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Senegal quer “beber da experiência” de Cabo Verde para modernizar e desmaterializar sistema eleitoral.

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sábado, 4 de abril de 2026

Senegal quer “beber da experiência” de Cabo Verde para modernizar e desmaterializar sistema eleitoral.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...
O Senegal pretende absorver a experiência de Cabo Verde para modernizar e inovar o seu sistema eleitoral, com foco na desmaterialização do processo, anunciou esta quinta-feira, na Praia, o director de formação e comunicação senegalês, Ibrahima Baldé. A intenção foi manifestada durante um encontro com a Comissão Nacional de Eleições (CNE), no âmbito de uma missão de ‘benchmarking’ que a delegação da República do Senegal realiza ao país de 30 de Março a 04 de Abril, visando reformas previstas para a modernização do seu sistema eleitoral. Segundo Ibrahima Baldé, Cabo Verde foi um dos países escolhidos pela Administração Eleitoral do Senegal por dispor de uma “vasta experiência” e credibilidade a nível do processo eleitoral na região. “Falamos do processo eleitoral, da independência na governança do sistema eleitoral, do voto das pessoas presas, todos esses elementos constituem, na verdade, o processo de inovação que nós queremos implementar no Senegal”, apontou o responsável, que se mostrou “satisfeito” com os contactos mantidos. Durante a estada em solo cabo-verdiano, a missão reuniu-se com diversos intervenientes, incluindo actores políticos, membros da sociedade civil, a Comissão de Recenseamento Eleitoral e a Direcção-Geral de Apoio ao Processo Eleitoral (DGAPE). “Nós viemos a Cabo Verde para ver concretamente como isso acontece, a nível da desmaterialização do processo, a inscrição permanente dos eleitores, o voto dos prisioneiros e o funcionamento da comissão nacional eleitoral e a relação com a DGAPE”, apontou. A delegação visitou ainda o Núcleo Operacional da Sociedade de Informação (NOSi) para conhecer o suporte técnico e informático que sustenta a governação electrónica no arquipélago, elemento considerado fundamental para a pretendida desmaterialização do processo senegalês. A iniciativa insere-se no quadro da implementação das recomendações do Diálogo Nacional sobre o Sistema Político, realizado no Senegal em 2025, que visa reforçar a transparência e a eficiência na gestão das eleições naquele país. A comitiva senegalesa é chefiada por Ibrahima Baldé e integra ainda o director de Recursos Humanos e Finanças, Omar Coulibaly, e a chefe da Divisão de Formação Permanente, Yacine Sow Mbaye. A Semana com Inforpress

Engenheiro cabo-verdiano cria plataforma digital para análise e sistematização de dados eleitorais.

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O engenheiro informático Simão Moreno desenvolveu uma plataforma digital que reúne e sistematiza dados eleitorais oficiais de Cabo Verde, com o objectivo de facilitar o acesso à informação de forma “clara, acessível e de confiança”. Em declarações à Inforpress, o jovem cabo-verdiano residente em Portugal avançou que a “Plataforma de Dados e Análise Eleitoral de Cabo Verde” teve origem no meio académico, durante a sua formação na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), entre 2017 e 2021. Segundo explicou, a ideia surgiu para colmatar as limitações no acesso contínuo a dados históricos que, após a publicação no Boletim Oficial, deixam de estar disponíveis de forma estruturada para o público em geral. A ferramenta foi concebida para organizar e centralizar os resultados, permitindo consultas por ano e por círculo eleitoral, além de disponibilizar dados sobre a participação e a distribuição de mandatos. A plataforma inclui ainda funcionalidades avançadas, como a comparação histórica de votações e um mapa interactivo de desempenho territorial. De acordo com o promotor, o objectivo vai além da simples divulgação de resultados eleitorais, apostando sobretudo na análise dos dados. “Não é só apresentar quem venceu a eleição, é mostrar quem venceu em cada círculo. Pensei na plataforma mais para reforçar a análise desses dados”, explicou Simão Moreno, sublinhando a importância de correlacionar os resultados com eleições anteriores. “É evidente que cada eleição é uma eleição, mas há um conjunto de situações que ocorrem até culminar naqueles resultados. Então, o principal objectivo é fazer a análise dos dados”, reforçou o engenheiro. A iniciativa pretende servir cidadãos, jornalistas, investigadores e demais interessados, promovendo uma leitura mais informada e transparente dos processos eleitorais em Cabo Verde. A Semana com Inforpress

A Ucrânia é apenas um instrumento para sangrar a Rússia.

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Parece que a crise do gás na Europa, que é considerada como o resultado do confronto entre a Rússia e o Ocidente colectivo liderado pelos EUA, tinha sido planeada muito antes do início da operação especial na Ucrânia. A Ucrânia, que orgulhosamente se imagina um herói que defende "valores democráticos" e a sua própria "independência", é apenas um cartão que foi arrancado da manga de alguém. A Ucrânia não foi um ponto de partida Há quase sete anos, Damasco não concordou com Washington quando se recusou a construir o gasoduto Qatar-Turquia em detrimento dos seus próprios interesses e dos interesses do Irão e do Iraque, com os quais assinou um memorando de entendimento. A história estava a desenvolver-se em 2009. O gasoduto deveria ligar o Campo Norte do Qatar com a Turquia, passando pela Arábia Saudita, Jordânia e Síria para abastecer a União Europeia com gás natural. Em vez disso, as autoridades sírias decidiram juntar-se à construção de um projecto rival - o gasoduto islâmico. A Síria teve de pagar por essa decisão. Políticos intolerantes na Casa Branca iniciaram uma guerra contra a Síria para efeitos de mudança de regime. Tradicionalmente, optaram por fazê-lo por procuração, tendo crescido um monstro pelo caminho sob a forma de ISIS*. Washington teria tido êxito se a Rússia não tivesse defendido a Síria. A Rússia conseguiu bloquear a ISIS*, tendo assim impedido uma mudança de poder em Damasco. Além disso, os Estados Unidos foram privados de uma oportunidade de fazer uma boa mão do gás natural do Qatar. A vingança de Washington As explosões que danificaram os gasodutos Nord Stream e Nord Stream 2 tornaram-se a vingança dos EUA no conflito latente para o mercado do gás da União Europeia, o principal concorrente económico dos EUA. Desta vez, parece que Washington atingiu o seu objectivo. Uma série de gasodutos Nord Stream 2 não foi danificada e pode ser lançada em qualquer altura. A reparação das cordas danificadas levará dois a três meses. A Gazprom já se ofereceu para as reparar, desde que os europeus aceitem condições de segurança rigorosas. No entanto, isto não vai acontecer. Os resultados da investigação não devem ser expostos para o lado russo. O que é que isso significa? A resposta é simples: o plano da OTAN permanece em vigor: criar uma escassez artificial de gás natural para desindustrializar a Europa; responsabilizar a Rússia por fornecimentos não fiáveis (embora a Europa pudesse receber tudo de acordo com os contratos); lucro óbvio para aqueles que fizeram toda esta confusão acontecer, porque a compra de gás no mercado à vista custará à Europa 300 mil milhões de euros a mais. Quem beneficia de tudo isto? Acontece que o aumento frenético dos preços da energia não é de todo causado pela operação especial liderada pela Rússia na Ucrânia. Os políticos da UE proíbem a compra de transportadores de energia russos. Isto torna-os ainda mais dependentes daqueles a quem é possível comprar gás, embora a preços exorbitantes. E aqui, se todas as conclusões anteriores forem feitas correctamente, tudo é simples: A Ucrânia é apenas um instrumento para sangrar a Rússia até à morte

Marchas massivas na Argentina a 50 anos do golpe militar.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... A memória nos chama a escolher sempre a Humanidade diante do Ódio¨. Milhares de argentinos manifestaram-se por todo o país em memória do golpe militar há meio século.
