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NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... Dois anos depois de deixar a capital senegalesa no final do seu segu...

terça-feira, 15 de setembro de 2020

FOLHA 8 JUNTA-SE À HOMENAGEM A AGOSTINHO NETO

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...



Por Orlando Castro

ODia do Herói Mundial (que substituirá o Dia do Herói Nacional, designação muito pequena para a amplitude do protagonista) é uma comemoração partidária transformada, por força da ditadura, em nacional angolana e agora em mundial, em memória do nosso maior genocida, do nosso maior assassino, António Agostinho Neto.

Estávamos a 17 de Setembro de 2016. O então ministro da Defesa de Angola e vice-presidente do MPLA, João Lourenço (alguém sabe quem é?), denunciou tentativas de “denegrir” a imagem de Agostinho Neto, primeiro Presidente angolano.

João Lourenço discursava em Mbanza Congo, província do Zaire, ao presidir ao acto solene das comemorações do dia do Herói Nacional, feriado alusivo precisamente ao nascimento do Agostinho Neto.

“A grandeza e a dimensão da figura de Agostinho Neto é de tal ordem gigante que, ao longo dos anos, todas as tentativas de denegrir a sua pessoa, a sua personalidade e obra realizada como líder político, poeta, estadista e humanista, falharam pura e simplesmente porque os factos estão aí para confirmar quão grande ele foi”, afirmou o general João Lourenço, hoje presidente do MPLA, da República (do MPLA) e Titular do Poder Executivo (do MPLA), certamente já perspectivando em guindá-lo a figura de nível mundial que pudesse ombrear (à sua escala) com Adolf Hitler, Joseph Stalin, Pol Pot, Mao Tse-Tung, Kim Jong-il (entre muitos outros).

João Lourenço nunca se referiu ao caso na sua intervenção, mas o Bureau Político do MPLA criticou em Julho de 2016, duramente, o lançamento em Portugal de um livro (mais um) sobre o MPLA e o primeiro Presidente Agostinho Neto, queixando-se então de uma nova “campanha de desinformação”.

Em causa estava (continua a estar, estará sempre) o livro “Agostinho Neto – O Perfil de um Ditador – A História do MPLA em Carne Viva”, do historiador luso-angolano Carlos Pacheco, lançado em Lisboa a 5 de Julho de 2016, visado no comunicado daquele órgão do Comité Central do partido no poder em Angola desde 1975.

“A República de Angola está a ser vítima, mais uma vez, de uma campanha de desinformação, na qual são visadas, de forma repugnante, figuras muito importantes da Luta de Libertação Nacional, particularmente o saudoso camarada Presidente Agostinho Neto”, afirmou o Bureau Político.

Na intervenção em Mbanza Congo, João Lourenço, que falava em representação do seu então querido, carismático e divino chefe, o “escolhido de Deus” e chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, sublinhou que Agostinho Neto “será sempre recordado como lutador pela liberdade dos povos” e um “humanista profundo”.

“Como atestam as populações mais carenciadas de Cabo Verde, a quem Agostinho Neto tratou gratuitamente, mesmo estando ele nas condições de preso politico. É assim como será sempre lembrado, por muitas que sejam as tentativas de denegrir”, afirmou – sabendo que estava a mentir e a ser conivente com um dos mais hediondos crimes cometidos em África – o então ministro da Defesa e hoje Presidente da República.

“Em contrapartida”, disse ainda João Lourenço, os “seus detractores não terão nunca uma única linha escrita na História, porque mergulhados nos seus recalcamentos e frustrações, não deixarão obra feita digna de respeito e admiração”.

“Não terão por isso honras de seus povos e muito menos de outros povos e nações. A História encarregar-se-á de simplesmente ignorá-los, concentremos por isso nossas energias na edificação do nosso belo país”, disse João Lourenço.

Sabendo o que dizia mas não dizendo o que sabe, João Lourenço alinhava (e alinha), “mergulhado nos seus recalcamentos e frustrações”, na lavagem da imagem de Agostinho Neto numa altura em que, como sabe o regime, os angolanos começam cada vez mais a pensar com a cabeça e não tanto com a barriga… vazia.

Terá João Lourenço alguma coisa, séria, honesta e reconciliadora a dizer aos angolanos sobre os acontecimentos ocorridos no dia 27 de Maio de 1977 e nos anos que se seguiram, quando milhares e milhares de angolanos foram assassinados por ordem de Agostinho Neto?

Agostinho Neto, então Presidente da República, deu o tiro de partida na corrida do terror, ao dispensar o poder judicial, em claro desrespeito pela Constituição que jurara e garantia aos arguidos o direito à defesa. Fê-lo ao declarar, perante as câmaras da televisão, que não iriam perder tempo com julgamentos. Tal procedimento nem era uma novidade, pois, na história do MPLA tornara-se usual mandar matar os que se apontavam como “fraccionistas”.

O que terá a dizer sobre isto o agora Presidente da República, general João Lourenço?

Agostinho Neto deixou a Angola (mesmo que o MPLA utilize toda a lixívia do mundo) o legado da máxima centralização de um poder incapaz de dialogar e de construir consensos, assim como de uma corrupção endémica. E os portugueses que nasceram e viveram em Angola, ainda hoje recordam o papel que teve na sua expulsão do país. Antes da independência declarava que os brancos que viviam em Angola há três gerações eram os “inimigos mais perigosos”.

Em 1974, duvidava que os portugueses pudessem continuar em Angola. Em vésperas da independência convidava-os a sair do país. E já depois da independência, por altura da morte a tiro do embaixador de um país de Leste, cuja viatura não parara quando se procedia ao hastear da bandeira do MPLA, dirigiu-se, pela televisão, aos camaradas, para lhes dizer que era preciso cuidado, pois nem todos os brancos eram portugueses.

Em Maio de 1977, não houve pioneirismo, pelo contrário, não tendo Agostinho Neto conseguido massacrar a humilhação passada no Congresso de Lusaka, o primeiro democrático do MPLA, onde o eleito foi Daniel Júlio Chipenda, Agostinho Neto consumou a grande chacina, para estancar, com o temor, uma série de cisões e problemas que calcorreavam incubados, desde a sua chegada ao MPLA, convidado pela anterior direcção.

