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MACKY SALL EM BASSIROU DIOMAYE FAYE: Uma visita num contexto de cálculos políticos

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... Dois anos depois de deixar a capital senegalesa no final do seu segu...

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Diplomacia: Petróleo senegalês - os russos de Lukoil desembolsaram 200 bilhões de francos CFA.

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A British Cairn Energy vendeu seus interesses à Lukoil russa, por 400 milhões de dólares, ou 200 bilhões de francos CFA, em troca da venda de toda a sua participação (40%) nos blocos offshore Rufisque, Sangomar e Sangomar Deep (RSSD ), cujo principal ativo é o projeto Sangomar.

Mas, de acordo com Woodside, cujos comentários são relatados por Walf Quotidien, a transação deve ser submetida à joint venture e validada pelo estado do Senegal.

De fato, Woodside diz que está considerando todas as opções, pois tem os direitos de expiração e aprovação.

Com efeitos retroativos a partir de 1º de janeiro deste ano, essa operação deve resultar no pagamento de no mínimo US $ 250 milhões, na forma de dividendos aos acionistas, após a conclusão final do contrato esperado para o quarto trimestre deste ano. , afirma Cairn Energy.

fonte: seneweb.om

Senegal: Caso TikTok - Donald Trump quer "uma porcentagem" se vendido à Microsoft.

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O presidente dos EUA anunciou na segunda-feira que dará ao aplicativo chinês TikTok 45 dias para vender suas atividades nos Estados Unidos, sob pena de bani-las em 15 de setembro. No dia anterior, a Microsoft expressou oficialmente seu interesse nesta operação.

O impasse entre Washington e Pequim sobre o TikTok parece ser moderado. O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou na segunda-feira, 3 de agosto, que havia dado ao aplicativo chinês TikTok, de propriedade da ByteDance chinesa, 45 dias para vender suas atividades nos Estados Unidos, sob pena de proibi-las.

"Ele será fechado em 15 de setembro, a menos que a Microsoft ou outra empresa possa comprá-lo e encontrar um acordo", acrescentou.

O presidente dos EUA disse que não se opôs à Microsoft comprar essas atividades. No dia anterior, o grupo fundado por Bill Gates expressou oficialmente seu interesse nessa operação.

"Os Estados Unidos terão que receber uma porcentagem substancial do preço", insistiu Donald Trump, porque "tornamos esse sucesso possível". "É como um senhorio e um inquilino: é o arrendamento que dá valor. Nós somos o arrendamento, de certa forma", explicou.


O princípio da compensação financeira para o Tesouro durante uma aquisição é incomum e geralmente reservado para crises. Recentemente, as principais companhias aéreas americanas concordaram em indenizar o contribuinte em troca de auxílio estatal para lidar com a pandemia de coronavírus.

Negociações em andamento

Em um contexto de tensões políticas e comerciais com a China, Washington acusou por meses a interface de ser usada pela inteligência chinesa para fins de vigilância. O TikTok sempre negou firmemente qualquer compartilhamento de dados com Pequim.

Na noite de sexta-feira, o inquilino da Casa Branca declarou querer proibir a aplicação de compartilhamento de vídeos leves e se opor à sua aquisição por um grupo americano. Mas no domingo, ele conversou com Satya Nadella, chefe do grupo Microsoft, que está liderando as negociações para comprar a filial americana da TikTok de sua controladora.

Após a discussão, o chefe do grupo de TI confirmou que continuaria as negociações para um acordo até 15 de setembro, o mais tardar.

Essa aquisição das atividades americanas do aplicativo de vídeo muito popular, que reivindica 100 milhões de usuários americanos, permitiria que a Microsoft se tornasse uma concorrente séria dos gigantes de mídia social Facebook e Snap.

O grupo está em desacordo com o CFIUS

Por seu lado, o grupo chinês ByteDance não confirmou publicamente a realização de discussões com a Microsoft.

Mas em uma carta interna, enviada aos funcionários na segunda-feira e que a Reuters pôde ler, o CEO e fundador da ByteDance, Zhang Yiming, explica que a empresa iniciou discussões com um grupo de tecnologia cujo nome ele não mencionou. , a fim de abrir caminho "para que continuemos a trazer o aplicativo TikTok para os Estados Unidos".

Ele ressalta, no entanto, que o grupo chinês discorda da posição do Comitê de Investimentos Estrangeiros nos Estados Unidos (CFIUS), o órgão federal que considerou essencial uma alienação completa das atividades americanas da TikTok devido a ameaças a segurança nacional.

fonte: seneweb.com


Embaixador da China deixa Dakar após 5 anos de serviço.

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Zhang Xun, embaixador da República Popular da China está saindo de Dakar, onde ele estava no cargo há 5 anos. O diplomata se despediu do presidente Macky Sall e disse que "experimentou momentos importantes de cooperação" entre o Senegal e a China, com a conclusão de vários projetos no âmbito do Plano Emergente do Senegal (Pse).
O Sol, que forneceu as informações, ressalta que o Presidente Sall o elevou ao posto de Comandante da Ordem Nacional do Leão.

fonte: seneweb.com

As vidas que Cuba salva em nome do humanismo.

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No encontro que teve lugar na quarta-feira, 29 de julho, com os profissionais da Saúde que ajudaram a enfrentar a Covid-19 na cidade italiana de Turim e na ilha caribenha de São Vicente e as Granadinas, o presidente Miguel Díaz-Canel os reconheceu como portadores do humanismo da nossa Medicina.

Aos médicos cubanos – heróis de bata e saber, e não de capa e poderes – o mundo ao qual assistiram, os reverencia e agradece. ILUSTRAÇÃO VIRALIZADA NAS REDES SOCIAIS, EM HOMENAGEM AO PESSOAL DA SAÚDE

No encontro que teve lugar na quarta-feira, 29 de julho, com os profissionais da Saúde que ajudaram a enfrentar a Covid-19 na cidade italiana de Turim e na ilha caribenha de São Vicente e as Granadinas, o presidente Miguel Díaz-Canel os reconheceu como portadores desse humanismo da nossa Medicina, que é «a essência que definitivamente nos define e arma como nação».

→ «(...) O que vocês levaram com as missões é uma luz de esperança, uma luz de afeto e uma luz de solidariedade (...)», afirmou.

→ Já são 45 as brigadas do contingente contra desastres naturais e graves epidemias Henry Reeve que estão oferecendo colaboração em 38 países e territórios.

→ Seus 3.772 integrantes – deles 2.399 mulheres – já atenderam a mais de 250 mil pacientes contagiados com a Covid-19 e salvaram mais de oito mil vidas; uma força à que se acrescentam os 28 mil colaboradores da Saúde que em 58 países também se incorporaram aos esforços nacionais e locais no combate a esta doença, e os quais atenderam a mais de 83.268 pacientes e salvaram 13.636 vidas até o momento.

→ O altruísmo dos nossos profissionais da Saúde incomoda o império que, em vez de atender à grave situação dos seus cidadãos contagiados, desata uma campanha de descrédito contra a colaboração médica cubana.

→ A experiência do internacionalismo médico confirma que somente a cooperação e a solidariedade internacional vão salvar a humanidade desta crise nunca vista na história do mundo.


fonte: granma.cu

OPAS e OMS reconhecem eficácia de Cuba perante a Covid-19.

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As organizações Pan-americana e Mundial da Saúde destacaram a capacidade e eficácia do sistema sanitário de Cuba no enfrentamento à Covid-19.

