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MACKY SALL EM BASSIROU DIOMAYE FAYE: Uma visita num contexto de cálculos políticos

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... Dois anos depois de deixar a capital senegalesa no final do seu segu...

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Reformas em Angola têm que abranger a transparência.

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Angola deverá registar este ano o crescimento mais baixo deste século, segundo o relatório do FMI sobre as Perspetivas da Economia Mundial. Chegou a altura para reformas sérias e mais transparência, dizem os analistas.
Luanda, capital de Angola
Recentemente, Angola solicitou ao Fundo Monetário Internacional (FMI) assistência financeira para os próximos três anos. O Governo de Luanda foi obrigado a tomar esta medida drástica por causa das graves dificuldades em que se encontra a economia nacional, devido à quebra do preço do petróleo. Para os analistas independentes, esta é a oportunidade para pressionar o país a lançar reformas estruturais que consolidem a economia e as finanças de Angola.
O centro de análise económica britânico Economist Intelligence Unit (EIU) publicou um relatório no qual prevê reformas estruturais em Angola, caso o país cumpra as condições que provavelmente lhe serão impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) a troco de assistência.
Segundo a diretora regional para África da EIU, Jane Morley, entre as medidas exigidas pelo FMI vai estar a depreciação da moeda nacional, kwanza:
"Já houve, pelo menos, quatro desvalorizações, mas não bastaram, porque a lacuna entre a cotação oficial e o valor no mercado paralelo ainda é muito grande. Aliás, esse é um dos motivos pelos quais Angola hesitou bastante em se dirigir ao FMI, sabendo que esta será uma das exigências centrais", afirma Jane Morley.

Diversificação é um processo de longo prazo
Já em 2009, quando uma outra quebra de preços do petróleo obrigou Angola a recorrer a ajudas do FMI, as medidas de ajuste exigidas pelo fundo almejaram não apenas reestabelecer o equilíbrio macroeconómico, mas também promover a diversificação de uma economia fortemente dependente do crude.

Jane Morley reconhece que a esperada diversificação não se concretizou, mas diz que este é um processo de longo prazo, não se podendo exigir medidas que transformem a economia de um dia para o outro. Posto isto, comenta: O problema em 2009 - e é muito provável que aconteça agora novamente - foi que o preço do petróleo voltou a subir rapidamente. O que reduziu substancialmente o incentivo para Angola fazer o esforço necessário para a diversificação".
Os analistas prevêem uma recuperação do preço do crude em 2017. Mas para já, as receitas angolanas da exportação do petróleo cairam em 50% desde o início da crise. Isto obrigou o Governo a tomar várias medidas de austeridade, às quais se deverão agora juntar outras sugeridas pelo FMI.
Falta de transparência em Angola não é de hoje
Baía de Luanda
Há, no entanto, mais dificuldades a superar para garantir a consolidação e o crescimento em Angola, admitem analistas como Jane Morley:
"A falta de transparência é um problema antigo. O Governo já promoveu alguns pequenos esforços nesse sentido, para diminuir a preponderância dos políticos que lucram pessoalmente, mas não há dúvida que vai ter que fazer muito mais".
A situação atual aumenta a pressão sobre o Governo, uma vez que cresce a perceção de que a enorme riqueza gerada pelo petróleo nos anos de alta dos preços serviu para enriquecer apenas alguns angolanos no topo, diz a economista.

Luanda teme ter que tomar mais medidas de austeridade, pois estas vão causar sofrimento a todos, quando, no passado, só poucos beneficiaram. Neste contexto coloca-se a questão se é sequer possível um país ter sucesso económico de longo prazo sem transparência ou democracia:
Para Jane Morley “é difícil visionar uma Angola com uma economia moderna, diversificada e funcional se não houver uma maior abertura, tanto do ponto de vista da política como do ambiente de negócios: menos corrupção e maior transparência".
#dw.de

Acusado de matar sua esposa e filha: O senegalês El Hadji Diop corre risco de enfrentar a pena de morte cara a cara com o juiz.

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O senegalês El Hadji Seydou Diop acusado de matar sua esposa e filha, fez sua primeira aparição hoje perante o tribunal. Diop, que parecia estar esgotado no próprio tribunal, colocou-se a um monte de tempo para enfrentar o juiz. Aos 53 anos, o senegalês El Hadji Seydou Diop corre o risco de enfrentar a pena de morte ou prisão perpétua sem liberdade condicional informou o juiz.

#seneweb.com

Operação prende quadrilha de adulteração de veículos de grande porte.

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São 10 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em Águas Claras, Ceilândia e Brazlândia, além de cidades do Entorno do DF e de Goiás.


 
Um grupo criminoso especializado em furto de caminhões, adulteração de sinais identificadores e falsificação de documentos é alvo de uma operação da Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (14/4). Um dos principais articuladores do grupo é o ex-policial militar Hélio Carneiro dos Santos, 42 anos, envolvido no assassinato do desembargador Irajá Pimentel. O ex-militar cumpria prisão domiciliar e tinha passagens pela polícia. Outro chefe do esquema era José Carlos Pereira Gomes, 28 anos, que também possui antecedentes criminais no Distrito Federal, no Paraná, no Maranhão e em Goiás. 

Oito pessoas foram presas e foram expedidos 10 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão cumpridas por policiais da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV). As ações ocorrem em Águas Claras, Ceilândia e Brazlândia, além do Entorno do DF, em municípios como Águas Lindas de Goiás, Luziânia, Padre Bernardo e em Anápolis (GO).

De acordo com a investigação, os criminosos furtavam os veículos, falsificavam os sinais identificadores dos caminhões, como chassi, e modificavam a documentação. O interesse do grupo era em veículos especialmente de grande porte, como guinchos e tratores. Depois de clonados, eles eram vendidos à receptadores. O esquema tinha ramificações nos estados do Maranhão, Pará, Bahia, Goiás e Minas Gerais. 

Segundo a investigação do titular da DRFV, delegado Marco Aurélio de Souza, o grupo agia rotineiramente no Distrito Federal há pouco mais de um ano. As investigações duraram 12 meses. Além dos “cabeças” do grupo, participavam do esquema outras oito pessoas. Do total, cinco tinham passagens pela polícia inclusive em outros estados, como Leandro Eduardo Alves Braga, 35 anos, com antecedentes criminais em Goiás em Minas Gerais. 

Os envolvidos vão responder por organização criminosa, furto qualificado, receptação, adulteração de sinal identificador de veículo, uso de documento falso e falsificação de documento público. As penas somadas podem chegar a 38 anos de prisão.

#correiobraziliense.com.br

Uganda quer o transporte aéreo de 400 pacientes com câncer para Quênia

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Tratamento de radioterapia no Hospital de Mulago, Uganda usando a velha máquina Cobalt 60 comprado há 21 anos. Única máquina de radioterapia do país foi quebrada deixando mais de 17.000 pacientes com câncer em perigo. FOTO | ARQUIVO

Uganda vai fazer transporte aéreo de apenas 400 dos seus 17.000 pacientes com câncer, que precisam de cuidados de radioterapia para o Quênia após a sua única máquina de tratamento quebrar na semana passada, disse um funcionário do governo.