Esta demonstração de força, serviu para demonstrar, que se o poder fosse posto em causa, a direcção e Agostinho Neto, não teriam pejo de sacrificar com a própria vida todos quantos intelectualmente o afrontassem. Foi assim ontem, é assim hoje, infelizmente, como bem sabe João Lourenço.

Numa só palavra, quando este MPLA sente o poder ameaçado, não hesita: humilha, assassina, destrói, elimina, atira aos jacarés.

É a sua natureza perversa demonstrando não estar o MPLA preparado para perder o poder e, em democracia, com a força do voto se isso vier a acontecer, a opção pela guerra será o recurso mais natural deste partido, não é general João Lourenço?

Em todos os meses do ano nunca devemos esquecer, por força do sofrimento de milhares e dos assassinatos de igual número, das prisões arbitrárias, da Comissão de Lágrimas, da Comissão de Inquérito, dos fuzilamentos indiscriminados, etc..

Muitos acreditaram, em 1979, que com a ascensão de Eduardo dos Santos ao poder, num eventual reencontro com a verdade e com a reconciliação interna, sobre a alegada intentona, que ele próprio sabe nunca ter existido. Infelizmente, não se conseguiu despir da cobardia e cumplicidade, ostentada desde o tempo de Agostinho Neto e da sua clique: Lúcio Lara, Onambwé, Iko Carreira, Costa Andrade “Ndunduma”, Artur Pestana “Pepetela”, entre outros.

Dos Santos mostrou ser um homem que, pelo poder, foi capaz de tudo: violar a Constituição, as leis, humilhar, desonrar e assassinar, todos quantos não o bajulavam. Exemplos para quê, eles estão à mão de semear… nas cadeias, no exílio, nos cemitérios, no estômago dos jacarés. E João Lourenço está a mostrar-se um bom aluno desta cátedra.

“Não vamos perder tempo com julgamentos”, disse no pedestal da sua cadeira-baloiço, um dos maiores genocidas do nacionalismo angolano e da independência nacional, Agostinho Neto. João Lourenço sabe que isto é verdade, mas – apesar disso – enaltece o assassino e enxovalha a memória das vítimas.

Esta posição da lei da força, marcaria para todo o sempre o sistema judicial, judiciário e de investigação policial em Angola, onde a presunção e a defesa de uma ideologia diferente da do partido no poder, são causa bastante para acusação, julgamento, prisão e até mesmo assassinato político, ainda que a pena de morte, não esteja consagrada na Constituição.

Sempre que o regime diz o que agora repete João Lourenço, todos devemos fazer uma viagem de regresso a 1977 para ver como estão as cicatrizes daquele período de barbárie, que levou muitos de nós às fedorentas masmorras da polícia política de Agostinho Neto, ou mesmo aos assassinatos atrozes, como nunca antes o próprio colono português havia praticado contra muitos intelectuais pretos, sendo o próprio Neto disso um exemplo.

Desde 1977 que Angola, o Povo, aguarda pela justiça, mas com as mentes caducas no leme do país, essa magnanimidade de retractação mútua, para o sarar de feridas, não será possível, augurar uma Comissão da Verdade e Reconciliação, muito também por não haver um líder em Angola.

Nota: O presente texto fica à consideração do Bureau Político, da ERCA, da Fundação Agostinho Neto e de todas as incomensuráveis sucursais do MPLA para análise, correcções, alterações e o mais que reputem de relevante.







segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Covid-19: Comportamento de guineenses na Europa é "uma vergonha"?

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Guineenses ouvidos pela DW África, em Lisboa, contestam declarações de que estariam a contribuir para a disseminação do coronavírus na Europa. Novas medidas de prevenção entram em vigor terça-feira (15.09), em Portugal.

Guineenses no Rossio, em Lisboa

Guineenses no Rossio, em Lisboa

Novas medidas de prevenção ao novo coronavírus entram em vigor em Portugal a partir desta terça-feira (15.09), ao abrigo do plano de contingência para conter a propagação do novo coronavírus. Lisboa e Vale do Tejo registam maior aumento de infetados. 

Em declarações à agência de notícias Lusa na semana passada, o Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, disse que o primeiro-ministro português, António Costa, estava preocupado com as movimentações de cidadãos guineenses pela Europa a contribuir para a importação da doença de outros países. Mas guineenses ouvidos pela DW África contestam estas declarações. 

Uso de máscaras 

Quem passeia por lugares públicos nas redondezas do Centro Comercial Babilónia, na Amadora, ou visita o centro de Lisboa, perto do Teatro Nacional Dona Maria II, certamente encontra sentados agrupamentos de cidadãos guineenses - na sua maioria sem máscaras. 

É com silêncio que muitos reagem quando questionados por que não usam este elemento de proteção e de prevenção contra o coronavírus. Há quem justifique o comportamento com o modo de ser e de estar de cada povo. 

Guinea Covid-19 Prävention

Braima Sanu diz que as pessoas têm seguido as orientações do Ministério da Saúde português

"Os países, as pessoas e as culturas são diferentes", diz à DW África um cidadão guineense residente no concelho de Odivelas, que não quis se identificar. Mas ele confirma que, na sua área de residência, não se tem registado casos de incumprimento das regras de distanciamento e de uso das máscaras. 

"Respeita-se mais ou menos, até então. O respeito [às regras] a 100% a gente não consegue fazer. Pelo que eu vejo em Odivelas, para mim está normal. Não vejo pessoas a desrespeitarem as leis de saúde. Por isso é que nesse local não há aquele fluxo de contaminação. Ouvi dizer que na Linha de Sintra há quem não respeite. E aí há mais contaminação", conta.

Declarações do Presidente 

Na semana passada, de acordo com a agência de notícias portuguesa Lusa, o Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, disse ser "uma vergonha" o comportamento de "alguns guineenses" na Europa, nomeadamente em Portugal, devido à Covid-19. 