Photo: Endrys Correa Vaillant

Por meio do seu representante em Cuba, as organizações Pan-americana e Mundial da Saúde destacaram a capacidade e eficácia do sistema sanitário de Cuba no enfrentamento integral à Covid-19, através de um plano nacional multissetorial, conduzido pelo Governo da Ilha maior das Antilhas.

Em declarações à Prensa Latina, o epidemiologista peruano José Moya, ressaltou o papel de protagonista da rede de atendimento primário na identificação imediata dos casos que começaram a resultar positivos ao coronavírus Sars-cov-2, após o anúncio da existência dos primeiros doentes no país, no mês de marco, uma mobilização que qualificou como a base dos sucessos posteriores no controle da epidemia.

Mencionou que a aplicação dos testes moleculares de PCR, realizados em tempo real, às pessoas contagiadas e aos seus contatos, bem como as medidas de prevenção e controle, materializadas no isolamento social, contiveram satisfatoriamente a propagação e permitiram trabalhar na observação epidemiológica e o tratamento médico com os grupos afetados.

Destacou, particularmente, o papel que desempenhou a estratégia de comunicação em massa em torno do comportamento e manuseamento da pandemia, mediante a atualização constante ao povo, a partir das palestras matutinas diárias que ministra o doutor Durán, os comparecimentos frequentes do ministro da Saúde Pública, José Angel Portal Miranda; e a abordagem permanente que sobre o tema realiza o próprio presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez.

Em nome de ambas as entidades, reitoras da gestão sanitária em nível continental e mundial, seu representante também reconhece o papel de mérito e decisivo da ciência e da tecnologia cubanas, incluídas as universidades, na articulação nacional o enfrentamento à Covid-19. (Redação Internacional).


fonte: granma.cu



ANGOLA: 27 DE MAIO SERÁ SEMPRE QUE O MPLA QUISER…

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A analista política Sizaltina Cutaia considerou hoje que o processo de não legalização do PRA-JA Servir Angola, projecto político de Abel Chivukuvuku, “levanta várias suspeições” pondo em causa o sistema (que deveria ser) de justiça.

“Levanta várias suspeições, que não abonam em nada a compreensão (dos cidadãos) e o próprio sistema de justiça”, afirmou à Lusa Sizaltina Cutaia questionada sobre a legalização do PRA-JA

O Partido de Renascimento Angolano — Juntos por Angola Servir Angola (PRA-JA Servir Angola) liderado por Abel Chivukuvuku (ex dirigente da CASA-CE e da UNITA) viu recentemente rejeitada a sua pretensão de se constituir como partido pelo plenário do Tribunal Constitucional (do MPLA), depois de vários outros “chumbos”.

A formação política tem ainda como última possibilidade de contestação um recurso extraordinário.

“Obviamente que a Comissão Instaladora ainda tem a possibilidade de recorrer, vai fazer esse recurso extraordinário de inconstitucionalidade e esperar que prevaleça algum bom senso no sentido de que a decisão tomada pelo plenário do TC ainda possa ser revertida”, disse a analista, salientando, no entanto, ter dificuldade em acreditar numa decisão diferente do tribunal.

A também defensora de direitos cívicos e representante da Fundação Open Society Angola (OSISA) afirmou que a situação do PRA-JA Servir Angola não pode ser vista como um problema individual “ou que afecta aquele grupo de cidadãos”, porque “tem a ver com os pilares da democracia”.

Para si, a forma como este processo tem sido conduzido, faz com que a confiança dos cidadãos sobre aquela instituição de (suposta) justiça “fique minada, fique afectada pela negativa”.

“Sinceramente tenho alguma dificuldade, estava muito confiante de que o plenário do TC fosse reverter a decisão que, em sede administrativa, foi tomada pelo juiz presidente do tribunal, mas quando saiu o acórdão deixei de ter esperanças que, realmente, alguma coisa diferente possa acontecer”, afirmou em relação ao recurso extraordinário.

Considerou, todavia, que “é importante não desistirem, que continuem a buscar justiça”. É quase uma missão impossível buscar algo que, por só existir no Estado de Direito, não existe no reino do MPLA/João Lourenço.

Instada a comentar o que estará a travar a legalização do PRA-JA Servir Angola, Sizaltina Cutaia opinou que é a dificuldade de o Movimento de Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder desde 1975, aceitar a contestação por parte de outras forças. O que, aliás, é normal num regime que não é de partido único mas que é de único partido.

“Nós gostamos muito de dizer que houve uma transição, que está a haver uma reforma, mas de facto a estrutura política que governa o país desde 1975 nunca se alterou, a dificuldade que o MPLA tem de lidar com as vozes contrárias permanece a mesma”, salientou, criticando a indiferença ao assunto “do grosso da oposição”, que “se cala diante de um caso tão sério como esse do PRA-JA”.

A analista política, que defende uma revisão da Constituição da República, que altere, entre outras questões os modelos de contestação, não crê que a legalização do projecto de Abel Chivukuvuku esteja condicionada apenas pelo político, até por que o PRA-JA Servir Angola congrega várias sensibilidades, nomeadamente “pessoas que estão desencantadas com o MPLA, com a oposição até e pessoas que nunca se tinham envolvido em política, a juventude”.

“Isso constitui um elemento que abala de certa forma o poder estabelecido, mas é pena, porque a beleza da democracia está mesmo na multiplicidade de apoios, de vozes, para que possamos construir uma Angola que seja de todos e para todos”, sublinhou.

Na sexta-feira, o presidente da Comissão Instaladora do PRA-JA Servir Angola, Abel Chivukuvuku, anunciou que, além do último recurso interno, está também sobre a mesa a possibilidade de recurso às instâncias internacionais.

Segundo Sizaltina Cutaia, para que se recorra aos tribunais internacionais é preciso que se esgotem todos os recursos internos e que a decisão permaneça desfavorável ao projecto político de Abel Chivukuvuku, que até Fevereiro de 2019 foi líder da Convergência Ampla de Salvação de Angola — Coligação Eleitoral (CASA-CE), a segunda maior força da oposição angolana.

Depois de destituído da liderança da CASA-CE, por problemas internos, Abel Chivukuvuku deu início a um novo projecto político, cujo processo de legalização teve início em Agosto de 2019, e viu como primeira dificuldade o tribunal determinar a alteração da sigla (PRA-JA), por alegadamente “violar o princípio da não confundibilidade com a sigla PRJA”, tendo a questão sido ultrapassada com a junção das palavras “Servir Angola”.

Na mesma altura chegou a pensar-se que o mesmo tribunal iria obrigar a UNITA a mudar de nome por, é claro, se confundir com o nome da operadora UNITel…

Para a legalização do PRA-JA Servir Angola foram apresentadas 23.492 declarações de aceitação, das 7.500 assinaturas exigidas por lei, contudo, o tribunal concluiu que apenas 3.997 estavam conformes e a restantes apresentavam problemas relacionados com os atestados de residência, dos bilhetes de identidade, entre outros.

Recorde-se que no passado dia 23 de Julho, apoiantes de Albel Chivukuvuku foram detidos e agredidos em Luanda por agentes da Polícia Nacional (do MPLA), quando tentavam marchar em protesto contra a terceira rejeição, na véspera, pelo Tribunal Constitucional (do MPLA) de legalizar o seu projecto político PRA-JA.

De facto, reconheça-se, para que é que Angola precisa de uma democracia com vários partidos se, como todos sabemos há 45 anos, basta ter uma democracia de um só partido, sendo que para dar cor à comédia parlamentar existem alguns figurantes que gostam de dizer que são opositores?

Será que os autóctones de segunda categoria (todos os que não são do MPLA), escravos ao serviço da monarquia de João Lourenço, ainda não perceberam que o MPLA tem nua sua génese o objectivo de ficar no poder, de forma ininterrupta, 100 anos, pelo que todos os angolanos que não são do MPLA terão de esperar pelo menos mais 55 anos?