O ministro de Estado da Saúde, Dr Chris Baryomunsi, disse ao Parlamento que o Hospital Aga Khan em Nairobi tinha oferecido para ajudar a apenas 400 ugandeses que precisam de cuidados de radioterapia quando o governo adquire um bunker para uma nova máquina.

Uganda tem cerca de 32.000 novos casos de câncer e cerca de 55 por cento (cerca de 17.600) de estes necessitam de tratamento de radioterapia, de acordo com autoridades.

"O Hospital Aga Khan se ofereceu para tratar 400 pacientes e vamos providenciar transporte e hospedagem para os pacientes que necessitam de tratamento de radioterapia", disse o Dr. Baryomunsi. O ministro, no entanto, disse que os médicos do Instituto do Câncer em Uganda no Hospital de Mulago avaliarão os 400 pacientes para garantir que aqueles que estão mal serão os únicos que beneficiaram de tratamento.

Essa explicação, no entanto, provocou uma enxurrada de respostas no país com membros do Parlamento a exigirem para saber se o ministro estava condenando outros (16.600) para a morte.

"Cada vida é importante neste país disse "Muhammad Nsereko (MP no Centro de Kampala). "Como você pode dizer às pessoas de que elas vão morrer? Sua declaração que vão fazer as pessoas ainda morrem mais rápido. Onde vai poder o resto ir? Conte-nos para que possamos dizer ao nosso povo para se preparar para a morte, porque eles não podem ir para o Hospital Aga Khan. "

Dr Baryomunsi disse à Câmara que a notícia da quebra da máquina de câncer "foi exagerada e apresentada de forma hiperbólica.

"Mesmo quando a máquina estava lá, continuamente, as pessoas estavam morrendo porque a máquina não faz cura", acrescentou o ministro.

Sra Alice Alaso ( representante Serere de Mulheres) interveio: "Estamos a falar de uma situação de emergência, há 17.000 pessoas em risco, é para que o ministro, que é um médico e em cujas mãos todos nós supostamente estamos para se sentir mais seguro , não é para ele vir aqui e lidar com o problema da máquina de câncer como se fosse um negócio normal?
Quem é que vai compensar os milhares de ugandenses que morrem porque a máquina quebrou? É justo para este país? "

Sobre o destino dos 16.600 pacientes com câncer que não viajarão para Nairobi, o ministro aconselhou-os a ir para os cuidados paliativos ou usar analgésicos fortes, especialmente morfina (um analgésico utilizado medicinalmente para aliviar a dor). Ele culpou a mídia social por criar a crise em Mulago e insistiu em que "não há motivo para alarme."

O ministro estava respondendo a perguntas sobre a crise criada por quebra do Cobalt 60, uma máquina no Instituto do Câncer de Uganda (UCI), particularmente de membros enfurecidos com todo o espectro político, que acusaram o governo de negligência e abandono de pacientes que necessitam de tratamento de radioterapia.

A questão foi levantada pelo senhor deputado Eddie Kwizera (do MP de Bufumbira no Leste), que preside o Comitê de Recursos Naturais. O MP informou o Parlamento de que seu comitê havia se reuniu com autoridades do Conselho da Energia Atómica, que os informou que eles tinham emitido bandeiras vermelhas em 2013, mas foram ignorados e que que não havia necessidade de um novo bunker.

Pacientes com câncer em Uganda expostos à radiação, diz corpo atômico

O Sr. Paul Mwiru (do MP Jinja no Leste), exigiu que a Casa faça um embargo para funcionários do governo que vão para o tratamento do câncer no estrangeiro até que a nova máquina seja instalada na UCI.

#africareview.com

ANGOLA: OS EUA QUE SE CUIDEM!

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eduardo-dos-santos-corrupção


António Bento Bembe, secretário de Estado para os Direitos Humanos do regime de sua majestade o rei de Angola, José Eduardo dos Santos, rejeitou hoje o relatório do Departamento de Estado dos EUA que, sobre os direitos humanos, liberdades e corrupção arrasa o Governo de Luanda.

Por Orlando Castro
Bento Bembe coloca em causa o direito dos EUA elaborarem tal documento. Será que é desta que, para além de pôr os bobos da corte a fazer rir o mundo, o rei vai mandar atacar Washington ou expulsar o embaixador norte-americano na capital do reino?
Angola está entre os 18 países que se destacaram em 2015 como principais violadores dos direitos humanos no mundo. Ao longo ano passado, como dos anteriores, e tal como nos futuros, o reino de José Eduardo dos Santos violou gravemente tudo quanto são regras de civilização. Isso aconteceu a nível de direitos económicos, sociais, políticos e civis, bem como de crimes de guerra, com Angola a destacar-se pelo uso de leis de difamação e da legislação de segurança de Estado para perseguir, deter e prender os que expressam pacificamente a opinião.
O regime de sua majestade o rei de Angola continuou em 2015 com restrições severas que têm tido repercussões nas liberdades de expressão, associação e reunião, ao mesmo tempo que novas leis têm permitido detenções arbitrárias de quem manifesta opiniões pacificamente.
Com as críticas da Administração Obama (ver aqui no Folha 8 o artigo “Pior é difícil, dizem os EUA”) ainda um dia destes os angolanos vão querer que o seu país seja um Estado de Direito Democrático. E quando isso acontecer será uma chatice para os donos do país.
Recorde-se o caso iniciado em 2015 em que os activistas (Revús) foram acusados de preparar, entre um vasto leque de atitudes terroristas (como diz o embaixador itinerante do regime, Luvualu de Carvalho), uma rebelião para derrubar simultaneamente o Presidente do MPLA (José Eduardo dos Santos), o Titular do Poder Executivo (José Eduardo dos Santos), o Presidente da “República” (José Eduardo dos Santos) e o Rei (José Eduardo dos Santos).
As autoridades do regime utilizaram as leis penais sobre difamação e a legislação relativa à segurança de Estado para deter arbitrariamente e encarcerar pessoas que apenas expressaram pacificamente as suas opiniões e também para restringir a liberdade de imprensa em particular e todo a liberdade (lato sensu).
O regime de sua majestade tem aprovou uma nova lei que limita as actividades das organizações não-governamentais, destacando que tudo se agrava com o contexto mundial da baixa dos preços do petróleo, que tem tido reflexos negativos na economia angolana.
A força excessiva das forças policiais (uma imagem de marca que remonta ao tempo de partido único) sobre críticos ao regime de José Eduardo dos Santos tem levado a um poder judicial cada vez mais politizado. Isto é, o poder judicial é apenas, de acordo com a lei do senhor feudal, um criado ao serviço de sua majestade o rei. Se calhar queríamos que o poder judicial tratasse como gente os escravos. Isso é que era bom.
Durante a avaliação do balanço em matéria de Direitos Humanos no quadro do exame periódico universal feito pelas Nações Unidas em 2014, Angola aceitou 192 das 226 recomendações então formuladas, prometendo também analisar mais aprofundadamente as restantes 34.
No entanto, em Março de 2015, Angola viria a rejeitar essas 34 recomendações, sobretudo as que exigiam o fim da utilização das leis relativas à difamação e segurança de Estado e das restrições à liberdade de imprensa.
Reagindo e este relatório que mais não é do que, permitam que voltemos a citar Luvualu de Carvalho, um acto terrorista contra a honorabilidade divina e divinal de alguém que é uma referência mundial (pelo menos mundial) em matéria também de direitos humanos, o sipaio com funções de secretário de Estado dos Direitos Humanos, diz que o relatório é algo sem importância.
António Bento Bembe usa a sua afinada e impecável ventriloquia para dizer que “quando as coisas são as mesmas elas perdem valor e qualquer pessoa sabe que isso não é verdade”.
Ora aí está. Qualquer parente mais próximo de Bento Bembe, mesmo que ainda saltite nas copas das mangueiras, não diria melhor. Todos sabem, basta perguntar a esses parentes, que Angola é um dos mais puros regimes democráticos do mundo, concorrendo lado a lado com a Guiné Equatorial e a Coreia do Norte.
Bento Bembe lembra que (atentem no erudito raciocínio) os partidos políticos e as associações actuam livremente em Angola, mas que qualquer nação “tem as duas negatividades e positividades”, e sublinha que “os Estados Unidos também têm”.
E entre as duas “negatividades e positividades”, Bento Bembe esqueceu-se de referir que os EUA, assim como a Europa, têm muito a aprender com regime angolano, liderado desde 1979 (é obra, sim senhor) por sua majestade o rei José Eduardo dos Santos, um democrata que nem precisa de ser nominalmente eleito para continuar a ser rei.
Para o secretário de Estado dos Direitos Humanos, Angola não acusa ninguém e não sabe por que razão “eles passam o tempo todo a acusar-nos”. Com esta Bento Bembe bateu aos pontos qualquer um dos outros sipaios do regime, todos candidatos ao Nobel da imbecilidade, chamam-se Luvualu de Carvalho ou João Pinto.
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quinta-feira, 14 de abril de 2016