Em declarações no aeroporto de Bissau, o chefe de Estado fez alusão ao pedido do primeiro-ministro português, António Costa, para que falasse com a comunidade guineense "que estaria a importar o coronavírus". 

Guineenses abordados pela DW África, entre os quais o cidadão que pediu anonimato, não quiseram comentar as afirmações de Umaro Sissoco Embaló: "Não me posso debruçar sobre isso, porque na política, em todas as partes do mundo, há disso".

Guinea Covid-19 Prävention

Salimo Mendes, guineense em Lisboa

No entanto, os guineenses do Vale de Chicharros, mais conhecido por Bairro da Jamaika, não se reveem nas afirmações do Presidente guineense. 

"Estão a cumprir as regras"

Salimo Mendes, que integra a estrutura da futura Associação de Solidariedade Guineense do concelho do Seixal, assegura que as pessoas, no geral, estão a cumprir as regras. 

"Acho que aqui na zona sul nós não temos esse problema. Desde 13 de março, até hoje, a população de Jamaika está a seguir as regras. Isso não é tão preocupante aqui. Muitos cafés estão a respeitar as regras. Nos dias normais de trabalho havia aglomeração de pessoas. Mas, neste momento, isso já não se regista. E acho que é muito importante para nós, porque a saúde é essencial", explica.

Braima Sanu, residente no bairro do Vale da Amoreira - também na margem sul do Tejo, onde vive uma importante comunidade guineense - diz que as pessoas, em casa e na rua, têm seguido as orientações do Ministério da Saúde. 

Ele também desvaloriza as declarações do Presidente da Guiné-Bissau. "Para mim, não corresponde à verdade. Os [guineenses] na Europa estão a seguir os conselhos. Os que estão a vir de lá para cá não sei. Se estão a vir, não somos culpados. É o próprio Estado de Portugal que lhes deixam entrar", diz.

 
Assistir ao vídeo04:53

Covid-19: Guineenses em Hamburgo doam 40 mil máscaras à Guiné-Bissau

Nuno Miguel Cavaco, presidente da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira, no concelho da Moita, também na Margem Sul do rio Tejo, louva o comportamento da população local, incluindo a africana. 

"Há comportamentos de risco em algumas comunidade e [são] pontuais. Mas a ideia que eu tenho, do que me é dado a conhecer, é que é muito difícil pessoas perderem a sua cultura. E é complicado para um africano não estar com outras pessoas", explica.

"É assim que é a cultura africana, [assim] como os alentejanos. Todos cumprem e os guineenses também. Nós temos muitos casos de pessoas que apanham [coronavírus] a trabalhar, não em festas", acrescenta.

O primeiro-ministro português, António Costa, avisou há dias, já antes da apresentação de tais medidas de prevenção, que se todos cumprirem as regras será possível controlar o aumento exponencial da pandemia.

"Isso é fundamental para que não haja sobrecarga dos serviços de saúde e para que esses continuem a responder às necessidades", defendeu Costa. 

fonte: DW África

Um menino usa um chapéu e uma máscara criados pelo estilista marfinense Arthur Bella N'guessan

domingo, 13 de setembro de 2020

Eleições presidenciais da Costa do Marfim: a Costa do Marfim é um país soberano (Alassane Ouattara).

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O chefe de estado da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, estimou no sábado em Bongouanou (Centro-Leste), onde completou uma visita de estado de quatro dias à região de Moronou, que a Costa do Marfim é um "país soberano", acrescentando que “devemos confiar nas nossas instituições”. “Posso lembrar-lhe que a Costa do Marfim é um país soberano. É por isso que (...) devemos confiar em nossas instituições ”, disse Ouattara, questionado em uma entrevista coletiva por um jornalista sobre sua reunião em Paris com o presidente francês Emmanuel Macron. “Pare de pensar que as decisões têm que ser tomadas em Paris, Nova York ou outro lugar. As decisões são tomadas na Costa do Marfim, pelos marfinenses e por instituições marfinenses ”, acrescentou. Eleito em 2010 e reeleito em 2015, o chefe de Estado, de 78 anos, decidiu inicialmente em março não concorrer a mais um mandato, passando a batuta para o seu primeiro-ministro, Amadou Gon Coulibaly. Mas a morte repentina deste último em 8 de julho, forçou o Sr. Ouattara a rever seus planos e anunciar que ele é um candidato. Para a oposição, esta nova candidatura é uma violação da constituição aprovada em 2016 que proíbe um terceiro mandato para o Sr. Ouattara. Por sua vez, o campo presidencial acredita que esta nova constituição que limita os mandatos presidenciais a dois, voltou a colocar o contador a zero. Portanto, é o primeiro mandato da Terceira República. Cabe ao Conselho Constitucional, que recebeu 44 dossiês de candidatura às eleições presidenciais de 31 de outubro, resolver esse debate.

fonte: afrique-de-l-ouest/cote-ivoire-actualite
 

Jornalistas e personalidades alertam para ameaça do monopólio da imprensa pelo Governo angolano.

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O alegado monopólio dos órgãos de comunicação social pelo Governo
angolano está a preocupar a classe de jornalistas e vários setores da sociedade civil.

Depois da recuperação de vários órgãos privados, comprados por homens do regime de José Eduardo dos Santos com dinheiro público, pelo Executivo surge agora a grande preocupação sobre o destino a ser dado ao referido património.

Várias associações e jornalistas têm vindo a exortar o Governo a garantir um processo transparente e imparcial na privatização desses órgãos.

Elas desafiam o Executivo a designar cidadãos idóneos, vinculados à classe de profissionais ou organizações não governamentais, para acompanhar o processo de transição desses órgãos para a esfera privada.

A principal preocupação dos jornalistas radica no risco de que a passagem destes órgãos para a esfera do Governo possa ferir o princípio da pluralidade e da imparcialidade da informação.

Para personalidades da sociedade civil, a concentração desses órgãos na esfera do Governo não é desejável porque a lei de Imprensa proíbe este
monopólio.

Por outro lado, teme-se que as autoridades possam cair na tentação de interferir na linha editorial desses meios.