Folha 8 com Lusa

Cabo Verde:“Se o Estado não intervir, a empresa desaparecerá".

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Cabo Verde Airlines

O vice-primeiro-ministro garantiu que o Estado, enquanto accionista da Cabo verde Airlines, vai continuar a intervir na companhia aérea para evitar o seu desaparecimento. Olavo Correia reconhece que a aviação vive tempos complicados e que o Estado deve assumir as responsabilidades.  

O Estado enquanto detentor de 39% do capital social da Cabo Verde Airlines vai continuar a intervir na companhia aérea para evitar o seu desaparecimento. As garantias são do vice-primeiro-ministro, Olavo Correia, quando a aviação civil vive uma grave crise por causa da pandemia da covid-19.

 “Se o Estado não intervir, a empresa desaparecerá, temos de ser claros nessa matéria. Mas, o Estado só intervirá na medida daquilo que é a sua responsabilidade no capital social da empresa (…) A curto prazo, tendo em conta as implicações da Covid-19 para aviação civil, o Estado  não pode sair da empresa. Tem de transformá-la numa companhia aérea saudável financeiramente e colocá-la ao serviço da economia cabo-verdiana, dos empregos em Cabo Verde, das ilhas e também da nossa diáspora", explicou o vice-primeiro-ministro e ministro das finanças, Olavo Correia

Inicialmente, a estratégia do governo “era privatizar 100% a Cabo Verde Airlines” mas o vice-primeiro-ministro reconhece que “no contexto da Covid-19 vai ser de todo impossível privatizar a companhia a  100%”.

Em Março de 2019, o Estado de Cabo Verde vendeu 51% da empresa pública TACV por 1,3 milhões de euros à Lofleidir Cabo Verde, empresa detida em 70% pela Loftleidir Icelandic EHF, grupo Icelandair.

O Governo cabo-verdiano concluiu este ano a venda de 10% das ações da companhia de bandeira a trabalhadores e emigrantes, mas os 39% restantes, que deveriam ser alienados em bolsa, a investidores privados, vão para já ficar no domínio do Estado, decisão anunciada pelo executivo devido aos efeitos da pandemia.  

fonte: RFI

Trump dá prazo para TikTok ser adquirido por empresa americana.

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Presidente define data limite para que serviços sejam vendidos para companhia de capital americano, caso contrário, rede social chinesa terá de deixar de operar no país. Microsoft negocia aquisição do aplicativo.
Presidente dos EUA, Donald Trump, alega motivos de segurança nacional para proibir rede social TikTok no país

Presidente dos EUA, Donald Trump, alega motivos de segurança nacional para proibir rede social TikTok no país

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (03/08) um prazo até o dia 15 de setembro para que a rede social TikTok, de propriedade da companhia chinesa ByteDance, seja adquirida por uma empresa americana ou deixe de operar no país.

Na semana passada, Trump ameaçou proibir o TikTok nos EUA, alegando razões de segurança nacional, após autoridades de segurança expressarem preocupações de que o aplicativo pudesse ser uma ferramenta dos serviços de inteligência chineses.

O TikTok, utilizado pelos usuários para compartilhar vídeos de curta duração, é bastante popular entre os adolescentes. Estima-se que o aplicativo já tenha conquistado em torno de um bilhão de pessoas em todo o mundo.

Nesta segunda-feira, o presidente afirmou que o TikTok não poderá funcionar nos EUA após o prazo de 45 dias, caso não seja vendido para a Microsoft, que negocia a aquisição do aplicativo, ou outra empresa de capital americano.

Após uma reunião entre Trump e o CEO da empresa americana, Satya Nadella, a Microsoft informou que visa concluir as negociações com a ByteDance para a adquirir os serviços da TikTok nos EUA até a data limite mencionada pelo presidente.

Se as negociações avançarem, a Microsoft promete uma "revisão completa de segurança" e a entrega dos "benefícios econômicos apropriados" aos Estados Unidos, além de garantir que "todos os dados privados dos usuários americanos do TikTok" sejam transferidos e permaneçam no país. 

As negociações foram iniciadas quando ambas as empresas informaram a intenção de avaliar uma "proposta preliminar" referente à aquisição dos serviços da TikTok nos EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

Após a ameaça de Trump, a diretora-geral do TikTok para os EUA, Vanessa Pappas, afirmou em vídeo que a rede social não planejava "ir a parte alguma", e agradeceu aos milhões de americanos que utilizam diariamente o aplicativo.  

Na mensagem, Pappas ainda disse que a empresa se orgulha dos 1.500 funcionários que contratou no país e que pretende criar outros 10 mil empregos nos próximos três anos.

Autoridades americanas expressaram dúvidas quanto à segurança dos dados dos usuários e de possíveis vínculos com o Partido Comunista Chinês. No início de julho, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, acusou a China de utilizar o TikTok como ferramenta de espionagem e de distribuição de propaganda. A ByteDance nega qualquer ligação com o governo em Pequim.

O relacionamento entre Washington e Pequim atravessa um dos momentos mais difíceis desde 1979, quando os dois países estabeleceram relações diplomáticas. Além das disputas comerciais que se agravaram desde o início do governo Trump, as tensões vêm aumentando nos últimos meses, reforçadas pela pandemia de covid-19.

RC/lusa/efe/afp

.ONU quer reabrir escolas com segurança para evitar "catástrofe geracional".

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Secretário-geral da ONU defende que, assim que a transmissão local esteja controlada, é preciso retomar as aulas. António Guterres teme uma "catástrofe geracional" com o encerramento prolongado das escolas.

Lehrerstreik in Guinea-Bissau (DW/Braima Darame)

A Organização das Nações Unidas pediu a todos países para que seja dada prioridade à reabertura das escolas sempre que haja controlo da transmissão local dos contágios de Covid-19, alertando que o encerramento prolongado pode provocar uma "catástrofe geracional". 

"Vivemos um momento decisivo para as crianças e jovens de todo o mundo. As decisões que os governos venham a tomar agora vão ter um efeito duradouro em centenas de milhões de jovens, assim como nas perspetivas de desenvolvimento dos países, durante décadas", assinalou o secretário-geral da ONU, António Guterres, através de uma mensagem em vídeo.

Guterres apresentou um relatório elaborado pela organização para analisar o impacto do encerramento das escolas, institutos e universidades e propõe recomendações aos responsáveis políticos. De acordo com o texto, já se verificava uma "crise na educação" no mundo antes da pandemia de SARS CoV-2 - com mais de 250 milhões de crianças que não estavam escolarizadas e, nos países em desenvolvimento, apenas uma quarta parte dos alunos do ensino secundário tinham terminado os estudos com "competências básicas".

Antonio Guterres bei einer Pressekonferenz in Äthiopien (AFP via Getty Images)

Guterres teme "catástrofe geracional"

"Agora enfrentamos uma catástrofe geracional que pode vir a desperdiçar um potencial humano incalculável, minar décadas de progresso e exacerbar desigualdades instaladas", disse Guterres.

A pandemia, sublinhou Guterres, causou "a maior disrupção de sempre na educação". Segundo dados da ONU, em meados de julho as escolas permaneciam encerradas em mais de 160 países, o que afeta mais de mil milhões de estudantes sendo que mais de uma centena de países ainda não anunciaram as datas de reabertura.

O dilema da educação à distância

Entre os aspetos que mais preocupam as Nações Unidas destacam-se o tempo perdido por milhões de crianças do pré-escolar, uma etapa considerada essencial, disse em conferência de imprensa a diretora geral adjunto para a Educação da UNESCO, Stefnia Giannini.

