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NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... Dois anos depois de deixar a capital senegalesa no final do seu segu...

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

NEGÓCIOS COM ANGOLA? FUJAM!

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

orçamento-angola

Angola está na 182ª posição do ranking “Doing Business”, que avaliou 190 países. O último desta classificação é a Somália. O melhor é a Nova Zelândia, Portugal ocupa o 25º lugar.

Angola está, portanto, entre os dez países onde é mais difícil fazer negócios, segundo o ranking “Doing Business” do Banco Mundial, no qual apenas um terço dos países lusófonos melhoraram o seu ambiente de negócios.
No relatório do Grupo Banco Mundial (BM) “Doing Business 2017- Igualdade de Oportunidades para Todos”, que avalia 190 países, conclui-se que 137 países realizaram reformas para melhorar o ambiente de negócios em 2015/16, mais 20% do que no ano passado.
O relatório inclui um ranking dos 190 países, liderado pela Nova Zelândia, que com uma classificação de 87,01 pontos surge como a economia onde é mais fácil fazer negócios. No fim da lista surge a Somália, com uma pontuação de 20,29.
Entre os 10 últimos encontra-se Angola, com 38,41 pontos e na 182ª posição, embora esteja entre os países que aboliram ou reduziram o capital mínimo requerido para a constituição de uma empresa e entre os que reduziram outros impostos para além dos impostos sobre o trabalho e sobre o lucro.
Angola, tal como seis dos nove Estados-membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), não viu melhorar nem piorar o seu ambiente de negócios, apesar de ter descido um lugar no ‘ranking’.
Na melhor posição entre os lusófonos está Portugal (com 77,4 pontos), um dos três países da CPLP que viram melhorar o seu desempenho, embora desça duas posições no ranking, para 25º. Cabo Verde encontra-se no lugar 129, Moçambique no 137º lugar, o Brasil em 123º, Timor-Leste em 175º e a Guiné-Equatorial em 163º.
São Tomé e Príncipe (162º) e Guiné-Bissau (172º) foram as duas outras economias lusófonas que viram melhorar a sua classificação no ranking “Doing Business”.
O Fundo Soberano (do MPLA) continua a sugar o erário público
O Fundo Soberano (do MPLA) continua a sugar o erário público

Os nossos (maus) exemplos

Mais de metade das 140 mil empresas registadas em Angola em 2015 estavam na província de Luanda, mas só 30% tinham iniciado actividade, segundo um relatório anual do Instituto Nacional de Estatística (INE) angolano.
De acordo com o Ficheiro de Unidades Empresariais do INE, Angola tinha em actividade no final de 2015 um total de 41.507 empresas, das quais 22.930 a operarem em Luanda.
Segundo o relatório do INE, a província de Benguela é a segunda mais industrializada do país, com 3.643 empresas em actividade, enquanto no oposto da tabela, com apenas 383 empresas, está o Cuando Cubango, no sul de Angola.
Em 2015 estavam constituídas em Angola 139.980 empresas, das quais 96.580 ainda a aguardar início de actividade, 1.692 com actividade suspensa, enquanto 273 foram mesmo dissolvidas. No ano anterior o país contava com 39.884 empresas em actividade, de um universo total de empresas constituídas de 116.894.
O estudo do INE refere 51,3% das empresas constituídas em Angola dedicam-se ao comércio por grosso e a retalho e à reparação de veículos automóveis e motociclos, com um total de 21.306 negócios em actividade.
Em termos de alojamento, restauração e similares funcionavam em Angola 4.046 empresas e na construção 2.308.
No que toca à forma jurídica, em cada 100 empresas constituídas em Angola, 55 são sociedade por quotas e 41 em nome individual, além de sociedades anónimas ou empresas públicas.

Desaceleração estrutural

OCentro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) de Angola admite que o país entrou num período de desaceleração estrutural do crescimento e que apenas crescerá a cerca de 2% ao ano até 2020.
A posição foi transmitida pelo director do CEIC, Alves da Rocha, durante a apresentação do Relatório Económico de 2015, elaborado por aquela instituição da Universidade Católica de Angola, tido como o mais relevante do género no país.
“Desde 2009, após a mini-idade de ouro de intenso crescimento económico, assistimos a uma desaceleração estrutural da economia, ano após ano. Estamos convencidos desta atenuação do crescimento da economia e neste momento não vislumbramos condições para que o país retome as taxas de crescimento do passado”, apontou o académico.
No Relatório Económico, apresentando juntamente com o Relatório Social também de 2015, o CEIC faz projecções do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) angolano até 2020, que não deverá passar uma taxa média anual “à volta dos 2 a 2,5%”.
“Pensamos que Angola está a entrar num período de desaceleração estrutural do crescimento, é uma situação de enorme preocupação para nós, no CEIC”, assume Alves da Rocha, recordando a importância do petróleo nas contas angolanas, que só em 2008 permitiu uma taxa de crescimento económico de 12,8%.
Com uma reforma tributária e outros impostos entretanto criados “insuficientes” para cobrir a quebra nas receitas petrolíferas, o economista não tem dúvidas em classificar o momento que o país atravessa: “A crise do petróleo é mãe de todas as crises em Angola”.
Entre 2002 e 2015, recordou, Angola registou “fantásticas receitas do petróleo” de 538 mil milhões de dólares (486 mil milhões de euros) e 320 mil milhões de dólares (289 mil milhões de euros) em receitas fiscais, cenário que a crise petrolífera – o crude representa cerca de 98% das exportações angolanas – veio entretanto comprometer.
“O país perdeu muitas oportunidades para melhorar substancialmente a qualidade de vida em Angola”, afirma.
Ainda de acordo com o CEIC, Angola acumulou um saldo orçamental de 33 mil milhões de dólares apesar dos recentes défices das contas públicas, como o de 06% que o Governo prevê para este ano, a financiar com endividamento público.
“Nós de facto tivemos muito dinheiro”, observou.
José Eduardo dos Santos continua a ser o dono disto tudo
José Eduardo dos Santos continua a ser o dono disto tudo
Além de uma verdadeira aposta na diversificação da economia angolana, o director do CEIC refere a necessidade de medidas para corrigir o modelo de distribuição de riqueza no país, que “está inquinado”.
Alertou igualmente, como preocupação do CEIC após a análise a todos os indicadores de 2015, para o “contágio” da crise ao sistema bancário, “que vive da concessão de crédito, actualmente com taxas de juro de 17%, e do negócio das divisas, que “simplesmente não as há”.
“O país não está em recessão, nem há nenhuma indicação que possa entrar em recessão, com os dados que temos. O mesmo não podemos dizer do PIB petrolífero”, admitiu o economista e académico angolano, director do CEIC.