ANGOLA: O SEGREDO ESTÁ NOS OVOS?

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caviarovos

Quando, em Fevereiro de 2014, o então ministro da Economia, Abraão Gourgel, inaugurou em Luanda a primeira fábrica de alimentos compostos para animais, na fazenda Pérola do Kikuxi, ficou a saber-se que que iria aumentar substancialmente a produção de ovos em Angola.

Finalmente, pensou-se, o país compreendeu que a mulher mais rica de África, a multimilionária Isabel dos Santos, tinha razão quando, ainda criança, começou a vender ovos nas ruas de Luanda.
Hoje a aposta sai reforçada com a promessa, velhinha, de que é urgente diversificar a economia. Assim, a Angolaves quer voltar a ser líder na produção de ovos, numa altura em que intensifica a produção de milho, bagaço de soja, farinha de peixe, ração e pintos e tem um aviário que alberga 15 naves onde se encontram cerca de 336 mil aves.
Há quem diga que, afinal, Isabel dos Santos (a princesa do clã de sua majestade o rei José Eduardo dos Santos) teve e tem um sucesso estrondoso não pelos ovos mas pela proximidade em relação ao poder, sobretudo no que diz respeito ao acesso aos negócios. Más línguas.
“O que explica Isabel dos Santos, assim como outras entidades, não só em Angola, é a proximidade do poder para os negócios. Não são precisos meios obscuros, basta o acesso aos negócios”, afirmou há um ano Filipe S. Fernandes, autor do livro “Isabel dos Santos — Segredos e poder do dinheiro”.
Para Filipe Fernandes, normalmente associa-se a fortuna de Isabel dos Santos aos diamantes que o pai lhe teria dado, mas “há uma hipótese muito mais simples” que pode explicar a fortuna como, por exemplo, a concessão das telecomunicações (UNITEL) nos anos 1990.
Na altura, Angola estava a tentar que houvesse uma empresa internacional a concorrer à licença de concessão de telemóveis e em plena guerra civil ninguém queria arriscar e, “de certo modo”, explica o autor, o negócio teria de ser dado a alguém que tinha de estar próximo do poder. E quem melhor do que a filha do Presidente?
“Só o facto de ter tido aquela concessão pode ter sido uma boa base para uma boa fortuna e basta ver o valor dos dividendos que são pagos pela UNITEL desde que foi criada sendo que teve dividendos desde muito cedo”, explicou.
“Foi em Baku que José Eduardo dos Santos conheceu a mãe de Isabel dos Santos, Tatiana Kukanova, uma russa campeã de xadrez que estudava geologia. O Azerbeijão, então posto avançado russo, acolhia jovens quadros promissores dos movimentos de libertação alinhados com o regime comunista como o MPLA”, refere o autor, sublinhando que o encontro entre os dois não foi promovido pelo KGB, os serviços secretos da ex-URSS.
“Depois do casamento sabe-se muito pouco sobre Tatiana. Sabe-se que trabalhou na SONANGOL quando foi para Angola, que após o divórcio continuou em Angola tendo depois ido viver com a filha para Londres. Fala várias línguas e foi sempre o ‘porto seguro’ da Isabel dos Santos”, diz Filipe Fernandes que refere no livro os poucos dados sobre a actividade empresarial da mãe da empresária.
“Tatiana Kukanova surge nas contas divulgadas pelo denominado SwissLeaks, que se baseia nas listas das contas na filial do HSBC, obtidas por Hervé Falciani, um ex-funcionário, em 2008, e agora divulgadas. Na sua conta estavam, em 2006-2007, mais de 4,5 milhões de euros”, escreve Filipe Fernandes.
O livro baseia-se em fontes abertas como livros e jornais até porque, refere o autor, após ter contactado “com algumas pessoas” chegou à conclusão que muito pouca gente conhece Isabel dos Santos com alguma consistência e fiabilidade.
Além das questões familiares o livro recorda o caso “Angolagate” e os complexos movimentos de Arcadi Gaydamak e Pierre Falcone acusados pela justiça francesa da venda ilegal de armas em Angola durante a guerra civil.
“Em 2011, o tribunal de Paris retira as acusações de tráfico de armas e de influências mas condena-os por fraude fiscal e branqueamento de capitais”, refere o autor.
Na sequência do caso, o livro sublinha ainda o papel de Lev Leviev, negociante de diamantes natural de Uzbequistão e apresentado à cúpula do poder em Angola por Gaydamak e que “afrontou” a companhia diamantífera De Beers conseguindo negociar directamente em Angola e Rússia.
Na sequência destes contactos, recorda a biografia, surge a empresa Africa-Israel Investiments (AFIL) que dá origem a partir da reorganização de 2009 à Ascorp, cujos accionistas eram a Sociedade de Comercialização de Diamantes de Angola e a Trans-African Investment Services (TAIS).
O memorando do acordo assinado em 1999 assegurava à TAIS e à Welox a compra de um mínimo de 150 milhões de dólares em diamantes.
“Esta associação teve mais uma confirmação com a revelação de documentação da filial suíça do HSBC. Isabel dos Santos, por sua vez, deteria 75% da Trans-African Investments Services enquanto a mãe, Tatiana, que entretanto se tornou cidadã britânica, ficava com 25%”, lê-se na biografia que cita a imprensa internacional.
O livro, ainda no capítulo dedicado aos “diamantes e à guerra civil” indica mesmo que, segundo Gaydamak, TAIS é um acrónimo das iniciais Tatiana e Isabel, empresa que entretanto acaba por mudar de nome para Iaxon Limited, registada na colónia britânica de Gibraltar.
O livro dedica ainda capítulos sobre as ligações de Isabel dos Santos ao empresário português Américo Amorim, “a guerra na Galp Energia” e os vários pontos de contacto com Portugal.