A educação à distância, com aulas através da rádio, televisão ou internet, "deixa muitos alunos para trás", avisa a ONU que destaca em especial o risco daqueles que sofrem deficiências, de comunidades minoritárias ou desfavorecidas, os deslocados, refugiados e aqueles que vivem em zonas remotas. Assim, a pandemia está a aumentar as desigualdades na educação e ameaça desfazer rapidamente os progressos alcançados nas últimas décadas.

Assistir ao vídeo02:19

Moçambique: Projeto incentiva as crianças à leitura durante a pandemia

Perante esta situação, a ONU pede a aplicação de medidas, começando pela reabertura das escolas o mais rápido possível, uma questão que está a gerar amplos debates em vários países. "Assim que a transmissão local de Covid-19 esteja controlada é preciso devolver os alunos às escolas e aos estabelecimentos de ensino de forma segura: esta deve ser uma das prioridades fundamentais", afirmou Guterres.

Para a ONU "é essencial encontrar um equilíbrio entre os riscos para a saúde e os riscos para a educação e proteção das crianças e ter em conta também a repercussão da situação na participação das mulheres na força do trabalho".

Situação vulnerável

Segundo o relatório, em todo este processo é fundamental consultar os pais, cuidadores, docentes e os próprios alunos.

As Nações Unidas pedem para que seja dada prioridade à educação na distribuição de fundos, protegendo e aumentando os orçamentos para a educação nas contas públicas dos respetivos países e reclama que a questão passe a estar no centro dos "esforços internacionais de solidariedade".

 A ONU pede também especial atenção aos estudantes em situação mais vulnerável e pede para que seja "aproveitada" a pandemia para se transformar os sistemas educativos através de infraestruturas digitais, revitalizando a aprendizagem ou usando métodos de ensino mais flexíveis.

"Temos uma oportunidade geracional de recriar a educação e o ensino. Podemos dar um salto e avançar para sistemas progressistas que consigam educação de qualidade para todos, como um 'trampolim' para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável", disse Guterres.

fonte: DW África

    

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Rússia: Lênin, um contemporâneo de 150 anos.

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Faz algum tempo, em uma data similar a esta, em que pelo ensejo do seu aniversário natalício, muitos no mundo lembramos Lênin, uma das pessoas que se dedica a vasculhar nas redes sociais da Internet toda expressão dissidente do discurso dominante, pôs-me em causa, lançando mão do «argumento» de que o revolucionário russo já estava velho e fora da moda.

Pouco depois, as «primaveras árabes» e as mobilizações de «indignados» no mundo ocidental fizeram com que mais de um editor esperto, lançasse novamente o livro O que fazer? e o muito influente filósofo esloveno Slavoj Zizek, que já tinha publicado o título Repensar Lênin, falasse abertamente da maldita «ditadura do proletariado».

Mais recentemente, procurando uma explicação à queda do governo de Evo Morales e à incapacidade das forças populares de se organizarem efetivamente para defendê-lo, muitos lançamos mão das palavras de Lênin em O Estado e a Revolução: «(...) Ao chegar a certo grau de desenvolvimento da democracia, esta, em primeiro lugar, reúne o proletariado, a classe revolucionária frente ao capitalismo e lhe dá a possibilidade de destruir, de fragmentar em pedaços, de varrer da face da terra a maquinaria do Estado burguês, inclusive a do Estado burguês republicano, o exército permanente, a polícia e a burocracia e de substituí-los por uma máquina mais democrática, mas ainda estatal, sob a forma das massas operárias armadas, como passo para a participação de todo o povo nas milícias».

A demonização de Lênin, talvez uma das mais prolongadas de toda a história, não conseguiu evitar que a originalidade e o brilho de suas ideias, não somente continuem suscitando admiração, mas continuam sendo luzes na aproximação critica à realidade.

Mas Lênin é muito mais do que um teórico, foi um lutador revolucionário enérgico, capaz de não sentar-se a esperar dogmaticamente que as «condições objetivas e subjetivas» estivessem maduras para a Revolução, mas que, com uma enorme fé nos trabalhadores e uma inteligência política excepcional para tirar lições a partir dos erros dos seus próprios adversários e já estabelecido o poder soviético, desafiou com sucesso a guerra, a pobreza e o bloqueio econômico das potências imperialistas contra o novo Estado que fundou sobre as ruínas do czarismo.

Pessoa muito culta, aberta sempre à discussão entre companheiros, percebeu as limitações de um homem como Staline para ocupar o posto de secretário-geral do Partido, e dos perigos da burocratização do socialismo. Dedicou os últimos momentos, em que seu estado de saúde lhe permitiu escrever, a insistir na organização do controle dos trabalhadores sobre o aparelho do Partido e do Estado. Lutou denodadamente contra o que ele chamou de «o grande chauvinismo russo», entre alguns líderes bocheviques que não eram russos nativos, como o próprio Staline, e trabalhou intensamente para estabelecer a igualdade de direitos e a autodeterminação dos povos anteriormente oprimidos pelo czarismo.

Extraordinário polemista, Lênin, tal como Fidel e como antes Marx e Engels, nunca teve medo ao nomear o autor das ideias que combatia em seus artigos. A sua resposta ao «arrenegado Kautsky», com quem fala com ironia e sarcasmo implacáveis, deixaria horrorizados aqueles que hoje defendem a democracia burguesa como solução aos problemas das maiorias: «A atual “liberdade de reunião e imprensa” na república “democrática” (democrática burguesa) alemã é uma mentira e uma hipocrisia porque, de fato, é a liberdade dos ricos para comprar e subornar a imprensa, a liberdade dos ricos para embriagar o povo com o nojento aguardente das mentiras da imprensa burguesa, a liberdade dos ricos para terem “em propriedade” as mansões senhoriais, os melhores edifícios, etc.»

Antidogmático por natureza e crítico profundo de sua própria obra, Lênin não é o extremista que a propaganda costuma pintar. Tendo pela frente a tarefa gigante de edificar pela primeira vez um Estado socialista, onde «todos os agrônomos, engenheiros e professores eram da classe possuidora», reclamava «tomar toda a cultura que deixou o capitalismo e construir o socialismo com ela. É preciso tomar toda a ciência, a técnica, o saber, a arte. Sem isso não podemos edificar a vida da sociedade comunista».

Combatente apaixonado pela paz, defensor da justiça, homem prático para tirar de cada situação o máximo das possibilidades, Lenin é referente indiscutível das lutas anticapitalistas e anti-imperialistas de nosso tempo e da construção socialista. Mas ainda mais, longe de envelhecer, este contemporâneo de 150 anos, por sua inteligência, sua ética, sua ampla cultura e sua entrega total à casa dos humildes, torna-se paradigma do líder que necessitam os povos nas horas difíceis que vive o mundo.


fonte: granma.cu

Cuba denuncia grave agressão terrorista perpetrada contra sua embaixada nos Estados Unidos.

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O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodriguez Parrilla, denunciou na quinta-feira, 30 de abril, que a embaixada de Cuba nos Estados Unidos foi alvo de um ato terrorista na madrugada do dia 30 de abril de 2020, quando um sujeito desconhecido disparou com um fuzil de assalto contra o edifício da missão diplomática da Ilha maior das Antilhas.

O Governo de Cuba está à espera da investigação correspondente por parte das autoridades estadunidenses acerca da identidade e as motivações do autor desta agressão. Foto: Youtube.