Concluiu apontando que a taxa de inflação em Angola pode chegar este ano aos 50%, estando já a rondar os 40%.

Facturar nos impostos

OPrograma de Potenciação da Receita Tributária (PPRT) de Angola prevê arrecadar até mais 780 milhões de euros em 2016 com recurso a medidas estruturais de combate à fuga aos impostos e à habitual informalidade das transacções.
A informação consta de um documento de suporte à estratégia do Governo angolano para ultrapassar a crise financeira provocada pela quebra nas receitas do petróleo, prevendo um “impacto” do PPRT nas contas públicas deste ano entre 75 mil milhões de kwanzas (420 milhões de euros) a 140 mil milhões de kwanzas (782 milhões de euros).
Embora sem concretizar as medidas, o documento, elaborado pelo Governo, refere que estão previstas 25 acções tidas como prioritárias ao abrigo da execução do PPRT, desde iniciativas de “elevado valor”, “estruturais” e de “visibilidade e combate à informalidade”. De acordo com dados anteriores do Ministério das Finanças, a receita tributária não petrolífera representa já 44% do total de receita do Estado, mas a informalidade económica (negócios que não pagam impostos) em Angola ronda os 60%, colocando o país na lista dos que têm níveis mais altos na África subsariana.
Além do PPRT, o documento define igualmente a necessidade de o Governo adoptar “medidas legislativas complementares” para “promover a uniformização da tributação dos rendimentos do trabalho, o alargamento da base tributária e a promoção da equidade horizontal”.
O ministro do Planeamento e do Desenvolvimento Territorial, Job Graça, informou na altura que as contas angolanas reflectiram o efeito da crise petrolífera com o barril de crude médio exportado por Angola a ver a cotação cair de 96 dólares, em Janeiro de 2014, para 53 dólares em Dezembro de 2015.
De acordo com o governante, que falava no final da reunião do Conselho de Ministros que aprovou uma estratégia para fazer face à contínua diminuição das receitas petrolíferas, esta quebra teve como efeitos a redução da receita fiscal total angolana de 26,35% no espaço de um ano, o equivalente a mais de 850 mil milhões de kwanzas (4,75 mil milhões de euros). Passou de 4,096 biliões de kwanzas (22,9 mil milhões de euros) em 2014 para 3,242 biliões de kwanzas em 2015 (18,1 mil milhões de euros), precisou Job Graça.
O crescimento económico do país também se reflectiu e desceu dos 4,8% de 2014 para 2,8% em 2015.
O Governo projectou para 2016 um preço médio de 45 dólares por cada barril exportado, quando a cotação no mercado internacional caiu em Janeiro até aos 27 dólares, agravando os receios sobre a execução de alguns projectos, investimentos e despesa pública pelo país.
#http://jornalf8.net/

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

BRASIL: PF - Lula era o “amigo” na planilha da Odebrecht. E levou R$ 8 milhões.

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Investigações apontam que o ex-presidente, próximo ao pai do presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, tinha conta-corrente da propina.

O ex-presidente Lula

No documento em que indicia o ex-ministro Antonio Palocci por corrupção passiva na Operação Lava Jato, a Polícia Federal informa que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era identificado nas planilhas da empreiteira Odebrecht como “amigo”, “amigo de meu pai” e “amigo de EO”. O ex-presidente teria recebido 8 milhões de reais de uma “conta-corrente de propina”, como classifica a PF, mantida com a empreiteira. O valor teria sido pago entre o fim de 2012 e ao longo de 2013. 

Segundo o relatório de indiciamento da PF, há “respaldo probatório e coerência investigativa” na identificação de Lula como “amigo” nas planilhas. As provas já estão sob análise do delegado federal Márcio Adriano Anselmo, responsável pelas investigações de crimes supostamente cometidos por Lula. 

“A análise aprofundada da planilha ‘POSICAO – ITALIANO 22 out 2013 em 25 nov.xls’, no entanto, revelou que os pagamentos no total de R$ 8.000.000,00 foram debitados do ‘saldo’ da ‘conta-corrente da propina’ que correspondia ao agente identificado pelo codinome de AMIGO”, diz a Polícia Federal no indiciamento. O pai do ex-presidente Marcelo Odebrecht, Emílio Odebrecht, era o principal interlocutor de Lula na empreiteira que leva o nome da família. 

Emílio também prestou depoimentos na delação premiada da Odebrecht e, segundo publicou o jornal Folha de S. Paulo, informou aos procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato que a construção do estádio do Corinthians, em Itaquera, em São Paulo, foi um “presente” a Lula, que atribuía os maus resultados da equipe à falta de um estádio próprio, de acordo com o jornal.
 
Reprodução do relatório da Polícia Federal (PF/VEJA.com)

ANGOLA: O DISCURSO DE ALI SANTOS.