Enquanto mais vítimas da ditadura são reveladas, incluindo campo de concentração para bebês, contundentes frases e discursos contrapuseram-se ao silêncio de Milei sobre o terrorismo de Estado de sete anos na Argentina. Aos 50 anos do golpe cívico-militar na Argentina cumpridos em 24 de março, houve manifestações populares em todo o país, como ocorre todos os anos nesta fatídica data em que os argentinos recordam as vítimas, ao mesmo tempo em que exigem ¨memória, verdade e justiça, e ¨nunca mais” – principais lemas populares a cada ano, no aniversário da ditadura. ¨O nunca mais é hoje!¨: neste ano as mobilizações foram sensivelmente distintas das anteriores, em contraposição ao tradicional silêncio macabro do presidente Javier Milei nestas ocasiões: desta vez, há meio século desde que Rafael Videla tomou o poder em 1976 da presidente democraticamente eleita, Isabel Perón, a luta popular foi fortemente marcada não apenas pelo número de pessoas nas ruas, como também pela intensidade. Massivamente com destaque a Buenos Aires, Córdoba. Rosário e Mendoza, de norte a sul do país centenas de milhares de argentinos, convocados por organizações de direitos humanos, sociais e políticas, coloriram ruas e praças públicas com camisetas, lenços brancos com mensagens, cartazes, bandeiras, fotos de vítimas e diversos outros objetos chamativos em um ambiente dividido entre confraternização e repúdio aos crimes de lesa-humanidade, um total de 30 mil ¨desaparecidos¨ pelo terrorismo de Estado de longos sete anos, imposto pela extrem-direita argentina. Muitos destes crimes punidos, mas outros ainda não julgados ou nem sequer com a história devidamente recontada até os dias de hoje. ¨Digam onde estão!¨, foi o título de comunicado lido publicamente na central Praça de Maio em Buenos Aires a presidente de Abuelas de Plaza de Mayo, Estela de Carlotto (tradução exclusiva, na íntegra, ao final desta reportagem), e um dos brados mais ressoantes por toda a Argentina durante essas manifestações, cobrando do governo nacional resposta sobre o paradeiro das vítimas da ditadura militar. “São 30.000! Foi e é genocídio. Não esquecemos, não perdoamos e não nos reconciliamos!”, reivindicou Carlotto. ´Encontramos O Que Tanto Procurávamos´ Pouco antes, no dia 18 foram revelados 12 corpos de vítimas da ditadura na cidade de Córdoba em investigacao realizada pela Equipe Argentina de Antropologia Forense sob ordens do juiz Miguel Hugo Vaca Narvaja, com base em denúncias dos familiares dos ¨desaparecidos¨. Os restos mortais foram localizados no local onde funcionava o antigo centro clandestino de detenção, tortura e extermínio, denominado “La Perla”. ¨Encontramos o que tanto procurávamos“, expressaram familiares das vítimas cujos ossos agora estão localizados. Terror infantil Uma das tantas histórias tenebrosas da ditadura argentina, diz respeito ao campo de concentração para bebês mantido pelos militares recentemente revelado. Raptados pelos militares de pais assassinados pela ditadura, esses bebês eram submetidos a maus-tratos nesses centros clandestinos. Até o presente, 50 casos foram comprovados. Dentre os quais, o de Victoria Montenegro foi um dos maus cruéis: sequestrada com apenas treze dias de vida, cujos pais foram assassinados pelos militares, passou os primeiros meses de vida em uma delegacia de polícia da capital federal argentina. Em 13 de fevereiro de 1976 a operação foi tão brutal que, quando a levaram da casa em William Morris, onde morava com os pais, pensaram que ela estivesse morta: seus olhos estavam abertos e ela não piscava; sangrava pelos ouvidos. Mais de três meses mais tarde, Victoria foi adotada por um militar. O campo de concentração para bebês foi rememorado no aniversário de 50 anos do golpe: não pelos “defensores dos valores da família” da direita argentina (lá tal qual cá), hoje liderados por Milei, todos sempre em retumbante silêncio diante dos mais cruéis crimes do terrorismo de Estado da ditadura militar. Mas sim pelos defensores de direitos humanos, tais quais Abuelas de Plaza de Mayo e Madres de Plaza de Mayo, que lutam para manter viva a memória e ter justiça em relação a um dos mais cruéis regimes da América Latina “livre”. Só assim, haverá chance de que não se repita nunca mais. Abaixo, discurso das Abuelas de Plaza de Mayo traduzido ao português com exclusividade para esta reportagem: Cinquenta anos após o golpe genocida, estamos juntos novamente nesta praça histórica e em todas as praças do país, com profunda convicção, a fim de reafirmar que a memória se defende através da luta e porque sabemos que é necessário unir nossas lutas, para fortalecê-las nestes tempos difíceis. São 30 mil! Foi e é genocídio. Não esquecemos, não perdoamos e não nos reconciliamos! Hoje eles estão presentes nesta praça, e queremos que as novas gerações e toda a sociedade saibam quem eram eles, como pensavam, como viviam, quais sonhos tinham e pelo que os 30 mil lutaram. É por isso que marchamos hoje com suas fotos. Porque estamos aqui para lembrar aquelas gerações que, em meados do século XX, começaram a se organizar para lutar contra aqueles que, como hoje, queriam transformar a Argentina em uma colônia do imperialismo ianque e europeu. Em um país com forte desenvolvimento industrial, os operários, junto com os trabalhadores rurais, lutaram por condições de trabalho justas, salários dignos e acesso à terra. Ao mesmo tempo, amplos setores do movimento operário reviviam tradições históricas de luta e desenvolviam sua consciência de classe, formulando programas políticos e governamentais que iam além de meras reivindicações por melhores condições. Exemplos disso incluem o sindicalismo de libertação nacional promovido pela CGT [Confederação Geral do Trabalho] dos Argentinos, bem como as experiências de consciência de classe dos sindicatos e das organizações coordenadoras nos polos industriais das grandes cidades. O movimento estudantil defendia a unidade com a classe trabalhadora e uma universidade a serviço do povo. Defendia o legado da Reforma Universitária, não apenas sua autonomia e seu papel na cogestão, mas também o ensino superior gratuito que permitia que filhos e filhas de operários e camponeses ingressassem nas universidades. A aliança operário-estudantil juntamente com as Ligas Agrárias, os Pais pelo Terceiro Mundo e o movimento das favelas uniram-se nos dias heroicos do Cordobazo, Mendozazo, Tucumanazo