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MACKY SALL EM BASSIROU DIOMAYE FAYE: Uma visita num contexto de cálculos políticos

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... Dois anos depois de deixar a capital senegalesa no final do seu segu...

domingo, 13 de outubro de 2024

PARA ÁFRICA JÁ E EM FORÇA, DIZ LULA.

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O Brasil vê a “reaproximação política” com o continente africano como uma das suas prioridades diplomáticas com a consciência de que “o mundo precisa de África para dar certo”, disse à Lusa o director do departamento de África do Itamaraty. Antonio Augusto Martins Cessar diz existir uma “aproximação muito nítida, declarada”, a África do Governo chefiado por Lula da Silva. Ou seja, “é uma prioridade” de acordo com o diplomata brasileiro quando fez o lançamento do Fórum Brasil-África que reúne segunda e terça-feira lideranças brasileiras e africanas sobre questões contemporâneas de interesse global e que este ano terá como tónica o Investimento em Infra-estrutura para o desenvolvimento sustentável no Brasil e em África, através do incentivo a parcerias e novas oportunidades de negócios. A reaproximação política, segundo o diplomata brasileiro, está a ser demonstrada por Lula da Silva através das várias viagens que tem feito ao continente africano, assim como o seu ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Em 2023, no seu primeiro ano deste mandato, Lula visitou Angola, esteve na África do Sul para a Cimeira de chefes de Estado do grupo BRICS, visitou Cabo Verde e participou ainda em São Tomé e Príncipe na Cimeira de chefes de Estado da Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Este ano, discursou na abertura da 37.ª Cimeira da União Africana, em Fevereiro, no qual garantiu que a sua presença reafirma o vínculo do Brasil “com este continente irmão”, e esteve ainda no Egipto. “Com os seus 1,5 mil milhões de habitantes, e seu imenso e rico território, a África tem enormes possibilidades para o futuro. O Brasil quer crescer junto com a África, mas sem ditar caminhos a ninguém”, disse durante o seu discurso. Esta reaproximação, segundo Antonio Augusto Martins Cessar, “deriva da composição da própria população brasileira e da história, um laço histórico, social e demográfico muito importante”. “Existe uma percepção comum de que a África é em grande medida um continente que vai ter participação em todos os temas globais”, considerou o responsável brasileiro, frisando que África é um continente dinâmico, jovem e “importantíssimo para as agendas atuais de transição energética, agenda climática, desenvolvimento sustentável”. “Estes são temas que são interessantes para os dois lados do Atlântico”, considerou. Sobre os países africanos de língua portuguesa, o responsável brasileiro considerou-os “uma porta natural, ampla e sempre aberta”. Muitas das parcerias com países africanos começaram por Angola e, em pouco menor medida, Moçambique. “O mercado angolano era a primeira parada de várias empresas”, recordou, lembrando que o país alberga a maior comunidade de brasileiros no continente, cerca de 27 mil. “Isso espalhou-se e outras portas abriram-se”, concluiu. De acordo com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em 2023, as exportações brasileiras para África bateram um recorde histórico, tendo chegado a 12,07 mil milhões de euros. O Brasil investiu quase 20 mil milhões de dólares (18 mil milhões de euros) em Angola nas duas últimas décadas e promoveu mais de 75 projectos de cooperação. Rafael Vidal, embaixador do Brasil em Angola, foca a construção conjunta e “irmandade” entre os dois países, ambos ex-colónias portuguesas, e a parceria diplomática “muito intensa” desde a independência de Angola, em 1975, que o Brasil foi o primeiro país a reconhecer. O Brasil tem uma parceria estratégica com Angola – a segunda em África, além da África do Sul – e foi o país que mais recebeu fundos do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) num total de 3,5 mil milhões de dólares (3,22 mil milhões de euros), já reembolsados, “para ajudar na reconstrução de Angola”, após o final da guerra civil, em 2002. “As grandes empresas de engenharia e construção vieram, instalaram-se e muitas seguem por cá, investiram, essas obras são visíveis”, disse o diplomata, salientando a importância da diplomacia presidencial retomada no terceiro mandato de Lula da Silva, que escolheu Angola para a sua primeira visita. “O Presidente Lula desde o seu primeiro mandato sempre teve essa actuação importante, sobretudo nas nossas parcerias mais importantes no eixo sul-sul”, notou Rafael Vidal, acrescentando que “todas as parcerias internacionais são bem-vindas”. “Não estamos em Angola para deslocar ou alienar outros parceiros, não entramos nessa corrida (…). Acreditamos no princípio da cooperação à medida do Estado que recebe a cooperação e no princípio da responsabilidade internacional, não nos desenvolvemos se os nossos vizinhos não se desenvolverem”, declarou o embaixador, reforçando: “o Brasil não está aqui porque outros países estão, estaria aqui mesmo se nenhum deles estivesse”. Rafael Vidal adiantou que o Brasil já estabeleceu mais de 75 projectos de cooperação e já investiu mais de 20 mil milhões de dólares (18,4 mil milhões de euros) em Angola em duas décadas. “Temos a maior comunidade brasileira de África, uma comunidade empresarial, dinâmica, somos 27 mil brasileiros”, realçou. Também o nível de comércio regressou aos níveis pré-pandemia, atingindo cerca de 1,5 mil milhões de dólares (1,38 mil milhões de euros), com uma balança comercial equilibrada entre 2022 e 2023. “Angola exporta hoje muito mais petróleo, por exemplo”, salientou o embaixador brasileiro, destacando o “momento muito especial” da relação entre os dois países graças à retoma da diplomacia presidencial de Lula da Silva. Como frutos dessa diplomacia, apontou realizações concretizadas recentemente, como o primeiro congresso do banco de leite humano, “com base na experiência angolana” e a primeira participação de startups brasileiras na Angola Startup Summit. Legenda: 25.08.2023 – Luiz Inácio Lula da Silva no Memorial António Agostinho Neto, o responsável pelo genocídio de milhares (cerca de 80 mil) angolanos nos massacres de 27 de Maio de 1977. fonte: folha8

ANGOLA: A ETERNIDADE DE UM PATRIOTA.

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O líder da oposição russa Alexei Navalny, que morreu em Fevereiro numa prisão daquele país, escreveu num livro de memórias que “nunca veria os netos, nem figuraria em fotos de família porque ia passar o resto dos dias” preso. “Passarei o resto dos meus dias na prisão e morrerei aqui”, registou Alexei Navalny, enquanto estava em reclusão, num livro de memórias intitulado “Patriot” [Patriota, em português] que será publicado pela editora Knopf nos EUA e em todo o mundo a 22 de Outubro. Além disso, o activista confidenciou que “todos os aniversários iriam ser comemorados sem si, que nunca veria os netos, nem estaria em nenhuma foto de família” por causa de estar na prisão. A morte de Navalny, aos 47 anos, foi anunciada pelos serviços prisionais russos a 16 de Fevereiro, quando cumpria uma pena de 19 anos numa prisão no Ártico. Alexei Anatolievitch Navalny era o principal opositor do regime do Presidente russo, Vladimir Putin. “A única coisa que devemos temer é abandonar a nossa pátria à pilhagem de um bando de mentirosos, ladrões e hipócritas”, escreveu. Nas memórias, onde demonstra humor apesar do confinamento e solidão, relata como era um dia normal: acordar às 06:00, tomar café às 06:20 e começar a trabalhar às 06:40. “No trabalho fico sete horas sentado diante da máquina de costura num banquinho abaixo da altura do joelho”, descreveu. E prosseguiu: “Depois do trabalho, continuamos sentados durante algumas horas num banco de madeira à frente de um retrato de Putin”. O opositor de Putin confidenciou que os reclusos questionavam-no muitas vezes sobre o porquê de ter regressado à Rússia. Navalny relatou que voltou porque não queria abandonar o seu país, nem trai-lo. “Se as minhas crenças significam alguma coisa tenho de estar preparado para defendê-las e fazer sacrifícios, se necessário”, registou nas suas memórias. O livro, que vai ser lançado mundialmente a 22 de Outubro, terá uma versão em russo, adiantou a editora americana. O editor-chefe da New Yorker, David Remnick, afirmou que “é impossível ler o diário de prisão de Navalny sem ficar indignado com a tragédia do seu sofrimento e da sua morte”. «Este livro é um testemunho não só da vida de Alexei, mas também do seu compromisso inquebrantável na luta contra a ditadura – uma luta pela qual deu tudo, incluindo a própria vida. Nestas páginas, os leitores ficarão a conhecer o homem que eu amei imensamente – um homem de profunda integridade e de coragem inabalável. Partilhar a sua história não só honrará a sua memória, como também inspirará outros a defenderem o que está certo e a nunca perder de vista os valores que realmente importam,» afirma Yulia Navalnaya, Viúva de Navalny. Em Dezembro de 2021, o Supremo Tribunal da Rússia ordenou a dissolução da Memorial, a principal organização de direitos humanos do país e guardiã da memória das vítimas dos campos de trabalhos forçados soviéticos. Qualquer semelhança com Angola em matéria de assassinatos (mesmo dos direitos humanos) poderá ser, ou não, mera coincidência. A decisão corresponde a um pedido do Ministério Público russo, que acusou a organização não-governamental (ONG) de criar “uma falsa imagem da União Soviética como Estado terrorista”. A dissolução aplica-se à organização de memória histórica e à organização de defesa dos direitos humanos, que compõem a Memorial International, de acordo com as agências de notícias internacionais. “A decisão é de liquidar a Memorial International e as suas filiais regionais”, anunciou a ONG na sua conta na aplicação de mensagens Telegram, segundos depois de se ter iniciado a leitura da decisão do Supremo Tribunal. Considerada um dos pilares da sociedade civil russa desde a queda da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em 1991, a Memorial enfrentou dois julgamentos de extinção separados, por ter sido acusada de ser “agente estrangeiro” (indivíduos ou organizações que, de acordo com as autoridades russas, são financiados a partir de países estrangeiros). A Memorial e os seus apoiantes consideraram que as acusações têm motivos políticos e os líderes da organização prometeram continuar o seu trabalho mesmo que o tribunal a encerre. A Memorial internacional estuda a história dos abusos da ex-União Soviética e de acordo com seu site, visa trazer a verdade sobre as suas vítimas e apoiar as suas famílias. A advogada do grupo, Tatiana Glushkova, disse que “o verdadeiro motivo pelo qual o Memorial foi encerrado é porque os promotores não gostam do trabalho do Memorial na reabilitação de vítimas do terrorismo soviético”. O grupo foi acusado de violar repetidamente a lei ao deixar de marcar todas as suas publicações com advertências obrigatórias de “agente estrangeiro”. O Departamento de Justiça designou o grupo como agentes estrangeiros em 2016 ao abrigo de uma lei destinada a organizações que recebem financiamento internacional. Vídeos postados nas redes sociais mostraram apoiantes da Memorial gritando: “Vergonha, vergonha!” nos corredores do tribunal e na entrada do prédio logo após o julgamento. A Memorial argumenta que não há motivos legais para o fecho do grupo, e os críticos dizem que o governo russo perseguiu a ONG por motivos políticos. Andrei Sakharov, vencedor do Prémio Nobel da Paz, foi um dos fundadores originais do grupo e o primeiro presidente honorário da Sociedade Memorial. A organização irmã do Memorial International, o Memorial Human Rights Center, enfrentou um desafio semelhante. Os promotores de Moscovo acusaram o grupo de justificar o terrorismo e o extremismo nas suas publicações. O Centro de Direitos Humanos Memorial é uma entidade legal independente focada na opressão na Rússia moderna. Ela foi classificada como agente estrangeira em 2014, de acordo com a Human Rights Watch. O presidente russo, Vladimir Putin (que tatos amigos e admiradores encobertos tem em Angola), acusou a Memorial de apoiar grupos listados como “organizações terroristas e extremistas”. Sob o regime autoritário de Putin, grupos democráticos e de direitos humanos são sistematicamente visados. Milhares de manifestantes foram presos por participarem de várias manifestações em apoio a Alexey Navalny. O Presidente russo justificou o aumento de opositores presos com a necessidade de conter a influência estrangeira. O Presidente russo nega a existência de repressão na Rússia, defendendo que as prisões de opositores, que aumentaram significativamente em 2021, não se destinam a amordaçar os detractores, mas sim a conter a influência estrangeira. “Lembro o que os nossos adversários dizem há séculos: ‘A Rússia não pode ser derrotada, só pode ser destruída por dentro’”, afirmou Vladimir Putin, sublinhando que foi esse raciocínio que provocou a queda da URSS. Ao longo de 2021, a imprensa, organizações não-governamentais, jornalistas, advogados e activistas foram alvo de diversos processos judiciais e de detenções. O ano começou com a prisão de Alexei Navalny, principal adversário político de Putin, após regressar a Moscovo vindo da Alemanha, onde foi tratado depois de ter sido envenenado quando regressava de uma deslocação à Sibéria, o que atribuiu ao Kremlin. O Fundo de Combate à Corrupção (FBK), movimento que criou, foi depois proibido por “extremismo”. Referindo-se à condenação do seu crítico num caso de fraude, que a oposição considerou como fabricado, Putin afirmou que Navalny é um “criminoso”. “Condenados, sempre houve. Não devemos cometer crimes”, disse Putin, que voltou a negar qualquer envolvimento do Kremlin no envenenamento de Navalny, pedindo para que se “vire a página” em relação ao assunto, uma vez que “não há provas”. “Enviamos vários pedidos do Ministério Público russo para se entregar provas para confirmar que houve, de facto, envenenamento. E nada. Não há uma única prova”, disse Putin. O Presidente russo acrescentou que Moscovo também propôs o envio de especialistas para colaborar no esclarecimento do caso, que levou à imposição de sanções ocidentais. “Eu próprio propus ao Presidente da França [Emmanuel Macron] e à [antiga] chanceler da Alemanha [Angela Merkel] que deixassem os nossos especialistas irem colher amostras”, disse, salientando que, dessa forma, Moscovo teria base legal para abrir um processo criminal ao “suposto” envenenamento. “E nada. Zero”, insistiu. Putin foi também questionado sobre os assassínios do opositor Boris Nemtsov (2015) e da jornalista Anna Politkovskaya (2006). “Fiz tudo para esclarecer esses assassínios. As respectivas ordens foram dadas. Várias pessoas foram presas por esses crimes”, respondeu Putin, reconhecendo, no entanto, existirem opiniões de que as pessoas que cumprem penas “não são os mandantes” desses crimes.