O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodriguez Parrilla, denunciou na quinta-feira, 30 de abril, que a embaixada de Cuba nos Estados Unidos foi alvo de um ato terrorista na madrugada do dia 30 de abril de 2020, quando um sujeito desconhecido disparou com um fuzil de assalto contra o edifício da missão diplomática da Ilha maior das Antilhas.

Em declarações transmitidas pela Televisão Cubana, explicou que não houve feridos no pessoal da Missão cubana, o qual se encontra seguro e protegido, mas sim danos materiais resultantes dos impactos de inúmeros disparos.

«O Governo cubano está à espera da correspondente investigação por parte das autoridades estadunidenses acerca da identidade e as motivações do autor desta agressão e espera que a dita investigação seja exaustiva e rápida e que seus resultados sejam compartilhados com as nossas autoridades», expressou o Chanceler cubano.

Explicou que a missão diplomática de Cuba, situada em Washington D.C., «conta com um sistema de proteção e segurança, para enfrentar qualquer ameaça contra o pessoal diplomático, seus familiares e as instalações».

De acordo com a intervenção de Rodríguez Parrilla, no meio-dia da quinta-feira, 30, foi convocada a encarregada de negócios da embaixada dos Estados Unidos em Havana, Mara Tekach, para tratar do gravíssimo fato: «Expressei-lhe o nosso protesto mais enérgico pela grave agressão terrorista perpetrada contra a embaixada de Cuba. Perguntei-lhe como reagiria o Governo dos Estados Unidos perante um ataque como este a quaisquer de suas embaixadas. Insisti em que é uma obrigação de todos os Estados adotarem as medidas adequadas para proteger os locais de uma missão diplomática credenciada em seu território contra toda intrusão ou dano, evitar que seja alterada a tranquilidade da missão, ou que se atente contra a sua dignidade ou o funcionamento normal, tal como dispõe a Convenção sobre relações diplomáticas, de 1961».

O chanceler cubano enfatizou na gravidade do fato, que podia ter posto em perigo a vida e a segurança do pessoal da embaixada e dos seus familiares. E reclamou a maior cooperação das autoridades do Governo dos Estados Unidos no esclarecimento urgente dos fatos e nas garantias de que atos como este não sejam repetidos e não fiquem impunes.

«Chamei a atenção respeitosamente à encarregada de negócios, no sentido de que uma agressão como esta à embaixada de Cuba nos Estados Unidos, em qualquer caso, foi alentada pela crescente retórica hostil contra o nosso país, na qual estão envolvidos, de forma pública e sistemática, tanto o secretário de Estado dos Estados Unidos, como altos funcionários desse Departamento, responsáveis pelas relações com o Hemisfério Ocidental, inclusive a própria embaixada dos Estados Unidos em Havana», ressaltou.

Ao mesmo tempo, assinalou que não é possível dissociar um fato como esse do recrudescimento da política de agressão e hostilidade que o governo dos EUA aplica contra a Ilha maior das Antilhas, nem do endurecimento do bloqueio, com medidas não convencionais, inclusive durante a pandemia da Covid-19.

Bruno Rodriguez expressou à diplomata estadunidense que na hora do ataque se encontravam na missão cubana uma dezena de funcionários e diplomatas, que correram grave perigo, e reconheceu a conduta profissional dos oficiais das agências de implementação e cumprimento da lei, que apareceram rapidamente no local dos fatos.

«O sujeito, de cuja identidade o Governo cubano ainda não foi informado, foi preso pelas autoridades locais no local dos fatos e se encontra sob custódia destas», sublinhou.

Além disso, considerou que os atos de instigação à violência contra o pessoal médico cubano em terceiros países, tal como ocorreu recentemente na Bolívia, com o envolvimento de funcionários estadunidenses, as calúnias e a demonização do pessoal da Saúde alentam ações violentas. E lembrou que existem graves antecedentes históricos de atos violentos e hostis, incluídas ações terroristas contra funcionários diplomáticos cubanos sediados nos EUA, tanto na sede de Washington como em sua representação permanente perante as Nações Unidas, em Nova York.

«Também não é possível dissociar este tipo de atos do efeito de políticas e discursos de ódio que promovem a divisão e a violência social», enfatizou.

Relembrou, ainda, que no território dos Estados Unidos operam e operaram com impunidade, durante anos, grupos e sujeitos que durante o passado cometeram atos terroristas contra Cuba, o que é de pleno conhecimento das agências de implementação e cumprimento da lei do Governo dos Estados Unidos.

«Expressei surpresa pelo fato de que tenham decorrido mais de 12 horas do ataque à nossa embaixada e que nem as autoridades oficiais do Governo dos Estados Unidos nem do Departamento de Estado tenham contatado as nossas autoridades, nem tenham proferido declarações oficiais, nem sequer twitts, que são tão frequentes, na hora de se referir a Cuba, por parte de funcionários oficiais dos Estados Unidos e de sua embaixada», acrescentou Rodriguez Parrilla.

Finalmente, exortou o Departamento de Estado a «adotar com a maior urgência as medidas que sejam necessárias para cumprir de forma íntegra as responsabilidades que lhe atribui a Convenção de Viena e garantir a plena segurança da embaixada de Cuba, da Missão Permanente perante as Nações Unidas, em Nova York e do pessoal de ambas as missões e dos familiares acompanhantes. Finalmente, ofereci a cooperação das autoridades cubanas para o andamento da investigação correspondente».

fonte: granma.cu

Cuba: Nossos mártires - nem esquecidos nem mortos.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

O primeiro secretário do Partido Comunista de Cuba, general-de-exército Raúl Castro Ruz, dedicou uma oferenda floral a Frank País, no 63º aniversário do seu brutal assassinato.

Aos mártires da Revolução, o tributo em flores do general-de-exército Raúl Castro Ruz; do presidente Miguel Díaz-Canel Bermúdez; do presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular, Esteban Lazo Hernández, e do povo de Cuba. Foto: Miguel Rubiera Justiz/AIN

SANTIAGO DE CUBA.— 

Com uma oferenda floral dedicada pelo primeiro secretário do Partido Comunista de Cuba, general-de-exército Raúl Castro Ruz, a Frank País, no 63º aniversário do seu brutal assassinato, culminaram, no panteão que guarda seus restos, as honras que os moradores de Santiago costumam fazer cada dia 30 de Julho, Dia dos Mártires da Revolução.

Os membros do Comitê Central e máximas autoridades do Conselho de Defesa provincial, Lázaro Expósito Canto e Beatriz Johnson Urrutia, lideraram a colocação das flores no cemitério patrimonial de Santa Ifigenia, na presença de outros representantes do Partido, o Governo, a UJC, as organizações de massa, as Forças Armadas Revolucionárias e o Ministério do Interior.

Como início do tributo aos heróis da Pátria, na manhã teve lugar a colocação de oferendas florais em nome do general-de-exército Raúl Castro Ruz; do presidente Miguel Díaz-Canel Bermúdez; do presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular, Esteban Lazo Hernández, e do povo de Cuba, no panteão dos Mártires de 26 de Julho.

A todos eles dedicou palavras de recordação o presidente cubano, ao publicar em sua conta no Twitter: «30 de julho, dia triste na memória de Cuba. Assassinados Frank País e Raúl Pujol em Santiago de Cuba. A cidade rebelde veste o uniforme de 26 de Julho e canta o hino de Bayamo. Hoje é o Dia dos Mártires. Honra àqueles que apenas tinham suas vidas jovens e promissórias e as entregaram à Pátria».

fonte: granma.cu


ANGOLA: HOLDEN ROBERTO. QUEM?

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...