e tantas outras revoltas populares que desafiaram as ditaduras da época. A greve histórica dos trabalhadores da Vila Constituição, em 1975, ocorreu nesse clima de mobilização, uma luta emblemática que desafiou uma liderança empresarial e política apegada à defesa de seus privilégios. Os 30 mil desaparecidos, os mais de dez mil presos políticos e os milhares de exilados fazem parte desse movimento popular que se organizou e lutou apesar da perseguição, das proscrições e dos sucessivos golpes de Estado. Reivindicamos todas as suas lutas que integraram seu ativismo como ferramenta de transformação da realidade dentro das organizações peronistas revolucionárias, como os Montoneros, as FAP [Forças Armadas Peronistas] e o movimento Pais pelo Terceiro Mundo. A tradição guevarista do PRT-ERP [Partido Revolucionário dos Trabalhadores-Exército Revolucionário do Povo]; a tradição trotskista, como a do Partido Socialista Operário; e as tradições anarquista, socialista e comunista: o Partido Comunista, a Vanguarda Comunista e o Partido Comunista Revolucionário, para citar apenas algumas das centenas de organizações e espaços de participação política, sindical, estudantil e social, que lutam por uma sociedade sem opressão ou exploração. Nós viemos dessas tradições, e elas servem como experiências para fortalecer e revitalizar a luta popular contra o governo fascista de Milei e Villarruel. Aqueles que perderam a vida eram filhos e filhas deste povo, assim como vocês, cheios de alegria, sonhos e esperanças, que assumiram a tarefa de mudar o mundo e o país. Essa tarefa permanece inacabada, e é nossa responsabilidade erguer suas bandeiras neste momento em que governos de extrema-direita, compostos por setores fascistas e alinhados ao imperialismo, atacaram mais uma vez os povos do nosso continente e do mundo. A ditadura genocida foi precedida pelo governo de Isabel Perón, com López Rega e a Tríplice A [Aliança Anticomunista Argentina, AAA], a CNU [Concentração Nacional Universitária] e outros grupos fascistas; pelo experimento genocida da Operação Independência, enquanto a Operação Cóndor avançava pelos países da região. O golpe de Estado de 1976 estabeleceu um novo modelo econômico na Argentina baseado na financeirização do capital, na desindustrialização e na priorização das atividades do setor primário, acompanhada por uma abertura indiscriminada às importações. A ditadura desencadeou um genocídio recorrendo ao terrorismo de Estado, cujo objetivo era desmantelar o alto nível de organização, participação política e consciência social que amplos setores do povo argentino haviam alcançado nas décadas anteriores. Em 24 de março de 1976, o plano sistemático para o desaparecimento e assassinato de milhares de ativistas e combatentes foi nacionalizado. Mais de 800 centros clandestinos de detenção foram colocados em operação, pelos quais milhares de companheiras e companheiros passaram. Centenas de bebês nascidos durante o cativeiro de suas mães foram roubados e cresceram com suas identidades apagadas. A grande maioria dos detidos e desaparecidos foi executada ou morreu em decorrência da tortura sofrida; muitos foram assassinados nos “voos da morte”. Seus corpos jamais nos foram devolvidos: por isso exigimos: digam-nos onde eles estão! A partir daquele 24 de março de 1976, com o colapso institucional, o Congresso foi fechado, os partidos políticos foram suspensos e os sindicatos foram tomados. Centros estudantis e todas as formas de organização social foram proibidos. A imprensa, a ciência e a arte foram censuradas. Construíram o inimigo interno, chamando-o de “subversivos e terroristas” para justificar as ações criminosas contra organizações sociais, políticas, estudantis, trabalhistas, culturais e religiosas, e contra todas as formas de luta e resistência do nosso povo. Quando dizemos que são 30 mil, estamos nos referindo às suas vidas, às suas lutas, ao seu ativismo e ao seu compromisso com os povos oprimidos. Aquele golpe genocida foi uma operação civil-militar, com a participação de grupos econômicos, setores da Igreja e da embaixada dos Estados Unidos. Há quarenta e nove anos, Rodolfo Walsh publicou sua Carta Aberta à Junta Militar e denunciou a miséria planejada, o verdadeiro cerne do projeto da ditadura. Sabemos quem lucrou com o sangue do povo: os Blaquiers, os Noble Herreras, os Pérez Compancs, os Roccas, os Macris, Ford, Mercedes-Benz, Martínez de Hoz, Braun, Fortabat, os Madanes Quintanillas, entre outros, que aumentaram exponencialmente a dívida externa. Mesmo na Guerra das Malvinas, os militares cometeram crimes contra a humanidade contra os recrutas que de fato lutaram contra o inimigo britânico apoiado pelos EUA. A impunidade foi uma política de Estado por décadas; foi a luta incansável das mães, avós, parentes e sobreviventes, organizações de direitos humanos, juntamente com a mobilização popular e a rebelião de 2001, e a condenação social da impunidade, que possibilitou avançar e reabrir os julgamentos de mais de 1.500 perpetradores de genocídio, nos quais os depoimentos dos antigos detidos desaparecidos foram decisivos. Crimes contra a humanidade são imprescritíveis, e o desaparecimento forçado é um crime que continua sendo cometido até que o destino de cada pessoa desaparecida seja conhecido. Portanto, o desaparecimento forçado não é uma questão do passado, mas do presente, como evidenciado pelos 12 companheiros assassinados em La Perla, recentemente identificados pela Equipe Argentina de Antropologia Forense. Eles devem nos dizer onde estão! E dizemos BASTA de atrasos judiciais, CHEGA!!! de privilégios e prisão domiciliar. Foram as lutas do povo que derrotaram repetidamente as sucessivas tentativas de impunidade, como a lei de autoanistia militar, as leis de Obediência Devida e Ponto Final, os indultos de Menem e a decisão “2 x 1” do Supremo Tribunal durante o governo Macri. Cinquenta anos após o golpe, exigimos a abertura e a liberação urgentes de todos os arquivos do Estado de 1974 a 1983 para avançar nas investigações sobre os responsáveis por esses crimes. Julgamento e punição para todos os oficiais militares genocidas, membros das forças de segurança, funcionários civis e cúmplices que ainda não foram condenados. Prisão perpétua em cadeias comuns para todos os perpetradores de genocídio. Milei está promovendo o mesmo programa imposto por grandes corporações durante