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

SANGUE DE TSHISEKEDI NO 19º CONCLAVE DA FRANCOFONIA: Quando a guerra na RDC escurece a cimeira.

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As cortinas caíram no dia 5 de outubro do 19º conclave da comunidade francófona que teve lugar em França e na presença de quase cinquenta chefes de Estado e de governo. À margem desta edição que pretende “construir um espaço mais seguro e diversificado e lutar contra todo este discurso de ódio”, realizaram-se, como é habitual, reuniões bilaterais para discutir os desafios colocados à paz e à estabilidade na área francófona. , e negociações nos bastidores para restaurar a coesão entre os membros desta organização que está mais do que nunca numa encruzilhada. Assim, a Secretária-Geral, Louise Mushikiwabo, apelou desde a abertura da cimeira, pelo regresso negociado à família francófona, do Mali, do Burkina Faso e do Níger, todas suspensas por serem lideradas pelos militares, devido daí à o desencanto com a língua de Molière corre o risco de aumentar neste continente africano, embora seja considerado “o coração pulsante da Francofonia”. A eterna guerra no leste da República Democrática do Congo, que continua a ser o país com mais falantes de francês no mundo depois da França, também foi discutida durante a sessão fechada de chefes de Estado e, em certa medida, pouco obscureceu esta cimeira com o derramamento de sangue do Presidente Félix Tshisekedi que decidiu desprezar todas as reuniões do segundo e último dia, visivelmente exasperado pelo facto de Emmanuel Macron não ter dito uma palavra sobre a crise congolesa no seu discurso. Esperamos encontrar o epílogo desta crise congolesa antes da próxima cimeira da Francofonia. O presidente anfitrião da cimeira tinha, no entanto, dito urbi et orbi antes desta 19ª edição, que faria tudo para reunir os dois vizinhos e inimigos jurados que são o ruandês Paul Kagame e o congolês Félix Tshisekedi, e muitos observadores ainda se perguntam por que é que ele evitou o assunto em seu discurso. Será por causa da natureza diplomaticamente explosiva da crise e da sua extrema cautela para não adicionar sal à ferida? Ou seria pela sua relação com Kagame descrita como um misto de admiração mútua e pragmatismo político-diplomático? Em qualquer caso, as autoridades congolesas não apreciaram este silêncio equívoco de Macron sobre a “invasão” do leste da RDC pelo M23 apoiado, segundo a ONU, pelo Ruanda, e não foram rápidas em trazer à tona o sulfato por pedindo a Félix Tshisekedi que boicote o resto da cimeira. E embora Emmanuel Macron tenha suavizado as arestas após a reacção do presidente congolês, a delegação de Kinshasa continuou a perguntar-se qual é o sentido, especialmente porque o dano já está feito, ou o dolo já está pago, como diriam um Bwaba desapontado e desiludido. Em todo o caso, o retrocesso de Emmanuel Macron é considerado pelos líderes congoleses como a corda que sustenta o enforcado que é cortado quando acaba e, portanto, não permitiu que sentássemos à mesma mesa os dois vizinhos que se acusam na tragédia que atingiu o leste da RDC durante décadas. Ao denunciar a presença ruandesa nesta região devastada do Congo e ao mesmo tempo apontar o dedo aos rebeldes hutus anti-Kagamé que enxameiam na área, o presidente francês não só evitou um segundo confronto com o seu homólogo congolês após a sua movimentada conferência de imprensa em Março de 2023, como também evitou um segundo confronto com o seu homólogo congolês. mas também para assustar o seu “amigo” ruandês que justifica o seu envolvimento na crise com o apoio da RDC aos seus inimigos jurados. No entanto, a oportunidade era demasiado boa para Emmanuel Macron servir de intermediário entre os dois chefes de Estado, a fim de dar mais hipóteses de sucesso à mediação angolana em curso, que vem escorregando há meses devido à desconfiança mútua entre os '. 'protagonistas''. Desta vez foi um fracasso, mas esperamos encontrar o epílogo desta crise congolesa que caiu quase no esquecimento, antes da próxima cimeira da Francofonia ser realizada no Camboja, em 2026. Hamadou GADIAGA fonte: lepays.bf

Benin: Talon enfrenta agora duas oposições.

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Com a eclosão da tentativa de golpe, levantaram-se vozes dentro da família presidencial para denunciar um ataque aos direitos dos réus. Pessoas próximas de Olivier Boko pareciam expressar uma certa insatisfação com o que chamaram de sequestro do seu mentor. Será esta uma forma de romper com a Ruptura ou de se distanciar daquilo que constituiu a sua família política durante os últimos 8 anos? No caso da tentativa de golpe de Estado, Olivier Boko, o número 2 da Ruptura, foi preso, suspeito de ter querido derrubar, juntamente com outros próximos do regime, o número 1 Patrice Talon. No dia seguinte ao início deste caso, pessoas próximas de Olivier Boko divulgaram um comunicado de imprensa em que denunciavam este golpe usando palavras familiares à oposição liderada no Benim durante vários anos, pelo partido do ex-presidente Boni Yayi, o maior partido da oposição, e outros grupos políticos. O movimento OB26 expressou “profunda preocupação com o sequestro injustificado de Olivier Boko, bem como com a prisão do ex-ministro Oswald Homeky. Estes atos representam uma grave violação dos direitos fundamentais e dos princípios do Estado de direito que defendemos firmemente.” Para os signatários do comunicado, esta é uma estratégia que visa “excluir personalidades cuja única falha é ter manifestado intenções claras tendo em vista as eleições presidenciais de 2026”. Esta reacção daqueles próximos de Olivier Boko é a mesma que os partidos que afirmam estar na oposição sempre tiveram, cada vez que um caso os colocava contra o poder de Talon. Recordamos os casos de Rékyath Madougou, Joël Aïvo e, mais recentemente, o caso de Steve Amoussou. Dada a semelhança das observações, e sabendo que Patrice Talon não apoia abertamente ou de forma alguma a provável candidatura do seu amigo Olivier Boko nas eleições de 2026, questionamo-nos se este é um novo ramo opositor do regime da Ruptura. Se, de momento, aqueles que falaram abertamente não são pesos pesados ​​ou altos dignitários do sistema Talon, alguns analistas questionam-se se não são encorajados a agir por figuras influentes no movimento. Sabemos pela experiência no Benim que, no final do seu mandato, os líderes enfrentam frequentemente a deslocação da sua família política. Isso aconteceu com Nicéphore Soglo, com Mathieu Kérékou e com Boni Yayi. E quando isso acontece, pessoas próximas do presidente cessante encontram-se ao lado da oposição para se reposicionarem na gestão do novo poder. Estamos nesta situação? Nada prova isso ainda, mas tudo aponta para isso. fonte: https://lanouvelletribune.info/2024/10/

Rússia: Sete anos de prisão para um americano de 72 anos acusado de “mercenarismo”.