“Ela faz estas ligações porque são estratégicas para os negócios em Angola. Ao mesmo tempo por segurança: se alguma coisa acontecer de grave também tem um refúgio e aquilo que é racional com a ligação com Portugal é o sector empresarial, a eficiência e a máxima rentabilidade nos negócios além de assegurar o seu controlo estratégico em Angola”, disse o autor da biográfica.
Para Filipe Fernandes, a empresária encontrou alguma consistência nos sectores que escolheu: o financeiro e a articulação que ela tem que ter porque, “apesar de tudo”, os bancos em Angola, têm alguns accionistas portugueses e consequentemente com os meios accionistas internacionais que “sozinha não teria”.
Regressemos a Fevereiro de 2014. “São projectos como estes que permitem impulsionar a nossa economia e melhorar os níveis de produção interna, reduzindo as importações”, referiu o ministro que, por lapso, se esqueceu também de referir que este sinal de progresso se deve ao espírito estratégico e inovador de sua majestade o rei José Eduardo dos Santos.
Na mesma ocasião, o consultor do ministro da Economia, Licínio Vaz Contreiras, disse que o programa “Angola Investe” previa atingir 70% das necessidades do mercado em ovos até final do ano. Provavelmente com algumas modificações genéticas as galinhas produziriam ovos com as diferentes marcas comerciais e, quem sabe, até com as cores do proprietário ou do Governo.
“Em 2012, quando visitámos a fazenda Pérola do Kikuxi, existiam apenas 25 mil galinhas em crescimento, hoje 200 mil galinhas geram um ovo por dia”, afirmou Licínio Vaz Contreiras, descobrindo – o que importa realçar – um verdadeiro ovo de Colombo.
E acrescentou que “esta unidade fabril começa a resolver a cadeia de produção de ovos e frangos, que para nós constitui um grande impulso ao sector aviário”. Talvez assim, nas zonas mais inóspitas, possamos ver as jovens de cesto na mão a vender os ovos nas picadas, procurando um dia serem também milionárias.
Certamente que agora, perante a crise que até levou o reino a pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional, o Executivo não deixará de implementar o lançamento de ovos da marca “Isabel dos Santos”, destinados à exportação, correspondendo, aliás, à emblemática tese da filha de sua majestade o rei que diz: “Tive sentido para os negócios desde muito nova. Vendia ovos quando tinha seis anos”.
Isabel dos Santos, a mulher mais rica de África, é já um património da humanidade, sobretudo a nível da transparência empresarial e da valorização de um produto quase autóctone – o ovo. Não são produzidos pelas chamadas galinhas de Angola mas de um seu parente, o que para o efeito é irrelevante.
Além disso, como se sabe, a ascensão empresarial da Santa Isabel dos Ovos não se deveu, longe disso, ao facto de ser filha do dono do aviário, mas tão somente à sua capacidade genética para antecipar os bons negócios, dos quais a venda de ovos foi um talismã.
Acresce que todas as afirmações de Isabel dos Santos, ovíparas ou não, constituem um legado da humanidade. Vejamos algumas que fez ao influente jornal britânico Financial Times:
“Lembro-me quando existiam 300 mil carros em Luanda, quando existiam 600 mil carros, quando existia um milhão de carros e agora penso que existem 2 milhões de carros. Está relacionado com o crescimento do mercado de consumo. Apenas cresceu de forma muito mais rápido do que as infra­estruturas podiam acompanhar”;
“Como se consegue baixar a desigualdade em Angola? Criando oportunidades e criando cada vez mais desenvolvimento. Acordar de manhã e ir trabalhar, fazer alguma coisa. Vai demorar muito tempo, mas quanto mais coisas se fizer acontecer, mais coisas serão construídas”;
“Duvido [que os meus pais tenham sido apresentados pela KGB, quando se conheceram na antiga União Soviética]. Demoraram sete anos a casar, a obter as autorizações. Não penso que tenha sido o KGB, pois nesse caso teriam obtido os papéis mais cedo”;
“O meu pai gosta de cozinhar. Gosta de Peixe. Nunca tivemos o sentido da grandiosidade. Eu ia a pé para a escola”;
“Imagino que seja muito difícil distinguir o pai da filha. Penso que essa dificuldade advenha de estar a fazer as minhas coisas e o meu pai ser uma figura política africana muito forte há tantos anos”;
“Os meus pais foram muito exigentes comigo. Tinha cerca de 23 horas de aulas por semana, mais os laboratórios, mais os relatórios, pelo que não havia tempo para divertimentos”;
“Há muitas pessoas com ligações familiares, mas que hoje não são ninguém. Se for trabalhador e determinado vai ter sucesso e isso é o principal. Não acredito em caminhos fá­ceis”;
“Não estou envolvida na política e nunca tive qualquer papel na política. Nunca tive um emprego na administração pública. Não trabalho com o Governo”;
“Estou sempre a trabalhar, sete dias por semana. O trabalho é divertido. Se faz alguma coisa que vai dar um emprego a alguém, e essa pessoa depois pode pagar a educação do seu filho, e depois o seu filho vai ser um médico, que provavelmente ajudará muitas outras pessoas, isso é muito motivante. Muito mais divertido do que ir para a praia”.
#http://jornalf8.net/

ANGOLA: MULHERES RESISTENTES.

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No dia 25 do corrente mês (5ª feira) pelas 18H30 no Camões/Centro Cultural Português (Av. de Portugal nº 50. Luanda) será inaugurada a exposição fotográfica Mulheres Resistentes, numa parceria com a Alliance Française de Luanda, que reúne 22 trabalhos do fotojornalista francês Pierre – Yves Ginet.

