentos jurídicos internos e aderiram aos Tratados e Convenções internacionais.
A realidade de cada Estado deve ser respeitada à luz das leis internas e das normas internacionais porque, independentemente das diferenças, no essencial todos os Estados deviam pautar a sua actuação pelas mesmas regras elementares. O processo de suposta democratização de Angola tem levado ao exercício – quase exclusivamente teórico e académico – que consagra direitos e deveres para todos, razão pela qual é injustificável a ideia segundo a qual o regime está (e está mesmo) acima das leis.
O Estado angolano não é regido por leis e as suas autoridades reafirmam apenas o compromisso de continuar a respeitar todos os Tratados e Convenções internacionais a que livremente aderiu… exclusivamente no que for do interesse do regime.
Acreditamos que a posição assumida pelo Executivo, por via do Ministério das Relações Exteriores, constituiria um direito que caberia inteiramente ao Estado angolano e reflectiria sobretudo a necessidade da preservação de um princípio básico ao nível do Direito Internacional, que se fundamentaria na não ingerência nos assuntos internos dos Estados, se acaso o Estado angolano fosse o que não é: um Estado de Direito.
A legítima e justificável cruzada contra o Estado angolano e as suas instituições acabarão por vingar mesmo considerando que o regime advoga a razão da força para derrotar a força da razão.
As instituições angolanas actuam em conformidade com as suas leis que não estão na lei, e também das normas do Direito Internacional que mais lhes convêm, mantendo a sua regra de ouro: o MPLA é Angola, Angola é o MPLA.
fonte: folha8

ANGOLA: A LIÇÃO DO SAMUEL.

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O relatório de actividades do Grupo de Trabalho para Avaliação do Impacto da Aplicação do Acordo Ortográfico vai ser hoje apreciado na Comissão de Cultura, da Assembleia da República de Portugal, país onde foi aprovado há 10 anos e implementado com carácter obrigatório há quatro.

Por Orlando Castro
Em Angola o MPLA criou e adoptou a sua própria ortografia, com a ajuda dos seus amigos cubanos. E assim temos “sexta básica” e não “cesta básica”, “marimbondo na cumeia” e não na “colmeia”, “Repúbica”, “Silvicltura”, “Ectroténica”, “edífico”, “Ogânicas”, “orgãos”, “Senando”…
Esta realidade, no que a Angola concerne, leva-me a recontar agora uma história verídica que, aliás, o Folha 8 já publicou em 7 de Maio de 2016. Isto porque, sobretudo mas não só, os nossos jovens de hoje escrevem português com os pés… e nem se descalçam.
Já lá vão 45 anos. No então Liceu Norton de Matos, em Nova Lisboa (Huambo), o professor José Fernandes Duarte (que os alunos conheciam mais por “Pele Vermelha” ou “Pelinha”) dava uma daquelas aulas de português que algumas vezes (não eram tantas como isso, desculpem lá!) eram chatas como o Diabo.
A talhe de foice, desse tempo também recordo com gosto e eterna saudade, as professoras Dorinda e Dárida Agualusa.
– Samuel, não te importas de ler em voz alta a tua dissertação?, disse o “Pelinha” com aquele ar doutoral que, contudo, deixava transparecer uma ponta de humor, coisa rara (muita rara) durante as aulas.
A turma ficou em silêncio. Sempre que o Samuel falava, até mesmo fora das aulas, a malta prestava atenção redobrada. Há muito que ele nos habituara às suas avançadas teses sobre quase tudo.
O Samuel, já na altura com uma estatura física – tal como a intelectual – muito acima da média, levanta-se, afina a voz e aí vai disto. O silêncio tomou conta da aula. Todos estavam de olhos postos no Samuel. Muitos de nós até esquecemos o tempo que faltava para o intervalo.
E o Samuel lá esteve mais de meia hora a ler o trabalho que tinha feito. O “Pelinha” alternava um tímido sorriso com a máscara professoral que habitualmente usava. Nós, os colegas, também estávamos atentos. Não pasmados porque, verdade seja dita, do Samuel (ou “Sam”, como carinhosamente o tratávamos) não esperávamos outra coisa.
Finda a leitura, o “Pelinha” disse:
– Samuel, não te importas agora de resumidamente “traduzir “ tudo isso para português?
Foi a gargalhada geral, incluindo o “Sam”.
Tudo porque, mais uma vez, o Samuel nos tinha dado uma lição de… português. De exímio português, tanto falado como escrito. De facto, ele era um dos melhores, talvez o melhor, aluno daquela disciplina. E de tal modo o era que quando queria – como foi o caso – a sua linguagem erudita nos deixava de cara à banda.
Acontece que, pouco tempo depois, Angola entrou em guerra. Fomos uns para cada lado. Meses depois, vi pela última vez o Samuel. Estava fardado (creio que era Capitão das FALA) e de metralhadora na mão.
Mais tarde, anos talvez, disseram-me que o “Sam” tinha morrido em combate.
Porque carga de chuva transformaram o “Sam” num militar?
Porque carga de chuva Angola teve de perder um dos seus mais válidos filhos?
Porque carga de chuva mataram o Samuel Pedro Chivukuvuku?
fonte: folha8

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