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quarta-feira, 16 de março de 2022
BASQUETEBOL: Descobrindo os internacionais que fizeram o jogo em Dakar.
Guerra na Ucrânia: os riscos para o Senegal.
Guerra na Ucrânia pode provocar crise alimentar mundial.
O preço do trigo sobe todos os dias, atingindo recordes máximos. Na bolsa de mercado futuro de Chicago, a maior praça mundial de produtos agrícolas, o preço aumentou 50% depois do ataque russo à Ucrânia. Ambas as partes em conflito, a Rússia e a Ucrânia, estão entre os maiores exportadores de trigo do mundo.
Segundo o economista agrícola Matin Qaim, diretor do Centro de Pesquisa de Desenvolvimento, em Bona, na Alemanha; "a Rússia e a Ucrânia, juntas, têm uma enorme participação no mercado de trigo mundial. Chega a ser 33,3% do que é comercializado no mundo."
A Rússia é de longe o maior exportador de trigo, seguido dos Estados Unidos, Canadá, França e Ucrânia, que ocupa, assim, o quinto lugar entre os maiores exportadores do produto.
"Grandes problemas ainda estão por vir"
Agora, com a guerra entre Rússia e Ucrânia, os maiores impactos ainda estão por acontecer, diz o analista. "A maioria dos cereais da Rússia e da Ucrânia é exportada em meados do ano e no final do ano. Os grandes problemas ainda estão por vir", alerta.
A guerra não dificulta apenas a exportação dos estoques de cereais existentes. Se o conflito se prolongar, pelo menos na Ucrânia, não será possível realizar o plantio e a colheita como habitualmente.
Assim, o preço do trigo deverá disparar ainda mais, representando um enorme problema para os países compradores, particularmente para os países em desenvolvimento, que dependem da importação.
Países como o Líbano ou o Egito, por exemplo, importam a maior parte da sua cesta básica. O mesmo acontece em países como o Quénia, que também está dependente das importações de trigo.
Mas o trigo não é o único produto alimentar exportado pela Rússia e pela Ucrânia. A fatia destes países no mercado internacional do milho e da cevada corresponde a quase 20%. Quanto ao óleo de girassol, chega aos 80%.
"Notamos aumentos de preços não apenas no trigo, mas também noutros alimentos. Para os mais pobres, nos países em desenvolvimento, o aumento dos preços dos alimentos significa, acima de tudo, mais fome. Não há outra saída que não seja comer ainda menos", afirma Qaim.
Esta foi uma preocupação compartilhada, esta semana, pelo secretário-geral da ONU. "Devemos fazer tudo o que for possível para evitar o furacão da fome e o colapso do sistema alimentar mundial", disse António Guterres.
Difícil compensar as perdas da Rússia
Neste momento, países como a Índia e a China ainda possuem elevadas reservas de trigo e poderiam abastecer o mercado mundial. "Claro que estes dois países podem reduzir os seus estoques e aumentar a oferta de trigo no mercado internacional. No entanto, isso não é suficiente para compensar a quota da Rússia e da Ucrânia", explica Qaim.
Por outro lado, o trigo e outros alimentos continuam a ser cultivados e colhidos na Rússia. "A questão agora é saber se poderemos encontrar formas de garantir que, apesar da guerra, as exportações de alimentos russos evitem uma catástrofe humanitária. Nomeadamente, os impactos da guerra noutras partes do mundo", diz o especialista.
Pelo menos, por enquanto, isso não deverá acontecer. Devido aos aumentos de preços resultantes das sanções económicas impostas por países ocidentais à Rússia, o Kremlin restringiu as exportações de vários produtos para assegurar o abastecimento da sua população nacional.
As restrições russas à exportação de cevada, centeio, trigo, milho, açúcar e outros produtos começaram esta terça-feira (15.03) e permanecem em vigor até 30 de junho.
As sanções impostas contra a Rússia não só tornam as exportações deste país mais difíceis, como inviabilizam também os pagamentos, já que vários bancos russos foram excluídos do sistema de pagamentos internacionais SWIFT. Neste sentido, o economista Matin Qaim alerta que "é preciso discutir seriamente aqui as isenções para os alimentos".
