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MACKY SALL EM BASSIROU DIOMAYE FAYE: Uma visita num contexto de cálculos políticos

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... Dois anos depois de deixar a capital senegalesa no final do seu segu...

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Rede de Mulheres da África Ocidental promove intercâmbio entre mulheres da cidade e do campo.

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fonte: tcv

Luther King entre os grandes da história americana.

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Monumento ocupa lugar perto dos fundadores da América e do presidente que aboliu a escravatura.
Luther King "acordou a consciência da América" e por isso tornou os Estados Unidos "mais perfeitos, mais justos e mais livres" - Barack Obama.
É talvez sintomático da sua importância na história americana que o monumento a Luther King esteja situado  na alameda central de Washington recheada de monumentos aos heróis e combatentes e perto dos monumentos a George Washington, o primeiro presidente, a Thomas Jefferson, um dos autores  da constituição e a Abraham Lincoln o presidente que salvou a unidade do país e aboliu a escravatura.

O reverendo Al Sharpton, ele também activista dos direitos cívicos, elogiou  a presença de King entre os grandes heróis americanos afirmando que o activista tinha feito a América “ ser aquilo que é a América".  King, disse Sharpton, habita agora um bairro reservado aos grandes da história americana.

"Bem-vindo ao bairro. Ao olhar para os presidentes ele está a representar aqueles que no princípio foram excluídos mas que agora estão incluídos. E nós vamos fazer dessa inclusão algo que se vai expandir e avançar. Ele ensinou-nos esperança no desespero. Portanto George Washington, Jefferson e Lincoln preparem-se porque há um novo vizinho no bairro. Advinhem quem vem para jantar?" disse Sharpton

A cerimónia de Domingo atraiu dezenas de milhar de pessoas vindas de todos os cantos da América.

Jeanine Hill que veio de autocarro desde o estado central do Ohio disse que a inauguração oficial era  "um dia muito especial para os africano-americanos".

" Precisamos de algo como isto, especialmente num ano de eleições. Isto é um acontecimento muito importante e eu sinto-me orgulhosa de ser parte da história," disse ela

Isto foi com efeito uma tema dominante das cerimónias entre  personalidades da comunidade negra dos Estados Unidos. O facto de Luther King estar agora entre os grandes da história americana, apesar de nunca ter ocupado nenhum cargo político, é visto como um reconhecimento do papel dos negros na história americana, o reconhecimento, como disse o próprio presidente Barack Obama no seu discurso de que Martih Luther King “acordou a consciência” da América e ao faze-lo tinha tornado os Estados Unidos “mais perfeitos, mais justos e mais livres”.

"Devido a essa visão de esperança, devido à imaginação moral do Dr King, as barricadas começaram a caír e a discriminação a desaparecer. Abriram-se novas portas de oportunidade para uma geração inteira. Sim é verdade que as lei mudaram, mas os corações e as mentes também mudaram,” disse Obama.

Mas a cerimónia foi também marcada pela realidade de que a luta pela igualdade ainda não acabou. Houve várias referências ao grande numero de africano-americanos nas prisões, às diferenças que persistem em rendimentos de brancos e negros, ás diferenças nos níveis de educação. O reverendo Jesse Jackson, uma conhecida figura  da cena política americana e da luta pelos direitos cívicos disse que todos têm "a obrigação de não ficarmos apenas maravilhados com isto mas de continuar a levantar as questões morais perturbadoras e difíceis sobre justiça e igualdade económica".
Mas claro está que a festa de inauguração do monumento foi também isso mesmo, uma festa. Festa em que uma irmã de Luther King recordou o seu irmão, festa em que conhecidos músicos com Stevie Wonder, James Taylor e a raínha do soul Aretha Franklin cantaram.
 
Aretha Franklin acena à multidão sob os aplausos de Obama.
Aretha Franklin  cantou o espiritual negro favorito de Martin Luther King enquanto sentado ao seu lado o presidente Obama soletrava a canção. É quase uma certeza que  King nunca poderia ter imaginado um monumento à sua obra na capital americana e provalvemente muito menos que ao lado de Aretha Franklin estaria o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

Nada poderia ter sido mais simbólico do que esse quadro, como que a afirmar a visão de King no seu famosos discurso "tenho um sonho" em que visionou uma América baseada na igualdade de oportunidades.


fonte: voanews





 

Moçambique: Samora Machel morreu há 25 anos.

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Mais de cinco mil pessoas, dois chefes de estado e de governo, vários ministros, políticos, académicos e activistas sociais de Moçambique, África do Sul e Suazilândia juntaram-se hoje na região montanhosa de Mbuzini para assinalar 25 anos da morte do presidente Samora Machel e outros 33 passageiros num acidente de aviação.
Ornila Machel, filha de Samora Machel
Foto: Joaquim Júnior / VOA
Ornila Machel, filha de Samora Machel.

Mais de cinco mil pessoas, dois chefes de estado e de governo, vários ministros, políticos, académicos e activistas sociais de Moçambique, África do Sul e Suazilândia juntaram-se hoje na região montanhosa de Mbuzini para assinalar 25 anos da morte do presidente Samora Machel e outros 33 passageiros num acidente de aviação. O governo moçambicano considera que o acidente ocorrido a 19 de Outubro de 1986, foi tecnicamente provocado pelo então regime do apartheid.
A chuva que ameaçou estragar a cerimónia logo nas primeiras horas da manhã não conseguiu travar a moldura humana que queria render homenagem ao fundador do estado moçambicano.
Os presidentes Armando Guebuza, de Moçambique, e Jacob Zuma, da África do Sul, acompanhados pelos familiares e sobreviventes do acidente de Mbuzini colocaram flores no monumento erguido em memória às vítimas da tragédia.
Moçambicanos, sul-africanos e suázis destacaram a vida e hora de Samora Machel através de canções, dança, depoimentos espontâneos, orações e discursos formais.
O filho do malogrado estadista, Samora Machel Júnior, mais conhecido por Samito, chorou no pódio enquanto apresentava o discurso da família dos perecidos.
Samito disse que a família Machel está feliz, porque quase todos os moçambicanos reconhecem que o seu pai foi um líder visionário, cujos discursos ainda continuam na ordem do dia, apesar do tempo.
O governo moçambicano declarou 2011 como ano Samora Machel, para assinalar os 25 anos da morte do fundador do estado moçambicano. No âmbito desta proclamação, foram realizadas grandes cerimónias em Xilembene, terra natal de Samora Machel, onde foi inaugurado um Centro de Conhecimento e Desenvolvimento. Amanhã, vai decorrer durante todo o dia um colóquio internacional sobre a vida e obra de Samora Machel. Entre os oradores previstos figuram os presidentes do Uganda, Zimbabwe e do antigo Chefe do Estado da Zâmbia.
As comemorações terminam quarta-feira com a inauguração de uma majestosa estátua encomendada na Coreia do Norte pelo governo moçambicano.
Está igualmente prevista a presença da presidente brasileira, Dilma Roussef.

fonte: voanews

domingo, 16 de outubro de 2011

É bom saber disso: “Sou angolano”, diz o cantor Alexandre Pires.

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image “Tenho um grande carinho pelo povo africano, em especial pelo povo de Cabo Verde, Moçambique e Angola”.
O ponto de encontro é num hotel em Lisboa, dias antes do espectáculo marcado para ao Campo Pequeno, na capital portuguesa (ver caixa). Alexandre Pires chega e deixa-nos à vontade. Descontraído, solta um “vamos a isso”.

