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quinta-feira, 7 de novembro de 2019

ANGOLA: Chefe de Estado condecora figuras da sociedade civil

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Fonseca Bengui e João Dias
Figuras como Rafael Marques de Morais, Sousa Jamba, Carlos Cunha, Domingos Vunge e Eduardo Paim estão entre as 85 personalidades de diversos sectores condecoradas hoje pelo Presidente da República, João Lourenço, no quadro das celebrações da Independência Nacional, que se assinala a 11 de Novembro.
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro


A cerimónia de outorga, cheia de simbolismo, decorreu no Salão Nobre do Palácio Presidencial, testemunhada pelo Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, ministros de Estado, ministros e altas patentes das Forças Armadas e da Polícia Nacional.
Após a leitura das ordens de condecoração, pelo ministro e secretário-geral do Presidente da República, Félix de Jesus Cala, o Chefe de Estado foi colocando as medalhas e entregando os respectivos aos condecorados, a começar pelos nacionalistas Augusto Lote (a título póstumo) e a Noé da Silva Saúde, este último preso político mais jovem do campo de concentração do Tarrafal (Cabo Verde), onde permaneceu 11 anos.
Seguiram-se as figuras condecoradas com a Ordem de Mérito Civil, outorgada pelos feitos e actos notáveis e merecedores do reconhecimento especial da sociedade angolana e das suas instituições e Medalha de Bravura e do Mérito Cívico, outorgada pelos actos de bravura e comportamento exemplar reconhecidos pela sociedade angolana.
Figuras destacadas
Ao discursar na cerimónia, o Presidente da República começou por lembrar que a condecoração, que se tornou hábito, nos últimos anos, por ocasião das comemorações do 11 de Novembro, Dia da Independência Nacional, é outorgada a cidadãos nacionais e estrangeiros, que ao longo das suas vidas se destacaram dos demais em algum domínio relevante da vida nacional, contribuindo para o engrandecimento do país.
Referiu que o país está a mudar para melhor em muitos domínios fundamentais, como no aspecto da defesa e respeito aos direitos fundamentais, combate ao nepotismo, à impunidade e à luta contra a corrupção.
A propósito do combate à corrupção, o Chefe de Estado reconheceu que a garantia da vitória nesse combate reside na unidade de acção entre as diferentes forças vivas da Nação. "Nenhuma instituição é suficientemente forte para, sozinha, vencer esta batalha, nem o Executivo, nem os órgãos de investigação criminal, nem o Ministério Público, nem os órgãos da Justiça, se não tiverem o concurso da sociedade civil", sublinhou.
"Exorto-vos a juntarmos forças, porque somos poucos na luta contra a corrupção", disse, dirigindo-se aos condecorados.
Reconhecimento
a Rafael Marques
O Chefe de Estado destacou a figura do activista cívico Rafael Marques, pelo seu contributo na luta contra a corrupção. Sem mencionar o nome do activista, que já ganhou vários prémios a nível internacional pelo seu trabalho de denúncia de actos de corrupção e violação dos direitos humanos, João Lourenço disse que "este ano, decidimos reconhecer os feitos de alguém que, desde muito cedo, teve a coragem de se bater contra a corrupção crescente que acabou por se enraizar na nossa sociedade".
O Presidente da República reconheceu que a corrupção se tornou crescente "porque a super-estrutura dava um mau exemplo e, por isso, não tinha moral para combater o monstro que ela própria criou e do qual se alimentava".
"Trata-se de um activista cívico que, muito cedo, abraçou a bandeira da luta contra o saque desenfreado do erário público, contra o nepotismo e a corrupção", salientou, acrescentando que o reconhecimento teria leituras e reacções díspares, "a julgar pelos estereótipos criados ao longo do tempo, quando a corrupção era encarada como algo normal em função de quem a praticava".
"Conforta-nos saber que encontrará da grande maioria da opinião pública nacional e internacional a maior e melhor aceitação pela justiça dos princípios que nortearam tal decisão", realçou o Presidente da República, que felicitou os condecorados pelo reconhecimento do Estado angolano.