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dos-santos-copos
Presidente José Eduardo dos Santos
“Nós bombardeámo-los [aos americanos], eles fugiram, nós estamos a ir atrás deles e a dar-lhes caça.” Este era o teor do discurso do ministro Ali, responsável pelo Ministério da Propaganda do Iraque, quando lhe entraram as tropas americanas pela casa dentro. Afinal, foram os iraquianos de Saddam quem fugiu…
Algo parecido se passou no dia 17 de Outubro de 2016, no discurso que o presidente da República José Eduardo dos Santos proferiu sobre o Estado da Nação. O quadro que pintou foi róseo: “Angola está a lidar com a crise melhor do que os outros países. Exemplos disso são a baixa progressiva dos preços dos bens essenciais, da inflação e da taxa de juros.” O presidente conseguiu dizer isto sem se rir.
Não, Sr. presidente, alguém o informou mal ou está a ler o discurso de outro ano. A inflação tem estado numa subida permanente. Em Setembro de 2016 estava no limiar dos 40%. O valor mais alto dos últimos meses. A taxa de juro de referência tem sido aumentada constantemente, situando-se agora nos 16%, e só no ano de 2016 subiu três vezes. Portanto, os indicadores estão ao contrário do apresentado no discurso presidencial.
Face a estes dados oficiais, as afirmações do presidente só podem ser gozo, além de reflectirem o cartoon de Sérgio Piçarra.
Se na economia está tudo ao contrário, as afirmações produzidas noutros campos também revelam uma perspectiva vesga do estado de coisas.
A dado passo, refere-se um incremento da repressão com mais investimentos no sector da defesa e da segurança. Isso não passa de uma ameaça. Não há dinheiro. Os soldados ganham 25 mil kwanzas. Podem ter os meios mais sofisticados do mundo, mas a ganharem como semiescravos não poderão fazer muito. Aliás, basta ver as dificuldades que existem no Golfo da Guiné, onde a pirataria marítima está em expansão, de tal modo que se situa aí o novo epicentro da pirataria em África.
Curiosa é a referência às barragens de Cambambe e de Laúca. Vê-se que ocupam destaque na política presidencial e fica assim explicada, para quem tivesse dúvidas, o motivo da compra da empresa de engenharia portuguesa EFACEC pela filha do presidente, Isabel dos Santos. Este era mais um negócio familiar, que também envolveria Lula e os brasileiros na parte do financiamento. O problema é que os financiamentos brasileiros para estes empreendimentos acabaram de ser suspensos pelas autoridades brasileiras. Também aqui o presidente se enganou, e está em sarilhos.
É confrangedor verificar a disfunção existente entre a realidade e o discurso do presidente. Já faz lembrar aqueles ditadores de opereta que apareciam nos livros de banda desenhada a discursar aquilo que os papagaios tropicais empoleirados ao lado lhes diziam.
O presidente não conhece a realidade? Finge que não conhece? Ou pensa que engana todos?
O presidente faz um ataque estranho aos Estados Unidos da América. Volta à sua repisada cartilha marxista-leninista e das incoerentes ditaduras africanas, em que todos os males injustificados, todas as incompetências dos governantes e qualquer pressão da sociedade podem e devem ser sempre atribuídos aos imperialistas americanos. Trata-se do mesmo José Eduardo dos Santos que fez várias diligências para ser recebido na Casa Branca pelo presidente Obama.
Esse ataque também faz lembrar a esquizofrenia do regime quando, em 2013, a revista Forbes publicou uma investigação de Rafael Marques e Kerry Dolan sobre a origem da riqueza de Isabel dos Santos – os decretos presidenciais e as manigâncias do pai. Os arautos do regime, incluindo propagandistas portugueses, alardearam que se tratava de uma cabala imperialista contra a boa família Dos Santos. Chegou a estabelecer-se uma ligação, na mais crua das propagandas nas redes sociais, entre a revista Forbes e uma suposta filha de Savimbi, para demonstrar que essa revista não tinha qualquer valor e era um instrumento savimbista ou de George Soros. Isabel dos Santos comprou, de seguida, os direitos de publicação da Forbes em português, e já nessa altura a revista, afinal, era de grande prestígio internacional. Antes mesmo da publicação da investigação, quando a Forbes declarou Isabel dos Santos como a mulher mais rica de África, aí já gozava de prestígio mundial.
Ou seja, o presidente José Eduardo dos Santos e a sua família continuam a achar-se o centro de gravidade do mundo, enquanto o povo angolano, educado para ser servil, submisso e sem iniciativa colectiva de cidadania, aguarda pelo discurso de alforria.
Por isso, há que relembrar a célebre frase atribuída ao presidente Lincoln: “Pode-se enganar todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar todos durante o tempo todo.”
Em Angola, parece o contrário. José Eduardo dos Santos pode enganar todos durante o tempo todo. A mentalidade dos angolanos assim o permite.
#makaangola.org

«COMUNICAÇÃO SOCIAL» "A PROFISSÃO DE JORNALISTA DEVE SER EXERCIDA POR TÉCNICOS CAPACITADOS E CONSCIENTE DO PODER DA COMUNICAÇÃO" DIZ O PRESIDENTE DA REPÚBLICA.

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Bissau 24 Out 16) ANG) – O Presidente da Republica afirmou hoje que a profissão de jornalista constitui uma actividade de elevada responsabilidade e obrigações sociais, por isso, deve ser exercida por técnicos capacitados e conscientes do poder da Comunicação Social.

José Mário Vaz falava na cerimónia de abertura do Vº Encontro da Plataforma das Entidades Reguladoras da Comunicação Social dos Países e Territórios de Língua Portuguesa sob lema: A Regulação Editorial On line.

Disse que a sua presença na reunião expressa o seu reconhecimento do papel particular reservado a Comunicação Social na informação e formação de uma sociedade mais democrática nos respetivos países.

“Nos próximos dias, acredito que vão ser chamados ao debate temas como auto – regulação da profissão, o respeito escrupuloso dos códigos de ética, a independência dos órgãos, a importância do editorial online, o impacto do alcance das notícias online, os acontecimentos que podem gerar “disse.

De acordo com Mário Vaz, a auto -regulação da profissão é o caminho correto para conciliar a liberdade e a responsabilidade, salientando que o sector no país tem neste encontro uma enorme responsabilidade para troca de experiência, colher ensinamentos e estreitar laços de cooperação com as suas congéneres de países da Comunidade da Língua Portuguesa.

O Chefe de Estado frisou ainda que a liberdade de expressão e de imprensa, a semelhança das outras liberdades, são conquistas democráticas do nosso povo que devem ser preservadas e protegidas, pelo que a classe política, sociedade civil, mas sobretudo os órgãos da comunicação social devem fazer o seu trabalho de forma livre, sem serem incomodados.

O Presidente da Republica pediu o apoio de todos os participantes na reposição da verdade dos factos, invertendo a imagem negativa do país no exterior, com base no que vão ver e constatar ao longo da estadia na pátria de Amílcar Cabral.

Por seu turno, o ministro da Comunicação Social, Victor Pereira frisou que num regime democrático influenciar a opinião publica é influenciar indiretamente o poder, o que evidencia a necessidade de apropriação de padrões morais de conduta e de referência por parte da comunicação social.

Acrescenta que são esses comportamentos normalizados que as instancias de regulação compete fiscalizar.

Victor Pereira referiu que enquanto quarto poder, a média têm uma função de exprimir a voz dos cidadãos, tendo questionado em que medida a comunicação social é tão necessária à democracia, ou então qual o impacto que ela tem sobre a opinião pública.

“Os jornalistas têm pois, um poder extraordinário, constatamos, no entanto, que eles nem sempre são independentes e podem ser influenciados pelo poder financeiro ou então sofreram a pressão dos órgãos para os quais trabalham ou ainda dos partidos políticos “disse.

O Presidente do Conselho Nacional da Comunicação disse que a presença dos órgãos da soberania no evento mostra o interesse e a preocupação que têm quanto aos desafios que o sector da comunicação social enfrenta nesta fase em que se assistem profundas transformações nesta área essencial da convivência colectiva.

Ladislau Embassa lembrou que o legislador guineense, quer no plano constitucional quer no plano da legislação estabeleceu um quadro jurídico propício ao livre exercício da liberdade de imprensa e de expressão e que se ajusta as exigências do Estado de direito.