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A justiça russa condenou o norte-americano de 72 anos, Stephen Hubbard, a quase sete anos de prisão, acusado de ter sido um “mercenário” ao serviço da Ucrânia, detido em segredo durante mais de dois anos e rapidamente julgado à porta fechada. . Também na segunda-feira, um tribunal da cidade de Voronezh proferiu uma pena de prisão de sete anos e um mês a outro norte-americano, Robert Gilman, que já cumpria uma pena de três anos e meio de prisão. Washington acusa Moscovo de encarcerar os seus cidadãos para depois os poder trocar por agentes russos detidos no Ocidente. O caso de Stephen Hubbard, às vezes chamado de Stefan na mídia russa, é único, porque ele foi feito prisioneiro na Ucrânia em 2 de abril de 2022, no início da ofensiva russa, mas foi somente em 27 de setembro de 2024 que Moscou fez sua detenção pública, no primeiro dia de seu julgamento. Este homem de 72 anos compareceu na segunda-feira ao veredicto num tribunal de Moscou, visivelmente cansado e andando com dificuldade, segundo um jornalista da AFP presente no local. Ele foi condenado após um julgamento rápido a portas fechadas e, segundo a mídia estatal russa, admitiu os fatos. Nenhuma informação sobre suas condições de detenção foi divulgada. De acordo com a acusação, Hubbard juntou-se a um batalhão de defesa territorial ucraniano no início da ofensiva russa, composto por soldados voluntários, e, como tal, recebeu "pelo menos 1.000 dólares por mês", seguido de formação, recebeu um uniforme e armas e "participou no conflito armado" na Ucrânia. - Ocidentais detidos - De acordo com a agência de notícias estatal russa TASS, o Sr. Hubbard vivia desde 2014 em Izium, uma cidade na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia. Esta cidade de 45.000 habitantes antes do conflito foi ocupada pelas forças russas desde a primavera de 2022 até ao outono do mesmo ano, quando foram expulsas por uma contra-ofensiva ucraniana. Num vídeo citado pela mídia estatal russa, disponível no YouTube e datado de maio de 2022, um homem com uma barba espessa se apresenta como Stephen James Hubbard, nascido em Big Rapids, Michigan. Ele menciona a ocupação russa. Vários outros ocidentais, especialmente americanos, estão encarcerados na Rússia. Entre eles estava Robert Gilman, que foi condenado em 2022 por agredir um policial embriagado e cumpria pena de 3,5 anos de prisão. Na segunda-feira, um tribunal de Voronezh concedeu-lhe uma pena adicional de 7 anos e um mês de detenção por agredir os guardas da sua penitenciária. Entre os outros americanos presos na Rússia está Ksenia Karelina, uma cidadã russo-americana condenada a 12 anos de prisão em Agosto por, entre outras coisas, doar cerca de cinquenta dólares a uma organização de apoio à Ucrânia. O francês Laurent Vinatier, investigador especializado no espaço pós-soviético e que trabalha para uma ONG suíça, está a ser julgado por não se ter registado como “agente estrangeiro” enquanto recolhia “informações militares”. Ele pode pegar até cinco anos de prisão e se declarou culpado. Dois cidadãos colombianos, Alexander Ante e José Aron Medina Aranda, também estão detidos na Rússia e acusados ​​de “mercenarismo” por lutarem na Ucrânia. No dia 1 de Agosto, Moscovo e o Ocidente realizaram a maior troca de prisioneiros desde a Guerra Fria: envolveu jornalistas e opositores russos e ocidentais, de um lado, e suspeitos de serem agentes russos, do outro. fonte: seneweb.com

Senegal: De volta às aulas: as falsas taxas de inscrição gratuitas.

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Para que o dinheiro não seja um obstáculo à matrícula das crianças na escola, o Estado do Senegal decidiu há muito tempo tornar esta matrícula gratuita. Por outras palavras, em princípio, não há um único franco a ser pago a uma escola primária pública para o seu filho entrar nas aulas. No ensino secundário, o valor não deve ultrapassar 10.000 F. Para ir mais longe, os municípios foram convidados a contribuir, no âmbito das competências transferidas, para que forneçam aos alunos material escolar para aliviar os pais, especialmente os mais necessitados. No entanto, é claro que no terreno a realidade é bem diferente. Em muitas escolas primárias públicas, a administração exige aos pais taxas de matrícula. O montante pode variar entre 500 ou mesmo 1.000 F em áreas rurais e 5.000 F Cfa em certos distritos de Dakar. Num Cem em Dakar, foi pedido a um pai 30.000 F para matricular a sua filha no sexto ano. O valor é dividido entre taxas de inscrição, blusas e roupas esportivas. E é precisamente esta prática que um ator escolar quis denunciar. “Desde que foi tomada a medida de redução das taxas de matrícula, algumas escolas encontraram outros truques para fugir da regra. Eles fazem um registro de 5.000 frs, mas exigem outras seções que o acompanham. Como parte interessada na escola, sei que as escolas precisam de dinheiro para capital de giro, mas certos montantes são exagerados”, escreve ele. Sua postagem vem acompanhada de uma folha de um estabelecimento cujo nome ele ocultou. a escola secundária em questão exige aos alunos do segundo e primeiro ano 5.000 francos para taxas de inscrição, 7.500 francos para o uniforme, 7.000 francos para o uniforme Esp, 1.500 francos para a biblioteca e 2.000 francos para a associação de pais, ou seja, um total de 23.000 F Cfa . Já os alunos do Terminale devem pagar tudo isso, mais um adesivo de bacharelado de 6.000F. O que perfaz um total de 29.000 F para um candidato ao bacharelado. Se tivermos em conta o facto de um aluno não poder manter a mesma roupa durante todo o ano, facilmente entendemos que estamos na ordem dos 35.000 F ou mais. Esta é, portanto, uma questão que merece ser abordada com urgência pelo Ministério da Educação Nacional. O ministro Moustapha Guirassy deve estar em digressão esta manhã para ver a eficácia do regresso às aulas em alguns estabelecimentos. Este passeio deve ser uma oportunidade para considerar seriamente este ponto e chamar os líderes escolares à ordem. É verdade que o Estado deve primeiro dar o exemplo, dotando os estabelecimentos de um orçamento operacional. Não podemos tornar as inscrições gratuitas e depois deixar as administrações escolares com os cofres vazios. Há perguntas que não podem esperar. Giz, esponja, chave quebrada, torneira bagunçada são despesas que precisam ser pagas com urgência. Nenhuma escola pode, portanto, funcionar sem um orçamento, por mais mínimo que seja. Infelizmente, alguns diretores de escolas, diretores e temporários, abusam dela. E isso é tanto mais lamentável quanto estes montantes muitas vezes não são sujeitos a qualquer controlo. Na maioria dos estabelecimentos não existe um comitê gestor. A associação de pais, quando existe, ou é letárgica ou não se interessa por estas questões financeiras. Assim, o chefe do estabelecimento passa a ser o único a dispor do dinheiro como bem entende, ora em cumplicidade com o corpo docente, ora debaixo do nariz dos professores. Vimos um diretor de uma escola primária pedindo a cada aluno 3.000 F para supostamente comprar computadores, embora essas máquinas, já instaladas, fossem uma doação de um ator político local, diretor de um órgão público. Alguns dirigentes de estabelecimentos não hesitam em vender ou transferir os fornecimentos que lhes são atribuídos pelo município. É, portanto, mais que tempo de que, neste ponto específico, o Estado vise o fim das férias na gestão financeira para um regresso efectivo à ortodoxia. O “Ubbi tey, jàng tey” não consegue acomodar estas enormes somas. Basta um pai ter dois a três alunos para pagar mais de 100.000 F em taxas de matrícula, sem contar materiais e roupas (usar blusa é muito relativo). Nestas condições, alguns alunos só chegarão à escola um mês após o início do ano letivo, enquanto os pais arrecadam o montante necessário para que possam conquistar o seu lugar numa sala de aula. Infelizmente! fonte: seneweb.com

Senegal: Tandem Diomaye-Sonko: o que o famoso cineasta Abderrahmane Sissako pensa disso.

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O filme Chá Preto, do cineasta e realizador mauritano Abderrahmane Sissako, foi exibido em Dakar no fim de semana passado. Foi na presença do autor da produção cinematográfica que aproveitou para conceder uma importante entrevista ao Seneweb. O autor do filme Timbuktu abordou sem complacência assuntos que dizem respeito a África, particularmente as relações entre o Senegal e o Mali. O cineasta saudou a chegada dos novos líderes ao poder e a trajetória que o Senegal tem trilhado. Este caminho o tranquiliza. É, portanto, lógico que se abstenha de aconselhar o Presidente da República, Bassirou Diomaye Diakhar Faye, e o seu Primeiro-Ministro, Ousmane Sonko. Ele acredita que não é obrigado a aconselhar líderes responsáveis. Ele deixa isso para as pessoas que sempre têm a última palavra. "Não pretendo dar conselhos às novas autoridades senegalesas como o Presidente da República e o seu Primeiro-Ministro. Sou um africano que está interessado no meu continente. Portanto, não me vejo sendo mais capaz do que outros para dar conselhos aos líderes escolhidos pelo próprio povo desejo-lhes muito sucesso, mas sabendo que o povo continua e sempre será o mais forte”, declarou nas colunas do Seneweb. Além disso, o cineasta Abderrahmane Sissako é um dos realizadores africanos mais ouvidos e respeitados no panorama cultural africano. Ele dirigiu vários filmes que tiveram um sucesso fenomenal com o bônus de distinções obtidas aqui e ali. O seu filme Black Tea já está disponível em Dakar e o lançamento oficial está previsto para 11 de outubro de 2024 em 19 países africanos. Será exibido em 56 cinemas. fonte: seneweb.com

Senegal: [Extensão da VDN, 10 anos depois] Desmatamento de casuarinas, invasão do mar, insegurança, acidentes… - Crônica da degradação em alta velocidade do litoral norte

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Lançado com grande alarde em 2012, o projecto faraónico de alargamento da rota de fuga norte (VDN-secções 3 e 2) é sem dúvida uma das principais conquistas do regime do antigo Presidente da República Macky Sall. Doze anos após o início dos trabalhos e oito anos após a entrada em funcionamento do troço 3, o sonho parece transformar-se num pesadelo sombrio. Se a infra-estrutura rodoviária contribuiu, como esperado, significativamente para a melhoria da mobilidade urbana na região de Dakar anteriormente marcada por um efeito funil, a verdade é que devido a vários factores (incluindo a mudança do traçado inicial) acabou por ser um “elefante branco” com mais desvantagens do que vantagens. Entre a insegurança viária devido ao assoreamento da estrada, a falta de iluminação (as ações são tomadas pela Aner nesse sentido, oito anos depois) e estruturas mal dimensionadas (rotunda Gadaye), o desnivelamento e o desmatamento da faixa de casuarinas (fixador de dunas de areia e barreira natural de protecção contra a maresia), a extensão da VDN tem favorecido a degradação desenfreada do ecossistema da costa norte. Com efeito, a par do considerável impacto social em Cambérène e Malika, em particular onde várias famílias foram deslocadas e mergulhadas na pobreza, a infra-estrutura rodoviária teve graves consequências ambientais num contexto de um grande escândalo fundiário que parece relegar tudo o resto para segundo plano. Nesta série de quatro relatórios, Seneweb leva você às reviravoltas da gênese do projeto da estrada de liberação do norte e sua problemática extensão, de Abdou Diouf a Macky Sall, via Abdoulaye Wade. Ao levantar o véu sobre os seus impactos sociais e ambientais, esta investigação traça a história da faixa casuarina: desde os marcos fundadores estabelecidos pela Administração Colonial em 1948 até à sua conclusão em 1992. Não sem colocar o cursor sobre os efeitos imediatos e a longo prazo. consequências de longo prazo da desclassificação e desflorestação desta floresta urbana que aguça o apetite voraz dos predadores terrestres, que já causaram perto de mil vítimas na comuna de Ndiarème Limamou Laye, sem ter em conta as inúmeras disputas suscitadas pelo muito polémico Detalhado Plano de Urbanização (PUD). Extensão do VDN, crônica sombria de degradação em alta velocidade. Investigação! fonte: seneweb.com

Senegal: Assembleia Nacional: deputados cessantes privados de salários e combustível.

