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sábado, 4 de abril de 2026
Marchas massivas na Argentina a 50 anos do golpe militar.
NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...
A memória nos chama a escolher sempre a Humanidade diante do Ódio¨. Milhares de argentinos manifestaram-se por todo o país em memória do golpe militar há meio século.
Enquanto mais vítimas da ditadura são reveladas, incluindo campo de concentração para bebês, contundentes frases e discursos contrapuseram-se ao silêncio de Milei sobre o terrorismo de Estado de sete anos na Argentina.
Aos 50 anos do golpe cívico-militar na Argentina cumpridos em 24 de março, houve manifestações populares em todo o país, como ocorre todos os anos nesta fatídica data em que os argentinos recordam as vítimas, ao mesmo tempo em que exigem ¨memória, verdade e justiça, e ¨nunca mais” – principais lemas populares a cada ano, no aniversário da ditadura.
¨O nunca mais é hoje!¨: neste ano as mobilizações foram sensivelmente distintas das anteriores, em contraposição ao tradicional silêncio macabro do presidente Javier Milei nestas ocasiões: desta vez, há meio século desde que Rafael Videla tomou o poder em 1976 da presidente democraticamente eleita, Isabel Perón, a luta popular foi fortemente marcada não apenas pelo número de pessoas nas ruas, como também pela intensidade.
Massivamente com destaque a Buenos Aires, Córdoba. Rosário e Mendoza, de norte a sul do país centenas de milhares de argentinos, convocados por organizações de direitos humanos, sociais e políticas, coloriram ruas e praças públicas com camisetas, lenços brancos com mensagens, cartazes, bandeiras, fotos de vítimas e diversos outros objetos chamativos em um ambiente dividido entre confraternização e repúdio aos crimes de lesa-humanidade, um total de 30 mil ¨desaparecidos¨ pelo terrorismo de Estado de longos sete anos, imposto pela extrem-direita argentina.
Muitos destes crimes punidos, mas outros ainda não julgados ou nem sequer com a história devidamente recontada até os dias de hoje.
¨Digam onde estão!¨, foi o título de comunicado lido publicamente na central Praça de Maio em Buenos Aires a presidente de Abuelas de Plaza de Mayo, Estela de Carlotto (tradução exclusiva, na íntegra, ao final desta reportagem), e um dos brados mais ressoantes por toda a Argentina durante essas manifestações, cobrando do governo nacional resposta sobre o paradeiro das vítimas da ditadura militar. “São 30.000! Foi e é genocídio. Não esquecemos, não perdoamos e não nos reconciliamos!”, reivindicou Carlotto.
´Encontramos O Que Tanto Procurávamos´
Pouco antes, no dia 18 foram revelados 12 corpos de vítimas da ditadura na cidade de Córdoba em investigacao realizada pela Equipe Argentina de Antropologia Forense sob ordens do juiz Miguel Hugo Vaca Narvaja, com base em denúncias dos familiares dos ¨desaparecidos¨.
Os restos mortais foram localizados no local onde funcionava o antigo centro clandestino de detenção, tortura e extermínio, denominado “La Perla”.
¨Encontramos o que tanto procurávamos“, expressaram familiares das vítimas cujos ossos agora estão localizados.
Terror infantil
Uma das tantas histórias tenebrosas da ditadura argentina, diz respeito ao campo de concentração para bebês mantido pelos militares recentemente revelado. Raptados pelos militares de pais assassinados pela ditadura, esses bebês eram submetidos a maus-tratos nesses centros clandestinos.
Até o presente, 50 casos foram comprovados. Dentre os quais, o de Victoria Montenegro foi um dos maus cruéis: sequestrada com apenas treze dias de vida, cujos pais foram assassinados pelos militares, passou os primeiros meses de vida em uma delegacia de polícia da capital federal argentina.
Em 13 de fevereiro de 1976 a operação foi tão brutal que, quando a levaram da casa em William Morris, onde morava com os pais, pensaram que ela estivesse morta: seus olhos estavam abertos e ela não piscava; sangrava pelos ouvidos. Mais de três meses mais tarde, Victoria foi adotada por um militar.
O campo de concentração para bebês foi rememorado no aniversário de 50 anos do golpe: não pelos “defensores dos valores da família” da direita argentina (lá tal qual cá), hoje liderados por Milei, todos sempre em retumbante silêncio diante dos mais cruéis crimes do terrorismo de Estado da ditadura militar.