Sentamo-nos e a conversa começa, sempre animada. Aos 13 anos, o “Neguinho” – como é carinhosamente chamado no Brasil – saltou para a ribalta, após o sucesso alcançado com o grupo Só Pra Contrariar (SPC). A partir daí foi sempre a subir, tendo iniciado a carreira a solo em 2002. De Angola só tem boas recordações. Afinal, conta, foi lá que deu o espectáculo mais lindo da sua vida. Sem rodeios, admite que em Angola está em casa. “Noutras vidas fui dali”… 
Nasceu numa família de músicos… Como foi adquirir essa experiência?A família foi fundamental para a paixão que tenho pela música. Os meus pais são músicos há muitos anos: a minha mãe é cantora e o meu pai baterista. Vivi esse movimento musical em casa, e assim a hipótese de fazer outra coisa que não fosse música era muito pequena. Tudo começou no final de 1989 para 1990, quando comecei a tocar. Em seguida formámos o grupo (SPC). 
Como foi a sua infância, ainda antes de formar os SPC?Muito divertida. Sou de uma cidade do interior do Brasil, do estado de Minas Gerais, de Uberlândia. Apesar de ter sido uma infância curta, porque comecei a trabalhar muito cedo, com 13 anos, foi muito divertida, intensa. Fiz todas as coisas que uma criança gostava de ter feito, as coisas simples. Adorava estar na rua com os colegas, soltar papagaios (risos), jogar futebol… Mas sempre tive aquela coisa de fazer algo para ajudar a família. Tinha um avô que era marceneiro e ajudava-o, até que a música tomou conta do meu dia-a-dia, do meu coração.
Percebeu quando surgiu esse clique pela música?Foi no início de 1990. “Poxa é isso que quero para mim”, disse. 
Quando se formaram os SPC o sucesso foi tremendo. Era muito jovem, tinha 13 anos! Como foi lidar com a fama?Era uma coisa muito tranquila, espontânea, tocávamos em sítios pequenos lá na cidade para amigos. Queríamos tocar, era a euforia do inicio de ser músico. Até que, em 1992, a coisa já estava séria, tocávamos em cinco lugares diferentes por semana e o público gostava do que fazíamos. No final de 1992 recebemos um convite da editora BMG para gravar um LP, que foi lançado em Março de 1993, e que resultou bem. Não imaginávamos isso, não tínhamos essa pretensão.
Esperava que o sucesso com os SPC durasse tanto tempo? Foram mais ou menos dez anos…É verdade, não imaginávamos que tudo isto fosse acontecer nas nossas vidas. Sair de Uberlândia e de repente ter oportunidade de conhecer o país, viajar, aquela loucura, o sucesso. As músicas tocavam muito nas rádios. Foi um momento único para nós. O SPC foi um grupo que alcançou coisas únicas. Tudo isso levou-nos a caminhos que não esperávamos. 
Em 2002 iniciou a carreira a solo. Como surgiu essa ideia?Foi tudo muito rápido também. Lancei um disco a solo em espanhol, que foi editado no Brasil, e em português. Era um disco que seria um trabalho paralelo ao que fazia com o grupo, só que também foi uma coisa que ninguém imaginava. Iniciei uma carreira a solo e ainda continuava no grupo, mas tomava-me muito tempo, até que decidimos que o melhor a fazer era eu seguir sozinho e o grupo seguir o seu caminho com o meu irmão, o Fernando, como vocalista.
Foi uma decisão acertada…Acertada mas muito difícil. Você sai de um grupo de tanto sucesso como os SPC… Era um risco muito grande. Mas havia a oportunidade de seguir com um trabalho internacional, que era um grande desejo que tinha. Um dos responsáveis pela minha saída do grupo foi justamente esse trabalho internacional. Esse disco, que foi lançado lá fora, deu-me muitas alegrias, um Grammy [em 2002, na categoria “Engenharia de Som”], fui artista do ano na revista Billboard [conquistou o prémio de “Melhor Artista do Ano” no Latin Music Awards]… 
O que sentiu quando cantou a “Garota de Ipanema” para George Bush?Isso faz parte da carreira a solo, em 2002 ou 2003. Uma grande emoção. É um evento que eles fazem todos os anos. Convidam personalidades latinas que se destacaram durante o ano, e eu fui o convidado. Foi um dos momentos mágicos desse novo período, digamos assim. Como os duetos que fiz lá fora [com, por exemplo, Alejandro Sanz e Gloria Estefan]. Tudo isso encheu-me de orgulho, por estar a representar o Brasil e o povo latino. Foi uma das grandes emoções dos últimos dez anos.
Em 2005 recebeu o troféu raça negra!Foi um prémio tão importante como todos os outros que recebi, de melhor intérprete do ano, mas lembro-me que nessa ocasião estavam presentes grandes artistas no Teatro Municipal de São Paulo. Foi um prémio especial. Talvez o meu primeiro galardão de grande destaque no Brasil [foi atribuído no Brasil no Dia Nacional da Consciência Negra].
Mais recentemente, e dando um “salto” na conversa, como foi cantar com a Yola Araújo e com o Anselmo Ralph?Sim… Gravámos juntos um DVD que lancei no Brasil, que foi lançado aqui também [em Portugal] e que se chama “Em Casa”. Foi maravilhoso, porque tenho um grande carinho pelo povo africano, em especial pelo povo de Cabo Verde, Moçambique e Angola. A musicalidade deles, essa cultura musical “bacana” e o intercâmbio rítmico que existe no Brasil com a música africana. Fomos a um “show” em Angola, eu conheci-os e tempo depois liguei-lhes e disse: “Poxa, estou gravando um DVD aqui, vem para cá participar!”. “Poxa é mesmo, que legal e tal” [disseram Yola Araújo e Anselmo Ralph]. Cantámos uma música, “A Deus Eu Peço”, que é uma versão dos Juanes, e foi um sucesso… A participação deles foi muito interessante, o público brasileiro gosta muito disso, a coisa rítmica. Essa participação foi muito comentada no Brasil, o público adorou. Foi uma honra cantar com eles, são grandes artistas.
Quando esteve em Angola, e foi há pouco tempo, disse que gostaria de ter novos projectos com músicos angolanos. É um objectivo?Pode ter certeza. Estive a falar sobre isso com o Bonga. Falámos sobre a possibilidade de fazer algumas coisas juntas, cantar sobre temas típicos de Angola e outros do Brasil. É um projecto que quero realizar, se Deus quiser.
Para já não há nada definido?Por enquanto não. Esta tournée é muito jovem, estamos a viajar há sete meses com este “show”. Provavelmente seguimos até ao segundo semestre do ano que vem. Aí sim, sabemos o que vamos fazer (risos).
Angola e Brasil estão separados por milhares de quilómetros, mas há uma proximidade entre os dois povos. Pelo que conhece da cultura angolana qual a sua opinião sobre este assunto?Acho interessantíssimo. O povo angolano é muito querido, um povo que está a desenvolver-se e que saiu de um momento muito difícil, mas é um povo que mesmo com a dificuldade, com a adversidade, tem uma felicidade, uma esperança, uma força dentro de si que nunca vi. A primeira vez que estive lá, em 1997, fizemos um “show” com os SPC, foi talvez o “show” mais lindo que já fiz na vida. Não imaginávamos que as pessoas conhecessem as músicas. É um povo que tem um carinho enorme pelo Brasil, e nós também temos pelos angolanos. A História diz tudo... Essa história podia fundir-se mais. Mas sou angolano (a cantar) (risos).

Há uma frase que o Alexandre disse que vou agora reproduzir: “Angola, a minha segunda casa, o meu segundo país, tenho um carinho e respeito muito grande…”
É, porque acho que noutras vidas eu fui dali. Tenho absoluta certeza disso. Quem viveu todos esses anos comigo, quem conviveu comigo, sabe do que estou a falar. O meu carinho por Angola será eterno. É um povo único, muito particular.
E não tem qualquer tipo de ligação familiar com Angola, correcto?É verdade. A forma como eles tratam-me também é como se fosse angolano. Por exemplo, quando foi a apresentação que fiz na Casa Branca, e isso foi divulgado em Angola, as pessoas e a imprensa comentaram que o público ficou muito feliz, como se eu fosse angolano. Isso toca-me. 
Estamos a falar de música, de Angola, de Brasil, de Portugal, onde vai dar mais dois concertos [realizaram-se nos dias 29 e 30 de Julho, no Porto e em Lisboa, respectivamente]. E fala-se muito da relação entre os países lusófonos. A música pode funcionar como ponto de ligação entre estas nações?A música é uma coisa linda, maravilhosa, que tem o dom de juntar as pessoas e de certa forma de emocionar. Seja qual for a música, o idioma, ela é universal. E, claro, é um dos pontos de ligação, de união, de espírito, de patriotismo. A música tem uma participação muito grande na vida das pessoas. Ver um filme sem música, uma novela sem música… Aquela cena bonita de amor e de repente entra aquela música romântica, aquela orquestra… Tudo fica diferente. A música é uma coisa que nos aproxima de Deus, uma dádiva maravilhosa.
Falou no romance, no amor… É considerado uma das vozes mais românticas do Brasil. Sente-se bem com essa conotação?Gosto muito de cantar outros estilos, músicas rítmicas, mais tropicais, mas acho que a minha voz, o timbre, encaixa-se bem nas músicas românticas. Essa é a minha essência maior.
“Quem é Você” [música que Alexandre Pires dedicou à mulher, Sara, no seu último álbum, intitulado “Mais Além”, de 2010]?Sou um (pausa) rapaz que (pausa) quem sabe um dia serei um grande homem (risos). Sou feliz demais. Um apaixonado pela música e pela família. As coisas boas e simples da vida é o que procuro viver nos dias de hoje.
Sente-se realizado?Muito. Tenho uma família linda, os meus filhos, a esposa, o meu público, a música, tudo o que qualquer ser humano gostaria de ter, independentemente da função que exerça. Estou realizado em todos os sentidos. 
Que receita da felicidade tem para os leitores da África Today?(longa pausa) Acho que não existe uma receita para a felicidade, basta ser você mesmo, e se busca algum objectivo na vida entregue-se de corpo e alma, faça apenas o que lhe dê felicidade. No meu caso a música faz-me muito feliz. A família é a nossa grande Igreja, e falando de igreja, acho que ninguém é feliz sem ter fé, sem acreditar em algo que seja superior a tudo o que vivemos aqui.
Um espectáculo inesquecível
Na entrevista que concedeu à África Today prometeu cantar as “músicas velhas”. “O público quer ouvir isso, temos esse cuidado, de dar o que o público quer. Além das músicas novas quer ouvir os grandes ‘hits’”, contou. Dito e feito. A longa espera pelo início do espectáculo – estava previsto começar às 21h30, mas Alexandre Pires e companhia subiram ao palco perto das 23 horas – foi bem compensada… Um regresso ao passado que fez com que os fãs esquecessem “o tempo perdido”. No final, a frase “valeu a pena a espera” foi das mais ouvidas. E animação foi coisa que não faltou durante as quase duas horas do espectáculo. O “mineirinho” arrancou o concerto com o tema “Pode Chorar”, dos Só Pra Contrariar, e cantou de seguida duas músicas do seu último álbum: “Ainda te Espero Baby” e “Eu Sou o Samba”. O momento alto do concerto aconteceu quando Alexandre Pires cantou dois medleys, nos quais integrou o seu grande sucesso “Depois do Prazer”. Nessa altura, o Campo Pequeno foi ao rubro com tanta emoção. E já ninguém se lembrava que o espectáculo tinha começado com quase hora e meia de atraso… Pelo meio, o músico brasileiro ainda teve tempo de cantar um tema cujo original é de Rossana, chamado “Custe o Que Custar”. “Adoro Portugal, sinto-me em casa aqui. Gosto de partilhar com os fãs o que é importante para mim, por isso, vou cantar uma música que marcou muito a minha infância”, disse. Emoção e interacção com o público foi uma constante durante as quase duas horas de concerto, de resto, como é habitual nos espectáculos de Alexandre Pires. A provar que tem Portugal no coração, o “neguinho” dedicou ao público uma música de Roberto Carlos, chamada “Como é Lindo o Amor por Você”, mas, neste caso, cantou “Como é lindo o amor por vocês…”. Um amor recíproco.