Frente da produção
Ao reconhecer que durante os anos de conflito armado, as condecorações recaíam, sobretudo, a favor dos políticos e militares que se distinguiam nas frentes de batalha, João Lourenço sublinhou a nova conjuntura que o país vive, marcada por novas frentes, visando o aumento da produção e o desenvolvimento económico e social do país.
Razão pela qual decidiu-se homenagear, além dos feitos realizados nos domínios da cultura e da arte, nos desportos e da ciência, também um grupo de cidadãos que, cada um à sua dimensão, faz a diferença e constitui um exemplo a seguir para aqueles que decidiram enveredar para o empreendedorismo e para o mundo dos negócios e contribuem no aumento da produção nacional de bens e serviços e aumento da oferta de postos de trabalho.
"A frente de luta hoje é a frente de produção, da economia, a frente do desenvolvimento económico e social. São os que se destacam nesta nova frente de luta, na iniciativa privada, criando micro, pequenas e médias empresas que devemos acarinhar, apoiar, promover e enaltecer", sublinhou.
João Lourenço considerou "bravos" os que, ao invés de se lamentarem das dificuldades existentes, fazem delas a oportunidade para vencer na vida. "Arregaçam as mangas e vão à luta pelo pão para as suas famílias, sem dependerem necessariamente de um patrão", realçou.
fonte: jornaldeangola

Presidente Sall planeja fazer de 2020 o ano da segurança rodoviária

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O chefe de Estado Macky Sall quer fazer de 2020, "o ano da segurança rodoviária" e defende um "fortalecimento operacional da Diretoria de Proteção Civil", em relação ao "imperativo de desenvolver e implementar Estratégia Nacional de Proteção Civil (NCPS) ", disseram fontes oficiais. Macky Sall, abordando quarta-feira a questão da segurança no trânsito na reunião do Conselho de Ministros ", afirmou seu desejo de fazer de 2020, o ano de segurança no trânsito que encerrará a Década de Ação para a Segurança no Trânsito de 2011. -2020 decretado pela ONU ", relata o comunicado do Conselho de Ministros.

Ele lembrou que "no domingo, 17 de novembro de 2019, será relembrarado o Dia Mundial da Lembrança das Vítimas do Trânsito, em conformidade com a resolução A / RES / 60/5, votada em 1º de dezembro de 2005 pela Assembléia Geral das Nações Unidas". . O Presidente Sall "informou que ocasionalmente entregará uma mensagem à comunidade nacional e internacional, enquanto se aguarda a realização de um Conselho Presidencial sobre o assunto", acrescentou a fonte.

 Ela ressalta que o Presidente da República também "reafirmou a importância que ele atribui à proteção civil traduzida pelos importantes meios logísticos que ele acabou de fornecer à Brigada Nacional de Incêndio (BNSP) para fortalecer nossas capacidades de intervenção em caso de acidentes, catastróficos ".

"Nesse sentido, o comunicado do Conselho de Ministros continua... ressaltou o imperativo de desenvolver e implementar uma Estratégia Nacional de Proteção Civil (NCPS), baseada em um diagnóstico abrangente e prospectivo dos arranjos institucionais da prevenção e coordenação das intervenções existentes ". "A este respeito, lê-se novamente, ele indicou a necessidade de um fortalecimento operacional da Diretoria de Proteção Civil". BK


fonte: seneweb.com 

Acompanhamento operacional: Marrocos quer copiar Senegal

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O modelo senegalês de acompanhamento operacional atraiu, durante uma reunião organizada em Marrocos pelo gabinete do chefe do governo do Reino de Marrocos, em parceria com o escritório operacional de monitoramento do Plano Senegal Emergente, na qualidade de presidente da Rede de Entrega de Unidades africanas.

Reunião que registrou a participação de diversos parceiros, como o Bad, o Ocde, o Gabinete do Primeiro Ministro do Governo Finlandês, as Unidades de Entrega da Tunísia, Nigéria, Marrocos, entre outros.

A apresentação do mecanismo de acompanhamento da Unidade de Entrega Senegalesa seduziu os especialistas marroquinos e internacionais nesta reunião de alto nível.

Questionado sobre as razões do sucesso do Bos du Pse, que agora é um modelo na África, é por isso que atualmente mantém a Rede Africana de Unidades de Entrega com o apoio do Bad, diretor geral da Bos, Sr. El Ousseyni Kane, lembrou a ancoragem institucional no nível da presidência da República.