Mas sim pelos defensores de direitos humanos, tais quais Abuelas de Plaza de Mayo e Madres de Plaza de Mayo, que lutam para manter viva a memória e ter justiça em relação a um dos mais cruéis regimes da América Latina “livre”. Só assim, haverá chance de que não se repita nunca mais.
Abaixo, discurso das Abuelas de Plaza de Mayo traduzido ao português com exclusividade para esta reportagem:
Cinquenta anos após o golpe genocida, estamos juntos novamente nesta praça histórica e em todas as praças do país, com profunda convicção, a fim de reafirmar que a memória se defende através da luta e porque sabemos que é necessário unir nossas lutas, para fortalecê-las nestes tempos difíceis.
São 30 mil! Foi e é genocídio. Não esquecemos, não perdoamos e não nos reconciliamos!
Hoje eles estão presentes nesta praça, e queremos que as novas gerações e toda a sociedade saibam quem eram eles, como pensavam, como viviam, quais sonhos tinham e pelo que os 30 mil lutaram. É por isso que marchamos hoje com suas fotos. Porque estamos aqui para lembrar aquelas gerações que, em meados do século XX, começaram a se organizar para lutar contra aqueles que, como hoje, queriam transformar a Argentina em uma colônia do imperialismo ianque e europeu.
Em um país com forte desenvolvimento industrial, os operários, junto com os trabalhadores rurais, lutaram por condições de trabalho justas, salários dignos e acesso à terra. Ao mesmo tempo, amplos setores do movimento operário reviviam tradições históricas de luta e desenvolviam sua consciência de classe, formulando programas políticos e governamentais que iam além de meras reivindicações por melhores condições. Exemplos disso incluem o sindicalismo de libertação nacional promovido pela CGT [Confederação Geral do Trabalho] dos Argentinos, bem como as experiências de consciência de classe dos sindicatos e das organizações coordenadoras nos polos industriais das grandes cidades. O movimento estudantil defendia a unidade com a classe trabalhadora e uma universidade a serviço do povo. Defendia o legado da Reforma Universitária, não apenas sua autonomia e seu papel na cogestão, mas também o ensino superior gratuito que permitia que filhos e filhas de operários e camponeses ingressassem nas universidades.
A aliança operário-estudantil juntamente com as Ligas Agrárias, os Pais pelo Terceiro Mundo e o movimento das favelas uniram-se nos dias heroicos do Cordobazo, Mendozazo, Tucumanazo e tantas outras revoltas populares que desafiaram as ditaduras da época.
A greve histórica dos trabalhadores da Vila Constituição, em 1975, ocorreu nesse clima de mobilização, uma luta emblemática que desafiou uma liderança empresarial e política apegada à defesa de seus privilégios.
Os 30 mil desaparecidos, os mais de dez mil presos políticos e os milhares de exilados fazem parte desse movimento popular que se organizou e lutou apesar da perseguição, das proscrições e dos sucessivos golpes de Estado. Reivindicamos todas as suas lutas que integraram seu ativismo como ferramenta de transformação da realidade dentro das organizações peronistas revolucionárias, como os Montoneros, as FAP [Forças Armadas Peronistas] e o movimento Pais pelo Terceiro Mundo. A tradição guevarista do PRT-ERP [Partido Revolucionário dos Trabalhadores-Exército Revolucionário do Povo]; a tradição trotskista, como a do Partido Socialista Operário; e as tradições anarquista, socialista e comunista: o Partido Comunista, a Vanguarda Comunista e o Partido Comunista Revolucionário, para citar apenas algumas das centenas de organizações e espaços de participação política, sindical, estudantil e social, que lutam por uma sociedade sem opressão ou exploração. Nós viemos dessas tradições, e elas servem como experiências para fortalecer e revitalizar a luta popular contra o governo fascista de Milei e Villarruel.
Aqueles que perderam a vida eram filhos e filhas deste povo, assim como vocês, cheios de alegria, sonhos e esperanças, que assumiram a tarefa de mudar o mundo e o país. Essa tarefa permanece inacabada, e é nossa responsabilidade erguer suas bandeiras neste momento em que governos de extrema-direita, compostos por setores fascistas e alinhados ao imperialismo, atacaram mais uma vez os povos do nosso continente e do mundo.