Entidade reguladora diz acompanhar o processo

A Entidade Reguladora da Comunicação Social Angolana, através de uma
nota de imprensa divulgada nesta semana, garante estar a acompanhar, com
interesse e preocupação, o processo de recuperação de ativos do
Estado a nível da comunicação social, em prol da salvaguarda da
liberdade de expressão e de pensamento na imprensa.

Aquele órgão augura que o processo não resulte na concentração da propriedade dos meios intervencionados de modo a constituir-se em monopólio ou oligopólio do Estado.

A lei confere à entidade a competência de velar pela não concentração da titularidade de empresas ou órgãos de comunicação social, com vista a salvaguardar o pluralismo da informação e do respeito pela concorrência.

O Sindicato dos Jornalistas Angolanos (STA) e outras associações profissionais produziram recentemente uma declaração pública, na qual manifestam as suas preocupações principalmente relacionadas com as conquistas alcançadas até agora, como a liberdade de imprensa e o pluralismo da informação.

O secretário geral do STA, Teixeira Cândido, defende o respeito da linha editorial desses órgãos e apela o Governo a criar incentivos para todos
aqueles que se mostrarem interessados em investir nos órgãos privados de
comunicação social.

No programa Janela de Angola, além de Teixeira Cândido, o jornalista e ativista Rafael Marques e o ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Manuel Homem, manifestam as suas opiniões.

fonte: VOA
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O anúncio da candidatura de Alassane Ouattara no início de agosto gerou protestos que às vezes foram reprimidos com violência em todo o país, matando pelo menos 15 pessoas. Desde então, o presidente cessante da Costa do Marfim tem feito vários telefonemas, em busca de apoio externo para atingir seus objetivos.

Em sua linha de visão, o presidente Ouattara estava ansioso para conhecer seu homólogo francês, Emmanuel Macron, que ficou ensurdecedoramente silencioso desde a reviravolta daquele que ele descreveu em março passado como um "estadista, homem de palavra ". Esse silêncio expressava a decepção do chefe do Elysee, que queria ajudar Ouattara a sair pela porta da frente? Em todo caso, o relacionamento era frio.

"Acolhemos nossas opiniões convergentes sobre a situação econômica e política na Costa do Marfim, especialmente a eleição presidencial em um clima de paz." Foi com essas palavras que Alassane Ouattara tentou encobrir sua decepção ao deixar a audiência na sexta-feira, 4 de setembro. Mas, na realidade, ele se viu preso por um "Júpiter" que se sentiu humilhado desde o anúncio desta candidatura que mergulhou a Costa do Marfim de volta em um novo ciclo de violência, desta vez antes -eleição.

Como foi a audiência?

Poder-se-ia dizer que o RHDP de Alassane Ouattara apostou tudo na interferência do Palácio do Eliseu no seu 3º mandato, o que foi contestado pela opinião nacional marfinense e por activistas africanos. Mas a realidade foi diferente, porque acabou em uma ducha fria!

De acordo com informações recolhidas à margem da reunião da sexta-feira passada, o presidente Macron não queria esta reunião. Ele finalmente aceitou graças ao ativismo de Dominique Ouattara (esposa de Alassane Ouattara), que teve que agitar sua própria rede para vir em socorro do marido, de seu presidente. Entraram em jogo o bilionário libanês-marfinense Pierre FAKHOURY, Melissa BOUYGUES (esposa de Martin BOUYGUES) e Vincent BOLLORE. Estas últimas foram enviadas para Brigitte Macron, a fim de convencer seu marido a receber o Sr. Ouattara. Os lobistas citaram duas razões para fazê-lo: se Alassane Dramane Ouattara não fosse o futuro presidente, o caos estaria na Costa do Marfim; e os interesses franceses seriam ameaçados. Poderíamos ter dito bravo a Mélissa BOUYGUES que conseguiu obter uma audiência através de Brigitte Macron. Mas isso sem contar com o conteúdo da audiência.

A resposta de Macron a Ouattara

A resposta de Emmanuel Macron foi rápida. Paris não é muito favorável ao projeto do terceiro mandato de Alassane Ouattara, o presidente francês não poderia aparecer oficialmente com um personagem que o colocasse em desacordo com a opinião nacional e internacional. Sobretudo porque acabava de presidir a celebração do 150º aniversário da República Francesa poucas horas antes do seu encontro com Ouattara. Somado a isso, há 6 meses em um tweet publicado, Emmanuel Macron parabenizou seu homólogo marfinense após seu anúncio de não candidatura, apresentando-o como “um modelo de democracia em África”! Diante dessa insistência de parentes, o presidente francês acabou recebendo-o sujeito à aceitação das contrapropostas:

Manter um consenso da classe política em cada etapa do processo eleitoral;

Cessação imediata da violência e que não haja mais distúrbios no território;

Nenhuma exclusão de candidaturas, incluindo a do ex-presidente Laurent Gbagbo e a de Guillaume SORO, o ex-presidente da Assembleia Nacional da Costa do Marfim;

Uma votação aberta a todos;

A libertação imediata e incondicional de prisioneiros dos últimos dias, incluindo deputados presos sem julgamento.

Se isso for feito, Paris declarará que a solução da crise (consenso) foi encontrada pelos próprios costa-marfinenses e que não apresentará qualquer interferência.

Washington, o terceiro ladrão

Os Estados Unidos continuam sendo um observador, porque depois de encontrar um terreno comum com Paris no caso de tráfico de drogas envolvendo o primeiro-ministro Hamed Bakayoko e 157 membros do RHDP, Paris se sentiu contra sua vontade de submeter às demandas de Washington, por não ver a Costa do Marfim escapar dele e a chegada de um pró-americano em sua pré-candidatura.

fonte: conakryinfos.com
 

ANGOLA: ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO, TODOS SOMOS… CULPADOS

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O Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA) anunciou hoje, em Luanda, que tem provas concretas de que o seu colega, Sílvio Dala, não faleceu de enfarte agudo do miocárdio, mas por outras causas. Para nós, Folha 8, tudo indica que o médico se suicidou só para azucrinar o prestígio, internacionalmente (re)conhecido, da Polícia do MPLA. Simples!