Frederico Gonçalves
fonte: Revista Africa Today

Presidente do Brasil visita África.

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Na próxima semana, Dilma Rousseff vai iniciar um périplo por três países de África. África do Sul, Angola e Moçambique são os três países que vão receber a presidente do Brasil. 


A visita da chefe de Estado brasileira enquadra-se num pequeno périplo a África, que vai levar Dilma Rouseff à África do Sul, para a cimeira do grupo IBAS (Índia, Brasil e África do Sul), e posteriormente a Maputo, nos dias 18 e 19 de Outubro.Segundo o conselheiro da Embaixada do Brasil em Maputo, João Marcelo, além de Moçambique, Dilma Rousseff deverá visitar também a capital angolana.

Fonte: Diário Digital/Lusa 

Economia: 15.10.2011 - G20 discute saídas para crise na Europa em meio a protestos mundiais.

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Lideranças econômicas do grupo querem que Alemanha, Brasil e China ajudem zona do euro a superar a crise. Enquanto solução ainda é incerta, mundo assiste a uma onda de manifestações.


Enquanto lideranças econômicas do G20 discutiam saídas para a crise da dívida na zona do euro, manifestantes foram às ruas em várias partes do mundo protestar contra os bancos e as duras medidas de austeridade que vêm sendo adotadas por alguns governos para conter seus déficits. Uma onda de protestos inspirada no Occupy Wall Street, dos Estados Unidos, ocorreu neste sábado (15/10) em cidades como Berlim, Roma, Bruxelas e Londres.
Após o encontro de dois dias em Paris, os representantes das 20 economias ricas e emergentes colocaram ainda mais pressão sobre os europeus, para que solucionem rapidamente a crise na zona do euro, evitando o contágio de outras economias. O grupo sugeriu que países que apresentam alto superávit – como Alemanha, China e Brasil – deveriam ajudar a economia global, impulsionando suas demandas internas.
"Aqueles que apresentam maiores superávits também devem implementar políticas para voltar o crescimento para suas demandas internas", afirmaram ministros das Finanças e chefes de bancos centrais em um comunicado ao final do encontro, referindo-se a "economias avançadas".
"Economias emergentes em superávit deverão acelerar a implementação de reformas estruturais para reequilibrar demandas por meio do aumento do consumo interno", ressaltou o comunicado, em referência à China e ao Brasil.

Papel do FMI
Em Roma, quase 200 mil manifestante foram às ruas 
Em Roma, quase 200 mil manifestante foram às ruas.
 
Os ministros das Finanças do G20 também defenderam o uso do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) para conter a crise da dívida. "Aguardamos decisões adicionais que aumentem a força do FEEF para controlar o contágio, bem como o resultado do encontro de cúpula da UE do dia 23 de outubro", afirmaram na declaração conjunta. Os líderes europeus devem se encontrar nesta data para apresentar propostas mais concretas para a saída da crise.
Os países do G20 comprometeram-se a continuar permitindo, por meio de seus bancos centrais, o acesso a crédito para que as instituições financeiras possam se capitalizar.
Eles também defenderam que o Fundo Monetário Internacional (FMI) disponha de recursos "adequados" para enfrentar crises financeiras como a atual. De acordo com o ministro francês das Finanças, François Baroin, o assunto deverá ser debatido no encontro dos líderes políticos do G20 que será realizado entre os dias 3 e 4 de novembro em Cannes. Ele afirmou que os resultados deste encontro serão "decisivos".
O papel do FMI diante da crise europeia ainda divide opiniões no G20. Durante os debates em Paris, as lideranças financeiras rejeitaram proposta do Brasil, da Índia e da China de elevar o capital da instituição, para que ela pudesse comprar títulos públicos de países com problemas orçamentários, como Itália ou Espanha, ou mesmo oferecer créditos para resgatar bancos. Os Estados Unidos posicionaram-se contrários à proposta.

Onda de protestos
Londrinos protestaram contra os efeitos da crise 
Londrinos protestaram contra os efeitos da crise.

As contínuas incertezas sobre os rumos da economia global motivaram uma onda mundial de protestos. Em Roma, quase 200 mil pessoas foram às ruas um dia após o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, ter obtido um voto de confiança da Câmara dos Deputados. A Itália – terceira maior economia da zona do euro – tem sido uma fonte crescente de instabilidade econômica no bloco por conta dos altos níveis de suas dívidas.
O governo de Berlusconi adotou um pacote de austeridade de 60 bilhões de euros para prevenir uma eventual necessidade de ajuda financeira ao país, assim como ocorreu com a Grécia, Irlanda e Portugal.
"Os jovens estão certos em se indignar. Eu os entendo", afirmou o presidente do Banco Central italiano, Mario Draghi, que em novembro assume a chefia do Banco Central Europeu.
Na Alemanha, onde a opinião pública tem se mostrado cética com relação ao resgate à Grécia, cerca de 5 mil pessoas protestaram em frente ao prédio da Chancelaria Federal em Berlim. Em Bruxelas, sede da União Europeia, cerca de 2 mil pessoas foram às ruas como forma de pressionar líderes europeus.
Na Austrália, ativistas de Sidney levantaram placas com os dizeres: "Não se pode comer dinheiro". Reino Unido, Japão, Nova Zelândia, Filipinas, Taiwan e África do Sul também foram palco de protestos.

fonte: MS/dpa/lusa/ap/afp
 
 

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Antigos presidentes galardoados com Prémio Mundial de Almentação.

