Postagem em destaque

MACKY SALL EM BASSIROU DIOMAYE FAYE: Uma visita num contexto de cálculos políticos

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... Dois anos depois de deixar a capital senegalesa no final do seu segu...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Tribalismo masculino: a 'seita' violenta ligada aos 'vikings' que invadiu Congresso nos EUA.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Grupo conhecido como tribalistas masculinos adotou vestimenta como uma espécie de elogio aos primórdios da humanidade, antes de consensos em torno de paz, igualdade, direitos humanos e conquistas de mulheres e grupos LGBTs — Foto: Getty Images/BBC

Para os adeptos, a vestimenta "tribal" funcionaria como uma espécie de elogio aos primórdios da humanidade, antes de consensos globais em torno de paz, igualdade, direitos humanos e conquistas de mulheres e grupos LGBTs.


Um homem branco, musculoso e tatuado com o torso nu, a cabeça envolta por chifres e pelos de bisão, o rosto pintado com as cores da bandeira dos EUA e as pernas cobertas por tecido leve e da cor da pele se tornou o ícone da invasão à sede do Congresso dos Estados Unidos, na quarta-feira (6). Ele não era o único vestido assim.

Mas o que pareceu para muitos uma estratégia isolada para chamar atenção de fotógrafos também pode guardar as ideias um movimento com objetivos contraditórios, radicais e violentos - da ode ao confronto físico e à guerra, ao ódio contra mulheres, gays e suas conquistas por direitos iguais na sociedade.

Quem explica é a antropóloga brasileira Rosana Pinheiro-Guimarães, uma professora da Universidade de Bath, no Reino Unido, que pesquisa a masculinidade e dedicou parte de suas leituras recentes ao chamado "tribalismo masculino", ou "masculinismo".

"O princípio dos grupos tribalistas masculinos, ou masculinistas, é primeiro um ódio às mulheres, uma ideia de que as mulheres são objetos para reprodução humana simplesmente. Muitos dos grupos masculinistas norte-americanos defendem que as mulheres têm que ser caçadas, literalmente, e que nós só servimos para reprodução", diz.

"Diferente de machismo, é uma repulsa a mulher. É outro nível de machismo."

Para os adeptos, a vestimenta "tribal" funcionaria como uma espécie de elogio aos primórdios da humanidade, antes de consensos globais em torno de paz, igualdade, direitos humanos e conquistas de mulheres e grupos LGBTs.

As primeiras referências acadêmicas ao grupo surgiram há décadas, mas se tornaram mais frequentes nos anos 2000, graças a debates em fóruns anônimos e na deep-web.

Desde 2016, ano de eleição de Donald Trump, essas ideias vêm ganhando força em meio a uma complexa teia de novos grupos impulsionados por negacionistas da ciência e teorias de conspiração, como a chamada alt-right, ou "direita alternativa", e, mais recentemente, o QAnon (veja mais abaixo).

Caça e guerra

Além do exemplo que ficou mais famoso, diversos outros manifestantes trumpistas desfilaram visuais "tribalistas".

Um deles foi fotografado vestindo algo semelhante a pele de urso sob um retrato de Charles Sumner, importante senador que defendeu a abolição da escravidão no século 19. Na mão esquerda, o militante segurava um cajado. Na direita, um escudo policial.

Homem com pele de urso, cajado e escudo policial descansa próximo a bandeira confederada e retrado de senador abolicionista em invasão ao congresso dos EUA — Foto: EPA/BBC

Homem com pele de urso, cajado e escudo policial descansa próximo a bandeira confederada e retrado de senador abolicionista em invasão ao congresso dos EUA — Foto: EPA/BBC

"Os masculinistas não acham que a mulher tenha um papel na sociedade, eles são mais extremos. Os cristãos nos EUA vêm um papel nas mulheres de cuidar da família. Os masculinistas as odeiam."