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Se acreditarmos em Bés Bi, os deputados cessantes (14ª legislatura) ficariam privados de salários e de combustível. Até este domingo, 7 de outubro, eles não faziam check-out, apesar de estarem acostumados a receber no dia 2 de cada mês. O jornal noticia que o Tesouro Público foi questionado diversas vezes, mas os seus responsáveis dizem estar à espera de “instruções”. De quem? Bés Bi não diz isso. O diário noticioso noticia, por outro lado, que “há rumores de que isto [bloqueio de salários e combustível dos deputados] seria uma directiva do Primeiro-Ministro, que tinha anunciado o bloqueio de salários dos membros do Hcct e do Cese”, instituições que o executivo não poderia dissolver-se devido ao veto da maioria parlamentar (grupo Benno, oposição). Os deputados são desmamados enquanto, recorda Bés Bi, a Constituição (artigo 87.º, n.º 4) indica que o seu mandato expira na data da proclamação dos resultados da eleição dos deputados da nova Assembleia Nacional. O que significa que têm direito aos seus salários e benefícios parlamentares até depois de 17 de novembro, data das eleições legislativas. fonte: seneweb.com

MOÇAMBIQUE: O PODER DAS IDEIAS CONTRA AS IDEIAS DE PODER.

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O candidato presidencial Venâncio Mondlane afirmou hoje, na Beira, que os quase 50 anos de independência de Moçambique representaram, para o povo, “mais corrupção” e “roubo”, criticando a Frelimo, no poder desde 1975. Tal e qual como em Angola, tal e qual como o MPLA. Venâncio Mondlane, que concorre nas eleições gerais de quarta-feira ao cargo de Presidente da República, falando aos apoiantes na Beira, província de Sofala, centro de Moçambique, foi bem claro: “A única coisa que esses 50 anos de independência [25 de Junho de 1975] nos trouxeram foi mais corrupção. Foram 50 anos de roubo, foram 50 anos de mentiras, foram 50 anos de enganos”. “Nós não podemos mais aceitar que um certo punhado de pessoas continue a tratar Moçambique como se Moçambique fosse negócio da sua própria família, não é verdade isso”, questionou, ao dirigir-se à multidão em cima de um carro, de microfone na mão e com uma coroa na cabeça, de cor amarela, alusiva ao partido Podemos, extraparlamentar, que apoia a sua candidatura. Qualquer semelhança com Angola e com o MPLA não é mera coincidência. “Nós não podemos continuar a aceitar dizerem que nós temos uma dívida de 50 anos de independência, que todos os dias, no mata-bicho, no almoço, no jantar, nos fazem lembrar que nós temos uma divida porque eles [Frelimo] libertaram o país”, afirmou ainda, garantindo: “A mensagem é simples e é esta: Este país é nosso”. O candidato, ex-deputado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, maior partido da oposição), do qual saiu em Maio após não ter conseguido concorrer à liderança, defendeu que é tempo de “devolver Moçambique para os moçambicanos”. “Essa independência de que tanto falam, cada um de nós sente a independência na escola do filho? No medicamento da família? No saneamento da Beira? No alcatrão, na estrada? No emprego dos seus filhos? Na segurança da sua família?”, questionou ainda. Sempre com as críticas direccionadas à Frelimo, Venâncio Mondlane prometeu uma lei para despartidarizar o Estado: “O partido dentro do Estado, dentro do Governo, acabou”. Nesta acção de campanha, que termina domingo em todo o país, também garantiu que, se chegar ao poder, “todas” as empresas, nomeadamente as multinacionais que exploram recursos naturais em Moçambique, “vão pagar impostos”. “A partir de 2025 a isenção de impostos acabou”, garantiu, assumindo que esses recursos “devem ficar nas províncias” para financiar o seu desenvolvimento. “Tamos a vir, é melhor fugir”, avisou, cantando juntamente com os apoiantes, ao encerrar o comício improvisado na estradam perante centenas de pessoas. Mais de 17 milhões de eleitores estão inscritos para votar na quarta-feira, incluindo 333.839 recenseados no estrangeiro, segundo dados da Comissão Nacional de Eleições. Concorrem ainda à Presidência Daniel Chapo, apoiado pela Frelimo, Ossufo Momade, apoiado pela Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), e Lutero Simango, apoiado pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceira força parlamentar. A este propósito, como o Folha 8 revelou ontem, recordemos a opinião do escritor moçambicano Mia Couto, um dos maiores da Lusofonia, em que sugere a criação de um Governo “que tenha os melhores” e que “haja uma lei só”, sendo poderosos ou não. Mia Couto, em declarações à Lusa, em Maputo, à margem do lançamento do livro “A Cegueira do Rio”, afirmou: “Espero que ganhe Moçambique, no sentido de termos um Moçambique que tenha uma lei só, que não tenha uma lei dos poderosos e uma lei para os que não têm poder, isso é o que espero que aconteça”. Para Mia Couto, Prémio Camões de 2013 e há vários anos fora da vida na Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder desde a independência), depois das eleições gerais de 9 de Outubro, Moçambique deve formar um Governo composto “pelos melhores”, independentemente da formação política a que pertencerem. “Depois das eleições, porque não fazer um Governo que tenha os melhores, independentemente da cor política? Porque não escolher os preparados tecnicamente para exercer funções de governação? Acho que seria um bom exemplo para o mundo, para África, fazer um Governo que não fosse só de um partido”, declarou o escritor, referindo que espera mudanças do novo executivo a ser formado. Mia Couto acrescentou que espera que o novo Presidente a ser eleito e o seu executivo sejam capazes de compreender que Moçambique atravessa um momento difícil à semelhança de 1975, altura da independência, referindo que os políticos devem unir-se pelo país. “A ideia não é a substituição de um partido pelo outro, é preciso mudar aquilo que é a perspectiva do que é governação, do que é ser dirigente. Os assuntos, que são complexos que a gente tem, não se resolvem com discursos que simplificam a realidade e que são feitos na base da demagogia fácil”, explicou. “É preciso, sobretudo, que essas forças políticas digam que vamos nos juntar naquilo que for possível para resolver este assunto de um país que tem uma guerra, que está no meio de uma crise internacional gravíssima, então, acho que isso teremos que aprender a fazer juntos, outra vez”, acrescentou. O escritor receia que se repita a escalada de violência pós-eleitoral, à semelhança das autárquicas de 2023, destacando que esses acontecimentos “mancham o sentido de democracia”. “Acho que quem reclama tem que o fazer de uma maneira cívica. Nas eleições anteriores ouvi muitas vozes a reclamar e a ameaçar que vão publicar atas que foram sujeitas a fraude e depois nunca havia essa publicação. É tanto barulho e depois eu gostava de ver, como cidadão preciso que haja provas de que houve uma falsidade dos resultados e, se não me apresentam, começo a ficar com dúvidas sobre a razão desses que protestam”, concluiu. parlamentar, e Venâncio Mondlane, apoiado pelo Partido Otimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos). Folha 8 com Lusa

Milhares de pessoas marcham no mundo em apoio aos palestinianos, quase um ano depois do 7 de outubro.

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Segunda-feira, 7 de Outubro, marca um ano desde o princípio dos ataques de Israel na Faixa de Gaza. Milhares de manifestantes marcharam em várias partes do globo, no sábado, 5, em apoio a Gaza e ao Líbano, quase um ano depois de os ataques do Hamas em Israel terem provocado uma escalada dos combates na região. “Receamos uma guerra regional, porque neste momento há tensões com o Irão e talvez com o Iraque e o Iémen. Por isso, haverá muitos problemas na região e tememos também por outros países. Temos de acabar com a guerra, porque se tornou insuportável. Tornou-se insuportável”, afirmou o manifestante Franco-Libanês, Houssam Houssein, durante o protesto em Paris. Em Londres, apoiantes pró-palestinianos de todo o país iniciaram a marcha de Russell Square até Downing Street exigindo o fim do conflito, que já matou cerca de 42.000 pessoas em Gaza. Itália, Alemanha, África do Sul e Filipinas foram apenas alguns dos pontos onde se assinalaram protestos contra a continuidade do conflito no Médio Oriente. No início deste ano, a África do Sul solicitou ao Tribunal Internacional de Justiça que ordenasse a Israel que se abstivesse de actos que pudessem ser abrangidos pela Convenção sobre o Genocídio. A África do Sul acusou Israel de genocídio em Gaza, o que Israel e os seus aliados ocidentais consideraram infundado. Zackerea Bakir, 28 anos, disse que já participou em dezenas de marchas em todo o Reino Unido. A multidão continua a comparecer porque “toda a gente quer uma mudança”, disse Bakir à AFP. “A situação continua a piorar cada vez mais e, no entanto, nada parece estar a mudar... Acho que é cansativo termos de continuar a sair”, disse Bakir, acompanhado na manifestação pela mãe e pelo irmão. Nas últimas semanas, Israel intensificou fortemente os ataques contra o Hezbollah, com uma série de ataques aéreos e uma operação terrestre no sul do país, após quase um ano de conflitos transfronteiriços de nível inferior, travados em paralelo com a guerra de Israel contra o Hamas em Gaza. c/ Reuters e AFP

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

A Igreja Católica pede perdão pela escravidão e colonização.