Ainformação foi hoje avançada pelo presidente do SINMEA, Adriano Manuel, no protesto da classe médica, em memória do pediatra Sílvio Dala, que morreu no dia 1 de Setembro, depois de ter sido levado pela polícia para uma esquadra, porque se encontrava a conduzir sem máscara facial. E, como é óbvio, a Polícia sabe muito mais do assunto do que o Sindicato dos Médicos.

Com uma afluência de perto de 300 médicos, trajados de preto e com dizeres nas camisolas como “Exigimos Justiça; Os médicos Exigem Dignidade e Respeito; Não nos Matem, o Povo Precisa de Nós”, ou envergando batas brancas com manchas vermelhas a imitar sangue, a marcha decorreu sem incidentes e sob protecção de dezenas de polícias.

Na sua intervenção, Adriano Manuel sublinhou que é preciso que sejam esclarecidas as verdadeiras causas que levaram à morte o médico Sílvio Dala.

“Por isso, nós vamos obrigatoriamente continuar com o nosso projecto. Temos a necessidade de, na próxima semana, levarmos a tribunal, pois temos provas concretas que o nosso colega não faleceu de enfarte agudo do miocárdio, teve outras causas que jogaram um papel muito importante”, disse.

Adriano Manuel insurgiu-se também contra a bastonária da Ordem dos Médicos de Angola, Elisa Gaspar, que se demarcou da marcha organizada pelo SINMEA.

“Nós tivemos a oportunidade de observar ontem (sexta-feira), infelizmente, a entrevista da nossa bastonária e nós não gostamos nada de ouvir aquilo, por isso na próxima semana o sindicato vai pronunciar-se sobre isso”, referiu Adriano Manuel, apelando para a calma dos médicos.

Em declarações à agência Lusa, o médico Rodrigo João considerou “uma tristeza” o actual momento, lamentando a morte de um profissional “que podia servir a nação durante vários anos”.

“Infelizmente, não houve piedade e o cidadão morreu em circunstâncias não devidamente definidas”, referiu, reiterando a tristeza entre a classe médica. Rodrigo João defendeu uma polícia “mais humanista” que deve priorizar a pedagogia.

“Quando um cidadão cometer um erro, deve ser chamado a atenção, corrigir o erro desse cidadão, de modo que, das próximas vezes, o cidadão possa agir de melhor forma e não logo perder a vida”, disse.

Por seu turno, a médica Verónica Nanatcha lamentou a perda de um pediatra face ao baixo número de profissionais existentes nessa área.

“Como se sabe era um médico do Cuanza Norte (…) a província perdeu um pediatra, já somos poucos, principalmente no interior do país”, disse Verónica Nanatcha, considerando a perda irreparável.

“Quem vai atender aquelas crianças que o Doutor Dala atendia? Ninguém. Nesse preciso momento essa manifestação é muito importante para nós, para que nos oiçam, para que nos defendam”, disse a médica, questionando “porque é que a polícia tem que agir desta maneira”.

A marcha dos médicos, iniciada no Largo da Mutamba, a qual se juntou um grupo de jovens, políticos, activistas cívicos e membros da sociedade civil, terminou em frente à Ordem dos Médicos de Angola, onde foram depositadas as batas como forma de protesto face à morte de Sílvio Dala.

Também centradas na violência policial registada nos últimos dias em Angola, foram realizadas hoje outras manifestações de jovens, em Luanda, a qual aderiram dezenas de pessoas, todas pedindo reformas na Polícia e pedagogia em detrimento de violência.

Folha 8 com Lusa


ANGOLA: NÃO BASTA TER RAZÃO.

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Dezenas de jovens que ao contrários das ordens superiores, em vigor há 45 anos, não têm o cérebro nos intestinos e coluna vertebral amovível, juntaram-se esta manhã em Luanda para apelar ao fim da violência policial do MPLA na sequência das várias mortes associadas à actuação da polícia (supostamente angolana) desde o início da pandemia de Covid-19.

Um grupo mobilizado pelo rapper Brigadeiro 10 Pacotes sob o lema “Todos pelos Direitos Humanos. Não Toca no Meu Irmão”, juntou-se cerca das 10:00 na Igreja da Sagrada Família pedindo a demissão do ministro do Interior, Eugénio Laborinho, e reformas na polícia, para que os cidadãos “em vez de terem medo, vejam a polícia como protector”.

Gritando palavras de ordem e distribuindo panfletos denunciando “actos bárbaros” contra o activista Jorge Kisseque, alvejado pela polícia, e o médico Sílvio Dala, morto no início de Setembro numa esquadra da polícia, o protesto, um dos quatro que acontecem hoje em Luanda, juntou mais forças policiais do que manifestantes, com elementos da polícia antimotim, cavalaria e brigada canina atentos aos jovens. Tal como acontecia na gestão de José Eduardo dos Santos.

Em declarações à Lusa, o Brigadeiro Dez Pacotes, cujo nome verdadeiro é Bruno Santos, apelou à demissão do ministro da tutela (o que já teria acontecido se Angola fosse o que não é – um Estado de Direito) e pediu escolas para formação da polícia, a fim de melhorar a cultura jurídica e pedagógica quando abordam os cidadãos.

“A polícia é um órgão que deve garantir a confiança do cidadão, hoje vivemos numa insegurança grave em que todos os cidadãos ao depararem com a polícia têm medo, em vez de encararem a polícia como um protector”, afirmou o activista, pedindo “reformas” para que “a polícia seja amiga do cidadão”.

“A polícia não pode ser instrumentalizada para a manutenção do poder do MPLA e reprimir o povo” e “semear o medo”, criticou o rapper, que anunciou no início do ano a intenção de lançar um novo partido político.

Brigadeiro 10 Pacotes sublinhou que Angola ratificou a Declaração Universal dos Direitos Humanos e que se está perante “um atentado” a esse tratado. “Não vamos admitir um Estado que mata os seus cidadãos, que viola sistematicamente os Direitos Humanos, um Estado que ameaça, um Estado que aterroriza ao invés de proteger”, desafiou.