A Ucrânia, outrora chamada "o celeiro da Europa" devido aos seus solos férteis, está a ser fortemente abalada pelo conflito com a Rússia. Mas não deverá sofrer sozinha os efeitos desta guerra.
fonte: DW Africa
Últimas notícias: Alarmes soam por toda a Ucrânia.
07:53 – Cidade para onde fugiram habitantes de Mariupol é bombardeada
A cidade de Zaporínjia, no sul da Ucrânia, que tem servido como refúgio seguro para milhares de pessoas que fogem da cidade portuária sitiada de Mariupol, foi atacada pelas forças russas nesta quarta-feira, informaram autoridades ucranianas.
"Objetos civis foram bombardeados pela primeira vez em Zaporínjia", escreveu o governador regional, Alexander Starukh, no Telegram. "Os foguetes caíram na área da estação ferroviária Zaporozhye-2". Segundo ele, não houve vítimas.
Zaporínjia está situada a cerca de 230 quilômetros a noroeste de Mariupol, cidade que está isolada do resto do país, contornada por tropas russas, e que enfrenta uma catástrofe humanitária em meio a uma drástica escassez de água, alimentos e energia.
A Rússia nega atacar civis.
07:20 – Lavrov vê esperança de acordo
O ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, vê chances de um acordo nas negociações entre Moscou e Kiev. As conversas não são fáceis, disse, "mas há certa experança de que se chegue a um acordo", disse à emissora do jornal russo RBK.
Segundo Lavrov, já há formulações concretas, o que indicaria que se está perto de um acordo. De acordo com o ministro, está em discussão que a Ucrânia declare sua neutralidade, o que está sendo "seriamente discutido, naturalmente em conjunto com garantias de segurança".
Representantes de ambos os países devem dar continuidade a negociações nesta quarta-feira, por videoconferência. (ARD)
05:37 – Quase 175 mil refugiados da Ucrânia registrados na Alemanha
O número de refugiados da Ucrânia que chegam à Alemanha continua aumentando. De acordo com o Ministério do Interior alemão, 174.597 refugiados foram registrados até agora.
No entanto, o número real pode ser maior, porque não há controles regulares na fronteira entre a Polônia e a Alemanha, e as pessoas com passaporte ucraniano podem circular livremente pela União Europeia por 90 dias.
Um registro é necessário somente se a pessoa desejar solicitar benefícios do Estado. (ARD)
04:29 – Autoridades reportam 500 mortes em Kharkiv desde o começo da guerra
De acordo com a administração local, ao menos 500 moradores foram mortos na cidade de Kharkiv, no leste da Ucrânia, desde o começo da invasão russa. A informação não pôde ser verificada de forma independente pela DW. A Rússia nega mirar civis em suas operações militares. (ots)
Negociações entre Ucrânia e Rússia seguem nesta quarta-feira
Um dos negociadores-chefe da Ucrânia, Mykhailo Podoliak, disse que as negociações com a Rússia continuarão nesta quarta-feira, mas afirmou que existem "contradições fundamentais" entre os dois lados. Ele descreveu as conversas como difíceis.
As conversações por videoconferência ocorrem após três rodadas de negociações pessoalmente em Belarus, que fracassaram em produzir resultados concretos.
Moscou insiste em obter garantias de que a Ucrânia não vá aderir à Otan, além de um acordo de neutralidade. Por sua vez, Kiev exige o fim imediato da guerra e a retirada das tropas russas.
Horas antes, o assessor da presidência ucraniana, Ihor Zhovkva, afirmou que as negociações se tornaram "mais construtivas". (AP)
04:00 – 90% dos ucranianos em risco de pobreza
De acordo com o especialista em desenvolvimento da ONU Achim Steiner, nove em cada dez ucranianos estão em risco de pobreza no caso de uma guerra duradoura.