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A história da humanidade é marcada por períodos sombrios cujas consequências ainda hoje se fazem sentir. Entre eles, a escravidão e a colonização ocupam um lugar particular pela extensão do sofrimento infligido e pela duração da sua prática. Estes sistemas de exploração desenraizaram milhões de seres humanos das suas terras, desintegraram famílias, destruíram culturas e deixaram cicatrizes profundas no tecido social, económico e cultural de muitas nações. A devastação destas práticas é imensurável: gerações inteiras foram privadas de liberdade, dignidade e futuro. Os povos colonizados viram os seus recursos saqueados, as suas tradições desprezadas e o seu desenvolvimento prejudicado. O impacto destes crimes contra a humanidade continua até hoje, manifestando-se através de desigualdades estruturais, preconceitos arraigados e traumas transgeracionais. Dada a escala destas atrocidades, nenhuma reparação poderá apagar totalmente os danos causados. Roma: um sínodo abre com uma nota de arrependimento Na terça-feira, 1º de outubro de 2024, foi aberta em Roma a sessão do Sínodo sobre a reforma da Governança da Igreja Católica. Surpreendentemente, esta assembleia começou com um ato de arrependimento da instituição, apresentando sete novos pecados e pedindo perdão, nomeadamente pela escravatura e pelo colonialismo. A cerimônia aconteceu na Basílica de São Pedro, em Roma, local emblemático do catolicismo. Sete cardeais leram pedidos de perdão escritos pelo Papa Francisco, cada um correspondendo a um dos sete novos pecados identificados pela Igreja. A atmosfera foi descrita como particularmente pesada pelos observadores presentes, enfatizando a gravidade do momento. “Fomos cúmplices”: a Igreja reconhece o seu papel na escravatura e no colonialismo Entre estes pedidos de perdão, o relativo à escravatura e ao colonialismo recebeu particular atenção. O cardeal Michael Czerny, de origem tcheca, leu um texto comovente: “Não reconhecemos o direito à dignidade de cada pessoa humana, discriminando-a e explorando-a – penso em particular nos povos indígenas – e nos tempos em que fomos cúmplices de sistemas que favoreceram a escravatura e o colonialismo. Este reconhecimento da cumplicidade da Igreja nestes sistemas de opressão marca um ponto de viragem na sua abordagem ao seu próprio passado. Sublinha o desejo de enfrentar aspectos obscuros da sua história, há muito silenciados ou minimizados. A condição das mulheres na Igreja: outro mea culpa retumbante Outro momento marcante foi a leitura sobre o pecado contra as mulheres, do cardeal Joseph Farell. Ele declarou nomeadamente: “Peço perdão em nome de toda a Igreja, em particular de nós, homens, tendo vergonha de todos os momentos em que não reconhecemos e defendemos a dignidade das mulheres, onde nos tornamos mudos e submissos e muitas vezes explorados , particularmente na condição de vida consagrada. O Papa Francisco justificou esta cerimónia incomum como necessária para tornar as missões da Igreja “credíveis”. Sublinhou a importância de reconhecer os erros do passado para avançar autenticamente na missão da Igreja. Sete novos pecados: a Igreja enfrentando suas responsabilidades Os sete novos pecados apresentados durante esta cerimônia são: Pecado contra a paz Pecado contra a criação, povos indígenas e migrantes O pecado do abuso Pecado contra as mulheres, a família e os jovens O Pecado da Doutrina Usado como Pedras para Atirar O pecado contra a pobreza O pecado contra a sinodalidade, a falta de escuta, comunhão e participação de todos Esta abordagem da Igreja Católica, embora histórica, levanta muitas questões. Se assinala a vontade de confrontar o seu passado e assumir as suas responsabilidades, também destaca a extensão dos desafios que a instituição enfrenta. O reconhecimento do dano causado é um primeiro passo, mas muitos se perguntam sobre as ações concretas que se seguirão a este pedido de perdão. Perante a imensidão do sofrimento causado pela escravatura e pela colonização, cujas consequências continuam a afectar milhões de pessoas em todo o mundo, este pedido de perdão, embora significativo, só pode ser um começo. Abre caminho para uma reflexão mais profunda sobre o papel das instituições religiosas na cura das feridas do passado e na construção de um futuro mais justo e equitativo para todos. A cerimônia aconteceu na Basílica de São Pedro, em Roma, local emblemático do catolicismo. Sete cardeais leram pedidos de perdão escritos pelo Papa Francisco, cada um correspondendo a um dos sete novos pecados identificados pela Igreja. A atmosfera foi descrita como particularmente pesada pelos observadores presentes, enfatizando a gravidade do momento. fonte: https://lanouvelletribune.info/2024/10

PETRÓLEO “UNE” ANGOLA E RDC.

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Os Governos de Angola e da República Democrática do Congo (RDC) assinaram a Adenda ao Acordo de Governança e Gestão da Zona Marítima de Interesse Comum (ZIC), localizada a Sul do Bloco 14 e a Norte dos Blocos 1, 15 e 31 das concessões petrolíferas entre os dois países. Oacto de assinatura decorreu esta quarta-feira, em Luanda, durante a 5.ª Conferência Internacional Angola Oil & Gas, aberta pelo Presidente da República do MPLA, general João Lourenço. Os dois Governos, representados pelos ministros dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino de Azevedo, e dos Hidrocarbonetos da República Democrática do Congo (RDC), Aimé Sakombi Molendo, rubricaram o documento que vai ser ratificado pelo Parlamento de ambos os países. Segundo o ministro Diamantino de Azevedo, o acto, aguardado há mais de 20 anos (recorde-se que o MPLA só está no Governo há… 49 anos), é a concretização de um sonho dos dois países. Angola conta com as condições criadas para finalmente iniciar a actividade na zona comum de exploração de petróleo. “O operador também já está escolhido e creio que depois será apenas a dinâmica nossa que irá finalmente concretizar esse sonho dos dois países”, disse Diamantino de Azevedo. O ministro observou que “Angola já tem uma experiência de um projecto com a República do Congo, o projecto Lianzi, e levaremos toda essa experiência também para esse projecto”. Na mesma ocasião, a ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, e o ministro das Finanças da RDC, Nicolas Kazadi, também assinaram um acordo financeiro para reforçar a parceria económica bilateral. Ao discursar na 5.ª Conferência Internacional Angola Oil & Gas, o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino de Azevedo, frisou que esta edição realiza-se num contexto internacional desafiante, pois a indústria de petróleo e gás apresenta sinais de uma tendência positiva, confirmando a sua resiliência e adaptação a situações adversas. “Actualmente, a segurança energética constitui o principal tema da agenda energética global, com vários desafios para o acesso ao financiamento das actividades petrolíferas, exploração, desenvolvimento e aos investimentos programados para a diversificação da matriz energética dos países em via de desenvolvimento”, disse Diamantino de Azevedo. Diamantino Azevedo considerou ainda necessário que os países produtores e consumidores de petróleo bruto tenham uma agenda comum, por forma a garantir-se uma transição energética justa e devidamente programada. O titular da pasta dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás sublinhou que o Executivo angolano, desde 2017, tem promovido reformas para melhorar os instrumentos legais, fiscais e contratuais, com vista a criar condições cada vez mais competitivas e transparentes para viabilizar os instrumentos em projectos no Up, Mid e Downstreams da actividade petrolífera. Neste particular, disse o ministro, “constatamos com agrado, que as empresas tradicionais do nosso mercado e outras têm manifestado interesse na exploração e desenvolvimento de campos de petróleo e gás”. O responsável realçou que o maior desafio do Governo é a mitigação do declínio da produção de petróleo. Por esta razão, segundo o ministro, o foco actual da acção governativa neste sector tem sido a manutenção da produção desta commodity acima de um milhão de barris por dia, durante os próximos anos. Recorde-se que o Banco Árabe de Desenvolvimento Económico em África (BADEA) vai financiar o Plano de Desenvolvimento Nacional 2027 de Angola e a visão do país para 2050. Este apoio faz parte de um pacote global de 500 mil milhões de dólares destinados a beneficiar diversos países africanos, incluindo Angola, e terá uma duração de cinco anos. O anúncio foi feito pelo Presidente do BADEA, Sisi Oulf Tah, em declarações à imprensa, após uma audiência com o Presidente da República, general João Lourenço, no dia 18 de Setembro, no Palácio Presidencial, em Luanda. Para que os árabes não tivessem dúvidas sobre o elevado índice democrático de Angola, João Lourenço fez-se acompanhar pelo Presidente do MPLA, pelo Titular do Poder Executivo e pelo Comandante-em-Chefe das Forças Armadas. Sisi Oulf Tah revelou que o montante disponibilizado foi definido durante a Conferência Económica Árabe-Africana, em Novembro de 2023. Sisi Oulf Tah reuniu-se com o Chefe de Estado angolano para discutir as prioridades financeiras de Angola e alinhar o apoio do BADEA com as necessidades do país. O banco, que é propriedade de 18 países árabes e apoia 44 países africanos, colaborará com o Governo angolano (do MPLA há 49 anos) para definir quais projectos receberão financiamento. “Durante esta reunião, o Presidente da República explicou as prioridades de Angola e o Banco vai trabalhar com a equipa económica, no sentido de alinhavar as suas prioridades com aquelas que são da República de Angola, que vão guiar a nossa cooperação nestes próximos cinco anos, naquilo que nós chamamos de Acordo de Parceria Estratégica”, acrescentou. Sisi Oulf Tah anunciou também que, além do apoio do BADEA, dez instituições financeiras multilaterais árabes participarão no projecto de financiamento. Recorde-se que o ministro dos Recursos Minerais e Petróleos de Angola, Diamantino Azevedo, admitiu no passado dia 5 de Agosto dificuldades no financiamento das refinarias, mas garantiu que o Governo continuava focado no objectivo da auto-suficiência em produtos refinados e que os projectos serão levados “a bom porto”. Palavra do MPLA, estribada na coerência que lhe é típica há… 49 anos. fonte: folha8

Senegal: Em Mascate, o Presidente Macky Sall defende a educação.

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O Presidente Macky Sall é este ano o convidado de honra da Conferência Icesco de Ministros Responsáveis ​​pela Educação, que se realiza em Mascate, no Sultanato de Omã. Durante dois discursos, fez um apelo a favor da educação como vector de progresso económico, paz e coesão social. Solicitou também o apoio dos países da Umma e dos seus parceiros para as ações do Icesco em favor da educação, da ciência e da cultura. No seu discurso de abertura, citando os estudiosos Averróis, Avicena e El Hadj Omar Tall, recordou a influência do mundo muçulmano na criação, divulgação e promoção do conhecimento em ciência, tecnologia, medicina, matemática, farmácia, astronomia... Ele fez um forte apelo para que o mundo muçulmano continue a ser um espaço determinado a promover o conhecimento, o saber-fazer e o diálogo entre culturas e religiões. Em linha com o tema da reunião "Além da Cimeira sobre a Transformação da Educação: Dos Compromissos às Acções", o Presidente Sall instou os países membros da OCI a inspirarem-se no passado da Umma em questões de disseminação de conhecimento, a fim de assumirem a responsabilidade de manter a educação e formação no centro das suas prioridades. Isto requer, sem dúvida, o estabelecimento de mecanismos de financiamento ambiciosos. O financiamento da educação dificilmente deveria ser, lembra, um fardo social para os Estados, mas “o melhor investimento para o futuro”. A educação abre a mente, liberta-nos do peso do fatalismo reducionista, enriquece, estimula, reduz a pobreza e as vulnerabilidades e contribui para moldar a paz e o desenvolvimento económico e social. A educação é o melhor vetor para a estabilidade e a construção de uma sociedade plural, pacífica e aberta ao mundo, especialmente em tempos de crises diversas e multifacetadas. Os desafios são colossais porque os números disponíveis mostram que ainda é necessário fazer esforços no sector. O número de crianças que não frequentam a escola em todo o mundo é de quase 250 milhões; ameaçando a concretização do ODS 4 que visa a educação para todos até 2030. Acrescenta-se que em 2022, a UNESCO revelou que 6 em cada 10 crianças eram incapazes de compreender um texto simples aos 10 anos de idade. Estes dados mostram que devemos prosseguir os esforços para enfrentar os muitos desafios da educação e da formação, garantindo maior inovação, ousadia e engenhosidade. Hoje, surgem questões cruciais relacionadas com a educação das raparigas, a promoção da ciência, da engenharia e da matemática (STEM), do ensino técnico e profissional e de questões ligadas à inteligência artificial. Além disso, o Presidente Macky Sall levantou a questão essencial da orientação sectorial para que os países possam dotar-se dos recursos humanos de que necessitam para construir economias prósperas e resilientes. Sobre este assunto, o Presidente Sall insistiu numa necessária mudança de paradigma, com a promoção da formação profissional para promover a empregabilidade dos jovens. O exemplo do Senegal nesta matéria deveria inspirar a Umma. Porque entre 2016 e 2022 o Fundo de Financiamento da Formação Profissional e Técnica (3FPT) do Senegal mobilizou 71 mil milhões de FCFA, formou 394.992 pessoas e financiou? 656 projetos de investimento para estabelecimentos públicos de formação profissional e técnica. No mesmo período, foram criados pelo Estado seis institutos de ensino superior profissional com o objectivo de promover ainda mais o ensino técnico e promover a empregabilidade dos jovens. Na verdade, como nos recorda o Presidente Sall: “Muitas vezes os nossos estudantes concluem a universidade, mas com formação teórica inadequada para o mercado de trabalho; daí a necessidade de rearticular parte do sistema educativo para uma formação dual escola-empresa.” É ilusório imaginar um desenvolvimento harmonioso sem uma política de formação ambiciosa para as profissões científicas e técnicas. No passado mês de Abril, ansioso por continuar a promover a escola que considera ser "a mãe de todas as batalhas", o Presidente Sall criou a Fundação para o Diálogo para a Paz e o Desenvolvimento, como instrumento a favor de uma educação de qualidade para todos e para o diálogo de culturas e civilizações. Em Mascate, nas suas diversas responsabilidades como antigo Presidente da República, Enviado Especial dos 4Ps e presidente da sua fundação, Macky Sall apelou a manter intacta "a luz incandescente do conhecimento" para continuar a "iluminar a nossa marcha em direcção ao progresso". fonte: seneweb.com