Os trabalhos fotográficos apresentados foram recolhidos em 20 países de vários continentes. Do Tibete à Turquia, do Peru à Argélia, da Argentina a Marrocos, da França ao Haiti, da R.D. do Congo ao Nepal, da Palestina ao Sudão, do Ruanda ao Cambodja, da Bélgica ao Kosovo. Todos eles são testemunhos da luta das mulheres anónimas no mundo actual.
A exposição, que foi concebida em estreita colaboração do Centro de História da Resistência e Deportação de Lion com a Associação “Mulheres Aqui e Além”, aborda temas chave da luta das mulheres em prol do objectivo comum de construção de um futuro melhor para as gerações vindouras. O respeito pelas minorias étnicas, o direito à cidadania plena, a luta contra a discriminação, contra o preconceito, contra a injustiça, contra todas as formas de violência e a luta pela liberdade.
Pierre – Ives Ginet, no seu trabalho, não reduz a mulher à condição de vítima perpétua, mártir, ou minoria a proteger. Rejeita uma visão paternalista da condição da mulher e projecta uma imagem da sua força, como sujeito activo da sociedade, ao lado do homem. As mulheres, que representam actualmente cerca de 51% da população mundial, têm em comum a abnegação, a determinação, um sentido profundo do diálogo e enfrentam com coragem todos os males que as atingem, mas também os que afectam indiscriminadamente a sociedade, como os conflitos e as epidemias.
A exposição conjuga e harmoniza imagens de diferentes continentes, diferentes religiões, diferentes países (mais ou menos desenvolvidos), de zonas de guerra e de zonas de paz, procurando um ponto comum universal entre todas as mulheres resistentes anónimas a que chama “combatentes da sombra”.
Sobre a exposição, Taslima Nasreen, escritora do Bengladech, diz: “Um testemunho a favor do reconhecimento das mulheres, tão universal como contemporâneo, só pode servir para nos encorajar a prosseguir os nossos combates”.
Algumas palavras-chave induzidas pelas imagens relativamente às mulheres: Afirmar a sua identidade e a sua cultura; Resistir às injustiças; Lutar pelos seus direitos; Sobreviver à fome e à doença; Reconstruir as sociedades.
Pierre – Ives Ginet abandonou, em 1996, uma carreira bem sucedida de analista financeiro numa multinacional, para abraçar a profissão de fotógrafo. Dedicou os primeiro anos do seu trabalho, como fotojornalista ao Tibete, sobre o qual publicou várias obras. Aí desenvolveu um trabalho profundo, de três anos, sobre as monjas tibetanas, Posteriormente, foi alargando o seu campo de acção ao mundo inteiro, desenvolvendo o tema das mulheres anónimas que contribuem para escrever a história do nosso tempo.
Foi co-fundador da revista “Mulheres Aqui e Além” e publicou sete obras, das quais cinco dedicadas ao Tibete. Apresentou perto de duas dezenas de exposições em França e na Bélgica. É a primeira vez que apresenta os seus trabalhos em Angola.
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GUINÉ-BISSAU: A TODO O MOMENTO GOVERNO PODERÁ CAIR (MÉNHER MÉNHER!).

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Vários observadores em Bissau acreditam estar para breve a queda do governo de Carlos Correia (PAIGC) e já se aventa a possibilidade de tal ocorrer já esta quinta-feira, 14. É essa, também, a previsão do Africa Monitor, que na sua última edição avança exactamente esta data para a queda do governo.

Prevê-se, ainda, que o próximo executivo da Guiné-Bissau venha a receber o apoio do Partido da Renovação Social (PRS), de dissidentes do PAIGC e de personalidades ligadas ao Presidente da República, José Mário Vaz. Para a chefia do governo, o nome mais aventado é o de Soares Sambú, um dos mais prestigiados dissidentes do partido atualmente no poder.

A análise do "Africa Monitor" coincide com a opinião da maioria dos observadores em Bissau, que apontam José Mário Vaz como o inspirador de mais uma mudança de executivo. E há relatos de que o PR se tem desdobrado em reuniões com vários setores políticos.

A iminente queda do governo de Carlos Correia decorre de um acórdão do Supremo Tribunal, com data de 4 de abril, onde se determina que os 15 deputados do PAIGC, que se rebelaram contra a direção do partido e pediram o estatuto de independentes, regressem ao Parlamento.

A decisão do tribunal aconteceu após um recurso interposto pelos deputados que foram expulsos do Parlamento com a alegação que o regimento da Assembleia Nacional não admitia o estatuto de independente.

Com o regresso dos parlamentares dissidentes e a convocação do plenário para dia 14, o mais provável é que uma moção de censura provoque a queda do governo do PAIGC. E, nesse sentido, o PR já “mexe os cordelinhos” para se encontrar uma outra solução decorrente da nova maioria parlamentar (PRS e dissidentes do PAIGC).

Fonte: AM/CV-Direto

http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article117700&ak=1

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Comité Central da FRELIMO debate paz em Moçambique.

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O Comité Central da FRELIMO, o partido no poder em Moçambique, está reunido a partir desta quarta-feira (13.03), em Maputo. A preservação da paz no país é o tema em destaque no encontro de três dias.
Comité Central da FRELIMO


Numa altura de agravamento da crise política e militar no país, a 5ª Sessão Ordinária do Comité Central da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) vai discutir "com mais profundidade" a questão da preservação da paz, anunciou o porta-voz António Niquice.
Reiterando que é essencial manter a ordem e segurança pública no atual contexto, o porta-voz da Frelimo sublinhou ainda que o partido fará tudo o que estiver ao seu alcance para garantir a restauração da estabilidade política e militar.
Moçambique vive uma crise política e militar caracterizada por confrontos entre as forças de defesa e segurança moçambicanas e o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), principal partido de oposição, no centro do país, e por ataques a veículos militar e civis em vários troços da principal estrada do país na região, atribuídos ao movimento.

Também a economia moçambicana tem sido atingida por uma queda vertiginosa do metical face ao dólar, descida das exportações e subida de inflação, por efeito não só de causas externas, como a baixa cotação de matérias-primas, como também da seca que atinge centenas de milhares de pessoas no sul e centro do país.
Novo secretário-geral?
Presidente Filipe Nyusi numa reunião do Comité Central da FRELIMO (05.02.2016)
Tem sido aventada a possibilidade de o atual secretário-geral da organização, Eliseu Machava, deixar o lugar para dar espaço ao Presidente Filipe Nyusi de indicar um quadro da sua confiança. Porém, António Niquice não se pronunciou sobre essa hipótese.

Eliseu Machava ascendeu ao posto de secretário-geral da FRELIMO em 2014, quando o partido ainda era dirigido por Armando Guebuza, na altura chefe de Estado, e tem sido apontado como um dos últimos baluartes do "guebuzismo" na hierarquia do partido.
No encontro também será discutida a data e o local da realização do XI Congresso da FRELIMO, previsto para 2017, e que será o primeiro a ser dirigido pelo atual presidente do partido e chefe de Estado, Filipe Nyusi.
#dw.de

GUINÉ-BISSAU: «ASSEMBLEIA NACIONAL POPULAR DA GUINÉ-BISSAU» CONVOCAÇÃO DA SESSÃO EXTRAORDINÁRIA ANUNCIADA PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA FICOU ADIADA PARA 19 DE ABRIL.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...




Segundo recuo do Presidente desde o despoletar da crise política guineense.