a ditadura cívico-militar para maximizar seus lucros e aprofundar a dependência. Governos como os de Menem e Macri aprofundaram esse modelo por meio de medidas de austeridade, privatizações, desindustrialização e desmantelamento de políticas públicas e direitos sociais. O governo “La Libertad Avanza” (A Liberdade Avança) está aprofundando a dependência de Trump e do imperialismo estadunidense. Ataca os direitos populares e obedece aos ditames do FMI com uma reforma trabalhista escravagista, aprovada pelo partido governista e seus aliados. Para isso, contaram com o apoio fundamental de deputados e senadores que respondem a governadores que implementam medidas de austeridade. A isso se somam outras contrarreformas, como as que afetam as pensões, os impostos, a política e o sistema penal, enquanto os recursos comuns são entregues como espólio para o extrativismo mais implacável. Essas reformas representam um retrocesso de mais de um século em direitos conquistados por meio da luta: a jornada de trabalho de oito horas, o direito a uma aposentadoria digna e o acesso à saúde e à educação públicas. Elas avançam atropelando a Constituição Nacional, tratados internacionais e leis de proteção. Esses modelos capitalistas neoliberais não podem ser impostos sem repressão. Assim, intensificam os ataques à organização popular, perseguem aqueles que lutam, equipam forças repressivas, fabricam casos, criminalizam, expandem ilegalmente os poderes dos serviços de inteligência, formam comandos de força federais e provinciais para intervir em conflitos trabalhistas, toleram a brutalidade policial e militarizam funções civis, avançando rumo a um regime mais autoritário, antidemocrático e repressivo. Hoje temos um governo que não só nega o passado, como também defende o terrorismo de Estado e o genocídio. Por essa razão, desmantela as políticas de Memória, Verdade e Justiça e corta o financiamento de memoriais localizados nos antigos centros de detenção clandestinos. Deixa de cumprir a obrigação do Estado de fornecer reparações históricas e pensões para ex-presos políticos, exilados, seus filhos e sobreviventes que recebem pensões mínimas e não têm cobertura da segurança social. Denunciamos a censura e o assédio aos trabalhadores que continuam mantendo esses locais, proibindo-os de realizar atividades essenciais para a preservação da memória. Exigimos a sua preservação e a proteção das provas materiais. As consequências do plano sistemático de roubo de bebês durante o último golpe de Estado ainda persistem. Os centenas de bebês nascidos em centros de detenção clandestinos, as crianças que desapareceram com seus pais, que continuamos a procurar, são os desaparecidos vivos da ditadura. Cada neto recuperado pelas Avós da Praça de Maio é uma prova das atrocidades cometidas pelo terrorismo de Estado: sequestro, desaparecimento forçado, assassinato, roubo, rapto de crianças e falsificação de documentos públicos. O Estado deve garantir o retorno dos netos apropriados, mas desde que o governo Milei assumiu o poder, nada aconteceu além de uma redução nas políticas públicas para garantir esse e todos os direitos do povo. O Banco Nacional de Dados Genéticos teve sua estrutura comprometida e a Comissão Nacional pelo Direito à Identidade teve o quadro de funcionários reduzido pela metade. Resolvemos 140 casos. Ainda procuramos quase 300 homens e mulheres cujas identidades foram alteradas, os quais, sem saber, transmitem aos seus filhos o silêncio que envolve o desaparecimento dos seus pais. Precisamos das instituições públicas, do apoio da sociedade, do exercício da memória e da quebra dos pactos de silêncio para continuarmos a encontrar os filhos daqueles que lutaram por um país mais justo. Portanto, se souber de alguém com dúvidas, apoie-o; e se tiver informações sobre um possível filho de desaparecido, informe-nos. Nunca é tarde demais. Estamos nesta praça, com os 30 mil desaparecidos como nossa bandeira, com as mães e avós, com os sobreviventes dos campos de concentração, com os filhos, filhas, netos e netas, irmãos e irmãs, com as famílias dos desaparecidos e com todas as organizações de direitos humanos, unidos ao povo, para dizer a Milei: a memória é a nossa ferramenta. E para exigir: digam-nos onde eles estão! Cinquenta anos depois do golpe, exigimos que os perpetradores do genocídio e seus cúmplices divulguem as informações que estão escondendo. Apesar dos julgamentos, das provas e das condenações por seus crimes, eles continuam a manter o pacto de silêncio. Após consolidar a condenação social e conquistar a anulação das leis de impunidade por meio da luta popular, os julgamentos finalmente começaram. Foi nesse contexto que Jorge Julio López desapareceu novamente e, 20 anos depois, ainda não sabemos onde ele está ou o que lhe aconteceu: Jorge Julio López precisa ser encontrado e os responsáveis ​​precisam ser punidos! Justiça para Silvia Suppo, testemunha nos julgamentos por crimes contra a humanidade. Enquanto os sobreviventes continuam relatando o terror nos julgamentos, cada vez menos perpetradores do genocídio estão na prisão: mais de 80 por cento dos detidos estão em prisão domiciliar, outros estão na prisão VIP de Campo de Maio, e mais de 1.500 estão em liberdade. Enquanto os perpetradores do genocídio são absolvidos pelo governo, políticas repressivas e perseguições judiciais tornam-se os métodos utilizados para silenciar as lutas populares. A criminalização dos protestos avança. Delegados de cooperativas e organizações sociais, membros da comunidade, ativistas políticos e manifestantes são perseguidos, processados ​​e presos. Cinquenta anos após o golpe genocida, valorizamos este grande ato de unidade que transcende nossas diferenças. De todas as organizações e grupos de direitos humanos que se reuniram na Praça de Maio e em praças por todo o país, exigimos com convicção inabalável: Liberdade para Milagro Sala, Facundo Jones Huala, Milton Tolomeo, Daniel Vera e todos os presos políticos! Exigimos a anulação de todas as acusações contra eles. Exigimos a anulação da condenação de Alejandro Bodart e a retirada das acusações contra Vanina Biassi, porque denunciar o genocídio não é crime. A prisão e a proscrição de Cristina Fernández de Kirchner, ex-presidente da Argentina, em um processo denunciado por flagrantes irregularidades durante o qual houve uma tentativa de assassinato contra ela, merecem