Isso permite, segundo ele, "tomada rápida de decisões e arbitragens estratégicas eficazes". O Bos presta "assistência eficiente aos ministérios setoriais na estruturação de projetos e reformas complexas para permitir seu rápido amadurecimento, a fim de mobilizar o financiamento necessário e acompanhar as questões operacionais e resolver problemas que se sobrepõem entre vários ministérios".


fonte: seneweb.com 

Ministro do Governo de Faustino Imbali apresenta demissão

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Na Guiné-Bissau, menos de 24 horas depois da CEDEAO ter dado um prazo de dois dias para os ministros do Governo de Faustino Imbali, empossado na semana passada pelo Presidente José Mário Vaz, apresentarem as suas demissões para evitarem sanções pessoais, o ministro dos Recursos Naturais e Energia, Certório Biote, apresentou a sua carta de demissão nesta quinta-feira, 7, por razões de saúde.
Por agora não há indicações de mais demissões, um dia antes da cimeira da CEDEAO convocada para analisar a siatuação da Guiné-Bissau amanhã no Níger.
Na cimeira, a Guiné-Bissau será representada pela chefe da diplomacia do Governo de Aristides Gomes, Suzi Barbosa, que já se encontra em Niamey.
A reunião foi convocada depois da demissão do Governo de Aristides Gomes pelo Presidente, José Mário Vaz, a 28 de Outubro.
O ultimato da CEDEAO foi feito na quarta-feira, 7, pelo representante da organização, em Bissau, Blaise Diplo, para quem tais sanções podem ser activadas na cimeira do Níger.
Refira-se, no entanto, que a CEDEAO nunca reconheceu o Governo e Faustino Imbali, nomeado por José Mário Vaz que considerou a sua decisão de "irreversível".
Decisão decorre de ultimato da CEDEAO
 
fonte: VOA

Presidente angolano condecora Rafael Marques pela luta contra a corrupção

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O Presidente angolano João Lourenço condecorou nesta quinta-feira, 7, mais de 70 personalidades e instituições que se destacaram nos ramos das artes, cultura, ciência, empreendedorismo, desporto e activismo social.
No seu discurso, Lourenço destacou a figura do jornalista e activista Rafael Marques como “alguém que desde muito cedo teve a coragem de se bater contra a corrupção crescente que acabou por se enraizar na nossa sociedade”.
Rafael Marques, que se manifestou agradecido pala distinção presidencial, assegurou que vai continuar a dar o seu melhor na luta contra a corrupção: “Continuaremos com este estímulo presidencial a ser mais acutilantes e a fazer melhor o nosso trabalho”.
Lourenço reconheceu, no entanto, que “este reconhecimento tem leituras e reacções díspares a julgar pelos estereótipos criados ao longo do tempo quando a corrupção era encarada como algo normal em função de quem a praticava”.
Entretanto, ele disse sentir-se confortado ao “saber que encontrará da grande maioria da opinião pública nacional e internacional muita e melhor aceitação”.
Outra personalidade distinguida foi o jornalista e escritor Sousa Jamba, uma figura ligada à UNITA e que se manifestou “surpreso com a condecoração”.
O músico Eduardo Paim também fez parte da distinção presidencial, feita para assinalar mais um aniversário da Independência de Angola.

Rafael Marques, jornalista e activista
 
Entre outros condecorados estão a bióloga Adjany Costa, que recentemente venceu o prémio da ONU Jovens Campeões da Terra, os vencedores das medalhas de ouro de vela em África, a campeã africana de xadrez, Luzia Pires, os empresários Víctor Alves e Carlos Cunha e as cantoras Clara Monteiro e Lourdes Van-Dúnem, esta última a título póstumo).
Esta é a segunda vez que João Lourenço condecora distintas personalidades, entre civis e militares, a título póstumo e em vida, num gesto descrito como sendo de reconhecimento pelo seu contributo na conquista e preservação da independência nacional e da paz e democracia.

fonte: VOA
 

Paul Biya comemora 37 anos no poder nos Camarões

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Nas ruas, camaroneses questionam o estado de saúde e a capacidade do Presidente de idade avançada governar o país. Paul Biya, de 86 anos, delega cada vez mais tarefas ao secretário-geral da presidência.

fonte: DW Africa
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O Presidente dos Camarões, Paul Biya, comemorou esta quarta-feira (06.11) 37 anos no poder. A ocasião foi marcada por comícios políticos em várias cidades do país. Paul Biya, de 86 anos, cumpre um mandato de sete anos, que só termina em 2025.
O professor camaronês Ngwa Collins, de 30 anos, conheceu apenas um Presidente em toda a sua vida. "Este ano, o Presidente devia viajar para a China e para a Rússia, mas não foi. Viajou para Genebra em busca de assistência médica, o que significa que ele está cansado e a sua saúde não deve permitir que ele continue", diz.
Ouvir o áudio 03:14