A convocação da sessão extraordinária anunciada, na semana passada, pelo Presidente da República,José Mário Vaz, para esta quinta-feira, ficou adiada para 19 de Abril, devido a falta do cumprimento de normas para o efeito. Assim, entende a Mesa da Assembleia Nacional Popular, que, na nota emitida esta terça-feira, em Bissau, afirma que o requerimento para a convocação da sessão extraordinária por parte do Chefe de Estado deveria acontecer cinco dias antes, o que não foi o caso.

É, sem dúvidas, o início de uma nova fase na disputa política no parlamento guineense, depois do acórdão do Supremo Tribunal de Justiça. No entender da Presidência da Assembleia Nacional Popular (ANP), aludindo o regimento de funcionamento deste órgão legislativo, apesar do direito da iniciativa de convocação extraordinária estar prevista na Constituição da República, o mecanismo para sua convocação passa “por iniciativa ser endereçada, por via de requerimento, ao Presidente do parlamento, onde deverá constar especificamente as matérias a tratar, nomeadamente, ordem do dia dos respetivos trabalhos, como determina as doutrinas que sustentam as normas da Constituição da República e do Regimento da Assembleia Nacional Popular”, refere a nota do Gabinete de Imprensa da ANP.

O parlamento esclarece ainda que o Presidente da República se comunica com a Assembleia Nacional Popular, através de “mensagem”, a esta dirigida, não podendo em caso algum, o Chefe de Estado deslocar-se ao Parlamento, a não ser a convite deste exceto no dia da sua tomada de posse.

E, em face desta realidade, imposta pela Assembleia Nacional Popular, o Presidente da República recuou e cumpriu as normas impostas pela legislação em vigor, tendo em seguida o Parlamento, por sua vez, convocado para o dia 19 próximo a tão esperada sessão extraordinária.

Este é o segundo recuo, imposto pela lei, que o Presidente JOMAV observou durante a crise política vigente, tendo o primeiro caso acontecido quando da nomeação do Governo liderado por Baciro Djá, que não foi além de 48 horas, por imposição do acórdão do Supremo Tribunal de Justiça.

Lassana Cassamá
© e-Global/conosaba

terça-feira, 12 de abril de 2016

«ENTREVISTA» A GUINÉ-BISSAU AOS OLHOS DE UMA PORTUENSE.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...
Fara Caetano é natural do Porto mas é na Guiné-Bissau que deixa marca. Por entre “saudades” e um “país em construção”, o Porto24 foi conhecer a estória desta professora de História.


Fara Caetano tem, de há cinco anos a esta parte, a vida dividida entre duas pátrias. A natural do Porto tem passado o tempo entre Portugal e a Guiné-Bissau, onde tem trabalhado na área da educação. O Porto24 foi conhecer as histórias que se acumulam ao trabalhar em várias cidades, de Bissau a Canchungo passando pela Mansoa.


É sobre a Guiné que incide a entrevista, mas é a história de vida de Fara que a pontua, numa dedicação à educação e à melhoria das condições de vida e acesso ao ensino do país que marca uma carreira “feliz” que a ensinou a “relativizar os problemas”.

Licenciou-se em 2010 em História, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Dois anos depois, tornava-se mestre em História, Relações Internacionais e Cooperação, na mesma instituição.

Em setembro de 2011 deu-se o primeiro contacto com a Guiné-Bissau, ao dar aulas a uma turma de 7º ano numa escola da capital, Bissau, enquanto investigava “o tema da cooperação portuguesa e o impacto na educação no país”, para a tese de mestrado. Voltou em março de 2012, mas o regresso não tardaria.

No primeiro mês de 2013 estava de regresso, como voluntária num jardim infantil em Mansoa. Foram dez meses de estada antes do regresso a Portugal. A viagem para terras africanas continuou a chamar por Fara Caetano, que experimentou em fevereiro de 2015 a experiência de formar professores, novamente em Mansoa, durante seis meses. “Uma experiência muito gratificante”, conta.

Findas as viagens de ida e volta, chegamos ao ponto atual. A professora dá agora aulas de História a cinco turmas do 11º e 12º anos no Liceu Regional de Canchungo, no norte da Guiné, um trabalho “exigente mas muito compensador”, até porque as condições de ensino “não são as melhores”, por várias razões, da escassez de materiais às infraestruturas precárias e ao atraso na formação dos professores. Além disso, cada turma tem 40 alunos, elevando o total de alunos a aprender História com a portuense para os 200. “Mas sinto diariamente que estou a fazer a minha parte para poder ajudar quem mais precisa”, explica ao Porto24.

As histórias vividas na Guiné-Bissau, bem como o relato único vivido por dentro do modo de vida e dos progressos no ensino no país africano, são inúmeras ao longo das quatro estadas da professora em três localidades diferentes.

Aos 27 anos, radicada em Canchungo com o namorado, um guineense que estudou na Faculdade de Direito da Universidade do Porto, Fara Caetano deixa ao Porto24 o relato de um trabalho em prol dos outros, por entre recomendações musicais, histórias curiosas e um retrato social e político de um “país em construção”.

Como surgiu o primeiro contacto com a Guiné-Bissau?

O interesse por África começou a crescer durante a faculdade, quando comecei a despertar um grande interesse pelas temáticas africanas no curso de História da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A vinda para a Guiné-Bissau acabou por acontecer quase que de repente, no âmbito do mestrado, embora que não por acaso. Apesar de, desde a adolescência, ter aquela vontade (quase cliché) de um dia poder fazer uma missão em África, nunca pensei que pudesse acontecer tão cedo [tinha 22 anos na altura].

Porquê a Guiné-Bissau e não outro país africano?

Por motivos afetivos essencialmente, uma vez que o meu namorado é guineense e foi ele o grande impulsionador do início desta minha aventura em terras africanas.

Como classificarias as condições de vida no país e na região onde vives?

A Guiné-Bissau é um país em construção. Tal como um qualquer outro país em desenvolvimento, apresenta muitas fragilidades no que respeita às condições de vida, nas mais diversas áreas, nomeadamente na área da saúde e da educação. O país está na cauda do o Índice de Desenvolvimento Humano (2013) da Organização das Nações Unidas [em 176º num total de 187 países], portanto só por aí já podemos ter uma noção do estado do seu desenvolvimento.

As necessidades do país ainda são básicas: ter acesso a água potável (e canalizada) e eletricidade, e sem estes dois elementos é muito difícil um país conseguir desenvolver-se. Cerca de 70% da população não tem acesso a eletricidade e esta circunscreve-se, basicamente, a Bissau. A esperança média de vida à nascença é muito baixa [48 anos] e o acesso a cuidados de saúde ainda é muito limitado, tanto por falta de equipamentos hospitalares como de recursos humanos. Além disso, a maioria da população vive em zonas rurais e aí o acesso é ainda mais escasso. E depois existem todos os outros problemas, não menos importantes, como a instabilidade política, o desemprego, o trabalho infantil, o casamento precoce e forçado, a mutilação genital feminina, as desigualdades sociais, a inacessibilidade à justiça…



“É preciso uma reforma profunda do sistema de ensino guineense”

Quais as condições de ensino no país?