A ditadura genocida foi precedida pelo governo de Isabel Perón, com López Rega e a Tríplice A [Aliança Anticomunista Argentina, AAA], a CNU [Concentração Nacional Universitária] e outros grupos fascistas; pelo experimento genocida da Operação Independência, enquanto a Operação Cóndor avançava pelos países da região.
O golpe de Estado de 1976 estabeleceu um novo modelo econômico na Argentina baseado na financeirização do capital, na desindustrialização e na priorização das atividades do setor primário, acompanhada por uma abertura indiscriminada às importações. A ditadura desencadeou um genocídio recorrendo ao terrorismo de Estado, cujo objetivo era desmantelar o alto nível de organização, participação política e consciência social que amplos setores do povo argentino haviam alcançado nas décadas anteriores.
Em 24 de março de 1976, o plano sistemático para o desaparecimento e assassinato de milhares de ativistas e combatentes foi nacionalizado. Mais de 800 centros clandestinos de detenção foram colocados em operação, pelos quais milhares de companheiras e companheiros passaram. Centenas de bebês nascidos durante o cativeiro de suas mães foram roubados e cresceram com suas identidades apagadas.
A grande maioria dos detidos e desaparecidos foi executada ou morreu em decorrência da tortura sofrida; muitos foram assassinados nos “voos da morte”. Seus corpos jamais nos foram devolvidos: por isso exigimos: digam-nos onde eles estão!
A partir daquele 24 de março de 1976, com o colapso institucional, o Congresso foi fechado, os partidos políticos foram suspensos e os sindicatos foram tomados. Centros estudantis e todas as formas de organização social foram proibidos. A imprensa, a ciência e a arte foram censuradas. Construíram o inimigo interno, chamando-o de “subversivos e terroristas” para justificar as ações criminosas contra organizações sociais, políticas, estudantis, trabalhistas, culturais e religiosas, e contra todas as formas de luta e resistência do nosso povo.
Quando dizemos que são 30 mil, estamos nos referindo às suas vidas, às suas lutas, ao seu ativismo e ao seu compromisso com os povos oprimidos.
Aquele golpe genocida foi uma operação civil-militar, com a participação de grupos econômicos, setores da Igreja e da embaixada dos Estados Unidos.
Há quarenta e nove anos, Rodolfo Walsh publicou sua Carta Aberta à Junta Militar e denunciou a miséria planejada, o verdadeiro cerne do projeto da ditadura. Sabemos quem lucrou com o sangue do povo: os Blaquiers, os Noble Herreras, os Pérez Compancs, os Roccas, os Macris, Ford, Mercedes-Benz, Martínez de Hoz, Braun, Fortabat, os Madanes Quintanillas, entre outros, que aumentaram exponencialmente a dívida externa.
Mesmo na Guerra das Malvinas, os militares cometeram crimes contra a humanidade contra os recrutas que de fato lutaram contra o inimigo britânico apoiado pelos EUA.
A impunidade foi uma política de Estado por décadas; foi a luta incansável das mães, avós, parentes e sobreviventes, organizações de direitos humanos, juntamente com a mobilização popular e a rebelião de 2001, e a condenação social da impunidade, que possibilitou avançar e reabrir os julgamentos de mais de 1.500 perpetradores de genocídio, nos quais os depoimentos dos antigos detidos desaparecidos foram decisivos.
Crimes contra a humanidade são imprescritíveis, e o desaparecimento forçado é um crime que continua sendo cometido até que o destino de cada pessoa desaparecida seja conhecido. Portanto, o desaparecimento forçado não é uma questão do passado, mas do presente, como evidenciado pelos 12 companheiros assassinados em La Perla, recentemente identificados pela Equipe Argentina de Antropologia Forense. Eles devem nos dizer onde estão! E dizemos BASTA de atrasos judiciais, CHEGA!!! de privilégios e prisão domiciliar.
Foram as lutas do povo que derrotaram repetidamente as sucessivas tentativas de impunidade, como a lei de autoanistia militar, as leis de Obediência Devida e Ponto Final, os indultos de Menem e a decisão “2 x 1” do Supremo Tribunal durante o governo Macri.
Cinquenta anos após o golpe, exigimos a abertura e a liberação urgentes de todos os arquivos do Estado de 1974 a 1983 para avançar nas investigações sobre os responsáveis por esses crimes.