“O défice de recursos humanos qualificados e a carência de ordem técnica e financeira constituem grandes obstáculos ao bom desempenho da Comunicação Social guineense”, afirmou.

Embassa salientou que a criação de uma instituição de formação de qualidade para os jornalistas, bem como a adoção de um fundo para o sector como acontece em alguns países da nossa comunidade, poderiam constituir medidas interessantes se se quer assegurar a qualidade de informação e a sustentabilidade dos órgãos da Comunicação nacionais.

O encontro hoje iniciado deve decorrer até a próxima quinta-feira e conta com as presenças das autoridades de regulação da Comunicação Social dos países da CPLP.

ANG/MSC/SG com Conosaba do Porto

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Guiné-Bissau - Acordos de Conacri apontam novos caminhos para o País.

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Guiné-Bissau: Novo Primeiro-Ministro terá que ter a confiança do Presidente diz José Mario Vaz.
Os guineenses vão conhecer o nome do novo Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau assim que o Chefe do Estado, José Mário Vaz regressar de Cabo-Verde, onde vai assistir a investidura do Presidente Jorge Carlos Fonseca, prevista para o dia 20 deste mês.
José Mário Vaz que regressou ontem à Guiné-Bissau após uma viagem ao Togo e a Portugal, disse aos jornalistas que o novo Chefe do Governo terá que ter a confiança do Presidente da República e ser de consenso entre Partidos com assento parlamentar a fim de garantir a aprovação do Programa e do Orçamento Geral do Estado.
Entretanto o PAIGC ontem em conferência de imprensa disse que vai apoiar o nome de Augusto Olivais para o cargo do Primeiro-Ministro. Augusto Olivais foi um dos 3 nomes apresentados em Conacry, onde decorreram a semana passada, negociações entre as partes desavindas na Guiné-Bissau. Foi a convite do Presidente da Guiné-Conacri, Alpha Condé, que garantiu a mediação.
Ali chegaram a um acordo articulado em 10 pontos para a saída da crise. Antes de mais, a nomeação de um novo Primeiro-Ministro para governar até eleições de 2018. Esse novo Primeiro-Ministro deve ser uma figura de "consenso" entre os partidos representados no Parlamento e de "confiança"  do Presidente da Guiné-Bissau José Mário Vaz.
Os nomes indicados foram de Augusto Olivais, membro do Comité Central do PAIGC e Deputado da Nação, João Aladje Fadiá, que é o Diretor Nacional do Banco Nacional dos Estados de África Ocidental e Umaru Sissoko uma figura do Presidente da República.
As partes signatárias dos "Acordos de Conacry" concordaram em fazer reformas da Constituição, da Lei dos Partidos Políticos, da lei eleitoral e prosseguir com as reformas no sector da defesa e segurança da Guiné-Bissau.
Comprometeram-se ainda em fazer uma mesa redonda 30 dias após a nomeação do novo Primeiro-Ministro para discutir o Programa do Governo, criar um "Pacto de Estabilidade" e estabelecer um programa de desenvolvimento assente na Visão “Terra Ranka” (Terra, arranca), apresentada na mesa redonda em 2014.
No quadro do mesmo acordo os 15 deputados expulsos do PAIGC vão ser reintegrados sem condições Prévias.
Os Acordos de Conacry foram assinados pelo PAIGC que tem a maioria no Parlamento (57 deputados) pelo Partido da Renovação Social (PRS com 41), pelo Partido da Convergência Democrática-(PCD com 2 deputados), pelo Partido da Nova Democracia (PND com um lugar) e  pela União para a Mudança também com um assento no Parlamento – informa a nossa correspondente em Bissau, Indira Correia Baldé.
#http://pt.radiovaticana.va/

ENTREVISTA: "O Brasil é o país mais racista do mundo".

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A ex-consulesa francesa Alexandra Loras sofreu com o preconceito racial no Brasil desde que se mudou para cá, em 2012, mas se encantou com os brasileiros e decidiu ficar 