Holden Roberto faleceu no dia 2 de Agosto de 2007. Aqui no Folha 8, por diversas vezes a ainda em vida, defendemos, pregando obviamente para e no deserto, que Angola (entenda-se o Governo, o MPLA, o estado – são sinónimos) deve um pedido desculpas, agora e infelizmente póstumo, ao fundador da FNLA. Continua a ser o mínimo se, por acaso, restar alguma vergonha… Mas não resta.

Eembora possam ser mais as ideias e as práticas que nos separavam de Holden Roberto do que as que nos uniam, ele foi uma das três mais relevantes personalidades do nacionalismo angolano, a par de Agostinho Neto e Jonas Savimbi.

Nos últimos anos de vida viu quanto ingrato era o poder na sua terra. Que país é Angola que teve e tem tanta dificuldade em reconhecer a Holden Roberto e a Jonas Savimbi (para além de Agostinho Neto), o estatuto de Herói Nacional? Por que razão, o Estado teve tanta necessidade de humilhar Holden Roberto? Será assim que se luta pela instituição de um Estado de Direito, pela reconciliação?

Não nos agradou que este velho guerrilheiro, natural de Mbanza-Congo, no Norte do país, tenha enfrentado sérias e mortíferas dificuldades para pagar os tratamentos médicos que não conseguia em Angola.

Não nos agradou que este velho guerrilheiro tenha enfrentado dificuldades para pagar os tratamentos médicos, quando Maria Augusta Tomé, ou simplesmente “Magu”, esposa do então Primeiro-Ministro, Fernando Dias dos Santos “Nandó”, alugava um Falcon da SonAir para fazer exames médicos de mera rotina… em Londres.

Veremos se Angola estará um dia disposta a, mesmo tarde e a más horas, respeitar a memória do “Velho” Holden. É que se o fizer está igualmente a respeitar os angolanos.

Angola continua a ser (re)construída à imagem e semelhança do MPLA, como se fosse um regime de partido único. E, de facto – que não de jure –, é isso mesmo.

Se o MPLA é Angola e Angola é do MPLA, herói nacional há só um, Agostinho Neto e mais nenhum. Quando o MPLA for apenas um dos partidos do país e Angola for um verdadeiro Estado de Direito, então haverá outros heróis.

Até lá, os angolanos continuarão sujeitos à lavagem do cérebro de modo a que julguem que Agostinho Neto é o único que deu um contributo na luta armada contra o colonialismo português e para a conquista da independência nacional.

O dia 17 de Setembro, instituído feriado nacional em 1980 pela então Assembleia do Povo, um ano após o falecimento de Agostinho Neto, em 10 de Setembro de 1979 na antiga União das Republicas Socialistas Soviéticas, deve-se, segundo a cartilha do proprietário de Angola (o MPLA), ao reconhecimento do seu empenho na libertação de Angola, em particular, e do continente africano. Com alguma habilidade ainda vamos ver referências ao contributo para a libertação da Europa.

Fruto da entrega de Agostinho Neto à causa libertadora dos povos, o Zimbabwe e a Namíbia ascenderam igualmente à independência, assim como contribuiu para o fim do Apartheid na África do Sul, esclarecem os donos disto tudo.

Pelos vistos, desde 1961 e até agora que só existe Agostinho Neto. Se calhar até é verdade. Aliás, bem vistas as coisas, Holden Roberto e Jonas Savimbi, FNLA e UNITA, nunca existiram e são apenas resultado da imaginação de uns tantos lunáticos.

“Dotado de um invulgar dinamismo e capacidade de trabalho, Agostinho Neto, até à hora do seu desaparecimento físico, foi incansável na sua participação pessoal para resolução de todos os problemas relacionados com a vida do partido, do povo e do Estado”, diz o MPLA.

Numa coisa a cartilha do MPLA tem toda a razão e actualidade: “como o marxistas-leninista convicto, Agostinho Neto reafirmou constantemente o papel dirigente do partido, a necessidade da sua estrutura orgânica e o fortalecimento ideológico, garantia segura para a criação e consolidação dos órgãos do poder popular, forma institucional da gestão dos destinos da Nação pelos operários e camponeses”. Foi por isso que mandou massacrar milhares e milhares de angolanos em 27 de Maio de 1977.

Irra! Apre! Chiça! Por que carga de água Agostinho Neto é o único fundador da nação angolana? E então Holden Roberto? E então Jonas Savimbi?

fonte: folha8

3 de Agosto de 1959, Massacre de Pindjiguiti, Bissau.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Marinheiros, estivadores e trabalhadores das docas foram violentamente reprimidos por funcionários coloniais, polícia e militares, e alguns civis, repressão esta que viria a resultar em cinquenta mortos e cerca de uma centena de feridos. Por Sílvia Roque.
Massacre de Pindjiguiti, Bissau. Reprodução.
Massacre de Pindjiguiti, Bissau. Reprodução.

Sopra um vento de morte no cais de Pidjiguiti.i A 3 de Agosto de 1959, os trabalhadores do porto de Pindjiguitiii, em Bissau, organizaram uma greve reivindicando um aumento de salários. Marinheiros, estivadores e trabalhadores das docas, particularmente aqueles que trabalhavam para a Casa Gouveia, um monopólio comercial intermediário do grupo CUF (Companhia União Fabril), foram violentamente reprimidos por funcionários coloniais, polícia e militares, e alguns civis, repressão esta que viria a resultar em cinquenta mortos e cerca de uma centena de feridos. Esta não foi a primeira greve dos trabalhadores do porto de Bissau. Já em 6 de Março de 1956 tinham existido confrontos entre a polícia e os trabalhadores, os quais, pelos mesmos motivos, organizavam então uma greve. Nessa altura, porém, apesar de algumas detenções, a violência foi contida e os detidos acabariam por ser libertados por ordem do Governador Mello Alvim (Silva, 2006).

Segundo os relatos dos sobreviventes e de outras testemunhas - entre as quais Luís Cabral e Carlos Correia, ambos funcionários da contabilidade da Casa Gouveia e futuros líderes da Guiné-Bissau independente –, perante a irredutibilidade do gerente António Carreira, recusando atender as reivindicações dos trabalhadores, estes resolveram avançar com a greve planeada, concentrando-se no cais e parando toda a atividade. Segundo Luís Cabral, face à ameaça do uso da força, “os trabalhadores em greve fecharam o portão de acesso ao cais de Pijiguiti, apanharam tudo quanto podia servir para se defenderem e aguardaram (…) poucos minutos depois ouviam-se os primeiros tiros: os soldados e a polícia tinham acabado de romper a frágil barragem do portão e penetravam no recinto do cais, atirando impiedosamente contra os grevistas, que, a princípio, ainda tentaram defender-se. Cedo, porém, depois de verem cair muitos companheiros, compreenderam que, diante da cruel realidade, a única solução era procurar fugir do cais, para escapar à morte” (Cabral, 1984). Após a repressão, vários grevistas e simpatizantes nacionalistas foram detidos, alguns torturados pela PIDE, numa frenética caça aos cérebros que estariam por detrás da greve, considerada como algo impossível de ser organizado por indígenas analfabetos.