Para mim, a educação é, a par da saúde, o principal pilar de um país. E na Guiné-Bissau ainda é uma área muito menosprezada. Ser professor na Guiné-Bissau é um desafio constante. Têm salários baixos, muitas vezes pagos com meses de atraso, ou simplesmente que não são pagos, e as condições de trabalho são muito precárias. Há muitas greves e estas podem durar meses ou mesmo períodos letivos. Aqui existem, essencialmente, três tipos de escolas: públicas, privadas e de auto-gestão, e a qualidade de ensino varia entre elas. O conceito de privado não é igual ao de Portugal, já que existem escolas privadas que são barracas, por exemplo. É comum vermos crianças a levarem a própria cadeira de casa para a escola, diariamente. Os livros escolares são escassos, a matéria é ditada para o caderno e o sistema de ensino/aprendizagem é lento. Muitos alunos fazem quilómetros para poderem ir à escola, a pé ou, se tiverem sorte, de bicicleta, e com o estômago vazio. É a força de vontade que comanda as suas vidas.

Para além disso, em geral, a entrada na escola é tardia e ainda existem muitas disparidades quanto ao género. Ainda persiste a ideia de que as meninas não devem ir à escola, mas sim dedicar-se apenas às atividades domésticas. A educação pré-escolar é vista como desnecessária. As crianças não são estimuladas.

Depois há o problema da língua, o português é a língua oficial no país e obrigatório nas escolas, mas no quotidiano toda a gente fala crioulo e/ou as línguas étnicas. Na maioria dos casos, o primeiro contacto com o português dá-se na escola, quando se aprende a ler e a escrever. Como é que uma criança que só fala o crioulo vai conseguir aprender a escrever, ler e falar uma língua que mal conhece?

Com um cenário tão negro, que hipóteses há para melhorar as condições?

Mudar as condições do sistema educativo na Guiné-Bissau passa, em grande parte, pelo interesse político e pela sua consciência da importância da educação para o desenvolvimento do país. O orçamento do Estado para a educação não é suficiente nem faz parte das prioridades e para haver mudanças esse aspeto teria de ser alterado.

Para além disso, teria de haver uma reforma profunda, de base mesmo, do sistema educativo, adequando os programas à realidade guineense. Estar à espera de projetos de cooperação internacional não é a solução, tem que haver interesse político e mudança por parte dos próprios governantes guineenses.

Há algum projeto em curso para minimizar os efeitos do subdesenvolvimento?

Existem muitos projetos de cooperação no terreno, alguns deles com um trabalho muito importante e resultados visíveis, principalmente na área da educação e da saúde também. Mas isso não é suficiente. A mudança tem e deve partir de dentro. O apoio internacional é importante, mas não é suficiente nem sustentável. O país (poder político) é que deve tomar a iniciativa de promover mudanças com vista ao desenvolvimento, aproveitando o apoio da cooperação internacional para tentar criar alguma independência e autonomia e não o contrário, a constante dependência do exterior, como se verifica.

“Permanente é uma palavra forte, não tem muito a ver comigo”

É a quarta estada na Guiné-Bissau desde 2011. Há quanto tempo estás em Canchungo?

É verdade, desde 2011 que me divido entre Portugal e a Guiné-Bissau e esta temporada está a ser a mais longa. Já cá estou há mais de um ano e já vivo em Canchungo há cerca de 8 meses.

Ficar permanentemente no país já é uma possibilidade?

Não tenho por hábito fazer muitos planos na minha vida. Deixo que as coisas vão acontecendo e vou tentando fazer as escolhas certas quando tenho que as fazer. Permanentemente é uma palavra forte, que sugere limites e acho que não tem muito a ver comigo. Para já estou aqui e gosto muito de cá estar. Gosto de viver o presente. Apesar de todos os problemas e adversidades que a Guiné-Bissau apresenta, é um país tranquilo, muito acolhedor e cativante, mas só se percebe isso quando cá se está e se sente o calor, não só das temperaturas elevadas, mas essencialmente das pessoas. Gostaria de continuar a dar o meu (ínfimo) contributo para este país por mais tempo, sim, mas não tracei esse objetivo de ficar cá de vez.

O que é que ainda te falta fazer?

A nível profissional estou muito feliz e realizada e sinto que é isto que gostaria de continuar a fazer o resto da minha vida, e, se puder, gostaria de fazer mais e melhor do que tenho feito. Esse é o meu sonho. Gosto de estar perto das pessoas e de trazer alguma mudança na vida delas, por mais insignificante que seja. Na vida, os objetivos que me faltam alcançar são o poder viajar mais e ser mãe. Não sonho muito alto e contento-me com o que tenho. Cada vez mais sinto que sou uma sortuda por ter a vida que tenho, que foi a que escolhi e que não me permite ter muitos luxos, mas que me dá a oportunidade de ser feliz e de ter o essencial. Aqui aprende-se a relativizar os problemas. Viver num país como a Guiné-Bissau ajuda-nos a ver a vida desta forma.

Que diferenças traças entre os dois países?

É tudo diferente. A primeira diferença que se sente logo no primeiro segundo quando se abrem as portas do avião é o clima: abafado, húmido e pesado. Se chegarmos na época das chuvas, como aconteceu na minha primeira vez na Guiné, sentimos o cheiro a terra molhada, uma sensação indescritível de contacto direto com a natureza, acompanhada de uma sensação térmica bastante quente e, ao mesmo tempo, húmida. Se for na época da seca levamos de imediato com um bafo entre os 35 e os 40 graus. Portanto, o clima por si só, já é uma grande diferença, antes mesmo de chegarmos ao choque cultural.

Depois podemos falar das condições de vida, do contacto direto com a pobreza, dos hábitos, comportamentos, costumes e tradições, da religião (há uma minoria cristã, a maior parte da população é animista ou muçulmana), da cultura, da gastronomia, das acessibilidades, enfim, tudo é completamente diferente. Quando chego a Portugal e me perguntam como é viver aqui e quais as diferenças, sinto muita dificuldade em dizê-lo, porque há coisas muito difíceis de explicar. Vejo, sinto, não esqueço, mas não consigo expressar tudo o que vivo aqui.

Também há muitas semelhanças. Pessoas com os mesmos problemas, as mesmas preocupações, os mesmos projetos, sonhos, ambições. Apercebemo-nos que somos seres humanos iguais em qualquer parte do mundo, mas em cenários distintos. Acho que a música “Tás a ver”, do Gabriel o Pensador, ilustra na perfeição essa ideia do sermos no fundo todos muito semelhantes apesar de tudo o que nos diferencia. 

“As crianças aqui são príncipes e princesas num lugar onde não existem contos de fadas”

O que mais te impressionou pela positiva?