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Lula da Silva do Brasil e John Kufuor do Ghana partilham 250 mil dólares do galardão entregue em Iowa.
Lula da Silva do Brasil e john Kufuor do Ghana, dois antigos presidentes cujos governos conseguiram reduzir a niveis mais baixos a prevalencia da fome nos países respectivos
Foto: ASSOCIATED PRESS
 
Lula da Silva do Brasil e john Kufuor do Ghana, dois antigos presidentes cujos governos conseguiram reduzir a niveis mais baixos a prevalencia da fome nos países respectivos.
Dois antigos presidente de países em desenvolvimento receberam este ano o maior prémio de recompensa na luta contra a fome.
Luís Inácio Lula da Silva do Brasil e John Agyekum Kufuor do Ghana foram galardoados ontem no Estado americano de Iowa com o Prémio Mundial de Alimentação.
No Ghana, os produtores de cacau conseguiram aumentar as suas receitas agrícolas durante a vigência do presidente John Kufuor. Os investimentos governamentais na formação agrícola, no uso de fertilizantes e no controlo de pesticidas duplicaram a produção do cacau por hectare.
Os cultivadores de tubérculos como o inhame e a mandioca e outras produtos alimentares agrícolas foram apoiados pelo governo na obtenção de uma maior produtividade e receita económica. O presidente Kufuor apoiou igualmente o programa alimentar escolar que abrange um em cada nove estudantes do ciclo primário do seu país. Esses programas ajudaram a reduzir os níveis da fome de 34 por cento em 1990 para 9 por cento em 2004.
No Brasil o ainda popular ex-presidente Lula da Silva também obteve um sucesso remarcável quando o seu governo fixou como uma das principais prioridades, o combate a fome.
“É um direito sagrado, um direito fundamental de todos os humanos. Porque a fome é sem dúvida uma das maiores armas de destruição em massa.”
No Brasil foram garantidos às famílias pobres, rendimentos mínimos e um serviço básico através do programa “Bolsa Família”, que reduziu em metade as dificuldades de acesso a alimentação.
Esta estratégia valeu ao presidente Lula no ano passado o prémio do Programa Mundial da Alimentação das Nações Unidas, entregue ontem pela sua directora Josette Sheeran.
“Brasil tem sabido combater a fome, atingindo níveis jamais vistos em nenhuma outra nação.”
Os presidentes Lula da Silva e John Kufuor partilham assim este prémio patrocinado por privados no valor de 250 mil dólares.
O Prémio Mundial de Alimentação foi instituído por Norman Borlaug botânico americano e vencedor do Prémio Nobel de 1970, que dedicou a melhoria da cultura do arroz e do trigo e reconhecido por ter livrado o continente asiático da fome durante a década de 1960.

fonte: voanews

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

"Operação Lancha Voadora" Polícia Judiciária apreende mais drogas e armas na cidade da Praia.

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Cabo Verde feche o cerco aos traficantes com acções preventivas que resultaram em várias apreensões. Veja o vídeo.



 fonte: RTC

Cabo Verde ocupa segundo lugar no índice de boa governação na África Subsaariana.

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O Índice Ibrahim de Governação Africana 2011 coloca Cabo Verde em primeiro lugar entre 53 países no que diz respeito à “Participação e Direitos Humanos”.
Praia - Cabo Verde ocupa o segundo lugar entre os países mais bem governados de África, apontam os dados da classificação divulgada pela Fundação Mo Ibrahim , segunda-feira (10). Cabo Verde obteve uma pontuação de 79 em 100, ficando atrás apenas das Maurícias (82), informa o site A Semana.

O Índice Ibrahim de Governação Africana 2011 coloca Cabo Verde em primeiro lugar entre 53 países no que diz respeito à “Participação e Direitos Humanos”, categoria em que o arquipélago alcançou 78 pontos. Nos capítulos “Segurança e Estado de Direito” e “Oportunidade Económica Sustentável”, Cabo Verde quedou-se no terceiro lugar, com 87 e 68 pontos, respectivamente.

De entre os quatro itens do índice, Cabo Verde consegue a pior colocação (4º) na categoria “Desenvolvimento Humano”, que engloba as áreas de segurança social, educação e saúde. Ainda assim, aparece com 83 pontos, bem acima da média geral, que é 56 pontos.

No cômputo geral, a Fundação Ibrahim aplaude a consistência de Cabo Verde e mais quatro países africanos em matéria de boa governação. “Os países consistentemente classificados nos primeiros cinco lugares do desempenho de governação global – Maurícias (82 pontos), Cabo Verde (79), Botsuana (76), Seicheles (73) e África do Sul (71)– têm, até agora, registado um elevado desempenho em todas as quatro categorias”, lê-se no relatório da Fundação.

O mesmo documento realça também os progressos “notáveis” alcançados pela Libéria e pela Serra Leoa, dois países a emergir de prolongadas guerras civis. “Ambos melhoraram continuamente no que concerne às quatro categorias de governação do Índice: Segurança e Estado de Direito, Participação e Direitos Humanos, Oportunidade Económica Sustentável e Desenvolvimento Humano”.
Estabelecido em 2007, o Índice Ibrahim é a recolha “mais abrangente de dados quantitativos que facultam uma avaliação anual do desempenho da governação em cada país africano”. Publicado pela Fundação Mo Ibrahim, uma organização que apoia a boa governação e a excelência na liderança em África, este índice mede a distribuição de bens e serviços públicos através de 86 indicadores. As informações são do portal A Semana.

fonte: africa21




sábado, 8 de outubro de 2011

Conhecer um pouco mais da história do nosso país e do nosso povo e de onde quer que venha essa história, eu farei o possível de levá-la até você, mas as conclusões serão tiradas por você independentemente da versão do autor.

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O massacre dos soldados africanos

Nesta página são apresentados os seguintes textos:
  • Os massacres em Bissorã - por Carlos Fortunato
  • Testemunho do ex-comando Francisco Amadeu Baldé - 10/06/2006 elaborado por Carlos Fortunato
  • Testemunho do ex-comando Julde Jaquite Semedo (Júlio) – 30/6/2007 elaborado por Carlos Fortunato


Os massacres em Bissorã - por Carlos Fortunato

1969 - Bissau Forte da Amura,
para onde foram levados e fuzilados os comandos africanos (1)

O massacre de ex-comandos africanos, de ex-soldados, de  ex-milícias, e até de civis, que tinham pertencido ou apoiado o exercito português, foi realizado após a entrega do poder ao PAIGC em 1974, esta acção colocou uma mancha na história da Guiné, e criou um precedente de impunidade, que se virou contra os próprios dirigentes do PAIGC, face a um clima de intrigas e conspirações que se criou.

Não se sabe ao certo quantos morreram, mas foram vários milhares.

Apresenta-se a seguir um pequeno extracto do jornal "Nó Pinctha", edição de 29/11/1980, que transmite a posição do PAIGC: 

"Em seis anos de independência total da nossa terra, 500 pessoas foram fuziladas, sem julgamento e enterradas em valas comuns nas matas de Cumerá, Portogole e Mansabá.

Publicamos hoje, os nomes de algumas pessoas que foram massacradas pelo regime de Luis Cabral, pois só as fichas criminais e que chegaram ao conhecimento do Conselho da Revolução. Sabe-se que muitos camaradas das FARP, que discordavam do regime e das injustiças de que eram alvo, elementos do grupo Malam Sanhá, e antigos comandos africanos criados pelas autoridades do colonialismo português na nossa terra, foram mortos pelos Serviços de Segurança do Governo Deposto.

São bem conhecidos do nosso povo os crimes cometidos pelos "comandos africanos", junto das populações indefesas. Era justo que fossem julgados, mesmo eles, e condenados pelos seus crimes. Mas tal não aconteceu. O regime de Luiz Cabral violou flagrantemente as normas dos Direitos Humanos, e nenhum comando africano, nenhum dissidente foi levado a tribunal. Foram executados barbaramente no meio das florestas, contra os mais elementares princípios de justiça, e contra os princípios do nosso glorioso partido"

O crime pelos massacres é assim imputado a Luiz Cabral, e a sua execução aos Serviços de Segurança dirigidos por Buscardini.

É do conhecimento geral que os fuzilamentos foram realizados por soldados, e nunca por elementos ligados à segurança.

A guerra era algo que os soldados africanos lamentavam constantemente, o seu desejo era que fosse feita a paz. Falavam que não podiam andar ali a matar os seus irmãos, e que todos se deviam sentar e conversar, para se chegar a um acordo.

A aspiração dos soldados africanos da CCaç. 13 era apenas a de terem uma vida melhor, e o empenho de alguns deles para se desenvolverem era extraordinário.

Apesar de apenas falarem balanta e algumas palavras de crioulo, dedicavam-se afincadamente ao auto-estudo, pegando em livros de leitura que decoravam, numa tentativa de aprender a ler.

Apresento a seguir uma imagem com o extracto de uma carta do soldado Calaboche, é apenas um exemplo de um homem simples, já cansado de guerra, que lutou leal e dignamente, na procura de um futuro melhor, acreditando que ele seria ao lado de Portugal.

Carta de 1971
"...
Meu amigo Fortunato eu agora estou farto de guerra eu só quero tirar quarta classe depois foi em Bissau tirar carta de condução civil depois deu tropa cos pontapé.
..."

1970 - Calaboche, Carlos Fortunato e Manuel Cuna na rua principal de Bissorã (1)
Calaboche, distinguido com o Prémio Governador da Guiné (2)

Calaboche nunca conseguiria ver os seus sonhos realizados, pois ele tal como muitos outros, foi abandonado à sua sorte, e fuzilado pelo PAIGC. Foi capturado e morto pelo PAIGC, quando se dirigia para a escola onde dava aulas como professor.