Paul Biya comemora 37 anos no poder nos Camarões

As especulações são de que, atualmente, quem de facto governa os Camarões é o secretário-geral da Presidência, Ferdinand Ngo Ngo.
"As decisões vindas da presidência são agora assinadas por Ferdinand Ngo Ngo, o que significa que é ele quem governa o país", afirma o comerciante Epie Hans.
Ferdinand Ngo Ngo acumula o cargo de ministro de Estado e de secretário-geral na presidência. "Significa que há algo está em andamento", considera o comerciante.
Um secretário-geral com muitos poderes
Diz-se que Ferdinand Ngo Ngo é parente da primeira-dama dos Camarões, Chantal Biya. Acredita-se também que o secretário-geral da Presidência terá mais poder do que qualquer outro ministro e que responde somente a Paul Biya.
O professor Ngole Ngole Elvis, um dos colaboradores de Biya e antigo ministro, reage às notícias de que Biya está a permitir que Ngo Ngo faça boa parte do seu trabalho. "O secretário-geral é um dos colaboradores mais próximos de Biya. É ministro de Estado. Não há nenhum líder no mundo, especialmente um líder republicano democrático, cujo estilo de liderança não envolva a delegação de poderes e de tarefas", responde.
Em 2008, o chefe de Estado dos dos Camarões eliminou o limite de mandatos da Constituição, o que lhe permite permanecer no poder indefinidamente.
Paul Biya é o segundo Presidente há mais tempo no poder em África, depois de Teodoro Obiang, que governa a Guiné Equatorial desde 1979.

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O Muro de Berlim também caiu em África

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Guerras civis, movimentos de libertação e amizade entre as nações: O fim da Guerra Fria também mudou África. Mas o impacto mais imediato foi sentido pelos moçambicanos, angolanos e outros africanos que viviam na RDA.

fonte: DW Africa
 (picture-alliance/ZB/B. Pedersen)
"Para todos os países parceiros da RDA, a queda do Muro de Berlim teve consequências imensas, especialmente para Estados africanos como Moçambique, Angola e Etiópia", diz Markus Meckel, o último ministro dos Negócios Estrangeiros da extinta República Democrática da Alemanha (RDA), pouco antes da reunificação em 1990.
A RDA tinha estabelecido relações especiais com vários países africanos como a Etiópia, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau ou Tanzânia, mas também com movimentos de libertação como a SWAPO, na Namíbia, ou o ANC, na África do Sul. A RDA apoiou estes países e organizações na "construção do socialismo" com acordos comerciais preferenciais, programas de formação e ajuda ao armamento. "Tudo isto acabou muito depressa depois da queda do Muro de Berlim", recorda Meckel.
Nos poucos meses em que cumpriu as funções de chefe da diplomacia da RDA, não lhe sobrou muito tempo para as relações com os "países irmãos socialistas" em África, admite Meckel. "Eu tentei lidar com o tema África, mas as prioridades naqueles tempos conturbados eram outras. A RDA deixou subitamente de ser um parceiro para muitos Estados e organizações em África. Os países tiveram de se reorientar de um dia para o outro", disse Meckel à DW.
Markus Meckel beim Forum 2000 in Prag Markus Meckel, último ministro dos Negócios Estrangeiros da RDA, tentou, em vão, chamar a atenção para África
"Não sabíamos o que estava a acontecer"
Os cerca de 20.000 estudantes e trabalhadores contratados de Moçambique, Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Etiópia, que viviam na RDA no final dos anos 80 também foram diretamente afetados pelas mudanças. O moçambicano Adelino Massuvira João tinha 28 anos e trabalhava numa fábrica em Suhl, na Turíngia, no âmbito de um tratado de amizade internacional.
"Após a queda do Muro de Berlim, os nossos contratos de trabalho foram rescindidos e ficámos desempregados. A maioria de nós teve que voltar para Moçambique", recorda Massuvira em entrevista à DW. A queda do Muro de Berlim atingiu os africanos na RDA completamente despreparados e deixou-os desamparados.
A Alemanha e os alemães estavam ocupados com os seus próprios problemas. Moçambique vivia uma guerra civil entre o Governo da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e os rebeldes anticomunistas da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO). "Deixaram-nos em apuros", diz Massuvira.
O discurso oficial da amizade internacional nunca passou de teoria. A RDA estava interessada principalmente em exportar a ideologia comunista, confirma o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Meckel: "Foram transferidas e apoiadas estruturas ideológicas e de repressão". No contexto do conflito Leste-Oeste, tratava-se, sobretudo, de encaminhar o maior número possível de Estados africanos para o socialismo, sem olhar a meios.
Ouvir o áudio 03:12