Estados Unidos: A um mês das eleições, nem Harris nem Trump se destacam.

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Tout a changé, rien n'a changé: après une série de bouleversements inouïs, l'élection présidentielle américaine, qui opposera Kamala Harris et Donald Trump dans un mois, s'annonce toujours aussi indécise et tendue. L'ancien président républicain a vu sa base électorale -- déjà remarquablement solide -- galvanisée par les deux tentatives d'assassinat qui l'ont visé, en Pennsylvanie en juillet et en Floride en septembre. L'arrivée fracassante de la vice-présidente dans la course après le retrait historique de Joe Biden en juillet a redonné espoir au Parti démocrate, qui tremblait face aux mauvais sondages du dirigeant octogénaire. - "Nouvelle génération" - Mais si Kamala Harris tutoie Donald Trump dans les enquêtes d'opinion, voire se trouve légèrement en tête au niveau national, elle n'a pas pris réellement l'avantage dans les seuls Etats qui comptent, les sept "swing states": l'Arizona, la Caroline du Nord, la Géorgie, le Michigan, le Nevada, la Pennsylvanie et le Wisconsin. Comme en 2016, comme en 2020, quelques dizaines de milliers de voix dans cette poignée d'Etats pourraient décider qui, de l'ancienne magistrate de 59 ans ou du milliardaire de 78 ans, engrangera les 270 grands électeurs synonymes de victoire. La vice-présidente fait le pari que l'Amérique est prête pour une "nouvelle génération" de dirigeants. En clair, que le pays veut rompre avec Donald Trump en élisant sa première "commandante en chef", née d'un père jamaïcain et d'une mère indienne, dont la personnalité et le parcours valent promesse de changement. Kamala Harris n'est pas rentrée dans les détails de son programme résolument centriste, mêlant fermeté sur l'immigration, promesses de coups de pouce à la classe moyenne et défense du droit à l'avortement -- un sujet sur lequel les républicains sont particulièrement mal à l'aise. Face aux violentes attaques, voire aux insultes de Donald Trump, la candidate démocrate joue d'un registre moins frontal, en piquant la susceptibilité bien connue de son rival, comme elle l'a fait lors de leur débat de septembre, avec une réussite indéniable. Elle l'avait qualifié de candidat "faible", "viré" par ses concitoyens en 2020. - "Camarade Kamala" - Candidat pour la troisième fois à la Maison Blanche, Donald Trump rejoue lui sa partition de 2016 et 2020, se présentant comme un tribun antisystème, proche du peuple, très critique des élites de Washington. Son credo de campagne? Toujours le même: la lutte contre l'immigration, qui "détruit" selon lui les villes américaines. Lors de chacun de ses meetings, le septuagénaire peint, musique dramatique à l'appui, un tableau extrêmement sombre d'un pays ravagé par des migrants "terroristes" et "violeurs", sortant des pires "prisons et asiles de fous". Il matraque aussi sa rivale démocrate sur l'inflation, accusant celle qu'il surnomme "camarade Kamala", de vouloir mettre en place des mesures "sorties tout droit du Venezuela ou de l'Union soviétique" pour contrer la hausse des prix. Une marée de partisans à la casquette rouge continue d'affluer à ses rassemblements de campagne, foncièrement convaincus que leur champion, condamné au pénal fin mai, est victime d'une persécution politique répugnante. Voire que les démocrates fomentent directement les menaces qui le visent. Donald Trump a lui-même imputé sa deuxième tentative d'assassinat à la "rhétorique" de ses adversaires, quand les démocrates l'accusent au contraire d'être l'instigateur d'un climat politique parfois irrespirable. A l'approche du scrutin du 5 novembre, les illustrations de cette tension politique sont omniprésentes. Les centres électoraux des comtés les plus disputés, cibles il y a quatre ans de vives tensions, se sont mués en forteresses, protégés par des clôtures en fer forgé et des détecteurs de métaux. La certification des résultats de la présidentielle au Capitole, théâtre le 6 janvier 2021 d'une attaque de trumpistes déchaînés, sera cette fois encadrée par le plus haut niveau de sécurité possible pour un événement officiel. La crainte est que, une fois encore, le vote soit si serré qu'il faille non pas des heures, mais des jours entiers pour déclarer un vainqueur. Donald Trump, qui n'a jamais reconnu sa défaite en 2020, a déjà posé les premières pierres d'une nouvelle contestation, accusant meeting après meeting les démocrates de "tricher comme des diables". Le pays retient son souffle. fonte: seneweb.com

Israel e EUA, entidades terroristas.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... Os grandes jornais da burguesia estão chamando a série de atentados terroristas ocorridos no Líbano esta semana de “explosões”. Claro, o atentado não foi obra dos árabes e não ocorreu na Europa, nos Estados Unidos ou em Israel. Se fosse, seria rotulado de terrorista na primeira leva de breaking news.
Como foi obra de Israel – todo o mundo sabe disso, ainda que os sionistas o neguem –, então é claro que não é terrorismo. São apenas algumas “explosões”. Explosões exclusivamente em áreas civis e que já mataram mais de 30 pessoas (incluindo crianças) e deixaram mais de 3.000 feridos. Em meio ao mar de ingenuidade fingida nos grandes veículos de imprensa, uma reportagem do New York Times cita 12 fontes da Defesa e da Inteligência israelense que confirmam que Israel está por trás dos atentados. De acordo com algumas das fontes do NYT, a companhia húngara B.A.C. Consulting, que produziu os pagers para a taiwanesa Gold Apollo, na verdade é uma empresa de fachada dos serviços de inteligência israelenses. Ela produziu os dispositivos para que fossem monitorados e ativados para explodir a qualquer momento por Israel. Esse tipo de ataque é considerado terrorismo em qualquer lugar do mundo pelos mesmos que estão negando ou ocultando que tenha sido um atentado terrorista de Israel. Em 2018, um refugiado afegão de 19 anos atacou com uma faca dois turistas americanos na estação central de trem de Amsterdã. Ele sequer matou os turistas (pelo contrário, foi morto em apenas nove segundos pela polícia). Aquilo, porém, foi considerado um ataque terrorista. No ano anterior, seis pessoas ficaram feridas em um atropelamento na região de Paris. Aquilo também foi investigado como possível ataque terrorista. Se casos como esses são terrorismo, por que os jornais e os governos ocidentais não reconhecem as “explosões” no Líbano como atentados terroristas? Justamente porque isso implicaria considerar que Israel é uma entidade terrorista. E a imprensa controlada pelos Estados Unidos – que sustentam e incentivam o terrorismo israelense – jamais poderia fazer isso. Após muitas maquinações do Império Britânico durante o final do século XIX e a primeira metade do século XX, os Estados Unidos se tornaram o principal responsável por assegurar a criação e consolidar a existência do “Estado de Israel”, uma entidade artificialmente fabricada. Desde então, utilizam esse pedaço de terra roubada dos palestinos como uma gigantesca base militar em sua ânsia de dominar o Oriente Médio e sugar as suas preciosas riquezas naturais. Desde o início da nova fase do genocídio (que tem origem ainda em 1947/48), em outubro do ano passado, os Estados Unidos forneceram mais de 6,5 bilhões de dólares em ajuda militar a Israel. Entre 2017 e 2021, os Estados Unidos foram responsáveis por fornecer 92% de todas as armas importadas por Israel, segundo o Stockholm International Peace Research Institute. Os EUA também são os responsáveis pelo desenvolvimento tecnológico de Israel – que é voltado primordialmente para a área militar e cujos atentados terroristas no Líbano são uma consequência. Yoav Gallant, o ministro da Defesa israelense, ligou para sua contraparte estadunidense, Lloyd Austin, minutos antes do primeiro atentado, para informá-lo sobre uma operação que seria realizada imediatamente no Líbano, segundo o portal Axios. Há décadas a CIA e a NSA realizam operações de espionagem a partir de dispositivos eletrônicos, como TV’s, computadores e celulares, contra cidadãos de todos os países do mundo. Agora Israel, uma máquina genocida, mostra que não é possível apenas espionar a partir de dispositivos que pertencem às próprias vítimas, mas também matar – e matar quem está por perto. Esse episódio covarde e cruel de terrorismo cibernético e assassino é uma demonstração do perigo que é a dependência tecnológica. A maior parte do mundo depende da tecnologia monopolizada pelos países ricos, em particular os EUA, e seus gigantescos conglomerados que fabricam esses dispositivos praticamente sem concorrência – pois eles a suprimem. Os grandes monopólios ocidentais estão diretamente ligados aos governos imperialistas, como o dos Estados Unidos. As big techs são um exemplo óbvio disso – basta ver o repasse de informações privadas dos usuários de redes sociais ao governo norte-americano, ou a censura política exercida contra páginas que desagradam Washington. Se as grandes empresas que fabricam e, portanto, detêm o controle de toda a tecnologia que está dentro dos dispositivos eletrônicos que nós adquirimos para uso corriqueiro têm acordos com governos como os de EUA e Israel para fornecer dados dos usuários e mesmo estabelecer um controle remoto que pode ativar e explodir o dispositivo, qualquer pessoa no mundo está suscetível ao terrorismo imperialista. Há poucos meses, Israel já havia cometido outro (de tantos) atentados, quando bombardeou e matou o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, em Teerã. A sua localização foi obtida através do monitoramento de seu aparelho telefônico. Isso levou Hassan Nasrallah a instruir os membros do Hezbollah a não utilizarem smartphones em reuniões ou conversas sigilosas, e substituírem-nos pelos pagers. Mas nem mesmo aparelhos pouco sofisticados, como pagers e walkie-talkies, estão protegidos do monitoramento e do controle remoto das agências de espionagem e empresas privadas dos EUA e Israel. O sistema de vigilância e invasão da privacidade dos indivíduos erguido pela ditadura imperialista dos EUA – da qual Israel é um preposto criminoso e covarde – atingiu um novo nível. É por essas e outras que governos que estão na alça de mira desses criminosos, como China e Rússia, lutam por criar tecnologias e dispositivos eletrônicos próprios. Não querem ter suas casas – ou suas cabeças – voando pelos ares a qualquer hora do dia. O rompimento com a tecnologia e os produtos eletrônicos dos EUA e de seus prepostos não é mais mera questão de soberania nacional. Agora é questão de sobrevivência – no sentido mais literal do termo. Para quem pensa que esse perigo não existe, basta lembrar que estamos falando de entidades (EUA e Israel) que já mataram mais de 30 mil mulheres e crianças em Gaza em menos de 12 meses. Eles são capazes de tudo. port.pravda.ru Ver mais em https://port.pravda.ru/mundo/58386-israel_eua_terroristas/