Por Diego Braga Norte



A francesa Alexandra Loras mudou-se para São Paulo quando seu marido Damien tornou-se cônsul francês no Brasil. No início de setembro, ele deixou o cargo, mas a família decidiu permanecer no país. Aos 39 anos, a jornalista, professora e ativista faz duras críticas ao preconceito racial no Brasil, que ela considera o país mais racista do mundo, mas é otimista: "O Brasil tem meios para se transformar na maior potência mundial." Em entrevista a VEJA, Alexandra falou sobre cotas raciais, sobre as diferenças culturais com a França e sobre como é ser uma estrangeira negra em meio à elite brasileira.
Existe raça? É possível classificar seres humano por raça? No sentido biológico não, somos todos humanos. Mas no sentido social há sim. Estamos presos nessa imagem de democracia racial e da mestiçagem, mas ao mesmo tempo reconhecemos que o preconceito por causa da cor da pele existe. O racismo é real e é um problema, então parece evidente que há um conceito de raça disseminado na sociedade.
Você é a favor das cotas? É muito confortável para o branco falar em meritocracia, dizer que somos todos iguais e ser contra as cotas. Mas em 127 anos após a fim da escravidão, a sociedade brasileira ainda não resolveu seus problemas de forma orgânica, natural. As cotas são humilhantes, mas são necessárias. É uma etapa para reequilibrar a sociedade.
Você acredita que a política de cotas brasileira está no caminho certo? Tanto as cotas raciais como as sociais no Brasil são tímidas, baseadas em porcentagens estatísticas. Se tivesse uma lei de cotas de verdade, teriam de ter 50% de alunos pobres, pardos e negros nas universidades e escolas particulares, boards executivos de empresas, na escola Saint Paul, no Liceu Pasteur, não só nas universidades.
Mas como aplicar as cotas em um país mestiço como o Brasil? Eu entendo que a autodeclaração é um assunto complexo, com margens para muitos questionamentos, mas é ainda a melhor forma para as pessoas se assumirem negras, pardas, brancas. No resto do mundo, pardos são vistos como negros. Nos EUA e na França, quem tem uma gota de sague negro é considerado negro, o que é uma bobagem. Aqui o conceito é mais difuso, conheço pessoas que são filhos pais negros e não se consideram negros. Eu mesmo, aqui no Brasil, sou muitas vezes chamada de morena. No resto do mundo, pardos são vistos como negros. Ser negro ou pardo não é apenas uma questão de cor da pele, é uma consciência. E isso deve ser respeitado.
Poderia se explicar melhor, dar um exemplo? Tenho uma amiga negra que teve uma filha e no hospital escreveram no registro que a bebê era branca. Minha amiga questionou, falou que sua filha era negra como ela. A funcionária do hospital disse que escreveu branca porque ‘queria fazer um favor’. A autodeclaração e a consciência têm de ser respeitadas. Meu filho tem a pele clara e ainda não sei como ele vai se definir na sociedade, se vai se declarar negro, branco ou pardo. É um assunto que precisa ser abordado com cautela, pois entra muito na vida íntima das pessoas, na identidade. Mas sabemos também que autodeclaração pode ser uma defesa. Há pessoas negras que se declaram como pardas e há pardos que se declaram como brancos. Alguns creem que assim, embranquecendo sua identidade, serão mais respeitados.
Num país miscigenado com a tradição de autodeclaração racial, são seria melhor fazer cotas por critério econômico? Ser pobre no Brasil é muito difícil, mas ser pobre e negro é muito, muito, muito mais difícil. As cotas têm de ser econômicas e raciais. Esse discurso da democracia racial brasileira é bonito, mas não é real. Não há 50% de negros ou pardos protagonistas em nenhuma área da sociedade, na política, na televisão, na direção das empresas. Não vamos conseguir superar os quase 400 anos de escravidão sem políticas de inserção de negros e pardos pobres em todos os setores da sociedade. É uma reparação para equilibrar a sociedade. Basta olhar a sociedade brasileira, que 128 anos depois da abolição ainda é extremamente desigual.
Há relatos da dificuldade de alunos cotistas acompanharem o nível dos estudos. Não é o caso resolver primeiro o problema da educação básica para que as diferenças de formação entre negros, pardos, brancos, amarelos e índios desapareçam? Creio que os dois têm de caminhar juntos, a melhoria na educação e as cotas. Pois não é só um problema de qualidade de educação. Na França, os negros e árabes estudam nas mesmas escolas dos brancos e lá eles também sofrem preconceito por seu tom de pele. O racismo é algo que está entranhado na sociedade, que se reproduz em diferentes locais, aspectos e escalas.
Por que para combater o preconceito, é preciso estimular uma consciência racial? O orgulho pela miscigenação nacional passe a ser um empecilho nesse objetivo? Não é preciso, mas sei que muito pensam assim. Muitos ativistas negros não querem nem se relacionar com brancos; e essa postura é errada. O branco de hoje não é responsável pela escravidão, mas tem responsabilidade em equilibrar a sociedade em que vive. Esse orgulho é relativo, pois ao mesmo tempo em que o brasileiro gaba-se da miscigenação e da suposta democracia racial, não há 50% de negros ou pardos protagonistas em nenhuma área da sociedade, na política, na televisão, na direção das empresas.
Você já disse em outras oportunidades que considera o Brasil o país mais racista do mundo. Continua pensando assim? Sei que essa colocação é um pouco violenta para os brasileiros que gostam de se ver morando em um país onde a democracia racial deu certo. Mas o Brasil é o mais racista porque tem a segunda maior população negra do mundo e isso não é refletido na sociedade. Nos EUA têm quase 13% de negros e muitos dizem que é o mais racista do mundo, mas lá eles têm um presidente negro e muitos negros na mídia, no show business, no Congresso, médicos, advogados, executivos. Morei quase quatro anos nos EUA e em três cidades americanas, Washington, El Paso e Los Angeles, e nunca me senti discriminada lá. Aqui eu me sinto todos os dias, basta eu andar umas quadras e ir ao shopping.
"As cotas são humilhantes, mas necessárias. É uma etapa para reequilibrar a sociedade"
 