O Muro de Berlim também caiu em África

Guerra Fria em solo africano
Quando o Muro de Berlim caiu, vários países africanos estavam em guerra civil, ou, para ser mais exato, em guerras por procuração entre os blocos ideológicos da Guerra Fria. Após a independência de Portugal em 1975, em Angola, a União para a Independência Total de Angola (UNITA), apoiada pelos Estados Unidos da América e alguns políticos alemães combatia o Movimento pela Libertação de Angola (MPLA), apoiado pela União Soviética e a RDA. Em Moçambique, um conflito opunha o Governo marxista da FRELIMO à RENAMO, abertamente apoiada pelo regime de apartheid na África do Sul.
Quando caiu o muro, o angolano Orlando Ferraz era um jovem estudante de língua e literatura russas no Instituto Pushkin, em Moscovo, uma forja de funcionários do partido, também de países africanos. Ferraz recorda que celebrou o dia com muitos estudantes da Alemanha Oriental e que estava muito feliz pelos seus colegas alemães. Pouco depois, regressou a Angola para trabalhar como funcionário do MPLA.
Após o fim da Guerra Fria, diz, muitas coisas mudaram radicalmente: "Os efeitos da queda do Muro de Berlim no meu país foram enormes. Angola tinha laços estreitos com a RDA - sobretudo a nível ideológico, mas também militar. Durante anos, a RDA apoiou o MPLA na guerra contra os rebeldes da UNITA, que foram ideologicamente apoiados pelo Ocidente. Estas velhas alianças entraram em colapso repentino".
A partir daí, a brutal guerra civil angolana deixou de ser alimentada por ideologias vindas do estrangeiro. De repente, tornou-se uma guerra puramente angolana, recorda Ferraz. Isto levou a uma lenta aproximação entre as duas partes em conflito. Alguns anos mais tarde, foi assinada a paz.
Deutschland Fall Madgermanes l Adelino Joao Massuvira O moçambicano Adelino João Massuvira foi dos poucos que ficou na Alemanha após a queda do muro
A história em Moçambique foi semelhante, recorda o ex-trabalhador da RDA, Adelino Massuvira João: "Não demorou muito para que os tratados de paz entre a FRELIMO marxista e a RENAMO, que era apoiada pelo Ocidente, fossem assinados depois da queda do Muro de Berlim". Moçambique deixou de ser um campo de ensaio para o conflito Leste-Oeste, segundo Massuvira, que foi um dos poucos trabalhadores contratados da antiga RDA que pôde permanecer em Suhl e agora trabalha para a Igreja Protestante. E conclui: "A queda do Muro de Berlim contribuiu muito para a paz no continente africano".
Repercussão da queda do muro na política africana
"Em geral, a queda do muro reduziu as opções políticas de muitos países africanos, porque a competição entre Oriente e Ocidente dava-lhes a oportunidade de jogar um sistema conta o outro", disse à DW Berthold Unfried, da Universidade de Viena.
O professor de História investigou a ajuda ao desenvolvimento durante a Guerra Fria em arquivos policiais e na Tanzânia e na Etiópia. Tanto a RFA como a RDA estavam ativas nos dois países africanos, recorda Unfried: "Como país parceiro da RDA, a Etiópia cooperou em certa medida com a RFA ao mesmo tempo. O mesmo se aplica à Tanzânia, onde a RDA esteve sempre presente em menor escala e a RFA foi mais forte".
Estes e outros países africanos puderam aproveitar a situação de Guerra Fria, "na medida em que usaram a concorrência dos sistemas para obter dinheiro dos dois lados", explica Unfried.
Para analistas em África e na Europa, o fim da divisão do mundo em dois grandes blocos ideológicos também acelerou a democratização de muitos países africanos.

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