Como acontece em outros grupos sociais, o termo engloba um universo heterogêneo de adeptos. Em comum a todos os grupos, conta a professora, há "um elogio ao homem viril que se acredita que se perdeu nas últimas décadas".

"Eles reinvidicam uma virilidade da caça, da guerra. Alguns são mais religiosos, outros não são. Há grupos que se identificam com romanos, com espartanos, outros por exemplo reivindicam uma estética viking, ou se identificam com grupos indígenas norte-americanos. Ou, no caso do sujeito de Washington, que estava com uma roupa de bisão norte-americano", explica Pinheiro-Guimarães.

"Roupas de couro, corpo tatuado, isso perpassa a todos", diz.

"É um universo que remete à conquista, à invasão, a capturar mulheres para estuprar, botar em cativeiro para reprodução, em um cenario totalmente distópico em que os homens precisam estar entre homens para resgatar sua virilidade perdida."

Perigo

Um manifestante vestindo uma camisa com o slogan do QAnon 'Confie no plano' fala com a polícia dentro do prédio do Capitólio dos EUA na quarta-feira — Foto: Getty Images/BBC

Um manifestante vestindo uma camisa com o slogan do QAnon 'Confie no plano' fala com a polícia dentro do prédio do Capitólio dos EUA na quarta-feira — Foto: Getty Images/BBC

Entre os principais riscos associados ao grupo, a professora destaca como "mais evidente e preocupante e imediato a violência contra as mulheres".

"O feminicídio é inspirado na ideia de posse de mulheres, que é um fenômeno que sempre existiu, mas que é estimulado por um contexto político", diz.

"Outra consequencia imediata é a perseguição de pessoas que estudam gênero e sexualidade,como a professora Lola (Aronovich, da Universidade Federal de Fortaliza) e a Debora Diniz (das universidades de Brasilia e Brown, nos EUA".

Ambas são vítimas de constantes ataques e ameaças online vindo de grupos radicais identificados com masculinistas brasileiros, alguns investigados pela polícia.

Muitos dos vídeos circulam há anos em português - algo mais frequente, segundo a professora, desde a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018.

Em um dos filmes, um homem vestido de gladiador surge sobre um cavalo dizendo que o Brasil precisa se librar de ameaças comunistas e feministas.

Em outro, um paulista com roupas que imitam gregos de Esparta pede que homens lutem por sua virilidade.

Em fóruns abertos, grupos de brasileiros vão além e chegam a defender abertamente estupros e assassinatos de mulheres.

QAnon

Após ter fotos estampadas em jornais no mundo inteiro, o homem que viralizou após a invasão ao congresso dos EUA em meio aos debates para a certificação da eleição de Joe Biden foi identificado em redes sociais.

Conhecido como "Q Shaman", Jake Angeli, de 32 anos, vive no Arizona e é um conhecido influencer da extrema-direita americana.

Vestindo sempre referências a povos tradicionais indígenas dos EUA ou a vikings, ele já foi fotografado em militando em protestos a favor de Donald Trump - ou fazendo oposição em atos organizados por grupos como o Black Lives Matter.

Nas redes, ele se tornou um dos porta-vozes do movimento Qanon, uma teoria ampla e completamente infundada que diz que o presidente Trump estaria travando uma guerra secreta contra os pedófilos e adoradores de Satanás do alto escalão do governo, do mundo empresarial e da imprensa.

Seus apoiadores vaticinam que esta luta levará a um dia de ajuste de contas, em que pessoas proeminentes, como a ex-candidata presidencial Hillary Clinton, serão presas e executadas.

Adeptos do movimento impulsionam hashtags e coordenam ataques aos que consideram inimigos — políticos, celebridades e jornalistas que eles acreditam, sem qualquer prova, estar encobrindo pedófilos.

Não são apenas mensagens ameaçadoras online: vários apoiadores do movimento foram presos após fazerem ameaças ou tomarem medidas concretas na "vida real".