nossa preocupação e condenação. Liberdade para Cristina Fernández! Apesar de tudo o que construímos nessas mais de quatro décadas desde o fim da ditadura, a repressão estatal ceifou a vida de centenas de argentinos, como aqueles assassinados em 19 e 20 de dezembro. Mais de 20 anos após o Massacre de Avellaneda, exigimos justiça e punição para os responsáveis políticos pelos assassinatos de Darío Santillán e Maxi Kosteki. Presentes os campanheiros Mariano Ferreyra e Carlos Fuentealba. Justiça para Luciano Arruga, Santiago Maldonado, Rafael Nahuel, Facundo Castro, Elías Garay, Luis Espinosa, Facundo Molares, Florencia Morales, Juan Gabriel González, vítimas da brutalidade policial e todas as outras vítimas da repressão estatal. O governo Milei e Villarruel transformou a repressão a protestos e ataques ao direito de greve em política de Estado, para impedir a mobilização. Revoguem o protocolo antiprotetos inconstitucional de Bullrich! Parem a repressão estatal! Parem com a violência policial, as batidas policiais, as prisões arbitrárias e a perseguição! Exigimos o fim do assédio, da tortura e das mortes em centros de detenção e prisões! Revoguem a lei que reduz a idade de responsabilidade penal e criminaliza adolescentes. Nossas crianças e jovens não são criminosos. Pela implementação efetiva de políticas públicas que garantam e ampliem os direitos e fortaleçam o sistema integral de proteção à criança e ao adolescente, por infâncias e adolescências livres de toda violência. Repudiamos o desmantelamento de políticas públicas baseadas na solidariedade. Assistência social universal, não à eliminação de programas sociais, aumento dos benefícios, reabertura das inscrições e distribuição de alimentos para cozinhas comunitárias. Por trabalho digno. Condenamos o ataque brutal contra aposentados e a repressão a todas as mobilizações populares. Exigimos aumento imediato nas pensões! Justiça para Pablo Grillo, e punição para os responsáveis! Dizemos não à destruição da saúde pública. E à política de fechamento, desmantelamento, demissões e privatização de hospitais e programas de saúde. Em defesa do Hospital Garrahan como causa nacional! Rejeitamos os processos disciplinares, sanções e tentativas de demissão que o governo quer realizar apesar da decisão judicial favorável! Implementação efetiva da Lei de Emergência Pediátrica e da Lei Nacional da Deficiência. Defesa incondicional da educação gratuita, laica e pública em todos os níveis! Não à degradação do Ministério da Educação. Implementação efetiva da Lei de Financiamento Universitário e rejeição à última tentativa do governo Milei de modificá-la para evitar o cumprimento. Não à entrega de recursos comuns. A Lei das Geleiras não deve ser alterada. Defendemos a terra e a água contra o extrativismo. O RIGI aprofunda a política que incendeia e inunda nossos territórios e persegue nossas comunidades. Parem a militarização de nossos territórios. Exigimos respeito aos direitos dos povos indígenas às suas terras ancestrais, à autodeterminação e à sua cultura, e apoiamos suas reivindicações de restituição. Abaixo, toda a legislação repressiva: leis antiterroristas, revogação da reforma inconstitucional do Código Penal, leis sobre reincidência criminal, atividades antimáfia e o decreto que autoriza as Forças Armadas a usar inteligência e segurança interna. Exigimos que os três poderes do Estado anulem e revoguem a Lei-Quadro e os Decretos 70/23 e 941/25, que fortalecem ainda mais a antiga Secretaria de Inteligência do Estado (SIDE). Rejeitamos as políticas pró-fascistas, colonialistas, racistas e xenófobas deste governo. Parem de atacar e perseguir migrantes. Migrar não é crime! Repudiamos o desmantelamento das políticas de gênero e diversidade, o ataque aos direitos conquistados por mulheres e pessoas LGBTQIA+, a promoção de discursos de ódio nos mais altos escalões do Estado, bem como o aumento da violência de gênero. Parem os feminicídios. Tragam Tehuel de volta à vida. Justiça para Diana Sacayán. Cuidado e reparação para a população trans e travesti. Dívida é uma farsa, e farsas não devem ser pagas. A única dívida é com o povo; esse dinheiro deve ser usado para aposentadorias, medicamentos, proteção social, empregos, moradia, saúde e educação, não para o FMI. Fora com o FMI! Abaixo, a reforma trabalhista escravagista de Milei, a reforma do FMI e a reforma trabalhista. Parem as demissões de trabalhadores dos setores público e privado. Não ao fechamento de empresas e à perda de empregos. As políticas de austeridade e a destruição de direitos têm sido e continuam sendo devastadoras, e não foram acompanhadas de um plano de ação robusto para detê-las. As centenas de milhares de nós que hoje lotamos as ruas demonstram nossa vontade de lutar. Precisamos que os sindicatos liderem um plano de ação contra essas políticas. Greve geral e plano de ação agora. Desta praça, nos solidarizamos e abraçamos as lutas mundo afora.. Justiça para as meninas de Villalba, assassinadas pelo Exército paraguaio. Exigimos o retorno seguro de Lichita. Fora com o imperialismo estadunidense na Venezuela! Parem o bloqueio e a agressão contra Cuba! Ianques fora da América Latina! Milei está alinhado com o sionismo genocida. Defendemos uma Palestina livre, condenamos o genocídio em Gaza e a agressão dos EUA e de Israel contra o povo do Irã. Dizemos NÃO ao genocídio, NÃO à guerra. Pela autodeterminação dos povos. Cinquenta anos se passaram e continuamos lutando por Memória, Verdade e Justiça. Por pão, saúde e trabalho. Educação e moradia. Ergamos bem alto as fotos dos desaparecidos. Neste momento, eles olham para a Casa do Governo, para aquele ramo do governo que não os procura, enquanto nega sua existência. Com 30.000 lutas como nossa bandeira, não esquecemos, não perdoamos, não nos reconciliamos. Porque somos a terra do Nunca Mais e do véu branco. Porque continuaremos, como disse Paco Urondo, até que tudo seja como sonhamos e como lutamos. Cinquenta anos após o golpe genocida, estamos nesta praça para dizer juntos, com a união de que nosso povo precisa: 30 mil desaparecidos, presentes! 30 mil desaparecidos, presentes! 30 mil desaparecidos, presentes! Agora e para sempre! Agora e para sempre! Agora e para sempre! fonte: pravda.ru

SENEGAL: [Especial Independence] Capitão Gormack Niang “Chaka”: Uma figura de destaque entre os comandos, morto durante a Operação “Thunder” em 1995.