Na pior das hipóteses, a economia do país entraria em colapso e acabaria com duas décadas de crescimento, disse Steiner, administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). (ARD)
03:35 – Ucrânia relata morte de mais um general russo
A Ucrânia disse que o major-general russo Oleg Mityaev foi morto nesta terça-feira em combates na cidade de Mariupol, no sudeste do país. A informação foi divulgada pelo assessor do Ministério do Interior ucraniano, Anton Gerashchenko.
Mityaev era comandante da 150ª divisão de fuzileiros motorizados e havia servido na Síria, disse Gerashchenko.
Não houve confirmação da Rússia sobre a morte. Segundo a Ucrânia, trata-se do quarto general russo morto desde o começo da guerra. (DW)
03:32 – FMI alerta que guerra na Ucrânia é grande golpe na economia global
O FMI alertou em um relatório publicado em seu site que a crise na Ucrânia causará um crescimento mais lento e uma inflação mais rápida em todo o mundo.
Preços mais altos de commodities como alimentos e energia vão impulsionar ainda mais a inflação, disse o FMI. A Ucrânia e a Rússia são grandes exportadores de trigo, e a guerra pode colocar pressão sobre a oferta global do grão. O preço do trigo atingiu um recorde nos últimos dias, disse o FMI.
Os países dependentes das importações de petróleo, do qual a Rússia também é um grande exportador, podem ter déficits maiores e mais pressão inflacionária, de acordo com o FMI. Alguns países exportadores de petróleo do Oriente Médio e da África, porém, podem se beneficiar de preços mais altos.
"As consequências da guerra da Rússia na Ucrânia já abalaram não apenas essas nações, mas também a região e o mundo", disse o FMI. (DW)
sexta-feira, 11 de março de 2022
Zelensky acusa Moscovo de atacar corredor humanitário para Mariupol.
© Getty Images O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou hoje o Exército russo de impedir a retirada de civis das cidades sitiadas no sudeste da Ucrânia e de realizar ataques à rota prevista para o corredor humanitário de Mariupol.
"As tropas russas não param de disparar. Apesar de tudo, decidi enviar um comboio de veículos para Mairupol, com comida, água e medicamentos", revelou através de um vídeo.
O chefe de Estado ucraniano considerou estas ações russas um "terror presumido e descarado" feito por "terroristas experientes".
Volodymyr Zelensky adiantou que 100.000 pessoas conseguiram sair nos últimos dias de outras cidades ucranianas envolvidas em confrontos devido à invasão russa.
Só esta quinta-feira, 40.000 pessoas saíram das suas cidades através dos corredores humanitários, acrescentou.
O Exército russo mantém o cerco de várias grandes cidades ucranianas e continua os seus bombardeamentos, como o que atingiu um hospital pediátrico e uma maternidade, na quarta-feira, em Mariupol, cidade com um porto estratégico no mar de Azov, que está sitiada há dez dias.
A Rússia revelou na quinta-feira que vai abrir corredores humanitários todos os dias para permitir que os refugiados ucranianos cheguem a território russo.
"Anunciamos oficialmente que os corredores humanitários para a Federação Russa vão ser abertos unilateralmente, sem coordenação, todos os dias a partir das 10:00 [07:00, em Lisboa]", disse o Ministério da Defesa russo, segundo agências de notícias russas.
Os corredores virados para "outras direções serão negociados com o lado ucraniano", acrescentou.
As autoridades da Ucrânia defendem que os corredores humanitários sejam para dentro do seu país rumo ao Ocidente e abriram na quinta-feira mais sete corredores para retirar os civis de algumas das cidades mais importantes do país.
As travessias que passaram a ser seguras estão localizadas em Mariupol, uma das cidades do sudeste da Ucrânia que mais tem sofrido com o cerco russo, além de Volnovaja, Izium, Sumi, Trostianets e Krasmopil.
As autoridades também se estão a esforçar para garantir rotas seguras para a saída da população das cidades em redor da capital: Bucha, Borodianka, Irpin e Gostomel, indicou a vice-primeira-ministra e ministra para a Reintegração dos Territórios Temporariamente Ocupados da Ucrânia, Iryna Vereshchuk, citada pela agência nacional ucraniana Ukrinform.
