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NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... Realiza-se esta quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023, em Yamoussoukr...

sábado, 16 de junho de 2012

Telma Viale: "em África o desemprego aumentou 5.5 por cento, estando agora em 27.9 por cento".

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Vamos falar sobre o relatório que fala do emprego juvenil “Tendências de Emprego para a Juventude 2012!”. Há problemas que começam primeiro com a crise, depois pelos níveis de desemprego, nos países pobres, depois nos países em desenvolvimento, para depois haver um agravamento nos países desenvolvidos… vamos falar também desta tendência de aumento dos empregos precários. O que se está a passar com os empregos precários que parece que a longo prazo oferecem mais danos que benefícios?
Este novo relatório, sobre tendências globais de emprego, faz parte dos relatórios que a OIT faz, observando os grupos que têm vulnerabilidades. O dos jovens é um destes grupos. Para posicionar os jovens na força de trabalho, há 620 milhões de jovens que trabalham, mais ou menos dezanove por cento da totalidade da força total, que são 3.3 biliões de pessoas que trabalham.Neste universo há 75 milhões de jovens, hoje, que estão desempregados. Mas isto é apenas uma parte, o facto é que há 150 milhões de jovens que trabalham, e trabalham muito. Mas que ganham um dólar por dia. Assim, são 225 milhões de jovens que estão numa enorme vulnerabilidade. Estes números são a totalidade da população da Alemanha, França, Inglaterra e Canadá. Tudo junto. Mas uma grande parte desta população está nos países em desenvolvimento.
Vamos falar do caso do Brasil, país latino-americano que teve uma ligeira queda no desemprego. A que é que se deve e de que forma é que deve servir de exemplo para os países mais desenvolvidos que tiveram uma subida muito acentuada?
A realidade é que não tiveram muita subida. Na totalidade o rela tório mostra 2.1 por cento da força de trabalho juvenil desempregada nos países mais desenvolvidos. Isso não mudou com a crise, nem no pior momento que foi em 2009. Pelo contrário, os números melhoraram no ano passado, já que estava em 2.6. claro que os números mudam… na América latina há 3.7 por cento, um ponto a mais, praticamente. Mas em África o desemprego aumentou 5.5 por cento, estando agora em 27.9 por cento de desemprego juvenil em 2011. E estes dados são referentes aos países da África do Norte.
Nestes casos o que é que se pode fazer, visto que o emprego precário, que tem sido uma ajuda, parece que mais prejudica que ajuda, a longo prazo? 
Os números que citamos não incluem o trabalho precário, sem qualquer protecção social e que ocupa o sector informal. Claramente que isso tende a aumentar. O que se tem de fazer… há uma urgência de estabelecer parcerias com o sector público e estimular programas de aprendizagem, formação, estágios que são fundamentais para melhorar a inserção no mundo do trabalho. O objectivo é que seja o mercado informal a integrarse no espaço formal para garantir a protecção social ao trabalhador. Este tema está a ser discutido pelo G20, que já lhe deu o sentido de urgência. É importante reforçar os laços entre o ensino profissionalizante com o mercado do trabalho. Há também que prestar atenção às dinâmicas das novas tecnologias que vão surgindo, mesmo neste prisma da formação. Outro problema é que este desemprego juvenil está também muito associado a níveis de violência e a todo o tipo de actividades ilícitas, principalmente com o tráfico de drogas. Vê-se isso muito na América Central … na América Latina, também no Brasil.

Temos o caso da Europa onde os em pregos precários estão a multiplicar se com a crise, que implicações é que isso pode ter a longo prazo?
Isso é uma bomba relógio que já vai tendo pequenas explosões em alguns países. Aí há jovens com alto nível de educação e com graus eleva dos de desmoralização. Isso é muito perigoso, porque são jovens forma dos, com boa educação, o que pode levar à uma forte violência social, organizada. Não só dentro dos países mas também na região. Daí o tal sentido de urgência no G20. O que o relatório diz é que é urgente tratar deste assunto com políticas que abranjam o sector privado e o sector público. Este assunto é e tem que ser um ponto importantíssimo na agenda.
Temos 40 milhões de jovens a entrar no mercado do trabalho todos os anos, há que criar 400 milhões de postos, além dos 200 milhões que já existem.
É, portanto, um fardo para os países desenvolvidos. Mas temos os países em desenvolvimento, os subdesenvolvidos, há alguma recomendação específica para cada um destes grupos de países, depois de ter falado no papel dos governos, da necessidade de se integrar o sector informal no formal?
O que eu já disse; elaboração de políticas em que isso é prioridade. Em que os governo trabalhem com o sector privado. E também ver o que pode funcionar e que funciona em alguns sectores.
Identificar também novos sectores onde se pode criar empregos. É imperioso falar com os jovens e perceber como pensam sobre os seus próprios problemas, é importante identificar experiências positivas e fazê-las partilhar.
O que espera ouvir das associações de jovens, que exemplos é que podem ser replicados noutros países?
Temos um relatório, “A Crise no Emprego Juvenil – Um Tempo para a Acção” precisamente para ver, com os jovens, que coisas genéricas se podem fazer para melhorar. Há já uma voz da juventude, uma juventude com ideias e com soluções para o seu próprio futuro.
O problema do emprego está na ordem do dia, tanto para a geração que está no poder, como para a que exerceu o poder e para as que aí vêm. Este assunto é realmente importante, tem a ver com a vida e com a dignidade das pessoas. E o mundo é para todos.

Eleutério Guenave (Rádio ONU)
14 de Junho de 2012
fonte: OPAIS

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