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No Sul do Senegal, o conflito de Casamance continua, silenciosamente, a produzir as suas figuras e tragédias. Entre elas, a do Capitão Gormack Niang, vulgo "Chaka", um oficial das forças especiais senegalesas, morto a 22 de Novembro de 1995, durante uma grande operação militar contra uma base rebelde na região de Sikoum. Com 32 anos, este oficial, formado na Academia Militar de Meknes, em Marrocos, pertencia a uma geração de homens envolvidos num dos mais longos conflitos do continente. Desde o início da década de 1990, o exército senegalês intensificou as suas operações contra as posições do Movimento das Forças Democráticas de Casamance (MFDC), num ambiente caracterizado por florestas densas, fronteiras permeáveis ​​e ataques esporádicos. Uma Operação de Alto Risco A Operação "Trovão", lançada em Novembro de 1995, tinha como objectivo destruir uma base estratégica do MFDC situada em Sikoum, perto da fronteira com a Guiné-Bissau. Segundo fontes militares, o local albergava centenas de combatentes e contava com posições fortificadas, incluindo bunkers e postos de tiro. O plano inicial previa uma infiltração noturna para obter o elemento surpresa. No entanto, as dificuldades de navegação, principalmente devido à falha na orientação terrestre, atrasaram o avanço das unidades envolvidas. Ao amanhecer, os comandos viram-se expostos, obrigados a entrar em combate sem vantagem tática. Os confrontos, que duraram várias horas, são descritos como particularmente violentos. A artilharia foi mobilizada para desmantelar as defesas inimigas, permitindo às forças senegalesas retomar o controlo da área e neutralizar a base. Foi durante a retirada que a situação se alterou drasticamente. Ao final do dia, enquanto as unidades abandonavam a área de operações, foram emboscadas por elementos rebeldes, provavelmente reforçados. O Capitão Gormack Niang, que comandava uma unidade da 3ª Companhia do Batalhão de Comandos, foi gravemente ferido no confronto. Evacuado para uma posição segura em Bantankountou, sucumbiu aos ferimentos pouco depois. Uma Geração de Oficiais de Campo Dentro do exército senegalês, Gormack Niang era considerado um jovem oficial de campo lendário, envolvido em várias operações importantes durante o ano de 1995. Foi um dos oficiais militares diretamente expostos ao combate, num conflito onde o contacto próximo com as tropas continua a ser um elemento central do comando. A sua carreira exemplifica a de uma geração de oficiais formados no estrangeiro e depois confrontados com a guerra irregular em solo nacional. Uma guerra sem linhas da frente claramente definidas, onde as operações dependem tanto da mobilidade como do conhecimento do terreno. A morte do Capitão Niang ocorre em plena retoma das operações militares em Casamance, uma região assolada por uma instabilidade persistente desde o início da década de 1980. Apesar das ofensivas regulares do exército, os grupos rebeldes mantêm a capacidade de causar danos, principalmente devido à sua presença em zonas de difícil acesso. Uma figura militar discreta Pouco conhecido do público em geral, o Capitão Gormack Niang deixa como legado a imagem de um oficial dedicado cuja carreira estava em ascensão. A sua morte serve como um lembrete contundente do custo humano de um conflito frequentemente relegado para segundo plano nas notícias nacionais e internacionais. Entre os comandos senegaleses, o seu nome junta-se ao de inúmeros soldados que tombaram em operações durante a década de 1990, testemunhando a intensidade de um empenhamento militar que durante muito tempo se manteve na sombra. fonte: seneweb.com

ANGOLA: RECONCILIAÇÃO? E ENTÃO O ACORDO DO ALTO KAUANGO?

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...
De acordo com uma nota de imprensa, o MPLA divulgou uma Conferência alusiva ao Dia (que ele julga ser só seu) da Paz e da Reconciliação, realizada hoje, promovida pela Casa Militar do Presidente da República, visando, ainda, evidenciar o percurso de Angola desde o fim do conflito armado até à consolidação da paz duradoura no país. Mera propaganda da ditadura, mais do mesmo. Oobjectivo do evento – segundo a propaganda do regime – passaria por posicionar esta experiência como um factor relevante para o reforço dos pilares estruturantes da Segurança Nacional, nos termos da Lei nº 15/24, no que concerne à estabilidade política, coesão social e autoridade do Estado. A nota de imprensa refere que num contexto internacional marcado por uma crescente complexidade dos fenómenos de segurança, pela intensificação de conflitos de natureza híbrida e pela reconfiguração do equilíbrio geopolítico global, Angola posiciona-se como “um Estado que não apenas superou um conflito armado prolongado, mas que soube, de forma consistente, preservar e consolidar a paz ao longo de mais de duas décadas”. A conferência, segundo o documento, simboliza o alcance da paz definitiva, que constitui um dos mais relevantes marcos estruturantes da história contemporânea do Estado angolano. Sobre a abordagem dos temas, o documento esclarece que vai ser assegurada por um conjunto de individualidades de reconhecido prestígio internacional no domínio da Defesa, Segurança e Análise Estratégica, cuja experiência governativa, académica e operacional vai conferir à conferência um elevado nível de credibilidade e profundidade analítica. Entre os oradores convidados esteve José Azeredo Lopes, antigo ministro da Defesa Nacional de Portugal, velho e abnegado serviçal do MPLA, jurista e académico com trabalho reconhecido nas áreas do Direito, Defesa e Relações Internacionais. Juntarm-se também Agostinho Costa, major-general português na reforma, conhecido pela sua intervenção pública em matérias de estratégia militar e conflitos contemporâneos numa clara posição pró-Putin. A presença destes supostos especialistas internacionais (de facto a fina flor do entulho) pretendeu, na óptica do MPLA reforçar o carácter analítico da conferência, que se propunha discutir o papel da paz como base para a estabilidade política, a coesão social e o reforço da autoridade do Estado. O encontro surge num contexto global marcado por novas ameaças à segurança, desde conflitos híbridos à reconfiguração do equilíbrio geopolítico, e procura posicionar Angola como um exemplo de transição de um conflito prolongado para um cenário de estabilidade consolidada ao longo de mais de duas décadas. A conferência pretendeu também (do ponto de vista do MPLA) afirmar o país no plano internacional, destacando a paz como um activo estratégico na sua projecção regional e global, ao mesmo tempo que revisitou os factores que permitiram alcançar e manter esse processo. Azeredo Lopes, um velho e querido amigo do MPLA Recorde-se, por exemplo, de que na sua qualidade de presidente da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social (entre 2006 e 2011) de Portugal, Azeredo Lopes foi um dos oradores internacionais do seminário sobre comunicação e cidadania, que decorreu no Centro de Formação de Jornalistas (Cefojor), em Angola. “Insere-se no quadro de relações de cooperação