Em um caso notável em 2018, um homem fortemente armado bloqueou uma ponte sobre a Represa Hoover. Mais tarde, Matthew Wright se declarou culpado de uma acusação de terrorismo.

Anti-gays que fazem sexo com homens

O principal ícone dos tribalistas masculinos ou masculinistas é o americano Jack Donovan, autor de livros e vídeos reproduzidos milhões de vezes online.

Segundo Pinheiro-Machado, Donovan e seus seguidores ilustram o eixo mais extremo dos masculinistas.

"Não se consideram gays, mas mantém relações sexuais com homens. Isso é um aspecto paradigmático e extremo dos masculinistas", diz.

"Há uma devoção e um amor à estética masculina", continua a professora. "Mas a interpretação de uma identidade gay ou homoerótica seria um sinal de fraqueza. Então, é um ato sexual bruto em devoção a esse corpo que é a própria imagem. Mas sem associar isso ao feminino ou a uma identidade LGBT."

Em seu livro Androfilia (2006), Donovan faz ataques à cultura gay e a associa a "inimigos da masculinidade". Ao mesmo tempo, ele classifica seu desejo por homens como uma "defesa a um ideal masculino".

As teses do autor são descritas por críticos como preconceituosas e ameaçadoras, especialmente para homens gays que não têm perfis hipermasculinos - ou são descritos como "afeminados".

Segundo Matthew Lyons, um dos autores do livro Key Thinkers of the Radical Right (Pensadores-chave da Direita Radical, em tradução livre), publicado em 2019 pela editora da Universidade de Oxford, o tribalismo masculino de Donovan também parte do princípio de que gênero seria algo "natural e imutável" - em oposição direta à existência de pessoas transexuais.

fonte: globo.com

Guineense acusada de mutilação genital conhece sentença em Portugal.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

É conhecida hoje a sentença do primeiro julgamento por um crime de mutilação genital feminina em Portugal. Rugui Djaló, residente no país, é acusada de ter submetido a filha à prática durante uma estadia na Guiné-Bissau.



O primeiro julgamento por um crime de mutilação genital feminina em Portugal conhece a sentença esta sexta-feira (08.01), no Tribunal de Sintra.

O Ministério Público pediu uma pena de prisão efetiva para a arguida, Rugui Djaló, cidadã guineense residente em Portugal, acusada de ter submetido à prática Maimuna, a filha (agora com 3 anos), durante uma estadia de três meses na Guiné-Bissau, em 2019.

Quando voltou da viagem à Guiné, em março de 2019, Rugui levou Maimuna a um centro de saúde, porque a filha estava vermelha na zona genital, apontando como causa a combinação entre as fraldas e o calor do país africano de língua portuguesa de onde haviam regressado recentemente.

As enfermeiras que a atenderam identificaram uma infeção urinária e suspeitaram que esta tivesse sido causada por uma excisão genital. Posteriormente, a perícia médica feita a Maimuna confirmou essa possibilidade. 

Ministério Público pede pena de prisão efetiva

Na audiência de alegações finais, a 17 de dezembro do ano passado, a procuradora do Ministério Público pediu a aplicação de uma pena de prisão efetiva a Rugui Djaló, na convicção de que "teve conhecimento e consentiu o que foi feito" à sua filha.

A procuradora justificou o pedido de pena de prisão efetiva - não obstante a arguida, de 20 anos, não ter antecedentes criminais - com a "gravidade extrema" do crime, "violação de direitos humanos" para a qual se impõe "tolerância zero".

 
Assistir ao vídeo03:17

Mutilação genital feminina ainda é um problema na Europa

Por seu lado, o advogado de defesa, Jorge Gomes da Silva, assegurou que, dada a natureza da tradição do fanado (ritual de iniciação da Guiné que inclui a excisão feminina), a arguida não teria submetido a filha num dia e voltado para Portugal logo a seguir, nem teria levado a menina ao centro de saúde, sabendo de antemão que teria cometido um crime.