A atitude do gerente Carreira pode ser encarada como uma demonstração de um poder imune a pressões indígenas, remetendo para quando lhe conviesse o aumento de salários que teria já sido aprovado pela CUF, e é reveladora do contexto de exploração económica e de sujeição política na Guiné. O modelo de controlo económico na Guiné desde sempre assentou fundamentalmente na exploração comercial da atividade existente, desde o tráfico de escravos às produções agrícolas. Para além do controlo da produção agrícola, das receitas das exportações, das receitas do imposto de palhota, era esperado, desta colónia, que garantisse a importação de bens como vinho e têxteis (Galli e Jones, 1987: 38). Neste contexto, o poder de empresas como a Casa Gouveia era incomensurável. Além disso, apenas recentemente, após a 2ª Guerra Mundial, o trabalho forçado tinha começado a ser substituído pelo trabalho assalariado, baseado no entanto, em salários muito baixos (por exemplo, os trabalhadores do porto recebiam parte do salário em senhas para produtos que funcionavam como forma de escoamento para a própria Casa Gouveia) e condições degradantes assentes no autoritarismo, na discricionariedade e na aplicação de castigos de vária ordem.

A repressão de Pindjiguiti acontece numa altura em que o Estatuto do Indigenato continuava ainda em vigor mas também em que os movimentos nacionalistas da Guiné começam a organizar-se com maior intensidade, incentivados pelo contexto internacional mais favorável às independências africanas. Embora existam diferentes versões sobre qual dos movimentos teria sido realmente mais inspirador da greve (Amado, 2006; Silva 2006), é relativamente consensual que algum trabalho de consciencialização e mobilização política tenha tido um papel relevante na organização da mesma.

Embora as caraterísticas desta repressão – menor expressividade do número de mortos por comparação com acontecimentos violentos em outras colónias e o facto de a violência irromper como resposta a uma greve e não de forma premeditada – tenham levado, por vezes, ao questionamento da sua denominação como massacre, a verdade é que os massacres não são fenómenos uniformes. Os acontecimentos de Pindjiguiti constituíram, por um lado, uma expressão real de uso excessivo da violência contra civis sem possibilidade de defesa, com requintes de teatralização desse excesso - são exemplos disso a referência a um comandante militar que teria atirado sobre cada uma das cabeças daqueles que se haviam refugiado no mar ou ainda ao facto de apenas a corajosa reivindicação das mulheres junto do Palácio do Governador ter impedido que os corpos fossem queimados e acabassem por ser restituídos às famílias - precisamente procurando neutralizar potenciais resistências ao colonialismo através do medo instigado pelo terror da violência sem restrição. Por outro lado, estes acontecimentos revestem-se de uma carga simbólica que viria a revelar-se fundamental na construção social e política do martírio e do heroísmo dos povos da Guiné como fundamentos da gesta de resistência e de libertação e da construção do Estado e da Nação.

Os acontecimentos do 3 de Agosto foram uma lição histórica para o nosso povo africano e para a direção do nosso partido (Cabral, 1965). A revolta e o massacre de Pindjiguiti seriam desde logo encarados e apresentados como o momento charneira que conduziria à reorientação do movimento nacionalista, e em particular do PAIGC, para a luta armada e para uma ação centrada na mobilização nas zonas rurais, em lugar dos centros urbanos, onde o poder colonial facilmente poderia conter as ações. A justificação da luta armada como única estratégia viável, em 1961-63, baseia-se na demonstração da falta de abertura do poder colonial que Pindjiguiti comprovava. São ainda frequentes as referências ao massacre, em memórias escritas e documentos de análise histórica, como o momento em que vários resistentes nacionalistas ganharam ou aprofundaram a sua consciência política e/ou iniciaram o seu percurso de clandestinidade: Domingos Ramos, Carlos Correia, Luís Cabral, são alguns dos exemplos.

Ao mesmo tempo, este percurso nacionalista pós-Pindjiguiti significa ainda o forjar de uma resistência moderna ao colonialismo, assente fundamentalmente no princípio da unidade entre povos e que procura diferenciar-se das resistências passadas, mobilizadas, muitas vezes, através de solidariedades étnicas. Inúmeras revoltas tinham ocorrido entre as décadas de 1920 e 1960, assim como foram constantes várias formas de resistência pacífica (fuga aos impostos, fuga ao trabalho forçado, boicotes, emigração para zonas remotas, queima das palhotas) (Forrest, 2003). No entanto, Pindjiguiti surge simbolicamente como o início de uma resistência que, ao contrário das outras, foi bem-sucedida, expulsando o poder colonial. Esta ideia é sintetizada num poema de Hélder Proença com referência aos mártires: “e o seu sangue floriu no 24 de Setembro [data da proclamação da independência] / secando as flores negras do imperialismoiii.”

A Liberdade nasceu no Pindjiguiti !!!ivApós a independência, a memória de Pindjiguiti seria mobilizada como um dos símbolos e fundamentos do Estado independente, indissociável do Partido, e, uma vez mais, da necessidade de unidade. A independência é celebrada como uma reposição da justiça que honra os mártires do colonialismo, com enorme destaque para as vítimas do massacre. É assim que o 3 de Agosto é declarado feriado nacional e que, entre 1975 e 1980, é levada a acabo uma série de iniciativas que consolidam a centralidade do imaginário do massacre.

As celebrações do feriado nacional, neste período, são vividas como momentos de grande intensidade, com enorme destaque e desenvolvimento na imprensa, contando com a presença dos sobreviventes, os quais são chamados a dar o seu testemunho às novas gerações, incorporadas na JAAC - Juventude Africana Amílcar Cabral. Contam ainda com a participação de convidados internacionais, nomeadamente representantes de outros movimentos de libertação das ex-colónias portuguesas. Nos discursos de líderes guineenses e cabo-verdianos, tal como nos dos convidados, os marinheiros de Pindjiguiti incarnam o sacrifício de todos os outros povos, também eles massacrados em Mueda, Baixa do Kassange, Batepá ou até mesmo Wuatuay (Timor-Leste), acontecimentos que testemunham uma violência colonial partilhada e os laços estabelecidos pela luta internacionalistav.

Ao mesmo tempo, Pindjiguiti surge associado à consolidação da lealdade à luta reinterpretada como a continuação do projeto político do PAIGC, “o único partido legítimo representante do nosso povo tanto da Guiné como de Cabo Verdevi”. Trair a construção da “Pátria guineense-caboverdeana” torna-se sinónimo de trair “todos os sacrifícios consentidos”, a “bravura, com tanta grandeza e coragem que hoje nos dá uma força nova, uma grandeza nova para prosseguir”vii.

Em 1979 é inaugurado o monumento aos Mártires de Pindjiguiti no local aproximado das ocorrências. A inauguração coincide com a organização de um Simpósio internacional sobre o “Significado Político do Massacre de Pindjiguiti”, no qual Aristides Pereira discursou durante uma hora, considerando que “3 de Agosto de 59 foi precisamente a face oposta à tentativa dos colonialistas em travar a marcha da história do povo”, provocando exatamente a reação oposta e tornando-se por isso “no marco estratégico na luta contra o colonialismo”viii. Este discurso seria publicado pelo PAIGC com o título “Materializar os ideais dos Mártires de 3 de Agosto”, consolidando a construção da memória pública do massacre pelo partido.