Houve quem fugisse para o Senegal, para salvar a vida, mas mesmo continuaram a ser perseguidos, e foram muitas as dificuldades por que passaram, alguns acabariam por morrer por lá.

Transcreve-se a seguir dois extractos de duas cartas relatando um pouco o que se passou em Bissorã, enviadas por outro ex-soldado africano que conseguiu escapar a esses massacres:

Carta de 1982
" ...
Hora bem eu vou-te esplicar poucina en pouco (1) de independencia da Guiné Bissau.
O que se passou depois de independencia da Guiné, partido mata muitas pessoas na nossa grupo, mata Tenha Taga, Calabos Tchuda, Furrel Sora Nando, só na nossa grupo, também Caba Santiago, Sitafa Quebá, Bacai, José de mesa oficiais, cozinheiro Nhinde de Olossato (2).
Olha Fortunato eu não tem trabalho depois de independencia partido não deija nos(3) trabalhar junto com eles partido disse que nosso tropa portuguesa luta contra eles. Se voce vem cá na Guiné com cooperante voce capaz de arranjar trabalho por favor amigo Fortunato.
…"

Notas corrigindo alguns dos erros da carta para melhor compreensão:

(1) Pretende escrever: explicar um pouco
(2) Pontuei este parágrafo para ser compreensível, o nome do Tenha Taca, Calaboche Tchudá, Sitafá Camará, estão igualmente mal escrito, não consegui identificar se está correcto o nome do Furriel Sora Nando.
(3) Pretende escrever: deixa nós "

 
Carta de 1988
" ...
Os teus soldados chamados Jorge, Barra, Tancana (1) foi matados em furto em Senegal.
... "

(1) O 2º e 3º nomes estão mal escritos correctamente é: Birra e Tangana

Na primeira carta de 1982, é referido o nome de Cabá Santiago, conheci o Cabá Santiago, e posso contar um pouco da sua história, tendo por base aquilo que ele me contou, e o que eu conhecia a seu respeito.

13/6/1974 - Bissorã- Cabá Santiago ao meio, à sua esquerda o comandante do PAIGC da zona de Maqué, Joaquim Tó, que veio até Bissorã com um grande grupo de guerrilheiros.
Vai existir uma reconciliação pacifica, sem retaliações, é o que é proclamado. (2)

Cabá Santiago era um individuo inteligente e com alguma cultura, tinha sido professor até aderir ao PAIGC, ai passou a ser professor e guerrilheiro, após muitos anos de luta, sem ver um fim à vista para esta, e percebendo que o PAIGC mentia nas suas mensagens de propaganda, acreditou que o melhor caminho a seguir era o apontado por Portugal, e aproveitou as campanhas de aliciação para os guerrilheiros abandonarem a luta, para se entregar.

Quando se entregou, Cabá Santiago passou a colaborar com as nossas tropas, integrando as milícias de Bissorã, como chefe de um grupo de milícias, e regressou à sua zona para combater o PAIGC.

Conhecendo alguns guerrilheiros, que viviam com a população, utilizava o seu estatuto de guerrilheiro, e mandava-os ir buscar as suas armas (cada um tinha escondido a sua no mato), e quando estes chegavam armados eliminava-os.

A guerrilha tinha o seu sistema de informação, nomeadamente através dos elementos da população de Bissorã, e Cabá arriscou muito naqueles dias, pois bastava ir a um local onde já se soubesse o que se passava, para ele ser um homem morto, e em breve a sua "cabeça ficou a prémio".

Cabá mesmo depois da sua "cabeça estar a prémio" pelo PAIGC, continuava a ser uma das armas mais destruidora existente em Bissorã, e não deixava de sair por vezes sozinho, e atacar os acampamentos inimigos, eliminando guerrilheiros, e capturando várias armas.

Escusado será dizer que para o PAIGC Cabá Santiago, era um homem a abater a todo o custo, e por isso ele era sempre o ultimo da coluna de milícias que comandava, pois tinha medo de ser morto pelas costas pelos seus próprios homens.

Pergunto aos leitores: o que acham que iria acontecer ao Cabá Santiago, quando fosse entregue o poder em Bissorã ao PAIGC, se mesmo durante o período de cessar fogo, o PAIGC continuavam a capturar soldados africanos, que nunca mais apareciam?

Cabá foi um dos que manifestou desconfiança, sobre o que iria acontecer.

Na verdade existia alguma desconfiança entre as forças africanas, e muitos aguardavam a decisão dos comandos africanos de entregarem as armas, para entregarem as suas, pois os comandos eram quem arriscava mais, dado o clima de animosidade que existia contra eles da parte do PAIGC.

O PAIGC também sentia desconfiança quanto ao rumo das negociações, e temia que o seu estatuto de estado independente, não fosse reconhecido por Portugal.

Aristites Pereira o secretário geral do PAIGC, refere no seu livro " Uma luta, um partido, 2 países", essa situação de desconfiança:

"Na realidade, o PAIGC tinha razões de sobra para desconfiar das intenções do Governo português, na medida em que acrescia ao ambiente de suspeição reinante o facto de os comandos africanos se recusarem a desarmar-se, apresentando uma postura reivindicativa em relação ao Governo português pelos serviços prestados ao seu Exército e uma clara hostilidade em relação ao PAIGC. Em abono da verdade, o PAIGC chegou a estar preocupado com a situação, razão pela qual teve iniciativas unilaterais, que resultaram em contactos com os comandos africanos, chegando esse contacto a efectuar-se a 22 de Julho de 1974, em Cacine, com a presença dos capitães Saiegh e Sisseco, o alferes Barri e um sargento."

Como era previsível, Cabá Santiago foi o primeiro a ser morto. De acordo com o que me foi relatado por vários familiares de Cabá Santiago, a sua morte ocorreu em Outubro de 1974 a mando do comandante militar do PAIGC da zona.


Os Comandantes da milícia, Bacai Camará, Quebá Camará e Sitafá Camará.
Estes soldados agraciados com o prémio "Governador da Guiné" pelos serviços prestados, 
foram mortos pelas tropas do PAIGC após a independência (3)

Cabá foi levado para o mato e morto juntamente com mais duas pessoas, passado algum tempo levaram e mataram mais dois chefes da milícia Quebá Canará, e Sitafá Camará, mais outra pessoa, depois foi um grupo de 25 pessoas que levaram e mataram.

Os africanos, graduados pelo exercito português foram um dos principais alvos a abater, não sei se algum comandante da milícia conseguiu escapar com vida.

Os ex-comandos africanos do exercito português eram outro dos alvos a abater, e muitos foram fuzilados pelo PAIGC.

As companhias de comandos africanos desde a sua criação em 1970, tornaram-se uma das forças de intervenção mais importantes, mas o seu número de baixas era elevado, recorrendo o exército às companhias de soldados africanos, para repor rapidamente a sua capacidade operacional.

Tenha Taca e Intonga Tchudá foram dois dos soldados da CCaç. 13 que ingressaram nos comandos, mas muitos outros soldados da CCaç. 13 seguiram esse caminho, e como é sabido o destino de muitos deles foi a morte após a independência, Tenha Taca e Intonga Tchudá foram dois dos que morreram.

Calaboche Tchudá (1) Tenha Taca (1)
Intonga Tchudá (1) Jorge Embana (1)

É natural que o soldado  Jorge Embana da CCaç. 13 tenha fugido para o Senegal, tinha 2 cruzes de guerra, sabia que isso significava a sua sentença de morte, como ele muitos outros fizeram o mesmo, mas a estes refugiados ninguém os ajudou, vindos muitos deles a encontrar a morte no Senegal.

A referência a crimes feitos contra população indefesa  praticados pelas nossas tropas africanas, para justificar este massacre do PAIGC, não têm qualquer justificação, nunca o vi ou soube que tivesse havido qualquer acto menos digno,  praticado pelos soldados africanos da CCaç. 13, mas assisti ao contrário.

Na operação que fizemos ao Morés em 1970, numa das saídas mais longas, tínhamos que estar 10 dias no mato sem reabastecimentos de comida, e vi os nossos soldados africanos partilhar o pouco que tinham com os prisioneiros, embora sabendo que nos dias seguintes iam passar fome e sede, 11 deles tiveram que ser evacuados por insolação devido à falta de água.

Acabamos bebendo a água estagnada das bolanhas, alimentando-nos das mangas que encontrava-mos, ou comendo folhas  e roendo algumas cascas de árvore, mas esta atitude sempre digna que honrou a sua divisa "Conduta brava e em tudo distinta", não evitou que depois fossem perseguidos, e alguns deles mortos pelo PAIGC.