A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou pelo menos 516 mortos e mais de 900 feridos entre a população civil e provocou a fuga de mais de 2,1 milhões de pessoas para os países vizinhos, segundo os mais recentes dados da ONU.
A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.
Leia Também: Ucrânia. Nem todas as empresas ocidentais cortam laços com a Rússia
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fonte: www.msn.com/pt
Putin "cometeu um erro grave" e "perderá esta guerra".
"Vladimir Putin cometeu um erro grave e perderá esta guerra que começou, devido à coragem, resiliência e inspiração dos bravos ucranianos, e também pela unidade, pela firmeza dos países aliados", disse Trudeau, repetindo a mesma frase em francês e inglês, numa conferência de imprensa com o Presidente polaco, Andrzej Duda.
Os aliados "não permitirão, não podem permitir que Putin ganhe depois de desrespeitar as regras internacionais, visando civis, invadindo o país vizinho", prosseguiu o primeiro-ministro canadiano, que está em visita à Polónia.
"Faremos tudo para garantir que Putin enfrenta graves consequências pelas escolhas que fez e por quaisquer más escolhas que possa fazer nos próximos dias e nas próximas semanas", prometeu.
O chefe do Governo do Canadá considerou que Vladimir Putin "contava com o facto de, em democracias, ser por vezes difícil encontrar entendimentos, mas encontrou uma união, uma ferocidade na resposta económica que demonstrou como as democracias podem e vão defender os princípios em que foram fundadas".
"A Polónia e o Canadá estão entre os países que mais pressionaram a ação", disse.
O Presidente polaco também se pronunciou a favor de sanções "multidirecionais" e "relâmpago" destinadas a atingir a economia russa, por um lado, e Vladimir Putin e aqueles que o rodeiam, por outro.
Andrzej Duda disse ainda que espera ver Putin a responder pelos seus "crimes de guerra" perante o Tribunal Penal Internacional.
A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou já a fuga de mais de 2,3 milhões de pessoas para os países vizinhos -- o êxodo mais rápido na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, de acordo com os mais recentes dados da ONU.
A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional e muitos países e organizações impuseram sanções à Rússia que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.
A guerra na Ucrânia, que entrou hoje no 15.º dia, provocou um número ainda por determinar de mortos e feridos, que poderá ser da ordem dos milhares, segundo várias fontes.
Embora admitindo que "os números reais são consideravelmente mais elevados", a ONU confirmou hoje a morte de pelo menos 549 civis e 957 feridos.
Leia Também: Canadá envia "equipamento militar altamente especializado" para a Ucrânia
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fonte: www.msn.com/pt
quinta-feira, 10 de março de 2022
Ucrânia quer repatriar suas tropas presentes na RDC e no Mali.
Rússia proíbe algumas exportações em resposta a sanções.
Benin: Samuel Eto'o visita a exposição de 26 obras culturais.
Senegal: Após sua demissão - Papa Amadou Sarr agradece Macky Sall e pede desculpas.
Europa de olho em África para importar gás natural
A invasão russa da Ucrânia está a forçar a Europa a diversificar o seu fornecimento de energia. "A Alemanha e a Europa devem agora compensar rapidamente o que perderam nos últimos 20 anos", disse Stefan Liebing, presidente da Associação Empresarial Alemanha-África, num recente comunicado de imprensa.
Liebing aconselhou o Ministro da Economia alemão, Robert Habeck, a viajar para países africanos como a Argélia, Nigéria, Egipto e Angola, o que poderia ajudar a libertar a Europa da sua dependência do gás russo.
A Argélia é o 10º maior produtor mundial de gás. As cargas de gás natural liquefeito (LNG, na sigla em inglês) exportadas em 2021 destinavam-se em grande parte aos mercados europeus. Isto faz da Argélia um dos cinco maiores exportadores de LNG para a Europa.
As falhas da Argélia
Desde o início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, a Argélia tem manifestado a vontade de aumentar as exportações de gás natural. No entanto, segundo Alice Gower, directora de geopolítica e segurança do think tank londrino Azure Strategy, as reservas da Argélia estão no fundo do poço.