Nas alegações finais, o advogado sensibilizou o tribunal para a juventude da arguida, que "não é uma delinquente" e "luta pela vida, pautando a sua conduta pelas regras" de Portugal.

"Dou a minha vida pela minha filha"

"Dou a minha vida pela minha filha", garantiu, no final da sessão de alegações finais, Rugui Djaló, que pertence à etnia fula, uma das que tradicionalmente mantêm a prática.

A mutilação genital feminina é considerada crime autónomo em Portugal desde 2015. Estima-se que em Portugal vivam 6.500 mulheres excisadas, na maioria originárias da Guiné-Bissau. 

A Guiné-Bissau - onde a mutilação genital feminina é punida por lei desde 2011 - é o único país de língua portuguesa que figura nas listas internacionais sobre a prática, estimando-se que metade das suas mulheres tenham sido excisadas. 

Segundo dados oficiais, 39% das crianças guineenses com menos de 15 anos tinham sido excisadas em 2010 (antes da criminalização), percentagem que desceu para 30% em 2014. 

Em Portugal, onde reside uma representativa comunidade guineense, os profissionais de saúde da região de Lisboa registaram 129 casos de mutilação genital feminina em 2019, o dobro em relação a 2018.

Este registo não decorre de mutilações genitais praticadas recentemente em território nacional - o que nunca foi provado ter acontecido -, mas sim da sinalização de vítimas nele residentes submetidas à prática fora do país e, na maioria dos casos, num passado não recente.

fonte: DW



EUA: Trump pode ser afastado antes da tomada de posse de Biden?

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Depois da invasão do Capitólio por apoiantes de Donald Trump, cada vez mais vozes defendem o recurso à 25.ª Emenda da Constituição dos EUA, que permitiria afastar o republicano antes da tomada de posse de Joe Biden.




Mike Pence e Donald Trump, que esta quinta-feira reconheceu a derrota nas eleições e criticou os manifestantes que invadiram o Congresso

O recurso à 25.ª Emenda da Constituição para afastar Donald Trump da Casa Branca antecipadamente é uma hipótese que ganha força nos Estados Unidos e que não é defendida apenas por dirigentes democratas. 

"Já é tempo de invocar a 25.ª Emenda e acabar com este pesadelo", declarou Adam Kinzinger, um republicano da Câmara dos Representantes. "O Presidente está inapto. O Presidente não está bem", declarou.  

E o Congresso pode mesmo "avançar para um processo de destituição", se o vice-presidente, Mike Pence, recusar seguir por esta via, ameaçou já Nancy Pelosi, que tem, enquanto presidente da Câmara dos Representantes, o poder de abrir este procedimento. Segundo Pelosi, demitir Donald Trump é "uma urgência da maior importância", depois da sua "tentativa de golpe de Estado".

Para os democratas, o multimilionário republicano é responsável pelo caos semeado no Capitólio. Cinco pessoas morreram na invasão da sede do Congresso, quando os membros do congresso estavam reunidos para formalizar a vitória do Presidente eleito em novembro, Joe Biden. Um polícia do Capitólio que ficou ferido durante o ataque morreu na quinta-feira (07.01), elevando para cinco o número de vítimas mortais.

"Nem mais um dia no poder"

"O que ocorreu no Capitólio foi uma insurreição nos EUA" incitada pelo Presidente cessante, acusou o chefe dos senadores democratas, Chuck Schumer, considerando que Donald Trump não pode permanecer no poder "nem mais um dia". 

"Se o vice-presidente e o gabinete se recusarem a agir, o Congresso deve reunir-se novamente, para destituir o Presidente", disse Schumer.