O lugar de Pindjiguiti na construção da memória da luta de libertação e na fundação da Nação e da identidade guineense é particularmente central na poesia. A primeira publicação após a independência, a obra coletiva Mantenhas para quem luta (1977, Conselho Nacional de Cultura), reúne catorze jovens poetas, entre eles António Soares Lopes Júnior (Tony Tcheka) e José Carlos Schwarz, investidos de uma missão de criação de uma “poesia de combate”, “militante” que contribuísse para forjar uma consciência coletiva. Nesta coletânea, para além da memória de Amílcar Cabral, é à memória de Pindjiguiti que estes poetas mais se dedicam (Augel, 1998: 93-96), merecendo a designação no Prefácio da obra como “meninos da hora de Pindjiguiti”. Também na música se destaca o tema “Sol Garandi” dos Super Mama Djombo: “Na Pindjiguiti na utru ladu/ Pobis di no tchon fasidu limaria/ Na mon di colonialistas” (Em Pindjiguiti, em outros lados/ Os povos da terra foram tratados como animais/ Na mão dos colonialistas). É de notar que o próprio massacre teve um impacto na evolução da música guineense como instrumento de integração nacional. José Carlos Schwarz em entrevista ao Diário de Lisboa, em 1976, explicava que “depois de 59, as tabernas passaram a ser fechadas às sete horas (…) as autoridades coloniais impuseram o fecho das tabernas para impedir as reuniões e o trabalho político” acabando por levar ao quase desaparecimento do N’gumbé que se “tocava nos bairros populares, suburbanos”, mas com origens no campo; assim, “esmagado o N’gumbé (…) proliferam, em contrapartida, os conjuntos de influência europeia e americana”, “até que - a opressão gera resistência - também na música os jovens começaram a erguer-se”, levando à criação dos Cobiana Djazz com um princípio muito claro desde o início: “cortar com o passado” e “cantar em crioulo” (Augel, 1998: 395-401).

Além Pindjiguiti virou lagoa com cisnes imaculados nenúfares e gente-bem que vem e se instala sob o plasma do meu sofrimento e Morésix espreitando nas persianas do silênciox. Em 14 de Novembro de 1980, a Guiné-Bissau inicia uma nova fase política. O golpe de Estado conduzido por Nino Vieira conduz ao fim do projeto de Estado binacional e à separação entre Cabo Verde e Guiné-Bissau. No entanto, o massacre continua a ter um lugar relevante na consolidação e legitimação do PAIGC enquanto personificação da Nação. Se, até 1983, a data do massacre continua a merecer algum destaque na imprensa oficial, a partir de 1984, no entanto, a evocação de Pindjiguiti e do feriado de 3 de Agosto desaparecem das primeiras páginas do Jornal Nô Pintcha, e são remetidos para pequenas notícias nas quais, porém, os relatos dos sobreviventes continuam a constar (ex. 1985). Em 1996xi, Pindjiguiti desaparece completamente do conteúdo do Jornal. Curiosamente, nesse mesmo ano, em que Pindjiguiti é esquecido, no mês de Agosto, é dada grande cobertura à morte do General Spínola, incluindo um elogio ao mesmo por parte do Presidente Nino Vieira. Em 1997, nas vésperas do conflito militar que viria a assolar Bissau a 7 de Junho de 1998, mantém-se a ausência de referências ao massacre e ao feriado nacional que o evoca.

O aparente esquecimento ou a progressiva menorização de Pindjiguiti na memória oficial não impede que, em 1988, a Direção Geral da Cultura produza uma banda desenhada de vulgarização e consolidação da memória (ver Veiga, 1988) ou que prossigam as celebrações oficiais do feriado. No entanto, estas começam também a ser marcadas por um acentuar da dimensão laboral da contestação de 1959, e já não tanto como uma celebração da sua dimensão anticolonial. Em 1993, uma greve de marinheiros marca o aniversário do massacre. Desde então, periodicamente o feriado de 3 de Agosto é também usado pelos sindicatos como momento de protesto pela falta de pagamento de salários e outros motivos de reivindicação económica. Durante as celebrações de 2014, enquanto Domingos Simões Pereira desafia “todos os guineenses para criarmos um museu da resistência em honra e em memória de todos os resistentes e todas as pessoas que puseram as suas vidas em causa pela liberdade e pela dignidade”, o Secretário-geral da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné afirma “que os sonhos dos mártires de Pindjiguiti ainda não foram realizados, devido aos atrasos nos pagamentos de salários” (Página Global, 2014). Já em 2017, “as principais organizações sindicais, a UNTG e a Confederação Geral dos Sindicatos Independentes não tomaram parte oficialmente na cerimónia de homenagem aos mártires de Pindjiguiti em protesto contra o não cumprimento, por parte do executivo, do acordo de reajuste salarial, bem como em protesto contra a subida de preços dos produtos da primeira necessidade” (O Democrata, 2017).

Pindjiguiti torna-se, assim, também, no símbolo da desilusão com os rumos da política pós-colonial, irrompendo como momento de referência para a crítica à governação, aos desvios ao projeto revolucionário do PAIGC ou à indiferença social. Tony Tcheka, por exemplo, retorna a Pindjiguiti, já não para celebrar a luta e a independência mas para relembrar o ideal traído e sem frutos, tanto no poema “Perdão ao poeta”, anteriormente citado, como em “Ode a Pindjiguiti”: “Pindjiguiti é um sonho alado embalado ninado e assumido em colos minguados de muitas mães sem direito a parto” (Augel, 2012: 109).

O massacre de Pindjiguiti continua, hoje, a ser mobilizado por diferentes grupos sociais e políticos com objetivos distintos. Presente ainda na memória coletiva, este é acionado tanto como prova da legitimidade histórica de alguns atores políticos como, pelo contrário, enquanto referência à degenerescência e à traição do ideal libertador.


Versão alargada do capítulo: Roque, Sílvia (2018), 3 de Agosto de 1959, Massacre de Pidjiguiti, Bissau, in Miguel Cardina e Bruno Sena Martins (org.), As Voltas do Passado: A guerra colonial e as lutas de libertação. Lisboa: Tinta-da-China, 33-39.

Sílvia Roque é, desde 2008, investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, tendo sido investigadora júnior entre 2005 e 2007 no mesmo centro. É ainda Professora Auxiliar Convidada do Mestrado em Estudos Africanos, no ISCTE-IUL desde 2017. Doutorada em Relações Internacionais pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (2014), recebeu, em 2015, o Prémio CES para Jovens Cientistas Sociais de Língua Portuguesa pela sua tese de doutoramento. Realizou ainda um mestrado em Estudos Africanos (2007), no ISCTE-IUL-Instituto Universitário de Lisboa, e é licenciada em Relações Internacionais pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (2002). Desde 2005 tem trabalhado em projectos de investigação no domínio das Relações Internacionais, em particular na área de Estudos para a Paz. Para além da Guiné-Bissau e de El Salvador, países onde concentrou a maior parte da sua investigação, colaborou ainda em projectos de investigação em Portugal e em Moçambique. Além disso, tem colaborado com organizações da sociedade civil e organizações internacionais na realização de estudos, formação e cooperação que visem a compreensão e a diminuição de várias expressões de violência (nota biográfica publicada no site do CES).

Referências bibliográficas

Amado, Leopoldo (2006) “Simbólica de Pindjiguiti na óptica libertária da Guiné-Bissau”. Disponível em: http://guineidade.blogs.sapo.pt/15548.html(link is external). Acesso 09.03.2018.

Augel, Moema Parente (1998) Ora di kanta tchiga. José Carlos Schwarz e o Cobiana Djazz. Bissau: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas.

Augel, Moema Parente (2012) “Espaços de pertencimento: Palmares e Pindjiguiti na poesia afro-brasileira e na guineense” Via Atlântica 22: 99-114. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/51684>(link is external). Acesso em: 09 mar. 2018. doi:http://dx.doi.org/10.11606/va.v0i22.51684(link is external)..

Cabral, Amílcar (1965) “Uma lição histórica” in Bragança, Aquino; Wallerstein, Immanuel (orgs.) (1978) Quem é o inimigo? II. Lisboa: Iniciativas Editoriais.

Cabral, Luís (1984) Crónica da Libertação. Edições O Jornal, reproduzido por Fernando Casimiro no blogue: http://www.didinho.org/Arquivo/PINDJIGUITIMEMORIASDEUMAREALIDADEPRESENTE...

fonte: esquerda.net

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