"No início deste ano, o grupo estatal argelino de petróleo e gás Sonatrach anunciou um importante pacote de investimento de 40 mil milhões de dólares (36 mil milhões de euros) para um período de cinco anos, mas isso não significa que a Argélia possa intervir agora a curto prazo", disse Gower à DW.
Os dois principais operadores energéticos, a espanhola Naturgy e a argelina Sonatrach, poderiam aumentar a capacidade do gasoduto Medgaz com pouco esforço.
O gasoduto liga a Argélia diretamente a Espanha. Mas a Argélia nem sequer tem capacidade para o encher com gás argelino suficiente, disse Gower.
A especialista diz que Argélia poderia ter uma alternativa completamente diferente de bombear mais gás liquefeito para Espanha e Portugal com o Gasoduto Magrebe-Europa (MEG) de alta capacidade.
Mas esse gasoduto atravessa Marrocos. Em outubro passado, tensões políticas entre Argel e Rabat levaram a que o contrato entre a Sonatrach e o Ministério da Energia marroquino não fosse renovado.
O principal problema da Argélia relativamente a isto, segundo Gower, era que Argel não concordou em pagar 10% das receitas do gás como taxa ao Reino de Marrocos, como tinha acontecido no passado.
O Egito prefere a China
Do outro lado do Norte de África, o Egipto teve o maior crescimento anual das exportações em 2021, de acordo com um relatório da Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo.
1,4 milhões de toneladas de LNG no segundo trimestre em comparação com zero exportações de LNG no mesmo período do ano passado. Simultaneamente, o LNG é também o único gás atualmente exportado pelo Egito, uma vez que o país não está atualmente ligado a uma rede europeia de gasodutos.
A situação do fornecimento de gás flutua. "Atualmente, o Egito também está a ficar sem capacidade de exportação de LNG", disse Gower. No entanto, para o Egito, trata-se muito mais do aspeto económico neste momento.
Segundo Gower, a China tem oferecido ao país contratos a longo prazo em boas condições. Assim, para o Egito, faz sentido continuar a ser um fornecedor fiável e manter a sua quota de mercado chinesa.
De acordo com o portal de estatísticas statista.com, as reservas de gás natural da Líbia em 2020 ascenderam a cerca de 1,4 mil milhões de metros cúbicos. Contudo, o país está tão dividido politicamente que nem sequer aparece na lista de países que exportam para a Alemanha.
Mesmo que o gás líbio estivesse disponível, a infraestrutura é insuficiente para impulsionar as exportações, e muito menos para receber os pagamentos. Assim, a Líbia desistiria de ser um fornecedor substituto do gás russo para a Alemanha ou para a Europa.
fonte: DW Africa
sexta-feira, 4 de março de 2022
SENEGAL: MARINHA NACIONAL - 514 navios revistados, 2 toneladas de cocaína e 16,5 toneladas de haxixe apreendidas.
Guerra na Ucrânia: A "posição ponderada" de Angola e de Moçambique.
Afinal, de que lado estão Angola e Moçambique em relação à guerra na Ucrânia? Os dois países abstiveram-se, esta semana, durante a votação na Assembleia Geral das Nações Unidas de uma resolução de repúdio à invasão da Ucrânia pela Rússia.
A resolução foi aprovada por 141 dos 193 Estados-membros. Cinco votaram contra, incluindo a Rússia, e 35 países abstiveram-se. A China, Cuba, a África do Sul, a Tanzânia, a Namíbia, Angola e Moçambique estão entre as abstenções.
"A posição de Angola e de Moçambique é bastante ponderada", comenta Emília Pinto, especialista em assuntos internacionais.
As preocupações de Angola e Moçambique
Emília Pinto lembra que a grande preocupação de Moçambique, neste momento, é o combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado, no norte do país.
"A prioridade do Governo é garantir e manter a paz e segurança ao nível interno para só depois poder intervir em questões externas", explica.
Quanto a Angola, a posição do país pode ter duas interpretações, diz a especialista. A primeira está ligada à realização de eleições gerais em agosto deste ano.
