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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Um ano depois da crise, a Costa do Marfim ainda caminha para a normalidade.

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Faz esta quarta-feira, 11 de abril, um ano que terminou a crise política na Costa do Marfim, que começou quando o país se viu, de repente, com dois presidentes. Mas hoje a normalidade não faz parte do dia a dia.
Bakayoko Hamed limpa o suor da testa. A descida para a cascata de Man é inclinada, as pedras estão escorregadias. Com cautela, o jovem vai pondo um pé à frente do outro e ao fim de 20 minutos chega, orgulhoso, lá abaixo, à cascata: “É aqui que nos encontramos à noite com os amigos. Descansamos e conversamos e depois regressamos a Man. Todos os anos há aqui uma festa, em que matamos um animal”, explica feliz Bakayoko Hamed.

O guia turístico adora mostrar o seu país aos visitantes que chegam da Europa. Man é, para ele, um destino perfeito, pois "é uma cidade verde na região ocidental da Costa do Marfim. Os montes em redor seriam ótimos para fazer caminhadas", descreve.

Mas não adianta fazer publicidade – a Man já não chega nenhum europeu. Hamed lamenta a fama de terra perigosa que o seu país tem.

Costa do Marfim é um postal de perigo
Duékoué sofreu grande destruição com a crise na Costa do Marfim
Esta imagem da Costa do Marfim intensificou-se sobretudo no último ano, depois da segunda volta das eleições presidenciais em novembro de 2010.

De repente, o país tinha dois chefes de Estado: Alassane Ouattara, que a comunidade reconheceu como presidente eleito, e Laurent Gbagbo. O presidente cessante recusou-se durante meses a entregar o poder e a crise instalou-se.

A 11 de abril de 2011, então, as tropas de Ouattara, que tiveram apoio internacional, prenderam Gbagbo no bunker onde estava escondido. Mas a comunidade internacional esquece-se que, na altura, muitos votaram em Gbagbo, como o eleitor Romaric Giazahi.

Recordações difíceis de esquecer
Laurent Gbagbo, ex-presidente da Costa do Marfim, recusou-se a aceitar os resultados eleitorais de novembro de 2010
Hoje, Romaric Giazahi tem vergonha de falar sobre isso. O jovem alfaiate vive em Duékoué, a cerca de duas horas de carro de Man. Para ele, a única possibilidade de ganhar algum dinheiro é, agora, coser algumas calças. Dantes trabalhava no mercado local, mas esse já não existe. Foi destruído durante a crise, conta Giazahi, que testemunhou a grande catástrofe humanitária.

Quando se tornou claro que Gbagbo não se manteria por muito mais tempo no poder, as tropas de Ouattara tentaram conquistar a região ocidental da Costa do Marfim em torno da cidade de Duékoué. A região fora sempre um bastião de Gbagbo e, na altura, cerca de 30 mil pessoas fugiram dos soldados e procuraram refúgio na missão católica local.
O padre Cyprien Ahouré abriu-lhes as portas e terá salvado muitos da morte: “Foi um horror. A situação aqui foi muito má. Começou no dia 28 de março e prolongou-se até ao dia seguinte. Vamos ter de viver para sempre com estas recordações horríveis”, lamenta o páraco.
Laurent Gbagbo, ex-presidente da Costa do Marfim, recusou-se a aceitar os resultados eleitorais de novembro de 2010
Alguns dias mais tarde, foram descobertas as primeiras valas comuns com centenas de cadáveres. Organizações de ajuda humanitária instalaram os sobreviventes em tendas improvisadas, que, desde então, têm vindo a ser desmontadas aos poucos. Os deslocados internos estão a regressar às suas aldeias.

O regresso a alguma estabilidade

Um dos deslocados que regressou é Roady Tehanzin, que vive com a sua família novamente em Fengolo, uma aldeia perto de Duékoué. Segundo Tehanzin, “desde que a guerra terminou, a situação aqui já está outra vez estável. As pessoas já podem voltar aos seus trabalhos. Mas, mesmo assim, não é como dantes”, afirma.
Alassane Ouattara foi reconhecido pela comunidade internacional como presidente da Costa do Mafim, logo após serem conhecidos os resultados eleitorais
Cerca de 3 mil pessoas terão morrido nos confrontos que se seguiram às eleições de novembro de 2010 na Costa do Marfim. Cinquenta mil pessoas terão deixado as suas aldeias.

Alassane Ouattara criou em setembro de 2011 uma comissão de reconciliação, seguindo o modelo da África do Sul, mas desde a cerimónia de inauguração desta, não se tem trabalhado nela.

Também a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch critica este procedimento, alegando que, até agora, ninguém investigou o que aconteceu em Duékoué e ninguém pediu contas aos responsáveis pelos assassínios em massa ocorridos no país durante a crise.

Autores: Katrin Gänsler / Marta Barroso
Edição: Glória Sousa / António Rocha
fonte: DW

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