“As vidas angolanas importam”, lia-se num cartaz empunhado por um manifestante num outro protesto (“Não à brutalidade policial”) que começou pelas 12:00 junto do Clube 1º de Agosto, numa alusão ao movimento activista internacional que teve origem na comunidade negra dos EUA.

Cerca de 50 jovens, muitos vestidos de negro, concentraram-se neste local, exibindo cartazes caseiros onde pediam “Parem de nos matar” e “Basta de mortes! São pagos para proteger não são pagos para matar”, enquanto outro exigia “Laborinho [ministro do Interior] fora”.

Em Luanda decorreram hoje quatro manifestações: uma de carácter político, de apoiantes do PRA-JA Servir Angola, projecto partidário de Abel Chivukuvuku, que estão contra a actuação da sucursal do MPLA que dá pelo pomposo nome de Tribunal Constitucional. As outras três contra a violência policial, incluindo uma convocada pelo Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (Sinmea) depois da morte do pediatra Sílvio Dala.

No dia 1 de Setembro, o médico foi conduzido a uma esquadra policial por não usar máscara facial no carro e morreu em circunstâncias esclarecidas pela polícia mas nas quais ninguém acredita.

Recorde-se que o ministro do Interior, Eugénio Laborinho, confirmou a instauração do inquérito e de um processo-crime que corre trâmites na Procurador-Geral da República para aferir o que terá ocorrido na esquadra.

Também a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, defendeu, em nota de condolências, que deve ser instaurado um processo-crime com vista a esclarecer as circunstâncias reais em que ocorreu a morte do médico, para responsabilização dos eventuais prevaricadores.

Por sua vez, Paulo de Almeida, garante que “não foi morto ninguém nas celas da polícia, não foi morto nenhum médico, foi uma morte patológica que aconteceu, infelizmente coincidiu estar sobre alçada da polícia, mas não foi a principal causa da morte,” disse o comandante à Rádio Nacional do MPLA.

Paulo de Almeida rejeitou também as acusações de abusos de poder por parte dos agentes da polícia envolvidos na aplicação das medidas de prevenção do coronavírus, actuação essa que já mereceu a condenação da Amnistia Internacional.

“É preciso ficar bem claro, não sei quando é que há excesso de zelo, quando o governo publica um diploma em que chama atenção como o cidadão deve andar na via pública está na lei, quando as autoridades competentes do governo anunciam que todo cidadão, quando estiver na via pública deve usar máscara e se não usar está sujeito a penalizações, portanto, actuamos,” disse. “O médico é um cidadão, não é diferente de qualquer outra pessoa”, acrescentou. Diferentes são apenas os dirigentes do MPLA e seus familiares directos.

Segundo o Ministério do Interior, Sílvio Dala foi interpelado por um efectivo da Polícia Nacional, por não uso de máscara na sua viatura, e levado à esquadra. A medida do efectivo da PN baseou-se no Decreto Presidencial sobre a Situação de Calamidade Pública (já revogado), que impunha o uso obrigatório de máscara na via pública e no interior das viaturas, mesmo as viaturas pessoais.

O porta-voz do Ministério do Interior, Waldemar José, afirmou há dias, que o médico teria sido encaminhado para uma esquadra policial mais próxima, onde foram cumpridas todas as formalidades da elaboração do auto de notícia e a respectiva notificação de transgressão.

Pelo facto de a esquadra não possuir mecanismo para o pagamento da multa de cinco mil kwanzas, disse, o médico terá ligado para alguém próximo para efectuar o respectivo pagamento e levar o comprovativo à esquadra.

Foi nesse período de espera, de acordo com o oficial comissário do MPLA, que o cidadão teria começado a sentir-se mal tendo desmaiado embatendo com a cabeça no chão.

O mesmo, afirmou, foi prontamente posto numa viatura das forças de defesa e segurança que a levou para o Hospital do Prenda, no mesmo distrito, onde veio a falecer durante o trajecto.

Em comunicado de imprensa, o Ministério referiu que após dirigir-se à esquadra dos Catotes, no Rocha Pinto, foram explicados ao médico os moldes de pagamento da coima e não tendo um terminal de multibanco nos arredores, telefonou a um familiar próximo para proceder ao pagamento.

A nota adianta que “minutos depois, apresentou sinais de fadiga e começou a desfalecer, tendo tido uma queda aparatosa, o que provocou ferimentos ligeiros na região da cabeça”.

“Devido ao seu estado grave, foi levado para o Hospital do Prenda e no trajecto acabou por perecer”, sublinha-se no documento, acrescentando-se que o Serviço de Investigação Criminal interveio, levando a vítima para a morgue do Hospital Josina Machel. De acordo com as autoridades, a família do falecido terá confirmado que o médico padecia de hipertensão.

O Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (que comparado com a Polícia nada percebe da questão) contraria a versão da polícia, dizendo que depois da queda o médico foi mantido na cela e horas depois foi encontrado morto.

“Só assim é que entenderam levar na viatura da polícia o malogrado para o Hospital do Prenda, onde apenas foi confirmada a sua paragem cardiorrespiratória irreversível”, refere o sindicato.

Um grupo de colegas do Hospital Pediátrico David Bernardino, onde trabalhava o falecido, depois de tomar conhecimento da morte deslocou-se à referida morgue e ficou surpreendido porque a gaveta onde se encontrava o corpo estava cheia de sangue.

“O colega apresenta uma ferida incisiva, tipo corte na região occipital o que presumimos ter sido submetido a pancadaria e duros golpes que resultou naquela ferida e abundante sangramento”, realça o sindicato.

O malogrado médico deveria saber, e o ministro do Interior, Eugénio Laborinho, fartou-se de avisar, que a polícia iria reagir de forma adequada ao comportamento dos cidadãos, mas não ia “distribuir chocolates e rebuçados” perante os actos de desobediência.

Ora, não andar com máscara como é (era) obrigatório pode causar, sobretudo dentro das esquadras, “quedas aparatosas” que podem “provocar ferimentos ligeiros na região da cabeça…” que, contudo, originam um “estado grave” e a morte.

