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segunda-feira, 9 de março de 2026

TANDEM FAYE/SONKO: O confronto é evitável?

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A coligação que levou ao poder o Presidente Bassirou Diomaye Faye não pretende parar por aí. Isto é, pelo menos, o que se verifica face à sua mobilização durante a sua primeira Assembleia Geral (AG) realizada a 7 de Março em Dakar e que reuniu mais de 500 participantes entre autarcas, ministros e outros executivos da coligação. Temos tanto mais razão em pensar isto porque, inicialmente criada para angariar apoios à candidatura de Diomaye Faye e bloquear o caminho ao vice-campeão de Macky Sall nas eleições presidenciais de 2024, a aliança procura estruturar-se melhor. Ousmane Sonko está ansioso por se tornar califa no lugar do califa Em qualquer caso, ao participar na Assembleia Geral Anual e apelar ao seu rebanho para que não permaneça indolente face aos debates políticos, Diomaye Faye procura, e é um eufemismo dizê-lo, fortalecer a sua base face às críticas por vezes duras a que é frequentemente submetido por parte de certos opositores e mesmo de alguns apoiantes do seu partido, os Patriotas Africanos do Senegal pelo Trabalho, Ética e Fraternidade (PASTEF), incluindo o seu mentor Ousmane Sonko. Melhor ainda, pretende atribuir uma nova missão a esta coligação. Porque, para ele, deve sair do estatuto de aliança de circunstâncias para se tornar um instrumento de popularização da ação governamental. Ainda assim, o Presidente Diomaye Faye prometeu nunca trair a sua coligação. Prova, se é que houve alguma, de que Bassirou Diomaye Faye, sem negar o seu partido PASTEF, está em processo, se é que ainda não o fez, de tecer uma nova teia para as suas ambições futuras. Já, 300 autoridades eleitas locais juntaram-se recentemente ao seu acampamento, com armas e bagagens. E como se isso não bastasse, alguns acreditam que ele é o homem certo para o trabalho e dizem que estão prontos para apoiá-lo nas eleições locais de 2027 e nas eleições presidenciais de 2029. O confronto entre Diomaye Faye e o seu primeiro-ministro, Ousmane Sonko, é evitável? Muito inteligente quem poderia responder a esta pergunta. Entretanto, uma coisa é certa: Diomaye Faye está a trabalhar para se libertar da tutela do seu mentor. Porque tudo indica que ele está a trabalhar para concorrer a um segundo mandato à frente do país, sem ofensa a Ousmane Sonko. Porque, como sabemos, o seu primeiro-ministro, Ousmane Sonko, está ansioso por se tornar califa no lugar do califa. E temos a impressão de que quanto mais se aproximam as eleições presidenciais, mais aumenta a tensão entre os dois políticos. E isso não é surpreendente. Na verdade, apesar da popularidade de que goza dentro do seu partido, e mesmo entre a população senegalesa, Ousmane Sonko não pode, no estado atual das coisas, apresentar-se como candidato às próximas eleições presidenciais. Porque não foi perdoado nem anistiado após a confirmação da sua condenação por difamação. É claro que prometeu rever o seu julgamento, mas enquanto não for inocentado pelo sistema judicial do seu país, o seu sonho de se tornar Presidente da República do Senegal não se tornará realidade. Uma situação que parece agradar a Diomaye Faye, que parece estar a ganhar tempo na gestão dos reveses jurídicos do seu Primeiro-Ministro. Os dois amigos de longa data têm mais interesse em preencher as lacunas do que em continuar afundando em uma crise Daí a raiva deste último que testemunha impotentemente o desmoronamento das suas chances de ser coroado rei. O mínimo que podemos dizer é que a amizade entre os dois homens é posta à prova. Eles conseguirão superar obstáculos e seus egos e preservar sua amizade? Estamos esperando para ver. Em qualquer caso, ambas as personalidades se beneficiariam em saber como manter a razão. Porque é óbvio que um confronto não vai ajudar nenhum deles, muito menos o PASTEF. Se Ousmane Sonko pensa que Diomaye foi eleito por omissão e que tem mais hipóteses de aceder ao cargo supremo sem o apoio deste último, está errado. Porque, como tão bem disseram alguns membros da coligação “Presidente Diomaye”, “quem quer não é presidente”. Se os senegaleses escolheram Diomaye Faye entre tantos outros candidatos, é sem dúvida porque viram nele qualidades de estadista. Isto mostra se Ousmane Sonko estaria errado ao acreditar que foi por sua própria iniciativa que Diomaye Faye chegou ao poder. E isso também é válido para o segundo. Se Diomaye Faye se considera poderoso porque detém as rédeas do poder e acredita que pode passar sem Ousmane Sonko, corre o risco de dar um tiro no próprio pé. Claro que na política vale tudo. Mas, no presente caso, colocar, por meios hábeis, sob o extintor, as ambições legítimas de Sonko, que contribuiu para tornar o seu amigo rei, poderia parecer aos olhos de muitos senegaleses, como uma traição. Qualquer coisa que possa ser fatal para as ambições da Faye. Isto mostra que os dois amigos de longa data têm mais interesse em colmatar as lacunas do que em continuar a afundar-se numa crise que poderia pôr fim às suas respectivas ambições políticas. As consequências desta crise entre os dois homens já se fazem sentir tanto dentro do partido como ao nível da gestão dos assuntos de Estado. fonte: lepays.bf

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Samuel

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