técnica que tem a ver com a criação de mecanismos de regulação. Angola tem uma nova Constituição e está gradualmente a dotar-se de mecanismos mais modernos de regulação e justifica-se até pela proximidade dos nossos textos jurídicos”, afirmou à Lusa o então presidente da ERC. Azeredo Lopes explicou que “a comunicação social evoluiu muito [em Angola], o que exige mecanismos técnicos mais específicos”. Essa coisa que em Portugal se chama ERC (nós, por cá, acrescentamos um “A”), é uma entidade que ajuda – e foi esse o ensinamento que trouxe a Angola – a fingir que os escravos são livres. Como todos já sabiam há muito tempo, as eleições de 2012 em Angola foram novamente um exemplo de democraticidade, eficiência e transparência. Aliás, nem outra coisa era de esperar do partido, o MPLA, no poder desde 1975. Isso mesmo foi confirmado por dois sipaios, perdão, observadores portugueses que elogiaram o processo eleitoral: Elísio de Oliveira e Azeredo Lopes. Essa era uma certeza adquirida nos areópagos políticos dos parceiros e sócios do regime angolano a ponto, ao contrário de 2008, a União Europeia ter reduzido o número dos seus observadores eleitorais de 100 (então chefiados pela italiana Luísa Morgantini que foi considerada pelo regime como persona non grata) para… 2 (dois). Tal como em 2008, a missão da CPLP voltou a ser chefiada pelo moçambicano Leonardo Simão. E o que viu o líder da missão de observadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa? O que viu não se sabe porque ele, como político inteligente que é, não conta. Mas sabe-se o que já disse. Desde logo a “enorme evolução” na organização das eleições… apesar de “algumas falhas”. Falhas pequenas, muito pequenas, obviamente. “O processo eleitoral decorreu num ambiente de tranquilidade, serenidade, com um grau de organização bastante elevado”, embora com algumas falhas aqui e acolá”, afirmou o chefe da missão dos observadores da CPLP, que – certamente perante a pequenez do país – deslocou um importante contingente de 10 (dez) técnicos para testemunhar o processo eleitoral. Segundo Leonardo Simão, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique e na altura director da Fundação Joaquim Chissano (e, portanto, por dentro das necessidades do regime do MPLA e da sua capacidade política, económica e militar), a missão da CPLP detectou as excepções que acabam por confirmar a democraticidade, transparência e eficácia das eleições. A provar a atenção dos 10 (dez) técnicos da CPLP, Leonardo Simão foi ao pormenor de contar que numa situação em Viana, nos arredores de Luanda, os membros de algumas mesas não apareceram, devido a uma avaria num autocarro. É claro que não detectaram, tal como Azeredo Lopes, muitas outras irregularidades, como sejam a dos mortos votarem e a de muitos vivos não constarem dos cadernos eleitorais. Leonardo Simão cometeu, apesar de não querer – legitimamente – cuspir no prato de quem lhe deu comida, alguns lapsos. Falou da ausência de delegados de lista em algumas mesas de voto, disse que os partidos não receberam financiamento atempado para recrutar e formar pessoas e afectá-las a mais de 25 mil postos de votação em todo o país. Leonardo Simão referiu-se também à aprovação tardia da lei eleitoral, em Dezembro, e à impugnação, entretanto, da presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE). “O tempo material para a preparação das eleições foi bastante curto”, considerou, lembrando que uma votação como esta “leva dois anos a preparar”. Deveria levar… Apesar das acusações de irregularidades do principal partido da oposição, e da dura resposta do MPLA, no poder desde 1975, Leonardo Simão disse ter testemunhado “um ambiente mais distendido” em relação a 2008, quando “havia uma certa tensão no ar e uma certa incerteza sobre o que ia acontecer”. E se em 2008 havia alguma incerteza, em 2012 tudo ficou claro. O regime continuava igual ao que sempre foi, a maioria dos angolanos continuava a passar fome, os ricos continuavam cada vez mais ricos, Portugal continuava o seu processo de bajulação e o MPLA retribuía com a defesa e apoio ao seu protectorado (luso, lusitano, lusófono) do sul da Europa. Com um tão vasto currículo autenticado, sob compromisso de honra, pelo MPLA, a vinda a Angola deste conhecido sipaio, perdão, então ministro da Defesa, Portugal somou alguns pontos na cotação junto de João Lourenço. Não foram, só por si, suficientes para ligar à máquina a moribunda parceria estratégica, mas que deu um gozo especial (quase um orgasmo) aos dirigentes do MPLA, isso deu Em Maio de 2018, Azeredo Lopes afirmou que as relações entre Portugal e o MPLA/Angola “nunca foram interrompidas”, porque isso não existe “entre amigos e povos que se amam e se respeitam”. Embora o amor não seja recíproco, é bem certo que os políticos portugueses amam de forma “sui generis” o partido que governa Angola desde 1975. Aliás, é um amor à moda antiga blindado a todas as modernices. Ou seja, segue à risca o adágio: “Quanto mais me bates mais eu gosto de ti”. Pode sempre “haver aqui e ali um ou outro percalço, uma ou outra divergência (…), mas prevalece sempre aquilo que são os laços históricos e a grande amizade e a grande relação que existem entre os nossos dois países”, sublinhou Azeredo Lopes. Para evitar mais incómodos a António Costa, o segundo bajulador-mor do MPLA (o primeiro é obviamente Marcelo Rebelo de Sousa), não seria aconselhável que a justiça-política de Portugal transferisse o processo de Azeredo Lopes para Angola, juntando-o ao de Manuel Vicente? 19 DE MAIO DE 1991. ALTO KAUANGO. WILLIAM TONET Aimprensa nacional e do regime do MPLA, bem como a imprensa internacional (nomeadamente a portuguesa) submissa ao regime do MPLA, continua a ter memória curta e, por isso, esquece aquele que foi o primeiro Acordo de Paz, assinado entre as tropas da UNITA e do Governo, a 19 de Maio de 1991, e pelo jornalista William Tonet que mediou as negociações. Foi no Alto Kauango e antecedeu o Acordo de Bicesse. O Acordo do Alto Kauango foi um acordo importante entre angolanos. William Tonet, que estava – como Jornalista – a cobrir a guerra dos 57 dias de cerco ao Luena, entendia que não fazia sentido aquele conflito na medida em que os políticos já se encontravam a negociar em Portugal visando um acordo de entendimento. O prosseguimento da guerra poderia inviabilizar o entendimento entre os políticos e mesmo adiar a assinatura dos Acordos de Bicesse, no dia 31 de Maio de 1991, caso as FALA (tropas da UNITA) e as FAPLA (tropas do MPLA/Governo) continuassem a procurar vantagens no teatro das operações. William Tonet estava preparado para enviar um trabalho para a Voz da América em Washington quando, de repente, houve uma interferência na comunicação. A voz do outro lado desafiou-o a não reportar só o lado governamental, pois a realidade – disse – era outra. O jornalista justificou que não poderia fazê-lo ao mesmo tempo, por estar com as tropas governamentais, mas desafiou o seu interlocutor (que era o general Mackenzie) a permitir que ele fosse ao lado controlado pelas FALA. Fez-se silêncio na linha. O general Mackenzie tinha de contactar o