Mas quando um cidadão não usa máscara tem de ser levado para a esquadra, o único lugar adequado para resolver tão candente problema, e aí há sempre a possibilidade de quedas, de ferimentos ligeiros que evoluem para grave e que terminam na morgue.

Está, portanto, esclarecido que o médico Sílvio Dala foi (como é timbre da Polícia) levado com toda a cortesia e urbanidade para uma esquadra, tendo ficado irritado com os agentes por estes se terem (e bem) recusado a – como mandou o chefe – dar-lhe chocolates e rebuçados e a servir-lhe um “whisky” (com duas pedras de gelo).

Pensando em denegrir a impoluta imagem da Polícia Nacional, o médico Sílvio Dala terá começado a agredir as grades da cela, atirando-se pelas escadas abaixo numa tentativa de suicídio que se concretizou mau grado o enorme esforço dos agentes para tentarem evitar o falecimento…

Desde o início da pandemia, mais de uma dezena de pessoas perderam a vida na sequência de intervenções policiais para obrigar ao cumprimento dos decretos presidenciais com as medidas que vigoraram no estado de emergência e agora na situação de calamidade pública, nomeadamente o uso de máscara facial.

Folha 8 com Lusa

Cuba: o país que mais ataques terroristas recebeu durante mais tempo.

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Mas setembro tem a sua história e os cubanos, vítimas dessa política do governo ianque, lembramos outros setembros e outros crimes


Fidel abraça Carlos Alberto Cremata, filho de uma das vítimas do ato terrorista que derribou um avião em pleno voo nas costas frente a Barbados, matando 73 pessoas. Foto: Cortesia de Carlos Alberto Cremata.



Em 11 de setembro de 2001, uma notícia ocupou as manchetes de todos os meios de comunicação do mundo «Estados Unidos sob ataque», as imagens das torres do World Trade Center envolvidas em nuvens de fumaça e de poeira se converteram no sinal de uma nova época.

Mais de 3 mil pessoas foram sacrificadas nessa sorte de Moloch em que se converteu o World Trade Center, ícone das finanças e dos negócios. Este fato lamentável também serviu para que os falcoes da guerra pegassem as espadas e espalhassem o medo e a morte em «escuros recantos do mundo».

Tal como disse o ex-diretor da CIA e general, David Petraeus, «A luta contra o terror vai durar gerações».

Os mestres, os mesmos que durante anos patrocinaram o terrorismo como política de Estado no enfrentamento aos países progressistas, os movimentos e líderes da esquerda no mundo, converteram-se naquele nono mês do ano 2001 em «líderes» da luta contra esse flagelo da humanidade.

Mas setembro tem a sua história e os cubanos, vítimas dessa política do governo ianque, lembramos outros setembros e outros crimes.

Em 11 de setembro de 1980, Félix Rodríguez, diplomata da Missão cubana na ONU, nos Estados Unidos, viajava em seu carro pelas ruas de Nova York, indo ao encontro de uns amigos em Queens, quando em um semáforo foi alvejado por vários disparos feitos com uma pistola Mac com silenciador. O crime foi atribuído à organização contrarrevolucionária Omega-7.

Nesse dia Félix tinha lembrado, junto a vários companheiros chilenos, a resistência do presidente Allende ao golpe de Estado perpetrado por Augusto Pinochet no Chile.

O golpe, executado um dia 11 de setembro, sete anos antes do assassinato do diplomata cubano, foi preparado e executado por militares e políticos conluiados, sob o comando da CIA, como parte da estratégia de terrorismo de Estado do governo dos Estados Unidos contra a América Latina.

Também um mês de setembro, mas de 1997, um jovem turista italiano faleceu ao explodir uma bomba que o terrorista Luis Posada Carriles mandou pôr no Hotel Copacabana, em Havana.

Como resultado das 681 ações terroristas provadas e documentadas, morreram 3.478 mulheres, homens e crianças. Outras 2.099 pessoas ficaram incapacitadas.

Nosso país tem toda a moral do mundo para denunciar o governo dos Estados Unidos como o responsável por esses atos.

As rajadas disparadas contra a Embaixada de nosso país em Washington, em 30 de abril passado, e o silencio posterior, não são mais do que a confirmação da vigência dessa política que parece não ter fim, é uma prova da hipocrisia daqueles que, em 2001, se proclamaram inimigos jurados do terrorismo.


fonte: granma.cu

João Lourenço afirma que "não há culpados" pelo adiamento das autárquicas angolanas.

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O Presidente angolano afirmou que "não há culpados" do adiamento das autarquias no país, salientando que tanto o Executivo como a Assembleia Nacional estão a trabalhar no sentido de reunir condições para que se realizem.

João Lourenço, Angola Präsident (Getty Images/M. Spatari)

Os membros do Conselho da República de Angola consideraram, na sua maioria, que não há condições para realizar as primeiras eleições autárquicas do país, uma posição criticada pelo maior partido da oposição, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) que atribuiu a decisão ao receio de uma derrota por parte do partido no poder (MPLA).

Questionado este sábado (12.09) sobre a posição assumida por alguns conselheiros da República que discordam do adiamento, João Lourenço afirmou que "o que conta são as conclusões a que esse órgão chega", independentemente da posição individual dos seus integrantes, e salientou que o Conselho considerou não haver condições para a realização das eleições autárquicas este ano por não terem sido concluídas algumas condições prévias, estando por concluir o pacote legislativo autárquico.

O Presidente da República respondia aos jornalistas após a inauguração do novo hospital do Bié, batizado com o nome do médico canadiano missionário Walter Strangway, que trabalhou durante 39 anos em Angola no início do século passado.

"Esforço bastante grande”

Angola Adalberto da Costa Junior Präsident der UNITA (DW/B. Ndomba)

Adiamento das eleições autárquicas em Angola é "vergonha e deceção", diz UNITA

O chefe do Estado angolano sublinhou que a Assembleia Nacional fez "um esforço bastante grande" em aprovar parte do pacote legislativo autárquico, mas salientou que só com aprovação de todas as leis é que o titular do poder Executivo estará em condições de auscultar as forças políticas e chegar à definição de uma data para convocar as primeiras eleições autárquicas do país, que estavam previstas para 2020.