O PAIGC nunca fez prisioneiros quando capturou combatentes africanos, eram simplesmente mortos, os portugueses tinham mais sorte pois eram levados para Conakri.

A lei de justiça militar do PAIGC publicada em 1973, formalizava estas práticas:

artigo 86 – “O crime de traição tem lugar: a) quando, sendo originário da Guiné ou Cabo Verde, o acusado pega voluntariamente em armas contra as forças nacionalistas do PAIGC; … d) quando ele se negue agir em nosso favor numa situaçaõ em que a sua actuação é necessária, com o propósito de permitir vantagem ou sucesso do inimigo; …”.

Esta lei permitiria às forças armadas do PAIGC, realizar impunemente massacres, após a independência, com a complacência do governo português.

Os soldados africanos da CCaç 13, actuavam na sua terra, e faziam-no com a responsabilidade de quem enverga uma farda, quando íamos às tabancas no mato, os soldados encontravam as suas irmãs, primos etc., mas mesmo que não fossem seus familiares, não roubavam nada, e tratavam a população com respeito.

A excepção a esta regra, foi a destruição de acampamentos inimigos, muitas vezes incendiados, quando localizados em zonas, que era suposto a população ter abandonado.

Era esta a politica vigente na época, que proclamava que a conquista das populações, e o aliciamento dos guerrilheiros, devia ser a grande prioridade, e que não permitia qualquer acção agressiva contra tabancas isoladas, mesmo que estas estivessem sobre um duplo controlo, nosso  e do PAIGC,  servindo-lhe assim de fonte de abastecimento, e de recrutamento.

Infelizmente muitos outros (PAIGC incluído) não procederam assim, existe sempre alguém que actua de forma desumana, mas foram actos isolados.

As acções militares que mais afectavam a população eram os bombardeamentos de artilharia e da avião, pois os guerrilheiros viviam com a população, e quando o PAIGC bombardeava as tabancas procurando atingir os guerrilheiros ai sedeados, atingia também a população. Este tipo de acção era desencadeada sobre zonas controladas pelo PAIGC, e nas quais a nossa entrada nas mesmas era pontual, e de curta duração, como era o caso do Morés, do Cantanhês, etc. 

O motivo pelo qual o PAIGC lançou um massacre depois da independência, foi simplesmente a vingança, e o crime destes ex-combatentes, não foi qualquer acção criminosa contra a população indefesa, mas o de combaterem do lado do exército português.

Outros ex-soldados conseguiram organizar a sua vida como civis, mas durante a minha primeira ida à Guiné em 1986, apesar de já terem acabado as mortes e perseguições aos antigos combatentes, ainda sentiam o receio.

Durante a minha visita à Guiné em 2006, pude constatar que a situação era completamente diferente existindo já harmonia entre todos os antigos combatentes, penso que a luta contra as forças senegalesas em 1998, teve o condão de unir todos os antigos combatentes, pois colocou-os a lutar lado a lado.

Se em tempo de guerra existem sempre excessos, e todos os excessos são actos condenáveis, em tempo de paz são inadmissíveis, e acabam por se voltar contra quem os pratica, porque ao ignorarem os compromissos assumidos, e colocarem em causa a lei e a ordem, estão a condenar o futuro do próprio país, pois ninguém mais se sentirá obrigado a respeitá-la, se achar que tem motivos para tal, e infelizmente esta acção tornou-se como o inicio de uma "maldição" para a Guiné, que não consegue encontrar a paz e estabilidade desejadas.

Tinha-se feito o 25 de Abril em Portugal, revolução exemplar, praticamente sem sangue derramado, pois todo o povo estava praticamente contra o regime, a guerra tinha terminado, lutava-se apenas pelos princípios, os quais eram colocados bem alto, e estes deviam exigir que tudo se fizesse para se não derramar mais sangue.

Quem negociou a paz diz que do lado do PAIGC prometeram que não faziam mal a ninguém, mas se era assim porque não escreveram nada no acordo, e como se verificou depois não foi isso que aconteceu, os massacres ocorreram em todo o lado.

Apesar de os principais intervenientes políticos do PAIGC, que eram na altura Luís Cabral (presidente) e Nino Vieira (chefe das forças armadas), recusarem qualquer responsabilidade nos mesmos, ninguém foi condenado, por esses actos.

No acordo de Argel, Portugal prometia ajudar a reintegração dos ex-combatentes na vida civil, mas tal ficou no papel, o direito à pensão de sangue referida no acordo existe, mas quem o quiser reclamar, terá que ter dinheiro para se deslocar a Portugal, e ficar por cá fazendo exames, respondendo a inquéritos, etc., não tendo qualquer ajuda, o que face às condições de miséria em que os ex-combatentes na Guiné, significa na prática a impossibilidade de estes não terem acesso a qualquer pensão de sangue, quanto à pensão de reforma também referida no acordo, essa ficou esquecida.

Apenas os ex-combatentes africanos que conseguiram vir para Portugal, puderam de algum modo alcançar, alguns dos direitos que foram definidos no acordo de Argel.

A responsabilidade do que aconteceu aos ex-combatentes africanos cabe não só a quem negociou a entrega nestas condições, mas também ao governo português que tapou os olhos e os ouvidos, aos massacres que decorriam, e que toda a gente sabia, à excepção da nossa embaixada em Bissau, quem queria ouvir os ex-combatentes, não existem palavras para classificar tamanha vergonha.

Para mim é sagrado que devemos manter a nossa palavra e a nossa honra, cumprindo com aquilo com que nos comprometemos, e se esse compromisso significa uma vida humana, então não existe qualquer desculpa possível, e nós assumimos esse compromisso para com os soldados africanos do exercito português.

Os soldados africanos eram nossos camaradas! Nunca se abandona um camarada.

17/7/2006 - Bissau - Antigos soldados guineenses do exercito português,
manifestam-se perante os representantes do estado português,
durante a cimeira da CPLP em Bissau (4)

A guerra mostra o melhor e o pior que existe em nós, e existiram actos indignos e também os de grande nobreza em ambos os lados, não os quero avaliar aqui, mas queria apenas que os ex-soldados africanos do exercito português, não continuassem esquecidos, e se fizesse um esforço para os ajudar.

(1) Fotos de Carlos Fortunato, ex-furriel da CCaç 13
(2) Fotos de ManuelMachado, ex-alferes da CCaç 13
(3) Foto cedida pelo alferes Frade da CART 1525, a qual pode ser vista, bem como outras, no site desta companhia em http://www.cart1525.com/
(4) Foto do Blog "Africanidades", que apresenta texto sobre este tema em http://www.africanidades.blogger.com.br/



Testemunho do comando Francisco Amadeu Baldé - 10/06/2006 elaborado por Carlos Fortunato


10/6/2006 Lisboa - Franscisco Amadeu Baldé,
um dos comandos que sobreviveram

Francisco Amadeus Baldé, foi um dos comandos que conseguiu sobreviver. Era furriel na 3ª Companhia de Comandos Africanos (tinha anteriormente passado pela 1ª e pela 2ª Companhia de Comandos Africanos).

De acordo com o seu relato, foi preso e levado para a esquadra da policia juntamente com outros comandos, lembra-se como as celas eram pequenas, sendo obrigado a ficar sentado pois não tinham altura para mais.

O BUSCARDINI ERA A INFORMAÇAO. 20 de janeiro de 1973
António Alcântara Buscardini à esquerda (1) Primeira Aassembleia Nacional Popular. Pedro Pires e António Buscardini (1)

O seu destino estava traçado, ia ser fuzilado no dia seguinte, no entanto a sua mulher Áliu, conseguiu pelos contactos que possuía, que um dos altos responsáveis pela segurança do PAIGC, Buscardino, intercedesse e o mandasse libertar.

Buscardini seria posteriormente morto, no golpe de estado de Nino Vieira a 14 de Novembro de 1980 (2).

A partir daqui começou a sua fuga em direcção ao Senegal, dirigiu-se para Sará onde tinha familiares, os quais o recolheram.

Conta que mesmo no Senegal, o PAIGC continuou a perseguição enviando agentes, com promessas de que podiam regressar à Guine, mas os que o fizeram foram logo mortos ao atravessar a fronteira.

O seu regresso à Guiné seria apenas depois do golpe de estado de Nino Vieira a 14 de Novembro de 1980.

Após a tomada do poder por Nino Vieira, terminaram as matanças e as prisões arbitrárias dos antigos militares, mas todos os que tinham pertencido ao exercito português eram excluídos da sociedade, não havendo trabalho para eles, contudo Francisco conseguiu arranjar trabalho na embaixada da Líbia, e mais tarde regressar a Portugal, onde reside actualmente.

