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sexta-feira, 3 de abril de 2026

INTEGRAÇÃO SOCIAL DE EX-REBELDES EM RUANDA: A Estratégia Calculada de Paul Kagame.

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No Ruanda, as autoridades anunciaram recentemente a reintegração na sociedade civil de mais de duas centenas de membros de grupos rebeldes, após vários meses num centro de desmobilização. Entre eles, contam-se membros das FDLR (Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda), nome deste grupo rebelde armado composto por exilados ruandeses e antigos hutus perpetradores do genocídio que se refugiaram na República Democrática do Congo (RDC) e que se opõem veementemente ao regime de Paul Kagame, cuja queda estão determinados a provocar. A sua presença, aliás, na vizinha RDC, onde não escondem a ambição de derrubar o regime do "homem magro de Kigali", é uma das principais fontes de tensão entre o Ruanda e a RDC. A reintegração social destes ex-rebeldes pelas autoridades ruandesas é de particular importância. Há anos que Kigali critica Kinshasa por tolerar a presença destes rebeldes no seu território, chegando mesmo a acusá-la de os apoiar. Isto tensionou as relações entre as duas capitais, que ainda se encaram com desconfiança. Como poderia ser diferente, se Kinshasa, por sua vez, vê a mão de Kigali por detrás dos rebeldes do M23, que voltaram a pegar em armas em 2021 no leste da RDC, de onde ameaçam avançar para a capital para confrontar o regime de Félix Tshisekedi? Esta situação complexa continua a agravar as tensões entre os dois países, que parecem estar presos na dinâmica mortal de se manterem mutuamente sob controlo através dos seus grupos rebeldes aliados. Contudo, é neste contexto, em que permanece a dúvida sobre até onde irá a escalada entre os dois rivais da África Central, que a acção das autoridades ruandesas de reintegração social destes ex-rebeldes assume um significado particular. Para além do facto de estes indivíduos reintegrados representarem um menor número de combatentes nas fileiras inimigas, esta operação parece ser um gesto de boa vontade de Kigali para com os insurgentes mais irredutíveis, visando tranquilizá-los quanto às intenções benevolentes das autoridades, desde que aceitem depor as armas e regressar à República. Trata-se, portanto, de um sinal forte, cujas repercussões ainda estão por vir, neste contexto de elevada tensão, em que a presença contínua destes combatentes armados do outro lado da fronteira pouco contribui para tranquilizar as autoridades de Kigali, que são obrigadas a permanecer em constante estado de alerta. Além disso, o Presidente Kagame, através desta acção, pretende claramente minar os líderes congoleses que acusa de apoiarem as FDLR e que disputam o seu poder. Ele não poderia ter agido de outra forma. Pois, se esta acção, parte do programa DDR (desarmamento, desmobilização e reintegração), obtiver um amplo apoio dos rebeldes, enfraquecerá, sem dúvida, o movimento. Isto demonstra que o Presidente Kagame está a empregar uma estratégia calculada nesta operação de reintegração social dos antigos rebeldes. Cabe ao povo ruandês acolher estes ex-combatentes nas suas fileiras. E isto é perfeitamente razoável num contexto em que a neutralização destes insurgentes ruandeses, presentes na RDC há quase três décadas, continua a ser uma grande preocupação para as autoridades em Kigali. Chegaram mesmo a abordar esta questão nos Acordos de Washington, assinados em junho de 2025 por ambas as partes na capital americana, condicionando a retirada das tropas ruandesas acusadas de apoiar os rebeldes congoleses do M23 no leste da RDC à neutralização das FDLR. De qualquer modo, o regresso destes ex-rebeldes à sociedade ruandesa é um passo no sentido certo, pois, dada a importância da história do país, os seus filhos e filhas precisam de se reconciliar consigo próprios para melhor curarem as feridas do passado. Isto é ainda mais importante porque a divisão é profunda. Uma coisa é considerar a reintegração social destes ex-rebeldes, e outra bem diferente é poder apoiá-los nas suas novas vidas e mantê-los ocupados de forma produtiva para que não sejam tentados a regressar aos seus antigos hábitos. Só assim as autoridades ruandesas darão a melhor hipótese de sucesso a esta operação, que já envolveu nada menos de doze mil pessoas desde 2001, segundo Kigali. Mas, para além do apoio das autoridades, cabe ao povo ruandês acolher estes ex-combatentes na sua sociedade para facilitar a sua reintegração. from: “Le Pays”

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Samuel

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