"Tudo o resto não passa de acusações mútuas, de procurar culpados, mas neste processo não há culpados. Todos estão a trabalhar, quer o Executivo, quer o Parlamento, no sentido de reunir as tais condições que tornarão possível a realização das eleições", destacou João Lourenço.

Questionado sobre informações que dão conta de que se está a organizar uma frente de partidos da oposição para enfrentar o MPLA nas próximas eleições gerais, em 2022, João Lourenço considerou que "se isso é reconhecimento de que individualmente os partidos políticos, concorrendo sozinhos, não têm a capacidade de enfrentar o adversário (…), estão no direito de chamar os amigos e os vizinhos para ajudar a derrotar o adversário".

Novo hospital

O Presidente afirmou ainda, após a inauguração do novo hospital, com 230 camas e prestação de 20 serviços especializados, que o Executivo angolano está apostado em continuar a fazer investimentos não só em infraestruturas, como na formação de pessoal médico e paramédico para "minimizar o sofrimento” da população.

Angola Luanda Joao Lourenco

Presidente angolano afirma que “não há culpados” pelo adiamento das autárquicas

"Trabalhamos no sentido de procurar reduzir, ou eliminar, as juntas médicas que, ao longo das décadas, o país conheceu", disse, lembrando que foram enviados para o exterior "milhares de angolanos para se tratarem, o que representa uma despesa bastante grande e que o governo quer inverter".

"Os recursos avultados que temos vindo a gastar em hospitais de referência fora de Angola vamos gastá-los aqui, vamos investir em Angola em hospitais de referência do género deste e outros", continuou.

João Lourenço disse também que o Governo pretendia inaugurar em Luanda este ano "pelo menos quatro importantes unidades hospitalares", o que "provavelmente" não irá ser feito devido à pandemia de covid-19, prometendo fazê-lo no próximo ano.

No mesmo dia em que o chefe do Executivo angolano se deslocou ao Bié realizaram-se, em Luanda, quatro manifestações, entre as quais uma convocada pelo Sindicato Nacional dos Médicos de Angola, para homenagear o pediatra Sílvio Dala, que morreu no âmbito de uma intervenção policialem circunstâncias suspeitas e ainda não totalmente esclarecidas.

O Presidente da República não foi questionado sobre o assunto.

fonte: DW África

Líder da RENAMO desvaloriza eventual candidatura presidencial de Dhlakama.

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O líder da RENAMO afirmou este sábado que Henriques Afonso Dhlakama, filho mais velho do antigo líder do partido, pode avançar com a sua pretensão de concorrer às presidenciais de 2024, mas não terá apoio da RENAMO.

Mosambik Nampula | RENAMO Vorsitzender | Ossufo Momade (DW/S. Lutxeque)

O presidente da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), Ossufo Momade, considera que a eventual candidatura de Henriques Dhlakama, filho mais velho de Afonso Dhlakama, então líder do principal partido da oposição em Moçambique, às eleições presidenciais de 2024, não abala a sua formação política e encoraja-o a seguir em frente.

"Não temos nenhum problema em relação a essa decisão que ele [Henriques Dhlakama] tomou. Isso não representa nenhuma ameaça ao partido, até porque ele é um cidadão livre de fazer o que bem entender".

Ossufo Momade falava este sábado (12.09) durante a sua deslocação às províncias de Zambézia, Niassa e Nampula, para uma visita de cinco dias.

Henriques Afonso Dhlakama, filho mais velho do antigo líder da RENAMO, anunciou na sexta-feira (11.09) a sua candidatura às presidenciais de 2024, dizendo que pretende evitar que o país entre "num precipício".

Mosambik Nampula | RENAMO Vorsitzender | Ossufo Momade

Momade diz que Dhlakama não terá apoio da RENAMO

Dhlakama sem apoio da RENAMO

candidatura foi confirmada à Lusa por uma fonte partidária, apesar de o novo candidato não fazer referências a partidos no seu anúncio. "Estamos à beira de um precipício e é altura de os moçambicanos reagirem com a ferocidade que se lhes conhece ao longo da sua história", refere, na declaração.

O líder da RENAMO deixou claro que a candidatura de Henriques não terá apoio da direção do seu partido.

"Se ele vai concorrer, não podemos criar nenhum problema a um cidadão que quer concorrer [às eleições de 2024], acho que ele está preparado, organizado e tem convicção daquilo que lhe leva a ter esse pensamento de disputar às presidenciais", disse Momade num encontro com os militantes e simpatizantes da RENAMO.

Convite para Nhogo

Mosambik Nampula | RENAMO Vorsitzender | Ossufo Momade (DW/S. Lutxeque)

Líder da RENAMO em contato direto com os militantes do partido

O presidente do maior partido da oposição moçambicana aproveitou a ocasião para, mais uma vez, convidar o líder da autoproclamada Junta Militar, Mariano Nhogo, a juntar-se ao processo de Desmobilização, Desarmamento e Reintegração (DDR), abandonando, assim, os ataques que o seu grupo tem protagonizado nas províncias de Sofala e Manica, no centro de Moçambique.

Ossufo Momade está a fazer um périplo pelas províncias o país, onde entre vários assuntos, está a revitalizar os gabinetes eleitorais do seu partido, face às próximas eleições municipais de 2023 e presidenciais de 2024.

"A província de Nampula é celeiro do partido [baluarte], por isso, vim aqui sentir aquilo que é o pulsar do partido a nível da província. Teremos vários encontros e através desses, teremos as perspetivas daquilo que serão os resultados em 2023”, referiu.

 O partido RENAMO, recorde-se, governa oito das mais importantes autarquias, nomeadamente, a cidade de Nampula, Angoche, Ilha de Moçambique, Nacala-Porto, Malema (província de Nampula), Chiure (Cabo Delgado), Cuamba (Niassa) e Quelimane (Zambézia).  

fonte: DW


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