Para Francisco e para outros antigos comandos com quem falei, o principal responsável pelas perseguições movidas aos antigos combatentes foi Luís Cabral, Nino Vieira surge como o homem que lhes deu a oportunidade de se salvarem, e de poderem sair do país.

Notas:

(1) - Foto retirada do Blog http://polonii.skyrock.com/

(2) "... Desde os tempos de António Buscardini, senhor da Segurança de Estado no tempo de Luís Cabral (suicidou-se no dia 14 de Novembro de 1980, com a boca de um tanque apontada à sua residência) ..."
Fonte: livro "África 30 Anos Depois", Vários Autores, Visão, 2005



 
Testemunho do comando Julde Jaquite Semedo (Júlio) – 30/6/2007 elaborado por Carlos Fortunato

Julde Jaquite Semedo (1)

Pedi a Julde Jaquite Semedo, (nome de guerra Júlio), furriel da 2ª Companhia de Comandos Africanos, à data da independência, para contar o que lhe aconteceu depois da independência. Apresenta-se a seguir o seu testemunho.
 
“É uma história triste.
 
Após o 25 de Abril de 1974, fomos convocados para uma reunião no Batalhão de Comandos Africanos em Brá, pelo Governador da Guiné e Comandante Militar Carlos Fabião.
 
O Carlos Fabião disse-nos que havia um cessar-fogo, que a guerra tinha terminado, e que esperava ordens de Lisboa.
 
Mais tarde pediu-nos para entregar-mos as armas, mas nós não as queríamos entregar sem saber como ficava a nossa situação, sem termos uma garantia, ao que ele nos garantiu que não haveria nenhuma vingança.
 
Um representante do PAIGC chamado Humberto Barros, também nos contactos, e nos disse “Não vai haver vingança, o que acabou, acabou”.
 
Major Florindo Eugénio Batista Morais
Comandante do Batalhão de Comandos da Guiné de 14/6 a 7/9/1974 (2)
 
O Major Florindo Eugénio Batista Morais, que era nosso comandante, disse-nos que estavam a preparar uma maneira de podermos ir para Portugal, mas que só poderíamos levar uma mulher (alguns tinham várias mulheres), pelo que quem quisesse devia inscrever-se. Eu inscrevi-me e muitos outros também, fomos cerca de 100 que nos inscrevemos.
 
Não entregámos o armamento, e aguardámos o evoluir das negociações, mas existiam algumas diferenças de opinião entre nós, os soldados estavam unidos e não queriam entregar as armas, já os sargentos e oficiais, estavam divididos, pois havia alguns que achavam que devíamos entregar as armas, o capitão Zacarias era um deles.
 
O 1º sargento “Zeca” Lopes do grupo do Marcelino, e um furriel conhecido por “Didi”, foram presos pelo PAIGC, durante o período de cessar fogo, não me recordo bem da data, creio que foi em Julho de 1974, creio também que foram presos em Mansôa e Mansabá, mas não tenho a certeza.
 
capitão Zacarias Sayegh, (3)
comandante da 1ª Companhia de Comandos Africanos, à data da foto ainda era tenente
tenente Carolino Barbosa, (4)
comandante da 2ª Companhia de Comandos Africanos
 
Vários oficiais dos comandos africanos, entre eles o capitão Zacarias, capitão Adriano Sissêco, o tenente Carolino Barbosa e o alferes Mamassalo Bari, foram falar com o Carlos Fabião, e perguntaram-lhe como era, pois ainda não tínhamos entregue as armas, e o PAIGC já nos estava a prender.
 
Governador da Guiné e Comandante Militar Carlos Fabião
 
Carlos Fabião respondeu para não nos preocuparmos, porque já tinha tratado do assunto e que os presos iam ser libertados, (o que nunca aconteceu, pois acabaram fuzilados) insistindo que tínhamos que entregar as armas.
 
A milícia e as companhias de soldados africanos, aguardavam a nossa decisão, e também não queriam entregar as armas enquanto nós não as entregássemos.
 
Tivemos uma informação de que os comandos prisioneiros estavam presos no Morés, e decidimos ir busca-los, arrombámos o depósito de munições de Brá, para nos prepararmos, e aí tivemos uma surpresa, as granadas das armas pesadas não tinham espoletas, o material tinha sido sabotado.
 
Ao saber desta nossa acção, Carlos Fabião chamou de imediato os nossos comandantes e informou-os que os prisioneiros iam ser libertados, que nenhuma vingança iria ser feita, que o Spínola tinha enviado uma carta a pedir para entregarmos as armas, e que íamos receber o pagamento até Dezembro. Quem quisesse podia tirar a carta de condução, ou de piloto de helicóptero. Todos iam subir de posto, e iríamos entrar de licença até ao fim do ano, sendo-nos entregue uma guia para nos apresentarmos  na unidade a 1 de Janeiro de 1975.
 
Porque era um pedido do Spínola, entregámos as armas, contudo soubemos depois que era uma carta falsa, onde tinham posto uma assinatura falsificada de Spínola.
 
Eu escolhi tirar a carta de condução, o que acabei por fazer mais tarde.
 
No dia seguinte entregamos as armas, o capitão Zacarias foi quem influenciou mais nesse sentido, mas as prisões continuaram, o tenente Bacar Djaci que comandava a 3ª Companhia, de Comandos Africanos, foi preso pelo PAIGC nesse dia.
 
O Major Florindo Morais, que tinha ido tratar a Lisboa da nossa ida para Portugal, chegou pouco depois e quando soube que tínhamos entregue as armas, deitou as mãos à cabeça, e disse que tínhamos feito muito mal, e ficou muito chateado por não termos esperado pelo regresso dele como tinha sido combinado, pois assim ele agora já não podia fazer nada.
 
Luís Cabral, primeiro Presidente da Guiné
9/9/1974 a 14/11/1980
 
Após a independência, começaram as perseguições, e eu resolvi partir com a minha família, para ir viver para a zona do Gabu, mas fui preso no caminho, em Mansabá.
 
Prenderam-me no depósito de munições do quartel, fazia ali tanto calor, que tive que tirar a camisa e torce-la, pois estava encharcada de suor. Estive 6 dias preso.
 
Quem me salvou foi o 2º comandante do PAIGC no quartel, era um balanta da região de Guilege, região onde eu nasci, perguntou-me “De onde você é?”, respondi-lhe “Eu sou de Quina”, e ele disse “E eu sou de Bossé”.
 
Falamos durante algum tempo, sobre a minha família e a família dele, depois ele disse-me “ Vou-te deixar sair mas não digas a ninguém que te libertei. Podes continuar o teu caminho, mas não tens segurança. Se quiseres ir para Mansôa ou Bissau, vai seguir um carro com alguns soldados e podes ir com eles, em segurança.”
 
Perante a possibilidade de voltar a ser preso, escolhi voltar com a minha família para Bissau, aproveitando a boleia dada pelos soldados, mas quando quis sair em Bissau, os soldados disseram que tinham ordens para me levar até à Amura (local onde os comandos foram fuzilados), mas respondi-lhes que eu não era um prisioneiro, e que era para me levarem mas de boleia, ficaram confusos e hesitantes, mas deixaram-me ir.
 
Em Bissau encontrei um motorista de um dos comandantes do PAIGC, o Adulai Turé, mais conhecido por Adulai cantor, chamavam-lhe assim porque ele cantava.
 
Enquanto Adulai esteve no mato com o PAIGC cheguei a viver durante algum tempo com a mulher dele, e mesmo depois de já não vivermos juntos, sempre a ajudei a ela e aos filhos.
 
Grupo de comandos do Marcelino da Mata - Grupo os vingadores (1)
 
Adulai não guardou rancor de eu ter vivido com a mulher, e até me agradeceu o que eu fiz pela família dele, e disse-me “Júlio (era como me chamavam) vou-te dizer um segredo, mas isto fica entre nós, houve uma reunião em Conackri, e foi decidido matar os comandos, principalmente os graduados, e o grupo do Marcelino da Mata”. Como eu era furriel resolvi fugir para o Senegal.
 
Sai dali para o Pilão, e fui a casa do Mamassalo Bari, alferes que comandava o meu grupo, mas ao chegar à sua casa vi cá fora 4 soldados do PAIGC armados, mas entrei na mesma e falei com ele.
 
Disse ao Bari que ia fugir para o Senegal, ele respondeu-me “Foge, eu não posso, aqueles 4 andam sempre atrás de mim”.
 
i 
 
Combinei com o Saidu Baldé (furriel) e o Mali Baldé (1º cabo), fugirmos para o Senegal, , tomámos o caminho de Bula, e dai seguimos para Ingoré, e depois para Kolda no Senegal.
 