Poderia dar exemplos de situações em que se sentiu discriminada? Já passei por muitas situações. Fui barrada em um hotel cinco estrelas de Salvador por ser negra, minhas bagagens sempre são revistadas nos aeroportos, também sou questionada por não estar de branco em shoppings aqui em São Paulo e isso é frequente. Meu filho tem a pele clara e muitas vezes já fui tratada como a babá dele. Já fui barrada no clube Pinheiros em São Paulo porque levei a carteirinha do meu filho e esqueci a minha. Aí a funcionária ficou procurando meu nome no cadastro das babás e não dos sócios. Falo com sotaque e uso roupas de grife, mas muitas pessoas só olham para a cor da minha pele.
E na França? Também sou discriminada lá. Uma das perguntas que mais escuto lá é: “Você é ‘francesa-francesa’ mesmo?” Como assim? ‘Francês-francês’ é branco e francês-sei-lá-o-que’ é negro? Por eu ser negra não sou francesa? Já passei por isso muitas vezes, com funcionários públicos, resolvendo burocracias administrativas, nas ruas. Não sou reconhecida como francesa por ser negra e isso me incomoda demais, mexe com minha identidade. Sou francesa e negra. Lá, por lei, não há estatísticas raciais para saber a porcentagem de brancos, negros, pardos e asiáticos na sociedade. Isso é um erro isso, deseduca a população. A França tem territórios ultramarinos, Guiana Francesa e Martinica, por exemplo, que são majoritariamente negros. Assim como Portugal e Inglaterra, por causa do passado colonizador, a França também tem famílias negras que já moram há muitas gerações no país.
Mesmo com o racismo presente na sociedade brasileira você decidiu ficar. Por quê?O racismo nunca foi protagonista da minha experiência, senão não teríamos ficado aqui. Meu título de consulesa me deu um palco que nunca tive em outros países em que eu morei. Talvez parte da sociedade e da imprensa tenham se interessado por mim porque uso os mesmos códigos da elite. Mas eu poderia ter usado esse espaço e sido convidada a falar de gastronomia francesa, moda, arte contemporânea, turismo, vinhos, podia ter seguido essa linha, mas me deram espaço para falar de racismo, de identidade. Para mim foi uma justiça restaurativa. Se eu fui inferiorizada toda minha vida, o Brasil me deu uma voz que tem ressonância e pode fazer alguma diferença.
Além desse espaço que você conquistou, o que mais a atraiu? O Brasil mexeu muito comigo. Comecei a estudar e descobri muitas figuras negras brasileiras fantásticas, o Machado de Assis, o André Rebouças, o Theodoro Sampaio. O país me deu uma dignidade para eu me assumir como mulher negra em uma sociedade desigual, e isso é importante. Na França, eu apresentava um programa de TV, mas só falava de assuntos que tinham a ver com a pauta do meu show, não expressava tudo o que queria. Nunca me convidaram para falar sobre identidade, então fiz um mestrado sobre a falta de representação dos negros na mídia francesa no Institut d'Études Politiques de Paris, [o Sciences Po, uma das faculdades de política mais respeitadas do mundo]. Lá eu estudei o assunto e aqui eu posso falar sobre e fazer algo para mudar isso.
Você é famosa por ter um discurso conciliador e otimista... Não bato de frente, uso um pouco de diplomacia, de dança, para me livrar de situações embaraçosas e criar pontes, abrir portas. Meu discurso é mais digerível que o de muitos militantes negros radicais. Mas claro que não posso me expressar em nome das mulheres negras brasileiras. Só posso me expressar em meu nome, Alexandra Loras, negra francesa.
Você não tem medo de virar um clichê? Tipo a gringa que veio visitar e não quis mais sair do Brasil? Cair no cliché não me importa porque como estrangeira eu enxergo coisas nos brasileiros que muitas vezes eles não conseguem ver. Uma das coisas que mais me chama a atenção na cultura brasileira é o chamado complexo de vira-latas, que faz com que o brasileiro precise ir morar fora para se dar conta do quanto ele tem empatia, orgulho, compaixão e conexões com o Brasil. É algo que está no ser, na alma. Isso faz com que o brasileiro seja muito sensível.
Essa sensibilidade é a característica que você mais admira nos brasileiros? A sensibilidade e a alegria. Olhe o meu país, a França, onde a infraestrutura é maravilhosa e tudo funciona. Mas nós estamos sempre reclamando. Os brasileiros estão passando por uma crise política e econômica difícil, têm buracos nas ruas, um sistema educacional que pode ser melhorado e muitas outras deficiências, mas estão ligados ao presente, ao que têm agora, e ficam felizes com pouco. E os brasileiros não enxergam esse otimismo e essa alegria como algo fantástico. Eu acho mais importante crescer num país com problemas, mas com uma sociedade mais alegre e mais informal, do que crescer num país rico com uma população que toma antidepressivos. A França é o segundo país que mais consome antidepressivos do mundo. Uma pesquisa identificou que nosso nível de felicidade é igual ao do Afeganistão.
Falando em clichês, você acredita que o Brasil é o país do futuro? Sim, o Brasil é o país do futuro. E creio que será o primeiro, na frente de todos os outros. As pessoas têm ainda certa arrogância e olham o Brasil como um país de terceiro mundo, mas para mim, o país tem meios para se transformar na maior potência mundial. É uma das dez maiores economias do mundo, isso pelas fontes oficiais, sem contar o dinheiro da corrupção. Para mim, o maior problema do Brasil é não enxergar e valorizar seu próprio potencial. O Brasil tem uma quantidade enorme de talento e capital humano que não é usado. Há falta de planejamento econômico, faltam projetos sérios para o país.
Poderia dar um exemplo concreto desse seu otimismo com o Brasil? Os brasileiros são muito flexíveis e adaptáveis, estão muito mais preparados para questionar, criticar e evoluir como sociedade. E creio que aqui o povo está quase pronto para entrar e abraçar uma nova era, mais humana e justa. Vejam a preparação do Carnaval carioca. Acontece tudo na hora, é super organizado. É a maior e mais bela produção criativa mundial e é feito por quem? Por famílias que chamamos de carentes, que moram em comunidades pobres. Eles têm um talento, um potencial que não é plenamente usado. Quantos Beethovens brasileiros nunca foram apresentados a um piano?
Foto: Alexandre Schneider/VEJA
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"Não podemos ficar agarrados à nostalgia da língua", diz secretário-executivo da CPLP.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

O secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Murade Murargy, afirmou, em Lisboa, que a organização deve traçar, para a próxima década, políticas de cooperação entre os países nas áreas de educação, agricultura, energia e turismo. Na opinião do diplomata moçambicano, seguir à risca a aplicação do acordo ortográfico não é uma prioridade.



Lisboa - O secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Murade Murargy, afirmou, em Lisboa, que a organização deve traçar, para a próxima década, políticas de cooperação entre os países nas áreas de educação, agricultura, energia e turismo. Na opinião do diplomata moçambicano, seguir à risca a aplicação do acordo ortográfico não é uma prioridade.
"A língua é muito importante, não há dúvida nenhuma, e é nossa obrigação difundi-la, promovê-la, internacionalizá-la. Mas não podemos ficar apenas agarrados à nostalgia da língua. A língua é um meio de transmissão de conhecimento, de negócios, do comércio, do investimento. Eu, por exemplo, não me preocupo se estou a aplicar [o acordo ortográfico] ou não. Se as pessoas me entendem, vamos em frente", disse Murargy, em entrevista à Agência Brasil.
Para o secretário, que estará em Brasília no fim de outubro por ocasião da XI Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a CPLP está cada vez mais visível no contexto internacional. Uma série de países, como a Índia e a Austrália, se candidataram, inclusive, para serem observadores da Comunidade.
"Nós, os países-membros, não nos olhamos ao espelho para ver quão interessante somos. Os outros é que olham para nós e veem a importância que nós temos no cenário internacional. O potencial econômico, os recursos naturais que nós temos... Eles [os países observadores] querem ter acesso a nossas negociações sobre comércio e investimento. Todo mundo quer aprender português, sobretudo por causa dos países africanos. Hoje a Turquia está na África. A China e a Índia estão na África. Estão todos a correr para a África para desenvolver negócios".
Segundo Murargy, que serviu como embaixador de Moçambique no Brasil por seis anos e meio, é preciso que os países-membros da CPLP redefinam os objetivos da organização, tendo em conta seu potencial econômico e seus recursos naturais.
"Todos os países da CPLP têm uma capacidade energética muito forte. É preciso traçar políticas para exploração desse recursos em benefício dos nossos próprios povos. Na agricultura é a mesma coisa. A larga experiência do Brasil, através dos conhecimentos que a Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] possui, pode ser transmitida a outros países que também têm capacidade para produzir alimentos. A próxima guerra vai ser por alimentos. E nós temos a capacidade de minimizar os grandes deficits de alimentos no mundo".
No entanto, para Murargy, o maior dos desafios que a Comunidade enfrenta é na área da educação e do desenvolvimento humano. "Os países, sobretudo da África, ainda têm um grande deficit na área de educação, inclusive na educação de base, e é preciso eliminar o analfabetismo para que não haja um cidadão que não saiba ler, escrever, fazer contas".
A respeito do Brasil, Murargy disse que o país está buscando o equilíbrio entre as prioridades internas e o compromisso que tem com as comunidades, como a CPLP e as Nações Unidas.
"É preciso ter em conta que o Brasil é um vasto continente e, apesar de ter muitos recursos, é um país em desenvolvimento. Um país que luta para resolver seus problemas de base, como pobreza, educação, saúde, habitação. Então o Brasil interessa-se [pela CPLP] na medida do que é possível. Assim como outros países, como Angola e Moçambique, dá prioridade obviamente à resolução dos problemas internos. Os problemas da Comunidade ficam sempre em segundo ou terceiro plano".
Acordo Ortográfico
"Quanto ao acordo ortográfico, muita gente não está de acordo, há muitos intelectuais, jornalistas, que não aplicam pois acham que não traz vantagens. Não há uma unanimidade sobre se valeu a pena ou não o tanto de dinheiro que se gastou. As implicações financeiras da aplicação do acordo são grandes. A alteração dos manuais escolares, por exemplo, sobretudo nos países africanos, que não têm capacidade financeira para mandar alterar tudo. Acredito que devemos concentrar-nos no que é fundamental para permitir que os outros [países-membros] possam se desenvolver".
Futuro da CPLP
"Eu gostaria que a CPLP resolvesse um grande problema, que é a questão da mobilidade do cidadão no espaço da Comunidade. Sobretudo em grupos identificados, que são os empresários, jornalistas, artistas, desportistas, estudantes, investigadores, pesquisadores. A este grupo podíamos começar a dar uma porta de saída para circular no espaço, enquanto os países se organizam, para que a abertura seja total para os outros cidadãos. Isso seria um grande avanço nos próximos dez anos. E isso tem implicações na questão da educação, dos intercâmbios de conhecimento entre estudantes de Portugal, Brasil, Moçambique... Porque esses são os cidadãos que vão transmitir a imagem do que é a CPLP, deste sentimento de pertença à CPLP".