Julgamento e punição para todos os oficiais militares genocidas, membros das forças de segurança, funcionários civis e cúmplices que ainda não foram condenados. Prisão perpétua em cadeias comuns para todos os perpetradores de genocídio.
Milei está promovendo o mesmo programa imposto por grandes corporações durante a ditadura cívico-militar para maximizar seus lucros e aprofundar a dependência. Governos como os de Menem e Macri aprofundaram esse modelo por meio de medidas de austeridade, privatizações, desindustrialização e desmantelamento de políticas públicas e direitos sociais.
O governo “La Libertad Avanza” (A Liberdade Avança) está aprofundando a dependência de Trump e do imperialismo estadunidense. Ataca os direitos populares e obedece aos ditames do FMI com uma reforma trabalhista escravagista, aprovada pelo partido governista e seus aliados. Para isso, contaram com o apoio fundamental de deputados e senadores que respondem a governadores que implementam medidas de austeridade. A isso se somam outras contrarreformas, como as que afetam as pensões, os impostos, a política e o sistema penal, enquanto os recursos comuns são entregues como espólio para o extrativismo mais implacável.
Essas reformas representam um retrocesso de mais de um século em direitos conquistados por meio da luta: a jornada de trabalho de oito horas, o direito a uma aposentadoria digna e o acesso à saúde e à educação públicas. Elas avançam atropelando a Constituição Nacional, tratados internacionais e leis de proteção.
Esses modelos capitalistas neoliberais não podem ser impostos sem repressão. Assim, intensificam os ataques à organização popular, perseguem aqueles que lutam, equipam forças repressivas, fabricam casos, criminalizam, expandem ilegalmente os poderes dos serviços de inteligência, formam comandos de força federais e provinciais para intervir em conflitos trabalhistas, toleram a brutalidade policial e militarizam funções civis, avançando rumo a um regime mais autoritário, antidemocrático e repressivo.
Hoje temos um governo que não só nega o passado, como também defende o terrorismo de Estado e o genocídio. Por essa razão, desmantela as políticas de Memória, Verdade e Justiça e corta o financiamento de memoriais localizados nos antigos centros de detenção clandestinos. Deixa de cumprir a obrigação do Estado de fornecer reparações históricas e pensões para ex-presos políticos, exilados, seus filhos e sobreviventes que recebem pensões mínimas e não têm cobertura da segurança social.
Denunciamos a censura e o assédio aos trabalhadores que continuam mantendo esses locais, proibindo-os de realizar atividades essenciais para a preservação da memória. Exigimos a sua preservação e a proteção das provas materiais.
As consequências do plano sistemático de roubo de bebês durante o último golpe de Estado ainda persistem. Os centenas de bebês nascidos em centros de detenção clandestinos, as crianças que desapareceram com seus pais, que continuamos a procurar, são os desaparecidos vivos da ditadura.
Cada neto recuperado pelas Avós da Praça de Maio é uma prova das atrocidades cometidas pelo terrorismo de Estado: sequestro, desaparecimento forçado, assassinato, roubo, rapto de crianças e falsificação de documentos públicos.
O Estado deve garantir o retorno dos netos apropriados, mas desde que o governo Milei assumiu o poder, nada aconteceu além de uma redução nas políticas públicas para garantir esse e todos os direitos do povo. O Banco Nacional de Dados Genéticos teve sua estrutura comprometida e a Comissão Nacional pelo Direito à Identidade teve o quadro de funcionários reduzido pela metade.
Resolvemos 140 casos. Ainda procuramos quase 300 homens e mulheres cujas identidades foram alteradas, os quais, sem saber, transmitem aos seus filhos o silêncio que envolve o desaparecimento dos seus pais. Precisamos das instituições públicas, do apoio da sociedade, do exercício da memória e da quebra dos pactos de silêncio para continuarmos a encontrar os filhos daqueles que lutaram por um país mais justo. Portanto, se souber de alguém com dúvidas, apoie-o; e se tiver informações sobre um possível filho de desaparecido, informe-nos. Nunca é tarde demais.
Estamos nesta praça, com os 30 mil desaparecidos como nossa bandeira, com as mães e avós, com os sobreviventes dos campos de concentração, com os filhos, filhas, netos e netas, irmãos e irmãs, com as famílias dos desaparecidos e com todas as organizações de direitos humanos, unidos ao povo, para dizer a Milei: a memória é a nossa ferramenta. E para exigir: digam-nos onde eles estão! Cinquenta anos depois do golpe, exigimos que os perpetradores do genocídio e seus cúmplices divulguem as informações que estão escondendo. Apesar dos julgamentos, das provas e das condenações por seus crimes, eles continuam a manter o pacto de silêncio.