Recontando a História: Novas Descobertas do Massacre Racista de Tulsa nos EUA.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...
Recontando a História: Novas Descobertas do Massacre Racista de Tulsa nos EUA Em Oklahoma, o mais sangrento ataque supremacista branco da história estadunidense sofreu negacionismo por quase um século. Pelo qual nunca ninguém foi punido No último dia 16 de agosto foram encontrados, após 25 dias de escavações, onze restos mortais de vítimas do massacre supremacista branco da cidade de Tulsa no estado norte-americano de Oklahoma ocorrido em 31 de maio e 1 de junho de 1921, o que "se acredita ter sido o pior incidente de violência racial na história norte-americana" (The Encyclopedia of Oklahoma History and Culture). A municipalidade tulsana, condutora das investigações, anunciou que dois corpos continham ferimentos de balas de diferentes armas, enquanto outro apresentava sinais de possíveis queimaduras. Todos os restos estão sendo analisados em laboratórios forenses da cidade que já atuam neste caso específico há alguns anos, desde que as buscas tiveram início para identificação. Nos últimos cinco anos, cerca de 50 restos mortais relacionados ao massacre foram encontrados através de um projeto de escavação coordenado pela prefeitura de Tulsa, chamado 1921 Graves (Sepulturas de 1921). Denominado mais comumente “tumultos raciais” ao longo do tempo, o massacre de Tulsa que envolveu também corrupção policial, tem sido historicamente um tabu entre a sociedade estadunidense: esteve ausente dos livros de história, raramente era mencionado em escolas, conversas particulares e nas abordagens midiáticas, a nível local e em todos os Estados Unidos. Até a Cruz Vermelha norte-americana recusou-se a fornecer estimativa do número de mortos naqueles tempos, alegando que tais dados eram "especulativos". Menos de três meses após o massacre de Tulsa, a Ku Klux Klan surgiu publicamente em Oklahoma, atingindo o auge no estado justamente na década de 1920. “[O massacre] nunca foi ensinado na escola. Lembro-me de que no Ensino Médio, nos anos 80, constava no livro de História de Oklahoma algo como um ou dois parágrafos. Mas a história da [Ku Klux] Klan continuava capítulo, capítulo e mais capítulo”, disse o historiador afro-americano de Tulsa James Kavin Ross no aniversário de 100 anos do massacre, em maio de 2021. “Os brancos não queriam falar sobre isso, porque [o massacre] era uma mancha para uma cidade que estava tentando construir sua imagem", completou Ross. “Distúrbios” oficialmente atribuídos a um grupo armado de cidadãos negros a fim de proteger um dos membros da comunidade de um potencial linchamento por brancos, os negros sempre relataram todo o ocorrido de maneira diferente, desde o início dos ataques. “Negros e brancos cresceram até a meia-idade, sem saber o que havia acontecido”, relatou o jornal The New York Times em As Survivors Dwindle, Tulsa Confronts Past (Enquanto os Sobreviventes Diminuem, Tulsa Confronta o Passado), em 19 de junho de 2011. Apenas uma comissão bipartidária local estabelecida em 1996, deu início oficialmente a investigações a fim de se recontar a história do hoje já chamado, amplamente, massacre de Tulsa. Tais estudos verificaram uma série de distorções sobre o episódio, corrupção policial, e inclusive o número de mortos tem sido revisto, sendo cerca de dez vezes superior ao tido como oficial anteriormente, fixado em 36. Um dos piores ataques terroristas brancos dos EUA hoje podem ser compreendidos graças aos esforços de longos anos de alguns poucos sobreviventes, e seus descendentes. Os quais não haviam perdido a esperança, em todos aquelas décadas de silêncio, de que as gerações futuras conseguiriam fazer com que a verdade, enfim, viessa à tona. Mas muito ainda resta para ser esclarecido e sobretudo reparado pelo Estado, e os trabalhos investigativos na cidade prosseguem sem muita cobertura, contudo, da mídia norte-americana. Massacre Os ataques supremacistas brancos em Tulsa há quase um século, executados em terra e através de aviões particulares, destruíram o próspero bairro de Greenwood de cerca de 10 mil residentes negros à época deixando como saldo cerca de 300 mortos, a vasta maioria de cidadãos negros de acordo com pesquisas da comissão local estabelecida na década de 90. Uma violenta multidão branca incendiou 1.250 casas, arrasando anos de prosperidade construída pelos negros na cidade ao centro-sul dos EUA onde residia um total de 72 mil pessoas, entre brancos e negros. Greenwood era então denominado “Wall Street Negra” pela vigorante economia: seus quarteirões eram repletos de supermercados, hotéis, casas noturnas, salas de bilhar, teatros, consultórios médicos e igrejas do que era, até às vésperas do massacre, uma das comunidades negras mais ricas dos Estados Unidos. Na noite de 31 de maio, cerca das 19h30 mais de mil cidadãos brancos juntaram-se às proximidades da prisão onde o engraxate negro Dick Rowland de 19 anos estava detido, a fim de atacá-lo. O jovem, sem nenhum antecedente penal e com boa reputação na cidade, era acusado sem nenhum indício de ter atacado a cidadã branca Sarah Page de 21 anos, um dia antes. A princípio Rolwand havia sido levado à prisão da cidade de Tulsa, até que o delegado James Adkison recebeu telefonema anônimo ameaçando de morte Rowland e ordenou que este fosse transferido a uma prisão mais segura, no último andar do Tribunal do Condado de Tulsa. Enquanto Rowland estava apavorado, o xerife William McCullough tomou diversas medidas protetivas ao jovem negro preso, como por exemplo colocar seis de seus homens, armados com fuzis e espingardas, a postos no telhado do Palácio da Justiça. E tentou em vão convencer a multidão branca a ir para suas casas: McCullough acabou vaiado. Por volta de 20h20, três homens brancos entraram no tribunal exigindo a entrega de Rowland, pedido rejeitado pelo xerife. Cerca de 21h30, um grupo estimado entre 50 e 60 homens negros armados chegou ao local, para proteger o jovem negro. Diante disto, os brancos foram buscar armas ao mesmo tempo que, por volta das 22h, mais 75 homens negros armados chegaram ao local. Logo, a multidão em frente ao tribunal multiplicou-se chegando a cerca de duas mil pessoas, a grande maioria deles brancos armados. Os negros ofereceram apoio ao xerife a fim de acalmar a situação, mas o oficial negou a ajuda. Logo teve início troca de tiros entre ambos os grupos que durou alguns segundos, deixando como saldo dez brancos mortos e dois negros. A partir de então a violência de uma multidão branca furiosa à qual se incluíam policiais e soldados, explodiu madrugada adentro, estendendo-se ao longo de todo o dia 1 de junho. Relatos de testemunhas afirmam que oficiais da polícia tulsana incentivaram os brancos a pegar armas para atacar negros. O florescente bairro negro de Tulsa foi invadido, saqueado e incendiado. Houve também diversos ataques aéreos com bombas, desfazendo o mito histórico de que os ataques japoneses sobre a base naval de Pearl Harbor em Honolulu no Havaí em 7 de dezembro de 1941, foram a primeira vez na história que os EUA sofreram ataques aéreos em seu território: antes daquela data houve os auto-atentados terroristas estadunidenses ocultados nos livros de história, de brancos contra negros em Tulsa. A fúria racial branca colocou mais de 35 quarteirões de Greenwood debaixo do fogo em 24 horas, varrendo-o do mapa tulsano. Homens, mulheres e crianças foram linchados, sequestrados, assassinados, e houve casos de estupro: tudo encoberto pelas autroridades, locais e estaduais. Um total de 10 mil negros ficaram desabrigados. Mais de 800 pessoas foram internadas em hospitais, e cerca de 6 mil negros permaneceram presos por vários dias no que se tornou cenário de guerra. As centenas de negros assassinados foram enterrados em valas comuns, tanto quanto enterrados na história dos Estados Unidos por décadas. Dos 10 mil negros que acabaram se tornando sem-teto pelos ataques, a maioria no final de 1922 teve casas reconstruídas mas a Municipalidade e as corretora de imóveis recusaram-se a indenizá-los pelas perdas resultantes do massacre. Lei marcial decretada pela Guarda Nacional de Oklahoma no dia 1, finalizou o massacre pelo qual ninguém foi punido. “O gatilho para a raiva branca, inevitavelmente, é o avanço dos negros”, escreveu a acadêmica afro-americana Carol Anderson, no livro White Rage, The Unspoken Truth of Our Racial Divide (Ódio Branco, A Verdade Não Contada da Nossa Divisão Racial, de 2016). Estopim Cerca de 3h tarde de 30 de maio de 1921, o jornal Tulsa Tribune, um dos dois diários da cidade de propriedade de cidadãos brancos à época e bem-conhecido pelo sensacionalismo, publicou o boato que circulava por Tulsa de que Rowland havia atacado Sarah, operadora de elevador do edifício comercial Drexel no dia anterior. Naquele prédio havia apenas um elevador, operado por Sarah, o qual Rowland tentou utilizar na manhã do dia 30 a fim de ir ao um banheiro restrito a negros, localizado no último andar do edifício. É consenso desde aqueles tempos que ao menos de vista ambos se conheciam, já que Rowland costumava utilizar o elevador de Page indo e retornando do banheiro. Até hoje, contudo, trata-se de incógnita se ambos mantinham amizade ou algum tipo de relacionamento sentimental. Um balconista branco da loja de roupas Renberg’s no próprio complexo, ouviu um grito feminino no elevador e, em seguida, um jovem negro foi visto correndo do edifício às ruas. Este mesmo funcionário foi até o elevador, onde encontrou Sarah em estado de descontrole emocional, meio que histérica e ansiosa. Considerando que ela havia sido abusada sexualmente, o balconista chamou a polícia imediatamente. No dia seguinte, em 31 de maio Rowland foi preso, elevando a tensão em Tulsa. Rowland era amplamente conhecido entre advogados e outros profissionais jurídicos da cidade, muitos dos quais o conheciam por engraxar os sapatos deles mesmos. Algumas testemunhas afirmaram ter ouvido vários advogados defendendo Rowland em suas conversas entre si. Um deles teria dito, segundo as testemunhas: “Ora, eu conheço esse garoto, e o conheço há um bom tempo. Isso [do que é acusado] não é do feitio dele.” Page não prestou queixa contra Rolwand: apesar de que nenhum relato escrito de sua declaração tenha sido jamais encontrado, a jovem branca aparentemente disse à polícia que Rowland agarrou seu braço, e nada além disso. O próprio funcionário da Renberg’s finalmente relatou o incidente à polícia como “tentativa de ataque”. A polícia determinou que não houve agressão, e