"Eu vejo que, se houver vontade política, e espero que em Brasília os chefes de estado reafirmem a sua decisão de que a CPLP é uma organização para todos os nossos povos, é possível dar um impulso para que continue a crescer cada vez mais. Eu acredito que é um grande instrumento que temos para nos posicionarmos a nível internacional. Hoje já somos incontornáveis, mas podemos ser mais se mostrarmos um empenho em que essa organização cresça", afirmou o secretário executivo.
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O GOVERNO PORTUGUÊS DEU NÃO OBJECÇÃO AO NOME DE HÉLDER VAZ PARA EMBAIXADOR DA GUINÉ-BISSAU EM PORTUGAL.

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Embaixador da Guiné-Bissau em Portugal. 

Depois deste trâmite exigido da diplomacia só falta agora o decreto oficial do Presidente da RepúblicaJosé Mário Vaz para se confirmar essa intenção. O Presidente deverá estar a espera da formação do novo governo para poder avançar com o decreto de nomeação de Vaz. O novo embaixador Vaz é um politico competente mas não é diplomata de carreira. Que Deus lhe dê a sabedoria necessária para representar bem a Guiné.

Antes do final de ano Hélder Vaz deverá estar em Lisboa nas suas novas funções.

Conosaba com //guineendade.blogspot.pt/

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

GUINÉ BISSAU: «BIOGRAFIA» O PERCURSO ACADÉMICO DESCONHECIDO DO DR. ÚMARO SISSOCO.

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Umaro Mokhtar Sissoco Embalo, nascido 23 de setembro de 1972, em Bissau, é um político da Guiné-Bissau, especializado em questões africanas e do Oriente Médio. Um perito reconhecido a nível internacional em relação a aspectos de cooperação e de desenvolvimento da defesa.

Ele tem uma experiência política sólida através de responsabilidades que adquiriu nos vários governos da Guiné-Bissau.

-Bacharel em Relações Internacionais (Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa-ISCSP-UTL).

-Mestrado em Ciências Sociais e Políticas (Instituto de Estudos Internacionais da Universidade Complutense de Madrid)

-Formação de Estudos da Defesa Nacional no Centro de Defesa Nacional da Espanha (CESEDEN) um fugiat quo voluptas nulla pariatur.

-Experiência adquirida no Centro de Estudo e Pesquisa Escola Militar em Madrid.

-Training Para o Centro de Inteligência e Segurança estratégico europeu na Bélgica

-Formação em Defesa Nacional: Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS), Tel Aviv Israel.

-Estudos Africanos da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo
Cursos de liderança - Instituto JFK de Governo (Harvard).

-Estudos do Oriente claro -Universidade de Tokyo das Nações Unidas (Japão).

-Estágio no Centro de Estudos Diplomáticos e Estratégia de Paris (CEDS).

LANGUES
-Português 100%
-Espanhol 100%
-Inglês 60%
-Francês 60%
-Árabe 40%
-Swahili 40% 

COMPÉTENCES
-Cooperação, desenvolvimento e resolução de crises
-Protegendo os fluxos em África
-Geopolítica
-Especialista em estudos africanos e do Oriente Médio
-Prevenção de riscos

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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

UM GUINEENSE FALANDO PARA OS GUINEENSES: CARTA DE REFLEXÃO POLÍTICA.

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A GUINÉ-BISSAU E O
LETRAMENTO POLITICO

                                      JOAQUIM AGOSTINHO DA SILVA 

Caros irmão guineenses,
Sinto um dever patriótico e de cidadania em dirigir esta minha mensagem de reflexão sobre a críse política vigente que vem assolando o país e mantendo os políticos o povo da Guiné-Bissau, já há um ano, sob o obscurantismo, após a tão almejada esperança advinda com as eleições presidenciais e legislativas de 2014.