"O país está a canalizar esforços para receber observadores internacionais, para canalizar apoios e investimentos para o próprio processo eleitoral. Então, convém não causar um desconforto diplomático."

A China faz investimentos multimilionários no continente. Estima-se que, só em Angola, em 2019, os investimentos diretos ultrapassavam os 2,8 mil milhões de dólares. Na África do Sul, iam além dos 6,1 mil milhões
A segunda interpretação, não menos importante, segundo Emília Pinto, são as fortes ligações económicas e comerciais que várias nações africanas, incluindo Angola, têm com o Estado chinês, visto como próximo da Rússia.
Para não esfriar as relações, "convém, agora, ter uma posição neutra. Manter os aliados por perto e com relações cordiais", entende Pinto.
Resolução é prejudicial?
Osvaldo Mboco, professor de Relações Internacionais da Universidade Técnica de Angola (UTANGA), frisa ainda que o Estado angolano opta tradicionalmente pela diplomacia na resolução dos conflitos internacionais.
"O facto de o Estado angolano se ter abstido não implica que se alinhou com a Ucrânia ou com o Ocidente, que vai impondo sanções por várias questões, muito menos defendeu a Rússia. Absteve-se porque é uma das prerrogativas que existem ao nível do processo de votação: voto contra, a favor e abstenção."
A África do Sul justificou a sua abstenção na votação desta semana com a necessidade de aprofundar o diálogo. A resolução das Nações Unidas a condenar a invasão russa da Ucrânia poderá criar uma divisão "mais profunda" entre as partes em conflito, considerou o Governo sul-africano.
fonte: DW Africa
Moçambique: Mexidas no Governo "só para acomodar interesses".
Adriano Maleiane toma posse esta sexta-feira (04.03) como novo primeiro-ministro de Moçambique. Substitui no cargo Carlos Agostinho do Rosário, que ocupava a posição desde janeiro de 2015.
Para Ivone Soares, deputada da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), o principal partido da oposição, a indicação de Maleiane é acertada.
"É um governante com créditos firmados, uma pessoa competente. É um tecnocrata de mão cheia, que conhece o trabalho que faz, e tem presença. Não é uma pessoa que será abafada por seja quem for", considera da deputada.
As mudanças no Executivo de Filipe Nyusi não ficaram por aqui. No despacho da Presidência da República, divulgado na tarde de quinta-feira (03.03), Nyusi nomeou ainda Max Tonela,que dirigia o Ministério dos Recursos Minerais e Energia, para o cargo de ministro da Economia e Finanças.
Carlos Mesquita, que desde 2020 dirigia o Ministério da Indústria e Comércio, passa para o Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos. E Lídia Cardoso, que até então era vice-ministra da Saúde, passa a ministra do Mar, Águas Interiores e Pesca.
No entanto, há também novas caras nas nomeações.
Carlos Zacarias, que já foi Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Petróleo, foi indicado para o cargo de ministro dos Recursos Minerais e Energia. Silvino Moreno é o novo ministro da Indústria e Comércio e Amílcar Tivane será vice-ministro da Economia e Finanças.
O porta-voz do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), a segunda maior força política da oposição, mostra-se apreensivo quanto à remodelação governamental.
Não está em causa a competência dos ministros ora nomeados, ou exonerados, comenta Augusto Pelembe, o problema é mais vasto: "Ainda que os ministros fossem tão bons, as pessoas tornam-se incapazes estando dentro do sistema político do regime da FRELIMO", a Frente de Libertação de Moçambique.
Acomodação de interesses
Para Pelembe, as remodelações feitas por Filipe Nyusi não passam de uma mera acomodação de interesses individuais.
"Tem sido comum os chefes de Estado, quando chegam ao final do mandato, acomodar os seus que ainda não tinham tido pão", diz o político, acrescentando que este "é mais um ato para acomodar os seus do que para trazer soluções para o povo moçambicano", conclui o porta-voz do MDM.
A deputada da RENAMO Ivone Soares apela aos recém-nomeados para que arregacem as "mangas", porque, segundo avisa, "oque nós queremos como moçambicanos é que o país avance com soluções concretas para os problemas quotidianos do país".