A capacidade de sofrimento e de resiliência dos guineenses. Acho que têm uma força incrível para ultrapassar os obstáculos da vida. Com pouco fazem muito e com esse pouco conseguem construir felicidade. E este conceito de felicidade é relativo. Para mim, por exemplo, era impensável ver uma criança a viver num bairro pobre, sem as condições que para mim são básicas, sem amor e sem o mínimo conforto, ser feliz. Mas essas crianças existem aqui. Elas têm pouco, mas acabam por nos dar muito, muitos ensinamentos, muitas lições de vida. Estão sempre a sorrir e sei que sorrir não significa estar feliz. Mas é um passo. Elas dão esses passos que eu acho que seria incapaz de os dar. Elas têm a verdadeira sabedoria da vida. São príncipes e princesas num lugar onde não existem contos de fadas.

Outra coisa que me impressionou pela positiva foi a segurança e tranquilidade do país. Há realmente instabilidade política, mas a vida quotidiana é tranquila. Nunca tive problemas com a questão da segurança e nunca me trataram mal. Os guineenses são um povo muito acolhedor e hospitaleiro e não senti nunca racismo.

Mas também há aspetos negativos, naturalmente.

Sim. Pela negativa, impressionou-me a pobreza extrema, a falta de condições nos hospitais e nas escolas, a desorganização e a ambição pelo poder. Este é um país pequenino, com potencialidades no turismo, por exemplo, mas que ainda não teve a sorte de ter as pessoas certas na política. Ninguém quer passar férias num país instável a nível político. Desde a independência do país, a Guiné foi sobressaltada por crises políticas (e uma Guerra Civil de quase um ano), como uma doença crónica grave. A vida das pessoas está sempre em segundo plano e os políticos têm o dom de retirar a esperança ao povo que vive todos os dias à espera de dias melhores.

Aqui existe uma expressão muito comum e que acaba por ser sempre a resposta final para tudo: “djitu ka ten”, que significa em português “não há jeito”. E é este o sentimento das pessoas. Não têm escolha, não podem tomar decisões, não conseguem mudar as suas vidas, por mais vontade que tenham. E isso é triste num país que se define democrático. Todas as democracias têm as suas fragilidades, mas em alguns países africanos, em que são mais jovens, essas democracias são puras utopias. São apenas um papel escrito.


Aprendo mais do que ensino”

De que forma é gratificante poder ensinar num país em desenvolvimento? 



Ser professora num país em desenvolvimento tem sido, para mim, um privilégio e um desafio enorme. É muito gratificante, porque sinto que a minha presença dentro da sala de aula é valorizada e muito respeitada.

Sei que a minha presença não muda muito, porque fazer a diferença não é fácil, e eu sou mais uma gota no oceano como tantas outras, mas estou a dar o melhor de mim. Se conseguir melhorar, de alguma forma, a vida de um aluno meu já fico feliz. Nem que seja através de um conselho que dei ou de um gesto que fiz. Tudo conta. Ainda assim, e para ser completamente sincera e nada modesta, na verdade quem tem aprendido mais sou eu. Que aprendo mais do que ensino, não tenho a menor dúvida.

Mostra-nos como é um dia típico em Canchungo.

A minha vida em Canchungo é muito simples e normal. Acordo cedo para ir para o liceu, por volta das 06h:20, porque as aulas iniciam às 07h:30 e saio de lá por volta do 12h:10, quando as aulas terminam. Tenho apenas o período da manhã preenchido com aulas, apesar de passar muito tempo do período da tarde também no liceu, porque sou diretora de turma e dou algum auxílio à direção do liceu, nomeadamente nas atividades escolares. Entretanto almoço e, nas tardes em que não tenho que ir para o liceu, aproveito para aceder à Internet, falar com a minha família e amigos e pesquisar matéria que eventualmente necessite, uma vez que é o professor que elabora os apontamentos que vai dar nas aulas, seguindo o programa do Ministério da Educação, claro. Faço também a manutenção do site e da página Facebook do liceu, atualizando todas as informações e atividades que vão decorrendo. Para além do liceu, também dou aulas na Escola Nacional de Administração, no horário pós-laboral, entre as 19h:00 e as 22h:00.

Fora do trabalho gosto muito de ler, ouvir música e dar uns passeios ao fim da tarde até ao rio (quando é possível).



Nas tuas várias passagens pelo país, deves ter vivido uma montanha de aventuras. 

Sim, várias. Aliás, é raro não ter um episódio marcante a cada dia que passo cá, seja ele positivo ou negativo. Há sempre uma história para contar. Uma que me aconteceu logo nos primeiros tempos em que estive cá e que me marcou pela simplicidade. Sempre que venho para cá arranjo um canto generoso da minha mala para brinquedos e presentes para as crianças e, certo dia, dei uma boneca a uma vizinha minha, que tinha uns sete ou oito anos de idade. Ela agradeceu, ficou sem jeito e foi-se embora. Passados uns cinco minutos bateu-me à porta e ofereceu-me uma cenoura. Inicialmente não percebi aquele gesto, mas rapidamente percebi que aquela era a forma que tinha de me agradecer pela boneca que eu lhe tinha oferecido. Não tinha outra forma de o fazer. No final quem ficou sem jeito fui eu. Esta espontaneidade é o que mais me impressiona aqui e o que me faz “esquecer” tudo o resto.

Outra história engraçada tem a ver com os transportes públicos que existem na cidade de Bissau e que têm o nome de “toka-toka”. São carrinhas que fazem o papel da nossa STCP no Porto, mas que funcionam de forma diferente. Chamam-se “toka-toka” porque quando uma pessoa entra e já não existe muito espaço para ela se sentar, o ajudante pede para as outras pessoas se encostarem mais umas nas outras para haver lugar para o passageiro que acabou de entrar, dizendo “toka um bocado” (chega para lá um pouco). Então as pessoas acabam por fazer a viagem todas apertadas, como sardinhas enlatadas, até quando já não couber uma agulha entre ninguém. E durante a viagem acontecem sempre histórias engraçadas.

De que sentes mais saudades?

Da família e dos amigos, sem dúvida. Viver num país, neste caso num continente, diferente não é fácil, principalmente quando não temos as pessoas mais importantes da nossa vida por perto. Não me posso dar ao luxo de dizer “vou apanhar o comboio e vou até ao Porto”. Sempre que venho para cá sei de antemão que é a longo prazo, sem data de regresso e sem possibilidade de uma escapadela para matar as saudades quando me apetecer. As viagens de avião são caras e de Bissau para o Porto ainda não existem viagens low cost. Felizmente tenho o meu namorado que me ajuda bastante nos momentos mais complicados, nas datas mais especiais em que dava tudo para poder estar em Portugal, nos momentos de solidão, mas mesmo assim não é fácil. É preciso ter um bom controlo emocional e espírito de sacrifício.

E depois sinto falta daquelas coisas mais simples, mas que fazem muita falta quando estamos longe, como o conforto da minha cama em Portugal, da comida da mãe, das idas ao cinema, de comer um crepe com chocolate com uma amiga, essas pequenas coisas. E claro, da minha maravilhosa cidade, o Porto.

Fara Caetano


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