Ninguém nos ajudava, se íamos à embaixada de Portugal em Bissau, nem nos deixavam entrar, quando já estava no Senegal, chegaram-me noticias de que os comandos que tinham uma guia do exercito português para se apresentarem na sua unidade no dia 1/1/1975, tinham formado em frente da embaixada, pois queriam saber onde era agora a sua unidade. O comandante do PAIGC, Umaru Djaló apareceu e deu-lhes 5 minutos para saírem dali.
 
Léopold Sédar Senghor, Presidente do Senegal
4/4/1958 a 1980
 
Cheguei ao Senegal em Novembro de 1974, e fui preso a 26 de Dezembro desse ano, pelo Governo do Senegal, com mais 107 pessoas, 3 delas morreram na prisão, uma foi o furriel dos comandos Mamadu Sissé, estava muito doente, já nem podia andar, o outro foi um comandante da milícia e outro um civil.
 
A vida no Senegal foi difícil, um acordo entre a Guiné e o Senegal, acabou por levar as forças senegalesas a perseguirem-nos, e muitos foram presos.
 
O Ministro do Interior do Senegal visitou-nos na prisão e disse-nos, se não queríamos voltar para a Guiné, então que ali ficamos presos.
 
Os refugiados no Senegal, concentravam-se na zona de Casamansa, nomeadamente nas suas principais cidades, Ziguinchor, e Kolda, penso que existiam ali mais de 20.000 refugiados guineenses.
 
Como tinha sido comando fui acusado de ir para ali criar problemas com a Guiné, e por isso fui preso apesar de nunca ter cometido qualquer crime, e nunca fui levado a tribunal.
 
Havia contudo alguma justificação nos receios do Senegal e do Governo da Guiné,  pois alguns dos refugiados conspiravam em derrubar o governo, e alguns milícias, soldados e comandos armados de facas e catanas, tinham passado a fronteira e tirado as armas aos soldados do PAIGC.
 
Quando fomos presos, levaram-nos para o quartel da GNR do Senegal em Tchez, onde ficámos 11 meses presos.
 
Brigadeiro João de Almeida Bruno
Comandante do Batalhão de Comandos da Guiné de 14/7/72 a 27/7/73 (2)
 
Em 1975 o brigadeiro Almeida Bruno falou com o Governo Senegalês, sobre o nosso caso, e disse que queria falar connosco, o Governo Senegalês enviou-lhes alguns milícias que lá estavam, mas ele disse que não eram aqueles os elementos com quem queria falar, pois não eram comandos
 
Depois de falar connosco Almeida Bruno voltou a Portugal, e 95 prisioneiros foram libertados, ficaram apenas 9 pessoas, nas quais eu estava incluído, os quais iam ser entregues à Guiné Bissau para serem fuzilados.
 
O Capitão do Senegal Abu Jaló, foi denunciar a situação ao Comité Internacional das Nações Unidas em Dakar, o qual por sua vez falou com o Presidente do Senegal, pelo que continuamos presos e fomos enviados para a região de Matan.
 
O grupo dos 9, foi dividido em 3 grupos de 3; um dos grupos foi enviado para Ndar, estavam nesse grupo o Seidu Balde, um comandante da milícia que não me lembro o nome e o Bula Sali, outro grupo de 3 foi enviado para Rosobecho, eram o Mussá, o Bubacar Baldé, que fora comandante da milícia em Fajunquito e eu, o ultimo grupo de 3 foi enviado para Matam, nele estavam o Aguinaldo Quinde Balde, que fora 2º sargento e estivera no QG em Bissau, o Bará Balde que tinha sido chefe de milícia, e o Sulimane Seidi que tinha sido furriel na C. Caç. 21.
 
Durante 2 anos estivemos presos com trabalhos forçados, tendo sido libertados em 1977.
 
Mbour, pequena vila piscatória situada a 80 Kms ao sul de Dakar, próximo da zona turística e balnear de Nianning
Pescadores de Mbour, nos seus típicos barcos compridos
 
Após ser libertado fui para Mbour, onde trabalhei como pescador, ali encontrei um padre sueco, que nos ajudou muito, pois conseguiu que a Suécia nos apoiasse.
 
Com os apoios que conseguiu, esse padre comprou-nos um terreno grande onde construímos as nossas casas, comprou-nos 2 barcos de pesca pequenos, mas bastante compridos, e 3 motores, um era para ficar de reserva, devo acrescentar que o padre nos ajudou apesar de saber que não tínhamos a sua religião, pois éramos quase todos muçulmanos.
 
Presidente Ramalho Eanes
 
Em 1979 o Presidente Ramalho Eanes, visitou a Guiné-Bissau, nessa altura os
capitães dos comandos africanos Zacarias, e Adriano Sissêco, ainda estavam vivos.
 
As noticias que nos chegaram é que Ramalho Eanes, pediu ao Presidente Luís Cabral, que libertasse esses dois oficiais e os deixasse vir para Portugal, ao que parece Luís Cabral concordou, mas ao saber-se desta intenção alguém deu ordem para que fossem mortos, e foram fuzilados. Buscardini é apontado como um dos envolvidos nessas mortes, mas os fuzilamentos que foram realizados, era uma decisão que vinha de uma orientação dada ao nível dos mais altos responsáveis, e era do conhecimento de todos.
 
Em 1981 o Embaixador de Portugal em Dakar, mandou chamar os elementos dos comandos que ainda viviam no Senegal, e disse que todos os comandos que quisessem vir para Portugal o poderiam fazer, pois a Associação dos Comandos tinha autorização para os poder trazer.
 
A embaixada de Portugal em Dakar concedeu-me a nacionalidade portuguesa, e deu-me um passaporte português, o que permitiu a minha vinda para Portugal.
 
Foi a Associação dos Comandos que nos ajudou tendo-nos dado alojamento na Av. Duque de Ávila, numa residência que a Associação pagava, arranjou-nos trabalho e ajudou-nos a tratar das nossas pensões.
 
No meu caso a Associação de Comandos arranjou-me trabalho, que ainda tenho hoje.
 
Fomos traídos pelo Governo Português, porque nem o acordo de Argel cumpriram, e cito o Diário do Governo, I Série, Suplemento, n.° 202, de 30 de Agosto de 1974: 
 
25.° - O Governo Português pagará ainda as pensões de sangue, de invalidez e de reforma a que tenham direito quaisquer cidadãos da República da Guiné-Bissau por motivo de serviços prestados às forças armadas portuguesas.

 26.° - O Governo Português participará num plano de reintegração na vida civil dos cidadãos da República da Guiné-Bissau que prestem serviço militar nas forças armadas portuguesas e, em especial, dos graduados das companhias e comandos africanos.
 
As delegações que celebraram o acordo de Argel, publicado no Diário do Governo referido anteriormente, era constituída por:
 
Delegação do Comité Executivo da Luta (CEL) do PAIGC:
Pedro Pires, membro do CEL, comandante.
Umarú Djalo, membro do CEL, comandante.
José Araújo, membro do CEL.
Lúcio Soares, membro do CEL, comandante.
Luís Oliveira Banca, embaixador.
Otto Schacht, membro do CEL.
 
Delegação do Governo Português:
Mário Soares, Ministro dos Negócios Estrangeiros.
 António de Almeida Santos, Ministro da Coordenação Interterritorial.
 Vicente Almeida d'Eça, capitão-de-mar-e-guerra.
 Hugo Manuel Rodrigues Santos, major de infantaria.
 
Embora no meu caso tenha conseguido algum apoio, e inclusive uma pensão de sangue, pelas incapacidades resultantes dos ferimentos sofridos em combate, a minha luta continuou para conseguir do Governo Português, o cumprimento de todos compromissos assumidos para com todos os ex-combatentes africanos.
 
1/05/19889 - Lisboa - Cartão de membro do Movimento Bafatá (1)
 
A minha luta por uma Guiné livre e democrática, foi retomada com a minha vinda para Portugal, assim aderi ao Movimento de Bafatá.

01/1990 - Lisboa - Revista do Movimento de Bafatá (1)
 
O Movimento de Bafatá pressionou o Governo da Guiné, e conseguiu uma plataforma, com Nino Vieira estabelecendo os princípios da democracia naquele país.
 
(1) Fotos/Documentos cedidas por Judle Jaquité
(2) Foto do Anuário dos Comandos de 1981
(3) Fonte da foto: livro "Manga de ronco no chão", José Manuel Pintassilgo
(4) Fotos/Documentos cedidas por Amadu Djalo




Publicado no site em 24/02/2003, e revisto em 09/04/2008 por Carlos Fortunato
Crónica do furriel Carlos Fortunato
Fotos do furriel Carlos Fortunato
(1) Foto cedida pelo alferes Frade da CART 1525, a qual pode ser vista, bem como outras, no site desta companhia em
fonte:  http://destaques.com.sapo.pt

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