Washington | Sturm auf Kapitol

Invasão do Capitólio por apoiantes de Trump resultou em cinco mortos

A Associação Nacional de Fabricantes dos EUA também já defendeu que Mike Pence deveria "considerar seriamente" a invocação da 25ª emenda da Constituição, para desqualificar Trump como Presidente. E a Liga Urbana Nacional pediu abertamente o uso da emenda, considerando que é urgente afastar Trump da Casa Branca antes do final do seu mandato.

Muitos temem que Trump possa tomar decisões que vão contra os interesses do país nos poucos dias de mandato que lhe restam, embora o Presidente cessante tenha baixado o tom nas últimas horas, reconhecido a derrota nas eleições e garantido uma "transição ordenada" do poder para Joe Biden.

Afastamento pode acontecer antes de 20 de janeiro?

Em teoria, sim. Se o vice-presidente, Mike Pence, e a maioria dos membros do gabinete invocarem o artigo 4.º da 25ª Emenda, Trump poderia ser pode declarado "inapto" para desempenhar as suas funções e ser imediatamente destituído.

 
Assistir ao vídeo01:02

Comédia: "Mini-Trump"

Mesmo que Donald Trump conteste, o Congresso tem 21 dias para o destituir - mas isto requer uma maioria de dois terços em ambas as câmaras.

Ao contrário do artigo 3.º, que permite ao Presidente entregar ele próprio o poder ao seu vice-presidente, quando está fisicamente incapaz de o exercer, o artigo 4.º dá esse poder ao resto do governo. 

Caso o Presidente seja destituído sem o seu consentimento, o vice-presidente assumiria a presidência provisoriamente e teria de nomear um substituto a ser aprovado pelo Congresso.

Quando foi aplicada a 25.ª Emenda?

Aprovada em 1967, depois do assassinato do Presidente John F. Kennedy, a emenda especifica as modalidades de transferência do poder executivo em caso de demissão, de morte, de destituição ou de incapacidade do locatário da Casa Branca. 

Já foi aplicada depois da demissão de Richard Nixon em 1974 e, de maneira temporária, durante as hospitalizações dos presidentes Ronald Reagan e George W. Bush.

Em outubro, quando Donald Trump foi transferido para o hospital, depois de ter sido infetado com o novo coronavirus, já tinha sido invocada a utilização da 25.ª emenda. Mas Trump não queria confiar as rédeas do governo ao seu vice-presidente, Mike Pence, e regressou rapidamente à Casa Branca. 

USA Washington | Sturm auf das Kapitol

Apoiantes de Trump que invadiram o Capitólio também podem ser acusados de sedição

Trump pode ter de responder por invasão do Capitólio?

Sim. Os especialistas dizem que Donald Trump pode ter de responder pelo crime de sedição por causa dos episódios ocorridos na sede do Congresso. A lei dos Estados Unidos define como um ato criminoso incitar uma insurreição contra o governo.

Kenneth Manusama, especialista em direito constitucional dos EUA, disse à DW que a acusação de sedição é a mais aplicável nesta situação porque houve "incitação do uso da força contra o exercício da autoridade pelo Estado, que era o que o Congresso estava a fazer".

fonte: DW  África


EUA: Os políticos e as fraldas.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...


O Presidente João Lourenço destacou no dia 23 de Setembro de 2019 o “esforço de mudança” em Angola, através do qual espera colocar o país “no mesmo patamar em que se encontram as nações empenhadas em promover o seu sucesso”.

Por Norberto Hossi

Estamos no caminho certo. O MPLA governa há 45 anos e promete atingir esse desiderato quanto chegar aos 100 anos de poder ininterrupto. Já só faltam 55 anos.

“Está a realizar-se em Angola, com a participação de políticos, da sociedade civil, da população em geral e do executivo, um esforço de mudança por via do qual pretendemos colocar o país, tão rapidamente quanto possível, no mesmo patamar em que se encontram as nações empenhadas em promover o progresso, o desenvolvimento e o bem-estar dos seus povos, através de boas práticas de governação”, afirmou o chefe de Estado no Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos da América, em Nova Iorque.