Após consolidar a condenação social e conquistar a anulação das leis de impunidade por meio da luta popular, os julgamentos finalmente começaram. Foi nesse contexto que Jorge Julio López desapareceu novamente e, 20 anos depois, ainda não sabemos onde ele está ou o que lhe aconteceu: Jorge Julio López precisa ser encontrado e os responsáveis precisam ser punidos! Justiça para Silvia Suppo, testemunha nos julgamentos por crimes contra a humanidade.
Enquanto os sobreviventes continuam relatando o terror nos julgamentos, cada vez menos perpetradores do genocídio estão na prisão: mais de 80 por cento dos detidos estão em prisão domiciliar, outros estão na prisão VIP de Campo de Maio, e mais de 1.500 estão em liberdade.
Enquanto os perpetradores do genocídio são absolvidos pelo governo, políticas repressivas e perseguições judiciais tornam-se os métodos utilizados para silenciar as lutas populares. A criminalização dos protestos avança. Delegados de cooperativas e organizações sociais, membros da comunidade, ativistas políticos e manifestantes são perseguidos, processados e presos.
Cinquenta anos após o golpe genocida, valorizamos este grande ato de unidade que transcende nossas diferenças. De todas as organizações e grupos de direitos humanos que se reuniram na Praça de Maio e em praças por todo o país, exigimos com convicção inabalável:
Liberdade para Milagro Sala, Facundo Jones Huala, Milton Tolomeo, Daniel Vera e todos os presos políticos! Exigimos a anulação de todas as acusações contra eles. Exigimos a anulação da condenação de Alejandro Bodart e a retirada das acusações contra Vanina Biassi, porque denunciar o genocídio não é crime.
A prisão e a proscrição de Cristina Fernández de Kirchner, ex-presidente da Argentina, em um processo denunciado por flagrantes irregularidades durante o qual houve uma tentativa de assassinato contra ela, merecem nossa preocupação e condenação. Liberdade para Cristina Fernández!
Apesar de tudo o que construímos nessas mais de quatro décadas desde o fim da ditadura, a repressão estatal ceifou a vida de centenas de argentinos, como aqueles assassinados em 19 e 20 de dezembro.
Mais de 20 anos após o Massacre de Avellaneda, exigimos justiça e punição para os responsáveis políticos pelos assassinatos de Darío Santillán e Maxi Kosteki.
Presentes os campanheiros Mariano Ferreyra e Carlos Fuentealba. Justiça para Luciano Arruga, Santiago Maldonado, Rafael Nahuel, Facundo Castro, Elías Garay, Luis Espinosa, Facundo Molares, Florencia Morales, Juan Gabriel González, vítimas da brutalidade policial e todas as outras vítimas da repressão estatal.
O governo Milei e Villarruel transformou a repressão a protestos e ataques ao direito de greve em política de Estado, para impedir a mobilização.
Revoguem o protocolo antiprotetos inconstitucional de Bullrich! Parem a repressão estatal!
Parem com a violência policial, as batidas policiais, as prisões arbitrárias e a perseguição!
Exigimos o fim do assédio, da tortura e das mortes em centros de detenção e prisões!
Revoguem a lei que reduz a idade de responsabilidade penal e criminaliza adolescentes. Nossas crianças e jovens não são criminosos. Pela implementação efetiva de políticas públicas que garantam e ampliem os direitos e fortaleçam o sistema integral de proteção à criança e ao adolescente, por infâncias e adolescências livres de toda violência.
Repudiamos o desmantelamento de políticas públicas baseadas na solidariedade. Assistência social universal, não à eliminação de programas sociais, aumento dos benefícios, reabertura das inscrições e distribuição de alimentos para cozinhas comunitárias. Por trabalho digno.
Condenamos o ataque brutal contra aposentados e a repressão a todas as mobilizações populares. Exigimos aumento imediato nas pensões! Justiça para Pablo Grillo, e punição para os responsáveis!