Caros irmãos guineenses,
É minha convicção, e acredito ser também de todos os guineenses, que para se resolver uma crise, quer política, quer social em primeiro lugar, seria preciso compreendê-la, avaliá-la, criando assim um esquema mental e definindo etapas ou caminhos para obter solução.
Por conseguinte, seriam lançadas as bases propícias para consecução de um consenso plausível.
 Os conflitos têm melhor perspetiva de solução quando o bom senso leva as partes a se esforçarem minimamente em reconhecer a razão da adversária, mas eles podem agravar-se quando as emoções, a falta de visão ou má-fé impedem qualquer reconhecimento das causas e motivações da outra parte.O nosso erro na resolução de qualquer conflito, reside-se na forma como importamos análises acerca da cultura política democrática, o que gera a controvérsia com as nossas leis, histórias e contexto.
Carosirmão guineenses,
Completamos 43 anos da nossa independência: uma independência em que muitos atores políticos não perceberam ainda, que quem quer liderar na sociedade deve perceber que a luta pela liberdade ou luta de libertação nacional não tem limites porque a sociedade não para de evoluir e de se renovar.
Esta luta não se esgota com a independência nacional, uma bandeira e um hino para logo continuarcom a "incivilidade nacional", (mentiras, intrigas, ódios, arte factos e/ ou assassinatos). Mas devemos perceber que o desenvolvimento é a tarefa mais difícil, que temos pela frente, como dizia Amílcar Cabral.
Conquistada a independência o povo da Guiné-Bissau não pode permitir opressão de partidospolíticos, de indivíduos ou grupos, ou outras formas de criar divisão ou clivagens no seio da sociedade.
Estes 43 anos da nossa independência deveria servir de reflexão, hoje, sobre os nossos percursos políticos, nossas açções e para pedir desculpas a este povo marginalizado e cegadoe os heróis da nossa independência (admitir que falhamos), não alegrar com a situação de pobreza extrema e morte lenta que o povo vive enquanto, os outros ainda manipulama verdade dessa independência e/ ou tornar o próprio colonizador do povo.
 Devemos repensar a qualidade da nossa democracia, refletir numa nova pedagogia cívica, aliás, na redemocratização das instituições, e fazer o povo perceber: o que é a política, a democracia,voto,soberania, direitos e deveres docidadão, programa do governo, e ainda o mais importante, contar ao povo o porquê é necessário à sua participação na vida política e como se faz o agendamento políticodos problemas sociais. Assim sendo, pode-se mesmo dizer que há manifestação renovada nas instituições. Na base de valores e princípios democráticos, onde o povo usufruirá, dos seus direitos básicos, como: á educação,saúde,informação, justiça, sendo pilares da matriz da cidadania.
Por isso venho através desta carta desafiar, os partidos políticos, instituições da república e o povo em geral que, para que consigamos a paz, a estabilidade e o desenvolvimento, os políticos precisam de uma NOVA ERA, o chamado,LETRAMENTO POLÍTICO. O letramento político não passa somente em saber, assinar o seu nome, ir ao domínio de escrita, domínio de tecnologia etc, mas sim, saber interpretar as instituições democráticas, respeitar as leis da república, símbolos, valores e princípios democráticos, ter competência e conhecimento democrático, saber unificar vontades e consciências. Isso passa em ter sentimentos positivos, de orgulho. Até o negativo de vergonha. Porque o orgulho está muito centrado no imaginário do "povo".
É o compromisso de cada um de nós, com o nosso letramento político, que garantirá a construção permanente de uma sociedade democrática, uma sociedade em que sejamos livres, iguais, participativos, responsáveis e solidários, compreendendoliberdade como capacidade para ação, igualdade como acesso para todos aos bens e serviços básicos de forma a proteger a dignidade humana, participação como a necessidade de contribuir para o interesse público, responsabilidade por si mesmo, pelos outros e pelo futuro do mundo, e solidariedade entre as pessoas transcendendo barreiras políticas, culturais e sociais.
O letramento político, não devemos esquecer, é um aprendizado que se faz pela democracia e em democracia. Logo, a democracia precisa ser um discurso e ao mesmo tempo uma prática de todos nós individual e coletivamente, todos os dias e em todos os lugares.
É muito importante que o povo tenha liberdade de participação na democracia e isto significa que tem que ser uma prioridade o combate á ignorância, de mesmo modo que é prioritário o letramento politico.
O povodeve ser educado e esclarecido de forma a poder decidir conscientemente (voto de qualidade), apoiar quem entende que melhor vai defender os seus interesses. Não aqueles que fazem "marketing" ou tenha mais meios de distribuir dinheiros de proveniências duvidosas, comida, bebida, camisolas, etc.
As eleições só podem ser realmente livres e justas nas populações esclarecidas e os eleitos só devem estar seguros disso nestas circunstâncias. Só pode dormir sem sobressaltos aquele que for eleito por um povo instruído e esclarecidoe que participa na vida política e nas tomadas de decisões. Por isso, chamo a nossa democracia de disfuncional!Por uma simples razão:POR CAUSA DA CRISE DA CIDADANIA.Nós somos bons em sonhar, mas não somos bons em cumprir àsregras dos jogos políticos.
O poder só pode ser exercido de forma pacífica e equilibrada se a força e a razão estiverem do seu lado e tiver apoio de liderança do povo.
Nesse caso, defendemos que “vida política” e “vida pública” devem ser entendidas em um contexto mais amplo do que aquele que normalmente associamos ao adjetivo político.

Caros irmãos guineenses,
O nosso problema tem aver com duas situações:
1ª A falta de educação (analfabetismo gritante)
2ª A pobreza estrema.
Por isso, a paz, e a tranquilidade e o desenvolvimento do país é de responsabilidade de todos, dos dirigentes e dirigidos. Todos devemos buscar a forma de cooperar para luta contra a pobreza e necessidade extrema, porque elas podem provocar a descida da consciência da cabeça para bariga e fazer-nos passar então a viver num autêntico inferno. O perigo disso é que o povo pode passar a votar com a bariga, os juízes podem passar a decidir com bariga, os jornalistas podem passar a dar informação com a bariga, os militares podem passar a defender bariga e não a pátria e a soberania, e a elite social pode passar a pensar e a decidir políticas públicas com a bariga, as crianças podem passar à não respeitar os pais, por causa da bariga, os professores podem passar a ensinar com à bariga, os médicos podem passar a tratar os pacientes com à bariga.Assim então ficam garantidas todas as condições de segurança para a corrupção, o nepotismo, e os tráficos ilícitos passarem a governar, e para a trapaça, vigarices, assaltos, roubos e companhia limitada passarem a ditar as leis à sociedade (como diz um compatriota na diáspora). E quando o povo perde completamente a cabeça, porque a consciência já desceu toda para a bariga, não vai haver quem resista a fúria, porque ninguém vai estar à salvo, nem políticos, nem militares, nem ninguém.
Caros irmão guineenses,
Para terminar quero dizer-vos para terem coragem e esperança, que um dia tudo há-de mudar. Para que isso, mude é preciso exigir os nossos governantes o respeito pelo nosso voto.
Uma coisa eu tenho a certeza, e é bom percebermos isso: nós, não estamos, condenados a viver na corrupção, intriga, odio, nepotismo e vingança, mas, estamos condenados a viver na unidade nacional e na luta contra à nossa fraqueza que é a corrupção. Porque somos um povo, com valores, padrões ético-culturais e morais capazes de unificar vontades e consciências.Ontem, unimos e lutamos contra o colonialismo, para conseguir a nossa independência, hoje, somos chamado de novo, para lutar, contra comportamentos negativos dos nossos políticose de analfabetos funcionais.
MUITO OBRIGADO!

JOAQUIM AGOSTINHO DA SILVA

PROFESSOR DE COMUNICAÇÃO E JORNALISMO
NA UNIVERSIDADE LUSÓFONA DA GUINÉ


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