seu superior hierárquico, para a devida anuência ou não. Assim que o fez, retornou à linha, dando conta que a proposta de William Tonet fora aceite. A questão foi colocada ao então coronel Higino Carneiro que não ficou logo convencido por temer ser uma armadilha. Depois de alguma insistência por parte do jornalista, foi permitido que William Tonet atravessasse a linha de fogo para ir ao encontro do comando geral das FALA. Este processo, na sua fase inicial, foi testemunhado pelas jornalistas Luísa Ribeiro, da Lusa, e Rosa Inguane, da Agência de Informação de Moçambique (AIMO). Do lado das FALA, William Tonet encontrou um amigo, o general Ben Ben. Numa conversa aberta, o jornalista afirmou que o ideal seria um cessar-fogo, uma vez se estava já a negociar em Bicesse. Ben Ben mostrou-se sensível à iniciativa e prometeu contactar Jonas Savimbi, que na altura estava no exterior de Angola. Jonas Savimbi mostrou-se muito desconfiado mas deu a sua primeira anuência e William Tonet regressou à frente do MPLA para “negociar” com Higino Carneiro e também com o general Sanjar que comandava aquela frente e que também tiveram de auscultar o Presidente José Eduardo dos Santos. William Tonet estava entre dois fogos. Mas as duas partes sabiam que ele era tanto amigo de Ben Ben como de Higino Carneiro e Sanjar. Depois de quatro dias a ir e vir de um lado para o outro e de negociar com as respectivas lideranças conseguiu chegar a um acordo que satisfez as duas partes (MPLA/UNITA) e conseguiu parar com a guerra fratricida. Com o fim das hostilidades militares, no teatro das operações, onde inicialmente, os contendores gladiavam para obtenção de controlo territorial, instalou-se o calar das armas, com o cessar-fogo e a criação das primeiras comissões militares conjuntas, permitindo desta forma dar-se um impulso às negociações em Bicesse. Apesar das autoridades angolanas (por manifesto complexo de inferioridade e servilismo junto da comunidade internacional) desvalorizarem este Acordo, que foi o primeiro mediados por um autóctone angolano (o grande “crime” de William Tonet), com eficácia prática no terreno, reza a História que nunca antes do Acordo do Alto Kauango os militares da UNITA e do MPLA se tinham sentado à mesma mesa para assinar tréguas. Alto Kauango foi a mãe de Bicesse, que o complexo político de alguns pretende perversamente apagar da História, talvez por o negociador ser preto e pensar pela sua própria cabeça. O Governo do MPLA, por pressão da mediação portuguesa liderada por Durão Barroso e que temia perder protagonismo, aceitou minimizar o Acordo do Alto Kauango. Se William Tonet fosse estrangeiro, traficante de armas, chinês corrupto ou um bajulador invertebrado, este acontecimento nunca seria esquecido e até teria passaporte diplomático. Mas, mesmo assim, William Tonet diz que valeu a pena porque, modestamente, ajudou a evitar a morte de muitos inocentes. Muitas pessoas conseguiram viver e outros sobreviver às balas e aos canhões. Isso foi bom! Foi histórico. Foi a partir do Alto Kauango que se estabeleceram os telefones vermelhos, as patrulhas mistas, reuniões conjuntas e outras questões militares sensíveis. Nem todos estão hoje vivos, mas a História da verdade inclui nesta iniciativa de William Tonet nomes como: Arlindo Chenda Pena “Ben Ben”, Higino Carneiro, Demóstenes Amós Tchilingutila, Nogueira Canjundo, Januário Consagrado, Adriano Wayaka Mackenzie, Agostinho Fernandes Nelumba, José Alexandre G. Lukama, Bento Sozinho “Venceremos” e Manuel Henrique Gomes. Factos são factos. Vejamos depoimentos sobre o Acordo do Ato Kauango, desta vez através dos depoimentos na primeira pessoa do General Marques Correia “Banza” e do General Sachipengo Nunda, do General Mackenzie de forma indirecta através de um texto exclusivo para o F8 do repórter de guerra Mabiala Ndalui, e pelo texto do jornalista José Gama. Na batalha dos 45 dias no Luena, o então Tenente-Coronel Marques Correia “Banza”, era o Chefe do Estado-Maior da 3ª Região Militar que a dada altura teve que assumir a Direcção das tropas. Quando interrogado sobre se achava que William Tonet teve um papel importante para o Acordo, o General “Banza” não poderia ter sido mais assertivo: “Teve um papel decisivo para a Paz”. E acrescentou: “O seu papel foi determinante para a paz, pois este entendimento entre as Chefias militares obrigou os políticos, em Bicesse, a assinar o acordo”. “Sem a deslocação de William Tonet, que forçou as partes para parar com as ofensivas militares, consequentemente os seus resultados deram lugar ao encontro do Alto Kauango e assinatura do Protocolo de Bicesse naquela data”, afirmou o General Banza. A História escreve-se com a verdade que, mesmo quando bombardeada insistentemente pela mentira, acabará por se sobrepor a todo o género de maquinações e acções de propaganda pessoal ou colectiva. É, por isso, legítimo que se faça pedagogia e formação quando, por razões mesquinhas, alguns tentam apagar o que de bom alguns, muitos, angolanos fizerem pela sua, pela nossa, terra. O General Sachipengo Nunda, na altura dos Acordos do Alto Kauango era chefe operacional na Região Centro das FALA e acompanhou todo processo, na distância geográfica e proximidade das comunicações militares. À pergunta “quando acha que as duas partes se encontraram no Luena?”, o General Nunda foi claro na resposta: “Eu não acho. De acordo com os Generais Mackenzie que era o Chefe de todo o Sistema de Telecomunicações (das Forcas da UNITA no terreno VHF e HF), da Interceptação das Comunicações das FAPLA (GITOP) e do General Kamorteiro, Comandante das Companhias Móveis de Armas Anti-Tanque, nessa altura, foi no dia 19/05/1991, que o General Higino, com o seu elenco se encontraram com o General Ben Ben e o seu elenco, em que estava também o General Chilingutila”. De forma directa, o General Mackenzie considera que “sem a comunicação do Jornalista William Tonet para a VOA não haveria interferência do Brigadeiro Mackenzie e sem essa interferência não haveria contactos entre Ben Ben e Higino Carneiro. Sem a mediação do William Tonet, não haveria o encontro entre as partes e sem a aceitação das partes, superiormente autorizadas por José Eduardo dos Santos e Jonas Savimbi, nada teria sido feito. Ficava-se apenas pela interferência na comunicação do William Tonet. Aliás, se fosse um outro jornalista nacional ou estrangeiro provavelmente o Brigadeiro Mackenzie não iria interferir.” Segundo o General Sahcipengo Nunda, ex-Chefe do Estado-Maior General das FAA e actual Embaixador no Reino Unido, 19 de Maio de 1991 “é uma daquelas datas felizes da nossa história, pois depois da rubrica de uma preliminar versão dos Acordos de Bicesse, dia 15 de Maio, por Lopo de Nascimento, pelo Governo, e por Jeremias Chitunda, pela UNITA, havia ainda desconfiança entre as forças que estavam no terreno e essa iniciativa do encontro de Higino Carneiro e Ben Ben, no Alto Kauango – no Teatro Operacional do Luena – foi um sinal muito forte para dar confiança aos Angolanos, no sentido de que desta vez não era mais como Gbadolite”. fonte: folha8

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