Dizemos não à destruição da saúde pública. E à política de fechamento, desmantelamento, demissões e privatização de hospitais e programas de saúde. Em defesa do Hospital Garrahan como causa nacional! Rejeitamos os processos disciplinares, sanções e tentativas de demissão que o governo quer realizar apesar da decisão judicial favorável! Implementação efetiva da Lei de Emergência Pediátrica e da Lei Nacional da Deficiência.
Defesa incondicional da educação gratuita, laica e pública em todos os níveis! Não à degradação do Ministério da Educação. Implementação efetiva da Lei de Financiamento Universitário e rejeição à última tentativa do governo Milei de modificá-la para evitar o cumprimento.
Não à entrega de recursos comuns. A Lei das Geleiras não deve ser alterada. Defendemos a terra e a água contra o extrativismo. O RIGI aprofunda a política que incendeia e inunda nossos territórios e persegue nossas comunidades.
Parem a militarização de nossos territórios. Exigimos respeito aos direitos dos povos indígenas às suas terras ancestrais, à autodeterminação e à sua cultura, e apoiamos suas reivindicações de restituição. Abaixo, toda a legislação repressiva: leis antiterroristas, revogação da reforma inconstitucional do Código Penal, leis sobre reincidência criminal, atividades antimáfia e o decreto que autoriza as Forças Armadas a usar inteligência e segurança interna.
Exigimos que os três poderes do Estado anulem e revoguem a Lei-Quadro e os Decretos 70/23 e 941/25, que fortalecem ainda mais a antiga Secretaria de Inteligência do Estado (SIDE).
Rejeitamos as políticas pró-fascistas, colonialistas, racistas e xenófobas deste governo. Parem de atacar e perseguir migrantes. Migrar não é crime!
Repudiamos o desmantelamento das políticas de gênero e diversidade, o ataque aos direitos conquistados por mulheres e pessoas LGBTQIA+, a promoção de discursos de ódio nos mais altos escalões do Estado, bem como o aumento da violência de gênero. Parem os feminicídios. Tragam Tehuel de volta à vida. Justiça para Diana Sacayán. Cuidado e reparação para a população trans e travesti.
Dívida é uma farsa, e farsas não devem ser pagas. A única dívida é com o povo; esse dinheiro deve ser usado para aposentadorias, medicamentos, proteção social, empregos, moradia, saúde e educação, não para o FMI. Fora com o FMI!
Abaixo, a reforma trabalhista escravagista de Milei, a reforma do FMI e a reforma trabalhista. Parem as demissões de trabalhadores dos setores público e privado. Não ao fechamento de empresas e à perda de empregos. As políticas de austeridade e a destruição de direitos têm sido e continuam sendo devastadoras, e não foram acompanhadas de um plano de ação robusto para detê-las. As centenas de milhares de nós que hoje lotamos as ruas demonstram nossa vontade de lutar. Precisamos que os sindicatos liderem um plano de ação contra essas políticas. Greve geral e plano de ação agora.
Desta praça, nos solidarizamos e abraçamos as lutas mundo afora..
Justiça para as meninas de Villalba, assassinadas pelo Exército paraguaio. Exigimos o retorno seguro de Lichita. Fora com o imperialismo estadunidense na Venezuela! Parem o bloqueio e a agressão contra Cuba! Ianques fora da América Latina!
Milei está alinhado com o sionismo genocida. Defendemos uma Palestina livre, condenamos o genocídio em Gaza e a agressão dos EUA e de Israel contra o povo do Irã. Dizemos NÃO ao genocídio, NÃO à guerra.
Pela autodeterminação dos povos.
Cinquenta anos se passaram e continuamos lutando por Memória, Verdade e Justiça. Por pão, saúde e trabalho. Educação e moradia.
Ergamos bem alto as fotos dos desaparecidos. Neste momento, eles olham para a Casa do Governo, para aquele ramo do governo que não os procura, enquanto nega sua existência.
Com 30.000 lutas como nossa bandeira, não esquecemos, não perdoamos, não nos reconciliamos. Porque somos a terra do Nunca Mais e do véu branco. Porque continuaremos, como disse Paco Urondo, até que tudo seja como sonhamos e como lutamos.
Cinquenta anos após o golpe genocida, estamos nesta praça para dizer juntos, com a união de que nosso povo precisa:
30 mil desaparecidos, presentes!
30 mil desaparecidos, presentes!
30 mil desaparecidos, presentes!
Agora e para sempre!
Agora e para sempre!
Agora e para sempre!
fonte: pravda.ru
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