Se Donald Trump já admirava João Lourenço, a partir daí foi uma paixão eterna. Mais ou menos eterna. Agora vai aí o divórcio. Se Trump tivesse aceitado o apoio do MPLA continuaria no Poder. Armado em esperto, Donald não acreditou que João Lourenço tem uma máquina em que as ordens entram por um lado e os votos pretendidos saem pelo outro. Está arrependido. Mas agora é tarde.

O MPLA perguntou a Trump se sabia a razão pela qual, mesmo antes de ser declarado vencedor das “eleições” do dia 23 de Agosto de 2017, já João Lourenço era felicitado pelo Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa? Ele não percebeu o alcance da pergunta.

O discurso de João Lourenço, em Nova Iorque, foi mais um chorrilho de mentiras. No caso não foi para inglês ver mas para norte-americano ver. Foi, aliás, uma boa estratégia. Tendo os EUA um presidente que para contar até 12 tem de se descalçar ou pedir ajuda aos homólogos ucraniano, Volodymyr Zelensky, ou brasileiro, Jair Bolsonaro, estava tudo dito.

Mas, na verdade, quando o Presidente do MPLA diz que com a mudança conta com participação de políticos, da sociedade civil e da população em geral está a mentir descaradamente. João Lourenço só conta com os políticos do MPLA, com a sociedade civil do MPLA, com a população do MPLA. Isto porque, convenhamos, ele entende que o MPLA é Angola e que Angola é do MPLA.

João Lourenço considerou que há “resultados significativos no processo de transformação do país”, mas assumiu que há “um défice de conhecimento” pelos norte-americanos do programa realizado pelo seu Governo. Há, com certeza. Desde logo porque Donald Trump pensa (isto é como quem diz) que todos os angolanos são aquilo que João Lourenço pensa dos angolanos que não são do MPLA. Ou seja, que somos um bando de matumbos.

Nesse sentido, o Presidente João Lourenço disse que a visita aos Estados Unidos “é uma oportunidade soberana para colmatar esse défice” e para falar sobre as medidas que o seu executivo está a adoptar para “superar alguns vícios do passado”, dos quais (isso ele não diz) ele próprio foi actor e beneficiário activo.

“Estamos a implementar um conjunto de medidas que se inscrevem num plano do executivo sobre o desenvolvimento de Angola, que assenta em alguns eixos fundamentais como o desenvolvimento económico sustentável, a boa governação, a integração regional e internacional, o desenvolvimento das infra-estruturas”, referiu João Lourenço, que nessa altura cumpria dois anos na liderança de Angola.

O “copy paste” é cada vez mais um método utilizado prolixamente pelo MPLA. O que o Presidente diz que está a fazer, ou que quer fazer, ou que um dia alguém terá de fazer, é apenas uma cópia do que é dito pelos países mais desenvolvidos, seriamente governados, democráticos e que são (ao contrário de Angola) um verdadeiros Estados de Direito.

“Para a sua concretização, torna-se necessário atrair investimento estrangeiro para a nossa economia, a fim de a diversificar, aumentar a nossa produção interna e assegurar assim o aumento das exportações de bens diversos”, concluiu o Presidente angolano.

“Essas reformas difíceis, mas necessárias, estão a começar a diminuir o envolvimento do Estado na economia, a aumentar a transparência, a reduzir os riscos fiscais, a diversificar a economia, a gerar desenvolvimento liderado pelo sector privado, numa palavra, a melhorar o ambiente de negócios e investimentos no país”, justificou.

Bem dizia Eça de Queiroz, provavelmente antecipando a pequenez intelectual dos políticos lusófonos, que “os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão”.

Por outro lado, Guerra Junqueiro afirmou:

“Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar”.


fonte: folha8

Total de visualizações de página