levaram adiante uma investigação discreta em vez de executar busca ao jovem negro pelo suposto ataque. A versão inicial do balconista que "socorreu" Sarah também seria totalmente contrariada pela comissão investigadora do massacre, cujos trabalhos foram concluídos em 2001. Contudo, as publicações do Tulsa Tribune do dia anterior através de uma notícia intitulada “Negro Preso por Atacar uma Garota”, e de um editorial incitando cidadãos brancos à violência contra os negros com o polêmico título “Linchamento de Negro Nesta Noite”, reverberando rumores que se espalharam pela cidade de que o engraxate seria linchado por homens brancos, serviram como gasolina sobre o fogo na cidade que já vivia efervescente por questões raciais entre brancos e negros. Contexto nacional Os Estados Unidos viviam, às vésperas do massacre de Tulsa, ambiente de ódio racial que atingia níveis extremos, e o racismo era institucionalizado no país norte-americano. A organização terrorista supremacista branca Ku Klux Klan ressurgia com força no sul dos EUA. E Oklahoma era um caso assustadoramente particular neste contexto. As leis de segregação racial denominadas Jim Crow (personagem teatral criado por Thomas D. Rice, 1808–1860, transformou-se rapidamente em termo pejorativo para referir-se aos afro-americanos), vigoraram de 1870 até 1965: impunham que instalações e serviços como habitação, saúde, educação, emprego e transporte fossem sistematicamente separados entre cidadãos brancos e negros. Decisão judicial de 1847 denominada Caso de Dred Scott, determinou que os negros nunca poderiam ser considerados cidadãos norte-americanos: nem a Constituição nem os direitos civis eram válidos aos negros naquela época. Dentro disto, inclusive casamento interracial era proibido nos Estados Unidos. Havia ainda distinção de funções nas instituições, públicas e privadas. Até nas Forcas Armadas (FFAA) havia separação entre batalhões de negros e brancos: até 1948, os brancos sempre ocupavam papeis de lideranca nas FFAA estadunidenses. O Congresso dos EUA aprovou a Lei de Direitos Civis de 1875, que tentava reparar as violações de direitos contra os negros, barrada na Suprema Corte. 31 anos depois, entre 24 e 26 de setembro de 1906 em Atlanta no estado da Geórgia, também ao sul dos Estados Unidos, multidões brancas mataram dezenas de negros, feriram gravemente dezenas de outros e causaram sérios danos materiais no que ficou conhecido como Massacre Racial de Atlanta. No filme de 1915 The Birth of a Nation (O Nascimento de uma Nação), primeiro sucesso de bilheteria de Hollywood, David Wark Griffith caracterizou a Ku Klux Klan como a salvadora do sul estadunidense, da reconstrução dos “oportunistas malignos” e dos negros fortemente estereotipados. "Entre o final de 1918 e o final de 1919, os Estados Unidos registraram dez grandes distúrbios raciais, dezenas de conflitos menores de cunho racial, e quase 100 linchamentos enquanto os norte-americanos brancos tentavam impor a subjugação contínua dos norte-americanos negros na era do pós-guerra", escreveu David Krugler na introducao de seu livro 1919, The Year of Racial Violence (1919, O Ano da Violência Racial, de 2015). Assim, os negros eram considerados abertamente seres inferiores, e até inimigos da nação em um ambiente de violência racial crescente, especialmente no sul estadunidense. Oklahoma Oklahoma foi declarado estado em 16 de novembro de 1907, e recebeu diversos colonos sulistas que haviam sido donos de escravos antes da Guerra Civil (1861-1865). No início do século XX os linchamentos raciais eram comuns em Oklahoma, na tentativa de cidadãos branco de afirmar e manter o domínio social. Apesar de o estado já contar naqueles tempos com população diversificada, habitada por imigrantes de todas as partes do mundo além de cidadãos de outros estados norte-americanos, muitos moradores brancos especialmente nas partes do sul do estado, tinham fortes laços com a cultura sulista que havia produzido a Ku Klux Klan. Moradores do Centro-Oeste estadunidense com sólidas crenças religiosas e forte consciência moral, também haviam migrado para Oklahoma. Neste ambiente, as crenças e ações da Ku Klux Klan encaixavam-se perfeitamente no espírito branco de Oklahoma, visando preservar a cultura rural branca e o cristianismo protestante e atacar ameaças ao status quo racial local. O historiador estadunidense Charles Alexander estima que até o final de 1921, apenas Tulsa tinha cerca de 3.200 moradores da cidade pertencentes à Ku Klux Klan. “Não raramente, policiais locais eram membros da Klan, ou tinham fortes simpatias pela Klan”, reporta The Encyclopedia of Oklahoma History and Culture. Tulsa Particularmente Tulsa, cidade petrolífera em expansão, abrigava um grande número de moradores afro-americanos ricos, educados e profissionais além de diversos militares, que retornaram ao município após o fim da Primeira Guerra Mundial em 1918. E este também foi mais um forte fator de conflito racial. Uma crise econômica no nordeste de Oklahoma estava aumentando o nível de desemprego, ao passo que os veteranos de guerra buscavam retornar à força de trabalho. Os veteranos negros, particularmente, estavam pressionando o governo para adquirir direitos civis, alegando que tinham conquistado cidadania pelo serviço militar na Primeira Grande Guerra Mundial. Assim, as tensões sociais e o sentimento de supremacia branca acirraram em Tulsa e em outras cidades do estado, onde a competição por empregos era feroz. A reportagem do jornal The New York Times de 26 de maio de 2023, intitulada How Greenwood Grew a Thriving Black Economy (Como Greenwood Desenvolveu uma Economia Negra Próspera) descreveu como os negros destacavam-se na economia tulsana até que vieram os ataques supremacistas brancos. Determinados trechos relatam o testemunho do sociólogo W.E.B. Dubois, primeiro afro-americano PH.D. da Universidade de Harvard, quem havia visitado Tulsa às vésperas dos massacre: "W.E.B. Dubois visitou o distrito de Greenwood em Tulsa, Oklahoma, no início de 1921, e ficou impressionado com o que encontrou. 'Nota-se por todo o sul, com algumas exceções, a nova esperança e poder do povo de cor', ele escreveu em seu diário. "Greenwood representava essa 'nova esperança e poder' melhor que quase qualquer outro lugar do país. A população negra de Oklahoma estava bem posicionada para prosperar. Alguns eram membros de comunidades originárias que também tinham ascendência africana, e receberam lotes de terra individuais das propriedades coletivas das tribos. "Outros eram migrantes de classe média do Sul Extremo, que se aventuraram para o oeste com a promessa de um clima racial que nutriria seu sucesso, em vez de sufocá-los — fornecendo 'oportunidades iguais com o homem branco', como dizia um folheto promocional. "Os líderes negros nacionais da época frequentemente tinham visões totalmente diferentes sobre o melhor caminho ao progresso negro, mas todos concordavam que o espírito independente gestado em Oklahoma fornecia um modelo a ser seguido. "Em Greenwood, os moradores protegiam os negócios negros, em parte, evitando [consumir] os de propriedade de brancos. Poucos anos após a inauguração do [Teatro] Dreamland, o 'único teatro de cor da cidade', um empresário branco chamado Loula Williams Redfearn abriu um teatro concorrente chamado Dixie do outro lado da rua. "Quando Dubois passeava pelas ruas de Greenwood na primavera de 1921, quase não havia concorrência. 'O teatro negro está sempre cheio. O teatro dos brancos é muito pouco frequentado', observou o sociólogo em seu diário de viagem." Supremacia da verdade Em 1996, a fim de se investigar os fatos do massacre e reivindicar justiça, teve início a Tulsa Race Massacre Commission (Comissão do Massacre Racial de Tulsa). Versões bastante diferentes das difundidas por residentes brancos de Tulsa nos tempos do massacre, foram publicadas: por exemplo, confirmando conclusão da polícia de Tulsa naquela época, a comissão apontou em seu relatório final de 2001 que Rowland deveria ter tropeçado ao entrar no elevador e, ao tentar evitar a queda, agarrou o braço de Page ou pisou em seu pé; a jovem branca, então, gritou. Ou que os jovens tiveram uma discussão de namorados. Foi completamente descatrada a possibilidade de estupro. Provavelmente, devido ao estado de histeria contra negros na cidade Rowland teve receio, e correu assustado até a casa de um familiar. Referindo-se à omissão policial de Tulsa em evitar o massacre, disse em 2016 Chuck Jordan, então chefe de polícia de Tulsa: "O Departamento de Polícia não fez seu trabalho naquela época, de verdade não fizeram". Dívida com a história O massacre já é parte dos livros escolares de Oklahoma, embora ainda distante de ser aprofundado: passou a ser incluído no ensino estadual vagamente em 2002, sendo ainda nos dias de hoje motivo de disputa entre diversos setores do estado, políticos e educacionais, com alguns poucos avanços. Também em 2016, Dubois afirmou que "as vítimas ainda esperam por justiça, 95 anos após o massacre de Greenwood". A Comissão tem reivindicado o estabelecimento de uma zona empresarial de desenvolvimento econômico na área histórica de Greenwood, que nunca mais se recuperou economicamente do massacre. Além de reparação financeira diretamente a sobreviventes e descendentes das vítimas do massacre de mais de 103 anos atrás, como “obrigação moral” do Estado. Contudo, apesar da aceitação da Assembleia Legislativa de Oklahoma do relatório final e da “responsabilidade moral em nome do Estado e de seus cidadãos”, o órgão dominado por democratas recusou-se a pagar qualquer tipo de reparação. Neste ano, a Suprema Corte de Oklahoma rejeitou ação movida por reparação feito em 2020 pelas sobreviventes negras Viola Fletcher, hoje com 110 anos de idade, e Lessie Benningfield Randle, 109, com o cidadão negro Hughes Van Ellis que morreu em outubro do ano passado, aos 102 anos de idade. O Estado norte-americano em dívida com a história, e com a proteção e a dignidade de seus cidadãos negros. Disse anos atrás Lloyd Ware de 66 anos, descendente de vítimas de Tulsa, já questionando omissões do Estado diante do massacre: “se você ignora o problema, ele permanece; o que foi feito até agora?" Carol Anderson escreveu no livro White Rage: "Não é a mera presença de pessoas negras o problema; pelo contrário, é a negritude com ambição, unidade, propósito, com aspirações e demandas por cidadania plena e igual”. fonte: port.pravada.ru Ver mais em https://port.pravda.ru/mundo/58390-massacre_eua/

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