Um Presidente "incompetente"
A ativista social Fátima Mimbire concorda que as mexidas devem se refletir no desenvolvimento do país, porque, segundo observa, o país tem "um Presidente despreparado para um país com o nível de complexidade de problemas que nós temos".
Mimbire diz que Nyusi é "um Presidente todo-poderoso, porque é presidente do partido, do país, presidente de tudo, mas, no final do dia, é um incompetente".
A ativista estranha, por outro lado, a indicação de Carlos Mesquita para o Ministério da Obras Públicas. Mimbire também considera que se trata de uma "acomodação" de interesses. "Não se trata aqui de colocar alguém que vai dinamizar o Ministério e fazer coisas extraordinárias", antevê a também jornalista.
Todos unidos antes da reunião do Comité?
Mimbire acredita que, com estas mudanças, Filipe Nyusi estará a preparar a sua máquina partidária, tendo em conta o próximo encontro do Comité Central da FRELIMO.
"É preciso que se vá à reunião do Comité Central com uma perspetiva de reconciliação, de que estão todos inclusos. Então, é como se estivéssemos a acomodar outros interesses para dizer que a FRELIMO está unida e coesa", observa.
A DW África tentou obter uma reação do partido governamental, a FRELIMO, mas o porta-voz desta formação política, Caifadine Manasse, não atendeu as ligações.
fonte: DW Africa
Boris Johnson acusa Putin de ameaçar "segurança de toda a Europa".
© Lusa O primeiro-ministro britânico acusou hoje o Presidente russo de "ameaçar diretamente a segurança de toda a Europa", na sequência do bombardeamento de uma central nuclear pelas forças russas na Ucrânia.
Boris Johnson disse que as ações de Vladimir Putin eram irresponsáveis, de acordo com um comunicado divulgado depois de uma conversa telefónica com o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
O primeiro-ministro do Reino Unido prometeu convocar uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU "nas próximas horas".
Também o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, disse ter falado com Zelensky, na sequência dos ataques russos que causaram um incêndio nas instalações da maior central nuclear da Europa, em Zaporizhzhia, no centro da Ucrânia.
"Estes inaceitáveis ataques por parte da Rússia devem cessar de imediato", escreveu Trudeau na rede social Twitter.
As autoridades ucranianas já garantiram que os seis reatores de Zaporizhzhia não foram afetados e que o incêndio atingiu apenas um edifício e um laboratório do local.
Zelensky acusou já Moscovo de recorrer ao "terror nuclear" e de "querer repetir" a catástrofe de Chernobyl.
A central de Chernobyl, local do pior desastre nuclear civil da história, em 1986, entretanto desativada, mas depósito de detritos nucleares, caiu nas mãos das tropas russas na semana passada.
"Centenas de milhares de pessoas sofreram as consequências [de Chernobyl], dezenas de milhares foram retiradas. A Rússia quer repetir isso e já está a tentar", afirmou Zelesnky.
"A Ucrânia conta 15 reatores nucleares. Se ocorrer uma explosão, é o fim de tudo. O fim da Europa. É a evacuação da Europa", advertiu.
Para o Presidente ucraniano, "apenas uma ação europeia imediata pode travar as tropas russas. É preciso impedir a morte da Europa num desastre nuclear".
A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar com três frentes na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamentos em várias cidades. As autoridades de Kiev contabilizaram, até ao momento, mais de 2.000 civis mortos, incluindo crianças, e, segundo a ONU, os ataques já provocaram mais de um milhão de refugiados na Polónia, Hungria, Moldova e Roménia, entre outros países.
O Presidente russo, Vladimir Putin, justificou a "operação militar especial" na Ucrânia com a necessidade de desmilitarizar o país vizinho, afirmando ser a única maneira de a Rússia se defender e garantindo que a ofensiva durará o tempo necessário.
O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional, e a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas para isolar ainda mais Moscovo.
Leia Também: Zelensky acusa Moscovo de recorrer ao "terror nuclear"
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fonte: www.msn.com/pt-pt/noticias/ultimas



